A SOROCABANA ASSUME O T.C.

Tramway da Cantareira

.

A encampação do T.C. pela E.F.S.

Melhor do que apresentar um relatório sobre a encampação do T.C. pela E.F.S, reproduzimos abaixo reportagem sobre o assunto, publicada na NOSSA ESTRADA, revista da Estrada de Ferro Sorocabana, que relatava assuntos e atividades ligados a essa estrada. Esse artigo foi enviado por Cesar Sacco, através da lista EFBrasil. Procuramos ao máximo preservar a originalidade do artigo, pelo que pedimos compreensão pela qualidade apenas "razoável" de algumas das fotos.
             A Sorocabana está remodelando a Cantareira!!      O que já se fez e o que se fará !!

O Tramway da Cantareira foi incorporado à E. F.Sorocabana em 31 de março de 1942, durante a administração Acrisio Paes Cruz. Linha ferroviária que conta com cerca de trinta quilômetros e meio de percurso compreendendo dois traçados: --- o que parte de Tamanduateí e vai até Guarulhos todo empedrado tem 17 quilômetros e 806 metros; o outro ramal, de Tamanduateí ao Horto Florestal do Estado, na Cantareira. Este é considerado o tronco. A Cantareira ao todo possui cerca de vinte estações ou postos a paradas e dispõe de perto de 500 empregados.

O traçado conta com ricas zonas desprovidas de meios de transportes. O único transporte do Tramway tem sido o de passageiros e este, pode-se dizer, é simplesmente fantástico, tendo-se em vista a exígua capacidade dos comboios do Tramway, circulando em bitola de 60 centímetros (0,60 metros)

Basta dizer que o volume de passageiros vem crescendo de ano para ano. E depois de incorporado à Sorocabana: maior se verifica o seu número de passageiros Em 1926 movimentou 100.000  passageiros. Em 1922,  2,800.000. Foram 4.065.590 passageiros em 1941; 6.468.706 em 1943 e, finalmente,  8 milhões em 1945... Nada menos do que 20 mil passageiros por dia! 

Desde que a Sorocabana recebeu aquela linha, providenciou inúmeras melhorias técnicas, mas a precariedade de todo o organismo estava a. exigir medidas radicais, ou seja, ampliação de bitola e  inteira remodelação de superestrutura assim permitindo o tráfego de comboios mais amplos e  possantes. Foi então traçado um programa de reformas que, a despeito das grandes dificuldades oriundas de guerra vem se desenvolvendo, com vagar, mas sem interrupção.

Toda a superestrutura de linha antiga e gasta foi substituída: nova dormentação e novos trilhos mais pesados foram colocados, alargando-se a via para um metro; calçado o leito, ampliados e nivelados os pátios; instalado o serviço de sinalização elétrica enfim, modernizou-se todo o aparelhamento.  Tal realização se acha em vias de conclusão sendo bastante possível que ainda este ano a Sorocabana esteja apta a transferir algumas locomotivas a vapor de bitola métrica à Cantareira, até que cheguem as locomotivas Diesel elétricas que se destinam àquela linha.

A inclusão de locomotiva maiores rebocando carros mais amplos pode concorrer para desafogar o serviço de passageiros naquela linha, oferecendo transportes mais cômodos eficientes e seguros.

Do que se realizou e se objetiva realizar tenta esta Revista dar uma idéia aos seus leitores nas páginas seguintes, através de fotografias variadas, devidamente acompanhadas de informes a respeito. Ainda neste número temos o prazer de publicar um amigo do Sr. Eng. Gounoud de Oliveira, que desde a incorporação de Cantareira a Sorocabana vem dirigindo com competência a decisiva ação: os trabalhos daquela ferrovia. Nesse artigo, aquele ilustre técnico de Sorocabana nos dá completo esclarecimento do programa geral efetuado na Cantareira, bem como as futuras iniciativas, que a integrarão definitiva mente entre os mais modernos a completos caminhos de ferro brasileiros.

A palavra do Sr. Eng. Gounoud de Oliveira é certamente a mais autorizada, no que concerne aos trabalhos e a situação da Cantareira. Destarte, neste número se registram os passos do antigo Tramway que ora ruma, em largos surtos, para a libertação de um regime colonial e incompatível com o progresso de sua zona e o crescimento vertiginoso de rica a saudável região no âmbito de sua esfera. 

E a modernização dessa ferrovia é mais uma grande obra que a coletividade fica a dever ao espírito realizador da Administração da Sorocabana, enfrentando a vencendo um grande problema que, durante anos e anos desafiou impavidamente a iniciativa dos vários governos, e agora finalmente, encontra cabal efetivação. 

Chaves especiais estão sendo colocadas, para a bitola mista, em todo o ramal!!

Uma das providências adotadas, desde logo, ao iniciar-se a remodelação de todo o traçado da Cantareira, e que representa importante fator no rápido aproveitamento da bitola métrica, é, sem dúvida, a instalação das chaves especiais, que tanto servem para a antiga bitola de 60 centímetros, quanto para a de 1 metro. Essas chaves, desenhadas para as duas bitolas, tendo em vista a mudança da via, em parte foram construídas nas oficinas da Via Permanente, em Sorocaba, e em parte nas próprias oficinas da Cantareira.

Os clichês, que figuram nesta página, oferecem dois, aspectos da linha Cantareira, já com o terceiro trilho, alargando a bitola para um metro, bem como as chaves especiais. A foto mostra ainda o entroncamento do ramal que se dirige a Guarulhos, e o traçado da outra linha que vai a Cantareira, nas proximidades da estação de Areal.

