ðHwww.oocities.org/es/naturosofia/med_geoterapia.htmwww.oocities.org/es/naturosofia/med_geoterapia.htmdelayedxÀZÕJÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÈ°g= OKtext/htmlß¸y,g= ÿÿÿÿb‰.HTue, 10 Jul 2007 19:08:32 GMTsMozilla/4.5 (compatible; HTTrack 3.0x; Windows 98)en, *¹ZÕJg= THERAPEIA TRADITIONALE - Geoterapia

 

 

 

 

 

Geoterapia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GEOTERAPIA

Podemos afirmar que a Geoterapia é conhecida desde sempre, e que o recurso às terras medicinais não é exclusivo do Ser humano.

Os conhecimentos acerca das propriedades das diversas terras com utilidade terapêutica foram obtidos pela observação da conduta de animais doentes ou feridos, que mergulham na lama curativa as zonas enfermas. Tivemos sempre à nossa disposição cinco agentes físicos naturais, de inestimáveis virtudes terapêuticas:

·  As Plantas Medicinais e Alimentares

Na farmacopeia antiga, muitos séculos antes da nefasta descoberta da síntese, os recursos vegetais eram meios terapêuticos de eleição, em cujos tratamentos se aplicavam, externa ou internamente, plantas secas e frescas, pós, extractos, óleos e tinturas (que ainda hoje se produzem e utilizam);

·  O Sol (ver Helioterapia)

Os efeitos térmicos do Sol e o benefício das suas radiações vitais, dentre elas a ultravioleta – que actua na síntese da vitamina D no organismo – são factores imprescindíveis à vida animal e vegetal;

·  A água

Pela acção calmante, estimulante ou depurativa, que nos pode proporcionar nas adequadas condições (quente, fria e em vapor), a água constitui um valioso agente curativo;

·  O ar

Sem o ar não podem processar-se os fenómenos vitais inerentes à vida terrena. Constitui um recurso terapêutico para os órgãos da respiração, através das curas de montanha (onde é mais puro), em sanatórios, e também nas proximidades do mar;

·  A Terra

A utilização da argila, terra moderadamente radioactiva (0,3 a 0,5%) concentra energias de todos os outros elementos, com os quais estabelece, por múltiplas formas, um importante intercâmbio. Tal retenção de princípios, que poderemos classificar de "vitais", confere a esta substância uma poderosa acção na regeneração dos organismos vivos.

Identificamos os agentes terapêuticos atrás citados – plantas, sol, água, ar e terra – com os 5 elementos cosmológicos em que se fundamenta a filosofia da medicina do extremo oriente, e que são: a madeira (plantas, mundo vegetal), o fogo (sol), a água, o metal (com o que designam o elemento ar) e a terra.

A análise química da argila revela a presença de inúmeros elementos, entre os quais se destacam: alumina (14,61%), azoto, cálcio (4,44%), ferro [sesquióxido (5,65%)], fósforo, magnésio (4,24%), potássio, silício (49,10%), sódio, titânio [anidrido titânico (0,74%)], alguns óxidos alcalinos e humidade. Esta análise química revela que a constituição da argila engloba os principais minerais de que o homem necessita (azoto, cálcio, ferro, fósforo, magnésio, potássio, silício), e na proporção mais conveniente.

A utilização da terra com fins medicinais não se limita à argila, podendo em certos casos fazer-se uso de terras de outra natureza, incluindo areia. Contudo, é justificadamente sobre a argila que recai a principal atenção, por se tratar um dos mais poderosos agentes de regeneração física, que capta e reúne os princípios vitais do Sol, do ar e da água.

A medicina convencional (a Alopatia), recorreu ao uso deste potencial meio de cura. Mas actualmente, tanto os profissionais desta medicina como os da medicina natural (Naturopatia) preferem receitar as especialidades dos respectivos laboratórios, ainda que diferentes em actuação e grau de perigosidade. Vá-se lá a saber porquê.

Entre os povos das zonas quentes da China, da Índia, do Egipto, e da América do Sul, era praticada a geofagia (literalmente: comer terra), com o fim de combater a prisão de ventre e prevenir enterites. Os antigos índios bolivianos faziam pequenas estatuetas em argila, invocadoras de figuras sagradas, que depois comiam de um modo ritual, com finalidade terapêutica. No México, Alto Orenoco, Cassiquare, Meta e Rio Negro, as populações amassavam a terra em bolinhos redondos ou espalmados e secavam-nos quando os queriam comer. Na Índia, Gandhi recomendava o seu emprego.

Através de relatos, em documentos anteriores à nossa era, soubemos que os antigos médicos egípcios ministravam a argila por via interna, quando pretendiam combater inflamações e úlceras, e de forma externa quando tratavam deformações artríticas (casos em que utilizavam as lamas quentes do Nilo). Na arte da mumificação dos corpos, os embalsamadores não dispensavam a argila, pelas suas propriedades anti-sépticas.

 

Entre os árabes, era comum enterrar os reumáticos em areia branca, e recorrer à argila húmida para tratar a malária.

Enquanto os chineses utilizavam as compressas de argila para curar inflamações, os assírios e babilónios tratavam as várias afecções com lama preta. Na Índia antiga, chegou a haver instalações próprias para os banhos curativos de lama argilosa. Entre os Citas, nas margens do Mar Negro, o emprego terapêutico da lama era muito difundido.

Lyall Watson conta o seguinte:

"Certas argilas de Sumatra servem de remédio contra as diarreias graves, enquanto que outras, em Java, servem de purgativos. Nas Filipinas, a terra das termiteiras é um remédio infalível para todas as infecções intestinais, mas no Sudão julgam-na mais eficaz contra a sífilis. As mulheres grávidas, um pouco por todo o lado, sentem o desejo de se deitar na terra, e fazem-no também para alivio das suas náuseas e como auxílio para dar à luz uma criança forte ".

Na Suíça e na Alemanha, foi onde os médicos durante mais tempo recorreram à argila. Em Davos - importante centro suíço de tisiologia – utilizou-se a Geoterapia como recurso terapêutico privilegiado. O tórax era totalmente revestido com uma massa de argila bem quente, e deixava-se o emplastro permanecer toda a noite no local. Com este tratamento conseguiam-se, muitas vezes, curas miraculosas.

Os gregos antigos, contemporâneos de Homero, mencionaram nos seus escritos as propriedades medicinais de terras curativas, destacando-se as existentes na colina Mosychlos, de origem vulcânica, pertencente à Ilha de Lemmos. Apesar de não se ter referido a ela nos seus escritos, talvez por se tratar de uma substância que naquele época toda a gente conhecia e utilizava, Hipócrates (460-375 a. C.) – que ficou na história como “o pai da Medicina” –, terá certamente assistido a diversos milagres terapêuticos operados com a terra de Lemmos, que tanto se utilizava na forma de compressas, com fim refrescante, como por ingestão, após dissolução na água.

O médico e botânico grego Dioscórides, o árabe Avicena, assim como Plínio “o Antigo” e o eminente Galiano – o “pai da Geoterapia” –, fazem referências elogiosas ao uso da argila ou terra de Lemmos. Este último esforçou-se por tirar o máximo partido e obter a maior conhecimento possível das terras curativas, inventariando-as com exaustiva descrição e classificando-as em função das virtudes mais relevantes e princípios curativos de cada uma delas. As três principais, segundo a ordem de preferência de Galiano, eram as terras de Lemmos, de Samos e da Arménia.

Tal como aconteceu com a Hidroterapia, a importância do poder curativo da terra foi tida menos em conta em meados da Idade Média.

Enquanto as terras medicinais continuavam a ser utilizadas no Império Romano do Oriente, no resto da Europa passaram a ter apenas um papel de mera referência. Só para o fim da Idade Média é que retomaram a sua grande importância, na luta contra a peste.

A terra de Lemmos chegou a atingir tal cotação que valia o seu peso em ouro. Poderá ter sido esta a principal motivação para os turcos ocuparem a Ilha, onde vieram a explorar e a comercializar intensivamente o tão precioso medicamento. Pela sua elevada procura e extrema carestia, apenas as classes privilegiadas lhe tinham acesso.

Por ocasião da epidemia da peste de Braunschweig, em 1600, o médico L. Giessler fez um relatório onde elogiou o uso da terra como remédio contra aquele flagelo devastador, e o célebre Código dos Medicamentos de Augsburgo menciona as terras de Lemmos e da Arménia.

Pelo renome que tinham, consequente do seu comprovado êxito, era muito difícil obter estas terras curativas. Por isso, os célebres médicos Georg Agrícola (1490-1555) e Paracelso (1493-1541) mobilizaram pesquisas locais, na Silésia.

Georg Agrícola, considerado “o pai da mineralogia”, foi alquimista, radiestesista e médico oficial da cidade de Joachimsthal). Na sua prática clínica utilizou uma grande variedade de terras curativas, que descreveu e classificou, segundo os resultados obtidos.

Paracelso, grande viajante, também alquimista (e rosacruz), tornou-se o médico mais célebre da sua época, revelando capacidades inovadoras e dando diferentes utilizações aos medicamentos e remédios populares. Nas suas preparações medicinais incluía as terras curativas.

Um dos discípulos de Paracelso, o médico silesiano Johannes Schulz (que ficou conhecido como Montanus), tornou   extremamente famosa a terra curativa de Striegau. Isto fez com que alguns oportunistas viessem a utilizar o cunho dos brasões das cidades saxónicas nas embalagens com terras de outras procedências. Entre as numerosas terras utilizadas, a de Planitz, com a designação de "terra miraculosa saxónica", foi a que teve êxito duradouro. A sua análise foi feita pela primeira vez em Iena, em 1831.

 

As prospecções não paravam, sendo muitos os que pretendiam descobrir uma terra ainda mais espectacular, que lhes permitisse curar os enfermos e obter riqueza pessoal. Os locais mais explorados eram Brandeburgo, Vestefália, Hesse e Suábia. Tal como hoje, nem todos os comerciantes eram sérios, e por vezes anunciavam propriedades que as suas terras não possuíam…

O higienista Max Von Pettenkofer (1810-1901) publicou em 1882 uma obra que estabelecia a relação entre os solos e a saúde do homem, na qual explicava as formas de terapia relacionadas com estes aspectos. Esta obra pode ser considerada “científica”, porque se sabe actualmente que esta relação existe (o cancro, por exemplo, é menos frequente nas regiões em que os solos são muito ricos em magnésio).

Sempre houve detractores e deturpadores para todas as coisas, e há quem argumente que a medicina antiga empregava a argila por falta de outros medicamentos mais activos. Mas a verdade fala por si, e é cada vez maior o número de doentes que se afasta da medicação sintética (laboratorial), por nela reconhecerem mais inconvenientes do que virtudes. Também eminentes terapeutas assim pensam, felizmente.

Os grandes naturopatas alemães, Kneip, Kuhn, Just e Felke, foram quem mais contribuiu para o renascimento do emprego da argila no contexto dos tratamentos naturais. Na Índia, vemos este interesse centrado na incontestável figura de Mahatma Gandhi, um dos seus mais fiéis utilizadores. O Padre Kneip aconselhava insistentemente uma mistura de argila e vinagre natural, para os emplastros e cataplasmas. Em muitas das aldeias este método sobreviveu, mas aplicado sobretudo aos animais: quando um deles estava gravemente doente, era envolvido numa massa feita com argila e vinagre.

O Padre Kneip teve alguns discípulos, destacando-se dentre eles Adolf Just (um antigo livreiro e pessoa de excepcional inteligência). Just conseguiu resultados admiráveis nos tratamentos naturais a que submeteu os doentes que o procuraram. Das terras curativas utilizadas por Just, tornou-se famosa a de Luvos, por ter curado a cólera-asiática, conforme testemunhou o Prof. Julius (médico berlinense que a empregou com extraordinário êxito).

Durante a guerra, os soldados russos recebiam do comando 200g de argila (segundo Wacker), e em certos movimentos franceses utilizavam argila misturada com mostarda, para combater eficazmente a desinteria (que destroçava outros regimentos vizinhos).

No tempo da cavalaria, o exército utilizava-a para uso veterinário, para combater a gangrena nos cascos. Os animais eram mantidos num recinto com uma parte do solo composta por terra argilosa, mantida sempre húmida, para formar lama. Por instinto, os cavalos dirigiam-se para a lama e ali permaneciam (sem dúvida por sentirem alívio), vindo mais tarde a curar-se. Numerosas observações de outros animais confirmam esta eficácia.

Foi quase sempre aos animais que ficámos a dever a descoberta das terras “radioactivas”, às quais eles recorriam quando estavam enfermos. Na floresta siberiana de Oussouri existe um retiro para repouso que serviu de observatório para o comportamento animal. Ali foram observados javalis, cabras-montês e veados. Como sempre, mais uma vez se comprovou que os animais feridos ou doentes se mergulhavam nas lamas existentes nesse local (as quais foram objecto de estudo e posterior aplicação terapêutica em seres humanos).

O Dr. Gnomier observou que os elefantes se purgavam com margas sílico-magnesianas e se revestiam de lama.

Todos os que se interessam pela natureza e se ocupam da observação do que nela se passa, foram ou serão testemunhas de factos semelhantes.

Nas sociedades tradicionais, que ainda vivem em estreito contacto com a natureza, o uso da argila é prática corrente.

Manuel Lezaeta Acharan, um dos mais eminentes naturopatas contemporâneos, foi o codificador da Doutrina Térmica da Saúde. Os tratamentos que recomendava incluíam a aplicação de enfaixamentos de argila sobre o ventre, durante a noite.

Em França. sob o nome de "Lama dos Cuteleiros", a argila tem sido empregue como resolutivo e contra as queimaduras do primeiro ou segundo grau.

Outras designações da argila são: terra de Luvos, silicato de alumínio, caulino coloidal e baus.

Durante estes últimos anos tem-se espalhado a utilização da argila, com fins terapêuticos, e já é possível dissertar sobre as suas propriedades. Observemos, como curiosidade, o facto da medicina alopática tratar desde ferimentos externos, até perturbações gástricas, com derivados de alumínio, manipulados laboratorialmente. Como sabemos, a argila é exactamente um “silicato de alumínio”. E há uma característica da acção cicatrizante da argila que não se deve apenas ao alumínio como factor ponderal: é o facto de possuir uma sinergética natural, com componentes doseados de forma equilibrada.

Desde há milhares de anos que os chineses utilizam certas argilas para a descoloração dos óleos gordos. M. C. Alexanian, doutor em ciências físicas, realça este facto e acrescenta que os Egípcios, os Gregos, e mais tarde os Romanos, conheceram perfeitamente as propriedades desengordurantes e descolorantes da argila. Os frescos da “fullonica” de Pompeia mostram os lavadeiros romanos calcando com os pés as roupas na água argilosa – donde o nome de “terra de pisão”. Para a descoloração dos óleos, tanto minerais como vegetais, empregam-se desde há muito tempo as argilas atapulgite, sepiolite, hallosyte, illite e clorite.

Em geral, a argila opõe uma considerável resistência aos reactivos químicos, e só os mais poderosos a podem atacar. Nos Estados Unidos utilizam-se por ano 300.000 toneladas de terra pisada, da qual a maior parte (180.000t) é utilizada para o tratamento dos produtos petrolíferos. No Norte de África, extraem-se mais de 10.000 toneladas de argila (bentomite), utilizada também em grande parte na indústria do petróleo.

Como silicato natural, a argila serve de catalisador na génese do petróleo, determinando uma série de transformações de diversas matérias. Nesta indústria, as essências de “cracking" são purificadas ao passarem sob pressão através de uma argila absorvente. Sempre graças à argila, o "cracking catalítico” permite a transformação do gasóleo em essência combustível líquida e, depois em gás polimerizável, utilizado na fabricação do "caoutchouc" sintético e de outros produtos. O caulino é a argila que se utiliza como carga de reforço no fabrico do "caoutchouc" natural, assim como de certos "caoutchouc" sintéticos e de matérias termoplásticas (resinas "vyniliques"), tintas anti-ácidas, sabões hidrocarbonetados, etc.

Na China, uma matéria muito utilizada na composição da porcelana – um giz designado por "hoatché", é recomendado pelos médicos para compor uma tisana resolutiva, aperitiva e refrescante. Depois de reduzida a pó, esta substância é misturada com alcaçuz (seis partes desta pedra e uma de alcaçuz) e colocada numa chávena com água fresca. Consideram esta tisana "refrescante do sangue e refreadora dos calores internos”. Os operários utilizam esta matéria em lugar do caulino, por ser também glutinosa e apresentar certas semelhanças com o sabão (o que nos faz concluir que é uma argila). Designam-na pelo nome simplificado “hoa”.

 

PROPRIEDADES, IDENTIFICAÇÃO, LOCALIZAÇÃO, E ONDE SE PODE OBTER A ARGILA

Principais Propriedades e Identificação da Argila

Poderá pensar-se, por vezes, que existe uma certa semelhança entre a acção da argila e a de certos medicamentos, sobretudo os anti-sépticos. Mas esta apreciação não é correcta, porque a argila actua de forma antagónica à dos preparados químico/sintéticos, diríamos mesmo que é radicalmente oposta.

Os produtos de síntese não funcionam como selectivos biológicos, e, como tal, agem “às cegas” destruindo em simultâneo o agente patogénico, o tecido doente e o tecido são. A estes produtos falta o “discernimento” – inteligência da natureza – para poupar os elementos reconstrutivos.

Com a argila estamos perante uma substância “viva”, que está provida da “inteligência da natureza”.

O Dr. Alexis Carrel – talvez o mais famoso dos Prémio Nobel da Medicina – deixou entrever a existência desta “inteligência da natureza” ao demonstrar que as células isoladas podiam reproduzir os edifícios que caracterizam os órgãos. Escreveu ele:

“...se duma gota de sangue colocada no plasma líquido, alguns glóbulos vermelhos, arrastados pelo peso, correm como um pequeno riacho, logo se formarão margens à volta deste riacho. Estas margens cobrem-se em seguida de filamentos de fibrina, e o riacho torna-se um tubo onde os glóbulos vermelhos passam como num riacho sanguíneo. Depois, os leucócitos acoimam-se à superfície deste tubo, rodeiam-no com os seus prolongamentos e dão-lhe o aspecto dum capilar munido de cé1ulas contrácteis. Assim os glóbulos sanguíneos formam um aparelho circulatório, ainda que não existam nem coração, nem circulação, nem tecidos a irrigar. As células parecem-se com abelhas, que constroem os seus embriões, corno se cada uma delas conhecesse as matemáticas, a química, a biologia, e agisse no interesse de toda a comunidade. Esta tendência para a formação de órgãos, pelos seus elementos constitutivos, é, como as aptidões sociais dos insectos, um dado imediato da observação. Ela é inexplicável através dos nossos actuais conceitos."

A Ciência Oficial pretende explicar tudo de forma racional e demonstrável, negando todas as coisas que fogem ao seu interesse e à sua capacidade de demonstração. Sem dúvida que permitiu ao homem a conquista segura de um importantíssimo universo de conhecimentos. Mas também é verdade que a esta mesma Ciência Oficial falta a vontade e a humildade para reconhecer a existência de muitos fenómenos ainda por explicar, apesar de ser possível repeti-los e demonstrá-los.

Depois de observado o fenómeno, e de verificarmos que os mesmos efeitos se repetem, parece-nos lógico que tiremos proveito dos seus benefícios. O que nos pareceria Irracional seria a recusa na sua aceitação, apesar de garantida a sua eficácia, apenas pelo facto de não compreendermos a génese da sua actuação.

No caso concreto da argila, verifica-se que age com “discernimento” (por muito absurda que esta expressão nos pareça), entravando a proliferação dos micróbios ou bactérias patogénicas (todos os corpos parasitários), ao mesmo tempo que favorece a reconstituição celular. Há nela uma “força inteligente”, benéfica, que é necessário experimentar para conceber. Tratada com argila, uma ferida purulenta cura-se a um ritmo impressionante. A argila parece procurar o mal, para o eliminar. Em uso interno, a argila dirige-se para o centro doente e aí se fixa durante o tempo necessário para arrastar morbosidades, que são expulsas na evacuação.

O poder absorvente da argila é extraordinário, e bastam 5g de boa argila para descolorar completamente 10cc duma solução de água a 0,1% de azul de metileno. Pode-se verificar este poder absorvente utilizando-a como desodorizante, quer sobre uma parte do corpo, quer misturando-a a substâncias com mau cheiro. O odor desaparece, absorvido pela terra.

Quando numa casa há um doente acamado, basta colocar argila no fundo do recipiente de recolha para que o odor das fezes se atenue extraordinariamente.

Para uma fácil comprovação deste poder, coloquemos ovos cruz num recipiente, totalmente envolvidos com argila, e verificaremos que, passado algum tempo, sem que a casca tenha sofrido qualquer dano, eles perderam três vezes mais peso do que os ovos expostos ao ar. Estas propriedades absorventes, devidas certamente à constituição micromolecular da argila, explicam em parte a sua acção curativa.

Mas se não compreendemos a totalidade dos aspectos fenomenológicos da natureza, fiquemo-nos com os factos, para, ao menos, não negarmos o que é evidente, e, muito especialmente, não ficarmos privados de grandes benefícios por estúpidas razões de preconceito.

A Ciência tem procurado, com insistência, descobrir, por exemplo, a razão do poder curativo de algumas águas minerais. A uma água retirada de nascente natural e deixada em repouso o tempo suficiente para perder algumas propriedades, foi tentada a reconstituição das suas características; tentou-se também criar “água mineral” por síntese, etc., mas estas experiências não obtiveram sucesso. Muitas outras experiências operadas pela Ciência, com vista a substituir-se à Natureza, resultaram em fracassos. Não devemos seguir os que se perdem em conjecturas inúteis, pois a observação dos efeitos naturais deve ser suficiente para nos convencer de que a reconstituição artificial da natureza é uma impossibilidade: a química e a física não podem reconstituir a vida. E o “segredo da natureza” está de tal forma vedado, que não somos sequer capazes de definir o que é a “vida”.

A argila absorve admiravelmente as impurezas e outras substâncias que podem ser tóxicas ou dar sabor desagradável aos alimentos. Por isso é largamente utilizada para eliminar o gosto dos óleos medicinais e também no tratamento das margarinas, com o fim de lhes dar o sabor da manteiga.

Além do poder absorvente, a possibilidade de fixar qualquer substância em suspensão num líquido, faz da argila uma matéria cujo poder “adsorvente” é precioso tanto em medicina como na indústria petrolífera ou do óleo. Este poder adsorvente permite a captação, para fins de evacuação, dos elementos não utilizáveis da alimentação, assim como dos produtos de desassimilação ou de descamação, em suspensão nos líquidos que estagnam ou se desenvolvem nas vísceras.

