Por que a Bíblia dos protestantes tem menos livros que a dos Católicos

    A Igreja católica e apostólica, dos Apóstolos e dos seus sucessores, recebeu a Bíblia do antigo e do Novo Testamento. A Bíblia completa tem 73 livros, ou seja, 46 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. 

    Pedro e Paulo morreram em 67. Em 95, o Papa Clemente, o 4º Papa, mandou longa carta de Roma para os cristãos de Corinto, na Grécia. Nesta Carta cita livros do Antigo Testamento. Naquela época, a Igreja de Cristo estava espalhada em todos os países. Isto não estava agradando a um grupo do Partido dos Fariseus. Muito menos quando perceberam que na Igreja os 27 livros do Novo Testamento, escritos em grego e fora da Palestina eram adotados como Bíblia. 

    No ano 100, um grupo do Partido dos Fariseus reuniu-se em Jâmnia, na Palestina. Ali decretaram que a Bíblia só tem 39 livros. Porque são livros em hebraico, escritos dentro da Palestina e antes de Esdras. assim, segundo aquele grupo do Partido dos Fariseus, todos os livros do Novo Testamento não são Bíblia. E de acordo com aqueles do Partido dos Fariseus, também os livros de Tobias, Judite, Eclesiástico, sabedoria, Baruc e os dois livros do Macabeus não fazem parte da Bíblia, porque foram escritos fora da Palestina, depois de Esdras, e não em hebraico. 

    Nos livros do Novo Testamento, os Apóstolos citam 300 passagens, conforme a Bíblia da Septuaginta. Daí se verifica que os Apóstolos usavam a Bíblia da Septuaginta, Bíblia de tradução grega que tem 46 livros do Antigo Testamento.

    Com base nos Apóstolos e em seus sucessores, o Concílio de Hipona em 393, o Concílio de Cartago 3º em 397, o Concílio 4º em 419 e o Concílio de Trulos em 692, proclamaram os 46 livros do Antigo Testamento como inspirados por Deus, seguindo nesta proclamação a tradição de quatro séculos, desde os apóstolos. Mais tarde, em 1442, o Concílio Ecumênico de Florença reafirmou a mesma fé nos 46 livros. Em 1442, Lutero ainda não tinha nascido. Nasceu em 1483.

   Em 1534, Lutero traduziu a Bíblia do Antigo Testamento. Mais tarde, por inimizades com a Igreja Católica, que já tinha 1.500 anos, surgiu um movimento ressuscitando o que o líder do Partido dos Fariseus de Jâmnia havia proclamado: só 39 livros do Antigo testamento.

   Na Inglaterra, a Sociedade Bíblica dos Protestantes continuou a publicar a Bíblia do Antigo Testamento com 46 livros. Isto até o século 19.

   Se daqui a 300 anos um fulano proclamar que a Bíblia do Antigo Testamento tem só 30 livros, o pessoal de então deverá seguir...? Se a decisão do Partido dos Fariseus de Jâmnia vale para repelir os Livros do Antigo Testamento, também não é decisiva para repelir os 27 livros do Novo Testamento?

   Não nos importa o que o líder do Partido dos Fariseus de Jâmnia proclamou no ano 100. Nós seguimos os apóstolos, a tradição apostólica de quase dois mil anos.

Frei Paulo Avelino de Assis.


O Cânone Bíblico do Antigo Testamento

Autor: Carlos Ramalhete

O cânone do Antigo Testamento é o cânone usado pelos judeus de língua grega no tempo de Cristo. Os judeus de língua grega usavam a tradução chamada Septuaginta, que segundo a tradição foi traduzida do hebraico por setenta sábios em setenta dias, cada um trabalhando isoladamente e chegando todos ao mesmo texto.

Os próprios judeus a consideram inspirada.

Mais de um século depois de Cristo, devido à destruição do templo de Jerusalém, os sábios fariseus se reuniram em Yavné (ou Jâmnia, de acordo com a língua) na Galiléia, e começaram a efetuar um trabalho de re-centralização da religião grega, que era antes centrada no Templo.

