... E o Mundo Acabou!

11 de agosto de 1999.

Havia sido previsto há muito tempo. Muita gente não acreditava. O que ninguém sabia era como seria o fim. O mais fácil de pensar é que haveria uma catástrofe, um meteoro, uma onda gigante que inundaria as terras secas do nosso planeta, matando-nos a todos. Spielberg era um instrumento do profeta Nostradamus, e estava aí para nos dá uma colherzinha de chá.

Mas não foi assim: o mundo acabou como ninguém nunca havia de imaginar. Ninguém viu nem se deu conta da passagem. Mas como poderia ser diferente? Como nós, simples mortais, poderíamos achar que sabíamos alguma coisa sobre assunto tão importante? Por que esse momento tão singular seria como um filme de ficção? Quem somos nós para saber sobre o fim de Tudo?

Não. Nossa atual estágio de desenvolvimento e também nossa linguagem não seriam suficientes para presumir esse Fim, ou o que se seguiria àquele 11 de agosto do ano de 1999 da era cristã. Acontecimentos, fenômenos dessa magnitude, por mais que nos esforcemos, nunca conseguiremos descrever, definir, nem mesmo imaginar.

No entanto, ocorreu. O mundo acabou. Saímos daquela vida de simples humanos num planetazinho insignificante do universo. Enfim, entramos em um plano superior.

Aqui encontramos o Céu. Um Céu onde o Deus "humano" (aquele com atributos, preferências, virtudes e defeitos dos humanos) não existe; onde não há anjos alados vagando prá lá e prá cá, nem imensos salões com piso e teto feitos de nuvens brancas. Somente uma sensação – moderada - de bem estar, prazer e felicidade, inexplicáveis pela razão, é claro. Um não se importar com as pequenas coisas, quando tudo parece ser "pequenas coisas".

Também aqui está o Inferno. O diabo "animal", também não está presente. Não há fogo, nem tridentes, mas uma angústia permanente, sem trégua, onde tudo incomoda, tudo é tristeza e dissabor. Um certo lado ruim das coisas fazendo questão de aparecer.

A Ciência não se extingüiu. Nem tampouco extingüiu-se a Religião, as crenças, pois, em não sendo excludentes, elas agora se completam.

Entramos na Eternidade, onde os que morreram serão revividos nas suas obras, nas suas memórias, nos rastros que deixaram. Explicado, então, o problema de onde acomodar todas que já nasceram, cresceram e morreram desde os primórdios da vida na Terra.

Mesmo assim, outros fins de mundo ainda poderão vir. Para fazer-nos refletir e pensar. No Depois é assim mesmo. Diferente de qualquer coisa que se possa imaginar.

Enfim, um fim de mundo bom e ruim, para os que assim o merecem.


Ricardo Medeiros

ricardomlima@uol.com.br

HOME | LINKS | FRAGMENTOS | PENSADORES | TRABALHOS