Não é fácil determinar com rigor quais os factores que, na argila, justificam a sua acção. A radioactividade é um dos aspectos mais evocados. De facto, a argila é subtilmente radioactiva, como aliás o são todos os corpos, em maior ou menor grau. Contudo, exceptuando-se algumas lamas, possui uma radioactividade raramente detectável pelos aparelhos de controlo utilizados em laboratório. Radiestesicamente, a questão é controversa: há investigadores que a confirmam, e outros que a negam! No entanto, o problema difere também duma argila para outra.

Esta complexidade não é específica da argila, e nem sempre é fácil – nem absolutamente necessário – encontrar razões “científicas”. É assim que, segundo alguns cientistas, as radiações nocivas das famílias ditas “propensas ao cancro” teriam como responsável o gás radon, enquanto para outros, o mesmo radon estaria na origem das emanações benéficas da ilha de Capri, e muitas águas minerais lhe deveriam as suas propriedades terapêuticas.

Observando o efeito das aplicações de argila a seguir às sessões de radioterapia – sempre mais mortíferas do que curativas (na nossa opinião) –, verifica-se, no início da aplicação, a ocorrência de reacção de dor, por vezes intolerável, antes de se atingir um relativo bem estar. É como se a radioactividade acumulada no corpo começasse por ser potencializada, antes de diminuir. Isto leva-nos a admitir que, entre outras propriedades, a argila provoca uma exaltação da radioactividade de que o corpo está impregnado, para em seguida a fazer descer aos níveis desejáveis e próprios do corpo são.

Podemos portanto concluir que a argila estimula a radioactividade dos corpos sobre os quais é aplicada: se esta é deficitária, aumenta-a, e permite que seja mantida na vibração própria; se existe em excesso, exalta-a para em seguida a diminuir, por absorção (e posterior eliminação), até aos limites desejáveis. Esta constatação permite eleger a argila como preventivo, sempre que haja suspeita da presença de radiação, e como descontaminante dos organismos atingidos por radiações.

Independentemente de ter ou não havido tratamento com rádio ou raios, existe a rara possibilidade de intolerância a uma determinada argila, e esta provocar mal estar ou dores. Quando isto acontece, pode conseguir-se uma acostumação progressiva, utilizando quantidades mínimas (em uso interno) ou aplicações breves (externas). Contudo, há raros casos em que se produzem estados de super excitação, e quando isto acontece a única solução é utilizar argila de outra proveniência, a qual, por certo, garantirá tolerância imediata. Estes fenómenos explicam-se pela incompatibilidade, ou desarmonia, entre a energia de um determinado doente e a de algumas argilas.

Identificação da Argila

São diversas as aplicações da terra medicinal, assim como diferentes são também as características e origem de cada uma dessas terras. A seu tempo, descreveremos as mais correntes. Para já, torna-se conveniente dar algumas indicações sobre a identificação da argila.

O que vulgarmente se designa por “argila” corresponde a uma terra com:

·   Características gordurosas, sobretudo quando húmida;

·   Viscosidade e plasticidade depois de molhada;

·   Isenção de areias;

·   Granulometria regular (após compressão dos “torrões” de tamanho variável);

·   Isenção de vegetação (sobre a argila pura, nenhuma vegetação se desenvolve).

É a matéria-prima dos modeladores e oleiros. Pode ser: verde; encarniçada (o barro vulgar); amarela; cinzenta ou branca (caulino). Cada uma evidencia mais umas propriedades do que outras e é necessário procurar a que melhor convém à afecção a tratar ou ao temperamento do doente.

A sua localização na Natureza e onde é mais seguro obtê-la

Encontra-se por vezes no subsolo dos jardins, mais ou menos a um metro de profundidade. Mas em geral, e preferivelmente, é resultante de escavação em encostas de alguns taludes, ou extraída de pedreiras, donde é conduzida para as indústrias utilizadoras: fábricas de telhas e tijolos, olarias, cerâmicas, etc., assim como para os laboratórios dietéticos e ervanários – onde onde costuma apresentar-se limpa, e em pó.

Pode arranjar-se com facilidade em qualquer destes locais, mas convém evitar a que foi destinada a um qualquer fim industrial, pois pode conter aditivos (sendo maior o perigo se a vamos utilizar em uso interno). O mais seguro é obtê-la num centro dietético ou ervanária (farmácias do futuro), onde já se encontra pronta a utilizar.

Parece haver maior ou menor “afinidade” entre a argila e os diversos organismos. Compreende-se isto ao verificar que a mesma argila pode determinar um resultado espectacular num organismo e parecer revelar-se inoperante noutro. Na realidade, ela actua sempre, com maior ou menor rapidez, segundo o grau de afinidade. Quando a argila parece inactiva, trata-se apenas de uma argila que não é suficientemente activa para aquele organismo, e torna-se necessário obtê-la noutra região, até que se possa determinar qual a proveniência e a cor que são mais favoráveis para aquele doente ou para aquela determinada enfermidade.

Utilizando os elementos da natureza, devemos sempre procurar os que melhor se conjugam com o doente. Não estamos lidando com substâncias inertes, mas com a própria vida, onde a cura não é mais do que a transferência da energia natural (a natura medicatrix de Hipócrates) para o corpo enfermo.

A experiência prova-nos que a argila se torna mais activa, quanto mais estiver exposta ao sol, ao ar e à água da chuva. É assim que ela absorve e armazena uma notável parte da energia dos outros elementos, sobretudo do sol.

Podemos admitir que as pequeníssimas partículas da argila actuam como condensadores, capazes de captar e depois libertar a energia retida – quando em contacto com um corpo deficitário. No entanto, mesmo quando extraída do solo e utilizada directamente, sem exposição intermediária e prolongada à luz, a argila já possui a maior parte das suas espantosas propriedades.

Algumas propriedades da argila são insubstituíveis na manutenção da vida de certos cavernícolas. Uma variedade de camarões (niphargus) só se pode reproduzir e desenvolver com a argila; enfraquecem e morrem se dela forem privados, embora consigam resistir durante muito tempo sem se alimentar.

 

A Actuação da Argila em Uso Interno

Utilizemo-la sem receio. A ingestão de argila não fere os conceitos de higiene, nem é de todo desagradável. À medida que os seus efeitos benéficos se tornaram mais conhecidos, diluíram-se os injustificados sentimentos de repulsa, que algumas pessoas sentiam.

Ainda que, como já tivemos oportunidade de referir, não seja possível encontrar todas as explicações para a acção benéfica dos efeitos da argila, alguns factos são suficientemente evidentes e devem ser evocados:

·         Tem efeito bactericida, é protector biológico e destruidor de gases. A argila é bactericida e pode atenuar os efeitos nefastos, ou mesmo tornar inofensiva a água poluída;

·         O seu poder absorvente pode contribuir para retirar à água da cidade os maus cheiros e os sabores químicos do cloro, não se limitando esta acção a um efeito de disfarce, pois prossegue no trajecto digestivo como protector biológico e destruidor de agentes patogénicos e de gases prejudiciais;

·         Tem “polaridade” harmonizante e é drenadora. Tudo o que é doentio, ou emissor de “radiações” com polaridade desarmonizante, é atraído para a argila e neutralizado por polaridade contrária. Depois, há uma eliminação mais ou menos rápida – a menos que o volume de resíduos drenados para o intestino ocasione alguma perturbação (a qual pode ser necessário combater, o mais depressa possível, podendo ser através de tisana laxativa, ou, preferencialmente, bebendo mais água entre as refeições, a fim de que o volume de líquido seja suficiente para evacuar estas acumulações sólidas e possa evacuá-las).

 

Como iniciar o tratamento interno sem inconvenientes:

Para habituar o corpo à argila, sem inconvenientes de qualquer espécie (que podem surgir no começo do tratamento), é preferível começar por beber apenas água argilosa, deixando o depósito no fundo do copo.

Como actua nas úlceras, nas enterites, na desinteria, na potencialização de todos os órgãos e funções, na depuração do sangue e na cura da furunculose e da anemia:

Para todas as irritações e ulcerações, incluindo as úlceras dos órgãos digestivos, a argila constitui um agente curativo com extrema actividade “vital”, eliminando células destruídas e activando a respectiva reconstituição. As propriedades coloidais da argila agem como detersivos e eliminam as substâncias nocivas. A mesma acção suave e absorvente manifesta-se em relação às enterites e à desinteria, quer sejam amibianas ou não.

Tudo isto resulta de uma “acção directa e imediata" sobre todo o canal digestivo. Mas a actividade da argila vai muito mais longe, não se limitando a curar a prisão de ventre, a diarreia, as úlceras, as feridas, eliminar bactérias, etc., pois o que na realidade ela opera é uma potencialização de todos os órgãos do corpo.

O trabalho depurativo continua no sangue, enriquecido com elementos que o limpam e fortificam. A mesma colher de café de argila pode curar uma furunculose rebelde e uma anemia tenaz. Se a cura da furunculose se explica pelo seu poder absorvente, a da anemia justifica-se pelas micro partículas de elementos minerais, onde está representado o ferro, associado ao titânio, alumina, cálcio, magnésio, sódio, potássio e alguns óxidos alcalinos, numa sinergia perfeita – ainda que não exista um único elemento cuja quantidade ponderal possa explicar (em termos “científicos”) a cura da anemia. Contudo, o factor mais prevalecente (ou de conjunto) é o silicato de alumínio, e isto explica, em parte, o poder cicatrizante da argila nas feridas e úlceras.

Há razões para ter total confiança na acção da argila em uso interno: ela atingirá o seu objectivo!

Quando se vêm os resultados da aplicação da argila em uso externo, o mais racional a fazer é ter confiança na sua acção no interior do corpo; quando se assiste à desinfecção duma ferida infectada – desagradável de ver – e em seguida a uma reconstituição dos tecidos, sem o menor sinal ou cicatriz, tudo se pode esperar da acção interna exercida pela argila.

 

A Análise da Argila não pode explicar os seus Efeitos Terapêuticos

As análises da argila podem ser ligeiramente diferentes, porque são diferentes os tipos de argila, e diversas as suas proveniências.

Segundo análises efectuadas no Centro Nacional de Investigação Cientifica de França, a argila contém:

·         31,14 a 41,38% de óxidos e bióxidos;

·         0,47 a 1,89% de titânio;

·         40,27 a 48,13% de alumínio;

·         0,11 a 0,78%  de ferro;

·         0,05 a 0,13% de cálcio;

·         0,05% de magnésio;

·         0,25 a 0,85 de sódio e potássio.

A composição química que conhecemos na argila não chega para explicar a sua acção efectiva como reconstituinte dos glóbulos vermelhos do sangue, conforme foi comprovado por teste de contagem globular: em apenas um mês, assistiu-se a um impressionante aumento destas células.

Onde quer que haja uma carência, o nosso “medicamento” parece preencher a correspondente lacuna, ainda que a análise da argila não revele a presença das substâncias carenciadas. A nossa incapacidade de compreensão destas maravilhas proporcionadas pela natureza, pode residir no facto de observamos e analisamos as coisas de um modo excessivamente materialista: pesando, medindo e contando. Foi este o legado intelectual que a civilização nos transmitiu, sob cujas premissas o nosso corpo seria como um balão laboratorial onde bastaria colocar o que está em falta, ou o reagente provocador do efeito pretendido, mais em função da constituição químico – biológica do que das “transmutações” internas – complexos mecanismos cujo funcionamento não compreendemos na totalidade.

Felizmente a argila não funciona “às cegas”, e faz muito mais do que depor passivamente uma substância em falta no corpo, ou suprir uma deficiência. Esse não é o modo de actuação dos agentes terapêuticos naturais. Se um órgão funciona mal ou se uma função só se realiza em parte, não serve de nada introduzir no organismo substâncias substitutas das funções do órgão, pois isto só contribuirá para o seu mais rápido atrofio. É necessário ir mais longe, como a argila o faz, estimulando o órgão deficiente e contribuindo para o restabelecimento da função enfraquecida.

O restabelecimento realiza-se pelo contributo de substâncias imponderáveis e de catalisadores, que permitem a assimilação e depois a fixação dos corpos minerais fornecidos pelos alimentos e sintetizados pelo organismo, os quais, por deficiência metabólica, não eram aproveitados.

A dose mínima é suficiente, pois estes “imponderáveis”, como a própria designação indica, agem em doses infinitesimais. Por esta razão é inútil absorver grandes quantidades de argila. Como dose diária é suficiente uma colher de café.

A argila parece servir de canal às “energias cósmicas”, pela sua particularidade de conseguir restabelecer o equilíbrio “psíco–químico”. Ultrapassando as qualidades terapêuticas atribuíveis às substâncias que encerra (mesmo numa perspectiva sinergética), a argila “age pela sua presença”.

Parece ter acção enzimática

Existem substâncias que não se destroem ao agir: são as diástases ou enzimas (cujo assunto é tratado noutro artigo), de que a argila, a avaliar pela sua actuação, deveria ser excepcionalmente rica. Algumas destas diástases, as “oxidases” têm o poder de fixar o oxigénio livre. Isto explicaria a acção purificadora e enriquecedora da argila sobre o sangue.

Desperta, transforma e transmite energia

A argila é transformadora e transmissora de energia, e o reconhecimento destas propriedades seria suficiente para aconselhar com insistência o seu uso. Como uma partícula de limalha proveniente dum íman, que guarda as propriedades do todo, cada parcela de argila transporta uma energia considerável de magnetismo e radiações, suprindo o organismo duma reserva de força extraordinária. Esta acção radiante, contribui para a reconstituição do potencial vital, revitalizando e libertando a energia nele latente e até aí desaproveitada.

Temos em nós extraordinárias fontes energéticas que mantemos adormecidas, e a argila desperta-as!

Não devemos confundir esta forma de acção com o efeito das bebidas ou alimentos excitantes, os quais, em vez de potenciarem a energia vital, levam ao consumo desajustado e à destruição dessa energia.

Proporciona harmonia funcional entre órgãos e sistemas

A argila é simbiótica – com acção é plena, total e geral – proporcionando harmonia funcional entre todos os órgãos e sistemas. Os resultados obtidos permitem-nos fazer uma ideia bastante correcta sobre as suas propriedades, e só deste modo podemos avaliar o seu valor terapêutico. É o remédio polivalente. Trata os distúrbios das glândulas endócrinas, sem artificialismos sintéticos, e consegue estimulá-las ou acalmá-las. É um remédio que possui “inteligência”, como já dissemos, pois regula o metabolismo e apresenta-se como um tónico de muitos órgãos, incluindo o coração.

Associada ao limão, age sobre os capilares e combate intoxicações

O seu emprego, associado com o do limão, age sobre os capilares, para os libertar, dissolvendo os flóculos de cristais. Como absorve todas as toxinas pode-se ter confiança como remédio contra as intoxicações, quer sejam causadas por cogumelos, ácidos químicos ou outros venenos. Se ela não os conseguir neutralizar, as hipóteses de sucesso de outros meios serão pouco animadoras.

Destrói proliferações microbianas e expulsa vermes

Na sua presença, esfuma-se a flora microbiana patogénica. Num meio criado com o seu contributo, os micróbios não podem proliferar.

Observa-se por vezes, depois da absorção da argila, a presença de vermes nas fezes, que não se supunha existirem. Não deduzamos que estes vermes foram trazidos pela argila, pois na realidade não só os não trouxe como expulsou os que estavam hospedados nos intestinos ou noutros órgãos, em cujos recantos habitavam.

Protege da radioactividade “da ciência”

Não será demais insistir neste aspecto, considerando que vivemos uma época em que os fenómenos de radioactividade se tornam cada vez mais frequentes e inquietantes, quando sabemos que se pode conseguir uma boa protecção graças às curas periódicas de argila, pela sua acção neutralizadora ou absorvente da radioactividade em excesso.

 

COMO ESCOLHER E TOMAR A ARGILA

A escolha da qualidade

De preferência, escolher-se-á uma argila gordurosa e que não estale sob os dentes, ou seja, isenta de areias. Devemos abstermo-nos de empregar argilas preparadas, cozidas ou associadas a outras substâncias, naturais ou não. As substâncias “não naturais” poderiam constituir perigo de intoxicação ou de oclusão; as “naturais” – exceptuando-se os casos em que haja recomendação explícita de um terapeuta –, não são necessárias à argila.

Cor e região

A cor da argila pode ser, como já vimos, esverdeada, acinzentada, amarela, avermelhada e branca. Este aspecto tem a sua importância, do mesmo modo que tem importância a sua proveniência.

É natural que a argila da região onde se vive esteja mais em “simpatia” com o organismo dessa região do que as argilas de proveniências afastadas. Mas isto não é um dado irrefutável, porque pode haver excepções. Será necessário fazer algumas experiências prévias, pare determinar qual a argila mais activa e aconselhável para um determinado doente.

Dosagens

A dose diária para adulto é, como atrás dissemos, a de uma colher de café, recomendando-se meia colher para as crianças até aos 10 anos. Em certas afecções intestinais (colibacilose, desinteria, etc.) a dose pode ser elevada para 2 ou 3 colheres de café por dia, para adulto, e metade destas doses para criança.

Preparação

Prepara-se, se possível, com a antecedência de algumas horas, ou à noite. Põe-se uma colher de café de argila em meio copo de água não fervida, tendo o cuidado de não deixar nenhuma colher de metal em contacto com a argila. Evitam-se os copos de vidro muito fino, porque a argila emite ou retransmite radiações susceptíveis de os partir, chegando, por vezes, a pulverizá-los.

Quando se deve tomar

Toma-se a argila de manhã, ao levantar, ou então à noite, ao deitar, ou ainda quinze a trinta minutos antes das refeições (uma hora antes seria preferível, mas sabemos o quanto isto é difícil para quem trabalha para outrem).

O que fazer no caso de provocar prisão de ventre (I)

Se provocar prisão de ventre, devemos dilui-la num pouco mais de água e tomá-la várias vezes durante o dia, entre as refeições. Se a prisão de ventre persistir, substituiremos provisoriamente a argila por uma tisana laxativa.

Como ultrapassar situações em que produza náuseas

No caso da absorção ser a causa de náuseas (situação tão rara que nem deveria ser referida), misturaremos a argila com um pouco de água, de forma a fazer uma massa firme, e com essa massa faremos bolinhas da grossura de ervilhas, as quais deixaremos enxugar. Estas bolinhas serão engolidas, em substituição da argila em pó (ou melhor, em água).

Para as crianças pode-se preparar esta massa com uma infusão aromática (hortelã, melissa, menta, etc.) e dar-lhes as bolinhas a chupar como se fossem rebuçados.

O que fazer no caso de provocar prisão de ventre

As pessoas com tendência para a prisão de ventre, podem-se preparar estas bolinhas com uma decocção (muito fraca) de amieiro – negro ou juntar-lhe pós de sene ou de ruibarbo. Aos bebés dar-se-á uma colher (das de café) de água argilosa antes de três mamadas diárias.

Tratando resfriados, amigdalites, dentes e gengivas inflamadas

Em caso de constipação nasal ou doença de garganta, a prática de chupar a argila é muito boa. Se os dentes não estão bons ou as gengivas inflamadas, chupar a argila em bocados ou em bolinhas, ou introduzir na boca simplesmente ½ a 1 colher de café de argila em pó.

 

Duração do Tratamento e Recomendações

O primeiro tratamento com argila durará três semanas, depois interromper-se-á durante uma semana. O tratamento será depois retomado e poderá ser prosseguido durante meses, à razão duma semana de tratamento, alternando com uma semana de repouso.

Em casos graves, pode fazer-se continuamente 3 semanas de tratamento e uma de descanso. Esta semana de intervalo é necessária para evitar que o organismo se torne dependente da argila.

Cuidados a ter se há hipertensão

A argila enriquece o sangue e por isto é preferível não a tomar em quantidade se a tensão arterial é elevada.

Neste caso deve-se tomar uma ou duas pitadas por dia, na água, não ultrapassando duas colheres de café por semana.

Doses elevadas não costumam oferecer vantagem

Raramente é útil tomar grandes doses de argila, pois a sua acção é devida, como já foi dito precedentemente, às suas emanações. Não deve ser considerada como um remédio anódino, mas sim como um veículo orientado, sobretudo em uso interno.

Certas substâncias, como o licopódio, são inoperantes em doses elevadas, mas tornam-se medicamentos efectivos quando tomados em doses infinitesimais. A argila pode ser utilizada em doses relativamente grandes ou em doses homeopáticas: umas e outras deverão ser determinadas depois de alguns dias de experiência.

Ou argila, ou “medicamentos”....

A argila pode não se harmonizar com a presença de alguns medicamentos farmacêuticos (mesmo homeopáticos), pelo que é preferível abster-se de a tomar, se desejar continuar um tratamento médico. É verdade que alguns tratamentos podem ser efectuados em simultâneo com a argila, e só o geoterapeuta (de preferência habilitado com outros cursos de medicina natural) pode com segurança decidir qual o caminho a seguir para a obtenção da cura.

Chamamos especialmente a atenção para o facto de que a absorção de óleo de parafina (que alguns alopatas – principalmente os mais antigos – ainda vão receitando), quer tenha sido ingerido em data recente, quer em concorrência, é susceptível de provocar o endurecimento da argila e acarretar consequências graves (os óleos minerais conseguem endurecer ou impermeabilizar tijolos de argila crua).

É conveniente adoptar um regime alimentar Natural

Veremos mais adiante como utilizar a argila exteriormente, mas convém esclarecer desde já que uma cura total requer não apenas a utilização da argila, mas a adopção de um modo de alimentação que se harmonize com as leis naturais.

 

Como Preparar a Argila

Secagem e manuseamento

Antes de qualquer outra coisa, é absolutamente necessário fazer secar a argila. Se os bocados são grossos e o tempo húmido, devemos cortar estes bocados com uma faca inoxidável (é necessário não tocar a argila com um metal susceptível de se enferrujar ou oxidar).

De preferência será posta a secar ao sol, ou, na falta deste, perto duma fonte de calor (fogão, radiador), mas sem contacto directo. Quando a argila estiver bem seca, será partida (com um martelo ou um peso previamente forrados com papel ou pano) em bocados da grossura mais ou menos duma noz.

Se há corpos estranhos, como calhaus, raízes, palhas (quando se colhe a argila numa pedreira), devemos retirá-los.

A argila que se adquire nos ervanários, geralmente em sacos de 1Kg, está seca e moída – pronta a ser utilizada –, e, como já dissemos, evita riscos desnecessários.

Recipientes a utilizar

Devemos munir-nos dum recipiente côncavo (tabuleiro, saladeira, gamela) em esmalte, madeira, vidro ou faiança, não utilizando nunca recipientes de metal (alumínio, cobre, ferro, estanho ou galvanizados), excepto os de aço inoxidável. Evitar-se-ão também as matérias plásticas.

