Androgênios

NÚCLEO DE CRUZEIRO
DA SOCIEDADE PAULISTA CÃES PASTORES ALEMÃES

SISTEMA SBCPA-CBKC-COAPA-FCI-WUSV

BOLETIM DA DIRETORIA DE CRIAÇÃO NÚMERO 77 JULHO DE 1999

 

ANDROGÊNIOS.

 

Para ser saudável o organismo deve manter um perfeito equilíbrio (homeostase) entre as suas diversas funções. O sistema nervoso autônomo (SNA), o sistema endócrino (SE) e o sistema imunológico são essenciais para a manutenção desse equilíbrio. O SNA, por meio de impulsos, regula o funcionamento de alguns órgãos e tecidos liberando substâncias neurotransmissoras que produzem várias respostas rápidas e localizadas nos tecidos alvo. Os efeitos do SE são mais lentos e difusos por ação de substâncias químicas, os hormônios, que atingem as células alvo pela corrente sangüínea. Mesmo tendo mecanismos de ação completamente diferentes, os sistemas nervoso e endócrino são complementares na coordenação das atividades metabólicas do organismo. Para os nossos objetivos no presente boletim somente interessa o sistema endócrino.

Ainda primitivo o homem já sabia que a castração do animal levava ao eunuquismo. Em 1849, Berthold publicou o clássico Transplantation Der Horden, mostrando que o transplante de gônadas em galos castrados evitava os sinais típicos da castração. Foi o primeiro trabalho experimental mostrando o efeito de uma glândula endócrina. Estava criada a Endocrinologia.

O SE é formado por glândulas endócrinas, agrupamentos celulares dentro de alguns órgãos, bastante vascularizados e que liberam as suas secreções (hormônios) no tecido conjuntivo intercelular e nos berços capilares de onde ganham a corrente sangüínea para a sua ação à distância e glândulas exócrinas, grupos celulares isolados no revestimento epitelial do tubo digestivo e sistema respiratório e que liberam as suas secreções em sistemas canaliculares e com ações somente locais.

A hipófise, ou pituitária, é uma glândula endócrina muito pequena, medindo 1 cm a 1.5 cm e pesando, mais ou menos, 1 g no homem. Situa-se numa depressão do osso esfenóide, a sela turca, na base craniana, logo abaixo de uma região cerebral chamada hipotálamo com o qual mantém estreitas relações anatômicas e funcionais. É subdividida em adenohipófise ou pituitária anterior com três regiões (pars distalis ou pars anterior, pars intermedia e pars tuberalis) e neurohipófise ou pituitária posterior, também com três regiões (eminência mediana, infundíbulo e pars nervosa). A hipófise é denominada glândula principal ou controladora porque praticamente todos os seus hormônios (os hormônios tróficos) exercem as suas ações sobre glândulas alvo em todo o organismo.

A hipófise é ricamente vascularizada. As artérias hipofisárias superiores, oriúndas da carótida interna, irrigam a pars tuberalis e infundíbulo e também formam uma rede capilar chamada plexo capilar primário situada na eminência média. As artérias hipofisárias inferiores, também oriúndas da carótida interna, irrigam o lobo posterior e com alguns ramos atingindo o lobo anterior. Uma rede de vasos, o sistema porta venoso, drena o plexo capilar primário da eminência média e despeja o seu sangue no plexo capilar secundário localizado na pars distalis.

Por esse interessante sistema vascular os hormônios produzidos pelas células neurosecretoras do hipotálamo, e estocados na eminência média, chegam ao lobo anterior onde deixam a corrente sangüínea para estimular ou inibir as células parenquimatosas da pars distalis. Os principais hormônios liberadores ou inibidores secretados pelo hipotálamo são: Hormônio liberador do hormônio tireóide estimulador (TRH), o hormônio liberador da corticotrofina (CRH), o hormônio liberador do hormônio do crescimento ou somatomedina (SRH), o hormônio liberador da prolactina (PRH), o hormônio liberador da gonadotrofina (GnRH) e o fator inibidor da prolactina (PIF). O GnRH estimula a liberação do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo estimulante (FSH).

