UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
Escola Superior de Educação Física
Pós-graduação em Treinamento de Alto Rendimento para a Prática de Tênis
PLANIFICAÇÃO DE TREINO TÁTICO-ESTRATÉGICO PARA TENISTAS, BASEADO EM ESTUDO DE CASO, ATRAVÉS DE UMA OBSERVAÇÃO QUALITATIVA ESTRUTURADA
Francisco de Assis Nunes Zanette
30 de março de 1998
-------------------------------------------------------------
SUMÁRIO
RESUMO
INTRODUÇÃO
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
RESULTADOS
CONCLUSÃO
A) Padrão de jogo potencial
D) Exercícios Sugeridos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXO
-------------------------------------------------------------
RESUMO
O objetivo deste estudo foi planificar o treinamento tático-estratégico, bem como orientar o jogador, com os exercícios de quadra necessários para seu aperfeiçoamento. Para tanto, caracterizamos o tenista da amostra, em seus golpes e principais ações, assim determinando seu padrão de jogo e potenciais.
A amostra foi constituída por um atleta do sexo feminino, destra, com golpe de esquerda com duas mãos, categoria juvenil.
A análise foi feita em dez (n=10) jogos completos de tênis, disputados no sistema de melhor de três sets, eliminatórios, sendo os jogos válidos pelo ranking nacional, jogados em quadra de piso lento (quadra de saibro). Estes jogos foram distribuídos da seguinte forma: três jogos em Caxias do Sul (janeiro de 1998), três jogos em Novo Hamburgo (janeiro de 1998), e quatro jogos em Porto Alegre, todos no Estado do Rio Grande do Sul.
Os resultados da observação determinam que a atleta se caracteriza por adotar um jogo de fundo de quadra, tendo como principal golpe o forehand, que é consistente, preciso e com velocidade ótima.
Seus golpes de backhand , apresentaram menos eficiência e consistência que os de forehand.
A recepção das bolas nos golpes de fundo são, quase sempre, na descendência, o que diminui consideravelmente a economia de energia ao imprimir velocidade ao golpe. E também, desta forma, perde a possibilidade de uma posição ofensiva em quadra.
Sua estratégia preferida foi manter as adversárias ao fundo da quadra, levando os pontos para a decisão pela maior regularidade. A decisão estratégica de eficiência, sem assumir muitos riscos, foi predominante, mesmo contra adversárias qualificadas, cedendo, muitas vezes, a iniciativa dos pontos.
Teve como tática principal, quando em domínio do ponto, o ataque com deslocamento alternado das adversárias, pelo fundo de quadra. Desta forma, provocou o desequilíbrio das oponentes, até vencer a jogada.
Na iniciação dos pontos, deve aperfeiçoar a decisão tática. O saque não foi aproveitado como uma ação ofensiva. A devolução do saque foi boa, mas a tentativa de neutralização carece de um golpe com mais efeito em top spin.
O treinamento deve dar especial atenção ao aumento da ofensivamente e imposição de jogo, de forma que aumente a sua iniciativa nos pontos. Precisa treinar novas opções de conclusão de jogadas, tais como, de meia quadra, com voleio em aproximação à rede, etc.
Em conclusão, e com base na caracterização da jogadora, passamos uma série de sugestões para o desenvolvimento do treinamento tático-estratégico, junto com exercícios práticos em quadra.
Este estudo, pode servir de base para a análise de outros jogadores, por profissionais da área de treinamento, visando o aperfeiçoamento e o alto rendimento de tenistas.
-------------------------------------------------------------
INTRODUÇÃO
A necessidade do desenvolvimento do conhecimento tático-estratégico nos jogadores de tênis, assim como sua aplicação no jogo, é de fundamental importância, para a performance de alto rendimento.
Segundo Fraayenhoven (1990:02), a tática é um tanto esquecida na literatura aplicada ao ensino do tênis, pois encontramos vasto número de livros sobre técnica, preparação física e psicologia, mas poucas são as publicações específicas sobre tática. Schonborn (1990:12) analisou os 38 melhores livros de tênis, e constatou que menos de 10% dos conteúdos, eram dedicados a tática. A própria definição de tática se confunde muitas vezes com estratégia, para a maioria dos jogadores e treinadores.
