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TIMOR

Ilha da Oceania, no Arquipélago Malaio, a maior e mais oriental das Pequenas Sondas, Localizada entre os paralelos 8O. 20` 15`` e 10O. 22` 19`` de latitude Leste os meridianos 123O. 37`34`` e 127O. 0` 32`` de longitude Leste do Meridiano de Greenwich. A sua forma oblonga, em ferro de lança, orienta-se na direção Sudoeste/Nordeste, desalinhada sensivelmente e como que desgarrada, em ângulo agudo, ao Sul de Flores e a Leste de Sumba, da cadeia de grandes e pequenas ilhas do extenso Arquipélago das Sondas que em arco de circulo quase regular, se estende desde Sumatra até ao Mar de Banda. A sua ponta Sudoeste fica a 1.000 Km em linha reta, a Leste do extenso Sudeste, da ilha de Java, e por ser a mais próxima do Continente Australiano, apenas cerca de 500 Km. Do seu Cabo Bougainville. Ao Sul e Leste é banhada pelo Oceano Índico (Mar de Timor); ao Norte pelo Mar de Banda. Está rodeada pelas ilhas Rotti e Saval, sobre o estreito de Rotti, pelas ilhas de Lomblem Pantar e Alor ou Ombai, sobre o estreito de Ombai, pelas ilhas Pulo-Cambing (Ataúro) e Wetter sobre o estreito do mesmo nome, e na extrema oriental pelo ilhéu Kissar.Mede cerca de 450 Km, no seu eixo maior e uns 100 Km, na maior largura. A sua área total é de cerca de 32.350 km2., O seu nome, de origem malaia, significa "Oriente", diferençando-se dos ilhéus mais a Leste pela designação de Timor Tesar (Oriente Grande ).

Pelo tratado de 20/04/1859 a ilha de Timor foi definitivamente dividida entre Portugal e a Holanda - reservada a Portugal a banda oriental (região dos Belos), com um pequeno enclave, Ambeno (Ocussi), e a ilha Pulo-Cambing numa área total de 16.250 km2., e reconhecida á Holanda a metade ocidental (região de Servião), de área um pouco menor, com 16.100 Km2. Essa partilha foi retificada mais tarde, em 1902, por nova linha de fronteiras que reconheceu a Portugal 16.384 Km2. De território e o restante à Holanda que depois de 1949 passou a fazer parte dos Estados Unidos da Indonésia. A parte portuguesa, com o enclave de Ambeno e a ilha Pulo-Cambing, tem a capital em Dili e contava com cerca de 450.000 habitantes; o resto da ilha que pertencia à Holanda e agora à Indonésia, tem a capital em Cupão (Cupang).

As ribas do mar são escarpadas em muralha alterosa. A costa Sul, sobre o Oceano Índico - banda de fora - muito mais regular que a do Norte - banda de dentro - é batida pelos grandes vagalhões que se arremessam contra as suas escarpas, oferece poucos e seguros abrigos à navegação; na costa Norte, o Mar de Banda, muito mais tranqüilo, permite a navegação das pequenas embarcações, por oferecer mais fáceis abrigos. Todo o litoral é por vezes eriçado de recifes de coral, o que o torna pouco hospitaleiro. Mas há bons ancoradouros - a Sudoeste. A baía de Cupão entre os cabos Balmutung e Pucula; mais ao Norte a baía de Barata ou Barati, entre o Cabo Barata e a Ponta Curus; na costa Norte a baía de Tulary Ican, no enclave de Ambeno, com 37 m. de calado de água, mas mal resguardado da monção de Oeste; a baía ou enseada de Atapupo; e finalmente, o melhor ancoradouro da ilha, a baía de Dili, aberta ao Norte e abrigada por uns baixios de coral que deixam duas entradas para o ancoradouro, sendo a do Oeste, a mais utilizada. Mais para Leste há ainda os pequenos portos de Lifão e Bacau para embarcações de pequeno calado. Na costa Sul, muito menos acidentada, há apenas calhetas de pouca importância, como Suai, Alas, Luca, etc. Os cabos principais são, além dos já mencionados (Balmutung, Pucula e Barata) o Ghemek ou Varkenshook, o Mabara, o Subang. Ao Norte, o Cabo Nordeste na ponta oriental, e na Costa Sul os cabos Nei Mina e Bato Putik (Pedra Branca) entre os quais, em frente da costa, há bancos de ostras.

A ilha de Timor, como a sua vizinha Flores, é de um modo geral, constituída por uma linha contínua de cristas, com alguns indícios de formações vulcânicas, em espinha dorsal de cumeadas e píncaros, que dominam mesetas ou cordilheiras paralelas, separadas por estreitos vales longitudinais, de formações arcaicas (mormente do carbonífero) e debruçados sobre contrafortes litorais, também sulcados por ribeiras fundas, que sobre uma e outra costa deságuam no mar. De formação vulcânica, como todo o arquipélago, a sua estrutura tectónica é em parte de xistos argilosos, gredas e calcários; numa e noutra banda depositaram-se nas rochas sedimentares coberturas mais recentes de calcários e argila de formações secundárias (jurássico e triádico), sendo as camadas argilosas muito espessas. Nas mesetas da região oriental assinalam-se os calcários e formações terciárias. Tanto os montes centrais, como os da periferia, são de natureza vulcânica, mas não há em Timor vulcões em atividade, nem mesmo o Pico Turiscain (Lacubar) donde se exalam apenas vapores inflamáveis. Teria havido uma irrupção vulcânica em 1856, na montanha llumbano, e no ano seguinte o Bilibuto teria também expelido cinzas que seriam apenas lodo. Os vestígios mais antigos de atividade vulcânica encontram-se na vertente Norte, a meio da ilha. Em várias zonas de pórfiros, os quartzo e as serpentinas atravessam as rochas sedimentares. São freqüentes os sismos, sobretudo no sentido longitudinal ou eixo da ilha. O estudo estratigráfico das rochas permite determinar a Noroeste de Timor uma linha nítida de separação entre as outras ilhas do arquipélago e as do grupo australiano, pelo que é de presumir que Timor seja da mesma idade da Austrália, tendo-se elevado a costa Nordeste da ilha e as rochas coralíferas do Sudoeste. A várias centenas de metros sobre o nível do mar. O relevo do solo é extremamente caprichoso. Rochas da cordilheira central elevam-se bruscamente em obeliscos, cujas massas de calcário dominam os grupos vizinhos e se designam pelo nome indígena de fattu , ao passo que os montes de largo pendor são chamados netem. As orlas de toda a ilha são verdadeiras muralhas - ao Norte os merlões de Sarau, laga, Bicoque, Manatuto, Manhara, Kalabeli, Bimanari, Sulamu, etc.; ao Sul os de Bau-Lobo, Nau-cou, Uata, Manupai, Nancatar, e outros. No interior, desde os fattu que se vêem do Cupão, a Sudoeste da ilha, o Leu ou Leoe, (l.200 m.), e mais a Nordeste as montanhas Timau, Conaiki, Malo, o grupo de Montes Panoi Féti, no Sinebaiti, nenhum dos picos ultrapassa os 1.500 m., e o Laquaren (Fialarung) que se eleva a 1.800 m., até à linha continua de cristas da banda oriental, oferece-se a mais variada multiplicidade de perspectivas, no seu dédalo de acidentes de terreno que contêm os picos de maior altitude, como o calabaqui, e o Ramelau, o de maior imponência, com 2.950 m. de altitude.