A pars distalis, ou lobo anterior da hipófise, possui células parenquimatosas com afinidade por corantes (cromófilas) e outras sem afinidade por corantes (cromófobas). As células cromófilas são subdivididas em acidófilas (coram-se pelos corantes ácidos em vermelho) e basófilas (coram-se pelos corantes básicos em azul) que são as principais células secretoras do lobo anterior. As células acidófilas podem ser subdivididas em somatotróficas, secretoras da somatotrofina (hormônio do crescimento) estimuladas pelo SRH (hormônio liberador do hormônio do crescimento) e inibidas pela somatostatina e mamotróficas, secretoras da prolactina (promove desenvolvimento da glândula mamárea durante a gravidez e a lactação após o parto) estimuladas pelo PRH (hormônio liberador da prolactina) e pela ocitocina e inibidas pelo PIF(fator inibidor da prolactina). As células basófilas são subdivididas em corticotróficas, secretoras do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e do hormônio lipotrófico (LPH) estimuladas pelo CRH(hormônio liberador da corticotrofina), tireóidotróficas, secretoras do hormônio estimulador da tireóide(TSH) ou tireóidotrofina estimuladas pelo hormônio liberador do hormônio tireóideo(TRH) e as células gonadotróficas, secretoras do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH) estimuladas pelo hormônio liberador das gonatrofinas (GnRH) e inibidas por vários hormônios produzidos pelos ovários e testículos.

A pars intermedia, situada entre a pars distalis e a pars nervosa, possui células basófilas, secretoras do prohormônio propiomelanocortina, origem dos alfa e beta hormônios estimuladores dos melanócitos (MSH) que estimulam a produção de melanina nos animais inferiores e com função ainda não determinada no homem.

A pars tuberalis, embora não secrete hormônios específicos, possui células com grânulos que possivelmente contêm FSH e LH.

A neurohipófise, ou pituitária posterior, nada mais é que um prolongamento do hipotálamo. No hipotálamo estão os núcleos supraóptico e paraventricular contendo células neurosecretoras cujos axônios não mielinizados formam o trato hipotálamohipofisário (THH). As células neurosecretoras sintetizam dois hormônios, o hormônio antidiurético (vasopressina) e a oxitocina. Ligados a uma proteína transporte, a neurofisina, também produzida pelas células dos dois núcleos, esses hormônios viajam pelos axônios até a hipófise posterior onde são liberadas na corrente sangüínea.

Os hormônios secretados pelas glândulas endócrinas são verdadeiros mensageiros químicos que chegam às células alvo pela corrente sangüínea. As suas ações são determinadas pela constituição química : a- Polipeptídeos e proteínas, base de hormônios que são, na sua maioria, solúveis em água, como o hormônio folículo estimulante (FSH) e a insulina; b- Derivados dos aminoácidos, também com a grande maioria solúvel em água, como a adrenalina e a tiroxina e c- Esteróides e derivados de ácidos graxos, a maioria solúvel em gordura, como o estradiol, a progesterona e a testosterona.

Nas células alvo os hormônios necessitam ser captados pelos receptores. Os receptores são bastante específicos para cada hormônio. Estão localizados na superfície celular (receptores de superfície), como os receptores dos hormônios proteicos e peptídicos, ou dentro do citoplasma, como os receptores do hormônio da tireóide e dos hormônios esteróides (estradiol, progesterona e testosterona, por exemplo).

O receptor androgênico humano é membro típico da superfamília dos receptores dos hormônios esteróides e tireóideos, codificados por gene existente no cromossoma X.

O conjunto receptor-hormônio comunica a mensagem à célula alvo, iniciando o sinal de transdução, isto é, a transformação do sinal numa reação química. No ADN nuclear é iniciada a transcrição genética que determinará o efeito hormonal.

Os complexos receptores de superfície-hormônios agem geralmente pela indução de uma proteínoquinase para fosforilar algumas proteínas reguladoras provocando uma resposta biológica ao hormônio. Alguns complexos hormônio-receptor estimulam uma enzima chamada adenilatociclase para sintetizar adenosina monofosfato cíclica (cAMP) que estimula a proteinoquinase A no citosol. O cAMP atua como um segundo mensageiro. Outros exemplos de segundos mensageiros conhecidos são os ions cálcio e ions sódio (nos neurônios). Outros receptores hormonais associam-se a proteínas ligadoras como a guanosina trifosfato (proteínas G) que predispõem o receptor ao hormônio. Ainda há hormônios que usam receptores catalizadores que ativam proteínoquinases para fosforilar proteínas alvo.

