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Bruno Novais

Sonhar num
ringue de
Patinagem.
Bruno Novais, de
22 anos, Campeão
Nacional Sénior, é
uma das nossas
mais recentes
promessas na
Patinagem
Artística. O
atleta e o
treinador, criaram
métodos de
trabalho e visões
globais da
modalidade, no
Ginásio Clube de
Odivelas.
figura- Como surgiu a Patinagem na sua vida?
Bruno Novais- Por vontade própria, não fazia a mínima ideia do que era a
Patinagem antes dos 14 anos. Mas havia um sítio onde se podia praticar perto de
onde eu morava. Experimentei uns patins, e foi sempre a andar! Dificuldades? A
nível nacional não houve porque tive uma evolução rápida e consegui acompanhar o
nível que se estava a praticar. A nível internacional, já foi muito mais
complicado.
f- Como é que a família reagiu?
BN- Foi complicado porque a Patinagem é um desporto muito caro, os patins são
muito dispendiosos e os fatos... Os meus pais tiveram que se esforçar para
corresponder às expectativas de um desporto como a Patinagem.
f- Os sacrifícios têm sido compensados?
BN- Acho que vale sempre a pena, quando se gosta, porque é sempre dificil
levantar cedo para ir treinar ou deixar de sair com os amigos para treinar ou
passar os fins de semana em provas quando podíamos estar na praia ou ir ao
cinema. Ou seja, abdicamos de grande parte de uma “vida normal”. Só que, quando
existem compensações, por mais pequenas que sejam, sabem muito melhor, e não
tenho qualquer tipo de problema em levar este tipo de vida em favor da
Patinagem.
f- Em Portugal, há dificuldades em fazer carreira na
Patinagem?
BN- Em Portugal é mesmo complicado! Eu patino por prazer próprio, não
propriamente a pensar no futuro. Como atleta é dificil porque não existe
Patinagem profissional, em termos de rodas. As únicas possibilidades de carreira
são ou como treinador ou como juiz. Eu tenho o curso de juiz e como treinador.
Actualmente, costumo ajuizar algumas provas a nível regional, só que esta
actividade é de fim de semana e não iria dar lucro. A de treinador é mais
complexa e poderá fazer parte de um trabalho único, ou seja, viver só da
Patinagem. Mas é sempre complicado porque os ordenados são difíceis. Além do
mais, tenho uma licenciatura e é sempre duvidoso viver só da Patinagem em
Portugal.Pessoalmente, não tenho grandes motivos de queixa. Quando são
competições a nível regional e nacional, o clube apoia. Quando são a nível
internacional, são apoiadas a nível de Federação.
f- A opção licencial deve-se a que objectivos?
BN- O curso que estou a tirar, Estudos Europeus, é voltado para a vertente
cultural, tem variantes e dá a possibilidade de termos cadeiras obrigatórias e
opcionais. Eu optei por uma vertente partida entre várias cadeiras que dará, a
nível profissional, para trabalhar em instituições da União Europeia ou em
qualquer área ligada à cultura. É uma questão de ver quais serão as
oportunidades de trabalho, algo sempre complicado, ainda para mais com o
desemprego que existe agora.
f- Já alguma das actividades foi prejudicada pela
outra?
BN- É complicado conjugar as duas coisas. Em termos individuais, consegui
adaptar-me melhor. Quando tenho de estudar para um exame ou tenho um trabalho e
treinos, a preferência, em geral, vai para os estudos. É difícil ter-se um
trabalho ou um exame e no fim de semana passar-se o tempo dentro de um pavilhão
a fazer provas, quando se poderia estar a adiantar trabalho. Como são coisas que
tenho de fazer para mim próprio, acabo por chegar a casa e ficar a noite inteira
a trabalhar. É mais complicado quando se trabalha em grupo, as pessoas têm
dificuldade em perceber que quando alguém pratica desporto fá-lo a sério. E,
geralmente, preferem que sejamos nós a abdicar dos treinos para podermos fazer
os trabalhos. É complicado perceberem que, para um atleta, o desporto é tão
importante quanto a faculdade, ou ainda mais.
f- Antes do GCO, onde é que treinava?