Preparação para Uso Externo

Coloca-se a argila no recipiente, nivelando a superfície tanto quanto possível. Conserva-se sempre um pouco de argila seca para o caso da mistura ficar pouco espessa, e assim se poder corrigir. É preferível que a mistura não seja muito espessa, sendo mais fácil dosear mais argila para a espessar, do que água para a tornar menos espessa (porque aumentaria desnecessariamente o volume, e escorreria para fora do recipiente). Junta-se em seguida água não fervida até que a argila esteja mais ou menos recoberta (ao principio, é necessário fazer algumas tentativas, porque as argilas não absorvem todas o mesmo coeficiente de água). Deixe repousar cerca de uma hora (ou mesmo mais) sem lhe tocar. Quando se mexe, a argila torna-se aderente e é incómodo manejá-la; mais tarde poderemos manuseá-la melhor, pois desagrega-se sozinha.

Como é possível preparar a argila para o uso de vários dias, não há que ter o receio de a ter preparado em excesso.

Aspecto

A massa preparada deve ser lisa, bem homogénea e não muito espessa; apenas o suficiente para não verter. Quando a preparação estiver pronta pode colocar-se o recipiente ao sol, cobrindo-o com uma gaze, para proteger a argila das impurezas. Quando se aplica fria, tépida, ou quente

A argila pode ser aplicada fria ou tépida. Quando é aplicada sobre um local febril, inflamado, congestionado, ou naturalmente muito quente (no baixo-ventre, por exemplo), deve ser fria. Alguns minutos depois de se ter colocado a cataplasma, esta deve estar tépida.

Se persistir uma sensação de frio é necessário não insistir no uso a frio. Pelo contrário, quando a cataplasma estiver muito quente, é necessário renová-la algumas vezes, logo após 5 ou 10 minutos depois da aplicação.

Quando a argila é empregue com fins de revitalização, de reconstituição óssea, sobre os rins, a bexiga, o fígado, etc., é muitas vezes necessário aquecê-la ou, pelo menos, torná-la tépida. Mais adiante abordaremos com pormenor este assunto.

A acção deve produzir reacção

Convém lembrarmo-nos duma lei da medicina natural, que determina que "toda a acção deve ser imediatamente seguida duma reacção”. Se a cataplasma é aplicada sobre uma parte inflamada, febril ou congestionada, deve refrescar. Mas se é aplicado com o fim de tonificar ou revitalizar, deve aquecer. Sobre um organismo ou um órgão enfraquecido, é possível fazer aplicações frias de água, de ar ou de terra, mas o fim destas aplicações é sempre a produção de uma reacção quente, que deve surgir muito rapidamente. Sempre que, em terapêutica natural, a intervenção dum agente curativo frio (argila, água, ar, coalhada, cataplasmas de plantas esmagadas, etc.) não dê origem a aquecimento, haverá suspeitas de que as reservas energéticas orgânicas são insuficientes – e neste caso é necessário complementar a terapêutica reconstitutiva recorrendo ao repouso físico e mental.

Como atenuar o frio da Argila, forçando, com artifício natural, a produção de reacção

Pode, eventualmente, ser necessário “activar” a cataplasma com uma fonte de calor, a qual não deve directa nem muito viva. O banho-maria será um meio apropriado para conservar intactas as propriedades da argila. A forma de o fazer consiste em: colocar o recipiente que contém a argila (em massa) numa bacia sensivelmente maior; pôr água suficiente na bacia para atingir pelo menos a meia – altura do recipiente com a argila; colocar o conjunto sobre o fogo e deixá-lo aí até que se atinja a temperatura desejada.

A exposição ao sol ou a sua colocação perto duma fonte de calor suave (radiador, aquecimento de fluxo continuo), permite a obtenção dum aquecimento da argila que em certos casos pode ser suficiente.

Pretende-se que as oxidações se aceleram, assim como a circulação e as funções defensivas sejam estimuladas, e o sinal de que isto acontece, e de que a cataplasma está a ser benéfica, percebe-se quando a temperatura do corpo sobe ligeiramente.

Quantidade a preparar

A argila para várias cataplasmas frias pode ser preparada com antecedência, enquanto para as aplicações quentes só se deve aquecer a argila necessária para uma cataplasma. A argila não deve ser aquecida duas vezes.

Para maior facilidade da operação pode colocar-se a cataplasma, já toda preparada, sobre a tampa duma panela de água quente ou sobre um radiador de aquecimento central.

 

A CATAPLASMA E A COMPRESSA

Panos e outros meios

Sobre uma mesa, coloca-se uma toalha de fina espessura, trapo não tingido ou fralda de pano, o qual se dobra em dois ou em quatro, tendo em conta que é necessário dispor duma superfície mais extensa do que a cataplasma propriamente dita, e que a própria cataplasma deve ser maior do que a parte a tratar. A utilização duma folha grande de couve pode ser preferível à dos panos, sobretudo se a cataplasma tiver de permanecer muito tempo no local ou a sua aplicação se destinar a uma região muito irritada ou inflamada. A folha de couve mantém a frescura e atrasa a secagem, evitando que o tratamento se torne desagradável.

Utensílios

Com uma espátula ou uma colher de madeira (nem metal, nem matéria plástica), espalhar uma camada bem regular de argila sobre o tecido, preparado como se indica anteriormente. A espessura pode variar de 5mm a 2cm, segundo os casos particulares que serão mais adiante precisados. Salvo excepções, deve aplicar-se directamente sobre a pele.

Em princípio a argila é aplicada directamente sobre a pele, mas se a cataplasma for destinada a uma parte em que a esta é muito sensível, ou a zona dificilmente acessível para uma pessoa que se trata sozinha, uma musselina, gaze ou outro tecido muito ligeiro deverá ser colocado entre a argila e a pele (ainda que este entremeio apresente o inconveniente de entravar a aderência da argila contra a pele, e assim, além de lhe reduzir algumas virtudes, permitir uma circulação de ar capaz de arrefecer a cataplasma).

Tudo indica que se aproveitam melhor as propriedades da argila se esta estiver em contacto directo com a pele.

Como se prepara a compressa de lama

Tal como veremos mais adiante, nalguns casos o uso duma compressa de lama pode ser preferível ao da cataplasma. Para isso é necessário preparar uma massa pouco espessa, na qual se possa mergulhar um pano de tela, devendo ficar este revestido duma ligeira camada de argila. Esta massa prepara-se como a da cataplasma mas com menos argila e mais água. Na altura de a usar, deverá ser medida de forma a obter-se uma boa mistura.

Humedece-se um pedaço de tecido na lama, retira-se, escorre-se um pouco e coloca-se sobre a parte que se quer tratar, colocando uma musselina intercalar se for necessário.

O modo de fixação

Uma vez aplicada a cataplasma ou a compressa, deve esta ser recoberta com um pano seco, podendo fixar-se com adesivo (caso o local não se preste para a utilização duma ligadura, ou no caso de se tratar dum penso de pequenas dimensões).

Utilizar-se-ão ligaduras de tecido macio, cinturas de flanela ou outro tecido quente, se a aplicação for sobre os rins, o fígado, o ventre ou os pulmões. Uma ligadura em T será preferível quando a aplicação se efectua no baixo ventre, genitais ou recto. Se a cataplasma for aplicada sobre a nuca, deve-se ligar à fronte e nunca ao pescoço.

 

DURAÇÃO DA APLICAÇÃO, SEGUNDO OS CASOS

A aplicação pode durar de uma hora a toda a noite, segundo os casos

Se for para tratar uma ferida purulenta, é necessário renovar a aplicação de hora a hora, e quando o período de supuração tiver terminado, pode conservar-se o penso durante uma hora e meia. Logo que os tecidos comecem a reconstituir-se, pode prolongar-se até duas horas cada aplicação.

Para o tratamento dum órgão profundo (fígado, rins e estômago), a cataplasma será deixada no local durante duas, três ou quatro horas (ou mais, se não incomodar).

Se a cataplasma ou compressa tiver como fim a revitalização ou a reconstituição de um tecido ósseo descalcificado (ex. vértebras), pode durar toda a noite.

A aplicação deve proporcionar sempre bem-estar.

O que fazer em caso de incómodo

Em princípio, uma aplicação de argila não deve ocasionar nenhum transtorno ou sensação desagradável.

Se uma cataplasma aplicada sobre um abcesso ou furúnculo ficar muito seca e quente após uma meia hora, deve-se trocá-la sem esperar que termine a hora.

Se a cataplasma colocada sobre a coluna vertebral proporcionar uma sensação de frio, mesmo que tenha sido aplicada quente há pouco tempo, não deve ser deixada toda a noite, mas sim retirada imediatamente e substituída.

Quando a aplicação se efectua sobre uma parte febril ou sobreaquecida, é necessário interrompê-la antes que a argila fique demasiado quente; e se a aplicação tiver por fim vitalizar, portanto aquecer, é necessário interrompê-la antes que a argila arrefeça.

Geralmente, a própria argila serve de indicador

A argila está quase sempre seca no momento em que se retira, se tiver logrado êxito o nosso objectivo terapêutico. Neste caso, a cataplasma retira-se facilmente deixando um mínimo de argila aderente à pele.

Se houver dificuldade em retirar a cataplasma, deve fazer-se correr um pouco de água tépida entre a argila e a pele e depois raspar as partículas de terra que restarem na pele, lavando com água fresca ou tépida, sem sabão. Nunca se deverá empregar álcool nem água de colónia.

Cada caso requer o ser próprio método e depende das características do doente

A aplicação varia muito com o caso a tratar, a extensão do mal, o temperamento do doente, as suas reacções perante a argila, a localização, etc..

Para os abcessos ou qualquer outra erupção purulenta é necessário mudar as cataplasmas todas as horas e fazê-las suceder, se possível, noite e dia, até se conseguir melhora significativa. Em seguida, a duração de cada cataplasma aumentará para uma hora e meia. Nos casos gerais, de noite, pôr-se-ão compressas de água lamosa, que se renovarão uma ou duas vezes, ou cataplasmas permanentes (se não incomodarem), ou ainda mudadas todas as duas horas, com penso seco (se incomodarem).

Quando se trata de aplicações extensas

Nas grandes aplicações (fígado, intestinos, rins, etc.) será necessário ter em consideração que reacções muito fortes e continuadas, com frequente renovação das cataplasmas, poderiam enfraquecer o organismo, sobretudo se o doente continua com as suas actividades normais.

Uma cataplasma por dia (durante 2 ou 4 horas) será preferível, ou a aplicação de duas, se as actividades forem reduzidas. Se a cataplasma for posta à noite, ao deitar, pode-se adormecer com ela e retirá-la apenas no dia seguinte de manhã (ou durante a noite se incomodar ou arrefecer).

Duas longas cataplasmas podem ser aplicados durante o dia a um doente acamado ou inactivo, se ele as suportar bem, sem fadiga nem reacções excessivas.

Não aplicar ao mesmo tempo sobre dois órgãos vitais

Tendo em conta o poder de acção de argila, as reacções que determina e a energia que liberta, devemos abster-nos também de a aplicar simultaneamente sobre dois órgãos importantes. É sempre bom ter em conta a resistência orgânica, e evitar também o tal excesso de fadiga por força das aplicações demasiado repetidas, pois podem causar reacções inquietantes e sobre – excitações desnecessárias e incómodas.

Após iniciado, o tratamento deve ser continuado até ao fim

Quando se inicia um tratamento com argila deve evitar-se interrompê-lo, mesmo que provisoriamente, porque a argila constitui um agente poderoso que produz fenómenos em cadeia, na totalidade do organismo. É portanto necessário não empreender as aplicações se não se tiver à certeza de as poder continuar, do mesmo modo que seria contraproducente e perigoso pôr um comboio em andamento para o parar entre duas estações. O nosso objectivo é a cura integral, e uma interrupção, ainda que não apresentasse outros inconvenientes, teria o efeito aborrecido e desmotivador de se ter de começar outra vez.

Reacções próprias ao início do tratamento

Há grande probabilidade de se registar, no início do tratamento, uma aparente recrudescência da doença, a qual corresponde a uma reacção curativa e benéfica (quase sempre presente nos tratamentos naturais). A argila exerce uma poderosa acção de drenagem e atrai todas as substâncias morbosas, ou seja, inicia um processo de limpeza orgânica geral. O esforço de encaminhamento das toxinas do corpo para o local de tratamento, faz parecer que o mal se agravou. Evita-se este “estrondoso” aparato se fizermos preceder o tratamento geoterápico externo de tisanas laxativas, associado a uma pequena cura de frutos ou de limão e ingestão de água argilosa por via bocal, durante cerca de dez dias. Isto não é absolutamente necessário, mas facilita.

Cuidados a ter com a argila já utilizada

Deve deitar-se fora a argila depois de usada, porque está desvitalizada e intoxicada com o produto da absorção efectuada. Esta recomendação não é feita de ânimo leve e deve ter-se o cuidado de a deitar em cova ou outro sítio onde não mais esteja acessível. Do mesmo modo se procederá com as folhas de couve que tiverem sido utilizadas ou os panos celulósicos de difícil lavagem. As telas e ligaduras que possam ser lavadas deverão ser convenientemente higienizadas e secas, antes de nova utilização.

 

ESCLARECIMENTOS SOBRE AS APLICAÇÕES DA ARGILA

Recomendação a repetir com insistência

Convém esclarecer sempre o doente de que, após iniciado o tratamento, o agravamento dos sintomas e sinais é apenas aparente e não representa qualquer perigo, sendo, muito pelo contrário, indicadores da eficácia e dos benefícios da argila.

Se uma úlcera varicosa piora o seu aspecto ou começa por aumentar, significa que está a haver remoção de todos os tecidos mortos da periferia, que caem, aumentando a superfície de exposição, e dando origem aos processos leococitário e linfático de formação de pus ou drenagem de “sangue aquoso”. Este processo inicial pode ser acompanhado de aumento de dor, com maior ou menor duração, para diminuir em seguida e acabar por desaparecer com uma cicatrização definitiva e perfeita, quase sem deixar marca – sinal da sã reconstituição do tecido.

Perseverança e cuidados

Sempre que um destes tratamentos é empreendido com perseverança, a úlcera desaparece para sempre e não subsiste algum perigo de recidiva. Ocorre o mesmo com as úlceras internas, casos em que, quando se suspeite de lesão profunda (no estômago, útero, etc.), é necessário começar por aplicações suaves, usando cataplasmas muito finas, de ½ a 1 centímetro.

Como a primeira acção da argila consiste na drenagem dos princípios mórbidos para o local tratado, uma aplicação intensa proporcionaria às feridas internas uma grande limpeza, ou seja, aumentaria desnecessária e perigosamente a sua extensão (ainda que provisória), o que se deve evitar porque poderia atingir um órgão vizinho ou esgotar as reservas energéticas do doente.

Conselhos que se devem seguir

·   Aplicar o tratamento prévio de desintoxicação com as tisanas laxativas e a cura de frutos ou de limão, seguindo-se alimentação vegetalina e ingestão de argila por via bocal;

·   Começar por aplicações ligeiras, de pouca extensão e não demasiado espessas (não mais de 1cm), conservando-as uma hora; só depois de alguns dias de habituação se poderá aumentar a extensão, a espessura e a duração da aplicação;

·   Chegar progressivamente a uma cataplasma que terá 20cm x 15cm ou 30cm x 20cm, com o limite de 2cm de espessura, que finalmente pode ser deixado no local de 2 a 4 horas, ou até toda a noite (desde que não incomode). Só se aumentará a superfície e a espessura das cataplasmas se as aplicações precedentes tiverem sido bem toleradas, sem perturbações, desordens ou reacções violentas. Agindo assim colocam-se do nosso lado todas as possibilidades do melhor êxito, e evitam-se todos os possíveis dissabores. Obtém-se a garantia de um caminho certo para a cura.

Em lavagens e irrigações

A argila presta-se a muitas formas de utilização e pode ser usada para lavagens e irrigações. Para esta modalidade colocam-se 4 colheres de sopa de argila em pó por cada litro de água não fervida. Aquece-se ligeiramente e mexe-se antes de usar.

 

EM TRATAMENTOS DA PELE E COMO REALCE DA BELEZA

Em substituição do pó de talco

A argila finamente pulverizada oferece vantagens superiores ao pó de talco (muitas vezes associado a substâncias medicamentosas de síntese). Não deve haver hesitação alguma em aplicar este pó de argila sobre as assaduras, irritações de pele, feridas das crianças, ou meramente como protector. Até nos casos de vegetações anormais (ex.: adenóides) se pode fazê-las respirar perto do pó da argila, pois o simples ar impregnado das suas poderosas vibrações curativas tem efeito altamente benéfico, em especial nas crianças (a quem prioritariamente se destina esta recomendação).

Pintas, escaras, pontos, eczemas

Em todas as feridas, a argila exerce uma acção desinfectante, ao mesmo tempo que favorece a reconstituição dos tecidos lesados. Devem pulverizar-se igualmente todas as úlceras da pele, escaras, pintas vermelhas e negras de qualquer parte do corpo e do rosto (eczemas, etc.).

Massagens

A utilização de pó muito fino de argila nas massagens, aumenta de uma forma admirável a sua eficácia.

Máscaras de beleza

Ultimamente a maioria dos emplastros utilizados como máscaras de beleza são à base de argila. O preço elevado destes unguentos é pouco justificado, ainda que dê algum trabalho a sua manufacturação com argila. Também, infelizmente, por vezes a argila serve de base a misturas com glicerina, parafina e outras substâncias que mais contribuem para neutralizar as suas propriedades do que para as exaltar. A maioria das transformações ou a adjunções destas substâncias, só contribui para enfraquecer o poder da argila, que é muito mais activo no estado virgem.

A melhor máscara de beleza consiste em misturar argila em pó com uma parte de água e outra de sumo de pepino, de tomate ou de uva, e fazer uma massa fina que se espalha com a mão ou pincel macio sobre o rosto, numa camada uniforme, deixando permanecer enquanto durar a humidade e maleabilidade da aplicação, e retirando-a antes de dar a sensação de rigidez da pele. Rugas, borbulhas e manchas

Podem fazer-se aplicações bastante espessas sobre manchas, borbulhas ou rugas, as quais se deixarão toda a noite.

Creme suavizante

Com a argila pode igualmente preparar-se um creme suavizante, misturando-a (em pó) com azeite. Para a preparação deste creme proceder-se-á assim: num recipiente liso, de bordos arredondados (uma tigela por exemplo), colocam-se duas colheres de sopa de água tépida e uma colher de azeite; bate-se bem com uma colher de madeira, juntando depois uma boa colher de sopa de argila em pó e continuando a mexer (com a colher de madeira) o tempo suficiente para que a mistura fique bem homogénea. Pode suprimir-se a água, mas a massa obtida será menos lisa. As quantidades indicadas poderão ser aumentadas, segundo as necessidades, conservando-se as mesmas proporções. É recomendável preparar apenas a quantidade necessária, e só fazer a preparação no momento de utilizar.

Peles muito delicadas, irritadas, manchadas ou com acne

Lavam-se com água argilosa e sem sabão. Em seguida, massajam-se ligeiramente com o interior duma casca de limão.

Olheiras e “papos” sob os olhos; excrescências, verrugas, manchas, vermelhões, etc.

Os papos sob os olhos serão atenuados ou poderão desaparecer com aplicações de argila, em complemento do tratamento específico do coração, rins ou outros órgãos (que são os responsáveis por estes sinais visíveis).

Tratam-se com argila todas as excrescências, verrugas, manchas, vermelhões, etc..

Cabelos

Alguns institutos de beleza utilizam a argila para os cuidados dos cabelos, preparando uma massa muito ligeira de argila e água, com a qual se cobre toda a cabeça. A aplicação é mantida de ½ a 1 hora, dependendo do grau de secagem (que se deve evitar), e depois retirada, deixando correr abundante água.

O “Tfal” na beleza ...na Tunísia!

Na Tunísia utiliza-se uma argila de cor escura, que se apresenta em blocos duros: é o “Tfal”. Misturado com um pouco de água, permite obter uma massa lisa, a qual se emprega em máscaras, sobre o rosto. Após a aplicação, constata-se que a pele fica limpa, suave e com o seu “grão” mais apertado. O curioso é que não é necessário manter esta máscara no rosto mais do que cinco minutos (exceptuando-se as muito exageradamente oleosas). A mesma mistura é utilizada como champô, nos tratamentos capilares, proporcionando aos cabelos muita flexibilidade e leveza. Para este efeito é aplicada até ao limite de 30 minutos.

 

O BANHO DE ARGILA

Origem do Banho de Argila

Um dos inúmeros métodos empregados por Felke – a quem se atribui erradamente a sua invenção – é o banho de argila. Mas a ideia da submersão total em água argilosa vem do seu discípulo J. C. Van Masken, que, no decorrer do verão de 1912 tomou banhos de argila de várias horas, durante dois dias, sob a vigilância de Felke.

Com ligeira diferença dos tradicionais banhos de lama, o banho da argila acabou por merecer a preferência.

Felke fixou em uma hora a duração desse banho – preceito ainda mantido nos nossos dias. A sua aplicação é restrita, por causa da complicada preparação que requer.

Preparação do Banho

Para preparar um banho de argila é necessário escavar ao ar livre, num local bem aquecido pelo sol, uma fossa em forma de banheira, de 40 a 60cm de profundidade, 130 a 160cm de comprimento e 65cm de largura. Para um melhor aproveitamento do sol, deve ser colocada em direcção norte - sul (cabeça ao norte e pés ao sul).

Enche-se a fossa de argila fresca até 10cm do bordo e em seguida dilui-se essa argila com água ligeiramente tépida, para obter uma pasta adesiva. As costas inclinadas da banheira serão prolongadas para cima com uma tábua, para permitir ao paciente instalar-se com algum conforto. O nível do banho deve chegar até ao umbigo ou por baixo das costelas.

Em tempo quente, a duração média do banho é de meia hora, e em tempo fresco é de um quarto de hora.

O mesmo banho pode ser utilizado pelo mesmo paciente durante quatro a seis semanas, com a condição de remexer cada vez a argila e de lhe juntar água fresca, mantendo cuidadosamente o contacto com a terra subjacente (com a qual a argila troca substâncias e energias). Para um novo doente, vaza-se a fossa e renova-se a preparação.

Método para tomar o Banho

O paciente senta-se no banho e não pára de mexer as pernas, até que a pasta adira regularmente a todas as partes e cubra inteiramente a barriga e os membros. A duração do banho estabelece-se em função da idade, da sensibilidade, do maior ou menor grau de habituação à água e ao ar, etc., podendo variar de dez a sessenta minutos. A temperatura exterior e a da terra têm a sua importância. No caso de grande sensibilidade e com tempo fresco, recomenda-se remexer primeiramente a pasta com água quente, mas o banho será tomado frio.

Protecção da parte do corpo que fica exposta ao sol e ao ar

A parte do corpo exposta ao ar deve ser, com tempo frio, ficará protegida por uma toalha de banho ou um cobertor; com tempo quente, far-se-á uso de um chapéu de abas muito largas ou aplicar-se-á uma camada de argila com grossa consistência, para evitar insolações.

