Como Quatro Jovens Trouxeram o Fogo do Céu à Irlanda
Do livro Labaredas de Fogo, de 1962, de Rosalee Appleby.


Na Inglaterra havia uma senhora, membro da igreja, que acordou ao fato de que não tinha sido regenerada, apesar de sua religiosidade. Então a graça de Deus abundou sua alma, e trouxe-lhe a transformação. Quando começou a testificar das coisas maravilhosas que Deus tinha feito por ela, os parentes disseram que tinha enlouquecido, e a perseguição obrigou-a a sair de casa. Tornou-se missionária duma Junta Missionária Batista da Inglaterra e, de casa em casa, na Irlanda, Mrs. Colville pregava a mensagem que lhe trouxera a conversão. Certo dia, falou a uma senhora agonizante e às suas companhias ao redor, a respeito de paz eterna, descrevendo o que significa nascer de novo e afirmando que elas desconheciam esta transformação, estando ainda "em fel de amargura, em laço de iniqüidade". Um jovem, Tiago Mckilken, ouviu suas palavras e sentiu uma profunda convicção de pecado; porém, orgulhoso de seus conhecimentos intelectuais, argumentou sobre doutrina, não querendo admitir sua miséria espiritual. Mas passou semanas em agonia, até finalmente entregar-se a Jesus e começar uma nova vida que impressionou a juventude vizinha. Um amigo seu, Jeremias Meneely, membro da Igreja Presbiteriana, achou presunção de Tiago o testificar de pecado perdoado, mas acrescentou: "daria tudo neste mundo para ter a certeza de que meus pecados estão perdoados". Auxiliado por Tiago, Jeremias e mais outros dois (Roberto Carlisle e João Wallace), que tinham se impressionado, também, com a mudança sobrenatural do primeiro, foram regenerados.

Agora, estes jovens eram bem mais do que simples membros duma igreja morta e ansiavam ardentemente pela salvação de outros, vendo quantos não tinham ainda experimentado da graça salvadora de Cristo.

Uma escola rural, perto de Kells, na Irlanda, foi escolhida para lugar onde os quatro jovens pudessem clamar a Deus, a sós, por um Despertamento, e estudar mais profundamente as Escrituras. Impressionantemente, este verso foi colocado pelo Espírito em seus corações: I João 2:20 e 27.

Nas sextas-feiras, cada um levava para o esconderijo um pouco de carvão para a estufa, e sua Bíblia. Baseavam sua fé na soberania do Espírito Santo, na suficiência das Escrituras e no poder da oração. Assim, suplicaram durante três meses por um Avivamento, sem resultado visível. No primeiro dia de 1858, porém, veio-lhes a primeira vitória de suas súplicas, e em todas as noites posteriores houve conversões. No fim do ano, cinqüenta pessoas estavam assistindo às reuniões e pediam quase uma só coisa: que o Espírito fosse derramado sobre eles e em todo o país circunjacente.

"Não deixamos os incrédulos freqüentarem, a princípio, pois era uma reunião de fraternidade para crentes. Pedimos o derramamento do Espírito sobre nós e sobre o país. Este foi o grande objetivo, o peso da intercessão. Não permitimos que o grupo dele se desviasse. O pastor presbiteriano deu-nos apoio, mas muitos zombaram do fato de estarmos pedindo o derramamento do Espírito, e diziam que Ele já havia sido derramado no dia de Pentecoste. Respondemos que Deus bem sabia qual era o desejo e a necessidade de nossos corações, e continuamos a clamar até que veio o poder".

Certos livros estudados fizeram muito pela difusão do Avivamento: "A Vida de Jorge Muller", "Vida de McCheyne" e "Palestras sobre Avivamento", por Finney. Houve, depois, não somente reuniões de oração para os crentes, pois até nos lares não havia mais lugar para as multidões de pecadores que chegavam. Conversões humildes e alegres multiplicavam-se. Havia nas vizinhanças dezesseis reuniões cada noite.