Existem vários de conceitos de tática e estratégia. Crespo, Andrade e Arranz (1993:14) definem estratégia, como um conceito mais geral e englobador que a tática, como por exemplo: jogar ofensivamente. Já a tática é definida por Jones (1973:10), como sendo, os métodos que se adota, para procurar o cumprimento dos objetivos. Segundo Crespo, Andrade e Arranz (1993:14), tática é o sistema especial que dissimula e, habilmente, se utiliza, para conseguirmos um fim. Schonborn (1990:13), conceitua tática, como sendo a utilização racional e lógica da técnica em situações determinadas.
Fraayenhoven (1990:02,3), nos sugere que, para almejarmos um rendimento total, devemos desenvolver por igual os aspectos mentais, táticos, técnicos e físicos, sob pena de, se algum deles for esquecido, se converta em um ponto débil do jogador. O treinamento tático é a fórmula do desenvolvimento deste aspecto. Segundo Schonborn (1990:45), o treinamento tático deve desenvolver as capacidades do uso das habilidades técnicas do jogador, baseando-se na percepção e análise da situação de jogo, de forma que se selecione e aplique o golpe correto, com a finalidade de conseguirmos obter uma solução ótima a cada circunstância da partida.
A especialização e aperfeiçoamento de jogadores, para o alto rendimento, e para a competição, se torna cada vez mais necessário. Crespo, Andrade e Arranz (1993:101), nos falam que, na etapa do aperfeiçoamento, o jogador deve ter como predicado certas bases técnicas e táticas, e que o qualificará, para iniciar o aprendizado tático-estratégico, tão necessário para aperfeiçoar seu jogo. Para tanto devemos caracterizar nosso jogador através de uma análise. A observação estruturada em partidas completas em competição é o método de análise escolhida. Este estudo deve observar e caracterizar os golpes, as ações táticas, os potenciais e as deficiências, assim como determinar o estilo predominante do jogador.
A análise ou pesquisa qualitativa é definida por Triviños (1992:120), como sendo uma atividade de investigação específica, e tem como objetivo, atingir uma interpretação da realidade, sob o ângulo qualitativo. A análise do jogador, individualmente, se caracteriza como sendo um estudo de caso. Descreve Triviños (1992:133), que o estudo de caso é uma categoria de pesquisa, cujo objeto é uma unidade que se analisa aprofundadamente. Esta pesquisa será de caráter observacional, dirigida e estruturada, com o uso de fichas de análise dos jogos , coletando os dados que necessitamos.
O objetivo deste trabalho é planificar um treino tático-estratégico para o aperfeiçoamento de um jogador de tênis, tendo como base a coleta de dados em jogos competitivos completos, feita através de uma observação qualitativa estruturada.
No aperfeiçoamento de tenistas devemos vislumbrar e respeitar a individualidade e aptidões inatas, conferindo polimento e personalidade ao estilo do jogador. Almejamos que, com este método, estruturado, de planificação de treinos, possamos melhor transmitir os conhecimentos, que irão tornar o jogador, totalmente capaz de se impor aos seus oponentes, auxiliando no caminho de seu sucesso.
-------------------------------------------------------------
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A) Descrição Metodológica
Este estudo se caracteriza como, sendo uma pesquisa qualitativa, de natureza descritiva, Triviños (1992:128), que tem como base a percepção de um fenômeno num contexto; por isso, não é vazia, mas coerente, lógica e consistente. É um estudo de caso observacional , uma categoria da pesquisa qualitativa, Triviños (1992:133) cujo objeto de estudo é uma unidade que se analisa profundamente.
Segundo Triviños (1992:158) a observação foi do tipo livre, estruturada ou padronizada, com anotações de campo descritivas, sempre procurando a exatidão dos dados, isenta de influências externas. Descreve ações e atitudes específicas, que nos permitem uma análise detalhada das possibilidades, potenciais e deficiências da unidade estudada.