Ativada a célula alvo, há um sinal que retorna à glândula endócrina determinando a parada da secreção do hormônio. É o mecanismo de feedback. Ao contrário, se o nível do hormônio não for suficiente para produzir respostas metabólicas da célula alvo, é liberado um sinal de feedback positivo que estimula a glândula endócrina a produzir mais hormônio. O controle da produção hormonal pelo feedback é um dos mecanismos mais importantes na manutenção do equilíbrio (homeostase) orgânico.

Os hormônios circulam em quantidades mais que necessárias na corrente sangüínea usualmente ligados a proteínas e inativos. Sempre que necessário eles são liberados na forma ativa.

 

Hormônio masculino.

A testosterona, o hormônio masculino, é secretada no macho pelos testículos e é o principal androgênio encontrado no plasma; na fêmea, a testosterona é secretada em pequenas quantidades pelos ovários e pela glândula adrenal. Os androgênios e os estrogênios têm origem comum no colesterol sintetizado nas células de Leydig ou derivado das lipoproteínas do plasma.

A secreção da testosterona pelas células de Leydig dos testículos ocorre por ação hormonal das gonadotrofinas (LH, o hormônio luteinizante, e FHS, hormônio folículo estimulante), produzidas pela glândula pituitária estimuladas pelo GnHR hipotalâmico (hormônio liberador das gonadotrofinas). A secreção das gonadotrofinas e da testosterona é feita em pulsos durante o dia.

O LH e o FHS regulam o crescimento testicular, a espermatogênese e esteroidogênese. O HFS estimula a espermatogênese nos túbulos seminíferos e a produção da proteína ligadora de androgênios pelas células de Sertoli . A proteína ligadora de androgênio impede a testosterona de sair dos túbulos seminíferos, mantendo um nível suficiente para a espermatogênese. A ação vital do LH é na síntese da testosterona pelas células de Leydig.

Outros hormônios atuam no processo de secreção dos androgênios. O hormônio do crescimento atua sinergicamente com o LH nos testículos favorecendo a maturação das células de Leydig; os estrogênios diminuem os efeitos do LH e a inibina, hormônio glicoproteico secretado pelas células de Sertoli, inibe a liberação do HFS que é estimulada por outro hormônio, a ativina.

Pelo menos em parte as ações das gonadotrofinas são mediadas pelo AMP-cíclico (AMPc). O LH interage com as células intersticiais de Leydig do testículo para aumentar a síntese do AMPc e, subseqüentemente, da transformação do colesterol em androgênios. O AMPc aumenta a atividade de várias enzimas da seqüência da esteroidogênese e também influencia a disponibilidade do colesterol, o substrato para a produção da testosterona. A ação da LH pode ser resumida assim: LH – receptor das células de Leydig - Ativação da enzima adenilato ciclase para formar adenosina monofosfato cíclico (cAMP) - Ativação das kinases proteicas -Indução da enzima colesterol estearase e, finalmente, a clivagem do colesterol livre para a formação da testosterona

Existem outros androgênios menos ativos do que a testosterona, como a androstediona, precursora da testosterona, o androgênio da adrenal, a dehydroepiandrosterona e os metabolitos da dihydrotestosterona, a androstana e a androsterona, todos eles com ligações fracas aos receptores androgênicos celulares. A concentração da testosterona no plasma dos machos é relativamente alta durante três períodos: 1- Desenvolvimento embriogênico, quando a diferenciação fenotípica dos machos acontece; 2- Neonatal e 3- Vida sexual ativa.

No homem, a virilização do XY fetal acontece no período do pico da gonadotrofina coriônica, entre 8 e 12 semanas de vida fetal, que estimula as células de Leydig para a secreção da testosterona. Durante o restante da gestação a testosterona é mantida baixa pela ação do LH produzido pela pituitária fetal. Logo após o parto há uma aumento transitório da gonadotrofina, especialmente a LH, com um pico de testosterona entre 1 e 3 meses de idade. Após os seis meses cai o nível de testosterona que é mantido baixo até quando a secreção pulsátil do LH marca o advento da puberdade.

A testosterona é metabolizada, nos órgãos alvo, em 1: Metabolitos ativos: dihydrotestosterona (com grande poder de ação por sua ligação muito estável ao receptor intracelular) e estradiol (via da síntese dos estrogênios no homem e na mulher na menopausa) e 2: Metabolitos inativos: a androsterona e a etiocholanolona, os principais metabolitos encontrados na urina.

