Textos selecionados do Jornal Sexto Sentido n

 

Textos selecionados do Jornal Sexto Sentido n º 6

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A MENTE É O PROBLEMA

Imagine-se dirigindo um veículo por uma estrada. No início,
a viagem é tranquila; o veículo é novo, a estrada está limpa e não há problemas.
Logo caem as primeiras chuvas, depois surge uma tempestade de poeira embasando o
pára-brisas e dificultando a visão do motorista. A estrada começa a ficar
esburacada e a sujeira no pára-brisas impede a visão do motorista. O veículo
passa a atropelar e a se chocar com os obstáculos que encontra pela frente e a
viagem torna-se um tormento. O que fazer? a solução parece óbvia; parar o
veículo, limpar o pára-brisas para poder ter uma melhor visão da estrada e
depois seguir viagem numa boa. Essa estrada é a nossa vida, o veículo somos nós
e o pára-brisas do veículo é a nossa mente.
Quando nascemos, durante nossa infância, tudo parece fácil e tranquilo. A vida é
uma maravilha. Logo, nossos pais e a sociedade começam a nos criar problemas,
primeiro com as repressões, com as proibições, com os nãos, depois vem os
preconceitos, as ambições e todos os condicionamentos que a nossa mente é
submetida pela família e pela sociedade. Agora já não enxergamos mais nada,
nossa mente ficou totalmente embasada e distorcida. Passamos a nos chocar e a
atropelar tudo que encontramos pela frente e a viagem se torna um tormento, um
inferno. O que fazer? como no caso do veículo, precisamos dar um basta nesta
situação. Primeiro tomando consciência de que o problema é a sujeira de nossa
mente, a nossa visão distorcida das coisas. Temos que livrar a nossa mente de
todo este lixo que acumulamos durante a vida. Claro que esta limpeza, este
descondicionamento, não é tão simples como lavar e enxugar um pára-brisas de um
veículo, mas pode ser feito. O mais importante é tomar consciência do problema e
a firme decisão de resolvê-lo.

A MENTE ESTÁ NA RAÍZ DE TODOS OS NOSSOS PROBLEMAS

Quando você caminha, você tem de mover
as pernas; mas se elas continuam se movendo enquanto você está sentado, então
alguma coisa está errado. O mesmo acontece com a mente humana. Você quer
observar o pôr do sol, logo a mente começa a verbalizar o que está vendo. " Que
lindo!" diz a mente. A mente se interpõe entre você e o sol, impedindo uma
observação completa. Aqui também alguma coisa está errado. A mente está sempre
verbalizando o que vê. Se você vê uma flor, você a verbaliza. "É uma rosa" diz a
mente. A mente pode transformar cada coisa que existe em palavras. Então as
palavras se tornam uma barreira, um aprisionamento. Esta constante transformação
de coisas em palavras é um obstáculo a observação e a meditação. Esse obstáculo
deve e pode ser removido. A mente não quer deixar de exercer a maestria sobre
você. Ela é apenas um servo mas conseguiu se tornar um mestre e as coisas
ficaram de cabeça para baixo na sua vida. A mente deve ser um instrumento, não
um mestre. A mente em si é doente, defeituosa, devido aos maus hábitos e aos
muitos anos de condicionamento. A mente está sempre saltando à frente ou indo
para trás, nunca está no momento presente: ela é um constante tagarelar. Quando
esta tagarelice acontece, priva-nos de estar no momento e de viver a vida
totalmente. Como podemos viver totalmente quando nossa mente está tagarelando
para si mesma, mesmo enquanto estamos engajados nas atividades diárias? Este
tagarelar constante literalmente nos rouba vida, impedindo-nos de desfrutar o
que cada momento da vida reserva para nós. Não podemos parar a mente, não
podemos impedir sua tagarelice, mas através da meditação, o tagarelar vai
diminuindo até desaparecer. A menos que você saia da mente, não poderá ajudá-la
a se tornar saudável. Você está demasiadamente identificado com ela. Não se
identificar com a mente é o caminho mais curto para o seu próprio ser. Da mesma
forma que a mente não pode conhecer a paz, seu ser não pode conhecer tensões,
ansiedades, angústia. A questão não é curar a mente, a questão é mudar toda sua
energia, todo seu foco, da mente para o ser. Fique alerta e não dê ouvidos a
mente. A mente é o seu passado tentando constantemente controlar o seu presente
e o seu futuro. É o passado morto que continua a controlar o presente vivo A
meditação o ajuda a mudar.

