CLÁSSICOS
Eu estava pensando sobre o que escrever quando o Sérgio "Hamill" Peçanha me mandou um email
dizendo que havia chegado o disco "UNPLUGGED" da banda RENAISSANCE, gravado ao vivo na THE ACADEMY OF
MUSIC, PHILADELPHIA USA em 1985.
Tenho uma certa aversão a esta onde de UNPLUGGED que anda por aí, mas é apenas um rótulo.
Além disso, quando passou aqui pela frente da minha casa a caminho da loja (não por acaso chamada
RENAISSANCE), ele gentilmente deixou o CD na caixa do correio.
A capa (que você confere aqui ao lado com um áudio) já mostra uma pequena surpresa: da banda
original, apenas ANNIE HASLAM (vocais) e MICHAEL DUNFORD (violão). Para os fãs ardorosos, não
chega a ser bem uma surpresa, pois a banda já havia terminado nessa época e não se sabe de
nenhum retorno (salvo um disco gravado ano passado com o pianista original - JOHN TOUT e o filho do baterista SULLIVAN
- que ninguém sabe dizer quando será lançado).
O RENAISSANCE foi a típica banda que fez muito sucesso, com discos maravilhosos por toda a carreira, que
conseguiu emplacar sucessos fora do "circuito progressivo" e com um fim melancólico. |
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O grupo era famoso por suas peças com influência clássica (todas escritas por MD que curiosamente
nem fazia parte da banda no primeiro disco - PROLOGUE). No disco ao vivo LIVE AT CARNEGIE HALL, com o auxílio
de uma sinfônica, eternizaram estes bons momentos em uma espécie de GREATEST HITS. Infelizmente, os
egos se chocaram.
Parece que o baixista (JOHN CAMP), queria mais espaço para suas composições e para sua voz.
Como baixista, era uma excelente presença, mas não posso dizer o mesmo como cantor. Como compositor,
deixava um pouco a desejar. Não era tão bom quanto MD e muito menos letrista do que a poetisa TATCHER,
que escrevia a maioria das letras.
A formação original foi "encolhendo", por assim dizer, o RENAISSANCE terminou como um patético
trio (MD, AH e JC) no igualmente patético CAMERA CAMERA, que talvez nem devesse ser mencionado aqui, mas
salvava-o a lindíssima voz de ANNIE.
Neste UNPLUGGED a situação é completamente diferente. Nele, além de ANNIE e MICHAEL,
estão RAPHAEL RUDD (piano e harpa), MARK LAMBERT (violões e baixo) e CHARLES DESCARFINO (percussão).
O que se ouve é um disco com versões acústicas de uma banda (eminentemente) acústica.
Qual a diferença?
A diferença é que os músicos parecem estar gostando do que estão fazendo. Vi um outro
show de ANNIE, em que ela cantava músicas do grupo, que não tinha o mesmo amor que há nesse
UMPLUGGED.
Todos os sucessos estão lá: CAN YOU UNDERSTAND, CARPET OF THE SUN, BLACK FLAME, MOTHER RUSSIA, NORTHERN
LIGHTS, TRIP TO THE FAIR e RUNNING HARD (para não citar todas). Alguns podem sentir falta de ASHES ARE BURNING,
que talvez tenha sido o maior sucesso, mas acredite em mim: não faz falta.
O disco é muito bom e melhora a cada faixa. CAN YOU... que abre o disco, não é lá muito
bem gravada, tem uns "probleminhas", mas nada comprometedores. O melhor está no sentimento que
une todo o álbum, bastante coerente por sinal.
Mas a intenção maior deste comentando é o que estava na minha cabeça antes de "achar"
o disco na caixa do correio.
Quando ouvia o RENAISSANCE lá pelos idos 70, não imaginava que 30 anos depois ainda seria surpreendido
por um disco deles. O mesmo raciocínio se aplica a qualquer outro grupo de rock e até jass (quem
ainda reclama porque escrevo com "ss" deve aguardar que breve estarei falando disso aqui). Quem iria
imaginar que os "clássicos modernos" seriam bandas de rock (ou jass)?
É indiscutível que MILES DAVIS e LOUIS ARMSTRONG são clássicos. Mas também não
é o caso dos ROLLING STONES e dos BEATLES?
Até os "chatinhos" THE MONKEES tornaram-se CULT e não podem mais ser analisados simplesmente
pelo aspecto técnico (que deixa MUITO a desejar). Há muito mais envolvido.
Quem iria pensar que três gerações ouviram (e gostam) de LOUIS? Quem pensou que os discos de
MILES influenciariam duas gerações?
Meu filho está ouvindo o RENAISSANCE e se torna a segunda geração (pelo menos aqui em casa)
a ouvir esta banda.
Não é à toa que a coluna do amigo ZITO é sobre os CLÁSSICOS DOS CLÁSSICOS.
Quantas gerações não ouviram PAGANINI, LISZT, BEETHOVEN, MOZART? Faça as contas.
Valeu
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