G.E.R.A. Brasil: Grupo de Estudo em Reprodução Animal do Brasil

Fisiologia do Parto
Simone Cristina Méo e Walt Yamazaki

mestrandos em Medicina Veterinária, Área de Concentração: Reprodução Animal

Departamento de Reprodução Animal - FCAVJ - UNESP


1. INTRODUÇÃO

O parto é o processo fisiológico pelo qual o útero gestante libera o feto e seus anexos do organismo materno. Ocorre no momento do desenvolvimento em que o feto já é capaz de viver fora do ambiente uterino e quando a gestação por tempo maior poderia trazer riscos à saúde fetal e materna. O parto resulta da interação de fatores maternos e fetais.

Durante a gestação, o útero aumenta de tamanho, distende-se devido à presença do feto em crescimento, mantém-se quiescente e com a cérvix fortemente contraída, isso se dá sob ação da progesterona. Entre as espécies de animais domésticos, há diferenças quanto à origem da progesterona responsável pela manutenção da gestação. Em éguas, primatas e ovelhas, a principal fonte de progesterona é a placenta, enquanto que em vacas, cabras, porcas, gatas e cadelas, é o corpo lúteo. Tais diferenças são importantes na compreensão do mecanismo de desencadeamento do parto.

Para a ocorrência do parto, é essencial o desenvolvimento de contrações rítmicas, sustentáveis e coordenadas da musculatura uterina e dilatação da cérvix, a fim de que o feto seja liberado.


2. SINTOMAS DA PROXIMIDADE DO PARTO

A maioria dos sintomas da proximidade do parto relaciona-se às modificações nos ligamentos pélvicos, aumento e edema da vulva e atividade mamária.

Um aumento óbvio da glândula mamária ocorre em todas as espécies domésticas, as tetas apresentam-se inflamadas e pode ocorrer a saída de secreções pelos orifícios. Na égua, 6 a 48 horas antes do parto, o colostro extravasa e forma uma gota de material seroso (cerume) em cada orifício das tetas. Após 12 a 24 horas, o cerume pode ser substituído por gotas ou fluidos de leite. Observa-se, também, na égua, sudorese intensa na região das axilas e flancos.

A construção de ninhos é uma característica de parto iminente nas espécies multíparas, como a porca e a cadela.

Bovinos e ovinos em regime de pastagem, afastam-se do rebanho e procuram o isolamento logo antes do início do parto.

Há diminuição da temperatura corpórea, devido ao declínio na progesterona que é termogênica. Por outro lado, em porcas, há aumento da temperatura.

Na égua, por influência da relaxina, observa-se amolecimento da musculatura na linha média a partir do alto da garupa até a comissura ventral da vulva e, na vaca, relaxamento dos músculos e ligamentos posteriores do quadril e da base da cauda.


3. ESTÁGIOS DO TRABALHO DE PARTO

O trabalho de parto é dividido em três estágios:

3.1. Estágio I: apresentação do feto na abertura interna da cérvix.

Este estágio é constituído pelo posicionamento do feto e dilatação da cérvix e ocorre devido ao aumento da atividade do miométrio causado pela liberação de PGF2a, queda na progesterona e aumento nas concentrações de estrógeno.

Nesse estágio, na égua e na cadela, há rotação do feto que passa da posição dorso-pubiana ou dorso-lateral para a posição dorso-sacra. Em ovinos e bovinos, o feto já está em posição e a rotação não é necessária.

Esse estágio é mais longo em primíparas em relação a pluríparas.

Os sintomas mais freqüentes são de intranqüilidade, anorexia, elevação do ritmo respiratório e pulso maternos, modificação na posição e postura do feto.

A duração média do estágio I do trabalho de parto é de 1 a 4 horas em égua, 2 a 6 h em vaca, búfala e ovelha, 2 a 12 h na porca e 6 a 12 h na cadela.

3.1.1. Estática Fetal

O conhecimento da estática fetal é essencial para descrever com acurácia o modo de entrada do feto no canal do parto.

- Apresentação: relação entre o eixo espinhal da mãe e do feto: longitudinal ou transversal; porção do feto que está entrando no canal do parto: anterior ou posterior (longitudinal) e dorsal ou ventral (transversal).

- Posição: relação do dorso (longitudinal) ou cabeça (transversal) do feto aos quadrantes da pelve materna: sacro, íleo direito ou esquerdo e púbis.

- Postura: relação das extremidades (cabeça, pescoço e membros) ao corpo do feto: estendida ou fletida, retida entre, no lado esquerdo ou direito ou embaixo.

Em uníparas, a apresentação normal é longitudinal anterior, posição dorso-sacral e postura com membros estendidos e cabeça sobre os ossos do metacarpo. O parto, também, pode ocorrer na apresentação posterior. Por outro lado, em multíparas, tanto a apresentação anterior quanto posterior é considerada eutócica.