"Um despertamento para o horror do pecado, convicção, iluminação da alma para o conhecimento do Salvador glorioso e conversões tudo foi operado pelo Santo Espírito na comunidade de Conner, durante dezoito meses". O Avivamento na América começou em 1857, e também em Conner; e ainda, por coincidência, dois jovens usados em cada um desses despertamentos tiveram sua conversão no ano anterior.

Durante esse Avivamento, como disse um pregador da época, Deus deixou de ser apenas teologia e tornou-se uma realidade presente; a falta da realidade e da experiência de Deus, era, de fato, uma infidelidade, ou a explicação para cada vida de pecados, indiferente e impiedosa. Cristo, durante aquela época graças à operação que somente podia ser atribuida ao Espírito tornou-se muitíssimo real. (João 15:26 e I Cor. 2:11 a 13).

Relatório do Avivamento em Belfast
pelo Rev. Hugh Hanna.
"Durante muitos meses, na igreja da Rua Jorge (Presbiteriana), um grupo fiel clamava a Deus todas as noites. Esperavam, como aqueles do passado, "a consolação de Israel". A igreja superlotava-se; todo o espaço era ocupado dentro e fora; milhares de almas eram impressionadas solenemente pela verdade. Não raras vezes, havia pessoas que viajavam cinqüenta quilômetros com o único objetivo de buscar a Deus. Naquele tempo, cerca de oitocentas almas foram visitadas pelos pastores e oficiais da igreja, sendo despertadas e experimentando a convicção do pecado. A população foi-se vivificando totalmente. As igrejas ficavam abertas para o benefício de milhares que se congregavam com ansiedade profunda de ouvir a Palavra. Não houve, talvez, na cidade, uma só igreja evangélica cuja freqüência aos cultos não se tornasse maior. Antes, o ganhar a atenção do povo para o evangelho era muito difícil, mas agora os ouvidos estavam abertos e atentos. Onde quer que pregasse um ministro, teria ele um grande auditório, e a maioria escutava com atenção e reverência. É impossível negar que havia uma grande mudança no caráter da sociedade em geral. Multidões convertiam-se genuinamente, e todos os dias vinham a nós pessoas falando num êxtase de gozo celestial da mesma luta que outros estavam experimentando. Haviam achado o precioso Salvador".
 
Elementos em Conecção com o
Avivamento
1. Convicção profunda de pecado, a qual se tornou tão terrível que ninguém podia trancá-la no coração.

2. Conflito severo contra Satanás.

3. Gozo extraordinário na Palavra de Deus.

4. Abundância de louvor.

5. ORAÇÃO FERVOROSA Alguém deu à intercessão do tempo três características: fervor, fluência e freqüência.

6. Alegria inefável. Certeza da salvação acompanhada do "gozo inefável e glorioso".

7. Santidade Bíblica: convertidos odiaram o pecado; não somente isto: abandonaram-no também.

8. Maior freqüência à Casa de Deus. Às vezes, a congregação era despedida seis vezes, mas o povo não ia embora.

9. Amor intenso, uns pelos outros e pelos perdidos. O desejo de estar no ambiente da igreja com os outros crentes era intenso.

10. Paixão pelas almas. "A compaixão pelos pecadores e o desejo de glorificar a Cristo, levando-lhes a salvação, não podiam ser contidos".

No prefácio do livro que descreve este Avivamento, disse o professor da Faculdade Teológica Presbiteriana de Ulster: "Durante o maravilhoso ano de 1859, o cálculo de cem mil decisões ao lado de Cristo é pequeno". Pastor após pastor testificaram que as conversões das pessoas eram genuínas e permanentes. Um deles disse: "Não conheço um só caso de alguém que se manifestasse e depois tenha voltado ao mundanismo".

"Os benefícios em qualquer sentido eram incalculáveis. Estudos bíblicos e reuniões de oração inumeráveis eram realizados no distrito. A transformação na vizinhança era tremenda. Nas horas vagas, antes usadas para divertimentos mundanos, nos quais havia muita blasfêmia, agora o nome de Deus era ouvido com reverência, de todos os lábios".