Depois do Banho de Argila: chuveiro e massagem

Após o banho, o paciente desembaraça-se da argila com as mãos ou com uma espátula de madeira. Em tempo seco, alguma argila pode secar sobre a pele, antes de se ter conseguido retirar, e por isso se recomenda descolá-la com activas fricções, semelhantes a massagens. Ao banho de argila segue-se uma limpeza com água, através de chuveiro intenso, e por fim a secagem, com massagem terapêutica – onde se recorre às fricções do corpo, primeiro com vinagre, e depois com aplicação de óleo de limpeza (que serve para compensar a grande perda de gordura da epiderme pelo extenso e prolongado contacto com a argila.

Ginástica, corrida e marcha

É também importante fazer exercício (ginástica, corrida a pé e marcha) para obter uma agradável sensação de calor. Não é que o banho tenha deixado o corpo frio, porque o frequente é o desaparecimento da sensação de frio, logo alguns minutos após o início do mesmo. Quando se começa o banho, a cobertura argilosa vai revestindo o corpo e absorve uma certa quantidade de calor, provocando sensação de frio, mas logo se transforma numa espécie de isolante e impede qualquer outra perda de calor, induzindo mesmo a um aumento da temperatura.

Efeito da pressão da argila sobre o corpo

A influência da forte pressão da argila no corpo é muito importante. Mesmo que a banheira tivesse apenas a profundidade de 30cm, a superfície de argila molhada que cobriria o corpo seria de 1m – um valor considerável, tendo em conta que a pressão é de 570Kg/m. Desde o começo do banho, a qualidade e o volume sanguíneo modifica-se: a hemoglobina e o número de glóbulos vermelhos aumentam e a quantidade de açúcar no sangue diminui. O primeiro fenómeno explica-se pelo refluxo de uma quantidade considerável de sangue proveniente de alguns órgãos, assim como das extremidades do corpo, para a parte superior do tronco; o segundo – abaixamento do teor de açúcar – provém do consumo de calorias provocado pelo esforço continuado da pressão (e eventualmente da temperatura fria do banho). O teor de açúcar do sangue contido nos vasos periféricos baixa momentaneamente. A fome intensa que o paciente sente depois deste banho é consequente das reacções referidas.

NA DIABETES

Os banhos de argila são indicados nas primeiras fases da diabetes. Quando se trata de doentes sujeitos a hipoglicemia, convém, numa refeição anterior, ter o cuidado de lhes dar alimentos ricos em glúcidos, de origem naturista. As reacções do córtex supra-renal são assim favorecidas. Estão em curso outros estudos para precisar a influência do banho de argila sobre a assimilação.

Precauções

O aumento de pressão no circuito venoso, durante o banho de argila, provoca uma importante transferência de sangue para a parte superior do corpo. No caso de se verificar um refluxo para os pulmões (apenas quando estes órgãos estão enfraquecidos por enfermidade própria), é necessário um tratamento médico antes de retomar os banhos.

Estímulo circulatório

O banho de argila frio faz aumentar até 110 as pulsações, durante os primeiros quatro minutos; depois este retorna ao ritmo inicial, ao fim de dez minutos. Trinta minutos mais tarde, verifica-se uma acalmia; após a massagem segue-se uma ligeira aceleração. Depois, o retorno à normalidade é definitivo.

Observações do Dr. R. Dhonau

O doutor R. Dhonau verificou uma diminuição constante da capacidade torácica, indo até 33%, que, segundo ele explica, se deve ao facto do afluxo de sangue aos pulmões diminuir progressivamente o volume destes durante o banho. Entra portanto menos ar, o que provoca uma transitória descida do teor em oxigénio no sangue. Pode também produzir-se um aumento passageiro de tensão na artéria pulmonar. A duração destas diversas perturbações não foram ainda determinadas com precisão. Estes factos levam-nos a recomendável prudência em casos de perturbações circulatórias que afectem a região arterial pulmonar (afecções do coração direito, enfisema), assim como nos casos de pneumonia e de tumor pulmonar.

É evidente que a pressão sanguínea deve ser vigiada durante o período em que se aplicam banhos de argila.

Conclusões do Dr. Schlau

Os estudos empreendidos pelo doutor Schlau deram os seguintes resultados:

·   A tensão normal não é influenciada, ou apresenta apenas variações insignificantes;

·   No caso da hipertensão, observa-se, em geral, um ligeiro aumento da tensão no começo do banho; se a hipertensão é de origem renal, não existe nenhum risco sério do seu aumento.

Conselho do Dr. Gottman

A hipertensão não constitui uma verdadeira contra-indicação para os banhos de argila. No entanto, o doutor Gottman não aconselha estes banhos se a hipertensão for devida a esclerose dos vasos do rim (nefroangiosclerose).

Cura Felke Integral

Segundo experiências realizadas por discípulos de Felke, a tensão instável dos hipertensos é em geral equilibrada pela cura "Felke" integral. Esta inclui uma alimentação adequada, tratamentos em que intervêm a água, o ar e a luz, assim como conselhos de ordem psicológica.

Efeitos sobre a Pele

O grande poder absorvente da argila actua também sobre a epiderme, no momento em que a pasta seca ao ar, sob o efeito do calor da pele. Há também um forte estímulo de eliminação dos líquido dos inchaços hidrópicos e dos tecidos inflamados da derme, que têm tendência a sair para a epiderme.

As secreções, os eczemas, as feridas infectadas e as úlceras da perna, podem ser curadas com um tratamento sistemático de banhos de argila. Estes banhos são de grande importância para todas as afecções dermatológicas: o exame microscópico permite descobrir, num grande número de pessoas, evoluções anormais nos lábios e nas unhas; os banhos (assim como as compressas) de argila têm um efeito curativo apreciável neste género de afecções.

Os banhos de argila são particularmente indicados nos seguintes casos:

·      Afecções cardiovasculares;

·      Afecções cutâneas;

·      Afecções dos órgãos pélvicos;

·      Afecções renais (exceptuando-se as formas agudas, onde a água fria é mal tolerada);

·      Esgotamento nervoso;

·      Intestinos descaídos;

·      Neurastenia;

·      Perturbações do metabolismo;

·      Perturbações hormonais;

·      Prisão de ventre.

Estes banhos favorecem também a convalescença depois de doenças graves ou de operações.

 

OS BANHOS E CATAPLASMAS DE AREIA

São um recurso benéfico, pouco conhecido e raramente utilizado como terapêutica.

De todos os que se deitam sobre a areia duma praia, ou sobre ela caminham descalços, quantos saberão que o contacto com a areia lhes é talvez mais benéfico do que o sol ou o mar?

Mesmo os poucos que sabem não aproveitam cabalmente os seus benefícios!

Banhos de areia

Todos poderemos tirar melhor partido dos seus benefícios recobrindo-nos com ela, ou seja, tomando banhos de areia.

A areia, sobretudo marinha, encerra certas substâncias com efeito energético e estimulante sobre o corpo humano, actuando com uma espécie de micro-radioactividade (que lhe advirá do facto da sua composição incluir quantidades infinitesimais de urânio). Isto explicará, em parte, a sua espantosa acção sobre as afecções ósseas.

O raquitismo, a debilidade, a descalcificação, todas as perturbações do sistema ósseo, a artrite, o reumatismo, o lumbago, a nefrite, a ciática, e muitas outras doenças, reclamam um tratamento de areia.

Como, quando e durante quanto tempo se tomam

Estes banhos tomam-se com areia seca, quando haja sol, cavando um pouco para que o corpo fique bem assente e recobrindo-o com uma espessa camada (deixando de fora a cabeça). Os banhos de areia devem efectuar-se fora dos períodos de digestão, pois as reacções que provocam iriam perturbá-la. Após o banho de areia deve tomar-se um rápido banho de água fria.

Começa-se por sessões de 10 a 15 minutos e vai-se prolongando a duração progressivamente até uma ou duas horas. Fazem-se duas ou três sessões diárias, se possível.

Para a duração do banho deve ter-se em conta também o período durante o qual o doente o suporta bem. É necessário nunca esperar pelo aparecimento da sensação de fadiga ou de arrefecimento, a qual anularia os benefícios pretendidos. Por outro lado, pode-se prolongar a duração duma sessão quando os resultados dos banhos precedentes parecerem justificar este prolongamento.

Recomendações

Se o banho de areia provocar uma rápida e activa transpiração, deve-se sair imediatamente e voltar a recobrir o corpo com areia seca, repetindo esta operação duas ou três vezes, se tal for necessário, para diminuir a transpirarão. Logo que se saia da areia, deve-se mergulhar o corpo inteiramente na água, e depois cobri-lo com roupa e repousar, antes de se expor ao sol ou de retomar o banho.

Um “Certificado de Antiguidade” do Banho de Areia

A técnica do banho de areia não variou nada através dos séculos e já era muito avançada há mais de dois mil anos, conforme o seguinte testemunho do texto de Heródoto, citado pelo Doutor Hector Grasset:

“...a fomentação com a ajuda da areia convém aos doentes afectados de asma de pneumonia, de gota, de paralisias progressivas, aos caquécticos, aos hidrópicos e a todos os que têm algumas dores crónicas; quase todos os doentes se prestam bem a este tratamento, excepto as crianças. A estação mais propícia é o Verão, desde que se escolham os dias mais quentes. Pela manhã, preparar-se-ão na margem, sobre a areia espessa, duas ou três covas do tamanho do doente, o qual deverá aí entrar, deixando-se o sol penetrar nesta areia. É necessário que o doente tenha feito bem a digestão e que tenha dado um passeio ou tenha feito qualquer movimento não muito violento. Quando o calor do ar ficar bastante forte e a areia estiver suficientemente aquecida, o doente deitar-se-á num daqueles buracos e tapar-se-á com a areia que puder suportar sem sofrimento. Deve cobrir a cabeça e evitar os raios do sol, colocando diante dos olhos qualquer objecto que os proteja; escolher-se-á também, com o mesmo objectivo, a posição em que o doente se deve deitar, virando-se por exemplo, para o sul durante a primeira parte do dia e, para o norte a partir do meio-dia. O rosto deverá ser limpo com uma esponja humedecida em água fria e, se ele sofrer muito, dar-se-á qualquer coisa para bochechar. Se o doente se aperceber de que o seu corpo não aquece nada ou que arrefece mesmo a seguir à excreção dos suores, devê-lo-á dizer; então os assistentes tirarão a areia que o cobre, retirá-lo-ão daquela cova e, metê-lo-ão na cova ao lado, conforme foi acima descrito; se for necessário, agir-se-á do mesmo modo uma terceira vez, consoante as diversas doenças e consoante a capacidade em aguentar este tratamento...”; ”...enterraremos na posição inclinada os doentes afectados de asma; de bruços, os que sofram de congestão; de lado, os que sofram do estômago e os que tenham mau aspecto ou que tenham uma hidropisia anasarca; na posição sentada os hidrópicos que tenham uma ascite e, se for necessário, os doentes que tenham uma timpanite, e outros doentes: os que sofram do cólon, do fígado, do bago, da anca, que tenham gota ou uma paralisia dos pés ou das pernas. Na parte final do tratamento enterraremos completamente os doentes, pois é bom que a relaxação se espalhe sobre todo o corpo e que o efeito útil deste tratamento se faça sentir também através das partes não doentes, sobretudo nos que quiserem tomar em seguida um banho frio. Dever-se-á ter prontas, próximo das covas, cabanas de tecto transparente, baldes de água doce e também banheiras com água do mar, nas quais se farão entrar os doentes quando tiverem acabado de transpirar; depois do banho far-se-ão aspersões e fricções com óleo...”; ...”nas doenças intermitentes, o numero de dias de tratamento não deve ser inferior a 14, nem exceder 21, mas nos hidrópicos regular-se-á o número de dias segundo a diminuição do volume do corpo. Se depois do 21º. dia, surgir uma paragem na eficácia do tratamento, deverá intercalar-se um repouso de dois ou três dias, após o que ressurgirão novas potencialidades...”.

Cataplasmas de Areia Quente e suas Aplicações Terapêuticas

Independentemente dos banhos de areia que podem também ser locais, e neste caso muito mais longos, a areia pode ser utilizada em cataplasmas, quer para prolongar o efeito dos banhos de areia, uma vez terminada a estadia no mar, ou para levar a cabo um tratamento separado.

As mesmas perturbações e afecções tratadas por aqueles banhos, podem ser tratadas pela cataplasma. Para o efeito deve-se aquecer a areia (da praia ou do mar) no forno ou numa frigideira. Em seguida, a areia quente é metida num saco de pano, especialmente preparado para o efeito, com tamanho suficiente para cobrir a parte a tratar, de modo a que a zona a receber tratamento fique coberta com 2 ou 3 cm de espessura. Aplica-se o mais quente que se possa suportar sem incómodo, fixando-se e deixando-se permanecer algum tempo, que pode ir de 15 minutos a algumas horas. Pode repetir-se as vezes que se desejar, mudando de saco (só reutilizando o mesmo depois de lavado e seco) e substituindo a areia. Ainda que a utilidade deste tratamento tenha carácter geral, uma das suas principais especificidades encontra-se nas afecções musculares dos desportistas e formação de humores articulares: este método permite drená-los sem ser necessário o recurso a perigosas e onerosas cirurgias. Temos o testemunho de desportistas que o usaram com êxito nos joelhos, cujos inchaços, antes do tratamento, os impediam de praticar a sua modalidade.

 

ENFERMIDADES E AFECÇÕES GERAIS DA SAÚDE

Olhos, Nariz e Ouvidos

·  Olhos

As perturbações da visão (fraqueza, pintas móveis, etc.) têm relação com o mau funcionamento de outros órgãos, sobretudo do fígado. As que resultam duma má formação (estrabismo, astigmatismo) necessitam de aplicações duplas de argila: na nuca, afim de agir sobre os olhos, e sobre os próprios. As inflamações e infecções (conjuntivite, blefarite, etc.) justificam as aplicações directas e repetidas sobre os olhos. Também as lesões acidentais podem ser assim tratadas. Testemunhou-se a reconstituição duma córnea, tratada unicamente com cataplasmas de argila aplicadas frias. As cataplasmas de pouca espessura (menos de um centímetro) aplicar-se-ão com uma musselina ou uma gaze, sobre o olho fechado. Para evitar qualquer reacção que possa inquietar um utilizador pouco experiente, pode proceder-se do seguinte modo: qualquer que seja a infecção a tratar, começa-se por colocar uma cataplasma dum centímetro de espessura, durante apenas uma hora; depois, progressivamente, aumenta-se a espessura e a duração para chegar a dois centímetros e duas horas (ou mesmo toda a noite para a cataplasma colocada à noite.) Em caso de lesão acidental, convém, sem perda de tempo, colocar uma gaze sobre a vista (olhos fechados) e logo a argila; se a situação não for grave a ponto de justificar esta intervenção de urgência, será preferível começar pela fronte, descendo em seguida, quer sobre um olho, se só um foi afectado, quer alternadamente sobre um e outro, se os dois olhos necessitarem de tratamento. Se a afecção for muito séria, as aplicações podem suceder-se. Para as feridas ligeiras, duas ou três cataplasmas por dia, que se podem alterar (num e noutro olho) serão suficientes para os fazer voltar à normalidade. Para as perturbações resultantes duma má formação, aplicam-se diariamente uma ou duas cataplasmas frias de argila, dum centímetro de espessura, isoladas por uma gaze, sobre cada olho, ou sobre um, se apenas um estiver mal. Deixam-se permanecer duas horas no local, (ou mais se forem aplicadas à noite). No intervalo, põe-se na nuca uma forte cataplasma de argila fria (podendo ser quente ou morna, se a fria for mal suportada), e mantém-se no local de duas a quatro horas. A obstrução do canal lacrimal (olhos lacrimejantes) trata-se com uma gota de limão deitada no olho (que arde menos do que se pensa) e a aplicação de cataplasma de argila ao longo das asas do nariz.

·  Nariz

Tudo o que afecta o nariz (coriza, constipação, alergia, sinusite, etc.), deve ser tratada por meio de lavagens de água argilosa (uma colher de café de argila em pó numa pequena chávena com água). Mantendo uma narina fechada (pressionando com um dedo), aspira-se com suavidade para fazer subir a água. Não haverá inconveniente se descer um pouco para a garganta. Repete-se 5 ou 6 vezes por narina, alternando. O tratamento completa-se deitando algumas gotas de sumo de limão em cada narina, depois de usar a argila. Para curar furúnculos ou borbulhas que existam no nariz, fazem-se pequenos tampões de massa de argila, que se revestem de pedacinhos de gaze muito fina, e se introduzem na narina afectada, deixando cada um deles permanecer uma hora no local. Nas sensações de secura das paredes e mucosas nasais, introduz-se no nariz uma mistura de azeite, óleo de amêndoas (natural, extraído sem utilização de substâncias químicas) e água com sumo de limão (em partes iguais). No caso de pretender iniciar o tratamento num momento em que não disponha de todas estas substâncias, pode usar um destes ingredientes, em separado, ou reunir apenas os que tiver à mão. Para as crianças constipadas, com respiração difícil, emprega-se semelhante mistura, mas pode substituir-se o óleo por água argilosa. Completam-se as lavagens do nariz com fumigações de tomilho (alguns ramos de tomilho numa pequena panela de água a ferver). Não é necessário empregar aparelhos complicados (nem outros), mas apenas cobrir a cabeça e o recipiente com uma toalha. Depois das fumigações deve-se passar o rosto por água fria e limpá-lo. Em caso de persistência das afecções nasais, ou com implicações neste órgão, sobretudo a sinusite, fazem-se aplicações de argila ao longo das asas do nariz e sobre a fronte: duas ou três cataplasmas diárias de argila fria, com um ou dois centímetros de espessura, directamente sobre a pele.

·  Ouvidos

Para o tratamento de qualquer forma de surdez, colocam-se cataplasmas na nuca, fazendo-as ir duma orelha a outra. As orelhas devem ficar ligeiramente comprimidas pela cataplasma (ou então esta não ficaria bem em contacto com a pele). As inflamações e supurações exigem a aplicação de cataplasmas frias sobre a orelha, com larga expansão a toda a volta (sobretudo atrás). Nos casos graves, as cataplasmas frias devem suceder-se e ser renovadas todas as horas e meia (mais vezes se a argila se tornar quente muito depressa). No período que se segue a uma crise aguda, procede-se do mesmo modo que para as afecções crónicas ou ligeiras, e duas cataplasmas por dia deverão bastar, sendo as mesmas conservadas mais ou menos por duas horas. Uma ou duas vezes por semana, convém introduzir em cada ouvido ½ colher de café de sumo de limão (exceptuando-se os casos de perfuração do tímpano), conservando este líquido cerca de meia hora dentro do ouvido. Se o limão provocar dores, é sinal de que existe inflamação, e há necessidade de proceder da seguinte forma: de noite, introduz-se no ouvido uma colher de café de óleo morno, e só no dia seguinte de manhã se utiliza o limão. Trata-se um ouvido de cada vez, espaçando pelo menos três dias até tratar o outro.

Queimaduras, Feridas, Sequelas Operatórias, Contusões e Golpes, Fracturas

·  Queimaduras

As queimaduras tratadas com argila curam-se melhor, mais depressa e deixam menos marcas do que se forem tratadas por qualquer outro processo, dependendo o êxito da rapidez com que se possa recorrer a este medicamento natural. É possível curar uma queimadura num espaço de tempo muito curto, sem cicatriz e quase sem sofrimento, bastando ter à mão argila preparada. As aplicações da argila são feitas a frio, em cataplasmas espessas, colocando uma gaze entre a lesão cutânea e a cataplasma de argila, de modo a que esta se possa substituir sem retirar a primeira gaze (que pode aderir à ferida e provocar um desnecessário retardamento da cura ao ser arrancada). Passada uma hora, ou menos, se a dor for atroz, retira-se a cataplasma e deixa-se ficar a primeira gaze, se estiver pegada à queimadura. Do mesmo modo, quando o vestuário adere à ferida, nas queimaduras profundas e extensas, deixa-se ficar e aplica-se a argila por cima, até que o mesmo se descole. É evidente que a eficácia depende também dos pontos de contacto que a argila tenha com a queimadura. A argila elimina todos os riscos de infecção e absorve as impurezas e corpos estranhos que possam existir na queimadura; elimina as células destruídas e favorece a reconstituição dos tecidos. Prosseguem-se as aplicações dia e noite, renovando as cataplasmas a todas as horas, até ao aparecimento de novos tecidos. Deixam-se então as cataplasmas duas horas no local, e depois diminui-se a cadência de aplicação, continuando no entanto a por três ou quatro cataplasmas por dia enquanto não houver inteira reconstituição. Se as queimaduras forem na mão ou no pé, mergulha-se o membro lesado num recipiente que contenha argila em pasta. Muitas vezes, nos casos mais ligeiros, basta permanecer assim durante uma hora, para que nenhum traço de queimaduras exista ao sair deste banho de lama. Para as feridas extensas, seria bom mergulhar todo o corpo num grande recipiente de argila, independentemente de outra medida natural propícia a normalizar o estado geral. As queimaduras provocadas pelos ácidos também se tratam com argila; as provocadas por substâncias alcalinas (bases) tratam-se utilizando água com limão. É imprescindível em todos estes casos que se bebam muitos líquidos, para favorecer a hidratação dos tecidos.

·  Feridas

Quando se trata uma ferida recente, coloca-se argila em pó directamente sobre a ferida; em seguida, "fertiliza-se" com uma grossa cataplasma de argila fria, bem aplicada no local e fixada com segurança. Após a aplicação desta cataplasma, que não convirá deixar permanecer no local mais de duas horas, lava-se com água salgada ou com limão, pondo em seguida uma compressa de água lamosa. Se subsistir o receio de que um corpo estranho tenha ficado na ferida, deve continuar-se as cataplasmas de argila até desaparecer qualquer dúvida. Todas as substâncias serão atraídas pela argila, sendo frequentes os casos em que corpos estranhos, por vezes albergados em órgãos vitais perto destes, não puderam ser extraídos por meios cirúrgicos e o foram através da argila. Desde que o estado da ferida o permita, deve-se expô-la ao ar, para acelerar a sua cicatrização. Por vezes é necessário aplicar um penso seco para proteger a ferida duma fricção ou dum contacto qualquer. Como este penso pode aderir e apresentar dificuldades na sua remoção, pode evita-se este inconveniente fazendo o seguinte penso anti-séptico: depois de descascar uma cebola, retiram-se com precaução as diversas camadas da polpa, com o fim de recolher as finas películas intercalares, quase transparentes, existentes entre estas camadas. Estas películas, aplicadas directamente na ferida, exercem excelente acção anti-aderente em relação às aplicações que sobre elas sejam feitas. Na verdade, estas películas da cebola não apenas servem de protecção, como, por si só, podem curar até uma queimadura das mais graves. Temos experiência pessoal do que afirmamos, tendo assistido a uma situação grave em que o metal líquido de um eléctrodo (portanto em temperatura de metal fundido), perfurou as diversas camadas da região do pulso (local onde estas camadas são finas e as queimaduras deste tipo atingem grande profundidade), tendo a recuperação dos tecido sido feita apenas mediante a introdução destas películas no buraco da queimadura, duas vezes por dia, lavando-se o local com água oxigenada antes de cada nova aplicação. A cura foi espectacular, e apenas se pôde notar, durante algum tempo, uma ligeira mudança de cor, a qual era imperceptível para quem não tivesse conhecimento do acidente ocorrido.

