Quem é o
professor do século XXI? por Vera Cristina Queiroz & Pollyana Notargiacomo
Mustaro*
O mundo
contemporâneo apresenta mudanças que afetam todos
os setores da sociedade, inclusive a educação.
Estas mudanças, irreversíveis, estão relacionadas
ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs), que instituem diferentes
concepções de tempo e de espaço e possibilitam ao
professor desenvolver novas práticas pedagógicas.
É necessário, então, que os professores do século
XXI, em primeiro lugar, adquiram fluência
tecnológica - vinculada, principalmente, à
reflexão e ao uso de ferramentas digitais (para a
comunicação e interação) no âmbito educacional e à
compreensão da lógica da hipertextualidade
característica da Web. A falta de fluência
tecnológica cria uma lacuna entre educadores
preparados para utilizar mídias digitais, em aulas
presenciais e em cursos on-line, e aqueles que não
estão habilitados para fazer uso
delas.
Os
professores precisam adquirir novas competências e
habilidades para que os alunos possam aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a viver
juntos e aprender a ser - aprendizagens
fundamentais salientadas por Delors no Relatório
para a UNESCO da Comissão Internacional sobre
Educação para o século XXI (1999). Essas
competências e habilidades estão, primordialmente,
vinculadas às seguintes esferas: pedagógica
(relacionada à utilização de recursos discursivos
facilitadores da aprendizagem), gerencial
(concernente aos procedimentos estruturais para o
desenvolvimento de atividades educacionais) e
técnica (ligada à transparência tecnológica do
conjunto formado pelo sistema, software e
interface
selecionados).
A
mutabilidade da sociedade em rede implica em um
processo constante de releitura das esferas de
competências e habilidades e de uma adequada
capacitação pedagógica ao longo da carreira
docente. Sem capacitação e experiência, os
professores continuarão a simplesmente a duplicar
suas práticas tradicionais na Internet e não se
beneficiarão adequadamente das novas mídias. Em
muitos casos, os professores acreditam que
atividades utilizadas em sala de aula presencial
podem ser transferidas para os VLEs (Virtual
Learning Environments - Sistemas de Gerenciamento
de Aprendizagem) sem nenhuma adequação.
Entretanto, isso não é possível, uma vez que cada
mídia digital exige uma abordagem diferenciada
para sua
utilização.
Grande
parte da literatura a respeito da capacitação do
professor on-line se refere à utilização da
tecnologia per se, manuais de ensino e listas de
requisitos para a criação de tutoriais
disponibilizados na Web. Contudo, a verdadeira
revolução que está ocorrendo no campo da educação
on-line é marcada pelo novo papel do professor.
Este assume a função de orientador que auxilia e
incentiva os alunos a pesquisar, selecionar e
organizar as informações, gerenciar o tempo /
estudos e a construir o conhecimento de forma
autopoiética.
As
mudanças em nossa sociedade e os avanços
tecnológicos apresentados neste ensaio mostram a
necessidade de uma reestruturação da prática de
ensino, implementada por uma reflexão crítica
sobre o trabalho do professor em sala de aula e em
ambientes digitais. Este trabalho está ligado ao
desenvolvimento de novas competências que devem
ser priorizadas em estudos acadêmicos e
incorporadas ao currículo escolar de qualquer
instituição que oferece cursos para a formação de
professores. Somente através dessa perspectiva é
possível instituir um novo paradigma
educacional.
O
maior desafio da educação e do professor na
contemporaneidade é, mais do que nunca, articular
as experiências e conhecimentos prévios dos alunos
e propiciar o desenvolvimento da autonomia
discente de forma a constituir uma inteligência
coletiva (Pierre Lévy) que promova a
democratização do conhecimento e exercício pleno
da
cidadania.