| MÚSICA por Alex Saba |
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| XUXA, DISCOTECA & SOUL MUSIC As três coisas aí do título podem não ter relação nenhuma, mas para um cérebro dado a pensamentos circulares como o meu, tudo é possível. O pior foi como começou tudo isso: no PLANETA XUXA (Oh céus!!). Isso mesmo. Algum tempo atrás, minha sobrinha assistia de olhos arregalados (não é prá menos - aquilo é um escândalo sensorial) ao PX, quando apareceu o EDSON CORDEIRO (na sua atual versão MUSA CLUBBER) com dois "macho-man" atrás (!!!) dele cantando "sucessos" do período das discotecas. Não houve na sala quem gostasse, mas ninguém despregou o olho. Mas foi lamentável. O que não se faz prá aparecer! Será que é isso que se precisa fazer para estar na televisão? Deprimente a falta de coerência do todo. Ainda se insiste em "revitalizar", "reinventar" o CASSINO DO CHACRINHA tantas décadas depois. Por certo, este foi sinônimo de transgressão e balbúrdia, mas logo já havia se transformado em apelação e jabá. Considero coerência até a incoerência, mas não o apelativo, o vulgar. Ser um camaleão, mudar de estilo a cada instante, afirmar "verdades absolutas" diferentes a cada entrevista, como fazia ANDY WARHOL, tudo é válido, mas o espetáculo "rodriguiano" do PLANETA foi terrível. Que EC tem uma voz privilegiada não é tema de discussão. Enquanto ele se manteve como uma curiosidade, com um repertório indefinido, a crítica elogiava a voz e metia o pau no repertório. Agora calou-se. Só li um artigo sobre o último disco dele, mas ao contrário já o vi em dois programas de televisão, de quilates semelhante. Roupas exóticas? Visual andrógino? Declarações estapafúrdias? Parece que tudo já foi feito no rock, soul e jass (aos que reclamam o duplo "s", breve nova elucidação) nesse sentido. Pouco resta aos músicos atuais além de tocar, porque existe uma geração saturada de falsos rebeldes e falsos profetas. A rebeldia de lamê foi a maior causa do movimento punk. Literalmente encheram-se os sacos de tanto ver os ex-rebeldes de paletó lamê e limousine. Grossura, xingamento e agressividade passaram a ser o comportamento nos palcos. Não sou um fanático pelo movimento punk, mas havia razão em querer tocar músicas com apenas um acorde. Pode ser uma total pobreza musical, mas do ponto de vista social e político é bem rico. É estranho viver em um país que (se auto) proclama riquíssimo em cultura e que produza programas do (baixo) nível desse PLANETA (e outras aberrações também televisivas). Não adianta tentarem me convencer com o argumento de que a "população não reconhece..." ou de que "o povo gosta..." ou pior "o povo só entende...". O povo é mais sábio do que os sábios, portanto calem-se. Abre parênteses: estava eu no escritório de um amigo, no 17º andar, voltado para o Largo da Carioca (Centro do RJ) e de lá ouvíamos a Orquestra Sinfonica Brasileira tocando seu habitual repertório "para o povo". Quando reclamei dizendo que eles deveriam tocar também obras diferentes daquilo para o público dos Concertos de Entrada Franca, me disseram que para quem era estava muito bom. Claro que estava bom, mas a idéia não é mostrar cultura? Então temos que apresentar coisas "novas". Por que não QUADRO DE UM EXPOSIÇÃO de MUSSORGSKY? "Quem?" - ouvi de uma letrada voz ao meu lado... Fecha parênteses. Nessa coisa toda, de roupas estranhas, posturas radicais e loucura anos 60, não conseguia pensar em ninguém melhor (exageros de um colunista) do que o baixista LARRY GRAHAM, inventor do SLAP BASS, uma forma de tocar o baixo batendo nas cordas e que foi muito usada no período em que TRAVOLTA era sinônimo de dança (argh!). Depois de deixar SLY AND THE FAMILY STONE ele criou a GRAHAM CENTRAL STATION, uma banda de SOUL dançante (como deve ser) e fabulosa. Aliás, uma das divas do período, foi casada com o tecladista do grupo alemão de jazz-rock PASSPORT e foi com eles que começou a gravar seus sucessos. Os músicos muito eram bons e o resultado nem sempre, mas o apuro técnico dos caras garantia transformar qualquer coisa com aquela batidinha repetitiva de sucesso nas pistas em algo que podia ser ouvido fora daquele contexto (mas nem sempre). Voltando ao GRAHAM, vou te deixar com a faixa WE'VE BEEN WAITING que abre o disco GRAHAM CENTRAL STATION (1974, WEA 2763-2), uma incrível faixa vocal (não tem nenhum instrumento mesmo!) onde os seis integrantes da GCS arrasam. Preste atenção em como as vozes estão distribuídas, como é fácil ouvir cada uma delas (a voz grave é do próprio LARRY). perceba como eles são capazes de fazer a coisa toda ser dançante sem usar nenhum instrumento. Quando gravei isso prá você foi que descobri bem no começo, a "puxada" de ar de um deles, deixada ali intencionalmente e que hoje, com tantas máquinas "tocando" no lugar dos músicos, fica com ares de "mensagem profética", como uma assinatura que confirma: "Feito por carne e osso!". Será que estou exagerando? Pode até ser, mas que voltaremos a esse assunto logo logo. Valeu T+ |
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Alex Saba é músico, compositor, |