BN- Patinei no Clube do Pessoal da Siderurgia Nacional, até ao ano passado,
durante cerca de sete anos. Depois, surgiu a oportunidade de vir para aqui e cá
fiquei.
f- O treinador foi um factor para vir para Odivelas?
BN- Já conhecia o Pedro, já tinha treinado com ele e, quando vim para cá, sabia
a pessoa e tipo de treinador que ia encontrar. Acho que até foi mais por causa
disso que tive tanta certeza de que era para aqui que queria vir. A relação
entre treinador e atleta é mesmo de cumplicidade. O trabalho é sempre dividido
entre os dois, deve corresponder às expectativas de ambos. Tanto eu devo
trabalhar para fazer aquilo que ele me indica, como ele se deve preocupar em ver
aquilo que preciso no momento.
f- Como é que domina a pressão e o nervosismo para
uma prova?
BN- Depende da competição. É diferente a preparação para uma competição
regional, em que existem poucos atletas a competir, e para um campeonato
nacional em que existe uma seleccionadora que toma notas e vai escolher os
atletas para uma competição internacional. Geralmente, consigo controlar-me
melhor nesse tipo de campeonatos, mas são momentos angustiantes. O pior é o
momento de espera para entrar no ringue, e pensar, não que eu possa vir a
falhar, mas em fazer corresponder o nosso trabalho às expectativas do treinador,
da seleccionadora e do país. Depois, quando começam a música e o esquema,
esquecemos tudo. Quando se corresponde às expectativas é uma alegria total!
f- O que é tido em conta na preparação para uma
competição,?
BN- Em Portugal, este tipo de trabalho não é muito praticado. As pessoas sabem o
que é Patinagem Artística, mas esquecem o porquê do Artística. E, quando um
atleta entra num ringue, assistimos a esquemas onde só se vêm saltos e piões e a
parte artística é deixada de lado. Também cá, ainda não há possibilidade de
termos treinos de expressão corporal ou dança. Eu trabalho isso com o treinador
mas muito superficialmente, ainda.
f- Quais são as tuas referências na Patinagem?
BN- Em termos mundiais, é o patinador italiano Luca De Allicera. A nível
nacional, houve uma patinadora que me inspirou muito quando comecei, a Rita
Falcão.
f- Perspectivas de futuro?
BN– Se terminar o curso este ano, e não optar pelo mestrado, terei de conciliar
um trabalho coma a Patinagem. Se não, continuarei a conciliar a Patinagem com a
vida académica.
Pedro Guerreiro
f-
Há quanto tempo é treinador e porque veio para o GCO ?
Pedro Guerreiro- Fui atleta desde os 8 e aos 18 dediquei-me a treinador, há 14
anos. Vim para o GCO a convite da treinadora que estava cá, e que tinha alguns
problemas de saúde. Ela acabou por sair e eu fiquei encarregue da escola. Vim da
Associação Desportiva de Oeiras. O projecto que me apresentaram no GCO era
ambicioso.
f- O que é que define um bom treinador de Patinagem?
PG- Tem muito a ver com o tipo de relação que se estabelece entre treinador e
atletas, a maneira como se lida com eles e, também, com a forma como organizamos
o treino, a gestão que fazemos da carreira do atleta.
f- Em Portugal, é fácil ser treinador de Patinagem?
PG- É preciso ter um pouco de sorte, engenho e estar no sítio certo à hora
certa. Eu tive a oportunidade de treinar grandes atletas e fazer um bom
curriculum, de modo a que clubes apostem nas minhas funções. Mas, não é
fácil. A Federação Portuguesa de Patinagem, por exemplo, não promove cursos de
formação para níveis mais elevados de treinador que permitam uma especialização
em alta competição. A forma como um treinador é promovido e reconhecido, não é
bem feita pela FPP.
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Patrícia Cardoso Fonseca
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