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Algumas obras demoram tanto a ser publicadas que, quando se encontram em formato de livro, requerem uma nota explicativa. Talvez por terem perdido a atração que exerciam sobre seu criador ou por pertencerem a um tempo não mais desfrutado por ele. É mais ou menos assim que se sentiu o autor de Os deuses comem pão quando, pela última vez, pensou em publicá-lo. O livro começou a ser escrito no ano de 1997, logo após a publicação de No vento do tempo. Nessa época, eu residia em Caratinga, leste de Minas Gerais. Escrevi uma coletânea de poemas a que chamei de Ventos perdidos na noite. Nunca cheguei a publicar este livro. Ainda bem! Não só o título, mas quase todos os poemas eram ruins. Dessa coletânea, recebi comentários sobre um poema específico, de nome “Contemplações do nada”. Havia um outro poema longo, nessa mesma seleção, que dava continuidade a este. Porém, não possuía poesia. Revi o poema comentado pelos amigos e o reescrevi. Infelizmente não o abandonei com os outros, onde estaria melhor agora. Cortei algumas partes e tentei reestruturar a estória, concentrando-me no aspecto mais narrativo. O poema acabou se alongando mais do que o planejado. Chamei-o então de “Lia, Dado e Sofia” e vi que poderia, sozinho, constar em um livro. O nome Os deuses comem pão, para o mesmo, surgiu depois. Nessa época eu já cursava Letras e residia em Mariana. Enquanto reescrevia a obra, mostrava-a aos amigos e conhecidos. Resolvi, posteriormente, alterar o seu nome e encontrei uma certa resistência por parte dos que já a conheciam. O título havia pegado. A data de finalização do livro deve ser o ano de 2001 ou de 2002. O livro ficou engavetado e sofreu apenas alguns retoques quando o amigo Matheus Martins quis comentá-lo. Esses retoques foram feitos já em Belo Horizonte, para onde vim em 2003, depois de ter residido em Viçosa. O ano de publicação do livro acabou sendo o de 2006. É que antes precisava me desocupar de uma série de obrigações. Livro-me neste ano da dúvida: se devia ou não publicá-lo. Se o arrependimento chegar, pelo menos não me encontrarei dividido. |
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