·  Sequelas operatórias

As aplicações de argila dão os melhores resultados na reabsorção das aderências, cicatrizes e outras sequelas operatórias. É necessário não agir demasiado cedo após uma operação, devendo-se deixar passar três ou quatro semanas. Nos casos em que houve lugar a tratamento com raios, é prudente aplicar argila o mais rapidamente possível, por esta absorver e reduzir a radioactividade excedentária, assim como se deve aplicá-la entre as sessões deste tipo de tratamentos, quando há várias[1][1]. Começa-se por cataplasmas muito finas (½ centímetro), que se mantêm pelo menos durante duas horas, e vai-se evoluindo progressivamente para a espessura de 2 centímetros. Se as cataplasmas forem bem suportadas, não fatigarem, não secarem demasiado depressa nem arrefecerem a ponto de incomodar, podem-se deixar no local durante toda a noite. Em princípio, deve-se utilizar argila fria, mas pode-se amorná-la em banho-maria sempre que se verifique que a reacção de calor confortável demora a surgir após a aplicação.

·  Contusões e Golpes

Torna-se necessário não negligenciar nenhuma contusão ou traumatismo, pois pode haver ruptura de ligamentos e vasos, assim como lesão de nervos. Para remediar o estado congestivo é necessário aplicar a argila fria em cataplasmas de um a dois centímetros de espessura, deixando no local durante duas horas (ou menos, se a argila aquecer ou secar com demasiada rapidez). Não há inconveniente em fazer suceder as cataplasmas, pois quanto mais repetidas forem as aplicações, mais depressa se atingirá o fim desejado. É necessário continuar com as aplicações até ao desaparecimento de qualquer marca ou dor. Todas as noites se colocará uma compressa de água lamosa, no mínimo, que ficará toda a noite no local.

Fracturas

A utilização da argila em lugar dos gessos, no tratamento das fracturas, permite a obtenção mais rápida dum bom resultado. O gesso apenas fará manter imóveis as partes a consolidar: é passivo, biologicamente inerte, e sem valor terapêutico. A argila, pelas suas radiações vitalizantes e as suas possibilidades absorventes, participa efectivamente na reparação: é activa. Claro que é sempre necessário repor os ossos na posição correcta e aí os manter, fixando o membro sobre uma prancheta, a qual terminará numa esquadria - se for a perna e o pé que necessitam de ser imobilizados. Se as diferentes partes ósseas fracturadas tiverem sido deslocados, deve-se efectuar as necessárias manipulações para as repor no lugar (se o terapeuta não tem formação nesta área, deve recorrer à colaboração de um colega que o tenha, mesmo que pertença a escola diferente, devendo, no entanto, tratar-se de pessoa com abertura cultural suficiente para colaborar no tratamento natural). Se o membro fracturado já tiver sido imobilizado com gesso, quando o doente recorre ao geoterapeuta, aguarda-se que este seja retirado para fazer intervir a argila. A experiência tem demonstrado que não resulta qualquer inconveniente da aplicação da argila mesmo depois da colocação de parafusos, placas inoxidáveis, platinas, etc. Todo o membro a tratar será envolvido com uma camada uniforme de 2 centímetros de argila, fria ou ligeiramente amornada. Se houver ferida, deve-se mudar a argila de duas em duas horas; se não houver, duas vezes por dia serão suficientes. Deve-se rapar os pêlos antes do início das aplicações, ou intercalar uma gaze entre a argila e a pele – ainda que o contacto directo seja sempre preferível. Entre as cataplasmas, lava-se a pele com água fria, sem sabão nem álcool.

Doenças da Boca e da Garganta

·  Dentes e Gengivas

Não há melhor dentífrico que a argila pura e não arenosa, finamente pulverizada, a qual se pode perfumara com folhas de hortelã secas e esmagadas. Se houver dentes furados (artrite dentária, piorreia, etc.) ou se estiverem em mau estado (cárie, periostite, etc.) deve-se fazer uso, em alternância com argila em pó, de água salgada (uma colher de sopa de sal integral num copo de água não fervida). Esta mesma preparação salina dá os melhores resultados quando utilizada em lavagens da boca, devendo, em qualquer dos casos, fazer-se estes banhos pelo menos uma vez por dia (por exemplo de manhã, enquanto se está a arranjar). É ainda recomendável chupar bocadinhos de argila durante o dia e de noite ao deitar, para que as gengivas fiquem bem impregnadas. No caso de abcesso dentário, aplicam-se espessas cataplasmas de argila fria sobre a face e, ao mesmo tempo, coloca-se sobre a gengiva afectada metade dum figo seco cozido num pouco de leite. As cataplasmas de argila na face deverão ser renovadas de duas em duas horas e os figos serão aplicados bem quentes de hora a hora.

·  Garganta

Se existe uma inflamação ou infecção (angina, amigdalite, faringite, etc.) aplica-se o maior número possível de cataplasmas de argila fria, com dois centímetros de espessura, pondo a argila directamente sobre a pele durante cerca de duas horas. Depois da fase aguda, faz-se o mesmo tratamento que para as formas crónicas (laringite, etc.): põe-se uma cataplasma de argila durante o dia, a qualquer hora, e outra de noite ao deitar, podendo esta última permanecer durante toda a noite. Completa-se o tratamento com gargarejos de água salgada (com sal marinho integral), alternando com água argilosa ou água com muito sumo de limão.

Doenças da pele

·  Acne

Por vezes o corpo está sobrecarregado de imundices e o organismo tenta expulsar essa toxidade pela pele. As substâncias acumuladas podem fixar-se nas glândulas sebáceas, originando o acne, ou sobre outros sítios da pele, e dar origem aos furúnculos, etc.. Humedecem-se os pelos duma escova suave numa massa de argila, preparada como para as cataplasmas, e esfrega-se suavemente a região afectada. Deixa-se secar este ligeiro betume de argila, enxagua-se e depois passa-se um pouco de sumo de limão pelo local afectado. Por via interna, toma-se uma ou duas colheres de café de argila por dia, de manhã em jejum ou ½ a 1 hora antes das refeições.

·  Micose das Unhas

Muitas dermatoses podem ser tratadas apenas com a argila, ainda que haja uma maior vantagem em completar o tratamento com loções naturais ou compressas de plantas medicinais. Isto aplica-se sobretudo às micoses que se concentram à volta das unhas, para as quais se preparam betumes com óleo essencial de alfazema – que se fazem penetrar bem entre a unha e a carne, com o auxílio de um bocado de algodão, e se aplicam duas ou três vezes por dia. Tratando-se de uma afecção tenaz, pode exigir estes cuidados durante vários meses.

·  Eczemas

Toma-se uma colher de café de argila todas as manhãs e uma tisana laxativa, se for necessário, seguindo-se um regime desintoxicante. Com a mão, espalha-se a argila, em massa, sobre as partes afectadas. A camada de argila deve ser bastante compacta e bastante fina para se aguentar sozinha. Deixa-se ao ar e retira-se a argila quando ficar bem seca. Lava-se o local com água salgada (sal marinho) ou com sumo de limão. Renova-se a massa (que pode ser preparada com essência natural de alfazema) tantas vezes quantas seja possível. Se houver comichões, aplica-se uma pomada preparada com argila em pó fino e óleo natural de amêndoas doces ou azeite.

·  Feridas supurantes e úlceras gangrenadas

Segue-se o mesmo tratamento e o mesmo regime que para os abcessos e furúnculos, com as únicas seguintes variantes: para a noite aplicar um largo penso liquido bem impregnado duma decocção de buxo (40g de folhas secas para um litro de água, fervendo até reduzir a metade e passando depois de arrefecer). É por vezes necessário mudar durante a noite estas compressas, que serão aplicadas frias e tépidas. Se o local afectado se prestar a isso, fazem-se durante o dia banhos de cerca de meia hora com esta decocção, a qual se deita fora depois de usada. Estes banhos, tépidos, podem ser repetidos uma ou duas vezes durante o dia. Se as úlceras forem muito dolorosas, haverá interesse em alternar as cataplasmas de argila com aplicações de folhas de couve crua, quer no estado natural, quer depois de maceradas durante algumas horas numa mistura de água e de sumo de limão em partes iguais. Coloca-se a folha de couve directamente sobre a úlcera e aplicam-se duas outras por cima, sendo esta aplicação mantida no local o mesmo tempo que se recomenda para a argila. No tratamento das úlceras e tumores, como no de qualquer ferida supurante, ou susceptível de supurar, o primeiro efeito da argila é o de limpeza radical, tanto da ferida como das partes vizinhas. A esta limpeza é comum seguir-se um período que parece de agravamento, com aparente extensão das lesões, tanto em largura como em profundidade. Isto não deve afligir o doente, nem ser motivo para interrupção do tratamento; a confiança e perseverança não tardarão a dar frutos, e logo aparecerão carnes novas. A ferida tomará um aspecto tanto mais repugnante quanto mais infectada estiver e mais grave for a sua natureza. O pus nela existente dá um aspecto violáceo à pele, cujas células irreparáveis se desagregarão antes da sua substituição por novas células sãs.

·  Verrugas, Manchas da Pele, Excrescências

Para estes casos aplicar-se-á a argila tão grossa quanto uma noz, ou mesmo mais grossa, segundo a importância ou localização da parte a tratar. Estes emplastros frios serão mantidos no local durante uma hora e meia e renovados com a maior frequência possível. Pode ser necessário prosseguir durante vários meses, mas serão infalivelmente removidas por absorção todas as anormalidades cutâneas, incluindo manchas vasculares inoperáveis ou só operáveis com grandes riscos. O tratamento pode comportar interrupções entre as aplicações de argila, principalmente por força das obrigações profissionais. Aplica-se a argila de manhã e recomeçam-se as aplicações logo após o regresso a casa. Para as excrescências verrugosas (verrugas), pode-se activar o tratamento esfregando-as várias vezes por dia com um dente de alho cortado aos bocados ou aplicando seiva fresca de eufórbia de quelidónia ou de dente-de-leão.

·  Zona

As suas dores, por vezes intoleráveis, cedem após a aplicação da terceira ou quarta cataplasma. Fazem-se suceder as aplicações, mantendo cada cataplasma mais ou menos durante duas horas. Completa-se o tratamento com a aplicação de compressas humedecidas numa decocção de buxo.

Varizes, Úlceras Varicosas e Hemorróidas

·  Varizes

Utilizam-se simplesmente “massas" de argila. Pegando num pouco de argila em pasta, com a mão, espalha-se uma boa e uniforme camada sobre uma grande parte da perna. É inútil utilizar um penso, pois a argila deve-se aguentar sozinha. Passado uma hora e meia, quando a argila estiver seca, lava-se a perna e recomeça-se a aplicação, se as circunstâncias o permitirem. Deve-se evitar as cataplasmas demasiado espessas, susceptíveis de determinar uma drenagem muito activa de substâncias tóxicas para o local de aplicação. Aplicações ligeiras e repetidas, tantas vezes quantas forem possíveis, darão bons resultados, desde que sejam prosseguidos com regularidade. De noite, far-se-á uso de compressas humedecidas com uma decocção de tanchagem ou de casca de castanheiro (100g por litro, fervendo durante meia hora) ou de uma cataplasma fina de argila, na superfície da qual se colocarão folhas frescas de tanchagem ou de selo-de-salomão, ou ainda 2 ou 3 camadas de folhas de couve crua.

·  Úlceras Varicosas

Sobre as varizes ou capilares, é possível que uma pequena ferida se expanda e exale pus. Para o naturopata, assim como para o naturista (cidadão que conhece as leis da natureza e tenta viver em harmonia com elas), este escoamento de pus representa a eliminação de substâncias prejudiciais ao organismo, isto é, um meio através do qual o nosso mecanismo biológico se purifica. Na verdade, trata-se de um mal necessário, protector da vida. Por esta razão, nunca estas eliminações deverão ser abortadas – uma regra que a medicina alopática desconhece – como também o não devem as dermatoses e todo o tipo de afecções e catarros. É preciso curar, mas para isso têm que ser suprimidas as causas do mal, e proceder-se à necessária desintoxicação do sangue, da linfa e das células. Todas as outras formas de tratamento supressor (pomadas alopáticas químicas, laser, cirurgia, etc.), que visam fechar a ferida para estancar o escoamento purificador, oferecem o risco e a garantia de originarem males secundários (verdadeiras transferências mórbidas) muito mais profundos e graves do que o que pretendem “curar”. Deve-se aplicar todos os dias uma cataplasma de meio a um centímetro de espessura de argila fria. Esta cataplasma será progressivamente mais espessa, até aos 3cm, e retirada assim que começar a criar calor.

·  Hemorróidas

Para as hemorróidas, aplicam-se pequenas cataplasmas de argila fria e deixam-se no local de hora e meia a duas horas (menos tempo se as hemorróidas forem fluentes), fixando-se a cataplasma por meio duma ligadura em T. Completa-se o tratamento com pequenos banhos de assento tépidos, ou lavagens com uma decocção de casca de castanheiro (200g de casca para dois litros de água). Tanto para as varizes como para as hemorróidas, a massa de argila pode ser preparada com decocções de tanchagem, de casca de castanheiro ou de folhas de argentina.

Doenças do Estômago

As modalidades de aplicação da argila sobre o estômago correspondem quase exactamente às previstas para o fígado. Tal como para este (e com maior justificação ainda), é necessário efectuar as aplicações fora das refeições, e fora do período de digestão. É preciso esperar mais ou menos três horas antes de aplicar a cataplasma fria, podendo a quente ser posta depois de duas horas (se o doente estiver a fazer jejum terapêutico, ou, por qualquer motivo, temporariamente impedido de comer, as aplicações podem ser continuadas, sem qualquer interrupção ou espera). Tanto a cataplasma fria como a quente deverão ser retiradas pelo menos uma hora antes das refeições, para que as reacções de absorção de morbosidades, que a argila desencadeia, terminem no momento em que se iniciam os primeiros fenómenos da digestão, e com esta não interfiram.

·  Ulceras Gástricas e Ptoses do Estômago

As úlceras gástricas e ptoses do estômago exigem o mesmo tratamento e necessitam duma cataplasma diária.

·  Gastrites

Quando se ingere um tóxico, a sua acção sobre a mucosa estomacal será poderosa e directa se este não estiver diluído. Quando o tóxico (álcool ou cafeína, por exemplo) passa no organismo, volta a ser diluído em 40 a 80 litros (conforme o peso) de líquidos humorais. Sobre as mucosas genital, estomacal, entérica e rectal a não diluição de um tóxico faz com que o mesmo conserve um efeito corrosivo máximo. Criam-se assim toxinas nascidas no estômago, quando a digestão se atrasa, e o bolo alimentar torna-se alvo de fermentações putrefacientes. As causas da gastrite (Inflamação do estômago) são várias: tóxicos estimulantes (álcool, tabaco, bebidas à base de cola, café, chá preto e mate); inibidores da digestão (xaropes preparados com açúcar refinado, sodas, refrigerantes, chocolates, pastilhas elásticas, rebuçados); alimentos indigestos (produtos de pastelaria, café com leite, carnes, peixes). Deve seguir-se o tratamento indicado em “Doenças do Estômago”.

·  Úlceras de Estômago

As úlceras são em geral consequência do estado avançado da gastrite, o que não invalida que possam também ter causa traumática: partícula de vidro, espinha, pequeno osso, etc.. Salvo as excepções atrás referidas, a úlcera é produzida exactamente pelas mesmas causas que a gastrite. Para complemento do que se indica como generalidade de tratamento (em “Doenças do Estômago”), convém beber em jejum água com ½ a uma colher de café de argila. Para todos os vómitos de sangue, incómodo permanente, emagrecimento consequente da úlcera e outros sintomas alarmantes é recomendável um diagnóstico iridológico antes de empreender o tratamento.

Doenças Intestinais

Os hábitos de vida anti-natural, especialmente em relação ao aspecto alimentar, fazem do baixo-ventre um local de fermentações crónicas, as quais estão na origem de elevações da temperatura. As cataplasmas da argila aplicadas frias, com a espessura de 2cm, constituem um valioso descongestionante desta região corporal.

Deve usar-se uma cataplasma grande, aplicada por toda a região do baixo-ventre.

Em certas afecções, como as da bexiga ou dos ovários, a argila fria pode ser mal suportada ou ocasionar cólicas e outros tipos de perturbações, e nestes casos, pode-se amorná-la ou mesmo aquecê-la. Há conveniência nas aplicações de argila no baixo-ventre quando se trata qualquer enfermidade, como excelente complemento de outro tratamento natural, ou como tratamento exclusivo. Duas ou três cataplasmas por dia podem ser aplicadas e mantidos no lugar de 2 a 4 horas (menos tempo se a argila secar, arrefecer ou ocasionar qualquer mal estar; mais tempo se for suportada com conforto). Prossegue-se o tratamento com uma cataplasma por dia, aplicada longe das refeições. Não se deve utilizar argila fria sobre o ventre durante a menstruação, excepto se houver elevação de temperatura (febre).

·  Colite

Trata-se de outra consequência do excesso de tóxicos adquiridos com a alimentação e de uma super produção de venenos consecutivos, os quais acabaram por irritar gravemente o intestino. Em jejum, todos os dias, deve-se tomar 1 colher de café de argila, diluída num copo de água mineral alcalina (para combater a acidez de que a enfermidade é indicadora).

·  Prisão de Ventre

Os tóxicos do nosso corpo são eliminados pelo intestino, pela pele e pelos rins, mas o intestino é o principal drenador desses venenos. A prisão de ventre é fonte de intoxicações orgânicas, e, portanto, de grande parte das enfermidades e sofrimentos. Vivemos numa civilização que usou todos os trunfos para dominar, e que cobardemente se serviu da doença para manter submissos os mais ignorantes (independentemente da classe social ou dos títulos académicos que possuíssem), conseguindo que se acreditasse no absurdo de que a enfermidade surgia como um fruto do “acaso”. Isto conferia privilégios à tal classe médica alopática, que agora se debate contra os factos mais evidentes, utilizando para tal a força da Lei (porque os argumentos já não convencem ninguém) para impedir que as verdadeiras medicinas, as Naturais – regeneradoras e rejuvenescedoras – possam erradicar a enfermidade para sempre e assim acabar com um negócio de biliões, que interessa a muita gente, apesar de constituir a principal causa de morte. Felizmente, muitas pessoas já sabem que as doenças não surgem de repente, nem “por acaso”, e que só podem ter lugar em terreno propício, maltratado por erros alimentares e outros abusos (incluindo as atrocidades morais que vivemos no dia a dia, à qual não é estranha a estupidez dos que querem dominar com base em títulos académicos que os “trampolizaram” para lugares onde a sua incompetência é “certificada cada vez que abrem a boca”, e causam angustia e repugnância aos que deles dependem hierarquicamente). É assim que vão surgindo as enxaquecas, as nevralgias, os múltiplos catarros, a dispepsia, os eczemas, e uma infinidade de mal-estares de que as medicinas estatais (alopáticas) nunca presumem a causa (ou não a declaram, por razões de “controlo social”).

Evitando-se os mais funestos erros e limitando a alimentação ao consumo de verduras, frutas, legumes, saladas (alimentos crus ricos em vitaminas, sais fisiológicos e açucares assimiláveis), em vez de carnes, peixes, vinhos, pão branco, e queijos salgados, não haverá mais lugar a intoxicações nem à produção dos venenos orgânicos que a digestão de tais substâncias provoca. É fundamental manter o funcionamento do intestino sem utilizar purgantes (que agravam o mal), mas recorrendo ao uso de vegetais com valor laxativo e diurético natural. O intestino preso, irregular e febril está na origem de graves doenças que, se ainda não se manifestaram, não tardarão a aparecer com todo o seu cortejo de sofrimentos. As fermentações gastrointestinais dão origem à incómoda formação de gases, a qual está na origem de muitos estados mórbidos com desastrosas consequências. A sua origem está na retenção demasiado longa dos alimentos no intestino, motivada por prisão de ventre, e pode dever-se não apenas aos alimentos animais, mas também à má tolerância das leguminosas secas, por serem demasiado proteicas (ainda que se trate de uma excepção – e de uma situação menos perigosa – pode servir para ilustrar o facto de que as sobrecargas proteicas produzem fermentação intestinal, para além de exercerem sobre o organismo um efeito acidificante e estarem por isso desaconselhadas aos artríticos). A lentidão da marcha do bolo alimentar começa, neste caso, logo no intestino delgado, a seguir ao duodeno, e acentua-se no intestino grosso, especialmente no cólon, cuja configuração e estrutura anatómica oferece à massa fecal bolsas, refregas, covas e fendas, onde fica depositada, fermenta e se putrefaz, em maior ou menor grau, conforme a natureza dos alimentos. Os alimentos de procedência animal como os mariscos, enchidos, peixes gordos, carnes em geral (muito em especial a caça) e molhos com pimenta – todos a transbordar de toxinas e factores irritantes – são os mais propensos a ocasionar prisão de ventre. Quando a mastigação e ensalivação são insuficientes, a fermentação inicia-se no estômago, provocando arrotos. Mas a verdadeira e mais importante causa da formação dos gases está na alimentação imprópria, que proporciona anormal digestão e prisão de ventre, a qual tenderá a tornar-se crónica. Com o regime dietético lacto-vegetariano e uma boa trituração dos alimentos na boca, a digestão torna-se fácil, a assimilação perfeita e a eliminação rápida e sem gases. A alimentando deve ser rica em fibras: pão integral, legumes, frutas e saladas. Como complemento específico no combate à prisão de ventre, pode-se fazer-se uso de uma colher de sopa de linhaça em grão, que se deixa, ao deitar, num copo meio de água, e se toma de manhã em jejum (bebe-se tudo, água e sementes). É aconselhável fazer banhos de argila, colocar compressas de argila no baixo ventre e beber argila diluída em água.

·  Diarreias

As diarreias podem ser provocados por infecção virulenta, de génese diversa, mas em geral não têm carácter grave. Só as diarreias persistentes, com desidratação, necessitam de tratamento médico–naturista, em especial quando se trata de crianças. O tratamento é o mesmo, qualquer que seja o grau de gravidade da doença. A princípio, não se tomarão alimentos sólidos, mas apenas tisanas ou infusões medicinais (camomila, hortelã, etc.) bem quentes. Depois de se registar uma melhoria, nunca antes de 24 horas, poderá comer-se tostas integrais (certificar-se de que a sua composição não inclui factores cancerígenos como o açúcar, ou, pior ainda, edulcorantes e conservantes), papa de aveia integral adoçada com mel puro, maçãs maduras e doces, etc., antes de voltar progressivamente à dieta natural normal. Deve-se tomar de 2 em 2 horas água argilosa (pouco concentrada, se possível já limpa, com a argila depositada no fundo), e aplicar cataplasmas de argilas no baixo-ventre.

