Clínica Cirúrgica - Perguntas e Respostas 05
Portal Bandicina
www.bandicina.cjb.net
Clínica Cirúrgica - perguntas e respostas
Faculdade de Medicina da UFMG

EXERCÍCIO 1- PRÉ-OPERATÓRIO: GENERALIDADES

EXERCÍCIO 5 - HIDRATAÇÃO VENOSA PÓS-OPERATÓRIA

EXERCÍCIO 2 - PRÉ-OPERATÓRIO ESPECIAL I

EXERCÍCIO 6 - COMPLICAÇÕES NO PÓS-OPERATÓRIO

EXERCÍCIO 3 - PRÉ-OPERATÓRIO ESPECIAL II

EXERCÍCIO 7 - INFECÇÕES CIRÚRGICAS

EXERCÍCIO 4 - RESPOSTA ENDÓCRINO-METABÓLICA AO TRAUMA

EXERCÍCIO 8 - PACIENTE IDOSO

EXERCÍCIO 5 - HIDRATAÇÃO VENOSA PÓS-OPERATÓRIA

 1. Quais são os principais objetivos e cuidados com o paciente no pós-operatório imediato, ainda SRPA (sala de recuperação pós-operatória)?
Supervisionar a perviedade das vias aéreas, manter ventilação adequada e observar padrão respiratório do paciente, monitorizar os sinais vitais, monitorizar grau de consciência, surpreender precocemente complicações. Tais itens visam a manutenção da homeostase, e a prevenção, detecção e tratamento precoce de complicações.
 
2. Discutir o valor do acompanhamento/evolução médica no pós-operatório imediato; mediato e tardio.
Permite ao médico acompanhar a recuperação do paciente, e com isso, prevenir, diagnosticar e tratar precocemente as complicações provenientes da cirurgia, bem como instituir tratamentos sintomático e suportivo ao paciente, para acelerar a recuperação e a volta às atividades normais do paciente.
 
3. Discutir a importância do registro do acompanhamento/evolução no prontuário médico.
O registro da evolução médica no prontuário médico deve ser feito não só para facilitar o acompanhamento do quadro do paciente, mas também permitir o acompanhamento do caso por plantonistas ou por outros médicos solicitados pelo cirurgião. Além disso, o registro se reveste de importância no caso de implicações médico-legais, além de permitir análise retrospectiva do caso, e pesquisas médicas. Também auxilia na condução do caso, na medida em que permite tirar dúvidas quanto aos exames complementares, solicitados e seus resultados e com isso, torna mais fácil a detecção precoce de complicações e intercorrências.

 

4. Discutir a importância de registrar na prescrição médica: a) nome completo do paciente; b) número do leito/registro; c) data/horário; d) nome legível do médico.
Para se evitar quaisquer troca de prontuários ou erro, ao se registrar a evolução médica do paciente e a prescrição; evitar erro na administração dos cuidados e medicamentos prescritos pelo médico, por parte da enfermagem; evitar confusão no acompanhamento do caso, e na interpretação da prescrição (importância da data e horário), além de implicações médico-legais. O nome do médico legível é importante para que se possa comunicar a ele qualquer intercorrência ou anormalidade, além do fato de que qualquer ato médico deve ser autoral e o autor responde pelos seus atos.
 
5. Quais são os aspectos e fatores a serem avaliados para definir o momento adequado da realimentação pós-operatória?
O tipo de anestesia (anestesia geral requer maior tempo de jejum pós-operatório), tipo de cirurgia (em caso de anastomoses), estado geral do paciente, e retorno do peristaltismo (evidenciado por ruídos peristálticos positivos à ausculta abdominal, retorno do apetite, eliminação de flatus). A dieta deve ser reintroduzida de forma escalonada e progressiva, de acordo com a tolerância do paciente: dieta líquida restrita, dieta líquida completa, dieta branda, dieta livre.
 