A análise dos dados foi realizada imediatamente após o fim do estudo de campo, possibilitando a caracterização da jogadora, e posterior planificação do treino tático-estratégico, de acordo com a revisão de literatura efetuada.
B) Amostra e Delimitações
A amostra foi constituída por um atleta do sexo feminino, com idade de doze anos. A atleta disputou dez jogos completos de tênis, válidos pelo ranking nacional, disputados em quadras de saibro (piso lento), no sistema de melhor de três sets.
O período da análise foi de um mês, em janeiro de 1998, nas cidades de Caxias do Sul, Novo Hamburgo e Porto alegre, no estado do Rio Grande do Sul.
C) Coleta de Dados
A coleta de dados foi baseada em uma observação estruturada feita pelo pesquisador, sem interferências externas, levando em conta os seguintes aspectos: 1- Observação da técnica dos golpes ( forehand, backhand, saque, devolução, voleio e smash ). 2- Observação da decisão tático-estratégica no saque e na devolução de saque. 3- Observação do posicionamento base do jogador em quadra. 4- Avaliação da decisão preferencial tomada nos pontos importantes da partida, em situação de defesa ou ataque. 5- Observações das principais jogadas à rede e do fundo. 6- Avaliação das principais deficiências percebidas pelo observador de forma geral.
A avaliação técnica foi feita levando em conta as variáveis: precisão, potência, efeito e consistência geral. Foram dadas notas de 1(um) a 5(cinco) em cada variável considerada. Para efeito de qualificação dos golpes foi adotado o seguinte esquema: nota 1 ruim, nota 2 regular, nota 3 bom, nota 4 muito bom e nota 5 ótimo.
Para a análise foi criado um relatório, estruturado, com as variáveis necessárias, e dados complementares desejados, tais como número da observação, data, local, rodada e resultado do jogo. Este relatório utilizado foi criado especialmente para esta pesquisa. Foi testado, validado em sua fidedignidade pelo autor deste estudo ( anexo 1 ).
-------------------------------------------------------------
RESULTADOS
1- Forehand: nas análises qualitativas, se caracteriza como sendo seu melhor golpe. É um golpe com possibilidade de grande precisão, com bom controle de direção e profundidade. Aplica pouco efeito a bola. Trabalha com potência ótima e velocidade média. A execução do golpe é na descendência, em recepção a bola da adversária. Se constitui em um golpe com grande consistência, pois tem controle, precisão e regularidade.
2- Backhand: tem o golpe com duas mãos. Consegue média precisão, com boa direção, as vezes com pouca profundidade. Aplica regular efeito na bola, em top spin ou as vezes slice. Tem potência de baixa para média, mas o golpe tem potencial a ser explorado. A consistência não é grande, pois falta o controle do golpe. É muitas vezes irregular, principalmente, após um deslocamento lateral. A recepção dos golpes da adversária é na descendência da bola em jogadas de fundo. Em meia quadra, no entanto, em conclusão de jogadas, é na ascendência.
3- Saque: é um golpe que necessita maior maturidade. A precisão é limitada, pois tem um primeiro saque central e previsível. O segundo saque é muitas vezes curto. Aplica pouco efeito ao saque, sendo o slice a preferência de spin. A potência parece ser, as vezes a única saída para pressionar a adversária, mas ainda assim consegue só uma potência média. A consistência é principalmente em termos de regularidade. Faz poucas duplas faltas.
4- Devolução de saques: tem, na média, uma precisão boa na devolução dos saques. Usa pouco efeito nos golpes. A potência é moderada. A consistência é boa em termos de regularidade, tem o controle da profundidade e da direção, principalmente na devolução do segundo saque das adversárias.
5- Voleio: são golpes pouco utilizados, mas os executa, com boa consistência.
difícil a sua caracterização exata, no entanto nos observados houve eficiência.
B) Principais ações:
Em devolução: As principais decisões são de neutralização ou ataque. A neutralização é sempre com bolas fundas, em direção ao backhand da adversária, ou central. Ataca, principalmente, com bolas cruzadas fundas. No segundo saque da adversária, toma a iniciativa de ataque, porém em um posicionamento de recepção na descendência da bola.