Deste atormentado relevo orográfico facilmente se deduz a também complicada rede hidrográfica. É da cordilheira central que brotam as principais ribeiras (motas) precipitando para o mar pequenos volumes de águas no tempo seco, mas que na época das chuvas crescem torrencialmente, convertendo-se então de simples fios de água, perdidos em parte na permeabilidade dos leitos, em caudais mais ou menos impetuosos. Não há em toda a ilha rios navegáveis nem ribeiras importantes. Das duas vertentes da ilha é a banda de dentro (Norte) a mais irrigada, nela se achando os ribeiros mais largos, as matas mais densas e a população mais numerosa. As ribeiras mais extensas são: a Oeste, a Nei-Sutram ou Fule, que nasce na montanha Micomofo, recebe vários afluentes, e deságua perto da povoação de Sutram; a Nei-Mina, que se forma da Koper River ou Nita(Leste) que desce dos montes Koinaki e Noni; a Bitoi ou Guud Riber (a Oeste) que procede do Fatu Leu, corre para Noroeste e deságua no mar de Timor ao Sul do Cabo Varkenshook; uma outra menor, também chamada Mina que irriga Cupão. A Leste a ribeira mais extensa é a Lois, com vários afluentes, que deságua a Oeste de Dili, e a Lado que desemboca também no Estreito de Ombai, perto de Manatuto. A vertente Sul, ou banda de fora, é a menos irrigada, mais árida, menos rica; os cursos de água são arroios onde apenas as barcas indígenas pouco se internam. Mas uma terceira ribeira também chamada Mina, que procede do monte Sonebait e desemboca na costa Sul, perto do cabo Noi Mina, é talvez o maior curso de água da ilha. Mais para Leste, em território português, correm ainda as ribeiras Talas, Uelulik, Suai, Lacluta, etc.

A ilha de Timor, pela sua proximidade da Austrália, tem as estações mais definidas que as grandes ilhas do arquipélago, e o seu clima, injustamente considerado menos salubre do que o das ilhas circunvizinhas, deve a má reputação ao paludismo das zonas baixas da costa. A monção terral ou do Sudeste (Maio-Outubro), vinda do continente australiano faz secar a vegetação e dá à vertente sul, mais árida, o tom pardo e amarelo das regiões adustas. Em novembro, com o monção do mar (Noroeste) carregada de umidade, chegam as primeiras chuvas benfazejas que tudo fazem reverdecer e reflorir. A temperatura é das regiões tropicais, bastante elevada. Tanto em Cupão, como em Dili, na estação seca, de 24o. de manhã, eleva-se a 32 ou 33o. ao meio-dia e a 35o. mais para a tarde; na estação úmida (Dezembro - Abril) dos 22o. de manhã, sobe a 31o. ao meio-dia, para descer a 21o. ao pôr do sol. As noites, em regra, são frescas - por vezes a 11o.. No interior, pela sua natureza montanhosa, o clima é muito variável e irregular. As temperaturas variam entre os 20o. e 26o. C.; úmido e quente nas zonas baixas, moderado nas regiões costeiras de meia altitude, quase constante nas montanhas e altos platôs. Regularmente chuvoso na época própria é uma clima saudável; a irregularidade das temperaturas durante o dia com diferenças térmicas médias que não excedem os 2o. a 6o. nas duas estações, assemelha-o ao clima continental australiano.

A flora e a fauna são naturalmente resultantes do seu clima equatorial, da natureza do solo, da altitude e da vizinhança do continente australiano e das ilhas de Sonda. A vegetação não é, porém, tão rica e luxuriante como na maioria das ilhas do Arquipélago. As colinas costeiras, cobertas de vastos prados, recordam as paisagem inglesas da Austrália. Pouco arborizada, fora das fundas margens das ribeiras, onde viceja a vegetação tropical, são raros os grandes palmares de todas as zonas costeiras do Arquipélago. É flagrante o contraste entre as duas vertentes do maciço montanhoso que se reflete no aspecto e nas espécies da flora e da fauna. A costa Sul, virada à Austrália, é mais abundante nas espécies continentais; na costa Norte vingam sobretudo as das Sondas e das Malucas. Mais dependente da Austrália que da Malásia, abundam os eucaliptos, as casuarinas, as acácias, o sândalo branco, de madeira aromática tão característica e um dos grandes produtos de exportação desde sempre; no interior e sobretudo na faixa Norte, a flora evoca a de África, com as palmeiras Contar (Barassus flabelliformins) e ghebang (Corypha gebanga) que é um dos grandes recursos alimentares do indígena, o pau-rosa (vitex leuxaxylon), a glava ou ghelam (melalaíca minor), o caju meirah (trocarpus indicus) e outras. O café, de excelente cotação, o milho ou jagung, o trigo, que se cultiva acima dos 1.000 m. de altitude, o arroz, as batatas e todos os legumes da Europa, o algodão, a cana-de-açucar e o tabaco, são as espécies mais generalizadas nas culturas. Mas o solo é, em geral, pouco fértil e causticado pelas secas de quase seis meses, que tornam as culturas irregulares.