No fígado, a dihydrotestosterona é metabolizada até androsterona, androstanediona e androstanediol que, juntamente, com a androstenediona, precursora do testosterona, com o androgênio da adrenal, a dehydroepiandrosterona, formam um grupo de androgênios menos ativos por ligarem-se muito debilmente aos receptores androgênicos celulares.

Nas células alvo específicas, 6 a 8% da testosterona é convertida, pela ação da 5 alfa redutase, em dihydrotestosterona e 0.3% é usada para a produção de estradiol por ação da enzima aromatase. A testosterona atua como precursora circulante (ou prohormônio) para a formação de dois outros hormônios que mediam muitos dos processos fisiológicos envolvidos na ação androgênica: a- Nas células alvo específicas 6 a 8% da testosterona sofre redução, por ação da 5 alfa redutase, a dihydrotestosterona, responsável por muito do processo de diferenciação sexual do macho, promoção do crescimento e aspectos funcionais da virilização; b- Nos tecidos extraglandulares 0.3% da testosterona dá origem a estrogênios que agem em sinergia com os androgênios, em oposição a eles ou tendo uma ação independente. Normalmente 15% do estradiol é secretado nos testículos, provavelmente nas células de Leydig, sendo também secretado, a partir dos androgênios, em tecidos extraglandulares, inclusive o cérebro. Uma quantidade pequena de testosterona é estocada e o restante circula num turnover de até 200 vezes por dia. Da testosterona circulante somente 1 a 3% está livre e, do restante, a metade está ligada à globulina fixadora do hormônio sexual (SHBG) e a outra metade ligada à albumina.

Os androgênios têm as seguintes ações: a- Na embriogênese, leva à virilização do trato urogenital do embrião com desenvolvimento fenotípico do macho; b- Na puberdade: b1-Crescimento e desenvolvimento da musculatura esquelética com o aumento do peso corporal e do vigor físico, b2- Mudança da voz, b3- Em parte são responsáveis pelos comportamentos agressivos e sexuais dos machos. Na realidade, os hormônios sexuais têm importante papel nos comportamentos dos machos e fêmeas.

 

Os efeitos anabólicos dos androgênios.

A massa corporal de todos os animais está constantemente sendo formada e destruída, num processo metabólico contínuo durante toda as suas vidas. O processo de formação da massa corporal é chamado de anabolismo e o de destruição catabolismo. O filhote possui anabolismo maior que o catabolismo (metabolismo positivo), o que, proporciona o seu crescimento; o animal na sua fase adulta possui um equilíbrio entre anabolismo/catabolismo, mantendo a sua massa corporal, salvo em casos especiais, mais ou menos constante e, na velhice, há um predomínio do catabolismo sobre o anabolismo (metabolismo negativo) com a perda de massa corporal.

A situação metabólica do animal pode ser expressa indiretamente pela retenção do nitrogênio pelo seu organismo. O nitrogênio é um dos componentes das proteínas (não existe na molécula dos outros dois nutrientes, as gorduras e os açúcares), elementos básicos na formação e manutenção das estruturas de todos os animais.

O efeito na retenção de nitrogênio produzido pelos androgênios foi primeiro desenvolvido em cães castrados em 1935. Dois estudiosos, Papanicolaou e Falk (1938), num trabalho bem bolado, mostraram que certos músculos esqueléticos dos porcos da Guiné machos eram maiores do que os das fêmeas e a diferença era abolida pela remoção dos testículos. Mostraram também que a administração da testosterona nos machos castrados e nas fêmeas provocava desenvolvimento muscular semelhante àquele dos machos inteiros. Ficou demonstrado que o desenvolvimento muscular típico dos machos é uma característica dependente do androgênio para a sua expressão fenotípica. No humano, a maior diferença muscular entre machos e fêmeas é encontrada nos músculos do ombro ou cintura escapular. No cão parece acontecer o mesmo, sendo notado principalmente nos machos da linha Quanto Wienerau.

Os androgênios, além dos seus efeitos virilizantes, têm efeitos anabolizantes que provocam o aumento da massa corporal do animal. Até o momento, todos os anabolizantes também têm efeitos androgênicos. Os efeitos androgênicos e anabolizantes não caracterizam ações diferentes do mesmo hormônio mas sim a mesma ação em tecidos diferentes. O músculo que responde anabolicamente ao hormônio possui os mesmo receptores que os outros tecidos alvo onde os efeitos dos androgênios são virilizantes.

