COMENTANDO
BEM VIVER
por Sandra Florencio


16/setembro/2000

BOM DIA!

O que importa nesta vida é vencer e ajudar os outros a vencer também, mesmo que isso signifique diminuir o passo e até mudar o curso.

Um dia desses - em que eu consegui parar em frente à TV achando que valeria a pena - num desses canais de TV por assinatura, chamou minha atenção o show ao vivo de um conjunto de rock. O maridão, por perto, vendo meu interesse, não perdeu a chance de comentar com ar bem blasé que era o Def Leppard e se eu tinha reparado num detalhe curioso da banda. Prestando mais atenção quase não acreditei no que vi: o baterista só tinha um braço! Não é preciso entender muito de música para perceber que não deve ser muito fácil ser baterista com tal limitação. Vendo minha cara surpresa, Alex comentou que o músico - Rick Allen - tinha perdido o braço em um acidente de carro em 1984. No entanto, o mais incrível, foi o que aconteceu depois do acidente. Seus companheiros de banda não só esperaram 3 anos até o parceiro se recuperar para lançar o disco Hysteria (em 1987), mas deram um jeito de providenciar uma bateria especialmente adaptada para o amigo. Segundo o líder do grupo, o vocalista Joe Elliott, Rick é um tremendo baterista. Para vocês terem idéia do significado desse elogio, é o mesmo Joe que costuma dizer que "numa banda de rock o batera é a espinha dorsal do grupo".

Você deve estar se perguntando onde eu quero chegar com essa história toda... Bem, vendo aquele baterista tocando com tanta garra junto aos colegas - estão juntos até hoje - comecei a imaginar o quão especiais esses roqueiros poderiam ser...

Sempre foi mais comum, saber de grupos para quem o sucesso não conseguiu resistir as pressões do show business e as suas próprias (vaidade sendo a mais chatinha delas). Sempre discutiu-se o quanto é difícil manter um grupo de trabalho unido e bem sucedido, que saiba conciliar talentos não só no auge do sucesso, mas, principalmente naqueles momentos de revés. Sempre foi mais comentado, o quanto uma pessoa com algum tipo de limitação pode ser vítima de uma sociedade onde só os fortes conseguem seu lugar ao sol e, pior, sempre encontramos alguém (nós mesmos, até) que confessa rubro de vergonha, sentir comiseração e incômodo ao ver-se frente a frente com um portador de deficiência física ou mental (num mundo onde as deficiências éticas e morais certamente são as grandes e verdadeiras limitações à cidadania de pessoas nos 4 cantos do mundo).

É pouco comum ver um grupo esperar quase três anos para lançar um produto em função de um de seus integrantes estar recuperando-se de um problema de saúde. É bem pouco comum ver profissionais cujo negócio se vale de uma imagem arrojada e agitada investirem num colega que precisa desdobrar-se para confirmar essa aura de força, liberdade e independência.

Felizmente, por outro lado, vem sendo cada vez mais comum ver pessoas com algum tipo de limitação adquirida ou mesmo de nascença desafiando anos de compaixão e toda uma expectativa de sofrimento eterno com atitudes mais do que positivas, proativas. Proativas frente a realidade que se apresenta, ora amistosa, ora negligente, ora amiga, ora indiferente...

Pense nisso. Pense nas pessoas que você conhece que por conta de um pequeno contratempo (um atraso de 10 minutos numa ida ao cinema) discutiram horas e horas; empresas que por conta de uma idéia precipitada mandaram seus melhores "bateristas" embora, amigos que se abatem e deprimem com uma calvície precoce, enfim, pense em situações diversas para as quais aquele velho dito popular "Não faça tempestade em copo d' água" cai como uma luva e então, reveja suas estratégias de viver, ou melhor, bem viver.

Aproveitando o início das Olimpíadas, termino deixando com vocês um texto que recebi do amigo FÁBIO BEMFICA contando uma historinha acontecida algum tempo atrás.

"Vencer sim, mas não sozinho ...

Há alguns anos, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos.
Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.

Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto caiu rolando e começou a chorar.
Os outros oito ouviram o choro diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto disse:

"- Pronto, agora vai sarar."

E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada."

O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. E as pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa História até hoje. Por quê ? Porque, lá no fundo, nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho. O que importa nesta vida é vencer e ajudar os outros a vencer também, mesmo que isso signifique diminuir o passo e até mudar o curso.

Lembrem-se : A FELICIDADE É UMA VIAGEM E NÃO UM DESTINO


Eseva pra Sandra.

 

Sandra Florencio é administradora e consultora de gente.


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