A BOA ESCOLA É AQUELA DA QUAL A COMUNIDADE PARTICIPA ???

 

Em novembro do ano passado fomos procurados por um adolescente disposto a voltar a estudar procurando vaga no primeiro ano supletivo do segundo grau,  na Escola Estadual Keizo Ishihara.  Aconselhamos que fosse na escola deixar o nome na lista de espera e ligamos para a escola.  A pessoa que nos atendeu se identificou como diretora foi indelicada colocando que na escola entra e sai quem ela quer e que por conta do aluno ter recorrido ao NAPA ela não lhe daria a vaga.

O absurdo da colocação da diretora era tão grande que entendemos ser por conta do cansaço do fim do ano.

Nós sabemos que a maioria das diretoras se comportam como donas da escola.  Elas odeiam mães que se reúnem nas portas da escola porque se informam, umas passam informações para as outras, a essas elas desqualificam, chamam-nas de fofoqueiras e desocupadas.  Mãe é “persona non grata”.

Mãe de Conselho elas gostam quando escrevem pela cartilha da direção.  Assinam tudo e não questionam nada por medo ou ignorância.  Assim qualquer erro fica por conta da comunidade.  Claro que aqueles pais bem informados nem entram nessa panela imunda ou entram e saem em seguida.  Tem muito caso de professora com filho na escola que a diretora “planta” nos Conselhos para representar os pais.  Só representam a direção.

Em junho fomos de novo procurados pelo aluno que estava ainda fora da escola.  A diretora da Keizo Ishihara cumprira a promessa. Ele ficou fora.  Ela não quis ele não entrou.

Ligamos de novo e a diretora informou que o aluno estivera na escola e não foi na secretaria reiterar o pedido do ano passado.  O aluno informou que na entrada havia um cartaz informando que já não havia mais vaga.  Se havia vaga, se o candidato deveria se inscrever porque é que estava lá o cartaz, afugentando quem chegasse?  Para conseguir vaga tem que ignorar os avisos?  Se os avisos são para serem desobedecidos e não são verdadeiros porque é que são colocados lá?

Dia 6 fomos de novo na escola e protocolamos um novo pedido de vaga.  Protocolo assinado pela Vice Diretora e que nos aconselhou a procurar a DRE, dissemos que não.  É muito comum esse intercâmbio, toda vez que se cobra algo das escolas elas nos mandam procurar ou as DREs ou as DREMs deixando a impressão de que são advogados de defesa tipo assim:  não gostou procure meu advogado.

Dia 7 a escola ligou para a casa do aluno e pediu a presença dele que foi e conversou.  Dias depois ele foi de novo na escola com o histórico escolar e nesse dia a diretora lhe deu um “aperto” e ele “confessou” que procurou o NAPA porque nós lhe arrumaríamos a vaga com facilidade.

Quando se trata de direção arbitrária até nós – organizados e baseados na Constituição Federal e o ECA –  temos dificuldades para conseguir ao cidadão em formação o que lhe é de direito líquido e certo.  É lamentável a conduta da diretora e da possível anuência da DRE porque se as DREs não concordassem as diretoras não seriam tão seguras no: “não gostou?  Procure a DRE”, tão garantidas na sua proteção.

Questionamos isso sempre.  O povo não pode pagar órgãos como DRE e DREMs para funcionar como advogados de defesa de professor e diretor que pisa na bola.  Por que pagarmos altos salários para centenas de funcionários que serão nossos algozes?

Dia 18 recebemos a visita do aluno que informou que a diretora ia chamar o supervisor da escola que avaliaria o histórico escolar do aluno e depois dependendo da avaliação dele ela faria um levantamento da sua vida escolar.

Diante do disparate ligamos para a escola e, para minha surpresa, a diretora confirmou.  Já havíamos sido informados pela vice que no ano passado ela fechara uma classe por falta de aluno,  não conseguira preencher as vagas todas e perguntamos o que foi que ela fez dos alunos que constavam na “meia classe”?  Porque não deu a vaga para os alunos da lista?

Ligamos para a DRE, passamos fax e conseguimos falar com o supervisor da escola que prometeu providenciar.

Interessante é que as diretoras das escolas estaduais se comportam como donas da escola e das DREs; elas colocam tudo na 1ª pessoa: fechei a sala porque não consegui preencher todas as vagas.  Vou chamar o meu supervisor para avaliar o histórico.  Procure a DRE se não está contente.  A minha diretora regional.

A coisa mais difícil é conseguir falar com o supervisor da escola.  É uma loteria.  Ligamos para lá e o supervisor de plantão nunca é o supervisor da escola da qual se quer reclamar, por isso ele não resolve o problema.

Falamos com a Professora Sonia Borghi, a Professora Solange, e o Supervisor Antonio Manuel.  A impressão que temos é que a diretora é mesmo a dona da escola e que estão todos a serviço dela – ou será que existe, como dizia Sheakespeare:  “algo de podre no reino da Dinamarca” e que todos querem esconder?  Estarão todos, uns com os rabos presos nas mãos de outros... comprometidos?

O Sr. Ministro da Educação diz sempre que a boa escola é aquela da qual a comunidade participa, por isso é que não existe uma boa escola pública?

Quem paga a conta e os salários somos nós mas não temos de quem cobrar os maus serviços prestados.  É uma inversão de valores que não pode mesmo dar certo.   Povo é o patrão, o servidor público é o empregado, com todo respeito, mas não podemos pedir nada? Cobrar o mínimo?  O que já está pago?  Até quando teremos que conviver com as diretoras se comportando como donas da escola?  Até quando veremos as DREs se comportando como serviçais das diretoras ou advogados de defesa?  Tudo às nossas custas?

Se o que engorda o boi é o olho do dono, está aí o motivo para que nossas escolas estejam esqueléticas, mal se agüentando em pé.

 

São Paulo, 21 de julho de 2000

 

 

Cremilda Estella Teixeira

Presidente

NAPA – Núcleo de Apoio a Pais e Alunos

Rua Rui Pinto, 156 – Fone: 3742-3023

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