3.2. Estágio II: expulsão fetal.

Após a passagem do feto pela cérvix, a liberação do feto depende das contrações do miométrio estimuladas pela oxitocina e da pressão abdominal, ajudada pelo fechamento da epiglote e contração dos músculos abdominais maternos. O aumento das contrações abdominais é estimulado pela passagem da cabeça, ombros e pelve do feto pela pelve materna (Reflexo de Ferguson). Nesse estágio, há altas concentrações plasmáticas de oxitocina. As fêmeas adotam decúbito lateral e membros estendidos.

Sintomas: rompimento do alantocórion com saída de fluido pela vulva, aparecimento do âmnio na vulva e rompimento do âmnio, culmina com expulsão do feto.

Duração: égua - 0,2 a 0,5 h; vaca - 0,5 a 1 h; ovelha - 0,5 a 2 h e porca - 2,5 a 3 h.

3.3. Estágio III: expulsão das membranas fetais.

Em fêmeas multíparas, os estágios II e III se confundem. Os pulsos de PGF2a no pós-parto são importantes para a expulsão das membranas placentárias e redução do tamanho do útero mediante contração do miométrio. As contrações uterinas reduzem a quantidade de sangue circulante no endométrio, favorecendo a dilatação e relaxamento das criptas maternas e determinando, assim, a separação das placentas. A lactação favorece a liberação de oxitocina e esta pode atuar no útero promovendo aumento da contratilidade e maior rapidez na expulsão da placenta.

Duração: égua - 1 h; vaca - 6 a 12 h; ovelha - 0,5 a 8 h e porca - 1 a 4 h.


4. INÍCIO DO PARTO

Para o nascimento, é necessário que o miométrio uterino em quiescência durante a gestação, converta-se em órgão ativamente contrátil. O parto é iniciado pelo feto e completado pela interação de fatores endócrinos, neurais e mecânicos.

4.1. Mecânica do Parto

O sucesso do parto depende da habilidade de contração do útero e capacidade de dilatação suficiente da cérvix.

O miométrio, porção muscular externa do útero, é composto por células musculares dispostas em duas camadas: a externa de fibras longitudinais e a interna com disposição circular das fibras. As células musculares são compostas de actina e miosina. A atividade do miométrio está sob a influência da progesterona que assegura ambiente propício para o feto em desenvolvimento. Durante a gestação, há contrações de baixa amplitude e freqüência que no trabalho de parto adquirem formas expulsivas. A contração do miométrio se deve aos filamentos de actina e miosina e é dependente de ATP, cálcio e magnésio.

A cérvix é composta de músculo liso, colágeno (matriz de glicosaminoglicanas como sulfato dermatan, sulfato de heparina e ácido hialurônico) e elastina, além de apresentar fibroblastos. A cérvix durante a gestação, retém o concepto em crescimento dentro do útero e é mais firme e rígida que a parede uterina devido ao maior conteúdo de colágeno. A dilatação da cérvix se deve a modificações nas características físicas do colágeno por ação de enzimas como a colagenase e elastase e infiltração de leucócitos, semelhante à inflamação, e não ao aumento da pressão intra-uterina. Horas antes do início das contrações do miométrio, a cérvix amolece e dilata gradualmente, influenciada por elevados níveis de estrógeno, relaxina (suínos) e PGF2a, no início do parto. Em ovinos, a cérvix volta ao normal 18 horas após o parto.

Durante o parto, as contrações uterinas se iniciam no ápice dos cornos uterinos: primeiro as fibras circulares depois as longitudinais do miométrio, e forçam o feto e anexos fetais contra a cérvix relaxada. Em fêmeas uníparas, as contrações se iniciam no ápice do corno enquanto que a porção caudal permanece dilatada. Em fêmeas multíparas, as contrações ocorrem do feto mais cranial ao mais caudal, forçando-o através da cérvix. Isso faz com que os fetos progridam em direção à cérvix, evitando que os fetos mais distais tenham um longo caminho a percorrer após o início do parto e descolamento da placenta. Na maioria das vezes, há alternância entre os nascimentos de fetos de cada corno.

4.2. Importância do Feto

A maturação fetal, principalmente do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, é o fator que controla o início do parto e está sob controle genético do feto. Em ovinos, experimentos que por transferência de embriões estabeleceram gestação de gêmeos de raças com tempos de gestação diferentes, a gestação durou o tempo da gestação da raça de curta duração, pois este feto iniciou os sinais endócrinos para o parto. Em bovinos, observou-se variação na duração da gestação em fêmeas de uma raça cobertas por touro de raça diferente quando comparadas a fêmeas cobertas por touro da mesma raça. Tais variações, devido ao genótipo do feto, foram acompanhadas por diferenças na secreção de estrógeno, progesterona e PGF2a (diferenças na quantidade de tecido caruncular) (Browning et al., 1996).