Sem o Templo (substituído por Deus pelo Sacrifício incruento da Santa Missa), os fariseus se viram forçados a procurar estabelecer regras mais rígidas de vida, ampliando ainda mais a "cerca em torno da Lei". Note-se que das seitas judaicas, só sobrara o farisaísmo; saduceus e essênios já tinham sido destruídos ou assimilados a outras crenças, mas os fariseus, com seu apego à exegese bíblica, foram os que menos sofreram com a derrota diante dos romanos.

Entre as decisões tomadas pelos fariseus, que não aceitaram a Cristo, por volta do ano 120 d.C. estava uma fixação do cânone Bíblico. Como o cristianismo estava crescendo enormemente, ele fixaram um cânone bíblico que propositadamente impediria a aceitação como Palavra de Deus do Novo Testamento. Os critérios por eles usados foram:

1 - o livro deveria estar disponível em hebraico (o que não era o caso de alguns livros cujo original hebraico havia sido perdido; o do Eclesiástico foi reencontrado recentemente na Guenizá do Cairo), e só o hebraico seria usado na liturgia e estudo bíblico; isso já botava de fora todo o NT

2 - O livro não deveria ser mais recente que 440 a.C.; Idem

3 - O livro deveria ter sido escrito na terra de Israel; isso também serviu como arma contra os criatãos, impossibilitando aceitar a imensa maioria dos textos do NT.

Evidentemente esses critérios não eram seguidos pelos cristãos, que não tinham mais nada a ver com os fariseus que não aceitaram a Jesus como o Cristo. O cânone cristão na verdade ainda não havia sido fixado, mas era usado o texto da septuaginta (citado nos evangelhos - inclusive os deuterocanônicos - e fonte de muitas exegeses impossíveis apenas com o texto hebraico).

Quando foi feita por São Jerônimo (padroeiro dos tradutores! S. Jerônimo, rogai por nós e dai-nos paciência para que traduzamos apropriadamente este chatíssimo manual de contabilidade que ora nos perturba a paciência!) a tradução latina da Bíblia, chamada Vulgata (feita por ser necessário que houvesse uma versão que o vulgo, ignorante do hebraico e do grego, pudesse ler), ela continha a íntegra dos textos confiados por Deus à Sua Igreja, incluindo no AT os sete livros que Lutero depois arrancou.

Todas as Bíblias desde então continham estes livros; uma prova disso é a Bíblia de Gutemberg (tem um exemplar na Biblioteca Nacional) e outras Bíblias ainda mais antigas. O cânone bíblico sempre foi o mesmo, desde que se julgou necessário ter um, por volta de quatrocentos anos d.C.

Lutero, porém, ao fazer a sua revolta, resolveu traduzir a Bíblia para o alemão. Ora, ao contrário de S. Jerônimo, que pôde usar manuscritos muito antigos, Lutero tinha à sua disposição apenas manuscritos recentes dos judeus, que evidentemente não continham os livros que os fariseus arrancaram do cânone bíblico muito depois de Cristo.

Além disso para ele era muito interessante eliminar do seu cânone alguns livros que iam contra algumas de suas invencionices, como a falsa noção de não haver um Purgatório, negada na Palavra no livro dos Macabeus, a falsa noção de não ser necessário evitar o pecado, negada por Deus no Eclesiático, etc.

Ele cogitou também em eliminar de "sua" bíblia a Epístola de Tiago, já que nela se diz claramente que não apenas a fé salva.

Essa epístola acabou ficando, mas ele falsificou a epístola aos Romanos, introduzindo a palavra "apenas" na frase que dizia que a fé salva. O mais engraçado é que a única vez que esta palavra aparece no NT é em Tg, exatamente no sentido oposto. Devido ao problema enorme causado pela revolta protestante, à qual se aliaram os príncipes que desejavam poder desobedecer ao Papa e massacrar os camponeses, e os ricos, que desejavam viver luxuriosamente de usura e exploração sem sentimentos de culpa, foi feito o Concílio de Trento, em que se julgou necessário explicitar entre outras coisas o cânone bíblico (que não mudou - basta ver qualquer edição ou exemplar manuscrito da Bíblia antes de Lutero), a importância da Tradição e do Magistério, a verdadeira doutrina sobre a Graça, enfim, vários pontos da Doutrina ensinada por Cristo e pelos Apóstolos que estavam sendo negados pelos hereges protestantes.