Doenças Hepáticas

Regras para um bom resultado do tratamento:

-    A argila não é um remédio qualquer, que possa aplicar-se não importa como nem onde, nem sobre quem ou em que caso;

-    Para um pleno efeito, convém individualizar o modo da aplicação e fazer algumas experiências antes de se por em prática um tratamento seguido;

-    A estação do ano também desempenha um papel importante, assim como o clima;

-    Uma cataplasma fria, bem tolerada no Verão, ou numa região quente, pode tornar-se intolerável com a mudança de estação ou do clima;

-    Um fígado congestionado pode apresentar uma reacção muito boa à argila fria, enquanto que uma vesícula obstruída necessita geralmente duma aplicação quente;

-    Pode começar-se com uma cataplasma ligeira, fria, mantida no lugar enquanto não houver sinal de arrefecimento. Em alguns minutos, a argila deve deixar de dar a impressão de ter sido aplicada fria, e esta sensação também não se deve manifestar durante todo o tempo da aplicação;

-    À menor sensação de frio, de mal-estar, de aumento ou aparecimento da dor, retirar-se-á a cataplasma, e preparar-se-á uma nova cataplasma tépida, com argila aquecida em banho-maria. Se este amornamento se revelar insuficiente, não há que hesitar em aplicar uma cataplasma bem quente, que será mantida pelo menos duas horas, podendo a da noite ser deixada toda a noite no lugar (se não secar nem arrefecer ao ponto de incomodar);

-    Pode-se aplicar uma cataplasma de manhã e outra à noite, bastante afastada da refeição (com redobrada precaução se a argila for fria);

-    Uma vez determinado o grau de temperatura ideal para o doente a tratar, usar-se-ão cataplasmas espessas, com 2 bons centímetros de espessura;

-    O tratamento pela argila será completado por meio de massagens no fígado, aplicadas no sentido dos ponteiros do relógio, com azeite.

·   Hepatite

A Hepatite é uma das doenças infecciosas mais frequentes; aparece geralmente na infância e na adolescência. A forma mais propagada é a hepatite viral. Estão identificadas actualmente 3 formas de hepatite (A, B e C), das quais abordaremos as duas primeiras:

-    O vírus “A”, responsável por uma forma de hepatite que se supõe ser transmitida pelo contacto com substâncias insalubres e águas poluídas, a qual produz inflamação súbita e apresenta imunidade relativa, ainda que duradoura;

-    O vírus “B”, que alguém já apelidou por “hepatite da seringa” pelo facto de se declarar depois de injecções (agulhas e seringas mal esterilizadas), a qual apresenta uma imunidade instável mas causa muito mais incómodos.

Os primeiros sinais da hepatite são a febre, as dores articulares e um mal-estar muito pronunciado, com especial incidência no aparelho digestivo. Observa-se uma ligeira hipertrofia do fígado e o escoamento de bilirrubina no sangue, responsável por uma icterícia que progride com rapidez. Esta substância é eliminada pela urina, e torna-a mais escura. Como há carência de bílis no intestino, os excrementos tomam um tom claro e um brilho gorduroso.

Entre 10% a 20% dos casos, a hepatite pode deixar graves prejuízos no fígado, na vesícula biliar, no estômago ou no pâncreas. O mais grave, que apenas se produz em 10% dos casos, consiste numa inflamação secundária crónica do fígado, independentemente de qualquer infecção viral. Faz-se acompanhar de uma resistência insuficiente do fígado contra a maioria das agressões (álcool, medicamentos, excessos alimentares, demasiada actividade, infecções).

Nos casos de crise aguda deve usar-se hortelã–pimenta e camomila em infusões, sumos de fruta, creme de aveia integral, papa de farinha de arroz integral, puré de batata, tostas integrais (que não incluam açúcar nos seu fabrico), iogurtes e queijo fresco.

Ainda mais lamentável do que haver pessoas que desconhecem os métodos simples, acessíveis e eficazes de cura, é o facto dos sistemas médicos estatais não estarem familiarizados com o emprego da argila, pois mesmo na mais terrível forma de hepatite viral, a argila é um remédio muito activo, tanto para uso interno como nas aplicações sobre o fígado.

Como o doente, durante as crises mais intoleráveis, está geralmente de cama, nada se opõe a que as cataplasmas se sucedam a cada duas ou três horas, excepto à noite, onde basta uma mudança.

·  Vómitos

Significam que o fígado está sobrecarregado e não consegue destruir certos tóxicos e venenos intestinais que se encontram em superprodução. Estes tóxicos e venenos passam assim para o sangue e dão origem aos vómitos, bem como, ao nível cerebral, cefaleias. A maior parte de vómitos e cefaleias são precedidos por náuseas e um gosto amargo na boca, falta de apetite, etc..

Comer amêndoas é muito eficaz para as crises de fígado. Pode recorrer-se aos tratamentos indicados atrás.

Doenças Pulmonares

·  Tuberculose

O uso da argila quente pode por vezes ser preferível à argila fria ou mesmo tépida.

Em Davos, na Suíça, os terapeutas especializados no tratamento da tuberculose empregavam a argila bem quente: cobriam todo o tórax do doente e deixavam-no assim doze horas ou mais, obtendo resultados interessantes.

Como, apesar de tudo, a argila provoca reacções duma certa amplitude, não é possível prosseguir durante muito tempo com tão vastas aplicações sem que algumas das reacções provoquem alguns prejuízos ao organismo, o qual fatigam. Tratamentos tão intensos só deverão ser empreendidos sob a vigilância de especialistas experimentados. Aplicando diariamente duas cataplasmas: uma sobre o peito e a outra sobre as duas partes das costas, ou uma sobre todo o lado esquerdo e outra sobre todo o lado direito, obter-se-á, ainda que num prazo um pouco mais dilatado, um resultado idêntico. Antes mesmo de passar a esta cadência de duas cataplasmas por dia, no tratamento da tuberculose crónica, é recomendável tratar primeiro os órgãos da nutrição, reservando as primeiras aplicações ao baixo-ventre, e em seguida ao fígado. Só depois virão as dos pulmões.

·  Bronquites, Resfriados, Laringites, Tosse convulsa, etc.

Serão tratadas com argila, com uma aplicação por dia sobre o peito, e como complemento uma outra sobre as partes laterais das costas – cataplasmas tépidas de dois centímetros de espessura. Se houver febre, pode-se completar com a aplicação diária de um emplastro natural: humedecer uma musselina em água tépida; enxugar e estender sobre uma mesa; salpicar com farinha de mostarda metade da musselina e achatar a outra metade. Coloca-se no local e deixa-se dez minutos a contar do momento em que se sentem picadas.

As doenças mais graves (lesões, etc.) que obrigam à paragem das actividades habituais, justificam duas cataplasmas diárias: uma fria, sobre o baixo-ventre, e outra quente, sobre os pulmões (um dia sobre o peito, um dia sobre as costas). Após uns dez dias de tratamento, substituir-se-á a cataplasma fria, do baixo-ventre, por uma cataplasma (fria ou quente, segundo a tolerância) sobre o fígado. A dos pulmões continuará segundo o processo inicial. Quinze ou 20 dias depois, chegar-se-á ao tratamento definitivo: uma cataplasma sobre o tórax, de cada lado, alternadamente.

Para todas as cataplasmas a espessura será de cerca de dois centímetros de argila, que se colocará em contacto com a pele. Deve-se agir directamente sobre as partes atingidas ou lesadas, se estas tiverem sido bem determinadas. Completa-se o tratamento com fricções de lama e de alho raspado, misturados.

Enfermidades Cardíacas

Generalidades das aplicações da argila:

-    As compressas frescas, entre 16 a 18ºC são em geral bem suportadas pelo coração, pelo que se pode começar pela aplicação de compressas de água lamosa fresca;

-    As primeiras aplicações apenas deverão permanecer no local ½ hora, sendo posteriormente elevada a duração para uma hora, e mais tarde para duas;

-    Logo que se comprove a boa tolerância destas compressas durante duas horas, encarar-se-á a sua substituição por cataplasmas de argila bastante finas (½ centímetro de espessura) que deverão ser mantidas o mesmo tempo;

-    A espessura das cataplasmas será gradualmente aumentada, até atingir dois centímetros, e serão deixadas no local durante duas horas;

-    Se a cataplasma da noite não arrefecer e não for a origem de qualquer incómodo, pode-se conservá-la toda a noite;

-    Durante o dia, pode aplicar-se uma só cataplasma;

-    Como a cebola é tónico do coração, pode-se ralá-la sobre a superfície da cataplasma de argila, na face a aplicar sobre a pele, conseguindo-se com isto aumentar-lhe a eficácia;

-    No caso da argila arrefecer o doente, deve-se passar a amorná-la em banho-maria.

·  Angina de Peito

Quer seja temporária ou crónica, a angina de peito é indício certo de uma insuficiente irrigação do músculo cardíaco. Por vezes, pode ser devida a uma lesão orgânica, como a calcificação dos vagos coronários. Os doentes que tiveram distúrbios funcionais graves estão mais sujeitos a ter consequências coronárias.

Tratamento: será o mesmo nas diversas fases e terá como objectivo restabelecer o equilíbrio entre a necessidade do coração (chamada de sangue) e a quantidade de sangue que recebe.

As possíveis causas da angina de peito são:

-    Anemia;

-    Afecções valvulares;

-    Calcificação e aperto dos vasos coronários (esclerose coronária);

-    Hipertensão;

-    Diabetes;

-    excesso de colesterol no sangue;

-    intoxicação tabágica;

-    alterações de certos gânglios nervosos, etc.,

sem esquecer os riscos inerentes a factores como:

-    a idade;

-    a ocupação profissional;

-    as actividades físicas e psíquica (tanto por defeito como por excesso)~;

-    a prisão de ventre;

-    os problemas conjugais e sexuais;

-    o frio;

-    o sistema nervoso, etc..

A dieta ocupa neste caso um lugar importante, pois qualquer tratamento higienista é mais importante do que o mais célebre medicamento. Estes doentes precisam de tempo e esforço na vontade da cura, visto que sem a colaboração do doente é impossível qualquer evolução no sentido das melhoras. Só os meios naturais permitem a obtenção de bem-estar durável, com estabilização do ritmo cardíaco e melhoria do fluxo sanguíneo para o coração.

Evitar-se-ão os alimentos pesados, vigiar-se-á a regularidade das fezes e abolir-se-á definitivamente o álcool e o tabaco. O tratamento incluirá uma cataplasma quente, de 2cm, ao deitar, e a ingestão de chá de cavalinha.

·  Taquicardias

Designa-se por taquicardia o aumento de frequência do ritmo cardíaco. As diversas variedades de taquicardias podem ser classificadas, segundo a sua causa, da seguinte forma:

-    fisiológica (infância, velhice, menopausa, esforços, digestão);

-    de causa geral (febre, infecções, convalescença, anemias, caquexias);

-    de origem tóxica (nicotina, dedaleira, atropina);

-    por perturbação circulatória (esforço cardíaco, afecções valvulares, miocardites, arteriosclerose);

-    de origem nervosa;

-    doenças do fígado

-    doenças do intestino

-    doenças do rim

-    peritonite

-    histeria

-    neurastenia

-    bócio

-    adenopatia

-    traqueíte brônquica

-    tabus

-    lesões cerebrais, etc..

Na taquicardia essencial, que pode manter-se durante horas, dias ou semanas, e é caracterizada por um aumento da frequência do pulso (200 pulsações por minuto ou mais) e por uma tensão arterial muito baixa, nota-se também palidez, vertigens, ligeiro edema dos membros inferiores e diminuição da quantidade de urina – tudo sintomas derivantes da baixa tensão e da dificuldade de funcionamento cardíaco.

O tratamento é o mesmo que o anterior, devendo ter-se em conta que nas doenças de coração a dieta é o fundamental.

·  Enfarte do Miocárdio

O termo “enfarte do miocárdio” designa uma lesão do músculo cardíaco que provoca o aperto ou a oclusão de um ramo das artérias coronárias. Se a irrigação for mais ou menos interrompida, dá-se uma paragem brusca do coração. A causa mais frequente da oclusão dos vasos coronários é a trombose. Na maioria dos casos, esta trombose resulta de uma arteriosclerose das paredes vasculares na região das artérias coronárias. Nesta, como nas demais doenças cardíacas seguir-se-á o mesmo tratamento.

Vias Urinárias

Funções dos Rins

Os rins são órgãos de funções múltiplas, entre as quais poderemos citar:

-    um papel depurador, que consiste em eliminar as substâncias prejudiciais;

-    um papel regulador da composição do sangue, eliminando do meio interior certas substâncias não tóxicas, mas supérfluas;

-    um papel regulador da tensão sanguínea.

Por todas as razões os rins são importantes órgãos depuradores – que podemos considerar como os “filtros” do organismo –, compreendendo-se bem que todas as lesões susceptíveis de alterar a sua função podem comprometer seriamente o bom funcionamento de todo o corpo.

Tratamento: a argila por via interna, destruindo a fonte digestiva da infecção, e por via externa, sob a forma de cataplasmas quentes descongestionantes, apresenta valores seguros nas infecções das vias urinárias.

·  Cistite

Chama-se “cistite” à inflamação da bexiga, causada por infecção microbiana. Os micróbios podem penetrar na bexiga através do uréter “via descendente”, ou por outras formas, sendo a primeira a mais frequente. Os sintomas reduzem-se a quatro:

-    urinas turvas;

-    micções frequentes (não é determinante porque é comum na diabetes ou nas afecções da próstata, sem ser necessário haver cistite);

-    vontade imperiosa e inadiável de urinar (também ocorre nas afecções da próstata, pelo que não é determinante);

-    dor ao urinar, geralmente ao fim, não sendo estranho o aparecimento de algumas gotas de sangue.

O tratamento consistirá, basicamente, no seguinte:

-    tomar em jejum, mexendo bem, ½ colher de café de argila em pó num copo de água;

-    colocar ao deitar uma espessa cataplasma de argila quente, de 3 a 5cm, no baixo-ventre, estendendo-a à bexiga.

·         Nefrite

Denomina-se nefrite a inflamação dos rins, cujas principais causas são as doenças infecciosas:

-    Escarlatina;

-    Anginas;

-    Difteria;

-    Pneumonia;

-    Febre tifóide, etc.,

e as intoxicações:

-    Fósforo;

-    Arsénico;

-    Mercúrio.

Nas intoxicações os sintomas iniciais são bruscos, enquanto se apresentam mais insidiosos nas doenças infecciosas. Em qualquer dos casos são acompanhados de:

-    Arrepios;

-    Febres;

-    Edemas;

-    Dores renais;

-    Diminuição da quantidade de urinas;

-    Falta de ar;

-    Perturbações digestivas diversas, como sejam:

v             língua saburrosa;

v             perda de apetite; e por vezes

v             diarreia fétida.

Quando a todos estes sintomas se juntam as dores e os vómitos, é sinal de estar a instalar-se uma uremia – situação extremamente grave.

Tratamento: quer se trate de nefrite, de lumbago ou de qualquer outra afecção da região lombar, é preferível aplicar a argila quente, ou ao menos tépida, a não ser que o doente já esteja habituado e suporte bem a argila fria.

Usam-se cataplasmas largas e espessas, pondo-se a argila directamente sobre a pele, se possível uma ou duas vezes por dia, mantidas duas a quatro horas, ou toda a noite se houver boa tolerância.

Completa-se com massagens ligeiras, utilizando uma mistura, em partes iguais, de alho ralado e de água lamosa.

·         Tuberculose renal e afecções das glândulas supra-renais

A cataplasma de argila é o tratamento indispensável para o tratamento da tuberculose renal e das perturbações das glândulas supra-renais.

Ácido Úrico, Reumatismo e Coluna Vertebral

·         Ácido Úrico e Reumatismo

O ácido úrico é um ácido azotado que representa o resultado final do metabolismo das purinas. Em condições normais é bem eliminado do organismo pela urina e a sua presença apenas é detectável, dentro de determinados limites, no sangue e na urina. Em casos patológicos forma grandes depósitos nas articulações (artrite, gota, etc.) ou nas vias urinárias (cálculos), e é a causa do reumatismo. Os factores que levam à excessiva produção de ácido úrico, e que, portanto, estão directamente relacionados com o reumatismo e a gota são os seguintes:

-    alimentação errada, à base de proteínas, especialmente carnes e peixes, mas também ovos e legumes secos (feijão, ervilhas, lentilhas, soja e grão-de-bico), todos estimulantes da formação exagerada de ácido úrico;

-    metabolismo insuficiente, de tal forma saturado de detritos úricos, que já não consegue eliminar ácido úrico em quantidades que impliquem a sua diminuição;

-    consumo de álcool, de chá preto e de café (tanto mais grave quanto maior o abuso do consumo);

-    fadiga excessiva e vida sedentária são também factores etiológicos desses tipos de reumatismo.

O reumatismo é uma inflamação das articulações (do joelho, do tornozelo, do cotovelo, do punho, dos dedos, da coluna vertebral, etc.), que pode aparecer sob diferentes formas e que, para além dos factores já apontados, se acentua por uma variedade de causas:

-    diversos tipos de infecções;

-    degeneração dos tecidos das articulações;

-    constante exposição ao frio;

-    intolerância alimentar ou medicamentosa;

-    distúrbios nervosos.

Os sintomas e sinais mais frequentes são:

-    dor forte quando as articulações se movem;

-    sensação de calor ao tacto;

-    febre;

-    língua branca;

-    sede intensa;

-    suores abundantes e ácidos;

-    urinas escassas e ácidas;

-    pode haver insónias.

Em casos de reumatismo crónico, reumatismo deformante, artrite reumatóide, ou artrose, pode haver:

-    sensação de fraqueza,

-    dores generalizadas;

-    inchaços e deformações (por formação de nódulos ou encurtamento dos membros, com desgaste dos ossos e atrofia dos músculos em torno das articulações.

As pessoas que sofrem de reumatismo, costumam sentir-se melhor nos dias quentes. Por ignorância, atribuem muitas vezes as melhoras ao último remédio que tomaram. A indústria farmacêutica disponibilizou uma infinidade de medicamentos para o reumatismo, mas o mais irónico é que os únicos doentes que chegam a uma melhoria satisfatória são os que não os tomam, e que, em vez disso, adoptam estilos, filosofias de vida e alimentação naturais.

O maior perigo do uso dos remédios é produzirem aparentes melhoras, mantendo o doente nos mesmos erros de conduta que o levaram ao estado de intoxicação em que se encontra, e que se continuará progressivamente a agravar. Por outras palavras, os medicamentos representam, quase sempre, a total e absoluta anulação de qualquer possibilidade de cura.

Tratamento:

-    para o tratamento natural das crises agudas, com febre e congestão das articulações ou trajectos nervosos, é necessário recorrer ao efeito descongestionante de largas e espessas cataplasmas de argila fria;

-    no tratamento dos estados crónicos pode ser necessário efectuar aplicações quentes (apenas se o doente não suportar a argila fria, que é mais eficiente), mas não há um preceito rígido.

Começar-se-á por tentativas, dando preferência à argila fria, a qual só se aquecerá se a temperatura anterior for desagradável ou a ela não se seguir a reacção quente necessária (sem que aqueça demasiado nem seque).

É necessário aplicar a argila directamente sobre os locais onde a dor se manifesta, completando com fricções de uma mistura em partes iguais de lama e de alho esmagado.

Para as crises agudas, aplicam-se duas ou três cataplasmas por dia, mantidas duas a quatro horas no local. A cataplasma da noite pode ser mantida toda a noite.

No tratamento de manutenção, depois de declaradas as melhoras, uma cataplasma diária pode bastar.

Convém ficar-se ciente de que não há melhoras nem cura satisfatória sem um tratamento natural integral, onde a dieta é indispensável.

·         Doenças da coluna vertebral

Devido ao modo como se articulam entre si as vértebras e os discos intervertebrais, a coluna é muito flexível.

As dores nas costas podem ser devidas a várias causas, tais como:

-    deslocamento ou destruição de um disco intervertebral;

-    tensão exagerada na articulação sacro-ilíaca;

-    ciática;

-    artrite.

Quando não são acompanhadas de outros incómodos e ocorrem com frequência, tais dores podem ainda ser devidas a uma ou mais das seguintes causas:

-    Colchão macio e de superfície irregular, que provoca o encurvamento da coluna durante o sono (neste caso, convém substitui-lo por outro ou tentar tornar mais firme a superfície onde este assenta);

-    Posturas defeituosas (uma das causas mais comuns de dor nas costas), porque o dorso não assume uma postura erecta, os ossos, ligamentos, nervos e músculos comprimem-se excessivamente uns contra os outros ou, ou afastam-se demasiado;

-    Carregamento de objectos pesados, ou até mesmo a obesidade, que sobrecarregam o corpo, obrigando os músculos e ligamentos a um esforço excessivo (pior ainda quando se carrega um volume apenas numa das mãos, pois a coluna tende a curvar-se para o lado oposto ao que suporta o peso);

-    Actividade profissional que obriga a assumir posturas incorrectas. Na posição sentada ou de pé, a manutenção de uma postura correcta fortifica a coluna e previne contra as dores, pelo facto dos órgãos internos não ficarem comprimidos uns contra os outros e funcionarem mais facilmente. Além disso respira-se melhor. Quando se tem que passar muito tempo em posição curvada deve-se, a intervalos regulares, suspender o trabalho e endireitar o corpo;

-    Tensão emocional, que pode originar dores tão agudas como as resultantes de qualquer outra causa;

-    Alimentação anti-natural, que, por insuficiente aporte de minerais, impede a reposição da massa óssea e contribui para a destruição do sistema estrutural do corpo.

Tratamento: em todas as perturbações que afectam a cabeça, (sinusite, constipação, otite, enxaqueca, etc.) sejam quais forem os centros, o tratamento compreende as cataplasmas locais e aplicações de argila na nuca. Se a doença provocar sensações de calor na cabeça, é necessário aplicar cataplasmas frias e espessas.

A argila será aplicada directamente na nuca e convirá a presença de uma gaze destinada a proteger os cabelos. Se o aquecimento não surgir muito rapidamente ou se for sentido frio interior, devem-se cessar as aplicações frias e retomá-las com a argila tépida.

Sobre a coluna vertebral, a argila é geralmente aplicada tépida, em especial no tratamento da artrite de descalcificação e de todas as afecções dos ossos ou da medula. Coloca-se a argila, quer em cataplasmas locais, quer sobre toda a coluna vertebral, na cadência e no tempo de aplicação indicados para as cataplasmas na nuca.

A aplicação de argila na nuca exerce uma acção

benéfica sobre as glândulas pineal e hipófise.

Quando as cataplasmas colocadas na nuca originarem sensações de vertigem ou outro eventual tipo de perturbação, deve-se interromper por alguns dias estas aplicações e substitui-las, durante esse período, por cataplasmas no baixo-ventre.

