Um produto químico para ser utilizado como preservativo de madeira deve satisfazer uma série de requisitos:
* Eficiência: Deve apresentar toxidez à gama mais ampla possível de organismos xilófagos. Deve ainda permitir penetração profunda e uniforme na madeira.
* Segurança: Deve apresentar toxidez baixa em relação a seres humanos e animais domésticos, além de não aumentar as características de combustibilidade e flamabilidade inerentes à madeira. A solução preservativa não deve ser corrosiva a metais e plásticos com que são confeccionados os recipientes e equipamentos.
* Permanência e resistência à lixiviação: Para ser resistente à lixiviação deve ser insolúvel na água ou formar complexos insolúves por meio de reação química com os componentes da parede celular da madeira.
* Custo: Hoje em dia os preservativos têm um peso considerável na composição de custos, que sem dúvida deve ser uma preocupação permanente na pesquisa de novas alternativas.
Classificamos os preservativos em:
* Preservativos oleosos e oleossolúveis
a) Creosoto do alcatrão da hulha: É definido como
um produto destilado do alcatrão procedente da carbonização
da hulha betuminosa, à alta temperatura. É mais
denso do que a água e tem uma escala de ebulição
sem solução de continuidade que atinge pelo menos
uma faixa de 125 graus centígrados.
b) Creosoto de madeira: O alcatrão de madeira é
o mais antigo dos produtos preservadores conhecidos na história
do homem e é obtido como um subproduto da destilação
da madeira. Dados de campo dos EUA revelam que o desempenho do
creosoto mineral é nitidamente superior ao de origem vegetal,
provavelmente por uma questão de maior permanência
dos organismos xilófagos.
c) Creosoto de lignito: Devido à sua reduzida densidade
obtém-se boas penetrações durante o tratamento
sob pressão.
d) Creosoto fortificado: Este tipo de creosoto foi desenvolvido
em virtude de certos organismos apresentarem uma tolerância
maior que a média.
* Preservativos hidrossolúveis
Em virtude da escassez de derivados de petróleo, estes preservativos vêm assumindo uma importância cada vez maior no cenário da preservação da madeira.
* Compostos de boro
Os boratos possuem propriedades fungicidas, inseticidas e ignífugas. Como possuem propriedades fungicidas e inseticidas, são preservativos eficientes desde que usados sozinhos e que a madeira não seja submetida à lixiviação ou posta em contato com o solo.
* Inseticidas
Um inseticida pode ser definido ,como uma substância química empregada para eliminar insetos. Os inseticidas podem ser classificados de diversas formas, de acordo com sua eficiência num dado estágio de vida do inseto ou segundo sua natureza química.
2.1- Controle da deterioração das toras:
* Desdobro rápido
* Submersão e aspersão de água
* Aspersão de fungicida e/ou inseticida
2.2- Controle da deterioração da madeira serrada:
Uma das medidas preventivas é a secagem rápida em estufas a altas temperaturas. Nestas condições a madeira é esterilizada e seca muito rapidamente, onde não é possível o desenvolvimento de organismos xilófagos. Outras medidas são o desdobramento e secagem ao ar ou por desumidificação. Para que não ocorra infeção nas peças é necessária a aplicação de solução fungicida/inseticida.
* Processos sem pressão ou caseiros
Estão inclusos os métodos em
que não há pressão externa aplicada para
forçar a penetração do preservativo na madeira.
As etapas do processo são:
* Difusão
* Capilaridade
* Absorção térmica
* Pincelamento ou aspersão
São os processos mais simples disponíveis, requerendo investimentos mínimos e podem ser realizados com preservativos hidrossolúveis.
* Imersão rápida
Este método consiste na imersão da madeira durante um tempo muito curto.
* Processo de difusão
O fenômeno da difusão só
ocorre quando a madeira se encontra inicialmente com elevado teor
de umidade. A madeira é imersa na solução.
* Processo de substituição da seiva
As peças são colocadas na posição
vertical ou inclinada, com a base imersa na solução
preservativa. A medida que se processa a evaporação
da água, a solução preservativa penetra por
difusão e capilaridade.