Durante o terço final da gestação, há rápido crescimento fetal. Isso exige da placenta atividade metabólica crescente e estimula a produção placentária de PGE2 que ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal fetal promovendo aumento na liberação de cortisol fetal.

No final da gestação, há maturação progressiva da hipófise anterior do feto a agentes como o fator liberador de corticotrofina (CRF), a arginina vasopressina (AVP), encefalinas. Isso culmina com a secreção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). O ACTH aumenta a atividade de enzimas que promovem a conversão da progesterona e da 17 a-hidroxiprogesterona em cortisol.

A secreção de cortisol fetal é estimulada pelo ACTH e é regulada pelo GH e pelo próprio cortisol que modula suas proteínas transportadoras plasmáticas e controla sua concentração livre e o feedback entre o hipotálamo, hipófise e adrenal, além do número de receptores para ACTH na adrenal.

O cortisol induz a produção de enzimas placentárias: 17a-hidroxilase e C17-20 liase que realizam a biossíntese de estrógeno a partir de progesterona, diminuindo, assim, os níveis de progesterona. O cortisol fetal estimula a síntese e a liberação de prostaglandinas pelo útero e inibe a produção da prostaciclina - PGI2 (inibitória). Além da secreção de cortisol, a adrenal fetal secreta esteróides, principalmente o sulfato de dehidroepiandrosterona (DHAS) e andrógenos (androstenodiona e testosterona). O DHAS e os andrógenos são convertidos em estradiol pela placenta.

O parto em cabras, vacas e porcas se dá por aumento do cortisol, porém, em éguas tal aumento não ocorre antes do nascimento. Em primatas, a hipofisectomia fetal não interfere na duração da gestação. Acredita-se que a adrenal humana fetal participa do parto através da secreção de esteróides, tal como os precursores DHAS e DHEA.

Além da participação dos glicocorticóides no parto, eles são necessários para a maturação dos pulmões e outros órgãos do feto.

4.3. Importância Materna

A contribuição materna é menos dramática que a fetal e torna-se evidente no momento do parto. A ansiedade, o estresse ou o medo provocam liberação de epinefrinas que prolongam o parto, em várias espécies, pela diminuição das contrações do miométrio. Por exemplo, éguas preferem parir durante o período noturno e são capazes de retardar o parto até que elas não estejam mais sofrendo qualquer perturbação.

Observou-se, também, em ratas, porcas e mulheres durante o parto, a liberação de opióides endógenos que são potentes analgésicos e diminuem a dor no parto. Entretanto, estes opióides prolongam o parto por inibirem a liberação de oxitocina (Jarvis et al., 1997).

4.4. Eventos Endócrinos

4.4.1. Progesterona

A progesterona, talvez em associação com a relaxina, é responsável pela manutenção do miométrio quiescente e da cérvix contraída durante a gestação. A progesterona suprime a geração espontânea e a propagação de potenciais de ação, aumenta o potencial de repouso da membrana e diminui a quantidade de cálcio livre. Além disso, afeta a síntese de liporcortina, substância que inibe a atividade das fosfolipases, inibindo, assim, a formação das prostaglandinas.

Um dos eventos iniciais do pré-parto é a inversão na relação entre as concentrações de progesterona e estrógeno, dias antes do parto propriamente dito (3 a 4 semanas em vacas, 7 a 10 dias em porcas e 2 a 5 dias em ovelhas). Isto se dá sob efeito do cortisol.

Em primatas, não há necessidade da redução dos níveis plasmáticos de progesterona para o parto, portanto, deve haver um controle local por estrógeno que determina a queda da progesterona.

4.4.2. Estrógeno

O aumento do estrógeno é importante para a síntese das proteínas contráteis no miométrio e para a formação das gap junctions ou junções íntimas entre as células miometriais, facilitando a comunicação entre as células musculares lisas. Tais alterações promovem o desenvolvimento de contrações uterinas vigorosas e, posteriormente, permitem a coordenação das contrações em associação ao processo de parto. Os estrógenos, também, são responsáveis pela formação de receptores para oxitocina e PGF2a no miométrio e pela dilatação da cérvix.

Em ratos, o estrógeno diminui a contratilidade uterina por estimular a formação de relaxina.

4.4.3. Prostaglandinas

4.4.3.1. Síntese

A síntese de prostaglandinas é desencadeada pela maior disponibilidade do substrato ácido aracdônico, liberado através da hidrólise dos fosfolipídeos da bicamada lipídica da membranas celulares pela fosfolipase A ou C associada a outras lipases. O ácido aracdônico pode ser utilizado pelas enzimas lipooxigenases que formam leucotrienos e pelas ciclooxigenases que formam prostaglandinas. Os estrógenos promovem desestabilização das membranas e tornam a fosfolipase disponível.

A produção das prostaglandinas depende da presença de cálcio, devido à ligação a proteínas específicas, tal como a proteína cinase C e a calmodulina.

