"A TECNOLOGIA AVANÇA E TUDO MUDA" ou "AQUI SE TRABALHA"
Finalmente Sévérino (ou Cvé - "pros intimus" - como ele mesmo diz) deu uma dentro.
Como você já sabe, ele é o nosso EFO (estagiário-faxineiro-officeboy) e uma de suas
tarefas (além de limpar o chão e freqüentar fila de banco) é pesquisar na Internet. Como
na redação não temos computadores, só modernas máquinas de escrever Remington
que eram do escritório do avô de alguém, ele tem que se desdobrar para achar computadores plugados
à rede e disponíveis para ele.
A tarefa parece fácil e é. Como ele mesmo conta, é nos bancos onde ele consegue com mais facilidade
navegar. Ele fala: "As pessoas ficam com aquela cara de sério, mas se você prestar atenção,
vai ver que estão com um olho na tela e outro nos que estão em volta. Peguei uma (das muitas) gerente
olhando um site de bonecas. Tentou explicar que era pra filha, mas quando eu disse que era um BOM presente, ela
entendeu que eu tinha conseguido ler o preço. Era coisa de colecionador (US$ 1000,00 "ni mínimis").
Bem, daí pra frente ela "me esmpresta" o micro dela quando eu preciso e ficou fácil fácil
pesquisar na Internet. Tenho muitos outros casos, mas seu Alex me pega se ficar contando todos aqui".
Pego mesmo. Bem, não foi do tempo dele, mas no tempo das máquinas de escrever e dos grandes escritórios
(hoje em dia apenas redações de revistas altruístas para o apoio à cultura - como nós
- fazem uso), o barulho "ensurdecedor" dos experientes datilógrafos era o sinal de que "ali
se trabalha". A presença de muita gente, era sinal da importância da empresa.
Sinal dos tempos. Meu avô não imaginava o quanto ficaria diferente a velha máquina Remington
(que está conosco até hoje). Não sei se ele chegou a imaginar o que iria acontecer com as
pessoas nos escritórios. Aqui na redação simplesmente não nos encontramos. Não
é preciso. Curioso como a máquina de escrever, o escritório, e os gerentes estão obsoletos.
"A tecnologia avança e tudo muda."
Já ouvi isso e não gostei. Já ouvi muita gente falar de tecnologia como sinônimo de
computador. Também não gostei. Já vi gente ouvindo música eletrônica dizer que
isso era o futuro da música. Há muitos anos atrás, em um show do EGBERTO GISMONTI na Sala
Cecília Meireles (RJ) que foi registrado e deverá (talvez quem sabe um dia) ser lançado pela
BRANCALEONE RECORDS (sabe lá Deus quando) um dia, enquanto EG ensaiava solitário no palco, com vários
sintetizadores acompanhando-o no piano, o Carlinhos (iluminador) virou pra mim e disse: "Tá aí
o futuro: um cara tocando sozinho!" Na hora eu pensei: "E ninguém pra ouvir!" Mas era uma
brincadeira por estar o teatro vazio. Será que aquele ensaio do EG em 1983 era o futuro?
Se essa profecia fosse verdadeira, os músicos não estariam usando instrumentos de 1715, como o caso
de inúmeros músicos clássicos. Na mesma linha, o piano seria um instrumento ultrapassado.
Os orientais nem se diga. Uma TABLA (instrumento de percussão indiano) ou uma sítara (esse você
conhece) seriam vistos apenas em museus. Mas não!
O mais engraçado nisso tudo é que instrumentos "ultrapassados" como o órgão,
a clavienta (esse não dá pra explicar, mas é um teclado) estão voltando (LENNY KRAVITZ
é bem "retrô"), assim como está virando moda o acordeon. (pasme!)
Minha visão da globalização é diferente da americana (graças a Deus, mas espero
que mais gente se manifeste). Pra mim a globalização (com quedas de fronteiras e tudo mais), implica
em uma maior miscigenação cultural. Não imposição. Mistura mesmo! A WORLD MUSIC
feita por gênios como PAUL HORN, PETER GABRIEL, RAVI SHANKAR e até (porque não?) PHILIP GLASS,
são a prova da convivência e sobrevivência de todas as culturas em um planeta harmonizado. Só
não confunda o que estou falando com NEW AGE.
Em um comentário anterior, quando falei de TOMAZ LIMA, uma leitura enfurecida opos-se a minhas palavras
e apresentou uma coleção de álbuns CELTAS. Ela confundiu WORLD MUSIC com NEW AGE. Mas isso
não é um problema. O ponto é observar o quanto se pode fundir culturas diferentes em uma nova
e plena cultura GLOBALIZADA (no sentido não pejorativo que hoje essa palavra carrega).
É uma tarefa monumental, mas plenamente viável. Só não estou vendo nenhum avanço
no sentido político, o famoso o outro lado da história. Como sempre, os artistas se antecedem aos
"homens poderosos".
| Quando pela primeira vez se falou da unificação da Europa, imaginei um imenso país, com todas
as diversas culturas e etnias vivendo harmoniosamente. "Ebony and Ivory live together in perfect harmony,
side by side in my piano keyboard. Why don't we?" (Ébano e marfim vivem juntos em perfeita harmonia,
lado a lado no teclado do meu piano. Porque não nós?). Diz a letra de PAUL MCCARTNEY e STEVE WONDER.
Quem sabe um dia! |
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Ebony & Ivory me lembram a capa de um disco: ORIGINALS - CHICK COREA - SOLO PIANO. Tá certo que eu sou
fã do cara, mas o disco é bom. Bom? Ótimo!
Falei dele semana passada mas divaguei, portanto volto essa semana. Ele é a parte um do lançamento
duplo; seu companheiro é STANDARDS. Lançados esse ano (2000) pela gravadora do próprio CC
(STRECH RECORDS) e pra lá de bem gravado pelo fiel BERNIE KIRSH.
CC revisita seu repertório e ainda inclui dois prelúdios do compositor clássico SCRIABIN.
ARMANDO'S RUMBA (feita para o pai de CC) está lá, assim como SPAIN (um clássico!), BRASILIA
(outro) e várias CHILDREN SONGS (lindas...).
Pra não ficar pesado o download, coloquei a menor música: THE FALCON, que você pode ouvir clicando
na capa do CD.
O que isso tudo tem haver? CHICK COREA é um músico americano, de origem mexicana que mesclou de tal
forma suas influências, que os americanos nem notam (se eles notassem, o enquadrariam em uma das intermináveis
categorias que eles precisam criar pra entender (reduzir) o mundo. Felizmente somos brasileiros e miscigenação
é algo que está no nosso passado mais ancestral, no sangue, na veia).
Valeu! |