OS   MEUS   POEMAS
SEM PODER SONHAR

Eu não quero ser nenhuma cor,
apenas respirar pelos meus meios.
Não que me considere um Senhor,
Neste mundo de bonitos e feios.

Não procuro uma vida excelente,
pois só pretendo ser quem eu sou.
Sou alguém que veio do Ocidente,
e para outras paragens vou.

Cruzei caminhos para cá  estar.
Mas se matasse o arrependimento,
dava tudo para o destino alterar.
Deixava-me ficar no esquecimento.

Tudo isto porque ainda eu não sei,
se vale a pena seguir para a frente.
Neste reino falo com o Rei,
e cruzo fronteiras com o Presidente.

Ninguém escapa a esta natureza,
pois todos fomos feitos da terra.
Hoje são as manias de riqueza
que leva a muitos fazer a guerra.

Numa batalha há  matadores
que ferem vidas, ó vil ingratos.
Há anos que não chovem amores,
nem  Deus apaga os maus factos.

Mesmo que nós vivéssemos em paz,
não passava de uma hipocrisia.
Para alguns essas coisas tanto faz.
E era ver se o mundo não sofria.

Este homem que em mim existe,
não é parte primordial do ser,
pois mais de uma vez ele desiste,
respirando só para não morrer.

Não havendo heróis hoje em dia,
cada um segue para o seu lado.
Saber se algum vizinho sentia,
o explodir da bomba, o atentado.

Mas no fundo de mim  eu guardo,
um dia para poder alcançar,
todo o corpo de alguém suado
que passou anos sem poder sonhar.


Sergio  (22.Set.1995)

PENSAMENTO
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Não é um sonho

Acordo no meio da minha noite
e sinto a angústia de sempre.
Da minha cama, salto e voo,
até ao mundo de outra gente.

Chego, deixo as asas num canto,
e sou recebido como um Rei.
Aqui, posso ser o que não sou:
não há limites, não há lei.

Dispo a pele de ser humano,
vestindo o corpo de um amante.
Bebo o líquido da felicidade,
e quero estar neste mundo distante.

Ouço a voz dos outros seres
que, como eu, gozam este momento.
Faço o amor com um deles,
não à  realidade: é o meu tormento.

Este lugar é belo, puro e suave.
Não existe tempo, nem espaço.
A minha vida eu não quero,
e aqui ninguém sabe o que eu faço.


Sergio   (21.Jun.1994)

PS. Este poema foi escrito em Coimbra, se não estou em erro fui buscar a minha inspiração numa resseca.