4.4.3.2. Mecanismos de Ação

Em todas as espécies estudadas, a síntese e liberação de prostaglandinas pela placenta e miométrio iniciam o processo final do parto. O início da onda de prostaglandina ocorre em decorrência do aumento de cortisol fetal e de estrógenos, em algumas espécies, e de oxitocina, em outras (ex.: éguas). Em geral, a síntese e liberação de prostaglandinas ocorrem 24 a 36 horas antes da expulsão fetal.

A PGF2a diminui as ligações sarcoplasmáticas dos íons cálcio, deixando-os livres para se ligar às fibras de actina e miosina que desencadeiam os processos contráteis. Esse aumento inicial na contratilidade do miométrio é importante para o começo do primeiro estágio do parto. Além disso, a PGF2a torna a musculatura uterina mais sensível à oxitocina e a PGE2 está envolvida no relaxamento da cérvix através da dissolução da substância fundamental, com perda do colágeno e aumento nas glicosaminoglicanas.

Nas espécies dependentes de corpo lúteo para a manutenção da gestação, a PGF2a inicia a luteólise, resultando em diminuição da progesterona (12 a 24 horas antes do parto) e permitindo que o miométrio se torne mais contrátil.

Nas éguas e primatas, espécies dependentes da progesterona produzida pela placenta durante a gestação, não se pode eliminar essa função placentária sem prejudicar outras funções tal como nutrição e trocas gasosas. Portanto, o parto se dá mesmo em concentrações elevadas de progesterona, pois a PGF2a supera os efeitos supressores da progesterona sobre a atividade do miométrio. Por outro lado, em ovelhas, o cortisol estimula a placenta a converter a progesterona em estrógeno, determinando queda na concentração de progesterona.

4.4.4. Relaxina

A relaxina é produzida no ovário, pelos folículos e corpo lúteo, no útero e na placenta. A relaxina participa do parto através de seu efeito no relaxamento da cérvix, no amolecimento dos ligamentos e músculos que circundam o canal pélvico e na separação da sínfise púbica decorrente do afrouxamento do ligamento inter-púbico. Permite, assim, a expansão máxima do canal pélvico durante a passagem do feto.

A liberação de relaxina no pré-parto ocorre na vaca e na porca através da ação da PGF2a no corpo lúteo (luteólise) que provoca liberação da relaxina pré-formada. Na gata, cadela e égua, a relaxina se origina na placenta e sua produção que se inicia no começo da gestação, mantém-se até o parto e, talvez, atue em sinergismo com a progesterona na manutenção da gestação.

4.4.5. Oxitocina

A liberação de oxitocina pela neuro-hipófise da mãe e do feto é desencadeada pelo aumento na proporção estrógeno:progesterona e reforçada pelo feedback positivo das contrações uterinas e dilatação da cérvix conforme o parto progride: entrada do feto no canal pélvico (Reflexo de Ferguson). A oxitocina intensifica a contração rítmica da musculatura uterina (em associação à PGF2a) durante o processo de expulsão fetal.


5. DISTÚRBIOS NO PARTO

Anormalidades fetais na organogênese da hipófise anterior e da adrenal, levam a aumento da duração da gestação tanto em bovinos quanto ovinos e podem ser causadas, em ovinos, pela ingestão da planta Veratrum californicum no início da gestação ou pelo vírus da febre catarral dos carneiros. Já a ingestão de Salsoa tuberculata no terço final da gestação, inibe a atividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal levando ao prolongamento da gestação.

Em cabras Angorá, o parto prematuro pode ocorrer devido ao desenvolvimento precoce das adrenais fetais.

Novilhas que apresentaram parto distócico (sem a influência do tamanho do feto) quando comparadas àquelas de parto eutócico, apresentaram menor concentração plasmática de progesterona um dia antes do parto. Disso, conclui-se que o dia preciso da queda da progesterona pré-parto pode ser importante para assegurar que os estágios do parto controlados por estrógeno prossigam sem dificuldade (remoção do antagonismo da progesterona ao estrógeno) (Olujohungbe et al., 1998).

Nos primatas, a dilatação insuficiente da cérvix é uma causa comum de distocia.


6. ADAPTAÇÕES PERINATAIS

O recém-nascido requer grande adaptação fisiológica ao meio externo, pois no útero materno, ele dependia da placenta para a respiração, nutrição e excreção.

O desvio cardiovascular da vida fetal pelo forame oval (permite a passagem de sangue do átrio direito para o esquerdo) e pelo ducto arterioso (desvia sangue da artéria pulmonar para a aorta) deve ser removido ao nascimento. A placenta que funcionava como órgão respiratório é substituída pelos pulmões. Com o início da ventilação pulmonar, o fluxo no ducto arterioso é revertido e termina, permitindo o fluxo de sangue para os pulmões. O declínio da pressão sangüínea no átrio direito devido à interrupção do fluxo umbilical e a pressão crescente no átrio esquerdo, provocam o fechamento do forame oval.

