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Final de Ano

Todos os anos me pergunto quando os comerciais de Natal terão início, se serão melhores que os do último ano, quando os Shoppings colocarão aquelas placas gigantescas com algum tipo de mensagem de Natal e Ano Novo, se a Veja colocará novamente alguma resportagem sobre Jesus na capa, quando os conhecidos começarão a te desejar Feliz Natal e se a Sessão da Tarde passará os mesmos filmes que eu assistia 10 anos atrás sobre eventos natalinos.

O comércio definitivamente não existiria sem o Natal. O que se vende nesse período é mais do que no ano todo. O que for colocado na vitrine, vai para alguma sacola de um ávido consumidor.

Ficar falando que o Natal é uma festa meramente comercial, ou que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro é conversa vencida.

Ainda que hoje o Natal seja uma festa estranha à minha pessoa, tenho boas recordações do período da infância. Nessa época todos os parentes, até aqueles primos que não recordávamos o rosto, se juntavam e de alguma forma faziam você sentir-se seguro e membro de algo importante.

Esse mesmo sentimento aparecia quando era aniversário da minha avó, ou de algum tio meu.

Lembro que em Fortaleza, quando as festas envolviam a família, eram sempre ótimas, ainda que somente muitos anos depois viesse a compreender o motivo de alguns tios e primos ficarem tão à vontade e abandonarem a cara séria quando bebiam.

Após um longo período morando em uma cidade que de familiar imediato tinha apenas meus pais e irmãos, é que percebi que o grande diferencial dessas festas, inclusive o Natal, não é a festa em si, não é festejar o aniversário de uma figura da Bíblia... o importante é a possibilidade de estar com pessoas que você fica à vontade, que riem das suas piadas sem graça e que entendem as gafes cometidas sempre com a seguinte frase "Que nada, ele só bebeu um pouco a mais".

O Ano Novo sempre foi uma festa meio ambigua quando pequeno. Diferente do Natal, cada primo ou tio tinha uma festa diferente para ir. Definitivamente o Ano Novo não é uma festa para crianças, e isso viria a entender somente mais velho.

Tem uma coisa que sempre me incomodou quanto ao Ano Novo, é essa tendência que as pessoas têm de sempre achar que o ano seguinte será melhor, mesmo que o anterior tenha sido maravilhoso.

Sei que irá dizer "Minha retrospectiva é sempre positiva". Mas, de uma forma geral, parece que o ano que está passando faz parte de uma era do obscurantismo, enquanto que o ano subsequente traz a perspectiva de uma era de paz e fartura, ou pelo menos será até passar a manguaça da Champagne ou o pileque de Sidra.

Esse meu ano foi bom, claro que poderia ter sido melhor, acho que minha maior conquista, após anos, foi cravar a marca do meu colesterol abaixo do limite recomendável.

Não me chame de frívolo, quem tem o colesterol alto sabe como é arrepiante comer uma picanha suculenta e no dia seguinte você psicologicamente sentir a gordura entupir suas veias.

Pronto, se me perguntasse qual minha maior conquista em 2004 eu diria de forma veemente "Poder comer uma picanha bem passada e com a gordura escorrendo em 2005"

E quanto ao Natal? Que as pessoas possam entender que o mais valioso é estar perto dos amigos e família....e que "A Rena do Nariz Vermelho" não seja exibida esse ano na Sessão da Tarde.

Hélio

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© 2004 Hélio Leal
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