Índios Temiminós do Espírito Santo
ÍNDIOS BRASILEIROS
TEMIMINÓS DO ESPÍRITO SANTO

Maracajaguaçu e Araribóia

Para a corte portuguesa, no período da colonização do Brasil, não interessava a história dos heróis anônimos, os verdadeiros desbravadores, construtores dos novos aldeamentos e responsáveis pela penetração mata adentro da colonização portuguesa. Muito menos interessava a luta dos indígenas, dos Jesuítas e dos primeiros colonizadores. O que não fosse épico, evento grandioso, não merecia consideração.

No anonimato, está o amor, o trabalho através das lendas, da história. É ainda no anonimato que está o verdadeiro herói que constrói o todo a partir de si mesmo.

 

HONRADOS PIONEIROS

 

Palco do surgimento de autênticos heróis anônimos, a Serra tornou-se uma região de evidência no contexto da conquista da terra, na época de sua colonização.

São heróis anônimos da colonização da Serra, que honram e dignificam a história de qualquer cidade ou país, os índios Temiminós, os Tupiniquins, os padres Jesuítas, os primeiros colonos portugueses e depois os negros escravos. Pessoas anônimas que ajudaram na formação e construção das bases da futura cidade da Serra.

Junto a este grande número de heróis desconhecidos, anônimos, estão os nossos heróis conhecidos: Braz Lourenço, Maracajaguaçu, Araribóia, Diogo  Jácome, Fabiano de Lucena, Diogo Fernandes, Pedro da Costa, Manoel de Paiva, Felipe de Guilhen, José de Anchieta e Índia Branca Coutinho, mulher de Maracajaguaçu. Personagens conhecidos que construíram a nossa história ajudados pelos heróis anônimos. Todos com trabalho e dedicação deram o seu suor pela Serra.

 

TUPINIQUINS E TEMIMINÓS

Primeiros habitantes da região falavam o Tupi

Na época que os Portugueses chegaram ao Brasil havia cerca de  2 a 5 milhões de Índios. A população indígena era superior a toda população de Portugal.

Considerando o critério língua, os indígenas podem ser classificados em quatro grandes grupos:

Tupi-guarani – Ocupava o Litoral

Jê ou tapuia – Ocupava o Brasil Central

Nuaruaque – Ocupava regiões da Amazônia e Mato Grosso

Caraíbas – Ocupava o norte da região amazônica.

Desde os tempos mais remotos, muito antes mesmo da chegada dos Portugueses ao Brasil, a área ocupada pelo Município da Serra era habitada pelos Índios. Pesquisas mais recentes informam que há sete mil anos os índios já habitavam o Espírito Santo, conforme objetos encontrados nos locais onde moravam os índios, os chamados sítios arqueológicos, na divisa dos municípios de Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina.

Na época da colonização do Espírito Santo os indígenas que existiam na Capitania eram:

1- Goitacases, no sul. (língua Tupi)

2- Tupiniquins, no litoral norte. (língua Tupi)

3- Aimorés, localizados no centro  e no interior da Capitania e que falavam a língua Jê ou Magrogê. Neste grupo destacavam-se  também os Uatus, Puris e Botocudos, na região onde estão as cidades de Colatina, Baixo Guandu e Aimorés.

 

TUPINIQUINS E GOITACASES

 

Os índios que habitavam o litoral falavam o Tupi-guarani. Os de língua Tupi denominavam os demais de Tapuias, que significa  “aquele que não fala a nossa língua”. Portanto eram Tapuias todos que não falavam a língua Tupi. No Espírito Santo, no século XVIII, essa denominação passa a ser “Botocudo”, palavra que denomina todos os índios que não aceitavam à colonização portuguesa.

Numa publicação do IBGE datada de 1934 consta que a colonização da Serra começou no século XVI, quando “o padre Braz Lourenço penetrou na região povoada pelos Índios Goitacases.”

Sobre o assunto, o historiador Basílio Carvalho Daemon diz o seguinte: “Embora alguns digam Índios Goitacases, tenho dúvidas, uma vez que os Índios Goitacases estavam no sul da Capitania, sempre em guerra.”