Ao saque: Não usa o saque ofensivo. É central e com boa profundidade, muitas vezes explorando o backhand da adversária, como opção tática. Tenta potência no primeiro saque, mas sem angulação, principalmente no saque da direita. Em segundo saque apenas coloca a bola em jogo, não usa efeitos que neutralizariam a ação ofensiva das devoluções das adversárias.
2. Táticas preferidas em pontos decisivos:
Em situação de ataque: Com o domínio do ponto, ataca, principalmente, com golpes do fundo, alternando a direção da bola, o mais nos cantos possível e com profundidade. Opta pela conclusão de jogadas com ataques angulados, em bolas de defesa das adversárias. Via de regra, prefere esperar o erro da adversária, assumindo o mínimo de riscos. Tem como opção de conclusão de jogadas o uso do drop shot.
Em situação de defesa: Sem a iniciativa dos pontos, atacada pela adversária, tem um comportamento extremamente defensivo. A predominância é de, no máximo, decidir pela recuperação da posição, quando deslocada. Não tenta o contra-ataque, e consegue poucas neutralizações.
3- Posicionamento em quadra:
Se posiciona sempre central na quadra, mesmo quando a jogada era em cruzadas pela esquerda, não utilizando o posicionamento de três quarto de quadra. Fica quase sempre muito atrás da linha de fundo, em posição excessivamente defensiva, com recepção das bolas, quase sempre, na descendência.
4-Principais jogadas:
Jogadas de fundo: em rallys de fundo (desenvolvimento do ponto), prefere jogar com bolas fundas, potência média, e o máximo de eficiência e regularidade, tirando a possibilidade de ataque das adversárias.
Jogadas à rede: decide sempre jogar ao fundo, se possível, fazendo inexpressivo número de jogadas à rede. Quando vem à rede, no entanto, tem sucesso nos pontos.
B) Deficiências Percebidas:
1- Deficiência na técnica dos golpes:
O backhand se caracteriza como sendo sua principal deficiência técnica. Tem no golpe menor eficiência que nos outros necessitando uma maior consistência e maturidade.
O forehand é o seu melhor golpe, mas necessita maior variação do efeito aplicado a bola; não domina o top spin, que é essencial para jogadores de fundo de quadra.
O saque precisa de variação de efeitos e de objetivos de ataque. A potência deve ser treinada também.
A devolução precisa de efeito em top spin, e o posicionamento tem de ser mais ofensivo, principalmente em devolução do segundo saque, se postando mais para dentro da quadra.
Os voleios e smashs são pouco usados, pois não tem como objetivo a conclusão de jogadas na rede.
2- Deficiências na iniciação dos pontos:
Em devolução de saque, se sente mais a vontade, mas precisa aprimorar e organizar as táticas para a devolução, que constitui sua principal deficiência em devoluções. Toma muitas vezes uma posição excessivamente defensiva, principalmente na recepção do primeiro saque.
O saque não é utilizado em todo seu potencial. Saca sem ofensividade, e, quase sempre, central, não explorando o saque aberto, que já tira as adversárias para fora da quadra, possibilitando o domínio de jogada. A variação de efeitos e direções, que desestabilizam a devolução das adversárias também não é usada.
3- Deficiências em pontos decisivos :
Quando domina o ponto, em situações de ataques decisivos, deve tomar mais a iniciativa da conclusão da jogada, não esperando muito, principalmente, contra adversárias qualificadas. Muitas vezes, tem a possibilidade de ir para a rede, a fim de concluir o ponto, mas prefere recuar e esperar a definição do fundo da quadra. Precisa utilizar mais a conclusão de jogadas com angulação curta e com subida a rede.
Quando está sendo atacada, nos pontos decisivos, tem um índice muito alto de defesas simples, usa pouco o contra-ataque e com pouca intenção da neutralização do ataque. Deve ter como decisão opcional, impor pressão a adversária, usando bolas fundas e com muito efeito em top spin, sem se contentar apenas em por a bola em jogo.
