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PF apreende documentos na casa de David Miranda

Publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 09/06/2000

Material pode ajudar na abertura de inquérito para apurar evasão de divisas pela igreja Deus É Amor, fundada pelo pastor

A Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão na casa do pastor David Miranda, fundador da Igreja Pentecostal Deus é Amor, em Guarulhos. Segundo informações obtidas na PF, foram apreendidos "documentos importantes, não contábeis", que podem "oferecer indícios" para o inquérito que apura evasão de divisas e sonegação de impostos.

A operação foi autorizada por um mandado judicial, expedido pela 4ª Vara Federal. A PF não informou a data da busca e apreensão, nem o teor da documentação recolhida, porque a investigação obedece ao chamado "segredo de Justiça".

O inquérito foi aberto depois de reportagem do Jornal da Band, da TV Bandeirantes, que trouxe o depoimento do ex-presbítero Guilhermino Filho do Prado. Segundo o denunciante, a igreja Deus é Amor sonega impostos e tem um esquema de envio irregular de dinheiro para o exterior.

O delegado da PF Gilberto Tadeu Vieira Cezar informou que as provas deste inqúerito serão juntadas a um outro inqúerito, que corre em Foz do Iguaçu (PR) e que investiga o envio de R$ 124 bilhões para paraísos fiscais. Cerca de mil pessoas (físicas e jurídicas) enviaram dinheiro para o exterior nos anos 1992/97, pelas contas bancárias CC5, que permitem a remessa de dinheiro de matrizes brasileiras para filiais no exterior.

O advogado Rúben Cavalheiro disse anteriormente, em entrevista ao Jornal da Tarde, que a igreja Deus é Amor tem tudo sob controle e que não há problema de as denúncias serem investigadas.

Danilo Angrimani

Publicado em 18/05/2000 no Estadão

Deus é Amor: pastores indiciados

O dono e o tesoureiro da Igreja Deus é Amor foram indiciados ontem pela Polícia Federal (PF). O pastor David Miranda e seu empregado Luiz Andreu Rubio são acusados de evasão de divisas e sonegação fiscal.

Segundo denúncias de um ex-membro da igreja, Miranda e Rubio teriam usado contas bancárias especiais e outros pastores para mandar dinheiro a paraísos fiscais no exterior.

Ó Ministério Público Estadual também pediu a abertura de inquérito para investigar as denúncias de lavagem de dinheiro feita pelo ex-chefe de relações exteriores da igreja, Guilhermino Prado Filho. "Patrão e empregado serão investigados pela Divisão de Crime Organizado da PF, pelos mesmos inquéritos", disse o delegado Gilberto Tadeu Vieira Cezar.

Denúncias contra igreja pentecostal serão enviadas ao MP

Com as acusações que surgiram na CPI do Narcotráfico, a Igreja Deus é Amor volta ao noticiário policial. Em 1976, 21 pessoas morreram em desabamento de laje

A Igreja Pentecostal Deus é Amor, acusada em depoimento na CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa de evasão de divisas e sonegação de impostos, poderá ser investigada pelo Ministério Público Federal e Estadual.

A afirmação é do deputado estadual Renato Simões (PT).

As acusações foram feitas pelo ex-presbítero Guilhermino Filho do Prado ao Jornal da Band da TV Bandeirantes e, depois, à CPI, anteontem. "Vamos encaminhar as denúncias para as autoridades competentes", afirmou Simões.

Os membros da comissão ficaram decepcionados pelo fato de a testemunha não ter sustentado as acusações de ligação da igreja com tráfico de drogas, como acusou na TV Bandeirantes. "A CPI do Narcotráfico não pode investigar as demais denúncias, sem que haja relação com o tráfico", explicou o deputado Conte Lopes (PTB). "Mas são acusações consistentes que têm de ser investigadas a fundo."

A igreja, fundada em em 1962 pelo pastor David Martins de Miranda, passou a freqüentar as páginas policiais do noticiário em 1976. De lá para cá houve acusações de morte de fiéis e de charlatanismo. Parte dos inquéritos foi arquivada e, nos que viraram processo, Miranda foi absolvido.

Em seu depoimento à CPI, o ex-pastor da igreja revelou que o filho de David Miranda havia sido preso com drogas. Ontem, o deputado Renato Simões confirmou que Daniel Oliveira Miranda tem duas passagens pela polícia por porte de entorpecentes. "De maneira alguma isso significa que ele seja traficante."

Dentro da lei O advogado da igreja Rúben Cavalheiro negou ontem qualquer irregularidade na remessa de dinheiro da igreja para os seus templos no exterior. Cavalheiro afirmou que Prado vinha tentando extorquir a igreja em R$ 1,5 milhão. Ele estaria ameaçando a igreja de mostrar documentos à imprensa e Polícia Federal. Uma queixa-crime foi registrada pela igreja no 6 º Distrito Policial, na segunda-feira, dia da entrevista de Prado à TV Bandeirantes.

Cavalheiro mostrou ao JT uma declaração de dívida que o ex-presbítero assinou, um mês antes de deixar a igreja, em outubro de 98. De acordo com a declaração, ele deveria à igreja 14 mil Ufirs. O advogado disse que não há problema de as denúncias serem investigadas porque a igreja tem tudo sob controle.

Da sede improvisada, onde tudo começou há 38 anos, a igreja tem hoje 12 mil templos, nove mil no Brasil e três mil no exterior. Das três emissoras de rádios da década de 80, o número passou a 16. A retransmissão dos programas que ocorriam em 500 emissoras agora são em 8 mil.

Miranda ganhou notoriedade em 1976, quando 21 pessoas morreram na inauguração de um templo no Rio de Janeiro, por causa da queda de uma laje.