IMPORTANTE!

No início da era cristã havia dois cânones entre os judeus: O restrito da Palestina, e o amplo de Alexandria. Ora ocorreu que os Apóstolos e Evangelistas usaram a tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico. Basta termos em vista os textos de São Mateus 1,23 (usou Isaías 7,14); Hebreus 10,5 (usou Salmo 40,7). Portanto o cânon amplo, incluindo os sete livros, foi adotado desde a origem do Cristianismo pela igreja Católica. 

Os biblistas e estudiosos verificaram que nos escritos do Novo Testamento há citações implícitas dos livros deuterocanônicos. Assim, por exemplo, em Romanos 1, 19-32 encontra-se o livro da Sabedoria; em Romanos 13,1 encontra-se o livro da Sabedoria 6,4.8; em Mateus 27,43 também se encontra o livro da Sabedoria 2,13-18; em Tiago 1,19 encontra-se o livro do Eclesiástico 4,34; em Mateus 11,29s encontra-se também Eclesiástico 51,23-30; em Hebreus 11, 34s encontra-se o segundo livro de 
Macabeus 6,18-7,42. 

Por outro lado, os biblistas e especialistas, notam que não são (nem implicitamente) citados no Novo Testamento livros que, o cânon restrito da Palestina adotou (que é usado pelos evangélicos), como Eclesiastes. Éster, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum. 

Nos mais antigos escritos patrísticos são citados os deuterocanônicos como Escritura Sagrada: Clemente Romano (ano 96), na epístola aos Coríntios, recorre a Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; o Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso do Eclesiástico e do livro de Macabeus; Hipólito de Roma (ano 215) comenta o livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos e cita como Escritura Sagrada: Sabedoria, Baruque e utiliza Tobias e 1 e 2 de Macabeus. 


O Cânon das Escrituras

Foi a tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos livros Sagrados. A definição dos livros canônicos aconteceu no Concílio Regional de Hipona, no ano 393, definindo o cânon amplo como sendo o correto para o uso da Igreja Católica. Outros Concílios foram confirmando esta definição. Exemplos: Cartago III (397),
Cartago IV (419), Trulos (692), os Concílios Ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546), Vaticano I (1870). 

"Que não seja lido nada na Igreja além da Bíblia Canônica... A lista da Bíblia Canônica é esta: Gênese, Êxodo, Levítico, Números... Tobias, Judite, Ester... 1 e 2 Macabeus,... Jeremias, Lamentações, Baruque, Ezequiel, Daniel, Sirácida ou Eclesiástico, Cântico dos Cânticos, Sabedoria... Em nome dos 217 bispos reunidos em Cartago, deixo isto enviado ao nosso irmão e bispo de Roma, Bonifácio, com os bispos de todas as partes, para confirmar este cânon XXIV deste Concílio... Conforme o código africano estabelecido em Hipona (393) no cânon XXVI..." (Conteúdo do Concílio de Cartago IV - ano 419).

A lista completa é denominada "Cânon" das Escrituras. Ela comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se contarmos Jr e Lm juntos) escritos e 27 para o Novo conforme:


Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômios, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coélet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o Eclesiástico (ou Sirácida), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, para o Antigo Testamento; 

Os Evangelhos de Mateus, de Marcos, de Lucas e de João, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas de S. Paulo aos Romanos, a primeira e a segunda aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, a primeira e a segunda aos Tessalonicenses, a primeira e a segunda a Timóteo, a Tito, a Filêmon, a Epístola aos Hebreus, a Epístola de Tiago, a primeira e a segunda de Pedro, as três Epístolas de João, a Epístola de Judas e o Apocalipse, para o Novo Testamento. 


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