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Leitores Lisboa

Caros Colegas Leitores:

Ao longo da discussão do ante-projecto do ECDU mostrou-se até agora:
- repúdio preliminar pelos sindicatos e pelos docentes nos não-doutorados;
- severas críticas do lado dos doutorados.
Repudia-se nomeadamente o primeiro objectivo do ante-projecto que é o de poupar dinheiro. Também a categoria dos leitores não escapa desta lógica. Pelas tabelas actuais, a grande maioria de nós perderá cerca de um terço do ordenado. No que diz respeito à carreira, ao contrário do resto do pessoal docente, não haverá grandes alterações, uma vez que não tem existido nem carreira de leitor nem estabilidade de emprego.
A análise dos colegas de Lisboa (documento em anexo) mostra claramente que, ao contrário daquilo que o ECDU (tanto o actual como o ante-projecto) presume, ser Leitor, na realidade, não é um estado transitório mas uma profissão. Quero anotar que o País apenas tem ganhado com isso em termos da qualidade do ensino das línguas na Universidade e, em consequência, também na Escolas Secundária.

Defendendo os nossos interesses estamos a defender também o interesse da comunidade, e podemos contar à partida com o apoio total de toda a comunidade universitária. Ninguém iria advogar que os leitores deveriam ganhar menos, e ninguém poderá seriamente apoiar que a precariedade de emprego, em vez de incentivos positivos, estimulasse o rendimento do trabalho e a iniciativa.

Considero, por isso, que neste momento em que (quase) toda a comunidade – incluindo os estudantes que sofrerão amargamente as consequências dum ECDU péssimo! – está atingida de forma mais ou menos dramática pelas intenções do Governo, deveríamos ter em atenção que as nossas pretensões não tenham a aparência de uma luta a parte e que possam ser assinadas por todos os colegas, nomeadamente pelos não-doutorados.

Estou a estranhar, por isso, que os leitores de Lisboa, depois duma análise da situação acertada, chegaram a propostas que nunca me teriam passadas pela cabeça. Eu pretendo:
1. não perder em termos salariais,
2. ter a segurança de emprego como em qualquer outra profissão (o ante-projecto até "se esquece" do direito à aposentação dos leitores!),
3. que sejam criados incentivos para melhor empenho na profissão (portanto, uma carreira – mas não passando necessariamente pelo doutoramento!).

De longe o mais importante é o número 1.  Temos todos os argumentos ao nosso favor.  Que sejamos bem claros:  Não aceitaremos qualquer corte salarial! E, para mostrar que estamos falar sério, deveríamos, já agora, pensar em formas de luta.

Os primeiros que falaram publicamente em formas de luta concretas foram os assistentes da Faculdade de Direito de Coimbra. Adoptaram a greve de zelo, recusando-se de trabalhar mais do que a horas previstas pela lei, e ameaçam com uma greve às vigilâncias (a adopção desta medida depende ainda da posição dos órgãos da Faculdade). Na FDUC não será possível terminar as provas até Agosto e concluir o ano lectivo.  E todos os estudantes com que falei – eu dou aulas na FDUC – consideram essa luta justa.

Nas nossas Faculdades de Letras as condições são diferentes e possíveis formas de luta devem ser adaptadas às condições de cada uma. Para já, não vejo razão para os leitores se distinguirem das pretensões dos não-doutorados. A posição geral é e deve ser: Rejeição total do ante-projecto do ECDU! Não vale a pena perdermo-nos em "correcções" particulares do texto ou fazermos as contas como cada um se pode "safar" individualmente. Temos que nos concentrar na questão: o que devemos fazer para que este texto desastroso morra?

Não quero pôr em dúvida a justeza das propostas dos leitores de Lisboa. Mas peço que considerem: serão propostas que toda a comunidade universitária possa entender e subscrever? Não será que resultaram apenas duma constelação específica da FLUL, constelação essa que não diz respeito ao resto das universidades, onde somos, na grande maioria, estrangeiros radicados em Portugal?

O que os leitores pretendem afinal?
Na situação crucial do momento, considero que devemos procurar consensos mínimos que reúnem um apoio máximo. Se em Lisboa haja algum leitor que sonha em vir a ser um dia professor catedrático, desejo-o bom êxito e até talvez me vou orgulhar um dia que fulano tal também tinha sido leitor. Mas não são as minhas prioridades pavimentar para ele uma via rápida. Desculpem, queridos colegas de Lisboa: pretendo apenas pão bom, não me preocupem demasiadamente as aspirações, justas ou não, dos que querem o bolo fino.

Bernd Speidel, leitor de alemão, FLUC (Coimbra)

(Carta enviada aos leitores no dia 16 de Maio)

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