A fauna é também pouco rica e marca a transição das espécies da Austrália para as da Malásia. Não abundam os mamíferos - o macaco(Macacus cynomolgues), o gato de algalia (Paradoxeorus fasciatus); um javali (Sus timoriensis); um marsupial, espécie de oppossum (Cuscus orientalis) e o morcego. De cerca de 20 gêneros de aves, 4 pertencem ao domínio da Insulíndia e 16 à fauna australiana. Dos répteis, assinalam-se o crocodilo, a terrível serpe trigonocéfalo verde e os lagartos, de que o Scincus melanopagon é característico de Timor, por não o haver em qualquer outra ilha da Insulíndia. Abundam os insetos e moluscos terrestres, de espécies comuns às Malucas e às Celebes, e sobretudo a abelha selvagem (Apis sorsata) fecunda em mel que é outro artigo de exportação da ilha.

Não é muito rica em minério a ilha. Não há explorações em grande, apesar ter assinalado jazidas de ferro e ferro crômico no monte Raikatar (Atapupo) e noutros locais, e dos muitos indícios de petróleo no subsolo terem tentado capitais australianos. Assinala-se veios de cobre em Fialarung (LamaKoreu). Atapupo (junito), Usu e Maubara. Há um pouco de sal-gema e minério de manganês. As famosas minas de ouro e prata que se presumiam no séc. XVII pelos holandeses, não se descobriram.

Os censos demográficos mais recentes nas duas bandas da ilha aproximam dos 800.000 os habitantes nativos de Timor - os atulli cupang, da região de Cupão e da ilha Smau, os toh Timor, timorenses propriamente ditos da banda ocidental, os belos ou ema-velu, da parte central e oriental e ainda, nas regiões costeiras, buguis, malaios, chins e negros moçambicanos, particularmente no enclave português de Ambeno. Não há na ilha população negra ou papua, mas indícios de mestiçagem negroídes em andung, na costa Noroeste. Os belos são talvez de origem indonésia e pretendem ter vindo das Malucas e atribuem a mesma origem aos timorenses ocidentais, embora os designem por ema-java (javaneses). Dada, porém a inextricável mestiçagem que se verifica no estudo de vários crânios e nos inúmeros dialetos, é muito vago e conjectural ainda tudo quando se refere à etnografia timorense. O seu habitat, muito adulterado já com o convívio de europeus, não difere do de todos os povos primitivos. Aguerridos e sanguinários, antes da pacificação e submissão definitiva a portugueses e holandeses, as guerras entre tribos eram permanentes. Em certas tribos os homens não eram admitidos nas assembléias dos seus aldeamentos nem autorizados a arranjar esposas enquanto, como os dayaks de Bornéo, não tivessem, em guerra declarada ou em cerimônias funerárias, cortado duas cabeças. A tatuagem é um hábito ancestral; limam os dentes em ponta e pintam-nos muitas de vermelho ou orna-nos, os indígenas ricos, com lamelas de ouro ou prata.

Variam enormente, consoante os ritos, os usos matrimoniais e o direito sucessório. Em certas tribos as uniões são endogâmicas e o direito sucessório é patrimonial e de herança de pai a filho; na maioria, porém, as mulheres podem casar fora da tribo e as heranças são por linha matriarcal, de tios para sobrinhos, filhos de uma irmã.

O direito penal é bárbaro e sanguinário, por ser a pena de morte quase a única sanção para todos os delitos; mas como as penas se podiam resgatar a dinheiro, só os pobres sofriam as grandes punições. Os chefes indígenas chamados reis em território português, eram considerados "filhos do sol" e, como tal, não morriam, apenas adormeciam, sendo sempre enterrados, em grandes festas funerárias, só muito tempo depois do começo do seu sono. Em certos reinos as esposas conservavam-nos mortos entre os joelhos durante meses, até se dissecarem como múmias para se lhes poder dar sepultura, em que eram postos de pé. Os seus tesouros acompanham-nos e, muitas vezes, uma escolta de escravos. Noutros reinos os cadáveres são expostos no alto das árvores para não deixarem de ver o sol.

A sua mitologia não é feiticista. Os timorenses e os belos, ainda não cristianizados por missionários católicos ou protestantes, prestam culto a um Ser universal - Maromac, absoluto e incognoscível, que é rei supremo dos bons - ou, noutras regiões, um Ussi-Nend, "Senhor da Lua", que mora no Sol e desposou a Lua. Mas, no seu fundo animista, ao mesmo tempo que vêem nos astros a mansão de outras divindades menores, prestam culto aos elementos da Natureza, a montanhas e penhascos, fontes e árvores; fazem oferendas às almas dos mortos, intermediários entre os vivos e os deuses superiores, sobretudo aos mortos que eles próprios assassinaram, para os apaziguar ou tornar inofensivos. Acreditam também em gênios maus, a quem oferecem em sacrifício animais de pelagem negra, reservando aos gênios protetores os animais de pelagem vermelha e castanha. A sua mitologia animista e necrófoba entra no quadro genérico das mitologias e éticas primitivas do mundo indonésio, pouco diferindo, na essência, do grosseiro feiticismo e ética escatológica dos povos negros. Cada povoação tem o seu lugar de culto num bosque sagrado, junto de uma fonte; e em cada reino há uma espécie de tabernáculo, local terrível em que os profanos não se atrevem a penetrar logo que tenham avistado os crânios de búfalo que encimam as suas sinistras portadas. São as residências dos Lulic, gênios protetores da tribo ou reino, que se acham sobre as pedras sagradas, vindas do Sol. Os locais sagrados são para os timorenses de O, pocuali e neles não podem entrar sem licença dos seus sacerdotes. Banhar-se numa fonte tabu ou arrancar um ramo de um bosque sagrado é crime punível com a morte. "As leis do tabu - escreve um observador - são observadas em Timor, como nas ilhas da Polinésia e entre os sacalaves de Madagascar, com tal rigor e tantas semelhanças de ritual, que devem ver-se nelas os indícios de um estádio de civilização remotamente comum aos ilhotas da Oceania, de Timor e de Madagascar, mais do que o efeito de uma evolução paralela do espírito de homens primitivos.