-------------------------------------------------------------
CONCLUSÃO
A) Padrão de jogo potencial:
Conforme Crespo, Andrade, Arranz (1993:55), o padrão de jogo se define como sendo o esquema tático pessoal adotado por um jogador, que está atrelado aos potenciais: físicos ( rapidez, resistência ), técnicos ( repertório de golpes completo ou incompleto ) e psicológicos ( caráter, personalidade ). Muito comum é a influência do tipo de piso predominante em jogos e treinos, na formação do estilo do jogador. Estes são os fatores determinantes mais importantes do padrão de jogo.
A tenista observada tem como padrão, conforme Crespo, Andrade, Arranz (1993:56), o jogo de fundo de quadra, porém com características ,ora de jogo ofensivo, ora defensivo, caracterizadas pelas seguintes ações:
- Tática principal: o jogo de consistência e efetividade, fazendo as jogadas preferencialmente do fundo, passando bolas fundas e esperando a precipitação das adversárias para ganhar os pontos.
- Em conclusão de jogadas, faz, as vezes, as preparações pelo fundo, de onde dispara golpes consistentes e fortes, quase sempre concluindo o ataque com dois ou três golpes, no máximo, em meia quadra.
- Não sobe quase a rede, e quando o faz, se sente muito indefesa, concluindo só as jogadas muito fáceis ou obrigatórias. Não voleia mal, mas tem pouca agilidade e percepção de rede.
- Executa golpes especiais, com bom toque de bola e confiança. Os seus golpes de drop shots, passadas e lobs, tem boa consistência.
- Tem uma boa devolução de saque para compensar a característica de
saque não ofensivo.
- É percebido um bom trabalho de pés. Corre muito, principalmente em
linha, com alguma dificuldade para deslocamentos em diagonal à frente.
Verifica-se que a quadra mais adequada para o jogador de fundo de quadra é o saibro ou quadra de terra, tendo problemas, geralmente, em pisos mais rápidos, mesmo já adaptados.
B) Treinamento tático-estratégico:
Com base nos dados observados, passa-se a formulação da sugestão
de treinamento tático-estratégico para a tenista.
Defini-se treinamento tático-estratégico com sendo, conforme Crespo, Andrade, Arranz (1993:96), o sistema que permitirá a melhoria da capacidades racionais, de conhecimento das próprias qualidades, das do adversário e das situações externas que se dão em todas as competições esportivas.
O objetivo de todo treinador, segundo Forti (1992:80), deve ser de desenvolver as habilidades do jogador que ele treina, tornando-o um desportista completo. Isto implica no desenvolvimento do conhecimento da tática de jogo.
Para a maioria dos autores o treinamento tático é subdividido em dois grupos principais: conhecimento teórico sobre a tática e a aplicação concreta destes conhecimentos em situações de jogo.
A planificação de treinamento tático-estratégico, que é o objetivo deste estudo, será através de conselhos gerais para o treinamento tático do jogador e para a aplicação de exercícios práticos de situações de jogo, propostos com o fim de melhorar o rendimento desportivo, nas situações de saque, devolução, e da tomada de iniciativa para a conclusão de jogadas, que parecem as áreas de maior necessidade de desenvolvimento, mas sempre levando em conta e respeitando o estilo pessoal e o padrão de jogo da tenista observada.
C) Conselhos para o desenvolvimento tático do jogador:
Tecnicamente deve melhorar o backhand, que se constitui em uma deficiência que favoreceu as adversárias, que exploram este seu ponto débil, situação que nos descrevem Crespo, Andrade, Arranz (1993:29).
O forehand carece de efeito top spin, que é essencial para jogadores com padrão de jogo de fundo, como sugerido por Crespo, Andrade, Arranz (1993:35,56). A utilização deste efeito obriga as adversárias a adaptar-se a trajetórias diferentes da bola, quanto a altura, a potência e a angulação, provocando erros não forçados, neutralizando ações ofensivas, impondo pressão nas adversárias, que se passam a jogar bem atrás da linha de fundo. Por outro lado, os golpes planos devem ser usados principalmente em jogadas de velocidade e em conclusão de jogadas em meia quadra, com recepção da bola na ascendência.
