MÚSICA
por Alex Saba

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Agenda de shows da semana: uma seleção


18/Novembro/2000

BRITISH ROCK SYMPHONY (Grande E Bem Escrito)

Antes de mais nada, peço desculpas por interromper temporariamente a série das bandas nacionais, mas aconteceu dia 16 (e acontecerá dia 21) um show de rock. Uma (pretensiosa) sinfônica celebração ao rock inglês, no ATL HALL (RJ), com alguns "grandes" astros, como JON ANDERSON (YES), ALICE COOPER, ALAN PARSONS (PROJECT) e TONY HADLEY (SPAID BALLET), que merece ser comentado. Quando me preparei pra escrever, recebo o email do meu colega (da lista PROGLIFE - proglife@egroups.com) Mohallem.

O título que está aí em cima é a mais pura verdade, mas o título original era BRS - Grande e Mal Escrito, uma terrível mentira, pois Mohallen conseguiu descrever exatamente o que aconteceu, com um senso de humor de causar inveja. Bem, confira você mesmo. Como sempre, meus comentários estarão entre (parênteses) e em itálico.

"Vamos começar pelo começo: não vá esperando um show com o JON ANDERSON cantando BEATLES, ALICE COOPER cantando THE WHO e outros. Quem cantou mais no show não foi JA, nem AC, nem TONY HADLEY e nem ALAN PARSONS.

O cara que mais aparecia no show era um tal de TONY MITCHELL, que era um sujeito que eu nunca tinha ouvido falar, mas gostei dele cantando. O cara parece um BACKSTREET BOY, todo engomadinho e abafando (menos Mohallen, menos) com as mulheres da platéia.

O show começou com um playback de SHINE ON YOU CRAZY DIAMOND, que não entendi por que, já que a banda inteira e a orquestra estavam lá prontas pra tocar (nem eu entendi, ainda mais que quase foi tocado duas vezes). O tal do TONY MITCHELL entra então no palco e já puxa WE WILL ROCK YOU, do QUEEN e emendando com COME TOGETHER.

Então ele vai pra guitarra e entra o tal do TONY HADLEY. A voz do cara é até legal, mas as duas músicas que ele cantou não foram muito boas. A postura dele no palco é bem engraçada, estilão JULIO IGLESIAS (argh!!), de terno (sem gravata) e tudo mais. O melhor momento foi quando ele percebeu que estava com a braguilha aberta.

O cara sai então e quem entra??? TONY MITCHELL again. Dessa vez ele leva KASHMIR, que ficou bem legal e STAIRWAY TO HEAVEN (zzzzzzz...) (para delírio de alguns mais exaltados - me lembrei que essa música é "proibida" na maioria das lojas de instrumentos musicais nos EUA e aqui. Como todo aprendiz de guitarrista resolvia toca-la pra "testar" uma guitarra, os vendedores não agüentavam mais e a "proibiram").

Chega então o Alan Parsons, enorme (e gordo), e começa com EYE IN THE SKY (foi uma das melhores do show). Quem estava cantando??? TONY MITCHELL!!! AP prossegue com uma música que eu não conheço, revezando-se entre teclado e violão e TONY MITCHELL sempre cantando. Se não me engano, nessa hora foi o intervalo (vinte minutos).

Voltam então os dois TONYS: MITCHELL (lógico) e HADLEY. Acho que tocaram START ME UP nessa hora (isso mesmo!).

Chega então o momento mais esperado: TONY MITCHELL vai pra guitarra e JON ANDERSON adentra o palco, pra delírio da platéia. (A roupa dele era um show à parte) O cara estava vestindo um blazer bege, assim como a calça, uma camisa florida por baixo (e uma sandália com meia bem ao gosto dos turistas). Estava com cara de bicheiro ou traficante de cocaína colombiano. Quando ele entrou no palco, LONG DISTANCE RUNAROUND já estava rolando, e ele entrou só na hora em que iria cantar. O mais engraçado foi o terem colocado (no ensaio também) uma plataforma de mais ou menos de uns 15 cm de altura para ele cantar em cima (risos) (também, ele era o mais baixinho de todos, depois do TM, que pulava de um lado pro outro quando cantava). Long Distance foi muito legal, mas o que arrebentou mesmo foi STATE OF INDEPENDENCE (grande momento da noite, sem dúvida). O arranjo foi o do (disco de JA) Change We Must (bastante recomendável) e a platéia foi à loucura na hora em que ele cantou (a letra): "YES... I DO KNOW HOW I SURVIVE...". Foi demais, arrepio só de lembrar de "THIS STATE OF INDEPENCE SHALL BE" repetido ad infinitum.

