MÚSICA
por Alex Saba

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13/Janeiro/2001

PROPAGANDA ENGANOSA OU...

Existem duas hipóteses: ou o Rock in Rio não passa de propaganda enganosa ou eu estou completamente defasado, fora de moda, anacrônico, enfim: velho. Será?

O ARTHUR DAPIEVE do Globo, falou na coluna dele de sexta-feira passada, sobre o primeiro RIR, como parte da imensa campanha que a Rede Globo está fazendo para promover o Festival. Só isso já seria o bastante pra azedar minha boa vontade com esse festival múltiplo, mas é exatamente essa multiplicidade que acaba me deixando de mau humor.

CLAUDE NOBS é o produtor suíço responsável pelo Festival de Montreaux, ex Festival de JAZZ de Montreaux. Você sabe porque ele mudou o nome do festival? Simplesmente porque deixou de ser um festival de jazz e passou a contemplar vários estilos. Se você não lembra (eu lembro) que até o É O TCHAN já participou da NOITE BRASILEIRA, como ficou sendo chamada a respectiva dedicada ao som do Brasil. E porque exatamente esse grupo, tão pouco significativo do que seja música, apareceu por lá? Qual o interesse dos gringos nisso? Gringos? A Noite Brasileira é o maior sucesso de bilheteria, principalmente entre os brasileiros. São eles (ou nós, como queira) que lotam o espaço. Mas gosto não se discute...lamenta-se.

Aonde eu quero chegar é no problema de sempre: o RIR não é um festival de rock, da mesma forma que o FREE JAZZ não é um festival de jass. Ambos os festivais apropriaram-se de nomes "estilosos" que significam muito menos e muito mais (respectivamente) do que supõe nossa torpe filosofia. Deixa eu aumentar um pouco isso aqui: ROCK é muito menos do que aquela salada cultural que o RIR oferece e JASS é tudo aquilo que o FJ traz e mais. Deu pra entender?

Me desculpem as crianças, mas SANDY JR e aquele garoto que canta com ela, não é rock em nenhuma parte do planeta. ELBA RAMALHO a mesma coisa.

Se, para se apresentarem em um festival de rock, os artistas trouxessem versões diferentes, mais pesadas talvez, das suas músicas, justificariam-se os nomes estranhos ao mundo roqueiro. Caso contrário, temos que nos perguntar, o que leva um empresário, a escalar tal nome.

É demais querer pedir coerência em um mundo tão miscigenado? Será que eyu to ficando velho mesmo? Pode ser, mas continuo achando que juntar no mesmo palco que JAMES TAYLOR e STING, a DANIELA MERCURY, o MILTON NASCIMENTO e o GILBERTO GIL, é querer que minha pouca paciência com essas coisas vá pro ralo.

Só me falta agora inventarem o FESTIVAL RIO CLÁSSICO e chamarem REGINALDO ROSSI pra cantar no mesmo dia da soprano KATHLEEN BATTLE e KLG pra se apresentar antes do TE DEUM de BRUCKNER, ou ...

Quer saber mesmo? Acho que ela já foi pro ralo há muito tempo.

Os discos citados (ou não) nessa coluna podem ser encontrados na loja RENAISSANCE.


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Alex e seus instrumentos

Alex Saba é músico, compositor,
arquiteto, fotógrafo, escritor e muitas outras coisas dignas ou não de serem mencionadas aqui...