O clichê ao lado mostra a entrada das linhas na estação de Tamanduateí. Eles nos oferecem perfeita amostra das novas chaves, que asseguram trafego misto e representam um interessante aspecto do esforço e interesse da Administração da Sorocabana em executar o programa de remodelação do antigo Tramway, que assim vai se integrando, pelo seu moderno aparelhamento e condições técnicas, entre as mais completas ferrovias, o que lhe permitirá dar escoamento satisfatório ao enorme volume de seu movimento de passageiros, incluindo instalação de sinalização elétrica estendida à linha até Cumbica, alargamento e nivelamento dos pátios, destacando-se o de Guarulhos, que se tornará a mais importante estação do ramal.
Os clichês desta pagina registram, os dois à direita, o nivelamento e ampliação do pátio da estação de Guarulhos, fadada a se tornar uma das mais importantes da linha Cantareira, não só pela sua localização, junto a um dos mais futuros e progressistas centros de população, como por se ligar a Cumbica, á nova estação final daquele ramal; no alto, o clichê mostra o preparo elo leito da linha do novo trecho de Guarulhos a Cumbica, em últimos, preparativos para entrar em trafego, num traçado -de ótimas condições técnicas. 

Em Cumbica, como se sabe, está localizada moderna base militar aérea e se desenvolve adiantado núcleo urbano.

Em fase final, a colocação do terceiro trilho, alargando a bitola para um metro, e onde deverão correr, no futuro, comboios rebocados por modernas locomotivas Diesel elétricas!!!
Nos dois motivos fotográficos destas páginas, revela-se o trabalho já executado nas linhas da Cantareira, com  a colocação do terceiro trilho, já em sua fase final. Todo o ramal de Guarulhos, a. partir de Tamanduatei, aliás, o trecho mais movimentado e importante, se encontra provido do terceiro trilho, dispositivo que permite, de imediato o emprego de locomotivas e carros de bitola de um metro.

 Durante o período de transição, isto é com a troca do material rodante para bitola mais larga o que se vai fazer gradativamente, á medida que as dificuldades decorrentes da falia de material sejam vencidas, será usada ainda por algum tempo a bitola antiga.Trinta quilômetros de linha aproximadamente, já receberam o terceiro trilho, sendo reduzido o trecho a concluir. O projeto de remodelação da Cantareira prevê a substituição da tração a vapor por locomotivas Diesel-Elétricas, encomendadas nos Estados Unidos.

Na fotografia ao lado, destaca.-se um trecho da linha Cantareira provido de sinalizarão elétrica, junto á estarão de Tamanduatei. Todas as chaves daquelas estações são agora manobradas a distancia automaticamente, medida que se vem estendendo à linha de forma geral.
Substituição da dormentação, Reforço e colocação de trilhos mais pesados e  Calçamento dos pátios !!
Dois aspetos da intensiva e completa substituição da velha e apodrecida dormentação das linhas da Cantareira por novos trilhos mais pesados que vão sendo colocados. Ao mesmo tempo em que se reforça toda a superestrutura do leito da linha trocam-se os antigos pregos por outros maiores e reforça-se igualmente o lastro de pedras. Os pátios das principais Estações estão sendo calçados com pedra moída (brita), assim como as linhas e os pátios das oficinas. 

Para a pressa angustiante do paulistano, a reforma da Cantareira parece se processar lenta, muito lentamente, mas há que se considerar as enormes dificuldades oriundas da guerra que agora, mais do que nunca, num paradoxo quase indecifrável, estamos enfrentando e que, no terreno técnico maior e mais insuperável se verifica. 

A reforma, entretanto, prossegue sem pausa; não cessou, e isto é índice mais do que encorajador para todos os que anseiam ver em vigor um moderno serviço de transportes, na seção Cantareira.

 Antes devagar do que parado. Lento, mas sem interrupção, a Sorocabana escreve o novo destino do velho “Tranway” que se transfigura em moderna via de progresso público.

Carros de passageiros, especialmente construídos pela própria Estrada, nas oficinas de Sorocaba para a nova bitola!!

A Sorocabana vem providenciando, desde algum tempo a construção, em suas oficinas de Sorocaba, de inúmeros canos de passageiros que deverão entrar a circular, não somente na rede propriamente da Sorocabana, como nas linhas remodeladas e alargadas da Cantareira. Tais veículos de que damos ao alto desta pagina, no clichê, a vista de um grupo estacionados na estação de Mayrink, obedecem a linhas interiores simples e práticas, de modo à bem atender ao volumoso movimento de passageiros daquele ramal. 

No clichê abaixo, vemos urna composição na bitola de 60 centímetros, rebocada  por duas locomotivas. É  um do muitos trens diários de passageiros da antiga Cantareira, superlotados e que a remodelação, em fase final, permitirá suprimir,  desafogando sensivelmente o enorme publico, que se serve dos serviços do tramway, em suas viagens diárias, entre  o lar e a sua mesa de trabalho.   

 

O antigo “problema da Cantareira” vai a caminho de satisfatória solução. O que  a Sorocabana ali realiza, num grande e   pertinaz esforço, oferecerá alivio imediato às populações densas e de recursos modestos, abrindo, ainda perspectivas de intenso progresso aquela saudável zona serrana, onde o clima ameno e arejado reconforta a vitalidade e a bucólica paisagem lava a alma das angústias, que a grande cidade industrial vai /impregnando, vai incrustando, como um veneno de ação lenta a desgastar a sensibilidade e as alegrias. 

Nestes tempos de crise de habitações, a Sorocabana, melhorando o seu transporte urbano para o subúrbio da Cantareira, estende à massa trabalhadora, num grande gesto de solidariedade, de boa vontade e de patriotismo, um novo caminho para o plantio do lar, em terras altas e tranqüilas, mais fácil e sem atropelos.

VOLTAR
1