O efeito anabólico dos androgênios é mediado pelo mesmo receptor proteico que media as ações em outros tecidos alvo. Esses efeitos são mais pronunciados no macho hipogonadal, nos machos antes da puberdade e na mulher do que no macho adulto normal. Embora ainda não cabalmente comprovado, admite-se que, em doses farmacológicas, possa levar ao aumento dos músculos acima dos níveis provocados pela secreção testicular no macho normal. Algumas vezes o efeito anabolizante dos androgênios em machos adultos normais é impedido por estarem saturados os respectivos receptores.

Em altas doses, os androgênios atuam no receptor glicocorticóide inibindo o efeito catabólico dos glicocorticóides e tornando mais exuberantes as manifestações anabolizantes.

Nos animais desnutridos, debilitados ou velhos o efeito do androgênio no ganho de peso é devido ao aumento do apetite.

Os androgênios provocam muitos efeitos colaterais: a- Sinais de virilização, alterações do crescimento ósseo, com fechamento epifisário precoce, que podem prosseguir por meses após a parada do uso do hormônio, a azoospermia por inibição da secreção da gonadotrofina e a conversão de androgênio em estrogênio. A oligospermia, a atrofia testicular e a infertilidade são as conseqüências mais drásticas; b- Feminizantes, pela conversão (aromatização) do androgênio em estrogênio nos tecidos extraglandulares principalmente em crianças.

Além disso, os anabolizantes podem provocar lesões hepáticas que podem levar ao carcinoma, cardiovasculares e edemas por retenção de sódio e líquidos.

 

Síntese proteica.

As proteínas são os elementos estruturais de todo o organismo. Além da função plástica, capaz de proporcionar todo o arcabouço animal, são elementos funcionais de células especializadas, das secreções glandulares, das enzimas e hormônios e, em condições especiais, servem como fonte de energia em substituição aos açúcares e gorduras. São os constituintes principais dos tecidos vivos e sua síntese é primordial para a vida.

Em todas as células há o ARN (ácido ribonucleico), com uma só haste em contraste com as duas do ADN(ácido desoxiribonucleico) e com composição química também diferente. Interessam-nos três ARN: o mARN(ARN mensageiro), o tADN (ARN de transferência) e o rARN(ARN ribosômico), todos eles sintetizados por ações catalizadoras de enzimas chamadas polimerases.

As proteínas são formadas por aminoácidos. Há 20 aminoácidos, sendo as proteínas deteminadas pelo número, espécie e ordem dos aminoácidos nas cadeias. As fórmulas das proteínas estão codificadas em nucleotídeos (unidades formadas por uma molécula de açúcar, a desoxirribose, uma molécula de fosfato e uma base nitrogenada) nas moléculas de ADN. Cada 3 nucleotídeos formam um codon que especifica um aminoácido. Cada aminoácido pode ser especificado por 1 até 4 codons. São três as estruturas responsáveis pela síntese das proteínas: a- Ribosomas. São partículas pequenas formadas por proteínas e RNA ribosômico (rRNA). Sua função é servir de superfície para a síntese proteica. São compostos por subunidades, pequenas e grandes, produzidas no núcleo e liberadas no citosol celular. As subunidades são individualizadas e unem-se para formar o ribosoma somente quando a síntese proteica é iniciada; b- Retículo endoplasmático (RE). É o maior sistema membranoso da célula, constituindo a metade do volume total da membrana. É um sistema de túbulos interconectados e vesículas cujo lúmem constitui a cisterna. No RE ocorrem a síntese e modificações proteicas, a síntese de lipídeos, a síntese de esteróides, a detoxicação de alguns tóxicos e a produção de toda a membrana celular. O RE possui dois componentes: a- RE liso, abundante nas células que sintetizam esteróides,colesterol e triglicérides. São muito encontrados em células como as do músculo esquelético; b- RE rugoso, abundante nas células que sintetizam proteínas. Possuem em suas membranas proteínas que reconhecem e ligam os ribosomas nas suas faces citosólicas, como a partícula receptora de reconhecimento de sinais (proteína ancoradouro), a proteína receptora do ribosoma (riboforina I e II) e a proteína examinadora.

