Impactos das Barragens

 

         A construção de barragens em Portugal, é um assunto na ordem do dia, sendo um assunto polémico.

         As barragens são até certo ponto um “mal necessário”, pois fornecem energia, são uma reserva estratégica de água que permite fazer captações tanto para consumo humano, como para rega ou uso industrial, servindo de reserva nas épocas de escassez.

      As barragens permitem também o aproveitamento hidroeléctrico fornecendo uma energia limpa, e até certo ponto segura (este até certo ponto segura será explicado mais adiante).

         Cumulativamente, a construção de uma barragem pode trazer para uma dada região um importante investimento económico, e pode promover o desenvolvimento de uma região, pois há sempre a tendência para o aumento da pressão imobiliária, a construção de hotéis, restaurantes, lojas de pesca, marinas fluviais, … por estas razões os autarcas e grande parte das populações vêm com bons olhos a construção de uma barragem.

 

 

 

Mas há o reverso da medalha…

Uma barragem tem fortes impactos ecológicos e sociais e grande parte são negativos.

 

Impactos Negativos das Barragens

 

Ø      Submersão de vastas áreas cultiváveis (normalmente as mais férteis);

Ø      Possível deslocação de populações humanas (ex: Aldeia da Luz, durante a construção da B. de Alqueva);

Ø      Ao fim de alguns anos se não houver manutenção as barragens também podem romper-se, provocando grande destruição;

 Paredão de uma barragem que se rompeu no Brasil

 

Ø      Tornam-se barreiras físicas que impedem as migrações dos peixes, mesmo havendo passagens para peixes, pois em muitas das nossas barragens nunca se construíram esses dispositivos e onde os construíram, muitos não funcionam;

Ø      Destruição e submersão da vegetação ribeirinha (ripícola), que ao desaparecer ou ao ser fortemente alterada, vai provocar o aumento da erosão dos solos envolventes, o aumento do escorrimento superficial do solo levando matéria orgânica e sedimentos para o leito do rio/barragem, e sem essa vegetação ribeirinha diminui a filtração biológica realizada pelas árvores e restante vegetação;

Ø      Há uma alteração do habitat: a alteração de um curso de água com corrente transformando-o numa albufeira (águas calmas e profundas), altera em muito as características do habitat, que poderá beneficiar algumas espécies, normalmente as exóticas (ex: carpas, achigãs e percas-sol), e prejudicando ou fazendo desaparecer espécies adaptadas a águas correntes e em alguns casos, que preferem cursos de água pouco profundos, ou seja, a maior parte das nossas espécies autóctones (ex: as bogas, escalos, as truta-fário ou o saramugo – espécie em sério risco de extinção).

Ø      É de realçar que algumas espécies (principalmente as migradoras), podem mesmo desaparecer após a construção de uma barragem, o esturjão é disso exemplo, parece ter desaparecido dos nossos rios após a construção de barragens: no rio Tejo, rio Douro e Guadiana. Isto aconteceu porque deixou de conseguir chegar aos locais de desova, tendo havido também uma forte alteração do regime de caudal e um aumento da poluição. Outras espécies vêm o seu efectivo muito reduzido (alguns com grande importância comercial), pois deixam de poder chegar aos locais ancestrais de desova e têm de desovar mais próximo da foz, onde as condições não se apresentam tão favoráveis à sobrevivência das posturas, dos alevins e peixes juvenis. Das espécies que têm sido mais afectadas posso referir as seguintes: as lampreias, o sável, a savelha e a enguia. Esta última, ao contrário destes outros peixes desova no mar, mas ao subir os rios enquanto juvenil (enguia de vidro), não consegue subir  a montante das barragens, e nesses locais deixarão de existir enguias, sendo obrigadas a ficar nas zonas mais a jusante dos rios, e diminuindo a sua área de distribuição.

Ø      Outro dos problemas das barragens é os caudais não se manterem constantes, havendo alturas em que os caudais ecológicos não são respeitados e outras em que as descargas (que às vezes são necessárias), fazem aumentar repentinamente o caudal de um rio, baixando este depois novamente de um momento para o outro, este facto é bastante prejudicial durante a época da desova dos peixes, pois pode por as posturas a seco, ou arrasta-las para zonas onde as condições para a eclosão dos ovos não são boas.

Barragem onde não se observa nenhuma saída de água, o rio a jusante da barragem estará praticamente morto.

 

Ø      NÃO PRECISAMOS DE BARRAGENS EM TODOS OS NOSSOS RIOS. Temos de aprender a usar a água disponível de forma mais sustentada e racional. Queremos para o futuro, que pelo menos alguns recursos naturais se mantenham saudáveis.    

 

PS: Há hoje em dia, uma tentativa de tentar minorar os impactos das barragens, mas que em Portugal ainda está a dar os primeiros passos, mas ainda à dias vi um estudo sobre a manutenção de pegos (pequenos charcos), em ribeiras de regime intermitente (que não mantém uma corrente de água contínua ao longo de todo o ano) no Sul do País, pois este tipo de ribeiras apesar de no Verão quase não terem água, têm em alguns casos uma razoável diversidade de espécies, mesmo de peixes que no Verão sobrevivem em charcos que se mantém todo o ano, mas que com a construção de barragens podiam estar em risco, pois o período de estiagem torna-se mais prolongado, pelo que tornou-se necessário desenvolver metodologias para manter esses oásis de vida. UM BEM HAJA PARA ESTES PROJECTOS.

 

MAPA com as Barragens do Norte, Centro e Sul:

 

Norte

Centro Norte

Centro Sul

Sul

 

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