6. Discutir as principais medidas para profilaxia: a) do tromboembolismo; b) da atelectasia; c) do íleo pós-operatório prolongado; d) da flebite nas vias de infusão parenteral.
a) Trombo-embolismo: deambulação precoce, movimentos ativos e passivos de membros inferiores, compressão da panturrilha (dorso flexão do pé), enfaixamento dos membros inferiores (de distal para proximal), meias elásticas de compressão graduada, compressão pneumática externa, doses subcutâneas de heparina – 5000 U ou 0,25mL – 12/12 horas.
b) Atelectasia: mudanças de decúbito no leito, inspirações profundas (cerca de 10 a cada hora), fisioterapia respiratória, estimulação da tosse (com contenção da ferida operatório através do travesseiro), micronebulização (30-40 minutos, 4-6 vezes ao dia), deambulação precoce, prevenção da dor que pode limitar a inspiração com o uso de analgésicos, uso de drenagem postural.
c) Íleo pós-operatório prolongado: evitar manipulação excessiva de alças intestinais, analgesia adequada, prevenir e/ou corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, evitar uso de opióides (principalmente loperamida e codeína), detecção precoce e tratamento de condições inflamatórias intra-abdominais (peritonite, pancreatite, abscessos), proteger alças expostas com compressas úmidas, evitar grandes dissecções e extensas ressecções viscerais.
d) Flebite nas vias de infusão parenteral: troca freqüente de veias periféricas de infusão (a cada 48-72 horas), troca freqüente do curativo, não infundir soluções hipertônicas acima de 10% de concentração em veia periférica, não infundir em veia periférica solução com K+ (potássio) com mais de 40 mEq/L (40mEq/L = 15mL de KCl a 10% em 500mL de SGI a 5%). 
 
7. Discutir os principais cuidados a serem prescritos em relação: a) ao cateter nasogástrico; b) ao cateter vesical de demora; c) ao cateter venoso central; d) aos curativos nas feridas cirúrgicas.
a) Cateter nasogástrico: elevação da cabeceira da cama a 30o, uso de bloqueador H2 para diminuir secreção gástrica e acidez, aspirar a cada 2 horas ou irrigar com soro fisiológico, verificar a fixação do cateter, anotar o volume de secreção drenado para balanço hídrico e eletrolítico.
b) Cateter vesical de demora: observar e anotar diurese; utilizar reservatório de sistema fechado.
c) Cateter venoso central: observação do curativo diariamente e trocá-lo de 3 em 3 dias, com pomada de PVPI; não infundir solução hipertônica acima de 20 a 22%. Em caso de febre e secreção purulenta, retirar o cateter (enviar a ponta do cateter para cultura) e realizar aplicação de calor local.
d) Curativo nas feridas cirúrgicas: trocar curativos diariamente caso haja drenagem de secreção ou o curativo esteja molhado; retirar curativo após 48 horas em caso de não haver eliminação de secreção; observar aspecto da ferida; o esparadrapo deve abranger a menor área possível da pele.
 
8. Quais são os principais sintomáticos prescritos no pós-operatório?
Analgésicos: anti-inflamatórios não esteróides (AINES) e analgésicos opiáceos;
Antitérmicos: AINES;
Antieméticos: Metoclopramida.
 
 9. Defina e classifique; a) água endógena; b) perdas insensíveis. Defina balanço hídrico.
a) Água endógena; é a água produzida a partir das reações químicas que ocorrem no metabolismo celular. Varia de 400 a 600mL, com média de 500mL.
b) Perdas insensíveis: são as perdas de água não visíveis e não prontamente mensuráveis como perspiração, evaporação de água durante a respiração e perdas pela pele (transpiração). Varia de 800 a 1200mL, com média de 1000mL. É variável de acordo com a temperatura corporal , temperatura ambiental e freqüência respiratória.
 
Balanço hídrico é o resultado da diferença entre os ganhos (soroterapia, medicamentos em solução, água endógena) e as perdas hídricas (diurese, fezes, perdas insensíveis, perdas adicionais. Estas últimas incluem: drenos, ostomias, cateteres, diarréia, vômitos e outros) 

Copyright ©2003 por band-mixirika para Bandicina ®.

Permitida reprodução total ou parcial desde que citada a Fonte (www.bandicina.cjb.net) (www.oocities.com/bandicina).

Autor/digitação: Departamento de Cirurgia da UFMG/ Doutor "Fredão". Data de Publicação: 06/2003. Categoria: apostila de exercícios

1