É do conhecimento de todos que as escolas
filosóficas Racionalista e Empirista possuem conteúdos
diferenciados. Fácil pois seria dar uma visão geral de
ambas uma vez que as diferenças nos saltariam aos olhos.
Mas para um estudo mais detalhado utilizaremos um
método comumente utilizado pelo Racionalismo: a análise.
1.0 Conhecimento Científico
O Racionalismo argumenta que a obtenção do
conhecimento científico se dá pelas idéias inatas, que
seriam pensamentos existentes no homem desde sua origem
que o tornariam capazes de intuir (deduzir) as demais
coisas do mundo. Tais idéias inatas seriam o fundamento
da Ciência.
Para o Empirismo, a Experiência é a base do conhecimento
científico, ou seja, adquire-se a Sabedoria através da
percepção do Mundo externo, ou então do exame da
atividade da nossa mente, que abstrai a Realidade que
nos é exterior e as modifica internamente. Daí ser o
Empirismo de caráter individualista, pois tal
conhecimento varia da percepção, que é diferente de um
indivíduo para o outro.
1.1 Origem das Idéias
Para o Racionalismo podem existir 3 tipos de Idéias:
a) As do mundo exterior formadas através da captação da
Realidade externa por nós mesmos internamente;
b) As inventadas pela Imaginação, fruto do processo
criativo da nossa mente;
c) As idéias inatas, aquelas que já nascem com o sujeito,
concedidas por Deus como uma dádiva, e que são a base
da Razão.
Com estas idéias podemos conhecer as leis da Natureza,
que também foram criadas por Deus. Tal princípio parte
da certeza do pensamento para afirmar qualquer outra
realidade.
O Empirismo diz que a origem das Idéias é o processo de
abstração que se inicia com a percepção que temos das
coisas através dos nossos sentidos. Daí diferencia-se o
Empirismo: não preocupado com a coisa em si,
estritamente objetivista; nem tampouco com a idéia que
fazemos da coisa atribuída pela Razão, com ensina o
Racionalismo; mas puramente como percebemos esta coisa,
ou melhor dizendo, como esta coisa chega até nós através
dos sentidos.
1.2 Relação de causa e efeito
As relações de causa e efeito são vistas pelo
Racionalismo como obedientes ao Mecanicismo. Por este,
entender-se-ia que a Razão rege as leis da Extensão
(materialidade das coisas) e do movimento. Tal rigor
seria matemático e completamente objetivo, ou seja uma
propriedade do Real. Em outras palavras, as relações que
o homem observa são inerentes aos objetos em si e à
Mecânica da Natureza, espécie de engrenagens que
obedecem a uma ordem preestabelecida.
Para o Empirismo a relação de causa e efeito nada mais é
do que resultado de nossa forma habitual de perceber
fenômenos e relacioná-los como causa e consequência
através de uma repetição constante. Ou seja, as leis da
Natureza só seriam leis porque observaram-se
repetidamente pelos homens.
1.3 Autonomia do sujeito
Para o Racionalismo a liberdade de consciência do
indivíduo tem um fim: uma justa apreciação dos bens,
dizendo ainda que haveria uma identidade permanente da
consciência individual.
Já o Empirismo nega tal identidade permanente, pois o
conteúdo de nossa consciência varia de um momento para
outro de tal forma que ao longo do tempo essa
consciência teria, em momentos diferentes, um conteúdo
diferente. A explicação está no fato de que a
consciência, como sendo um conjunto de representações,
dependeria das impressões que temos das coisas, mas
sendo impressões estariam sujeitas a variações.
1.4 Concepção de Razão
O Racionalismo vê a Razão como a capacidade de bem
julgar e de discernir o verdadeiro do falso. Entende que
a Razão é independente da experiência sensível, e que
pertence ao Espírito que é diverso da Extensão.
O Empirismo apesar de não possuir pensamento
contraditório entende de forma bem diferente: diz que a
Razão é dependente da experiência sensível, logo não vê
dualidade entre espírito e extensão(como no Racionalismo)
, de tal forma que ambos são extremidades de um mesmo
objeto.
1.5 Matemática como linguagem
Para o Racionalismo deve-se utilizar do método de
conhecimento inspirado no rigor da Matemática. Vale
dizer, completo e inteiramente dominado pela Razão: "os
princípios conhecidos por intuição desempenham o papel
de axiomas". É o método dedutivo que parte do geral para
o particular, primeiro elaboram-se as suposições e
depois são feitas as comprovações ou não.
No Empirismo tal método matemático não é aceito. A
experiência é o ponto de partida de nosso conhecimento,
logo não há necessidade de fazer hipóteses. Assim
caracteriza-se o método indutivo que parte do particular
(experiências) para a elaboração de princípios gerais.
(fim do documento)
by Ilan de Souza.(Estudante do 5º sem./Fac. de Direito/UFBa.)