 
A Base Fundamental do Avivamento

O autor do mesmo livro dá-nos sete colunas fundamentais que foram responsáveis pelo Despertamento:

1. A pureza da Igreja.

2. A infalibilidade das Escrituras tomaram mensagens bíblicas, baseando sua fé nas promessas da Palavra.

3. A deidade de Cristo honraram a Jesus como o Filho de Deus, o único Salvador.

4. A personalidade do Espírito Santo todo o movimento se baseou no reconhecimento do Espírito e na absoluta submissão a Ele; imperou a realidade de que "não é por força nem por violência, mas pelo Espírito". Somente um reconhecimento correto da Pessoa do Espírito e de Seu lugar soberano na igreja pode preparar o caminho para uma demonstração de Seu maravilhoso poder.

5. A realidade do Novo Nascimento o redescobrimento e nova ênfase da verdade de que homens e mulheres da raça de Adão podem ter certeza de sua salvação pela graça de Cristo, e que tal coisa tem sido a base de qualquer Avivamento genuíno.

6. A vitalidade do testemunho pessoal o testemunho de Mrs. Colville moveu Tiago McKilken, e o testemunho deste tocou na vida de mais três jovens. Os novos convertidos, como os apóstolos da antigüidade, podiam dizer: "Não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido". Uma experiência genuína compartilhada com outros é a principal fonte de poder para acordar.

7. As possibilidades de intercessão o que Deus fez por intermédio de Jorge Muller inspirou os quatro jovens a lutar com Deus em súplicas fervorosas. Convenceram-se de que aquilo que o Altíssimo fez por Muller faria por eles também, se aprendessem o segredo da oração. O Despertamento na Irlanda nasceu e continuou em súplicas que prevalesciam. O que afirmou João Wesley ficou provado: "Deus não faz coisa alguma senão em resposta a orações".

De "The Fifty-nine Revival", Paisley.

Este texto é o primeiro capítulo do livro "Labaredas de Fogo", que é composto de uma coletânea de folhetos escritos e enviados por Rosalee Appleby (a autora) às igrejas do país nos idos de 1962.

Rosalee foi uma missionária americana que sentiu de Deus a responsabilidade de ter um Brasil avivado, rendido a Cristo. Carregou por anos esse fardo sozinha, mas quando pedimos algo "em nome de Jesus", ou seja, pedindo como se fosse Ele (pedindo não para nosso deleite), temos certeza da resposta divina (I Jo.5:14-15, Tg.4:3, Fp. 2:4-5, Jo.15:7).

Esses folhetos trouxeram o avivamento espiritual às igrejas do Brasil em 1962 (e com ele o surgimento da nossa Igreja Batista Nacional), assim como os livros lidos em 1856. Que em nossos dias possamos olhar para o passado e aprender com os "heróis da fé" como nossos amados de 62 aprenderam que precisamos conhecer a história da Igreja. Conhecer seus acertos para, firmados em Cristo, novamente acertar. E em seus erros aprendermos a vigiar.

Não achemos que é difícil errar: nós bem sabemos quem faz de tudo para que caiamos (saiba que em 65 muitas igrejas cairam, motivo do surgimento de várias outras denominações). Não nos julguemos uma igreja perfeita, ou quase. Muito ainda nos falta... Confessemos nossos pecados uns aos outros; oremos uns pelos outros (Tg.5:16).

Cantamos "Senhor, quero ser como Tu". Reflitamos mais nisso e tenhamos os mesmos sentimentos que Cristo tem. Um exemplo: como será que Ele sente-se vendo sua única esposa imaculada a Igreja dividida em tantas denominações, irmãos degladiando-se uns aos outros, sem o discernimento de que o Corpo de Cristo é um só?

Por amor a Cristo, estudemos, oremos e obremos para sermos uma Igreja espiritualmente madura e preparada para a Sua gloriosa volta.



xxx By Edemar A. Santos [mail], atu.13-jul-98. [home]

 
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