O comércio não é muito intenso, e as indústrias em Timor são rudimentares. Os principais artigos de exportação são: o café, madeira de sândalo, laranjas, garranos, cera e mel. A importação consiste principalmente em arroz, licores, objetos de metal, tecidos de lã, armas. O movimento comercial restringe-se a Dili e Atapupo. Dili esta aberta a toda a navegação mercante do mundo.

Os estudos sobre a pré-história da ilha de Timor nada ensinam ainda, por carência de séria base cientifica, apesar das investigações de alguns sábios holandeses no século XIX. A história da ilha é praticamente a do seu descobrimento e ocupação pelos portugueses, no primeiro quartel do séc.XVI, em data que não se pôde ser ainda exatamente averiguada. Presume-se que se trata, no fundo de um dos inúmeros e banais episódios da livre exploração dos mares do Extremo Oriente por mercadores e mareantes portugueses do séc. XVI, depois de conquistada Malaca em 1.511.

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

Na mais oriental das ilhas do Arquipélago das Pequenas Sondas, no Mar de Banda. Acha-se inscrita num quadrilátero dos paralelos 8O.20’15" e 9o.30’ de Latitude Sul e os meridianos 125o. e 127o.O’30" de Long. Este de Greenwich. A sua configuração pontiaguda, orientada no sentido Sudoeste/Nordeste, constitui a parte oriental da ilha. Pelo Tratado de 20/04/1859, a ilha ficou definitivamente dividida entre Portugal e a Holanda. A Portugal ficou reservada a banda oriental (Região dos Belos) contendo um pequeno enclave holandês - o Manacatar - e em território holandês, na sua costa Norte, dois enclaves portugueses - Ocussi e Ambeno - e o outro enclave, também português, da jurisdição de Ambeno - Naimuti - mas separado desse território. Como tal manta de retalhos trouxesse embaraços e incidentes irritantes na ação administrativa, sobretudo pelo contrabando para território português através do porto holandês de Atapupo, procedeu-se por Convênio de 10/07/1893 a nova revisão de fronteiras para eliminação dos respectivos enclaves.

Em 1902 uma comissão luso-holandesas de fronteiras reuniu-se em Haia para estudar nova linha de fronteira, com permuta dos respectivos enclaves. O novo convênio, aprovado e ratificado pelos governos dos dois países, manteve para Portugal o enclave Ocussi-Ambeno, a ilhota Pulo-Cambing e os ilhéus Ataúro e Jacó, e fixou a nova linha divisória de limites, assinalada por acidentes naturais de terreno: Ribeira Bicu - We Bedaire - Ribeira Asudaat - vertentes dos Montes Cacatum - talvegue da Ribeira Sorum e Tua Naruc até às Ribeiras Telau e Maliboca - Mantibe e Pepies até ao Monte Bulo-Hulo e Carava Cotum - Ribeira Lolu e Tafara até à Ribeira Tiburoé - Monte Dato Miet - talvegue das ribeiras Alum, Sucaer e Bancama até à foz do Calau Féhan, continuando pelos Montes Tali Féu, Fato Suta, Fato Rusa, Uas Lulic, confluência das ribeiras We Meroc e We Nu, até à pedra Fate-Rocon - Montes Fitu Monu, Delan Cansabac, Ainim Maton, Lao Fuin - confluência da ribeira Hali Salme e Hatiboi até à sua origem - nascente da ribeira Bebela até à sua confluência com We Diec - montes Ai Cacar - toquis - ribeira de Masin ao mar na embocadura Mata Talas. O enclave Ocussi-Ambeno ficou tendo por limites: ribeira Noel Bési - Noel Niena - Bidjael Sunan - Noel Min Navo - montes Banat e Quinta - Nivo Nun Pó - ribeiras Nono Boni - Passab, Novo Susu - montes Celus e Subina - ribeiras Faru Basin Quén Na e Nai Nan - Tut Nomic - Noel Bilomi - Oé Sunan e Noel Meto até ao mar.

TIMOR LESTE

AREA E POPULAÇÃO:

A área total do território português é a soma de: Região dos Belos (16.384 Km2) reinos Ocussi e Ambeno (2.461 km2) e a ilha de Pulo Cambing (144 km2) ou sejam 18.989 km2. A extensão longitudinal do território português é de cerca de 300 km, por 80 km na sua maior largura. A única povoação de importância é Dili, capital do território, que brevemente será transferida para Nova Dili, em construção, perto da antiga Dili, porto de mar, mas de melhores condições de salubridade.

O Anuário Estatístico das Nações Unidas para 1954 dá como quantitativos calculados da população de Timor Português no meio de 1953 e de 1954, respectivamente, 459 mil e 465 mil habitantes, o que corresponde ás densidades respectivas de 24,2 e 24,5 hab/km2. O Censo de 1950 derá para Timor Português a população de 442.378 hab., o que corresponde à densidade de 23,3 hab./km2. No quantitativo global que abrange os dois sexos, 232.018 são indivíduos do sexo masculino e 210.360 do sexo feminino. Como em recenseamento anteriores, verifica-se predomínio numérico do sexo masculino. Nesta população distingue-se, segundo o mesmo censo 568 brancos, 3.128 amarelos, 48 indianos, 2.022 mestiços, 54 negros, 228.750 timorenses e 54 doutros tipos somáticos ou de tipo somático desconhecido. A população civilizada é calculada em 7.471 hab., dos quais 1.541 timorenses. Ainda segundo o censo de 1950, habitavam o conselho de Dili 43.589 indivíduos, dos quais 23.018 do sexo masculino e sendo 330 brancos e 1.742 amarelos. A população nas diferentes circunscrições era: Baucau 60.290; Bobonaro 60.383; Cova Lima 18.621; Ermera 86.929; Lautém 30.196; Manatuto 31.217; Ocussi 17.476; Suro 52.711; Viqueque 41.966. Depois de Dili, o maior número de brancos localiza-se em Ermera (72), o que deve estar ligado às explorações agrícolas ali existentes. Ermera é, também, depois de Dili (860 mestiços), a circunscrição com maior número de mestiços (475). Os amarelos - 1.742 no conselho de Dili - são 454 em Ermera, 338 em Baucau, 278 em Bobonaro, etc.

