Punções

Punções

 

Entende-se por punção a técnica operatória que consiste praticar pequena abertura através da pele ou mucosas com o intuito de colher ou introduzir substâncias ou materiais em estrutura, regiões ou cavidades.

As punções classificam-se quanto ao plano em que são empregadas, sendo superficiais quando feitas até o plano muscular e profundas quando feitas à partir dos músculos. Classificam-se também quanto à finalidade, que pode ser: diagnóstica [(quando objetiva colheita de material para exames laboratoriais; ex: punção-biópsia (colheita de material para exame anátomo-patológico)]; coletora (colher sangue de veia periférica) e terapêutica [(visa curar, seja na introdução de medicamentos por via endovenosa , seja na retirada de líquido de alguma cavidade(punção terapêutica evacuadora )].O 3º aspecto de classificação é o local, que pode ser uma estrutura, cavidade ou região.

Por último destaca-se a classificação quanto à complexidade, que pode ser: isolada(introdução ou colheita de substância); com biópsia (colher material para exame anátomo-patológico); com sondagem (uso de catéter plástico por dentro ou por fora da agulha); com drenagem (serve como via de escoamento para líquidos retidos).

Para a realização das punções utiliza-se como material as agulhas, que são em geral metálicas, com comprimento e diâmetros variáveis. Acoplado às agulhas podem existir acessórios, como obturadores internos (mandril) e sobretudo. O mandril evita o entupimento da agulha e ajuda na divulsão dos tecidos.

 

**Tipos principais de punções

 

A punção venosa pode ser classificada em: superficial e profunda. Na superficial são usadas veias da cabeça e membros (sendo os superiores mais usados que os inferiores por correrem menor risco de trombose). A punção venosa superficial, é utilizada durante períodos longos ou curtos, introdução de medicamentos de urgência e introdução de soluções não irritantes. No adulto a agulha deve ser introduzida formando um ângulo de 20° a 30° com a pele. Em crianças a agulha usada é a "butterfly" (desprovido de seringas) e usa-se mais frequentemente veias da cabeça pela facilidade de visualização e fixação da agulha. Pode-se usar também a agulha como guia para introdução de tubo plástico na veia. Quando este tubo é longo, é chamado "intracath". Este é um sistema composto de agulha, tubo interno, mandril para o tubo, estojo para imobilizar a agulha e embalagem plástica para evitar contaminação.

A punção venosa profunda é indicada para medir pressão venosa central (P.V.C), terapêutica parenteral prolongada, colheitas sucessivas de sangue, introdução de substâncias irritantes ou concentradas e ausência de veia periférica. As veias mais usadas são as inominadas direita e esquerda, a jugular interna e a subclávia. Através da punção supra-clavicular pode-se atingir as quatro veias acima citadas. Na punção infra-clavicular, atinge-se mais frequentemente a subclávia. Nesta punção, o bisel da agulha deve estar voltado para a posição caudal do paciente, e este deve estar em posição de Trendelenburg . Por exigir mais técnica e habilidade as punções venosas profundas, apresentam complicações como: hemotórax, pneumotórax, hidrotórax, hidromediastino, mediastinite, embolia gasosa, embolia por catéter, trombofeblite e fístula artério-venosa. As contra-indicações são: dispnéia intensa, aplicação em crianças, doença pulmonar obstrutiva, deformidade congênita, deformidade por cirurgia de tórax e distúrbios de coagulação.

A técnica para punção arterial é semelhante à usada na punção venosa. O destaque fica por conta do cuidado que se deve tomar com a introdução do catéter. Ele deve ser continuamente lavado com soro heparinizado.

A punção abdominal deve ser feita abaixo da cicatriz umbilical ou lateral ao reto abdominal. Para drenagem de líquido ascítico, usa-se trocarte.

Existem 2 tipos de punção raquidiana; punção epidural (p/ introdução de anestésicos), feita através de duas técnicas: técnica da gota e da perda de resitência. O segundo tipo é a punção subaracnóidea (usada p/ medir pressão líquorica, anestesia, e diagnóstico). Para esta punção são usadas 2 vias: lombossacral e subocciptal.

A punção pericárdica é indicada p/: diagnóstico de derrame, realização de pneumopericárdio e descompressão de derrame com tamponamento. A agulha deve ser introduzida ao lado do processo xifóide formando 45° com a pele e apontar p/ o ombro direito. Pode-se acoplar a agulha a um eletrocardiógrafo, o que demonstrará supra-desnível do segmento ST, se a agulha atingir o miocárdio.

A punção biópsia-hepática é feito com agulha de Vim-Silverman. A agulha com mandril deverá ser introduzida entre a linha axilar anterior e média, no oitavo ou nono espaço intercostal.

A punção biópsia-pleural, é feita com agulha de Cope, sendo introduzida na linha axilar média, no quinto ou sexto espaço intercostal. Uma cavidade da agulha, servirá como guilhotina para a pleura no momento em que a agulha é tracionada para trás.

 

Bibliografia:

MAGALHÃES, hélio pereira. Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental. 3ª ed. SP: Sarvier, 1989.

 

 

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