Meditação

Meditação:
Um Presente da Natureza.

Amado Bhagwan,
Meditação certamente é para os místicos. Por que você a propõe
às pessoas comuns e a seus filhos ?

     Certamente é para os místicos, mas cada um é místico ao nascer porque cada um carrega um enorme mistério dentro de si, um mistério que deve ser compreendido, todos carregam uma grande potencialidade, uma potencialidade que deve ser manifestada.

      Todos nascem com um futuro. Todos têm esperanças. O que você entende por místico? Um místico é aquele que está tentando compreender o mistério da vida, que está penetrando no desconhecido, que está indo para o inexplorado, é aquele cuja vida é uma vida de aventura, de exploração.

      Mas todas as crianças começam desta forma – com admiração, com surpresa, com uma profunda indagação em seu coração. Toda criança é um místico. Em algum ponto do seu assim-chamado crescimento você perde o contato com sua possibilidade intrínseca de ser um místico, e se toma um homem de negócios, ou se torna um funcionário, ou se torna um cobrador, ou se torna um ministro. Você se torna uma outra coisa. E começa a pensar que você é isso. E quando você acredita nisso, isso se torna a realidade.

      Meu esforço aqui é destruir todas as noções erradas que você tem a respeito de si mesmo e liberar o seu misticismo. A meditação é uma maneira de liberar o seu misticismo e a meditação é para todos, sem nenhuma exceção, ela não conhece exceção alguma.

      Meditação certamente é para os místicos. Por que você a propõe às pessoas comuns e a seus filhos ?

      As crianças são as mais capacitadas. Elas são místicos naturais. E antes que sejam destruídas pela sociedade, antes que sejam destruídas por outros robôs, por outras pessoas já corrompidas, é melhor ajudá-las a conhecer algo de meditação.

      A meditação não é um condicionamento porque meditação não é doutrinação. A meditação não lhe dá qualquer credo. Se você ensinar uma criança a se tornar cristã você terá que lhe dar uma doutrina; terá que forçá-la a crer em coisas que naturalmente parecem absurdas. Terá que dizer à criança que Jesus nasceu de uma mãe virgem - esse se torna um dos princípios fundamentais. Ora, você está destruindo a inteligência natural da criança. Mas ao ensinar meditação à criança, você não a está doutrinando. Você não diz que ela deve acreditar em coisa alguma, você apenas a convida a fazer um experimento de não-pensar. O não-pensar não é uma doutrina mas sim uma experiência. E as crianças são extremamente capazes disso porque estão muito próximas da nascente. Elas ainda lembram alguma coisa daquele mistério. Elas recém chegaram do outro inundo, ainda não o esqueceram completamente. Mais cedo ou mais tarde elas esquecerão, mas a fragrância ainda as envolve. E por isso todas as crianças são tão lindas, tão graciosas. Você alguma vez já viu urna criança feia?

      Então, o que acontece com todas essas lindas crianças? Para onde desaparecem? Mais tarde, na vida, é extremamente raro encontrar pessoas bonitas. Então, o que acontece com todas essas lindas crianças? Por que elas se transformam em pessoas feias ? Que acidente, que calamidade acontece no caminho?

      Elas começam a perder a própria graciosidade no dia em que começam a perder sua inteligência. Elas começam a perder o seu ritmo natural, sua elegância natural e começam a aprender comportamentos artificiais, de plástico. Elas já não riem espontaneamente, elas já não choram espontaneamente, elas já não dançam espontaneamente. Você as forçou para dentro de urna gaiola, de uma camisa-de-força. Você as aprisionou.

      As correntes são muito sutis, elas não são muito visíveis. As correntes são feitas de pensamentos - do pensamento cristão, hindu, muçulmano, Você acorrentou a criança mas ela não pode ver as correntes, assim ela será incapaz de perceber como está acorrentada. E ela sofrerá por toda a vida. Esse é um aprisionamento tal... Não é como jogar um homem dentro de uma prisão, mas é criar uma prisão que envolve o homem, assim para onde quer que vá, a prisão continua ao seu redor. Ele pode ir para os Himalaias e sentar em uma caverna, mas continuará sendo um hindu, continuará sendo um cristão - e ainda estará cheio de pensamentos.

      A meditação é uma maneira de ir para dentro de si mesmo, para uma profundidade na qual os pensamentos não existem, assim ela não é uma doutrinação. A meditação não lhe está ensinando coisa alguma, na verdade está justamente tornando-o alerta de sua capacidade intrínseca de ficar livre de pensamentos, de estar sem mente. E a melhor época é enquanto a criança ainda não está corrompida.

Sufis - O Povo do Caminho, Vol. 1 - Sessão 10
20 de agosto de 1977

Do original: "The New Child"   -  Editora Boschini
Edição em português: "A Nova Criança"  -  Editora Gente.

Os direitos autorais são de propriedade de: Osho International Foundation

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