EXÉQUIAS EM CASO DE ABORTO

"O que fizestes a um destes mais pequenos,
foi a mim que o fizestes"
(Mt 25,40)

Em cemitérios onde funcionam necrotérios, é comum os ministros de exéquias depararem com funerais em que vários natimortos foram reunidos, após terem ficado muitos dias na câmara fria esperando por alguém que reclamasse por seus corpinhos. Isso se deve tanto à falta de informação nos hospitais, como ao real desinteresse da população mais carente pelo destino de filhos mortos em abortos provocados ou espontâneos, durante o parto etc. Nesses casos, os ministros celebram as exéquias, oram pelas famílias, em comunhão com essas crianças que na terna idade caminharam para a eternidade. 

Só Deus as conheceu em vida. Que elas vivam com Ele para sempre. Para marcar sua dignidade, sua identidade como pessoas, é costume designá-las com nomes bíblicos (Marcos, Mateus, Pedro, Raquel, Marta, Miriam...) durante o rito, caso não conste nome algum nos registros. 

Uma das preces finais diz: "Queira Deus, que na hora de nossa hora, nossas almas sejam encontradas parecidas à deste anjo que nos veio visitar! Pai, acolhe a sua vida e conduze-nos uma eternidade feliz. Amém". 

Nesses casos, os ministros costumam acompanhar as criancinhas até a sepultura. 


RITUAL - INÍCIO - ACOLHIDA:

O sinal-da-cruz: 

* No início, apresentar o sinal-da-cruz como boas-vindas à criança. Convidar todos a fazê-lo, tocando na criança ou no caixãozinho.

Mensagens para usar na acolhida:

A acolhida é um gesto próprio na medida em que recebe os presentes e o defunto. No caso de exéquias de crianças, uma atenção especial deve ser dada a todos. Os elementos apresentados a seguir são pontos de partida para a intervenção do ministro e a reflexão da comunidade: 

* Lembrar que a Igreja sempre acolhe seus filhos, em todas as circunstâncias. 

* Uma mesma pena nos reúne, mas também uma mesma esperança. 

* Nós os rodeamos com toda a nossa simpatia e afeto.

* A vida que essa criança recebeu de seus pais não foi destruída pela morte, mas transformada em vida eterna!

* Essa criança era filha de Deus: agora já está junto a Deus. É ela quem reza por nós. 

* Viver essa dor em solidariedade com o mundo e com todo o universo. 

O Sinal do Silêncio: 

* Convidar todos a um momento de prolongado silêncio, após uma pequena oração do ministro: 

- Senhor as palavras nos faltam. Aceita o nosso silêncio! 

Isso pode ser feito dando-se as mãos entre familiares e presentes, num círculo em volta da criança falecida. 

Sugestão de oração final  que pode ser dita (ou repetida) por todos, com as mãos dadas, em volta do caixãozinho.

"Pai, vós sois o criador de tudo, e tudo o que é gerado no amor vem de vós. Nós entregamos em vossas mãos esta vida que foi interrompida em seu início. Acolhei-a, Ó Pai, por Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo". 

Encerramento:

* No final, apresentar o sinal-da-cruz como despedida. Convidar todos a fazê-lo, tocando na criança ou no caixãozinho. 

* Acompanhar a criancinha até a sepultura.

* Despedidas

Bibliografia: "A Foice da Lua no Campo das Estrelas" de Evaristo Eduardo de Miranda - Edições Loyola.


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