VIVER ALÉM DAS PALAVRAS

A sociedade não pode existir sem a linguagem, mas a existência não
necessita de nenhuma linguagem. A linguagem é necessária, você terá de usá-la.
Mas você deve ser capaz de ligar e desligar o mecanismo da verbalização. Quando
você está existindo como um ser social a linguagem é necessária. Mas quando você
está sozinho com a existência, você deve ser capaz de desligá-lo. Se você é
incapaz de desligar o mecanismo da linguagem, então você se tornou um escravo da
mente. A mente deve ser um instrumento, não um mestre.
Assim, a primeira coisa é estar consciente. Esteja consciente de seu processo
mental, de como a mente trabalha. Apenas veja as coisas, não verbalize. Seja
consciente da presença delas, mas não as transforme em palavras. Deixe as coisas
serem, sem linguagem. Deixe as pessoas serem, sem linguagem. Não é impossível, é
natural. A situação tal qual existe agora é que é artificial. Nós nos tornamos
habituados a verbalizar tudo. Tornou-se um hábito, tornou-se tão mecânico que
nós nem mesmo estamos conscientes de que estamos constantemente transformando a
experiência em palavras. No momento em que você entende seu hábito mecânico da
verbalização, de transformar a existência em palavras, um vazio é criado. Um
vazio entre você e a mente. Você não é a mente. A própria consciência significa
que você está além da mente; à parte, uma testemunha. E quanto mais consciente
você se tornar, mais você será capaz de ver os vazios entre a experiência e as
palavras. No vazio não há linguagem, não há verbalização, só há o existir. isso
é pura meditação.
* * *

M E D I T A Ç Ã O

"A MEDITAÇÃO É UM ESTADO DE NÃO-MENTE"

A não-mente é um estado de consciência pura,
sem conteúdo. Normalmente sua mente está repleta de lixo, como um espelho
coberto de poeira. Há um tráfego constante na mente: pensamentos estão se
movendo, desejos, memórias, ambições - é um tráfego contínuo dia após dia, mesmo
quando você está dormindo, a mente está funcionando, sonhando, continua com suas
ansiedades, medos e preocupações.
Esse é o estado não - meditativo. A meditação é exatamente o oposto. Quando o
tráfego de pensamentos cessa e você permanece silencioso - este silêncio é
meditação.
Se você puder criar um lugar especial;
um pequeno templo ou canto na sua casa onde
possa meditar todos os dias - então não utilize esse lugar para nenhuma outra
finalidade, pois cada um tem suas próprias vibrações. Use este espaço somente
para a meditação e nada mais! Se você puder escolher um horário para meditar,
isso ajudará muito, pois o seu corpo e a sua mente são um mecanismo,funcionam
como um relógio. Medite todos os dias no mesmo lugar, à mesma hora. Você criará
uma "fome" pela meditação no seu corpo e na sua mente. Procure criar sempre o
mesmo clima para a meditação. Faça o seu próprio ritual. Todas essas coisas
ajudam.
* * *

KRISHNAMURTI FALA SOBRE O RELACIONAMENTO

DO HOMEM COM A NATUREZA E O MEIO AMBIENTE

"Se vocês perderem o contato com a natureza, perderão também o contato com a
humanidade. Se não houver relacionamento com a natureza vocês se tornarão
assassinos; então, matarão filhotes de focas, de baleias, de golfinhos, e
também, homens, quer pelo lucro, para obter alimentos, ou por "esporte". Então,
a natureza fica com medo de vocês, e perde a beleza. Vocês podem dar longas
caminhadas nos bosques, ou acampar em lugares adoráveis, mas são matadores,
assassinos, e portanto perderam a amizade da natureza. Provavelmente não se
relacionam com coisa nenhuma, nem com suas esposas nem com seus maridos".