Após o nascimento, os pulmões têm que ser capazes de exercer as trocas gasosas. Isso requer expansão mantida dos pulmões, movimentos respiratórios rítmicos e alteração do fluxo sangüíneo. A expansão é facilitada pela secreção de surfactante que reduz a tensão superficial dentro dos álveolos.

Após o nascimento, o recém-nascido tem que se adaptar à temperatura ambiente em contraste à temperatura constante e suprimento nutricional presentes no útero. A eficiência dessa adaptação depende do grau de maturidade fisiológica da espécie no nascimento, das reservas de glicogênio e da presença de tecido adiposo acastanhado. Os suínos e ovinos são mais susceptíveis a temperaturas ambiente baixas e os cordeiros e bezerros a temperaturas altas.

Entre o nascimento e a primeira amamentação, o recém-nascido depende de suas reservas de glicogênio no fígado e músculos cardíaco e esquelético para o metabolismo energético.

O recém-nascido não possui suprimentos de anticorpos maternos no sangue e o feto na vida intra-uterina sintetiza pouco ou nenhum anticorpo. Os fetos de coelho, rato e humano adquirem anticorpos da mãe no útero, os demais animais domésticos, recebem anticorpos através do leite, pois a placenta epiteliocorial é impermeável aos anticorpos maternos. O intestino delgado do recém-nascido é permeável às imunoglobulinas presentes no colostro por 24 a 36 horas.


7. ENDOCRINOLOGIA DA PARTURIÇÃO NAS ESPÉCIES DOMÉSTICAS

7.1. Endocrinologia da Parturição em Ovelhas

Antes dos 120 dias de gestação, a maior parte do cortisol presente na circulação do feto é derivado da mãe via transferência transplacentária. Durante os últimos 20 a 25 dias de gestação, há um grande aumento da concentração fetal de cortisol, produzido pela adrenal do feto, que alcança seu pico 2 a 3 dias antes do parto e declina 7 a 10 dias após o nascimento. A concentração materna de cortisol aumenta apenas no momento do parto. Sabe-se que o aumento do cortisol fetal é importante para o início do parto nesta espécie, mas seu mecanismo não é totalmente compreendido. Parece que ocorre em resposta a uma mudança na estimulação trófica hormonal da pituitária fetal e, também, a um aumento da responsividade da adrenal fetal.

Ocorre aumento da hormônio liberador de corticotrofina (CRH) no hipotálamo fetal durante os últimos 10 dias de gestação. Alguns autores sugerem que a placenta da ovelha também pode secretar o CRH. Opiódes endógenos podem, por sua vez, desempenhar função estimulatória da secreção de ACTH. Experimentalmente, verificou-se que a administração de um opióide exógeno ao feto provoca aumento do ACTH e que este efeito pode ser abolido pela administração de naloxone, um antagonista do opióide. A propiomelanocortina (POMC) e a arginina vasopressina (AVP) podem estar envolvidas na secreção de ACTH, pois verificou-se que ambas têm sua concentração aumentada no final da gestação.

A adrenal fetal torna-se mais responsiva a estimulação ao ACTH com o avanço da idade do feto. A maturação é induzida pelo ACTH, sendo importante seu padrão de secreção. Fatores de crescimento semelhantes a insulina (IGFs) possuem papel autócrino e/ou parácrino na regulação da função da adrenal do feto ovino.

O hormônio do crescimento fetal que aumenta aos 50 a 70 dias de gestação, cai aos 100 dias e aumenta, novamente, até ocasião do parto, deve, também, modular a resposta da adrenal fetal ao ACTH.

O aumento do cortisol fetal estimula a conversão da progesterona produzida pela placenta em estrógeno através da ativação da enzima placentária 17a-hidroxilase.

O estrógeno aumenta a responsividade do miométrio à oxitocina, promove relaxamento da cérvix e estimula a produção e liberação de PGF2a pelo complexo carúncula-cotilédone.

A produção e liberação da PGF2a é induzida pela ativação da enzima fosfolipase A2 estimulada pelo declínio da progesterona e aumento do estrógeno. A estimulação, síntese e liberação da PGF2a pelo miométrio pode ser induzida pela oxitocina e pela estimulação mecânica do feto na vagina. A PGF2a é uma molécula solúvel em gordura e água e passa rapidamente de uma célula para outra através da membrana celular ou pelo fluido extracelular. No útero, há produção de PGF2a pelo endométrio e de prostaciclina (PGI 2) durante a expulsão do feto.

As prostaglandinas provocam contração da musculatura lisa, luteólise, dissolução do colágeno cervical e desenvolvimento de gap junctions entre as células musculares lisas.