Sobre o povoamento de Timor, ainda se sabe pouco. Em 1953 investigadores portugueses, enviados a Timor pela Junta de Investigações de Ultramar, descobriram em vários pontos do território estações paleolíticas, com abundante espólio, o que testemunha o povoamento remoto da ilha por gentes que viviam na idade da pedra lascada. Estes achados foram postos em justo relevo no Congresso de Pré-história do Extremo Oriente, realizado no mesmo ano em Manila. É que até então apenas se conheciam vestígios de indústria neolítica (idade da pedra polida) no extremo oriental do arco da Insulinda. As descobertas portuguesas, levadas também ao Congresso Internacional de Pré-história, de 1954, em Madrid, fizeram recuar para datas muito anteriores a presença do Homem na Insulíndia oriental. Deve recorda-se que em Java, na Insulíndia ocidental, se fizeram as descobertas do Pithecanthropus, do Homo soloensis, etc. Sobre a população nativa de Timor, seus tipos físicos e seus costumes existe vasta bibliografia portuguesa (Cf. Mendes Correia, ob.cit., e do mesmo autor - Raças do Império - Porto, 1943, p.601 e 602). Naturalistas de categoria, como Wallace, Forbes, etc., deram as suas impressões sobre aquela população, cujo estudo antropológico foi feito por Barros e Cunha, T.Kate, Fonseca Cardoso, Nyessen, Bijlmer, Vroklage e outros, havendo também trabalhos sobre a respectiva lingüística e etnografia. Entre os últimos são de citar, do lado português, os de Osório de Castro, Pinto Correia e José Martinho. Em matéria lingüística, mencionem-se os trabalhos de Leite de Magalhães, padre Aparício da Silva, Rafael das Dores, Alves da Silva, Capell, etc. No ponto de vista físico ou racial, não há homogeneidade perfeita entre as populações das várias regiões da ilha. Do lado Indonésio (Timor ex-holandês) aparecem, com freqüência, nos nativos, cabelos frisados (por vezes, mesmo, grandes trunfas) e outros caracteres que revelam afinidades melanésias ou papuas. O mesmo se observa no território português de Ocussi, na costa norte. Mas, na área portuguesa, mais extensa, chamada dos Belos (Belu significaria "amigo" e opor-se-ia ao lado ocidental da ilha, território dos Servião, dos nossos antigos textos), os tipos afins de melanésios e papuas são raros; há alguns vedo-australóides, mesmo alguns pigmóides (porventura de escassas influências de Negritos). Mas o predomínio pertence nitidamente ao tipo ou raça indonésia ou protomalaia, figurando ainda com certa abundância os deutero-malaios, ou malaios no sentido restrito, que são considerados mais mongolóides e menos europoides do que os malaios propriamente ditos ou indonésios (do tipo dos Batas de Sumatra, dos Daiaques de Borneu,etc.) A missão antropobiológica e Timor, chefiada pelo prof. Antônio de Almeida, reuniu muitos elementos sobre tipo físico, saúde, robustez, grupos sangüíneos, etc., dos naturais de Timor Português.

Sobre a etnografia desta província há numerosos informes. Ainda nesse aspecto, a população não é uniforme. Existem muitos grupo etno-linguísticos, que na porção portuguesa da ilha, quer na porção indonésia. Mas, em muitos pontos, no mesmo reino nativo existem elementos de 2 ou 3 daqueles grupos, embora subordinados aos mesmos régulos ou liurais (chefes). É possível repartir o território em várias áreas segundo a distribuição, por exemplo, dos vários tipos de habitação. No entanto, no aspecto geral das suas culturas atuais, o território de Timor Português, ultrapassa as culturas primitivas, pigmóide, tasmanóide e australóide (ou do bumerangue) e as culturas inferiores dos ciclos totémico, páleomatriarcal (das máscaras ou das duas classes) e neo-matriarcal (ou do arco achatado).

O conhecimento do ferro, da piroga de dois flutuadores, e a organização social enquadrariam, em síntese, a atual cultura indígena de Timor no nível superior ou malaio propriamente dito do domínio indonésio-malaio do ciclo austronesóide (malaio-polinésio) de Montandon. Mas este autor reconhecia a mistura topográfica deste nível com o indonésio antigo, do qual talvez seja uma sobrevivência ainda, em alguns pontos, o uso de zarabatana (canudo de bambu, aberto dos dois lados, e no qual se coloca uma fibra de bambu terminada de um lado por um ferro pontiagudo e do outro por um feixe de penas de galinha; soprando deste último lado, a seta parte, veloz e certeira, pelo outro lado). Esta arma, que os indígenas chamam ai-hahuc, gugu ou subu, seria sobrevivência da cultura matriarcal anterior, da qual representaria o arco. A metalurgia do ferro em Timor é precária; os ferreiros indígenas, escreve José Martinho, mal sabem temperar uma catana ou uma faca. Um grande atraso na indústria metalúrgica; porém, ensinados pelos chinas ou pelos europeus, alguns nativos mostram progressos na ourivesaria e no fabrico de peças de bronze.

Também, em relação à navegação, a grande maioria dos timorenses, mesmo os do litoral, se mostra pouco propensa à sua prática. Usam-se beiros - escavados simplesmente em troncos de árvore - e os prós ou rós com os seus flutuadores de madeira ou de bambu, mas só entre os poucos pescadores das regiões costeiras, aliás longe de uma competição, na amplitude dos empreendimentos náuticos, com as córearas árabes, os juncos chineses, os pangaios da Malásia. A pesca ao candeio em águas pouco profundas é usada em alguns pontos do litoral.

Sem grandes estados indígenas, mas dando quase caracter sagrado (nái lúlic- senhor sagrado) aos seus chefes, os Timorenses mantém castas sociais, um regime quase feudal, a família paterna, uma agricultura rudimentar - o ai-suac - embora, aqui e ali, com práticas mais progressivas, ensinadas pelos portugueses ou mesmo como os terraços, do engenho nativo), os animais domésticos (especialmente o porco), o uso do bétele ou da areca para mascar, o pente, a exogamia geralmente sem duas classes rígidas, a mitologia lunar (usam, suspensos do pescoço, luas ou crescentes de ouro ou de prata), e outros fatos pertencem ora á cultura patriarcal ora à neo-matriarcal. Entretanto, a condição da mulher nativa, fora do meios em que se exerce mais intensamente a ação educadora dos missionários e das autoridades, é, geralmente, bastante subalterna. Há, porém, clãs, e ao contrato com a família respectiva para nela se tomar esposa chama-se barlaque.

