Caso – Triple A TotalwareÔ

Andréa, Aline e Amanda eram três alunas que gostavam de viajar juntas. Certa feita, viajando para uma cidadezinha pequena em Minas Gerais, Aline achou umas roupas rústicas bastante diferentes e interessantes, e, de farra, as três amigas resolveram comprar algumas peças e trazer para mostrar em algumas boutiques em São Paulo.

A recepção foi um sucesso tão grande que as três amigas logo tornaram-se "sacoleiras dos jardins": viajavam de ônibus (as três) e vendiam as roupas em boutiques, de rua e de Shoppings, cada qual com uma região chique da cidade (Jardins, Higienópolis e Ibirapuera). Hoje as três relembram, saudosas, esta fase aventureira como a fase sacoleira.

Com o capital acumulado naquela fase, e diante do estrondoso sucesso junto aos consumidores, as três animaram-se a abrir lojas com uma marca própria, a Triple A. Como cada uma das três trabalhava uma região, abriram respectivamente três lojas, com o intuito de atingir os consumidores que estavam acostumados a comprar aqueles produtos diferenciados.

Para conseguir manter a exclusividade da linha de produtos, as três buscaram um financiamento, apoiadas nas habilidades que Amanda possuía com a papelada, e promoveram uma integração vertical para trás, expandindo, portanto, seus domínios para Minas Gerais. Aline cuidava da produção e transporte, Andréa supervisionava as lojas, e Amanda administrava as finanças, contratações, folha de pagamento, licenças, marcas etc. Estes foram os duros dias da Triple A endividada.

Então Andréa promoveu uma pesquisa de mercado para entender melhor o perfil de sua clientela, e percebeu tratar-se de um grupo jovem e descontraído que gostava de roupas peculiares, joviais, e com um aspecto geral "casual" (do Inglês, significando descontraído), de qualidade, e diferenciada em termos de preço. Assim, possuindo sai própria confecção e experiência em terceirização, as três diretoras promoveram uma expansão na linha de produtos, generalizando o "rústico chique" em "casual". Na mesma ocasião criaram um logo, e adotaram o subtítulo casualware: Triple A casualware.

Assim que as dívidas terminaram, partiram para a expansão da rede de lojas, hoje em três estados (São Paulo, Rio e Minas), e Buenos Aires. A renovação do desenho vem de designers exclusivos, contratados pela Triple A, e de peças selecionadas de estilistas consagrados (a série celebrities). Também expandiram ainda mais os produtos, para perfumes, calçados, bolsas, mochilas e acessórios, todos alavancados pela força da marca e do design, algumas coisas de fabricação própria, mas já diversos produtos provenientes de uma crescente rede de fornecedores de produtos exclusivos.

A cada semestre as três sócias reúnem-se com os estilistas e as gerentes dos grupos de lojas das quatro capitais, para avaliar o andamento da linha do ano e traçarem as diretrizes dos lançamentos do próximo ano. Depois, em cada região, cada gerente de grupo de lojas reúnem-se com suas gerentes de lojas para repassarem as diretrizes do discurso e do atendimento.

Foi quando Aline resolveu tirar umas férias no Japão, e conheceu o conceito de cyberware, que é uma roupa computadorizada: óculos, coletes, jaquetas, calças, bonés e botas que se conectam à Internet, permitem jogar games de realidade virtual ou ainda podem carregar dispositivos para fotografia e som digitais. Aline conseguiu convencer Amanda a firmar parcerias internacionais com empresas japonesas e americanas para o desenvolvimento de tecnologia e fabricação aqui no Brasil, acrescentando ao mesmo tempo dois novos públicos ao jovem casual. Os novos segmentos foram batizados pelo pessoal do Marketing como o nerd urbano (roupas com Internet e games) e o aventureiro National Geographic, que quer capturar imagens e sons diretamente da natureza através das novas roupas.

Agora a Triple A totalware conta com duas tecnologias distintas: a confecção tradicional, e a informatização avançada. Ganha também um forte setor de importação, e diversas fábricas; uma gama diversificada de fornecedores, também divididos por tecnologia, e atende a três públicos distintos; muito embora Andréa tenha decidido, de forma inapelável, manter uma rede única de lojas para reforço institucional da marca.

 

 

Ô Caso elaborado pelo Prof. Marcos Amatucci para uso didático em sala de aula. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução em qualquer mídia. Qualquer semelhança com fatos, pessoas vivas ou mortas, organizações ativas ou encerradas é mera coincidência. Se você pertence a alguma minoria étnica, sexual ou religiosa e sentiu-se ofendido(a) com alguma parte do texto, azar seu.