O saque, segundo Deniau (1992:88), é a jogada mais importante do tênis, pois o jogador pode impor a sua tática ao adversário, sendo normalmente, a maior fonte de pontos ganhos do atleta. Também, segundo Deniau (1992:90), o saque deve ter efeito slice para colocar os adversários mais para fora da quadra (saque pela direita), ou também pode usar o saque american twist, ou saque com top spin, que impõe pressão, empurrando os adversários para o fundo. Conforme Crespo, Andrade, Arranz (1993:46), o serviço deve ser utilizado como uma arma para se conseguir muitos pontos. Hedelund, Rasmussen (1997:6), defendem que o saque, no decorrer dos anos e com a melhoria do material, se converteu no golpe mais importante em vários aspectos. Taticamente o saque deve ter variação tanto de efeito, colocação e direção, para que o recebedor seja surpreendido. A precisão do saque deve ser em zonas apropriadas (aberto, ao corpo e no meio). A tática adotada (ataque, pressão ou neutralização) deve ser clara e decidida anteriormente, não podendo mudar de objetivo no meio do golpe. Para tanto o jogador deve ter embasamento, fundamentado em treinos práticos.
Em devolução de saque, Deniau (1992:94) e Hedelund, Rasmussen (1997:7), afirmam que: a devolução, principalmente, do primeiro saque, deve ser com índice alto de eficiência, e, se possível, colocar o adversário em dificuldades. Na devolução do segundo saque, deve-se sempre tomar a iniciativa do ponto. A devolução tem que ter um objetivo tático definido (visualizar). Se a devolução for liftada deve ser alta e funda, se for plana deve deslocar o adversário, ser rápida e potente.
A conclusão dos pontos começa, quando o jogador toma a iniciativa de ataque. Deve se constituir no objetivo da disputa do ponto. Dizemos que o jogador é defensivo, quando não toma a iniciativa de ataque nos pontos, esperando o erro dos adversários, não assumindo riscos.
Shonborn (1990:28), recomenda aumentar a margem agressiva dos jogadores, treinando especificamente o domínio de pontos, tomando a iniciativa da conclusão das jogadas, com golpes ganhadores. Ele esclarece que jogar agressivamente, não significa, apenas, jogar a rede. Um jogador pode ser agressivo também jogando do fundo da quadra. Para conseguir melhorar a margem agressiva dos jogadores, deve-se não só treinar os pontos débeis, mas também a iniciativa na conclusão dos pontos. Shonborn (1990:21), também recomenda sempre a conclusão de jogadas, executando primeiro um golpe ofensivo preparatório e só após um golpe ganhador.
Skuroduomova (1996) define como pontos ganhos com atividade, os pontos em que o adversário atacado não toca na bola, e efetividade os pontos ganhos por erro do adversário. Ela reiterou a necessidade, na atualidade, de tomar a iniciativa da jogada, jogando o máximo possível com atividade. É o tênis índice, em que o jogador que tiver o maior índice possível de domínio dos pontos, terá um sucesso maior. A necessidade do risco se tornou imperativa no tênis moderno.
Agassi (1997:26) recomenda deslocar os adversários de forma que eles se obriguem a executar os golpes esticados. Haverá uma grande possibilidade, de que, esticados totalmente, não consigam velocidade, consistência ou profundidade suficientes, em seus golpes, o que facilita a definição do ponto.
Antoun (1996:18) observou na sua pesquisa, que é cada vez maior o uso de golpes em ângulo curto, desde o fundo da quadra. Estes golpes surpreendem os adversários, quebrando o ritmo de jogo. Bem executados, se constituem em golpes muito eficazes, para tirar os adversários de sua posição cômoda de fundo de quadra. É um excelente instrumento preparatório da conclusão de jogadas, muitas vezes resultando em um golpe ganhador.
Estudos estatísticos feitos por Skuroduomova (1996), concluíram que os ataques à rede, para mulheres, em piso de saibro, analisando tenistas de vários níveis nacionais e internacionais, representaram de 15 a 23% do total possível de conclusão de jogadas , tornando-se uma necessidade o treinamento deste tipo de situação.