Outro processo é o chamado "banho quente-frio". Este é indicado quando a madeira estiver seca. As peças são inicialmente colocadas em banho quente por um período de tempo suficiente para que a madeira entre em equilíbrio térmico com a solução e ocorra a expansão de ar das células da madeira. Então as peças são transferidas para o banho frio. Voltando à temperatura ambiente, o ar remanescente na madeira se contrai e então ocorre a absorção do líquido preservativo.
* Processo com pressão
Esse processo de impregnação com pressões superiores à atmosférica são os mais eficientes em razão da distribuição e penetração mais uniforme do preservativo na peça tratada. Há um maior controle do preservativo absorvido, resultando na garantia de uma proteção efetiva com economia de preservativos.
* Métodos que alteram a estrutura química da parede celular
Depois que a madeira for inteiramente impregnada com produtos químicos, reações subsequentes podem levar a um produto de madeira modificada. Os tratamentos empregados na estabilização dimensional podem ser classificados como: Métodos mecânicos, físicos, de volume ou de superfície.
* Processos biológicos
O controle biológico abrange a manipulação artificial de fatores bióticos e abióticos naturais visando a regulação de populações de determinados organismos. O controle biológico vem sendo intensamente estudado para o tratamento curativo de apodrecimento interno em postes. Porém, até hoje, não existe nenhum sistema de controle biológico que seja utilizado comercialmente n a preservação de madeira.
3.1- Inspeção e tratamento curativo em edifícios
Nas edificações a deterioração ou as situações favoráveis a ela podem ser detectadas por meio de inspeções para que sejam executados os tratamentos, reparos ou modificações, antes que danos maiores possam ocorrer. O ataque à madeira é evidenciado pelos indícios produzidos pelos insetos. Podemos ter: Cupins subterrâneos, cupins de madeira seca, brocas ou fungos. A identificação do tipo de ataque é macroscópica e particular para cada caso.
As técnicas mais utilizadas nos tratamentos curativos se baseiam no uso de produtos químicos que apresentam persistência. Existem vários métodos tais como:
* Fumigação: Consiste em submeter a peça à ação de um gás tóxico por um período suficiente para exterminar as diversas formas de inseto. Possui alto poder de difusão dos gases, permitindo a penetração profunda na madeira.
* Injeção, aspersão e pincelamento: A injeção é executada nas peças atacadas através dos próprios orifícios produzidos pelos insetos. Em seguida é dado um tratamento na superfície externa por aspersão da solução preservativa. Por fim, dá-se o pincelamento.
* Imersão: A imersão com finalidade curativa é inviável no tratamento de peças de edifícios devida à necessidade de desmontar a estrutura.
3.2- Inspeção e tratamento curativo em postes
É recomendado em casos em que o poste apresenta-se com apodrecimento atacado externamente por cupins. Deve-se limpar abaixo da linha de afloramento, com escova de aço até que a superfície permaneça livre de detritos. A partir de então faz-se a aplicação de preservativo líquido ou pastoso.
3.3- Tratamento químico de solo
A limpeza da obra e a execução de tratamento químico de solo são as principais medidas preventivas contra a infestação por cupins subterrâneos. O tratamento é feito geralmente por meio de valetas que protegem as fundações de paredes externas e internas. Abrem-se pequenas valetas no solo e adiciona-se a emulsão de inseticida. O solo é adicionado à valeta para nivelamento e deve ser tratado da mesma maneira. O tratamento de superfície, que complementa o tratamento junto às fundações, deve ser executado antes da confecção de elementos horizontais como contra-pisos, lajes e demais estruturas que se sobrepõem ao solo. A época adequada para a execução do tratamento é a mesma da construção do edifício.
3.4- Cuidados posteriores ao tratamento
O tratamento de solo com inseticida não deve ser executado em terrenos onde há riscos de contaminar águas superficiais ou subterrâneas. Após a execução do tratamento, o solo do perímetro externo do edifício deve receber um revestimento de proteção contra a água da chuva, principalmente nos terrenos inclinados. O tratamento consiste em romper os pisos existentes e adicionar a emulsão de inseticida, constituindo uma barreira química ao nível de fundações. Executam-se perfurações em série no piso, nas proximidades das paredes, colunas, juntas de dilatação, seguidas da adição do agente inseticida. Além de abranger a área edificada o tratamento deve incluir outras áreas com indícios de cupins.