Os Tupiniquins foram os primeiros habitantes da região da Serra. Os Aimorés, Botocudos e os Goitacases não estavam Aldeados na região.

Os Aldeamentos dos Tupiniquins estavam localizados no litoral, de modo especial,  na região de Jacaraípe e Nova Almeida.       

 

A PRESENÇA INDÍGENA NA REGIÃO

Localização dos Índios de norte a sul

 

Antes de 1554 não haviam índios Temiminós no Espírito Santo.

A escritora Neida Lúcia Moraes na obra “Atlas Escolar do Espírito  Santo”, publicada pela Sedu - Secretaria de Estado da Educação e Cultura do Espírito Santo, em 1986, informa que  os Índios que habitavam o Espírito Santo “na época do seu povoamento” eram os de língua Tupi: Goitacases, Temiminós, Tupiniquins e outros.

Sobre os Temiminós informa ainda que os mesmos habitavam a baixada de Goiabeiras, Carapina, até as proximidades de Vitória e os Goitacases, a região do Itapemirim, no Sul do  Estado.

Segundo ainda a escritora  Neida Lúcia, “no norte, do rio Cricaré (região de São Mateus) a Porto Seguro, na Bahia, estavam os Tupiniquins.” Já os Tamoios informa que “viviam no sul do Estado.”

Na página 19 do livro “Atlas Escolar do Espírito Santo”, há um Mapa em que os Goitacases são situados nos Municípios de Piúma, Itapemirim e Presidente Kennedy, no litoral Sul do  Estado.

 

PRIMEIROS HABITANTES

 

No mesmo Mapa, os Temiminós são localizados na região do litoral que vai dos Municípios de Anchieta a Linhares, nas margens do rio Doce. Historicamente consta que um irmão de Maracajaguaçu, o Índio Temiminó, Cão Grande, foi com sua gente para a região de Guarapari, o que confirma o registro da presença de Temiminós em Anchieta e Guarapari.

Toda a área da Serra é apresentada como território dos Índios Temiminós.

No Capítulo “A presença do Índio na História do Município da Serra”, de uma publicação sobre a Serra, o Acadêmico Wilton Simas da Rocha, informa:

“Desde os tempos mais remotos, muito antes mesmo da chegada dos Portugueses ao Brasil, a área ocupada pelo atual Município da Serra era habitada pelos Índios. No litoral viviam os Temiminós, Índios do Grupo Tupi, e no interior os Puris, do Grupo dos Botocudos. Os Índios foram portanto os primeiros habitantes do Município.” (Historiador Wilton Simas da Rocha, Acadêmico  da Academia de Letras e Artes da Serra. Já falecido.)

Os Índios Puris realmente viviam no interior da Capitania, na região de Conceição do Castelo e não no interior do Município da Serra, onde estavam apenas os Tupiniquins. Os Temiminós só chegaram depois de 1555.

 

EXPLORAÇÃO DO ÍNDIO

Bugigangas e  trabalho forçado

 

No início, o trabalho do Índio era conseguido de forma amigável, por meio do “escambo”, ou seja, pelo trabalho o europeu português dava pedaços de tecidos, espelhos e outras bugigangas .

Quando o Índio recusava realizar o trabalho, o europeu passava a usar a violência e impor um regime de escravidão .

O trabalho da lavoura era responsabilidade das mulheres indígenas. Quando eram chamados a trabalhar, os índios tornavam-se indolentes, bastante preguiçosos e se revoltavam, promovendo guerras contra o opressor, que além de invadir suas terras tentava impor a condição de escravo.

Segundo o padre Afonso Braz, os Índios do Espírito Santo eram de costumes difíceis:

“Inaptos a receber o batismo, pois voltam com facilidade a seus antigos costumes, indo-se para o meio dos seus.”            

 

FUNDAÇÃO DE ALDEIAS

 

Os padres Jesuítas consideravam-se os “soldados da religião” e procuravam divulgar os ensinamentos da Igreja Católica no Brasil. Tinham por missão catequizar os Índios e colonos convertendo-os ao catolicismo e para tanto ensinavam a Doutrina Cristã.

O trabalho de catequese exigia a entrada dos padres pelo interior, pois os Índios afastavam-se do litoral fugindo à invasão de suas terras .

