Dr. Hálamo Moura
ANOMALIAS CONGÊNITAS
· Agenesia e Hipoplasia: são raras e responsáveis pelo cretinismo atireótico.
· Tireóide subesternal: decorre de migração excessiva, durante a organogênese com localização no mediastino anterior
· Tecido tireoidiano aberrante: decorre de erro de migração incompleta, excessiva ou distópica. Pode ser encontrada: laringe, intratraqueal, epicárdio, pericárdio, hilo hepático, canal inguinal, escroto, vagina e lingual (tireóide lingual)
· Canal tireoglosso: É uma anomalia resultante da persistência do desenvolvimento tubular da tireóide, podendo obliterar e dá origem a cistos: (cisto do conduto tireoglosso) Localizam-se na linha média do pescoço e são revestidos por epitélio escamoso ou tireoidiano.
A)
INFLAMAÇÕES (TIREOIDITES)
1) TIREOIDITE DE HASHIMOTO
· É causada por uma resposta autoimune contra a tireóide.
· A maior parte dos pacientes com Tireoidite de Hashimoto tem níveis elevados de anticorpos do tipo IgG:
· Anticorpo antitireoglobulina
· Anticorpo antimicrossomal
· Anticorpo contra o colóide.
· Os níveis destes anticorpos não se correlacionam com a severidade da doença.
· Nos estágios iniciais o aumento da tireóide é difuso, borrachoso, grosseiramente nodular. Nos estágios mais adiantados a glândula torna-se menor e finalmente, atrófica.
· Microscopicamente há destruição dos folículos tireoidianos, associado a marcante infiltrado de linfócitos na glândula.
· Grandes folículos linfóides estão presentes com centros germinativos exuberantes. Presença de metaplasia oncocítica ( Cels de Hurtle), associada à fibrose.
· A maior parte dos pacientes apresenta-se com aumento gradual da tireóide que pode levar a suspeita de neoplasia maligna.
· A função tireoidiana é variável, a maior parte dos pacientes é eutireoidianos ou com discreto hipotireoidismo. Não é comum o hipotireoidismo na fase inicial da doença.
· Na maior parte dos casos a doença progride com aumento do hipotireoidismo
· Os anticorpos podem ser detectados no soro na maioria dos pacientes. Títulos elevados de anticorpos são diagnósticos da doença.
TRATAMENTO
E PROGNÓSTICO:
· Reposição hormonal é necessária nos estágios avançados da doença. Cerca de 5% dos pacientes com Tireoidite de longa duração podem desenvolver neoplasias malignas, tais como carcinoma papilífero e Linfoma maligno de células B.
2)
TIREOIDITE SUBAGUDA
(TIREOIDITE GRANULOMATOSA DE DEQUERVAIN)
· Tireoidite subaguda também chamada tireoidite granulomatosa é uma doença incomum.
· Afetam ambos os sexos em todas as idades.
· A etiologia viral é a mais provável.
· A inflamação da tireóide geralmente sucede infecção do trato respiratório superior.
· Coxsackie vírus são os mais comumente relacionados.
· Nem a cultura nem exames através de microscopia eletrônica têm demonstrado partículas virais nas tireóides afetadas.
· A tireóide mostra-se difusamente aumentada, firme e freqüentemente aderida às estruturas vizinhas.
· Microscopicamente há extensa destruição por fibrose dos folículos tireoidianos, com agregados de macrófagos e células gigantes do tipo corpo estranho em volta do colóide livre.
· Clinicamente há um aumento doloroso da glândula, freqüentemente associado, com febre, adinamia e dores musculares.
· A maior parte dos pacientes é eutireoideos alguns, mostram um hipotireoidismo transitório.
· A doença é autolimitada e não leva ao hipotireoidismo.
3)
TIREOIDITE DE RIEDEL
· É uma doença rara que ocorre em pacientes idosos.
· As mulheres são afetadas mais comumente do que os homens.
· Anticorpos anti-tireoide não são detectados no soro.
· Pode se apresentar com proliferações fibrosas no retroperitônio e mediastino, sugerindo a possibilidade de ser um distúrbio sistêmico envolvendo fibroblastos
· A glândula é pouco aumentada de volume, assimétrica, de consistência firme às vezes lenhosa A cápsula é espessada e adere as estruturas vizinhas
· O quadro histológico é de uma inflamação crônica fibrosante, com infiltração linfoplasmocitária de intensidade variável.
· A fibrose pode envolver a traquéia levando a dispnéia
· Envolver o esôfago levando a disfagia
· Atingir o nervo recorrente laríngeo produzindo rouquidão.
· Tanto clinica como cirurgicamente pode ser confundida com carcinoma anaplásico.