A escravatura e a prática cruel de degolação dos prisioneiros ou dos vencidos que se teriam manifestado em Timor, no passado, como na cultura autronesóide em geral, desapareceram totalmente sob a influência portuguesa. Dos costumes cruéis tradicionais subsiste apenas o arreigado, dos combates de galos, que apaixonam não apenas os proprietários dos contendores e as suas famílias, mas quase todos os nativos. Os combates de galos são números inevitável em feiras e mercados e nas festas gentílicas ou estilos.

No ponto de vista lingüístico, Timor é um verdadeira Babel. Se algumas línguas ou dialetos são ali falados por dezenas de milhares de indivíduos, não faltam, a par daquelas e dos dialetos, os falares circunscritos apenas a escassos centenas de indivíduos. Localizam-se sobretudo a leste e no interior estes falares usados por menor número de pessoa. Na parte Indonésia ou ex-holandesa da ilha falam-se, o davan língua dos Atoni, o hélang (dos Atuli-Helong), Sonabal-Ana, Oematau(ou Amakono), o Dzenilo-na, o Taipena e perto da fronteira portuguesa, alguns falares já comuns ao nosso território, como o tetum ou teto, o quémaque, o búnaque e o maraí. No território português dos Belos, as línguas mais faladas são: o tetum, o falar mais espalhado e com maior expansão, o encontrado-se na costa Norte na costa Sul e a Oeste, o mambai que segundo José Martinho, é falado por mais de 80.000 indivíduos e se estende do Sul de Dili quase até à costa oposta; o quémaque, localizado a Oeste perto da fronteira, e que, segundo o mesmo autor não abrange menos de 54.000 indivíduos; o búnaque também falado a Oeste, por uns 50.000 indivíduos; o tucudéde, na costa do Noroeste, por uns 45.00; o macassi, de baucau à costa Sul, por umas dezenas de milhares; o dogadd no estremo Este, por mais de 30.000 (como os anteriores, este número é dado por José Martinho). No território de Ocussi, o baiquênio é falado por mais de 15.000 indivíduos. O tétum é quase a "língua franca" no território português de Timor. Ao contrário, algumas línguas e dialetos mostram tendência a desaparecer. O lovai-epulo, do Este, é falado por 200 ou 300 indivíduos. Além das línguas e dialetos já referidos, falam-se ainda em Timor Português o caimi, o nauéti, o mídique(osso moco,etc), o idalé (=habo), o lacalei, o negô-negô(que se indetifica com o búnaque), o becaís (talvez dialeto do tetum), o uaimá, o sá-ane, o lolei, o macalere e o socolore. Em Pulo Cambing (ou ilha de Atáuro) falam-se o rahessu, o racluma e o ressu. O estudo destas diferentes línguas está apenas no início. Além de dicionários e gramáticas do tetum e do galoli, há os trabalhos de conjunto de Leite de Magalhães e de Capell, que procuraram sistematizar em vários grupos lingüísticos alguns dos falares timorenses. Para de Leite de Magalhães, em 24 destes, 16 seriam malasianos, outros - em menor número - teriam afinidades melanésias ou papuas. Os resultados do australiano Capell não coincidem, em tal matéria, com os de Leite de Magalhães, mas suscitam, eles próprios, dúvidas fundadas (Cf. Mendes Correia, Línguas de Timor, na Revista do Ultramar, no. 15, ano 2o., 1949, p.18). As investigações lingüísticas sobre Timor prosseguem, porém, por iniciativa do Instituto de Línguas Africanas e Orientais, anexo ao Instituto Superior de Estudos Ultramarinos, especialmente a cargo do Ver. Artur de Sá, autor de trabalhos sobre o tetum.

GEOGRAFIA FÍSICA

- Geologia -

A ilha é de formação vulcânica, como aliás todo o arquipélago. Nas montanhas aflora o pórfiro, o micaxisto, o quartzo, o xisto e a argila; nas planícies da região oriental vêem-se os calcários e as formações terciárias que para ali foram repelidas por uma linha que vai da ribeira Lacló (vertente Norte) a Claco (vertente Sul). A serra Bundura, onde fica Bacau, é um levantamento de recife de coral que atinge mais de 300 m. de altura. Em Bui-Riba(Tututuro) afloram massas de xisto, quartzo e mármore, aglomerados por um cimento argiloso; e na ribeira Tardai, nascida em Turiscain, e na de Diro, nascida de Matabel, encontra-se o quartzo cristalino, não cariado, e os xistos corados, vermelhos, pretos e verdes, pelos sais de ferro e de magnésio. À mistura com o s xistos, quartzo e pórfiros, abundam blocos de mármore brancos e rosados. De origem vulcânica, há jatos de lama(géiser) em Bacau e Ocussi, na vertente Norte. São freqüentes os sismos. Tanto os montes centrais como os da periferia, são de natureza vulcânica. Mas as erupções periódicas de lamas quentes(géiser), de 6 a 7 metros de altura, são devidas à decomposição gasosa ou à presença de hidrogênio fosforado, e não a um trabalho plutônico. O de Turiscain (Laclubar) não é mais que um jazigo de petróleo que, em contato com o ar, produz vapores inflamáveis. Deve haver, por isso, no subsolo, filões de ouro, cobre e jazigos de petróleo. Diversas nascentes de águas termais, minerais, não foram ainda suficientemente analisadas para a devida classificação.