Ele sumiu e só depois sete advogados o apresentaram. Ele foi absolvido no processo, no qual era acusado de homicídio culposo.

Em 1985, Miranda, sua filha e mulher foram denunciados à Justiça por curanderismo, estelionato e exploração de credibilidade, em Porto Alegre.

Mas também foram absolvidos. Em São Paulo, em 1986, um inquérito foi instaurado na polícia para apurar a a morte do serralheiro Valdir Oliveira Campos na sede da igreja no Glicério em um culto. O inquérito também acabou arquivado.

Adélia Chagas e Leandro Cipoloni

Ex-funcionário acusa Igreja Deus é Amor de evasão de divisas

Em depoimento à CPI do Narcotráfico, ex-chefe da Divisão de Exterior da igreja afirmou que pastores viajavam levando até US$ 50 mil. Esquema seria facilitado com o pagamento de propinas

O ex-funcionário da Igreja Pentecostal Deus é Amor que anteontem havia feito denúncias contra a entidade no Jornal da Band, da TV Bandeirantes, prestou depoimento ontem à CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa. Diante dos deputados, o ex-funcionário, que não se identificou, confirmou as denúncias de que a instituição sonega impostos e de que a igreja tem um esquema de remessa irregular de dinheiro ao exterior, o que caracteriza evasão de divisas. "Essas denúncias são consistentes e serão investigadas", garantiu o deputado Renato Simões (PT). O depoente, que trabalhou por 18 anos na Deus é Amor, um ano como chefe da Divisão Exterior da entidade, não sustentou as acusações de ligação da igreja com tráfico de drogas, que havia feito à emissora, o que causou certa decepção. "A quantia que é mandada ao exterior atingiam de US$ 450 mil a US$ 600 mil por mês", disse o ex-funcionário. As remessas, na maior parte das vezes, seriam para paraísos fiscais, segundo as denúncias. Sonegação Os deputados também exibiram uma fita, na qual um homem que também seria pastor da Deus é Amor há 27 anos aparece denunciando evasão de divisas. "Até 50 pastores fazem viagens ao exterior todos os meses levando até US$ 50 mil", disse, na gravação. Também haveria um esquema de suborno organizado entre a entidade, a Polícia Federal e a Receita Federal, para facilitar remessas ilegais de dinheiro, segundo os denunciantes. "Os pastores que saem do Brasil passam livremente pela fiscalização, levando grandes quantias de dinheiro." Esse dinheiro, segundo o ex-funcionário que estava depondo, seria utilizado para o pagamento de propinas a polícias de outros países e também para a compra de imóveis. "Não mandam por meio de bancos para não pagar impostos." Em fax enviado à TV Bandeirantes, no entanto, o advogado da Deus é Amor diz que as instituições religiosas não estão obrigadas a pagar impostos. Daniel Gonzales

Igreja Deus é Amor acusada de lavar dinheiro de drogas

Ex-funcionário da segunda maior igreja pentecostal do Brasil diz que mais de US$ 40 milhões já teriam sido enviados para o exterior. Fundador depõe hoje na CPI do Narcotráfico

Um ex-funcionário da Igreja Pentecostal Deus é Amor denunciou ontem no Jornal da Band, da TV Bandeirantes, que a entidade teria ligações com narcotráfico e lavagem de dinheiro. A Igreja tem 3 mil templos em São Paulo e 12 mil em todo o mundo. É também a segunda maior igreja pentecostal do Brasil. O ex-funcionário, que não quis ser identificado, foi chefe da Divisão de Exterior da Igreja durante 18 anos e diz que chegou a mandar US$ 1 milhão para bancos de outros países em um mês. Nos últimos cinco anos, segundo ele, pelo menos US$ 40 milhões teriam sido enviados. As quantias seriam sempre depositadas em contas de David Miranda, fundador da Igreja e pastor, que depõe hoje na CPI do Narcotráfico. Miranda é dono da maioria dos bens da Igreja e costuma celebrar cultos dentro de um caixote blindado. Depósitos mensais De acordo com o ex-funcionário, todo mês as filiais tinham de efetuar depósitos, que chegavam a R$ 200 mil recebidos pela unidade de Belo Horizonte, ou R$ 1 milhão somados de 11 unidades no Brasil. As quantias eram enviadas ao exterior sob o pretexto de evangelização. Mas seriam usadas para lavar dinheiro. Um documento da Igreja divulgado pelo Jornal da Band expõe as cotas de dinheiro que cada templo tem de enviar mensalmente à sede. Outro comprova a quantia gasta em viagens de pastores para o exterior, todas feitas por uma empresa de viagem chamada Andy Viagens e Turismo. A agência teria recebido da Deus é Amor mais de R$ 100 mil. Traficantes Teriam freqüente contato com a Igreja, segundo o ex-funcionário, os traficantes cariocas Mário Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar e José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha. O denunciante disse que todos os traficantes pegos pela polícia passavam a pertencer à Igreja por causa do narcotráfico e da lavagem de dinheiro. A Igreja ficaria com 40% do dinheiro do narcotráfico . Os outros 60%, segundo o ex-funcionário, iriam para os traficantes na forma de bens. "Ele (Miranda) compra todos: advogados, policiais", disse o informante. David Miranda foi procurado pelo Jornal da Band, mas não quis gravar entrevista. Foi divulgada uma nota onde nega o envolvimento da Igreja com o narcotráfico. Advogados da Deus é Amor querem processar a Bandeirantes pela exibição da reportagem. CPI no Paraná O relator da CPI do Narcotráfico, Moroni Torgan (PFL-CE), disse que o ex-secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, poderá ser indiciado por formação de quadrilha. Ele é acusado de ter sido conivente com o crime organizado e até de ter recebido dinheiro da organização.

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