D) Exercícios sugeridos
Para o desenvolvimento tático da jogadora, sugiro, a seguir, uma série
de exercícios práticos, escolhidos especialmente para este estudo. Como objetivo, pretendemos que a atleta tenha melhoria em sua eficiência em competições, que os exercícios melhorem o aprendizado com situações novas, visem a qualidade e não a quantidade do treinamento e que se pareçam, o mais possível, com as situações reais em competição, para que haja adaptação o mais rapidamente possível. Estes exercícios são descritos em Shonborn (1990:46), Crespo, Andrade e Arranz (1993:152) e Crespo (1993:16).
Exercício 1
Objetivo
: Sacar para tomar a iniciativa do ponto até a sua conclusão,deslocando o adversário.
Descrição: O jogador saca aberto, pela direita ou esquerda, angulado,
para que o adversário seja deslocado para fora da quadra. O jogador, a seguir, desloca o adversário para o lado oposto e a jogada segue.
Observações: o saque deve ter precisão e, se sacado na direita, deve
ter efeito slice, para abrir mais ainda, assim provocando maior deslocamento do adversário. Serve também como exercício para tomar a iniciativa até a conclusão da jogada com um golpe ganhador
Exercício 2
Objetivo
: Aumentar as opções e variação do saque, desenvolvendo o controle e a eficiência.Descrição: O jogador saca em alvos, que podem ser cones, colocados nas seis posições desejadas: aberto, em direção ao corpo, ou fechado, nos quadrantes da esquerda e da direita.
Observações: Deve-se tentar todos os tipos de saques (planos, com slice e o americam twist).
Exercício 3
Objetivo
: treinamento das opções táticas de devoluçãoDescrição: O treinador realiza saques em meia quadra e o jogador devolve tentando uma série de neutralizações, outra série de ataques ganhadores e por final uma série de devoluções impondo pressão, com a bola funda e com efeito top spin.
Observações: pode-se ter como variante, outro jogador sacando em situação real de saque, o jogador deve devolver na tática pré-estipulada. Continua-se a jogada.
Exercício 4
Objetivo
: desenvolver a devolução agressiva.Descrição: O treinador realiza saques mais fracos, ou curtos, em
meia quadra e o jogador devolve com o objetivo de obter uma resposta ganhadora cruzada ou em paralela.
Observações: O golpe de devolução deve ser executado, de prefe-
rência, com menos efeito, grande velocidade, com recepção na ascendência de dentro da quadra.
Exercício 5
Objetivo
: treinar o contra-ataque, estando em situação defensiva.Descrição: dois jogadores disputam um ponto, tentando ganha-lo.
O primeiro jogador começa o ponto desequilibrando o segundo jogador, colocado-o em posição defensiva. O jogador em posição defensiva tenta responder com golpes agressivos em contra-ataque.
Observações: o exercício pode ter duas variantes: o jogo com trocas pelo fundo da quadra ou com o ponto começando com o primeiro jogador à rede, e o segundo jogador em posição defensiva, ao fundo tentando ganhar o ponto com uma passada.
Exercício 6
Objetivo
: treinar a realização do padrão de jogo tático ofensivo dofundo da quadra.
Descrição: dois jogadores disputam um ponto, tentando ganha-lo.
O primeiro jogador disputa o ponto de forma livre, porém tem apenas o segundo saque, e o segundo jogador joga no padrão ofensivo, tentando sempre o deslocamento do primeiro jogador até o fim do ponto.
Observações: a conclusão de jogada pode ser pré-estipulada, com
subida a rede e voleio, com bola curta ou de meia quadra.
Exercício 7
Objetivo
: treinar o deslocamento do adversário com um golpe emângulo curto.
Descrição: dois jogadores disputam um ponto, um tentando sempre deslocar o outro, usando uma angulação curta, para tirá-lo, o máximo possível, para fora da quadra, no golpe seguinte tenta a conclusão de jogada.
Observações: quando o ponto termina, o treinador pode fazer correções táticas oportunas sobre o objetivo tático determinado, se achar conveniente.
