versiones, versiones y versiones...renovar la aventura de compartir la vida con textos, imágenes y sonidosDirector, editor y operador: Diego Martínez Lora    Número 54 - Febrero - Marzo 2004


A poesia do Ser ou o Ser da Poesia(*)

Entrevista a Alburneo, a propósito da publicação do seu livro "A Primeira Pedra"

(Perguntas: DML)


1) Porquê poesia e não conto ou romance?


Não é Poesia, são histórias do momento que fica perto do Amor. E é preciso que se contem as histórias do Amor para que não se esqueça. É preciso atentar no momento para que o Tempo não nos engula. Contar essas histórias é uma forma de sobreviver ao Nada.

2) Porquê A Primeira Pedra? e não o Primeiro Ar ou A ârvore dendrite?


Porque estou a fazer uma Casa de Pedra que tem muito Ar e Árvores à volta.

3) Alburneo é um seudónimo ou um outro nome teu? e porquê já não assinarás mais como Alburneo? "A primeira pedra" representa alguma etapa na tua vida?


Alburneo é um anagrama de Bruno do qual sobra o Ale. Não é propriamente um pseudónimo. É uma parte que sobra do sótão, uma intenção alquímica descoberta aos 3 anos. Um legado árabe. Não vou assinar mais com esse nome porque já saí do sótão, o Alburneo já cumpriu o seu papel. Julgo que conseguiu abrir a porta ao Outro. Há uma frincha, vê-se luz.


4)Com quem pensas que estas ou vais a comunicar quando escreves?


Com o Todo. Esse é um engano feliz porque pode ser a Verdade.

5)Poesia é conceito?imagem?metáfora muito pensadas? ou mera espontaneidade?


A Poesia é a vizinha de baixo do Amor. É o que está às portas da cidade porque a cidade a expulsou. Mas ela quer entrar. Ela não vai embora. Ela quer contar a história do momento porque a Cidade já não quer saber do momento.


6)Procuras as palavras ou saim com facilidade?


As palavras procuram-me. Às vezes deixo que elas me encontrem.

7)De que forma a tua quotidianeidade está dentro da tua poesia?


As minhas histórias que não são minhas são como bocados de luz que me permitem Ver o instante. O dia, se for feito desse instante em movimento, é um dia luminoso.

8)Se detrás de um poeta há outros poetas, que poetas admira ou gosta o Bruno?


Aqueles que não chegam a escrever porque já ultrapassaram a palavra.

Reparei que não há a pergunta 9, número de profundo significado simbólico.


10)Publicar para quê?


Para Estar. Escrever é Ser. Publicar é o Estar que realiza a Poesia. Se não publicasse cederia perante o Ser e é preciso sair dele para poder regressar.

11) 108?


O Uno, o Todo e o Infinito. Há quem lhe chame Amor.

12)a poesia pode contra a morte e o frio?


A poesia não pode. Só o Amor pode. Ele é a inversão do espelho, da Roma da Morte e do Frio.


(*)Alburneo, poeta e designer portuguès. Mora em Oliveira do Douro. Publicou A Primeira Pedra pela Editorial 100, Abril, 2004


Índice de Versiones 54

Página principal de Versiones

1