A liberação de PGF2a é importante no início das contrações endométriais. Tais contrações forçam o feto em direção a cérvix e vagina promovendo estímulo de receptores sensoriais e início do Reflexo de Ferguson, com a liberação de oxitocina da hipófise posterior.

A oxitocina estimula as contrações endometriais e a liberação de PGF2a pelo miométrio. Ambos hormônios parecem atuar em feed-back positivo estimulando as contrações uterinas e a conseqüente expulsão do feto.

7.2. Endocrinologia da Parturição em Vacas

Apesar da vaca ser classificada como espécie dependente do corpo lúteo para a manutenção da gestação, a placenta torna-se a principal fonte de progesterona entre os dias 150 e 200 de gestação. Dessa forma, se houver a remoção do corpo lúteo ou do ovário que contém o corpo lúteo após esse estágio, a gestação irá prosseguir. Entretanto, observa-se que em vacas ovariectomizadas o parto é freqüentemente anormal.

Apesar do corpo lúteo não ser essencial para a manutenção da prenhez após os 150 dias de gestação, sua regressão participa nas alterações endócrinas necessárias para o início do parto.

Outros mecanismos, como o efeito direto dos glicocorticóides ou do estrogênio placentário, devem ser responsáveis pela regressão do corpo lúteo, mas parece que a regressão é iniciada pela ação da PGF2a.

A PGF2a é liberada como resultado da ação do estrogênio placentário cotilédones. As mudanças endócrinas responsáveis pelo início do parto são similares àquelas descritas na ovelha.

7.3. Endocrinologia da Parturição em Cabras

O corpo lúteo representa a principal fonte de progesterona para a manutenção da gestação, dessa forma, a ovariectomia ou extirpação do corpo lúteo promovem interrupção da gestação. A enzima 17a-hidroxilase placentária, estimulada pelo cortisol fetal, desvia a síntese de progesterona pelo corpo lúteo para estrógeno.

Mudanças na relação progesterona:estrogênio estimulam a síntese de PGF2a, semelhante à ovelha, resultando na luteólise e posterior declínio da progesterona. A progesterona desaparece da circulação antes que o parto ocorra. As mudanças endócrinas são muito similares àquelas que ocorrem na ovelha e na vaca.

7.4. Endocrinologia da Parturição em Porcas

A progesterona do corpo lúteo é necessária para a manutenção durante toda gestação. A parturição é precedida, inicialmente, pelo aumento dos níveis de cortisol no plasma fetal que resulta no aumento na circulação materna de cortisol, estradiol e metabólitos da PGF2a e no declínio dos níveis de progesterona.

Parece que o estrogênio não é responsável pelo estímulo da liberação da PGF2a como ocorre nas outras espécies. Apesar disto, o esquema do início da parturição é semelhante ao da ovelha.

7.5. Endocrinologia da Parturição em Éguas

O mecanismo responsável pelo início do parto na égua não é tão bem compreendido como em outras espécies. A égua difere quanto ao momento da liberação de PGF2a em relação ao parto. A liberação de PGF2a é seguida por apresentação e expulsão do feto em 60 a 90 minutos. Nessa espécie, os corpos lúteos não estão presentes e não ocorre queda da progesterona antes do parto. A placenta tem que executar todas as funções, inclusive o suporte progestacional e nutritivo para o feto, até a ocasião do parto. Parece que feto é o responsável pela determinação do início dos mecanismos que desencadeiam o parto, pois se verificou que a adrenal fetal sofre rápida hipertrofia imediatamente antes da parturição e que a concentração plasmática fetal de cortisol aumenta até 10 vezes durante os últimos 8 dias de gestação.

Verificou-se que na circulação periférica do potro recém-nascido a concentração de b-endorfina encontra-se aumentada, sugerindo seu envolvimento no mecanismo de desencadeamento do parto. Apesar disto, também, é possível que as b-endorfinas sejam produzidas em resposta ao ato da parturição.

A principal diferença, em relação às demais espécies animais, quanto às mudanças endócrinas, ocorre na circulação materna. Os níveis de progesterona permanecem baixos durante a metade da gestação (até os últimos 2 a 3 meses de gestação), aumentam durante os últimos 20 dias e alcançam picos 48 horas antes da parturição. Posteriormente, há rápido declínio da progesterona que atinge níveis baixos no momento do parto.

A concentração plasmática de estrógeno declina durante os últimos 100 dias de gestação, antes do que ocorre nas outras espécies, e alcança níveis relativamente baixos no momento do parto. Isto é um reflexo do declínio dos níveis de estrona e estrogênios espécie-específicos: equilina e equilenina, visto que a concentração de 17b-estradiol permanece constante.

7.6. Endocrinologia da Parturição em Cadelas

Verifica-se na circulação periférica das cadelas, aumento pré-parto do cortisol que atinge seu pico 8 a 24 horas antes do parto.