Ginecologia e Fissuras Anais

·         Amenorreia

A amenorreia é a ausência completa do fluxo menstrual durante o período fisiológico da actividade genital que lhe corresponde, com exclusão dos períodos de gravidez e de lactação.

A amenorreia pode ser:

-    Primária – quando é devida a atrasos do desenvolvimento genital ou a perturbações das glândulas de secreção interna (tiróide, hipófise, etc.), associadas a insuficiência ovárica;

-    Secundária – quando ocorre em mulheres que já tiveram um ciclo menstrual normal. Esta situação pode verificar-se no período agudo da escarlatina, da varíola, da febre tifóide, da tuberculose, do cancro, da anemia, das afecções cardíacas com complicações renais, das intoxicações (chumbo, álcool, etc.), e de certas afecções do sistema nervoso (histeria, epilepsia e paralisia geral). Também pode ocorrer pelo efeito de emoção forte, traumatismo, resfriamento, intervenção cirúrgica, etc..

A amenorreia é em geral acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas:

-    mal-estar geral;

-    dores de cabeça;

-    dores na região útero-ovárica (devidas a congestão do local) e por vezes perdas leucorreicas e/ou sanguinolentas.

Em certos casos, a derivação das regras dá lugar a escoamentos sanguíneos inesperados pelo nariz, olhos, ouvidos, intestino, brônquios ou estômago (hemorragias suplementares).

Tratamento geoterápico da amenorreia:

-    De manhã, em jejum: 1 colher de café de argila em pó, dissolvida num copo de água morna, todos os dias.

-    À noite, ao deitar: aplicação de uma espessa cataplasma de argila quente, com 2 a 3cm, sobre todo o baixo-ventre, interpondo uma gaze nas zonas pilosas, e retirando-o assim que arrefecer.

·         Dismenorreia

Denomina-se "dismenorreia" a dificuldade do escoamento menstrual normal, acompanhada de fenómenos dolorosos mais ou menos intensos.

O momento das regras é susceptível de trazer à mulher alguma modificação do seu estado geral, como mal-estar, excitabilidade nervosa, alteração da sensibilidade (e eventualmente do volume) dos seios, e vagas dores lombares ou abdominais. Estas modificações do estado geral feminino durante o período menstrual, são fisiológicas e não implicam de maneira alguma redução de capacidades físicas e intelectuais, sendo condenável o costume que ainda mantêm alguns povos (com cultura tradicional muito antiga) de considerar a mulher durante esse período como um ser com capacidades físicas e intelectuais inferiorizadas.

O antigo costume de proibir à mulher o trabalho físico, a subida ou descida apressada de escadas, o uso do elevador, o lavar os pés ou tomar banho, etc., durante o período menstrual, é um contra-senso sem fundamento. Deve-se, pelo contrário, convencer as mulheres que ainda assim pensam, de que são tão normais e vigorosas nesse período como fora dele, e que poderão fazer tudo quanto estão habituadas a fazer. A menstruação dolorosa pode ser devida a perturbações orgânicas de origem ovárica ou uterina, assim como a perturbações de ordem geral (ex.: anemia) que determinam alterações à normalidade do aparelho ginecológico. A exposição ao frio e à humidade, a ansiedade excessiva, as noitadas, a alimentação deficiente, os descuidos com o funcionamento intestinal, etc., são outras tantas causas predisponentes da dismenorreia.

Tratamento da dismenorreia: o tratamento geoterápico é o mesmo que o anterior, indicado para a amenorreia.

Conselhos Gerais:

-    os exercícios ao ar livre,

-    a vida regrada,

-    os bons cuidados com o estômago e intestinos,

-    o sono normal e prolongado, são de vital importância para que o período menstrual decorra com a regularidade desejada.

·         Fissuras anais

A fissura é uma cavidade ou prega profunda num órgão, ou ruptura da pele ou de uma membrana.

As fissuras no recto podem ser consequência de obstipação ou de hemorróidas. Estas fissuras são normalmente acompanhadas de uma sensação aguda de queimadura, que pode tornar-se bastante dolorosa durante ou depois de uma descarga intestinal. Uma vez que a quantidade de tóxicos irritantes na massa fecal é enorme, estes acabam por afectar ou prender-se à frágil mucosa através do contacto permanente, assim como em momento de difícil evacuação, nos casos de grande obstipação. Passa-se o mesmo com as toxinas nascidas no cólon e no intestino delgado sob a influência dos inibidores da digestão dos alimentos indigestos e da sobrecarga alimentar global. O atraso na digestão é tal que as substâncias podem putrefazer-se libertando enormes quantidades de venenos, sendo estes suficientes para, com o tempo, irritarem a frágil mucosa.

Tratamento:

-    reduzir a intoxicação, evitando o tabaco, o café o chá, a cola, o álcool, os fritos, etc;

-    tomar todas as manhãs, em jejum: meia a uma colher de café de argila em pó diluída em água;

-    aplicar todas as noites, ao deitar: 1 cataplasma fria e espessa (5cm) de argila, retirando quando começar a desenvolver calor.

Anemia e Diabetes

·         Anemia

Denomina-se genericamente por "anemia" qualquer situação que determine a diminuição do número de glóbulos vermelhos, acompanhada ou não de uma diminuição da taxa da hemoglobina. Pode dever-se a uma perda anormal de hemoglobina ou a uma produção insuficiente. Existem diferentes tipos de anemia, segundo as suas causas, podendo classificar-se um primeiro grupo da seguinte forma:

-    anemia em consequência de grandes e anormais perdas de sangue – hemorrágica –, quer ocorram isoladamente ou com repetição;

-    anemia em consequência da decomposição dos glóbulos vermelhos ou da destruição excessiva – hemolítica –, provocada por toxinas de origem bacteriana, substâncias químicas ou medicamentos. A forma crónica pode ser congénita.

Um segundo grupo inclui as anemias por deficiências da produção de glóbulos vermelhos:

-    anemias nutricionais e anemias devidas à falta de vitamina B12 – perniciosa – e à carência de ácido fólico, magnésio, etc.;

-    anemia por falta de ferro e de vitamina B6, produtora de distúrbios na composição das substâncias corantes do sangue;

-    anemia devida à insuficiente eliminação de células sanguíneas alteradas, depois de inflamações, de infecções crónicas, de afecções renais ou da formação de tumores malignos;

-    anemia causada por perturbações traumáticas da medula óssea;

-    anemia devida a alterações da química medular, por toxinas ou por substâncias químicas.

Tratamento: a argila contém ferro, ainda que de forma quase oligoelementar, mas a actuação sinérgica de todos os elementos seus constituintes, dota-a de utilidade inquestionável. Portanto convirá tomar todos os dias 1/2 colher de café de argila. A dieta é também fundamental no tratamento da anemia (como, aliás, de todas as enfermidades), devendo neste caso recorrer-se a alimentos ricos em ferro, como espinafres, agriões, ervilhas, brócolos, alfaces, couves, salsa, soja, cerejas, framboesas, figos, morangos, amêndoas, castanhas, etc..

·         Diabetes

Denomina-se por "diabetes" o estado patológico caracterizado por uma produção e excreção abundante de urina.

As "diabetes" são várias, sendo mais importantes as que geralmente se englobam nas classificações de “diabetes insípida” e “diabetes mellitus”, pelo que só dessas nos ocuparemos por agora.

A “diabetes insípida” é mais rara do que a “mellitus”. Na “insípida” prevalece uma situação de distúrbio endocrinológico, uma vez que o equilíbrio homeostásico é quebrado por ineficiência da hipófise (responsável pela segregação da hormona antidiurética HAD, e que nestes casos falha, levando a que o corpo excrete mais urina do que a sua reserva de água, ou seja, prejudicando o ambiente fluídico do sangue. Esta insuficiência pode dever-se à hipófise, por si só, ou ao hipotálamo, que exerce algum controlo na sua actuação. Em casos mais raros ainda, a incapacidade de conservar a água no organismo pode dever-se a uma deficiência congénita dos rins.

A “diabetes mellitus”, que pode surgir em qualquer idade, apesar de incidir mais frequentemente na faixa etária dos 40 aos 60 anos e atingir mais os homens do que as mulheres, consiste basicamente na deficiência de uma hormona pancreática, a “insulina”. As suas causas são variadas e engloba um grupo de afecções, sendo frequente apontar:

-    o artritismo,

-    a gota,

-    a obesidade,

-    o alcoolismo,

-    a sífilis,

-    as lesões do pâncreas ou do fígado,

-    certas doenças do sistema nervoso,

e também

-                               os desgostos,

-                               as preocupações, e a

-                               hereditariedade,

como razões do seu despontar.

Pode ser-se diabético e produzir, na realidade, mais insulina do que é necessária! Pode ocorrer nestes casos a actuação de factores antagónicos da insulina, que a neutralizem: algumas hormonas da hipófise, das supra-renais, da tiróide e do próprio pâncreas (como a glucagina) têm acção oposta à da insulina. Pode haver actuação excessiva e descontrolada de alguns anticorpos, ou captação indevida da insulina pelo fígado. Na verdade, não é conhecido com rigor o mecanismo que determina a actuação dos antagónicos da insulina.

A diabetes aparece de uma maneira insidiosa, podendo permanecer latente e desconhecida até ao momento em que surgem os seus primeiros sinais. Traz geralmente complicações cutâneas, respiratórias, circulatórias, digestivas e do sistema nervoso.

O aspecto mais complicado pode ser o “coma diabético”, que constitui muitas vezes o acidente fatal duma diabetes. Sobrevém das diabetes graves, num período avançado da doença, mas pode às vezes surgir como consequência dum esforço, da fadiga excessiva, do regime demasiado cárneo e da vida sedentária – como acidente precoce.

Tratamento: para o tratamento de qualquer tipo de diabetes, a dieta é indispensável (pobre em carbohidratos), associada ao já recomendado copo de água diário com meia colher de café de argila em pó.

Cancro

O cancro corresponde a um distúrbio do mecanismo da transmissão genética e da proliferação celular. Pode originar-se por causa própria ou por predisposição.

·         Cérebro

O cancro do cérebro era raro, mas tem vindo a aumentar gradualmente, atribuindo-se essa maior incidência ao uso do telemóvel, principalmente quando se tem o hábito de manter conversações prolongadas. As causas anteriores mais apontadas eram a má irrigação sanguínea das meninges, a abortagem de certas embolias próprias da arteriosclerose, e o resultado de golpes.

·         Estômago, duodeno e esófago

Estes tipos de cancro podem manifestar-se na sequência de:

-   uma simples úlcera (estomacal, duodenal, esofágica, etc.);

-   o microondas, que altera o ADN da estrutura dos alimentos (apesar de todas as argumentações maldosamente tendenciosas);

-   o telemóvel (não apenas para este), e

-   todo o tipo de radiações a que nos expomos diariamente.

·   Fígado

É um dos mais dolorosos, e pode dever-se à grande acumulação de resíduos venenosos deixados pelas substâncias mal transformadas, durante anos. É dos mais terríveis.

·   Intestino e ânus

No intestino, a somar a todas as razões habitualmente referidas, temos a terrível prisão de ventre crónica. As fístulas cancerosas do ânus podem dever-se à degeneração hemorróidica, agravada pelo crónico efeito dos agentes infecciosos provenientes de resíduos proteicos, cuja origem pode estar na drenagem deficiente da veia-cava do fígado.

·   Língua e garganta

Pode surgir na língua ou na garganta devido à ingestão contínua de alimentos muito quentes, assim como pode sedimentar em qualquer ponto do organismo pelo abuso excessivo de alimentos muito proteicos, ou alterar a química do sangue devido a medicamentos, conservantes, e outros químicos sintéticos inimigos da vida. O tabaco e o álcool parecem dispensar comentários quanto aos seus efeitos e aos órgãos onde geralmente provocam destruição, incluindo estes.

·   Mama

O cancro da mama corresponde a alterações linfáticas dos crepúsculos grumosos da esponja dos canais lácteos, iniciando-se por estados de endurecimento parciais – neoplasias –, e engorgitamento dos gânglios linfáticos.

·   Pulmão

O cancro do pulmão tornou-se muito frequente devido ao abuso do tabaco e da vida sedentária.

·   Rins

Nos rins, pode também produzir-se cancro por degradação da ureia, com consequente degeneração e morbidez dos seus filtros.

·   Útero e ovários

Os fibromas, que começam pela formação de pólipos na matriz, e os cada vez mais frequentes tumores ováricos, provam, de modo evidente, que o modo de vida considerado moderno e civilizado, pouco ou nada tem de racional. São exactamente:

-    os abusos dos actos genésicos,

assim como, por outro lado,

-    a excessiva castidade,

-    a predisposição hereditária,

-    a obesidade,

-    os abortos,

-    a vida anti-natural,

-    a alimentação distante dos moldes higienistas vitais, com base em concentrados, gorduras animais, salsicharias, mariscos, carnes, etc,

tudo isto associado ou não a outras doenças, que determinam os fibromas e outras formas de cancros ginecológicos.

Acidentes e substâncias que podem causar o cancro:

-    golpes, picadas de objectos ou pancadas nos seios;

-    fumar sistematicamente, mesmo com cachimbo ou boquilha (pode originar cancro no lábio inferior);

-    irrigações ginecológicas com produtos não naturais ou fármacos (são irritantes e podem causar cancro no útero);

-    nas costureiras, o picar frequentemente os dedos com as agulhas (pode dar origem a cancro na ponta dos dedos);

-    existência de cálculos biliares durante muitos anos (pode formar cancro na vesícula).

Substâncias químicas (e outras) perigosas:

-    alcatrão – o seu manuseamento contínuo irrita a pele e pode evidenciar lesões e verrugas susceptíveis de degenerar;

-    petróleo – o cancro ocorre com frequência entre os indivíduos que trabalham nas refinarias deste produto;

-    anilinas – o cancro da bexiga era vulgar entre os operários das antigas fábricas de anilinas, antes da adopção de medidas profiláticas impostas pela lei;

-    arsénico – os operários das fundições de cobre, onde o produto era utilizado, os jardineiros que pulverizam substâncias em cuja composição entra e os que ingerem medicamentos onde está presente, sujeitam-se a contrair o cancro;

-    tabaco – há comprovação de que o tabaco é causa de cancro, em especial no pulmão;

-    corantes alimentares – todos os corante artificiais, aplicados a diversos produtos, como o que por vezes utilizam na manteiga e na margarina, podem produzir cancro no fígado e na bexiga. A industria alimentar aplica corantes a rebuçados, refrigerantes, gelados, pudins, gelatinas, produtos de confeitaria e doçaria, algumas conservas, alimentos pré-preparados, etc.. Uma vez que não podemos convencê-los a não utilizar tais venenos, poderemos cortar o mal pela raiz, não comprando qualquer produto que contenta conservantes, corantes ou qualquer tipo de aditivos, sejam eles químicos ou ”pseudo-naturais”;

-    metais em geral – o níquel, o cromo, o cobalto, o berílio e o glucínio, provocam cancro em muitos operários;

-    raios X – quem permanece em contacto com os Raios X pode sofrer queimaduras graves e cancro. Os seus primeiros utilizadores, por falta de conhecimento e dos devidos cuidados, foram vítimas do cancro;

-    rádio – é uma substância radioactiva natural, auto–degradável mas de forma muito lenta, pois irradia partículas infinitamente pequenas, donde advém a designação de “radiações”. Passou a ser usada para outras substâncias com características emanantes. As radiações do rádio têm sido aplicadas à medicina por atravessarem os tecidos humanos, atingindo as células onde é pretendido intervir. É usado muito em especial para combater o cancro, sendo a sua intensidade e temporização graduadas para cada caso, uma vez que é suposta a falta de precisão poder prejudicar os tecidos sãos. Contudo, se o rádio não é em absoluto eficaz para “curar o cancro”, pelo menos permite produzir cancros em tecidos sãos.

Sinais da possível presença de cancro:

-    pele pálida;

-    perdas de sangue;

-    falta de apetite;

-    dores;

-    incómodos nervosos;

-    insónias;

-    feridas incuráveis;

-    tumores duros;

-    eliminações intermináveis.

Observações e tratamento

Todas estas anomalias podem evitar-se ou erradicar-se, desde que o doente respeite uma rigorosa higiene interna e externa, tendo o cuidado de preparar a sua alimentação de forma irrepreensivelmente natural e assimilá-la correctamente, uma vez que o alcance da boa saúde só pode depender da purificação e reconstituição da sua estrutura biológica.

Para a cura do cancro têm forçosamente que ser postos de lado todos os alimentos de origem animal.

Para tratamento, deverão ser tomados, todos os dias, de manhã e à tarde, uma chávena de chá de erva–de–São–Roberto, 30m antes das refeições, com 1 colher de argila em pó, bem diluída no líquido. Quando se trata de cancro na pele ou em região exterior, devem colocar-se cataplasmas frias espessas (2 a 4cm) de argila verde, renovando quando começam a aquecer, continuadas por muitas horas, tanto de dia como de noite.

Mordeduras de Animais Venenosos

O poder da “terra” e da argila (“terra curativa”) nas mordeduras de serpentes e de outros animais venenosos é extraordinário.

Um testemunho. Nos anos 40 a revista Natura publicou uma notícia, cujo texto rescrevemos sintetizado:

“Na aldeia de Recale, próximo de Caserta, quando andava a segar o feno, uma rapariga de 20 anos foi mordida por uma cobra. O pé e a perna começaram rapidamente a inchar, fazendo-a sofrer muito, o que levou o seu pai a colocá-la num carro e transportá-la a Caserta. Quando chegaram toda a perna direita e o braço estavam exageradamente inchados e com horrível mau aspecto, além da rapariga ter já perdido os sentidos. Vendo-a naquele estado, os médicos tiveram o bom senso de declarar que já não lhes era possível curá-la, e em tais circunstâncias o pai voltou a trazê-la para Recale, mais morta do que viva. Aqui, num último e desesperado esforço para salvar a filha, lembrou-se a recorrer a um processo que a tradição dizia ter salvo da morte certa rapariga daquela mesma aldeia, também mordida por uma cobra, já há séculos...: abriu uma cova no seu quintal, depositou nela a filha, despida, e cobriu-a em seguida com terra, deixando somente a cabeça de fora. Isto gerou polémica imediata, até a nível político, com intervenção do regedor, que mandou chamar a polícia ao ver que as suas intimações eram recusadas pelo pai da vítima. Entretanto, já a aldeia inteira tomara o partido do pai, e os aldeões armaram-se, dispostos a uma luta sangrenta, se necessário fosse. Isto fez o regedor desistir da execução da sua ordem. Passadas 24 horas, a rapariga pôde ser retirada da cova, completamente curada. Esta estranha ocorrência foi confirmada no «Corriere di Napoli» pelo prefeito de Caserta”.

Da autenticada notícia, podemos ver que o envenenamento sanguíneo por mordedura de cobra pôde facilmente ser curado, mesmo depois de haver penetrado profundamente em todo o corpo. Estamos portanto certos de que a mordedura de cobra venenosa pode não constituir perigo tão grave e letal como se supõe, assim como a raiva, se for tratada com argila.

Tratamento: deve aplicar-se imediatamente sobre o lugar afectado uma cataplasma de argila, renovando-a preferencialmente de hora a hora, ou, no máximo, de duas em duas horas. Este tratamento pode generalizar-se a todas as mordeduras de animais venenosos ou raivosos.

Obesidade e Celulite

·   Obesidade

Designa-se por “obesidade” o desenvolvimento exagerado de tecido adiposo. A gordura excessiva que um organismo armazena não é, como muita gente supõe, apenas causada pelo excesso de gordura que o indivíduo ingere na sua alimentação, pois uma parte significativa dessa gordura provém dos carbohidratos (açúcares e feculentos). Daqui se depreende que seria inútil privar um obeso de corpos gordos, se a sua alimentação continuasse a incluir doces e feculentos em grande quantidade.

A obesidade começa geralmente a aparecer próximo dos 40 anos, o que não quer dizer que não possa haver obesos precoces, na adolescência, ou até mesmo na infância.

A obesidade feminina pode sobrevir na puberdade, depois do casamento, durante o aleitamento, e em especial na menopausa.

Os principais factores da obesidade, são:

-    alimentação em excesso, com utilização de carne gorda, feculentos, açúcar e doces, cerveja e vinho;

-    vida sedentária – falta de exercício, profissões que não exigem esforço físico, ausência de trabalho muscular;

-    algumas intoxicações ou infecções – o alcoolismo crónico predispõe à obesidade, assim como alguns tratamentos com fármacos sintéticos e também algumas enfermidades infecciosas (sífilis, febre tifóide, etc.);

-    predisposição hereditária – é reconhecido o factor familiar nas diversas manifestações do artritismo: litíase biliar ou renal, diabetes, eczema, dispepsias, gota e reumatismo crónico, entre outras;

-    perturbações das secreções internas – a castração acidental no homem ou na mulher, a menopausa, a amenorreia nas raparigas, a insuficiência da secreção da tiróide, etc., são também causas da obesidade.

Alimentos inconvenientes:

-    arroz,

-    massas,

-    farinhas,

-    batatas,

-    legumes secos,

-    pão,

-    bolos,

-    açúcar,

-    chocolates,

-    doces,

-    manteiga,

-    bananas,

-    queijos,

-    fritos,

-    guisados,

-    charcutaria,

-    gorduras,

-    frutos oleaginosos,

-    bebidas alcoólicas (cerveja, vinho e licores).

Tratamento – com uma espátula grande, aplicar argila verde quente, com uma espessura mínima de 5cm, sobre todas as regiões adiposas. Esta operação deverá ser feita com rapidez, para evitar o desperdício do calor.

·   Celulite

É um mal de que as mulheres se queixam com muita frequência, e que só muito raramente se encontra nos homens. Ao contrário do que a sua designação poderia fazer supor, a celulite não é propriamente um fenómeno inflamatório, mas uma infiltração, dolorosa nuns casos e não dolorosa noutros, que começa com um edema, seguido da perda de elasticidade do tecido conjuntivo, para finalmente, numa fase avançada, constituir uma verdadeira esclerose de tecidos, com perturbações dos sistemas vascular e neurosensitivo. Isto pode explicar o inchaço da região atingida e a dificuldade em dobrar estas camadas de pele mais espessas e duras, que não se soltam dos planos profundos. A espessura da prega, quando se aperta a pele, dá noção do grau de evolução da celulite: se tem mais de um cm entre dedos, é tempo de se fazer qualquer coisa, pois nesta fase inicia-se a dificuldade na circulação venosa e linfática. Além disso, este tipo de celulite pode começar a ser doloroso, e as mulheres que chegam a tal estado não se queixam apenas da sua estética, mas do “peso” nas pernas e nos braços, de dores exageradas por uma leve pancada, de mal-estar provocado pelo vestuário, etc.. A famosa “bossa de bisonte”, situada ao nível da nuca, é um caso de celulite!!!.