4)
BÓCIO DIFUSO ATÓXICO E BÓCIO MULTINODULAR
· Bócio representa o resultado da deficiência da produção do hormônio tireoidiano que causa feedback aumentando a secreção de TSH pela hipófise, resultando em hiperplasia da tireóide. A hiperplasia corrige a deficiência e mantém o estado eutireoideo a expensas do aumento da glândula.
Bócio endêmico:
· É o resultado da deficiência crônica de iodo na dieta.
· Ocorre geralmente em regiões montanhosas tais como: Alpes, Himalaia, e os Andes.
· Nessas populações cerca de 5% dos indivíduos podem apresenta alargamento da tireóide.
· O bócio endêmico é incomum nas regiões costeiras face ao alto conteúdo de iodo na água do mar e nos alimentos.
· O bócio endêmico é mais comum nas mulheres por causa do aumento da necessidade de iodo durante a gravidez e a lactação.
· A incidência do bócio tem diminuído consideravelmente nos países onde o sal é iodado.
Bócio
esporádico:
·
Pode ocorrer em qualquer região e é usualmente devido
ao aumento da demanda fisiológica durante a puberdade e a gravidez.
·
Menos comumente decorre da deficiência de enzimas
envolvidas na síntese dos hormônios tireoidiano.
·
Em alguns pacientes a causa é desconhecida.
·
Macroscopicamente ocorre inicialmente um aumento difuso
da glândula (bócio difuso atóxico)
·
Posteriormente a glândula torna-se multinodular,
podendo atingir tamanho considerável.
·
Microscopicamente, há uma combinação de hiperplasia
induzida pelo TSH ( pequenos folículos revestidos por células colunares)
associada a áreas de involução da glândula ( macrofolículos distendidos por
colóide e revestidos por epitélio achatado) e fibrose.
·
Alterações degenerativas tais como hemorragia, cistos e
calcificação são comuns.
·
Clinicamente os pacientes são eutireoidos
·
Em algumas situações um nódulo dominante pode simular um processo neoplásico
·
Raramente hipertireoidismo ocorre devido ao
desenvolvimento de um nódulo hiperplásico autônomo (bócio nodular tóxico)
·
O risco de desenvolver carcinoma é mínimo.
Bócio
hiperplásico difuso:
·
A tireóide é geralmente hiperfuncionante e provoca a
doença de Graves, ou doença de Basedow
·
Macroscopicamente a tireóide aumenta duas a três
vezes seu volume, simetricamente. A
cápsula é lisa. A superfície de corte é avermelhada e carnosa de consistência
firme. Não exibe o brilho normal da glândula porque contém pouco colóide.
·
Microscopicamente o folículo tem tamanhos variados,
geralmente são pequenos e revestidos por epitélio colunar alto, com núcleo
grande e vesiculoso.
·
Além disso o epitélio exibe freqüentes invaginações
papilares intraluminares.
·
O estroma é ricamente vascularizado e infiltrado por
linfócitos que às vezes forma acúmulos
·
Incide mais freqüentemente no sexo feminino na
proporção de 5:1, preferencialmente na terceira e quarta décadas da vida.
·
Clinicamente apresenta-se com hipertireoidismo:
causando hipermetabolismo, hiperexcitabilidade nervosa, fadiga ou fraqueza
muscular, sudorese , taquicardia, emagrecimento, tremores das mãos, insônia,
sensibilidade ao calor e distúrbios da menstruação.
·
A doença tem base auto-imune: existem auto-anticorpos
da classe IgG contra sítios antigênicos do epitélio folicular, entre os quais
se encontra o receptor de TSH. Há então ativação da função tireoidiana, com
aumento da produção de T3 e T4
·
Há dois tipos de auto-anticorpos para o receptor de TSH
a) Iunoglobulina
estimuladora da tireóide, que induz hipersecreção hormonal;
b) Iunoglobulina para crescimento da tireóide, que produz
hiperplasia folicular.
NEOPLASIA BENIGNA
Adenoma Folicular
·
É a neoplasia benigna mais comum da tireóide. Ocorre em
torno de 30% de todos os casos de nódulos solitários da tireóide. Pode acometer
qualquer idade. A incidência no sexo feminino é maior
·
Macroscopicamente
se apresenta como nódulo solitário, firme vermelho acinzentado, medindo
em torno de 5cm de diâmetro.
·
Hemorragia, fibrose, calcificação e degeneração cística
pode está presente.
·
Microscopicamente
são usualmente compostos de
folículos de tamanhos variados. Ou agrupamentos sólidos de células epiteliais.
·
São circundados por uma cápsula fibrosa completa, que comprime o parênquima
circunjacente.
·
Ausência de cápsula e invasão vascular são os critérios
utilizados para diferenciar adenoma de carcinoma folicular.
·
Clinicamente, os pacientes são eutireoideos. Raramente
um adenoma causa hipertireoidismo.