As informações para as estruturas primárias das proteínas (seqüência de aminoácidos) encontram-se codificadas no ADN nuclear. Esta informação é transcrita, como um molde, no mRNA. Cada RNA mensageiro consiste de uma série de codons correspondentes a aminoácidos particulares. Há um codon chamado start codon, necessário para determinar o início da síntese proteica e um ou mais stop codon que determinam o final da síntese. Em seguida o mRNA deixa o núcleo em direção ao citosol. Os tARN "apanham" as moléculas de aminoácidos determinados e os transferem para o molde do mARN presente no ribosoma, seguindo a codificação existente e trazida do ADN dando origem à proteína especificada. As proteínas produzidas em sua maior parte associam-se aos rRNA(RNA ribosômico) para formar os pequenos e grandes ribosomos.

 

 

DADOS PRÁTICOS.

Os anabolizantes são uma fábrica de produzir proteínas e, consequentemente, massa muscular. Assim, tanto os anabolizantes endógenos como os exógenos, necessitam da matéria-prima para produzir os seus efeitos. A matéria-prima são as proteínas fornecidas pelos alimentos. Dos 20 aminoácidos conhecidos 9 ( histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina), os chamados essenciais, não são produzidos pelo organismo e devem ser fornecidos pelas proteínas alimentares. Uma ração com conteúdo proteico rico em quantidade, qualidade e balanceado adequadamente com os açúcares e as gorduras é essencial para o bom desenvolvimento do animal. O efeito básico dos hormônios anabolizantes no animal desnutrido é o aumento do apetite; mantido num regime alimentar pobre o organismo jamais responderá adequadamente aos estímulos sobre a massa corporal provocados pelos anabolizantes endógenos ou exógenos.

Outro fator que contribui para o pleno efeito dos anabolizantes são os exercícios físicos. De uma maneira geral o organismo adota a lei do menor esforço, desenvolvendo-se o necessário para cumprir as solicitações ambientais. Um animal mantido confinado jamais desenvolverá a totalidade da massa muscular determinada no seu genotipo.

Sou contra o uso de anabolizantes somente com a finalidade de aumentar a massa muscular do cão. E por alguns motivos ponderáveis:

Seria um engodo apresentar numa exposição um animal turbinado por anabolizantes. Engodo ao juiz mostrando um animal, ainda jovem ou filhote, com massa muscular, tamanho e profundidade de peito incompatíveis com a idade. Desrespeito aos outros participantes pela concorrência desigual. E, sobretudo, um crime contra o animal submetendo-o aos inúmeros e danosos efeitos colaterais produzidos pelo hormônio.

O crime não compensaria a longo prazo, trazendo grandes prejuízos ao criador faltoso, pois: b1- Com o fechamento prematuro dos núcleos de crescimento epifisários o animal, na fase adulta, geralmente teria uma altura menor do que se desenvolvesse normalmente sem o medicamento. E na terceira categoria os não turbinados seriam do mesmo tamanho ou maiores; b2- O padreador ou a matriz que receberam anabolizantes quando jovens teriam grandes possibilidades de serem menos férteis, e mesmo estéreis, de terem uma vida procriadora menor e seriam mais sujeitos a enfermidades, inclusive malignas, com grandes gastos veterinários.

Claro que o animal não transmitiria aos descendentes o seu falso fenotipo, causando dificuldade insanável para qualquer criatório.

Os androgênios são importantes no desenvolvimento do comportamento típico do macho. O seu uso em filhotes e jovens animais provocará nos mesmos, em muitos casos, comportamentos adultos como uma agressividade incompatível com a idade por exemplo. Se o hormônio for usado em fêmeas os resultados poderão ser mais indesejáveis ainda. Crescerão as possibilidades de comportamentos atípicos e não desejáveis como o aumento da agressividade e do medo. E as conseqüências poderiam ser nefastas, pois, muitos veriam nessa agressividade excessiva exemplo de bom temperamento/caráter.

Embora não tenha lido nada a respeito, é de esperar que o aumento ósseo acelerado e o aumento da massa muscular provocados pelos anabolizantes possam ter efeitos deletérios na articulação coxo-femural com manifestações displásicas aos RX. É lógico que a instabilidade, anatômica e metabólica, provocada pelo crescimento ósseo acelerado submetida às ações de uma massa muscular excessiva levaria a alterações articulares apreciáveis.

Estas conclusões estão no condicional. É claro que a maioria dos criadores nem mesmo conhece os "decas" e os "duras".

 

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