Seguiu-se então OWNER OF A LONELY HEART, sem grandes surpresas, com exceção da bagunça que o JA fez na parte final da música ("DON'T DECEIVE YOUR FREE WILL AT ALL"). Ele cantou algo totalmente diferente, parece que pulou uma parte, uma zona só. O engraçado é que ele fez isso no ensaio também. Ninguém ficou parado durante essa.

ROUNDABOUT foi muito legal. Quase JA errou sua entrada novamente, mas o maestro olhou nos olhos dele com uma cara de: "Ai de ti se errar!" e o cara acabou acertando. O mais engraçado foi a hora em que ele apontou para o lado direito dele durante a "intervenção acústica", onde o (guitarrista do YES - STEVE) HOWE normalmente fica. Só que aí ele percebeu que o guitarrista estava do outro lado, levando alguns a puxar o coro: "Ho-we! Ho-we!". (o mais legal, foi ver que o mais PROG da noite, foi o responsável por levantar o público fazendo-o dançar e cantar junto. Quem disse que o PROG está morto?)

Acabado seu set, mas já era possível do meu lugar ver uma estranhíssima figura de preto lá no backstage, preparando-se para entrar. Era o próprio ALICE COOPER, que entrou arrancando gargalhadas da platéia com sua maquiagem carregada, calça, camisa, luvas e botas de couro. O pior foi o chicote (tipo Tiazinha) que ele ficou rodando o show inteiro.

Galera, esse cara foi hilário. Uma papada enorme no pescoço entregava a idade, que ele insistia em disfarçar pulando pelo palco e rebolando-se todo. Mas a barriguinha embaixo da camisa justa de couro não enganava ninguém. Ele entrou cantando ANOTHER BRICK IN THE WALL II, seguindo com MY GENERATION (THE WHO) e encerrando com SCHOOL'S OUT. Foi uma performance bem legal, ele até chicoteou o maestro e jogou a arma para algum felizardo da platéia.

Voltam então TONY MITCHELL (ele saiu durante o AC, pelo menos uma água ele tinha que tomar) e o TONY HADLEY, pra encerrar a noite com WITH A LITTLE HELP OF MY FRIENDS. Após o primeiro refrão entra o ALAN PARSONS com seu violão e então o momento mais divertido da noite: JON ANDERSON e ALICE COOPER entram saltitando pelo palco de mãozinhas dadas, como dois namoradinhos (ambos morrendo de rir, é lógico). Cada um pega um microfone, mas 90% dessa música foi cantada por ...????? TONY MITCHELL, é claro. O JA cantou muito pouco, a impressão que eu tive foi a de que ele havia esquecido a letra, pois ele começou a cantar, parou de repente e o TONY MITCHELL (meu herói) (meu também!) já entrou por cima salvando o cara. Lá pro meio da música, o JA e a "Tia" Alice (esqueci de mencionar: o cara estava parecido com a Tiazinha e seu chicotinho) estavam abraçadinhos e balançando para um lado e para o outro...até o momento em que o AC deu um tranco no JA, jogando ele pra frente do palco, o JA girando os braços tentando não se esborrachar no chão e o AC lá no fundo cagando de rir... Acho que o JA levou na esportiva. Pô, esses caras que batem nos menores são muito sacanas.

O final foi meio sem graça, podiam ter escolhido melhor e dado mais espaço para cada um cantar.

Esse e-mail está muito grande, depois conto o pós-show.

Shine On,
Mohallem, ufa!"

Bem, foi isso o que rolou por lá. Mais fiel só se tivéssemos o vídeo do show.
Pra mim ficou a lição: morto está quem não sabe o quanto o rock progressivo está vivo.
Valeu
T+

Os discos citados nessa coluna podem ser encontrados na loja RENAISSANCE.


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Alex Saba é músico, compositor,
arquiteto, fotógrafo, escritor e muitas outras coisas dignas ou não de serem mencionadas aqui...