·
Biópsia por agulha fina geralmente mostra um esfregaço
celular, com alguns microfolículos
·
Adenoma folicular não pode ser diferenciado de
carcinoma folicular através da biópsia
por agulha fina.
Carcinomas da Tireóide
·
Carcinoma da tireóide é pouco comum, com uma incidência nos Estados Unidos de 25-30
casos por um milhão. É responsável por cerca de 2000 mortes por ano, ou
seja, 0,5% de todas as mortes por câncer naquele país.
·
Atinge mais freqüentemente o sexo feminino.
·
Sua incidência tem aumentado nos últimos anos talvez
como resultado da exposição à radiação.
·
Três tipos de radiação são implicados como agentes
etiológicos:
·
Radiação externa do pescoço usada durante a adolescência
·
Tratamento com radioisótopos para tratamento da doença
de Graves
·
Acidentes nucleares como ocorreu em Hiroshima e
Nagasaki e mais recentemente em Chernobyl
·
Carcinomas papilares, foliculares e anaplásicos se
originam de células foliculares. O carcinoma medular das células
parafoliculares secretoras de calcitonina.
·
O carcinoma papilar é o mais comum
·
Afeta mais freqüentemente pacientes do sexo
feminino com idade que varia de 15 aos
40 anos
·
Macroscopicamente se apresenta como lesões
pequenas ou massas volumosas, com
aspecto caracteristicamente infiltrativo. Raramente como nódulos circunscritos
de tecido róseo brancacento.
·
Pode ocorrer degeneração cística com projeções
papilares aderidas a parede.
·
Microscopicamente
são caracterizados por: um arranjo papilar das células
·
Presença de núcleo claro.
·
Presença de inclusões intranucleares causada por
invaginações citoplasmáticas no núcleo
·
Corpos psamomatosos que são arredondados , laminados e calcificados, presentes em cerca de
40% dos casos.
·
Tireoglobulina pode ser demonstrada nas células neoplásicas por imunoperoxidase.
·
Comumente se disseminam por via linfática para
linfonodos cervicais
·
Disseminação por via hematogênica é rara.
Carcinoma folicular
·
Compreende 20% dos carcinomas da tireóide.
·
Mulheres são comumente mais afetadas que os homens.
·
Todas as idades são afetadas, mas a doença é mais comum
após os 40 anos.
·
Macroscopicamente
pode se apresentar:
a) Como um nódulo circunscrito, indistinguível de um adenoma
b) Como uma massa tumoral infiltrativa
· Microscopicamente são compostos de folículos de tamanhos variados, revestidos por células epiteliais com graus diferentes de diferenciação.
· O diagnóstico de carcinoma folicular depende da presença de invasão vascular, ou infiltração de cápsula . principalmente nos tumores bem diferenciados
· Tireoglobulina pode ser detectada nas células tumorais pela imunoperoxidase
· Disseminação por vias sanguínea, tende a ocorrer nos estágios iniciais provocando metástase para osso e pulmão.
· Disseminação linfática também pode ocorrer mas é de menor extensão que no carcinoma papilar.
Carcinoma Anaplásico
· É raro, compreende cerca de 5%
· Ocorre principalmente após os 50 anos.
· Macroscopicamente surge como massa infiltrativa de cor branco acinzentado e firme, com áreas de hemorragia e necrose.
· Microscopicamente é composto por células fusiformes, ou gigantes, mostrando extremo pleomorfismo e freqüentes figuras de mitose.
· Carcinomas anaplásicos são extremamente malignos crescendo rapidamente e se disseminando extensamente.
· A morte geralmente ocorre dentro de um ano, após o diagnóstico e é devida a infiltração das estruturas cervicais.
Carcinoma Medular
· É pouco comum ocorrendo em torno de 5%
· São originados das células C ( secretoras de calcitonina)
· Noventa por cento ocorrem como lesões esporádicas
· Dez por cento são familiares e fazem parte da adenomatose endócrina múltipla ( MEA II )
· Macroscopicamente formam massas firmes de aspecto infiltrativo e de cor branco-acinzentado.
· Microscopicamente são compostas por células pequenas, fusiformes ou poligonais, dispostas em ninhos, cordões ou lençóis.
· O estroma geralmente contém amiloide.
· Calcitonina pode ser demonstrada nas células tumorais pela técnica da imunoperoxidase.
· Local invasão das estruturas cervicais é comum.
· Tanto disseminação linfática quanto sanguínea pode ocorrer.
PROGNÓSTICO
· O carcinoma papilar tem um bom prognóstico com sobrevida de 5 anos de 90%.
· Carcinoma folicular tem sobrevida de 5 anos em torno de 65%.
· Carcinoma medular apresenta sobrevida de 50%.
· O carcinoma anaplásico é altamente maligno e os pacientes morrem geralmente dentro de um ano após o diagnóstico, portanto a sobrevida de 5 anos é zero.