Teve
por Márcia Mendes Ribeiro

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25/novembro/2000

Nem tudo está perdido

Estamos acostumados a ver na televisão um brasileiro que aceita de bom grado até injeção na testa. Qualquer brinde oferecido é disputado como se fosse o prêmio máximo da loteria.

Pois fico feliz que a história não seja bem assim. Assistia Contato, na MTV, quando tive uma agradável surpresa.

Marcos Mion e Adriana atendiam o telefonema de uma garota disposta a participar de um dos tantos quizz da emissora. Ao acertar as quatro perguntas os apresentadores fizeram a maior festa e anunciaram os prêmios. A menina então refugou, para espanto dos VJ’s, um dos CDs ofertados.

Como assim?

Simples... ela não gostava da banda. Pegar o CD para fazer volume não era sua vontade e nem dar a alguém algo que de que não gostava, me parece.

Felizmente não é todo mundo que se deixa envolver por qualquer coisa.

Aqui em Curitiba, onde moro, inventei um tal ateliê de jornalismo para crianças (eles preferem ser chamados de pré-adolescentes) de 5ª e 6ª séries do Colégio Integral. Estou em minha terceira turma e a esta altura já descobri que muito mais útil que ensiná-los a fazer (mal) um jornal, um programa de rádio ou um site... será estimular neles a leitura crítica destes veículos.

Com este propósito temos tidos belos debates. Pois na última aula, quinta-feira, recebi de uma aluna comentário sobre Malhação, do qual destaco um trecho:

"Faz já muito tempo que esta novela existe. Antes a trama ocorria em uma academia, por isso o nome da novela é Malhação. Agora a novela se passa no Colégio Múltipla Escolha, onde os únicos esportes praticados são o pólo aquático e o futebol.

O nome da novela não deveria mudar? Eu acho que sim.

Além do mais... esta novela conta sempre a mesma história. Tem a menina boa e a má, namorados vivem brigando e depois ficam juntos etc.

Mesmo assim as pessoas não enjoam pois a novela sempre acaba em uma parte interessante, que deixa uma vontade de vê-la novamente no dia seguinte. E também ajuda a novela só durar 30 minutos". (Mayã  Sfair)

Viram só?! Nem tudo está perdido. Existe quem não acredita que Vale tudo por dinheiro e adolescentes que não gostam de Malhação.

Ganhei a semana e por alguns dias não fiquei com vontade de ver TV.

 


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Márcia Mendes Ribeiro é jornalista, odeia televisão mas não consegue passar por uma sem dar uma olhada.