Nas viagens pelo interior, os padres foram fundando aldeamentos onde os Índios estudavam a Doutrina  Católica e os costumes da cultura européia, aprendendo a falar o português, desempenhar serviços domésticos e trabalhar na agricultura de livre e espontânea vontade.

No livro “Espírito Santo Minha Terra, Minha Gente”, de autoria de Léa Brígida Rocha de Alvarenga Rosa, Luiz Guilherme Santos Neves e Renato José Costa Pacheco, publicado pelo Governo do Estado do Espírito Santo através da Secretaria de Educação e Cultura, SEDU, em 1986, consta o seguinte na página 42, com o título: “As Transformações das Cidades”: “A primeira povoação fundada no Espírito Santo foi a Vila do Espírito Santo, depois chamada Vila Velha, localizada entre o Morro da Penha e o do Soares. Estava começando a ocupação das terras capixabas. (...) Mais  tarde foi fundada a Vila de Vitória, que passou a ser a sede da Capitania e seria depois a Capital do  Estado. (...) As Vilas que iam surgindo estavam localizadas nas faixas litorâneas, isto é, ao longo do mar ou perto dele. (...) A fundação desses primeiros povoados teve motivos diferentes. Guarapari, Benevente (hoje Anchieta), Serra e Nova Almeida surgiram graças à ação dos padres Jesuítas. Eles procuravam formar Aldeias ou”. Centro de Catequeses, que iam crescendo e se transformavam em povoados.” Observa-se no texto que a Serra e Nova Almeida são  classificados como povoados surgidos em razão da “ação dos Jesuítas”, que procuravam “formar Aldeias”, coincidindo com as informações históricas de que a Serra se originou da Aldeia Indígena.

           

ORGANIZAÇÃO INDÍGENA

Aldeias, Tribos e Nações Indígenas

 

As Tribos Indígenas eram unidas pelo parentesco, próximo ou distante, e estavam divididas em diversas Aldeias, chamadas Malocas ou Tabas, também conhecidas como Sítios Indígenas, Aldeamentos ou Sambaqui.

Cada Taba era protegida por uma cerca de troncos, a chamada Caiçara, dentro, as Ocas (Choças) estavam dispostas em círculo, tendo à sua frente uma espécie de praça, a Ocara, que era utilizada em cerimônias religiosas e festas.

As Ocas eram cabanas de sapé ou de folhas de palmeiras, onde moravam as famílias indígenas.

O conjunto de várias Ocas formava a Aldeia ou Taba. Muitas Aldeias constituíam uma tribo. O conjunto de tribos formava uma Nação Indígena.

O Cacique, também chamado Morubixaba era o Principal, isto é o Chefe Guerreiro de cada Aldeia ou do  conjunto de Aldeias que se constituía a Nação Indígena.

A  palavra  Morubixaba  é a composição dos  termos:  Mó (Faz) YBY (da Terra) e Eçaba (olhar, o vigiar). Morubixaba era portanto o Chefe da Tribo.

 

COSTUMES INDÍGENAS

 

Nos primeiros contatos, os europeus imaginavam que todos os Índios fossem iguais e falassem a mesma língua. Aos poucos perceberam a existência de grande variedade de nações e línguas.

Indígena passou a ser um nome para denominar um grande conjunto de povos diferentes entre si.

Os índios andavam nus e não tinham vergonha do corpo. Os europeus achavam a nudez em público, imoral e pecaminosa.

Não tinham riquezas pessoais. Os bens eram de uso comum entre todos da tribo.

As mulheres cuidavam das crianças, preparavam a comida, faziam potes e cestos e cuidavam da lavoura. Os homens dedicavam-se à guerra, caça, pesca, construíam canoas e cabanas e limpavam a mata para a lavoura.

Maracajaguaçu era o Chefe da Nação Indígena dos Temiminós. Era um Índio Temiminó, do Grupo Tupi. Vivia com a sua tribo na Ilha de Paranapuã, palavra indígena que significa "seio do mar" ou "ilha do mar". A ilha era denominada pelos Portugueses de Ilha dos Maracajás ou Ilha do Gato.



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CJBS

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