Exercício 8
Objetivo
: treinar a iniciativa de conclusão de jogada.Descrição: dois jogadores disputam um ponto, um joga para manter, somente, a bola em jogo e o outro tenta ganhar o ponto, em um número determinado de golpes ( 3, 4, 5, etc.).
Observações: pode-se, em vez de estipular um número de golpes, estipular um tempo determinado (15-20 segundos), para concluir o ponto.
Exercício 9
Objetivo
: treinar conclusão segura de jogadas à rede com voleio.Descrição: o jogador provoca dois deslocamentos laterais do adversário, o primeiro com um golpe cruzado, em direção a direita e segundo paralelo na esquerda, após sobe à rede e tenta um voleio ganhador.
Observações: estatisticamente, depois de duas situações de desequilíbrio, os jogadores devolvem uma bola central e defensiva em 80% das jogadas, o que facilita a conclusão do ponto.
Exercício 10
Objetivo
: treinar a combinação de diversos tipos de golpes, sob oponto de vista tático ( de preparação, de neutralização ou ganhador ).
Descrição: dois jogadores disputam um ponto, tentando ganha-lo.
Depois do transcurso do ponto, o treinador deve fazer observações sobre a valorização tática de cada golpe executado, se foram aplicados convenientemente, como golpes de neutralização, de preparação ou ganhador.
Observações: este exercício induz o jogador a aprender e conhecer a utilização oportuna dos golpes, taticamente falando, nas diferentes situações de uma partida.
-------------------------------------------------------------
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGASSI, A. Como fazer para que o adversário bata curto. Tennis (em português), ano 1, número 1. São Paulo, 1997. Ed. Âmbito.
ANTOUN, R. Let Variety Be The Spice of Life, Coaches & Coaching, numero 23. Londres, 1996. Ed. British LTA's.
CRESPO, M. Ejercicios para Mejorar tu Tenis, Nível Avanzado. Barcelona, Espanha, 1993. Ed. Gynnos.
CRESPO, M. , ANDRADE, C.A. , ARRANZ, J.A . Tenis, Tomo II, 1993. Ed. Comite Olimpico Espanhol.
DENIAU, G., LAFFONT, R. Tennis, La Technique, La Tactique, I'entraînement. Barcelona, Espanha, 1992. Ed. Paidotribo
FORTI, L. La Formación del Tenista Completo. Barcelona, Espanha, 1992. Ed. Paidós.
FRAAYENHOVEN, F. V. Seminário Monográfico de Tactica, La Manga, Espanha, 1990.
JONES, C. M. Tacticas de Tenis, Analisis del juegador y del juego para vencer. Barcelona, 1973. Ed. Hispano Europeia.
HEDELUND C. E., RASMUSSEN A. . Coaches Review, número 13, 1997. Ed. ITF(Federação Internacional de Tenis).
SHONBORN, R. . Seminário Monográfico de Tactica, La Manga, Espanha, 1990.
SKURODUOMOVA, A. P. 1a Jornada Internacional de Tênis. São
Paulo, 1996.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais, a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo, 1992. Ed. Atlas.
-------------------------------------------------------------
Anexo 1 ( Relatório de Ações)
Nome do jogador________________________________________________
Idade:______________ Sexo:_________ Data da observação:________
Torneio:__________________________ Local:________________________
Rodada:_________________ Escore:__________ Piso:_________________
Avaliação Técnica:
|
Variáveis |
Precisão |
Efeito |
Potência |
Consistência |
|
Forehand |
|
|
|
|
|
Backhand |
|
|
|
|
|
Saque |
||||
|
Devolução |
|
|
|
|
|
Voleio |
|
|
|
|
|
Smash |
|
|
|
|
Estratégia na iniciação dos pontos:
Quando o jogador saca:____________________________________________ _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Quando o jogador recebe (devolução):________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Posicionamento em quadra:_______________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
Táticas preferidas em pontos decisivos:
Em situação de defesa: ____________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
Em situação de ataque: ____________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
Principais Jogadas:
Jogadas à rede:__________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
Jogadas do fundo:________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
Deficiências Percebidas:__________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Nome do Observador:________________________________________
Dados complementares:_______________________________________