| COMENTANDO BEM VIVER por Sandra Florencio |
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Desde o início da semana que passou, a dúvida quanto a escrever algo relacionado às olimpíadas vinha me perturbando, afinal, a cada participação verde e amarela surgiam textos e reportagens em profusão sobre os motivos de tantos resultados ruins. A dúvida ficou para trás quando li no Segundo Caderno de O Globo de sexta-feira dia 29 de setembro a coluna do Dapieve com o sugestivo título Existência Miserável, o complexo de vira-latas abana o rabo em Sydney. A sucessão de derrotas, principalmente nas modalidades onde tudo, ou quase tudo, apontava para o triunfo dos nossos atletas, trouxe a baila o fantasma do descontrole emocional daqueles brasileiros cuja responsabilidade maior do que trazer medalhas foi o tempo inteiro a grande e sufocante responsabilidade de levantar a auto - estima nacional (tão em baixa que nem medalhas de prata e bronze conseguem levantar). Somos um povo de postura dividida. Uma pequena parte se vê rica, bonita, saudável, moderna e plenamente adaptada à uma realidade de riqueza, prosperidade e vitórias. Mas, a grande maioria dessa gente bronzeada ainda não decidiu-se a mostrar o próprio valor. São milhares, milhões de brasileiros que insistem em ter carimbado na testa um selo com dizeres nada lisonjeiros (indolente, coitadinho, vítima do sistema etc, etc) e no coração um vácuo onde deveria morar aquele sentimento que faz as pessoas sentirem-se seguras e responsáveis pelos próprios passos: Amor próprio. Lembro-me de um artigo lido a alguns anos atrás onde o consultor e escritor Marco Aurélio Ferreira Vianna falava sobre a diferença entre triunfadores (perenes, voltados para ações que agregam valor) e vencedores (efêmeros, a partir da postura de passar por cima do adversário derrotando-o). A partir daí, minha pergunta: Por que nos é tão difícil pensar e agir como triunfadores? Será que a passividade é tão grande que acaba desgastando a grande energia criativa que nos faz ser alvo da curiosidade e, muitas vezes, inveja mundial? Já que copiamos tanta coisa do American way of life que tal superarmos nosso "modelo" adotando a idéia de que somos intrinsecamente triunfadores? Que tal deixar toda uma história de insegurança para trás e começar a investir numa postura que encare a vida e todos seus desafios como uma grande olimpíada onde cada obstáculo, cada marca, cada partida é parte natural de um processo de crescimento, amadurecimento e plenitude individual? Acredito que um de nossos principais diferenciais de sucesso, apesar de todos os percalços, sempre residiu na nossa crescente capacidade de viver o sonho, transformando a adversidade em realidade, ou como diria a amiga Regina Bolzan "fazer do limão uma limonada". Que estas 2 semanas de vivência olímpica, a exemplo de tantos outros eventos históricos, não caia no esquecimento e possa servir para uma reflexão maior e particular de cada um sobre "como ser um triunfador nesse mundo em transformação" ou ainda, "espantando a inércia em prol de uma auto-estima triunfadora". Como disse o grande mestre Marco Aurélio F. Vianna "Triunfo é uma questão de autoprofecia". Semana que vem tem mais PS - Não perca a chance de usar seu voto na transformação de nossa sociedade. "Sem eleições gerais, sem liberdade irrestrita de imprensa e de reunião, sem livre troca de opiniões, a vida se exaure em toda instituição pública e só a burocracia permanece ativa." Rosalia Löwenstein Luxemburg |
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Sandra Florencio é administradora e consultora de gente. |