Causas da celulite

A sua origem radica nos excessos alimentares e na má eliminação intestinal e renal. Poderá ser também devida a distúrbio glandular da génese feminina (o que explicaria a menor incidência da enfermidade nos homens e a quase generalização nas jovens e nas mulheres).

Tratamento: o mesmo que se indica para a obesidade. No caso da celulite a actuação é mais lenta, pelo que se deve insistir durante mais tempo. São também benéficos os banhos de lama.

 

A ARGILA NA TERAPIA ESTÉTICA

Características da Pele

A pele saudável é lisa, fina, macia, com poros pouco visíveis, resistente às agressões exteriores (vento, frio e sol), sem borbulhas, impigens, pontos ou veios salientes ou detectáveis. Na verdade, esta pele ideal é muito rara, sendo mais vulgares as peles mistas, que apresentam zona central, testa, nariz e queixo gordurosos (brilhantes), mais espessas do que seria desejável, e alguns pontos negros. Em geral, as fontes e as faces costumam ter pele mais lisa, mais fina e mais macia, sem os inestéticos (e de aparência pouco higiénica) pontos negros.

Por vezes, as peles são demasiado plásticas, esticando depois da limpeza e formando pequenas rugas precoces no canto externo dos olhos.

Sejam normais ou mistas, as peles podem ser equilibradas por meios naturais, e depois conservadas, para manterem esse desejável equilíbrio.

Para conservar o aspecto limpo e aveludado

É necessário limpar e tonificar, mas sem excesso de cuidados, demasiado frequentes ou demasiado agressivos, para não destruir a película protectora da epiderme (o que a protege quando se encontra ao ar livre).

Deve restringir-se a limpeza da pele à aplicação e massagem cuidadosa com leite–de–amêndoa–rosado de preparação natural e momentânea: esmague amêndoas, depois de lhes ter retirado a pele e reduza-as a pó, com auxílio de um aparelho adequado (pode usar amêndoa já adquirida em pó); a uma colher de sopa de amêndoa em pó, junte uma colher de sopa de água de rosas, e bata até obter uma pasta espessa; dissolva em seguida em meia chávena de leite.

Depois de efectuar a limpeza da pele, convém lavá-la com água tépida. Por último, faz-se uma máscara de argila.

Acne e pontos negros.

O acne é uma das doenças da pele mais frequentes, devendo-se a sua origem a vários factores. Pode ser:

-    hereditário,

-    hormonal (com incidência na puberdade),

-    nervoso (motivado por choques afectivos ou emotivos),

-    digestivo (prisão de ventre e transtornos hepáticos),

-    infeccioso (associado a enquistamentos), etc..

No tratamento do acne, deverá haver uma higiene profunda, e também o cuidado de NÃO tocar nas borbulhas.

O acne parece melhorar com a exposição ao sol, porque as borbulhas secam, mas isto ocorre apenas ao nível superficial; em profundidade ocorre estímulo da secreção sebácea. Além disso, a pele torna-se mais espessa e os orifícios das glândulas ficam obstruídos, preparando-se para novas borbulhas.

Os pontos negros, ou cravos, são muito desagradáveis, mas não se devem espremer, nem directamente, nem com pressões “esterilizadas”, pois ao agir desta forma corre-se o risco de agredir a camada superficial da pele e chegar a infectá-la (mesmo com os dedos bem lavados ou com auxílio de algodão), abrindo a porta a toda a espécie de bactérias, que não tardarão a substituir o ponto negro por uma borbulha.

O tratamento é o mesmo que o anterior, devendo limpar-se a pele com leite de amêndoa e usar máscara de argila.

Se houver prisão de ventre terá esta que ser corrigida, pois não existirá pele saudável enquanto os intestinos não funcionarem bem.

Rugas

Com o passar dos anos, os “baixos relevos” vão sendo esculpidos e evidenciando-se sulcos no rosto. Trata-se do inevitável processo de envelhecimento, com atrofio da derme e desaparecimento parcial (ou total) das fibras colagénicas, gerando-se uma pele demasiado fina, muito seca, pouco elástica e muito mais frágil.

Para tratamento das rugas é benéfico o uso da seguinte máscara: num sumo de cenoura muito fresco, misturar argila verde em pó até obter uma pasta entre semi–fluída e semi–sólida, que se estende na cara. Deve conservar-se a máscara por ½ hora, na posição de deitado, em repouso.

Estética dos Seios

Demasiadamente pequenos – é possível desenvolver mais os seios, aplicando todos os dias compressas e massagens com uma infusão de folhas e flores de Salva (100 gramas para um litro de água, deixando em infusão duas horas e filtrando). Pode-se também massajar suavemente os seios, com sumo de lírio esmagado, aplicado directamente;

Demasiadamente grandes – é também possível reduzir esta hipertrofia, através dos seguintes passos:

-    seguir uma alimentação pobre em gorduras e tão natural quanto possível;

-    beber, ao levantar e deitar, uma infusão com 2 pitadas de pé–de–leão (alchemilla vulgaris, L);

-    aplicar nos seios, todas as noites, durante 3 semanas, compressas mornas com tecido de algodão mergulhado previamente numa infusão muito concentrada de pé–de–leão.

Descaídos – aplicação de cataplasmas de argila fria sobre os seios (3cm de espessura), durante meia hora, em local quente, evitando apanhar frio e abstendo-se das cataplasmas ao avizinhar-se bronquite, gripe ou simples constipação.

 

USO VETERINÁRIO E AGRÍCOLA

·   Veterinário

Os animais sentem muito bem a utilidade do contacto com a argila quando estão doentes ou feridos. Os que vivem em liberdade não hesitam em mergulhar na lama a parte atingida.

O gato ferido, ou portador de abcesso devido a golpes ou feridas, irá voluntariamente deitar-se num abrigo que se lhe prepare, de argila seca coberta com palha. Preferirá muitas vezes esta cama áspera a uma outra mais confortável.

Os animais de quinta, podem ser mergulhados num banho de lama, o qual se obterá enchendo uma cova com argila e água.

Vacas com febre aftosa foram curadas com aplicações de argila nas patas e pincelagens da boca.

Em muitas regiões, animais gravemente doentes são salvos ao serem cobertos com uma mistura de argila e vinagre. Também se obtêm bons resultados substituindo o vinagre por água salgada (ou directamente do mar ou adicionando-lhe sal marinho).

À água que se dá a beber aos animais pode vantajosamente adicionar-se argila na proporção de 4 colheres de sopa por litro de água, não fervida.

·   Agrícola

A argila pode substituir todos os produtos químicos empregues em emplastros, massas, mástiques, pulverizações, etc..

É o melhor penso para as feridas das árvores, em aplicações muito espessas, que se aguentam por si só se a massa de argila for demasiado compacta (menos fluida). Enquanto a argila se aguentar no local (na árvore) é inútil aplicar nova cataplasma.

Antes de uma transplantação, deve-se humedecer as raízes das plantas pequenas num banho de lama, e nas árvores, arbustos e plantas grossas pincelar as raízes. Para cada 5 litros de lama, pode-se juntar uma chávena de café da decocção de camomila (25gr de flores por litro de água), sem ultrapassar esta dose.

A adjunção de argila melhora uma terra ácida, a qual se reconhece pelo aparecimento de margaridas, musgos ou botões de ouro.

Acrescentada aos resíduos orgânicos, a argila pulverizada aumenta a produção de húmus e aumenta a quantidade de carbono retida no solo.

 

DIETA TERAPÊUTICA ALIMENTAR

A argila é uma terapia natural extraordinária, que permite curar inúmeras doenças, como tivemos oportunidade de referir. Mas a dieta alimentar é um aspecto a nunca descurar, e a experiência revela que a geoterapia combinada com a dietoterapia permite curas mais rápidas.

Não esqueçamos que a maioria dos males teve por berço a incorrecta alimentação.

Os alimentos mais perigosos:

-    Alimentos de origem animal são considerados perigosos – quem deseja viver com saúde só tem duas opções: ou os consome raramente, e mesmo assim em dose muito moderada, ou se abstém total e definitivamente do seu consumo (o que será ideal). No tratamento com argila deverá (obrigatoriamente) fazê-lo. Toda a gente sabe quais são estes terríveis inimigos, mas não será demais referi-los:

-    carnes de toda a espécie – porque todas – vermelhas e brancas, de gado ou de aves – contêm suficiente quantidade de princípios tóxicos susceptíveis de produzir ácido úrico;

-    sopas, molhos e caldos de carne – por conterem mais purinas do que a própria carne;

-    sucos, extractos de carnes, gelatinas e geleias animais – cujo valor nutritivo é ínfimo em comparação com as elevadas concentrações de purinas – agente formador do ácido úrico;

-    caça, fiambre e carnes fumadas – são muito perigosas, não apenas pela sua riqueza de nucleinas, como pela sua acção tóxica nos rins, cuja integridade deve ser respeitada;

-    vísceras – como fígado, rim, baço, miolos, etc., são os alimentos mais perigosos para os uricémicos, por aumentarem notavelmente a produção do ácido úrico;

-    peixe fresco – sob todas as formas, por ser grande produtor do ácido úrico e causador de infecções e intoxicações (pela forma lenta como aquele morre, na ansiedade de se manter com vida, desenvolve grande quantidade de poderosas toxinas), sendo o perigo tanto maior quanto mais remota tiver sido a pesca. Afirma-se ainda que o abuso deste alimento cadavérico favorece o aparecimento da lepra (e quem o diz é uma autoridade médica e simultaneamente Mestre da medicina natural: o Dr. Eduardo Alfonso – médico e cirurgião espanhol que abdicou da medicina artificiosa por reconhecer a supremacia da Medicina Natural);

-    peixe seco (como o bacalhau, arenque, e outros);

-    peixe em salmoura, em escabeche, em azeite e em conserva, etc. Todos produzem mais venenos do que os peixes frescos;

-    mariscos, moluscos e crustáceos: chocos, lulas, polvo, ostras, lagostas, santolas, caranguejos, camarões, etc., por serem acidificantes, indigestos e conterem purinas em quantidade suficiente para os considerar altamente tóxicos;

-    queijos muito azotados, fermentados e salgados;

-    banha, toucinho e enchidos; toda a qualidade de conservas de produtos animais.

Outros alimentos NÃO recomendados:

-    espargos e cogumelos – por serem acidificantes e muito azotados;

-    café – por conter um poderoso alcalóide – a cafeína – de acção nociva para os aparelhos digestivo e circulatório favorecedor da produção de ácido úrico;

-    chá – por conter teína, alcalóide de acção fisiológica semelhante à da cafeína – ambos tóxicos e prejudiciais para o coração, artérias, sistema nervoso e mecanismos de secreção interna (em especial as glândulas supra-renais). O chá preto apresenta todos estes inconvenientes e ainda uma boa dose do muito tóxico ácido oxálico;

-    cacau e chocolate – por conterem teobrominas (purinas produtoras de ácido úrico) e também ácido oxálico;

-    açúcar branco vulgar – por ser um corpo químico antifisiológico e irritante, sendo tanto pior quanto mais refinado;

-    açucarados em geral (pastelaria, etc.) – pelos mesmos motivos;

-    especiarias – embora não favoreçam a formação de ácido úrico são substâncias prejudiciais para os rins, pela sua acção irritante, e por isso de uso inconveniente. A pior de todas é a pimenta: poderoso irritante venoso e agente de destaque na formação de varizes e hemorróidas;

-    frituras em geral – pelo facto da manteiga, do azeite, do óleo de amendoim e de todos os outros óleos, vegetais ou não, se decomporem quando muito aquecidos a temperatura elevada (quando fazem fumo), e se converterem, depois de arrefecidos, na substância venenosa denominada acroleína. Por outro lado, a fritura descaracteriza as propriedades alimentares dos alimentos e envolve as substâncias nutritivas em finas películas de gordura que as torna indigestas e péssimas para a integridade fisiológica dos intestinos;

-    batatas fritas frias ou aquecidas – por se tornarem excelente meio de cultura para os estafilococos áureos, que no espaço de 24 horas se multiplicam mil vezes, podendo provocar infecções graves e intoxicação alimentar. Há que ter sempre o cuidado de não comer batatas fritas frias ou reaquecidas;

-    uso diário dos fritos, ou frituras onde o alimento a fritar não está completamente mergulhado na gordura – será ainda mais grave, porque a colesterina contida nas gorduras animais e vegetais absorve oxigénio ao frigir-se, convertendo-se em oxicolesterol, e, esta substância, composta de oxigénio e gordura (ou gordura impregnada de oxigénio), é de tal modo irritante que produz tumores em orelhas de coelhos, apenas por simples pincelagem. O que é então de esperar que faça nas delicadas mucosas do aparelho digestivo?, em especial, do estômago e duodeno?. Por este motivo, é sabido que o uso diário de fritos, quer seja na forma de omeletas, de ovos, de pastéis, de croquetes, de tortas, ou de batatas fritas, constitui uma das causas directas das gastrites, das úlceras, e, posteriormente, do próprio cancro do estômago;

-    o vinagre – por ser produto de dupla fermentação, que diminui a alcalinidade orgânica e prejudica a digestão, ao impedir a actuação da saliva nos alimentos ingeridos. Segundo alguns autores, é tão perigoso o de vinho como o de cidra, chegando a afirmar a maior perigosidade do segundo, por ser causa frequente de parasitas que podem viver nos intestinos, como a ténia. Por nossa informação, os casos de “ténia” de que tivemos conhecimento ocorreram em pessoas que desconheciam a existência do vinagre de cidra, e, consequentemente, não o poderiam ter utilizado! O mais grave será certamente o vinagre artificial e químico, que a indústria produz e que em Portugal foi utilizado durante muitos anos, fabricado com soluções alcoólicas de qualidade inferior ao vinho e ao próprio álcool etílico, com pós químicos. Este é o mais prejudicial e produtor absoluto de dispepsias e acidez gástricas, por irritação das mucosas. O vinagre, de uma maneira geral, é factor suspeito do empobrecimento dos glóbulos vermelhos do sangue e de contribuir para a anemia. Muitas mulheres adoeceram e algumas até se tornaram tuberculosas, por quererem emagrecer ou adquirir cor pálida (de mulher fatal – moda estúpida de há algumas décadas), tomando este tóxico em jejum. Por todas as razões expostas, este verdadeiro veneno deve ser evitado, elegendo-se para sua substituição o limão – que só apresenta vantagens: é um excelente remédio vitamínico, destrói o ácido úrico, é anti–microbiano, é mais saboroso, etc.. No entanto, estudos mais recentes acerca do vinagre de cidra (vinagre de maçã), têm levado pesquisadores sérios a conclusões diferentes e favoráveis para o uso deste produto;

-    azeite com mais de 0,5º de acidez – por ser acidificante;

-    margarinas – por não conterem vitaminas assimiláveis (tudo nelas é artificial, começando pelo sabor, e tanto piores quanto mais querem parecer “naturais”);

-    toda a qualidade de conservas de produtos vegetais – porque a maioria deles perde propriedades alimentares algumas horas depois de ter sido colhidos;

-    escabeches de qualquer natureza.

Principais Alimentos Recomendados:

-    Fruta – em lugar de destaque temos a fruta - rica em vitaminas, sais minerais e enzimas –, que apresenta simultaneamente características de alto valor nutritivo, energético, e acções antitóxica e depurativa. Não é possível viver com saúde, e nem sequer manter a vida, onde não existam elementos vitamínicos e salinos, porquanto estes são factores predominantes na conservação e manutenção daquela. A fruta é uma verdadeira dádiva da natureza, por conter abundância destes preciosos elementos, os quais nos reforçam as defesas naturais, renovam os tecidos e reconstituem os elementos anatómicos, ao mesmo tempo que desintoxicam e fortalecem. Elas possuem acção laxativa, devido às substâncias açucaradas, lípidas, celulose e vitaminas; auxiliam a eliminação do ácido úrico em excesso; são “medicamento” para os reumáticos, gotosos e artríticos em geral. A fruta deve ocupar lugar predominante na alimentado humana e na coadjuvância a todas as terapias; deve-se considerá-la remédio natural de primeiro plano para todas as enfermidades;

-    Vegetais crus – alimentos também de eleição (num nível inferior à fruta – principal alimento biológico do homem) são também os vegetais crus, cujo uso diário é absolutamente imprescindível numa alimentação racional. A sua riqueza em vitaminas, sais minerais, celulose e clorofila, torna-os indispensáveis para podermos conservar o organismo com vitalidade e robustez. Como a síntese biológica das vitaminas se efectua unicamente nas plantas, seria absurdo procurar estes elementos fora do reino vegetal. À medida que mais se vai sabendo acerca das virtudes da natureza (sem intervenção ou manipulação destrutiva do homem), melhor se compreende porque motivo o homem actual vive escassos 70 anos, em vez dos 150 que, no mínimo, a natureza lhe reservou: os  vegetais retardam a velhice; os produtos animais aceleram-na! Quem se alimenta de saladas conserva a jovialidade, a boa disposição e a saúde até muito tarde. Seria tarefa enfadonha citar os cerca de 20.000 vegetais considerados comestíveis, mas, para os mais distraídos, convém referir alguns: cenoura, alface, chicória, escarola, beldroega, agrião, espinafre, aipo, couves em geral (incluindo repolhos, couves–flor e brócolos), abóbora, alcachofra, tomate, pepino, nabo, beterraba, cebola, alho, rabanete, rábano, fava, ervilha, etc., etc.;

Alimentos de origem animal permitidos:

Lacticínios:

-    leite completo, fresco e puro (sempre de animais sãos e de preferência não tratados com medicamentos sintéticos). Convém tomá-lo cru, por se digerir melhor e conservar todas as suas propriedades. É útil aos reumáticos, e menos aconselhado aos doentes hepáticos e presos de ventre;

-    leite coalhado naturalmente – constitui também um riquíssimo elemento nutritivo e medicinal, com alto valor terapêutico e profiláctico, devido aos bacilos acidófilos, diminuidores da putrefacção e normalizadores da flora intestinal, com acção fermentativa e estimulante da função excretória. É o caso do iogurte, mas sempre em estado natural (podendo ser adoçado com um pouco de mel);

-    leite azedo – preparado com fermento “búlgaro", por se revestir de notável acção desinfectante nas intoxicações intestinais, destruindo os micróbios da putrefacção. É muito recomendável aos artríticos;

-    manteiga – é a única gordura alimentar rica em vitaminas lipo–solúveis A e D, pelo que se o seu uso diário, moderado!, é muito útil, particularmente aos idosos. Não deve consumir-se mais de 40 a 50 gr por dia e de preferência fresca, crua e sem sal (já há em toda a parte manteiga sem sal). Não a consumir frita nem cozida. Não é recomendável aos doentes do fígado;

-    nata – por ser um alimento neutro. É recomendada quando está muito fresca e em substituição da manteiga, desde que se prefira. Não deve consumir-se em simultâneo (ou uma ou outra);

-    queijos – com muita moderação, todos podem ser permitidos menos os salgados, curados e muito azotados. Porém, convém dar preferência aos frescos, não fermentados, aos queijos brancos de nata, aos frescos sem sal e ao requeijão de preparação caseira;

-    soro de leite – é benéfico pela sua acção laxativa, mineralizante e diurética. Convém esclarecer que a utilização de lácteos deve ser suspensa durante o tratamento com argila em uso interno. Pode utilizar-se no período de repouso (os dias em que não se faz uso da argila internamente), e durante os longos períodos em que não se segue este tratamento.

-    Ovos. Constituem um alimento completo, por conterem todos os elementos necessários à nutrição, exceptuando os hidratos de carbono. A gema crua é o elemento formador de tecidos novos e reparador dos velhos gastos. Um ovo fornece aproximadamente 77 K. calorias e contém 6,1gr de proteínas, 0,3gr de glúcidos, 595gr de lípidos, vitaminas D, E, K, BI, B2, B6, B12, PP, ácido pantoténico, ácido fólico, biotina e muitos sais minerais. São raras as pessoas que suportam mal os ovos, mas os artríticos só devem tomá-los frescos e com muita moderação, por conterem albumina e colesterina, geralmente mal assimilados por estes doentes. Não deve consumir-se mais de um ovo por dia nem mais de três por semana, e desde que não haja contra-indicação, como acontece nos casos de albuminúria. Nos casos em que se utilize só a gema, pode juntar-se duas, desde que não haja distúrbio da vesícula biliar. Para se saber se os ovos são frescos, basta colocá-los num recipiente fundo contendo uma solução de sal de cozinha na proporção de 10 para 100 de água: se o ovo é fresco, vai ao fundo; se é antigo ou choco, flutuará. Quanto menos mergulha, menos fresco é. As qualidades de um ovo dependem especialmente do seu estado de frescura, sanidade e higiene. O ovo deve estar limpo e ser de postura recente. Noutras condições poderá ser prejudicial. O artrítico não deverá consumir a albumina crua do ovo (a parte branca), por lhe ser prejudicial. Convém empregar o meio termo, ou seja, nem crua nem muito cozida. No entanto, é preferível mais cozida do que o vulgar ovo quente. As melhores formas de tomar ovos: mal cozidos, escalfados, mal mexidos e em mistura.

-    Mel: é um alimento natural rico em fósforo. Por conter glicose, levulose e sacarose (três açucares assimiláveis pelo nosso organismo), considera-se um excelente hidrocarbonado, eupéptico e óptimo alimento energético, pois a glicose que contém é fonte de energia de imediata assimilação e fixa-se rapidamente nos músculos; a levulose constitui reservas glicogenadas que asseguram a continuidade dessa produção de energia. Este poderoso hidrocarbonado – quando puro mel de abelhas e isento de matérias estranhas de qualquer natureza –, substitui com grande vantagem o açúcar vulgar, que é um alimento antifisiológico e malfazente. 100grs de mel puro fornecem 410 K calorias utilizáveis. Isto é: um terço mais do que as produzidas pela carne, e cerca de quatro vezes mais do que as do leite. Este alimento tão saboroso, proveniente do néctar das flores, que contém grande número de sais minerais e enzimas (substâncias que ajudam as transformações alimentares), contém também ferro e ácido fórmico suficientes para o considerar tónico nos casos de enfraquecimento fisiológico. Contudo, é conveniente não abusar deste alimento, por ser muito concentrado e um tanto laxativo, devido à diástase–invertina (que faz parte da sua composição). Como é muito pobre em sais de cálcio, é recomendável aos artríticos. É medicamento das afecções das vias respiratórias, por determinar uma diminuição da congestão das membranas e mucosas doentes. Diluído em água quente, é útil em gargarejos para combater as infecções da garganta; bebido, provoca a transpiração e aumenta a diurese. Não fatiga os rins (como o fazem todos os medicamentos artificias que combatem infecções) e, em vez disso, favorece-lhes as funções.

 

Concluindo:

Voltando ao objectivo principal deste artigo, a argila é efectivamente reguladora energética, ou seja: tem acção ionizante e anti-ionizante, conforme a natureza da energia individual a colocar em equilíbrio.