O HOMEM NÃO SE INTERESSA PELA NATUREZA SENÃO PARA EXPLORÁ-LA

Qual é o nosso relacionamento com a natureza?
isto é, qual o nosso relacionamento com os rios, as àrvores, os pássaros, os
peixes nas àguas, os minerais sob a terra, as cachoeiras e os lagos? Qual o
nosso relacionamento com tudo isso? A maioria de nós não está consciente desse
relacionamento. Nós nunca olhamos para uma àrvore, ou, quando o fazemos, é com
intenção de utilizá-la, quer sentando-nos à sua sombra, quer cortando-a para
utilizá-la como madeira. Em outras palavras, olhamos para as coisas com motivos
utilitários: nunca olhamos para uma àrvore sem nos projetarmos, sem usá-la pra
nossas próprias conveniências. Tratamos a Terra e seus produtos da mesma
maneira. Não há amor pela Terra, mas apenas o uso da Terra. Se de fato amássemos
a Terra, teriamos muito cuidado com os produtos que ela nos dá.
A compreensão do nosso relacionamento com a natureza é tão dificil de entender
quanto o nosso relacionamento com os vizinhos, a esposa e os filhos. Mas não
ligamos para isso. Estamos ocupados demais com as atividades sociais, econômicas
e políticas. Obviamente, essas atividades são meios de fuga de nós mesmos.
Estamos sempre usando a natureza quer como meio de fuga, quer para fins
utilitários. Nunca nos detemos de verdade e amamos a Terra ou as coisas que ela
nos dá. Não apreciamos os campos férteis, embora os usemos para nos alimentar e
vestir. Não usamos mais as nossas mãos para trabalhar a terra. Assim vamos
perdendo o contato com a natureza.
Se tivéssemos entendido esse relacionamento, a sua real importância, não
dividiríamos a propriedade em sua ou minha; embora tivéssemos um lote de terra e
construíssemos uma casa, esta não seria "minha", nem "sua" no sentido da
exclusividade - seria mais um modo de abrigar-se. Pelo fato de não amarmos a
Terra e os seus produtos nos tornamos insensíveis à beleza de uma queda d'água,
perdemos o contato com a vida; não nos recostamos num tronco de uma àrvore. Já
que não amamos a natureza, não sabemos amar os seres humanos e os animais.
Perdemos a ternura e a sensibilidade que reage às coisas belas, e é apenas na
renovação dessa sensibilidade que podemos entender o que é um verdadeiro
relacionamento. Não recuperamos a sensibilidade apenas colocando alguns quadros
na parede, nem apenas pintando uma àrvore, nem colocando flores no cabelo. Para
recuperar a sensibilidade temos que abandonar esta visão utilitária da natureza.
O que não significa que não podemos utilizar a terra. Devemos usá-la da maneira
correta. A terra existe para ser amada, protegida, e não para ser dividida em
"sua" e "minha". É tolice plantar uma àrvore numa área cercada e dizer que é
"minha". Só quando estamos livres da exclusividade existe a possibilidade de
sermos sensíveis, não só a natureza, mas também aos seres humanos e aos
incessantes desafios da vida.
J.Krishnamurti
* * *

TESOUROS NO CÉU

Não ajunteis para vós tesouros na Terra
onde a ferrugem e a traça os consomem,
onde os ladrões minam e roubam.
Ajuntai para vós tesouros no céu
onde a traça e a ferrugem não os consomem
nem os ladrões minam e roubam
porque onde estiver o vosso tesouro
alí também estará o vosso coração.
Não vos preocupeis com a vossa vida
com o que haveis de comer, nem com o
vosso corpo, com o que haveis de vestir.
Não é a vida mais que o alimento?
Não é o corpo mais que o vestido?
Olhai as aves do céu, que não semeiam
nem ceifam e nem ajuntam em celeiros
e vosso pai celeste as alimenta.
Não valeis vós mais do que elas?
E qual de vós, com todas as vossas
preocupações, podeis acrescentar um
um só momento à duração de vossa vida?
E porque vos preocupais com o que vestir?
Olhai os lírios do campo; não trabalham,
nem fiam, entretanto vós digo que nem
mesmo Salomão em toda sua glória se vestiu
como um deles. Se Deus veste assim a erva
do campo que hoje existe e amanhã é lançada
fora, quanto mais a vós homens de pouca fé.
Portanto, não pergunteis; O que comeremos?
O que beberemos? ou, com o que nos vestiremos?
Mas buscai em primeiro lugar o reino de Deus
e a sua justiça e tudo mais vos será dado
por acréscimo. Não vos preocupeis com o dia
de amanhã. O dia de amanhã terá suas próprias
preocupações. A cada dia basta o seu cuidado.
Palavras de Jesus no sermão da montanha
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FALANDO AO CORAÇÃO

"A menos que você conheça a verdade de seu ser,
você nunca sentirá a imensa benção da vida.
Você nunca será capaz de transbordar de
contentamento apenas pelo simples fato de existir".
* * *

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