- Orografia -

Como no resto da ilha o revelo do solo é extremamente atormentado e caprichoso. Um linha contínua de cristas, desde a Ponta Jaco, constitui, como na vizinha Flores, a espinha dorsal da ilha. As orlas litorâneas são verdadeiras muralhas - ao Norte os merlões de Sarau, Laga, Bicoque, Manatuto e Maubara; ao Sul os Bau-Lobo, Nau-Cau, Uata, Manupai e Naucatar. O píncaro Ramelau, na cordilheira, atinge 2.950 m. de altitude. Transpostos os rápidos declives da periferia para o centro, entra-se no planalto, donde emergem outros picos, como torres de vigia que no sentido longitudinal são os Teta-mailau, Cabelac, Mata-bia, Cailaco, Laclubar, Mundo Perdido e Laritane, com platôs como os de Baucau e Tuilaro, donde rompem as ribeiras de regime torrencial, em fundos vales de erosão, como em Cabo Verde e São Tomé, derivando do talude planático em leitos contorcidos até ao mar. Irrompem da espinha dorsal, como píncaros dominantes, o Ramelau (2.950 m.) de onde nascem as ribeiras (motas) Balmou e Libata que formam depois o Mata Marobo, afluente da ribeira Lois na Costa Oeste e a ribeira Uébulique que corre para a Costa Sul; seguem-se outros picos de cota superior a 2.000 m., o Ablaí (2.340 m.), o Mancoil (2.300 m.) e uma série de cumeadas de 2.500 m. que na direção SO., do Ramelau vai terminar no pico Duralau (2.322 m.), fazendo parte da divisória das águas entre as Costa Norte e Sul, compreendida entre as regiões de Cablaque, Mano Tasi, Atsalei e Leimean.

Mais para Oeste, a atingir a fronteira indonésia, a espinha dorsal atinge ainda alturas respeitáveis, como as do centro de Lamaquitos, como pontos dominantes (picos Leo-Hito de 1.925 m. e Lacos de 1.916 m.) que dividem as águas correntes para a ribeira Lobo Mean, e seguindo ao Sul dos que correm para a ribeira Malibaco, que se dirige para Norte a engrossar a ribeira Lois, se dúvida a maior bacia hidrográfica da província a SO., destas alturas, em Fobo-Lefaiéque, envolvidos por dois braços da Ribeira Tafara que corre ao Sul, eleva-se outra serra de que fazem parte os picos Taroman (1.744 m.) e Sabi(1.662). A Norte de Lamaquitos pelo reino de Cailaco, alonga-se outra serra, incidindo sobre a linha dorsal da ilha, onde se erguem ainda cumes como Fatu-Lulique (1.235 m.) e Raílaco (1.916 m.) a separarem os ribeiros Marobo e Beba, que a Norte se juntam para formarem a famosa ribeira Lois. Não faltam pois as grandes altitudes que tanto contribuem para a salubridade e formosura alpestre do interior, em contraste coma região baixa, palustre, insalubre e sufocante, na orla do mar.

- Hidrografia.

É, como se disse da cordilheira central que irrompem as principais ribeiras que na época seca são simples veios da água entre cavados sulcos e na época das chuvas são caudais impetuosos. Não há em todo o território português da ilha ou ribeiras importantes, navegáveis. A maior das ribeiras é a do Lois que de modo nenhum é navegável. Nasce nas alturas de Fatu-Mean, corre a Norte e a Nordeste, volta para Oeste, perto já da foz, e deságua na Costa Norte, entre os reinos de Maubara e Atabai, tendo por principais afluentes da margem direita, a partir do Sul, as ribeiras (ou motas) Malibaco e Mazobo e a ribeira Lan-Ile que nasce perto de Salvi a 1.320 m., pois desde a origem, consoante as regiões que atravessa é chamada no seu curso superior Mota Bancama e no curso médio Taibu e Bêba. Além desta há, as ribeiras Cômor, a leste de Dili, que separa os reinos de Matabel, Cômoro e Tibai, recebendo águas do monte Soloi e do Fatu-Masin pela ribeira Hare e desaguando na costa Norte a 6 Km de Dili; a ribeira ou Mota Lacló que nasce na lagoa Bericute, ao sul de Dili, corre a Nordeste e vai sair no mar entre a ponta de Subaio e a baía de Lanessana; a ribeira ou Mota Vemor com as nascentes no monte Uataca, atravessa os reinos de Cairubu e de Laleia e deságua na costa Norte, junto de Matebalo(Laleia). Na costa Sul deságuam outras pequenas motas ou ribeiras de menor importância e regime torrencial.

- CLIMA

Clima é muito irregular e variável em todo o território, desde as regiões baixas, palúdicas, até ao interior montanhoso. Em Dili a temperatura média é de 26o.C., que se mantém que se mantém quase todo o ano, por não oscilarem as diferenças além de 1o. grau para mais ou menos, de mês a mês. Manatuto (27o.) e Barique (27o.) em média, tem constantes térmicas pouco superiores á média anual de 26o.. Hatoba (24o.) e Raimera (24o.) podem também equipara-se. A mesma constância térmica se verifica em todas as regiões baixas ou de altitude média. Nas de altitude acima de 800 m., as constantes são mais baixas. Em Aileu(866 m.) a temperatura média de 22o.C., a máxima 23o. em Dezembro, e a mínima 20o. em Junho; em Suri (130 m.) são da mesma ordem as médias de temperatura e suas variantes. A umidade do ar em Dili e nas zonas baixas é em média de 69o. e a quantidade de chuva 810 mm., com excepção de Julho a Setembro. O máximo de chuva mensal cai em Abril. As remissões de chuva têm lugar de Junho a fins de Outubro, exceto em Raimera, de Agosto a princípios de Novembro, em que a quantidade de chuva anual é de 3.283 mm. Trata-se pois de um clima equatorial constante, moderado na zona baixa, quase temperado e constante na zona acima de 800 m., e regularmente chuvoso. A sua má reputação provém-lhe da péssima situação da sede do governo - Dili. Não se deve, porém, generalizar, porque logo a poucos quilômetros de Dili, para Sul, nas abas da região central montanhosa, o clima é relativamente saudável, mais seco, menos quente. Como na Índia e em Macau, as estações do ano são caracterizadas pelo regime de monções - a de Oeste, do mar, e de Leste ou terral. A de Oeste ou do mar - de Novembro a Maio - é a de fortes ventanias, trovoadas e grandes chuvas, em que mais se sente a temperatura pela densa umidade do ar e não soprar o vento terral. A monção de Leste ou terral - de Junho a Outubro - é a dos ventos moderados, da Austrália, quase secos, com poucas chuvas e frescos, que refrescam a constância de altas temperaturas, sobretudo à noite.