A concentração de progesterona inicia seu declínio, aproximadamente, aos 30 dias de gestação. Há uma grande queda em sua concentração 12 a 40 horas antes do nascimento do primeiro filhote. Esta mudança é, provavelmente, devida a liberação de PGF2a 48 horas antes da parturição. Há aumento de metabólitos da prostaglandina (PGFM) de 395 para 2100 pg/ml, enquanto que a progesterona declina de 2,8 para 0,7 ng/ml.

Estrogênios permanecem em níveis constantes durante toda a gestação e começam a declinar aproximadamente 2 dias antes do parto, alcançando valores similares àqueles encontrados em fêmeas não gestantes no momento do parto.

A prolactina aumenta conforme a concentração de progesterona diminui, 1 a 2 dias antes da parturição. Não é, totalmente, conhecida a função desse hormônio na parturição.

7.7. Endocrinologia da Parturição em Gatas

A concentração de progesterona permanece entre 20 a 50 ng/ml no início e terço médio da gestação e começa a declinar, gradualmente, conforme a proximidade do parto. Momentos antes da parturição, a progesterona declina mais rapidamente e atinge níveis próximos a zero no momento do parto.

A concentração de estradiol aumenta momentos antes da parturição.


8. INDUÇÃO PREMATURA DA PARTURIÇÃO

Nos animais domésticos, embora seja possível predizer quando a parturição irá ocorrer, existem vantagens em se pré-determinar tal evento. A maioria dos métodos utilizados foram obtidos através de estudos sobre os mecanismos endócrinas responsáveis pelo início do processo de parto normal e são utilizados com sucesso em vacas, ovelhas, cabras, porcas e éguas, mas não em cadelas e gatas.

8.1. Indução Prematura da Parturição em Éguas

Diferentes hormônios têm sido utilizados em éguas em diferentes situações. Nos casos em que a cérvix apresenta-se flácida sob palpação, a inserção de um a dois dedos no óstio cervical externo é possível e quando o feto está em apresentação, posição e postura normais, a parturição poderá ser induzida, em 15 a 60 minutos, pela administração de 120 UI de oxitocina em éguas entre 360 a 600 kg. Caso a cérvix esteja fechada, pode-se administrar 30 mg de dipropionato de estilbestrol (IM), seguido de oxitocina. Pode ocorrer retenção de placenta em éguas se a dose de oxitocina administrada for menor que 60 UI.

A dexametasona, um corticosteróide de liberação rápida, tem sido utilizada com sucesso para induzir a parturição em pôneis e éguas. A partir dos 321 dias de gestação, doses de 100 mg, durante 4 dias seguidos, resultam em parturição 6 a 7 dias após o início do tratamento.

A PGF2a e seu análogo, o fluprostenol, podem, também, ser utilizados para a indução do parto. Uma dose única de PGF2a nem sempre é efetiva e, com freqüência, é necessário o uso de injeções de 1,5 a 2,5 mg a cada 12 horas. Em alguns casos, a prostaglandina pode provocar desconforto e resultar em distocia. O fluprostenol pode ser administrado, entre 322 a 367 dias de gestação, em dose única de 250 mg para pôneis e 1000 mg para éguas.

A parturição, também, pode ser induzida pela administração de progesterona. O intervalo entre as aplicações é muito similar àquele utilizado com a dexametasona. É possível que a progesterona seja metabolizada, pela adrenal ou pela placenta, e transformada em corticosteróide.

8.2. Indução Prematura da Parturição em Vacas

Uma vez que a indução do parto antes dos 270 dias de gestação resulta, normalmente, em nascimento de animais pequenos e fracos com baixos índices de sobrevivência, é importante a determinação correta do momento da concepção através do controle da data do serviço ou inseminação.

Embora o ACTH possa ser utilizado na indução do parto por seu efeito estimulatório na produção de corticosteróides, a administração direta (exógena) de corticosteróides é mais indicada. Vários corticosteróides são disponíveis e estão distribuídos em 3 categorias: longa, média e curta ação. Tal classificação é baseada na duração do período latente (intervalo entre o tratamento e efeito). Quando fornecidos em doses terapêuticas, os corticosteróides de longa, média e curta ação possuem períodos latentes de 11-18, 5-11 e 1-6 dias, respectivamente. Os corticosteróides são, também, imunossupressores e devem ser administrados associados a um antibiótico de amplo-espectro no casos de infecção concomitante.

PGE1, PGE2 e PGF2a e seus análogos, também, podem ser utilizados. A PGF2a e seus análogos podem ser administrados com sucesso aos 275 dias de gestação e apresentam período latente de 2 a 3 dias.

