Estrutura e função do receptor beta adrenérgico

Home Acima Cardiologia Conteúdo Ranking

Receptor beta
Acima Desnervação Cardíaca Dessensibilização Receptor beta Implicações Pesquisas

 

 

Estrutura, Função e Disfunção Beta-adrenérgica

 

O sinal intracelular produzido pela ocupação dos receptores beta adrenérgicos, na superfície celular, é regulado pelas proteínas G (independentes de nucleotídeos da guanina).

 

Em todas as células-alvo do sistema adrenérgico, o complexo receptor consta de 3 elementos básicos:

(1) o receptor de superfície

(2) a adenil-ciclase

(3) a proteína G

 

1. Unidade receptora

Pelo menos sete receptores estrategicamente posicionados sobre a superfície da membrana celular foram identificados como fazendo parte do complexo da adenil-ciclase. 

 

Na insuficiência cardíaca, a diminuição no número de receptores beta-1 decorre tanto por internalização do receptor (condições agudas) quanto por excessiva fosforilação do mesmo por mecanismo dependente do AMPc (adaptação crônica).

 

 

 

2. Unidade catalítica

O efetor do complexo é a própria enzima adenil-ciclase, capaz de converter o ATP em AMPc; essa substância, como já descrito, tem a capacidade de ativar proteíno-quinases e, assim, fosforilar estruturas-alvo dentro da célula, tais como aquelas que regulam os fluxos de cálcio e sua ligação a receptores intracelulares.

O resultado disso se expressa numa alteração nas características elétricas e mecânicas do coração, particularmente melhorando o inotropismo e o lusitropismo.

 

 

 

3. Proteínas G

As proteínas G (GMP-dependentes) são substâncias que realizam o acoplamento dos receptores de superfície à adenil-ciclase, podendo exercer atividade estimulando (Gs) ou inibitória (Gi) sobre a unidade catalítica (adenil-ciclase).

 

 

A interação da proteína Gs cardíaca com o receptor beta-1 ocupado por catecolamina, com GTP e com cátions ativa a adenil-ciclase, elevando o teor de AMPc, o que deflagra uma cascata de eventos intracelulares que melhoram a contratilidade e o lusitropismo. 

 

O coração sob descarga simpática passa então a funcionar em elevada freqüência de bombeamento, enchendo mais facilmente na diástole (por melhoria do lusitropismo) e ejetando mais sangue na sístole (pela melhoria do inotropismo).

 

Na insuficiência cardíaca, a proporção entre Gs/Gi está reduzida o suficiente para causar desacoplamento do receptor de superfície em relação à adenil-ciclase, de modo que a catecolamina liga-se ao seu receptor mas isso não resulta em aumento no teor intracelular de AMPc.

 

Um achado curioso existe na doença de Chagas: a densidade de receptores beta-adrenérgicos está aumentada, mas a adenil-ciclase está hipofuncionante, o que revela grave desacoplamento do receptor.

 

No coração sadio, há poucos (ou mesmo nenhum) receptor beta-1 de reserva: existe exatamente a quantidade necessária para gerar o efeito máximo, de modo que uma redução em seu número resulta invariavelmente em hipossensibilidade cardíaca às catecolaminas.

 

Embora a população de receptores beta-2 não esteja reduzida, estes receptores também podem exibir desacoplamento como os beta-1 em pacientes com insuficiência cardíaca.

Estas alterações nos receptores ocorrem exclusivamente no coração, embora os efeitos da descarga simpática ocorram em todo o organismo.

 

No coração insuficiente, pode se observar uma distribuição anárquica das terminações nervosas residuais, com perda do sincronismo mecânico entre fibras miocárdicas inervadas e as desnervadas; esse fenômeno é conhecido como microassincronismo de contração, o qual se expressa hemodinamicamente como perda de sinergismo de contração.

 

 

 

 

Regulação do Tônus Simpático no Sistema Nervoso Central

 

Sabe-se que uma diminuição no débito cardíaco gera instabilidade hemodinâmica capaz de ativar os baroceptores cardiopulmonares e aórtico-carotídeos, a qual resulta em inibição do parassimpático e ativação do simpático. 

 

A integração das informações aferentes que geram o aumento do tônus simpático ocorre em centros integradores em nível do SNC, de modo que o simpático é frenado por estímulos que refletem a pressão sangüínea ao nível da Aorta e das artérias carótidas.

 

Pressão sangüínea elevada distende as paredes dessas artérias, e esse aumento na pressão e no raio (portanto, na tensão de parede arterial, ou simplesmente, da tensão arterial) distende os baroceptores, aumentando sua freqüência de disparos, o que inibe o simpático. 

 

Por outro lado, hipotensão arterial resulta em descarga simpática. Os centros integrados simpáticos, no interior do sistema nervoso central, funcionam tendo serotonina como neurotransmissor, a qual exerce efeitos que deprimem o parassimpático e estimulam o simpático.

 

Digital reduz o nível de serotonina, de modo que o tratamento padrão da ICC, que inclui a digoxina, associa-se à tendência à diminuição no tônus simpático. Por outro lado, o tônus vagal está diminuído na ICC, e tudo isso se deve, provavelmente, ao desacoplamento do receptor muscarínico.

 

                               

Copyright © 2001 Fisiopatologia Aplicada
1