GEOGRAFIA POLITICA

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E DIVISÃO ADMINISTRATIVA

As primeiras autoridades portuguesas em Timor foram, por domínio espiritual, frades dominicanos destacados, como missionários, do Vicariato Superior das Missões Dominicanas que se instalara, por meados dos séc. XVI, em Larantuca (Ilha Flores(, dependência já de Malaca. Foi talvez um Fr. Antônio Taveira, ido de Larantuca num parau, que abriu caminho a outro mais famoso pioneiro tonsurado, Fr. Antônio da Cruz, que, ao constar em Sólor que o sultão de Ternate se propunha invadir Timor, foi nomeado Superior da Missão. Para lá partiu num batel e, sem armas, de cruz de alçada, desembarcou na praias de Mabaputo(Ataputo?) impressionando a tal ponto os nativos que, pouco depois, convertia o rei de Amarasse. E não havendo ainda, como é óbvio, nessa ilha inocupada, qualquer autoridade régia ou de nomeação do vice-rei da Índia, e sendo o Geral da Província de S. Domingos quem nomeava livremente o vigário superior da Ordem para o Arquipélago, Timor tornava-se verdadeiramente um feudo ou dependência do Geral da Ordem ou, .. por extensão, da própria Ordem de S. Domingos, que por muito tempo exerceu nessas longínquas ilhas uma autoridade indiscutível, à latere e por vezes sobrepondo-se à autoridade da Coroa.

Só em 1585 o vice-rei da Índia, por ordem de Lisboa, tornou extensiva a sua autoridade às ilhas ocupadas pelos missionários dominicanos, entre as quais Timor. Em 1641 já um capitão-mor, com alguns mosqueteiros, começou a exercer, juntamente com os frades dominicanos, certa atividade.

Dez anos depois os holandeses apossaram-se da parte ocidental da ilha; e desde então a autoridade portuguesa passou a exercer-se, ainda que precariamente a sua parte oriental, com a sede em Lifão, numa fortaleza.

Em 1702 foi nomeado o primeiro governador do território português. Foi desde então que a soberania passa a exerce-se mais regularmente através das mais dramáticas vicissitudes, em regime militar. Constituída, depois de 1834, em distrito dependente do governo da Índia, em 1844 passava a constituir com Macau uma Província Ultramarina, como distrito destacado; e assim andou até 1897, ora como distinto do governo de Macau, ora adstrito ao governo da Índia, até que depois da sua pacificação definitiva pelo coronel Celestino da Silva, foi reorganizada em governo autônomo, como Província Ultramarina primeiro, depois como Colônia, e finalmente, pela nomenclatura adotada em 1951, outra vez Província Ultramarina de governo simples, do mesmo tipo e organização que as de Cabo Verde, Guiné Bissau, Macau, S. Tomé e Príncipe.

Timor era dirigida por um governador, nomeado em Conselho de Ministros por proposta do Ministro do Ultramar, de quem ficava dependendo, esse alto funcionário. No território era o representante do Governo da República, o administrador da Fazenda Pública, o protetor nato dos indígenas e, nos termos da Carta Orgânica do Império, exerce as funções do cargo, fixadas na Reforma Administrativa Ultramarina, diretamente pelo seu gabinete ou por intermédio dos serviços, autoridades e funcionários seus subordinados, nos mesmos termos e dispondo de organismos similares aos das Províncias congêneres..

Na cidade de Dili, capital do Timor Leste, reerguida próxima dos escombros da Dili invadida pelos japoneses estão instaladas todas as Repartições Centrais e Técnicas de Serviços e: a Administração do Conselho, a Câmara Municipal e Imprensa Nacional.

A divisão administrativa consta desde 1947, de 1 conselho, 9 circunscrições civis e 50 postos administrativos de 1a., 2a. e 3a. classes; Concelho de Dili, capital da Província, com os postos de 1a. classe de Aileu e Ataúro, Intendência, de Fronteira, criada por motivos políticos, com: Circunscrição Civil de Bobonaro, com a sede em Tapó e os postos administrativos de Balibó, Bobonaro, Cailaco, Lolo-Toi e Atabai; a subdelegacia de saúde da zona Oeste, em Marobo, uma estação telégrafo-postal, uma escola rural e uma missão católica; Circunscrição Civil de Cova-Lima, com a sede em Fohorem e os postos administrativos de Fatu-Mean, Suai, Fatu-Lulic, Tilomar e Naucatar. Circunscrição Civil de Oe-Cusse, com a sede em Porto Macassar e os postos de Passabe e Ntibe rádio-telégrafo-postal; Circunscrição Civil de Ermera, com a sede em Ermera e os postos administrativos de Atsabe, Liquiça, Hato-Lin, Maubara, Boibau, Bazar-Tete e Lete-Foho, com uma estação telégrafo-postal, um colégio feminino e uma escola rural; Circunscrição Civil de Baucau, com a sede em Baucau, e os 4 postos administrativos de Venilale: Baguia, Laga, Quelicai e Vanasse; e a subdelegacia de Iande da zona Leste, a estação radiotelegráfica de Baucau, uma estação telégrafo-postal e uma missão católica; Circunscrição Civil de Lautem, com a sede em Lospalos e os postos de Luro, Iliomar, Lautém e Tutuala; uma escola agrícola em Fuiloro e uma missão católica; Circunscrição Civil de Manatuto, com a sede em Laclubar e os postos de Fatu-Berliu, Manatuto, Barique, Lacló e Laleia, uma estação telégrafo-postal, duas missões católicas, uma escola rural e a sub-delegacia de saúde de Laclubar; Circunscrição Civil de Suro, com a sede em Ainaro e os postos de Same, Maubisse, Mape, Alas, Hato-Builico, Turiscai, Betano, Maubessi e Hato-Hudo; a subdelegacia de saúde de Ainaro; Circunscrição Civil de Viqueque, com a sede em Viqueque e os postos administrativos de Ossu, Lacluta, Uato-Carbau, uma missão católica, uma escola rural. A cargo dos chefes de posto funcionam estações teléfono-postais ou estações Telefônicas, onde não existem serviços telégrafo-postais privativos dos Serviços Centrais.

 

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