Bons resultados têm-se obtido através da combinação de corticosteróides e prostaglandinas. Pode-se utilizar um corticosteróide de longa ação, aos 250-275 dias de gestação, seguido por um corticosteróide de curta ação ou por PGF2a ou análogos (cloprostenol) após 8 dias, se ainda não tiver ocorrido a parturição, o período latente é de, aproximadamente, 48 horas. Após 275 dias de gestação, um corticosteróide de média ação, combinado com a PGF2a ou com um corticosteróide de curta duração 8 dias após, também, pode ser administrado se a vaca não parir neste intervalo. Após os 282 dias de gestação, a PGF2a ou um corticosteróide de curta ou média ação são efetivos em aplicação única.

Além de algumas vezes os tratamentos não serem efetivos, há desvantagens quanto à indução prematura da parturição. Os tratamentos podem provocar retenção de placenta, principalmente, com o uso de corticosteróide de curta ação. Pode haver, ainda, diminuição da produção de leite e redução na qualidade e quantidade de imunoglobulinas no colostro. Apesar disto, é pouco provável que o bezerro não adquira imunidade passiva adequada.

8.3. Indução Prematura da Parturição em Porcas

Os corticosteróides sintéticos têm sido utilizados, com sucesso, na indução do parto em porcas. A administração em dose diária de 75-100 mg, entre os dias 101 a 104, promove a parturição no dia 109 da gestação. Apesar disto, os leitões, geralmente, possuem menor taxa de sobrevivência.

Recentemente, tem-se buscado medidas para aumentar a eficiência do tratamento com prostaglandina associada a outros hormônios. O tratamento à base de prostaglandina consiste na administração de 10 mg de PGF2a ou de 175 mg de cloprostenol, por via intramuscular, nos dias 112 e 113 da gestação com a promoção da parturição em 28 horas.

Aparentemente, não existem diferenças quanto a eficiência da PGF2a (dinoprost) e seu análogo, cloprostenol, embora tenha-se atribuído à PGF2a maior incidência de efeitos colaterais, como aumento da freqüência respiratória.

A combinação de cloprostenol e benzoato de estradiol pode, ainda, aumentar a velocidade de expulsão dos leitões.

8.4. Indução Prematura da Parturição em Ovelhas

Em ovelhas, a parturição pode ser induzida por ACTH, corticosteróides e estrógenos. Assim como em outras espécies, é de extrema importância a determinação do tempo de gestação. A administração de corticosteróides, como a dexametasona, flumetasona e a betametasona em dose única 5 dias antes da parturição via IM, promove o parto normal em 2 a 3 dias. A indução, também, pode ser possível através de duas injeções IM de 1-2 mg de benzoato de estradiol 5 a 6 dias antes do nascimento ou em dose única de 15 mg 5 dias antes da parturição. Tal metodologia aumenta a incidência de distocia e diminui a taxa de sobrevivência do concepto.

8.5. Indução Prematura da Parturição em Cabras

A parturição em cabras pode ser induzida pela administração de ACTH, corticosteróides, estrogênios, PGF2a e seus análogos. Entretanto, em algumas circunstâncias, a lactação ocorre prematuramente.

8.6. Indução Prematura da Parturição em Cadelas e Gatas

A indução da parturição nestas espécies não é bem sucedida, exceto pela promoção de aborto por PGF2a, epostane e cabergolina, um inibidor da prolactina.


9. ACELERAÇÃO DA PARTURIÇÃO

O uso repetido de 1-2 UI de oxitocina é efetivo na aceleração do parto. Verificou-se que a administração de 10 UI de oxitocina induz espasmos uterinos e é contra-indicado.

Um agente b-bloqueador, o carazolol, tem sido utilizado com bons resultados na diminuição da duração do processo de parturição. Deve ser utilizado durante a gestação, pois nesse período há dominância dos b-receptores no útero e o estresse resultante da liberação da adrenalina irá provocar o relaxamento do útero. Promovendo o bloqueio destes receptores o carazolol, nos animais estressados a adrenalina terá pouco ou nenhum efeito sobre o miométrio, o útero manterá sua tonicidade e a parturição não será retardada.


10. RETARDO DA PARTURIÇÃO

Agentes b-adrenérgicos estimulam os receptores b2 das células musculares do útero, podendo, assim, abolir as contrações uterinas e retardar o parto. Uma destas substâncias, o clembuterol, tem sido utilizada com sucesso em vacas, porcas e ovelhas.

Em vacas, a administração de 0,3 mg de hidroclorido de clembuterol (10 ml) seguido por uma injeção de 0,21 mg (7ml) 4 horas mais tarde, atrasa a parturição em, aproximadamente, 8 horas, pois evita a total dilatação da cérvix e interrompe o segundo estágio do trabalho de parto.

Em porcas, tal agente provoca relaxamento do miométrio e interrupção da expulsão dos leitões. Após algumas horas, há retorno espontâneo das contrações do miométrio sem efeito adverso sobre a viabilidade dos leitões. Em alguns casos, recomenda-se a administração de oxitocina como antídoto ao clembuterol.


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03/05/00


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