versiones, versiones y versiones...Director, editor y operador: Diego Martínez Lora
A poesia do Ser ou o Ser da Poesia(*)
Entrevista a Alburneo, a propósito da publicação do seu livro "A Primeira Pedra"
(Perguntas: DML)
1) Porquê poesia e não conto ou romance?
Não é Poesia, são histórias do momento que fica perto do Amor. E é preciso
que se contem as histórias do Amor para que não se esqueça. É preciso atentar no
momento para que o Tempo não nos engula. Contar essas histórias é uma forma de
sobreviver ao Nada.
2) Porquê A
Primeira Pedra? e não o Primeiro Ar ou A ârvore dendrite?
Porque estou a fazer uma Casa de Pedra que tem muito Ar e Árvores à volta.
3) Alburneo é
um seudónimo ou um outro nome teu? e porquê já não assinarás mais como Alburneo?
"A primeira pedra" representa alguma etapa na tua vida?
Alburneo é um anagrama de Bruno do qual sobra o Ale. Não é propriamente um
pseudónimo. É uma parte que sobra do sótão, uma intenção alquímica descoberta
aos 3 anos. Um legado árabe. Não vou assinar mais com esse nome porque já saí do
sótão, o Alburneo já cumpriu o seu papel. Julgo que conseguiu abrir a porta ao
Outro. Há uma frincha, vê-se luz.
4)Com quem
pensas que estas ou vais a comunicar quando escreves?
Com o Todo. Esse é um engano feliz porque pode ser a Verdade.
5)Poesia é
conceito?imagem?metáfora muito pensadas? ou mera espontaneidade?
A Poesia é a vizinha de baixo do Amor. É o que está às portas da cidade porque a
cidade a expulsou. Mas ela quer entrar. Ela não vai embora. Ela quer contar a
história do momento porque a Cidade já não quer saber do momento.
6)Procuras as
palavras ou saim com facilidade?
As palavras procuram-me. Às vezes deixo que elas me encontrem.
7)De que
forma a tua quotidianeidade está dentro da tua poesia?
As minhas histórias que não são minhas são como bocados de luz que me
permitem Ver o instante. O dia, se for feito desse instante em movimento, é um
dia luminoso.
8)Se detrás
de um poeta há outros poetas, que poetas admira ou gosta o Bruno?
Aqueles que não chegam a escrever porque já ultrapassaram a palavra.
Reparei que não há a pergunta 9, número de profundo significado simbólico.
10)Publicar
para quê?
Para Estar. Escrever é Ser. Publicar é o Estar que realiza a Poesia. Se não
publicasse cederia perante o Ser e é preciso sair dele para poder regressar.
11) 108?
O Uno, o Todo e o Infinito. Há quem lhe chame Amor.
12)a poesia
pode contra a morte e o frio?
A poesia não pode. Só o Amor pode. Ele é a inversão do espelho, da Roma da
Morte e do Frio.
(*)Alburneo, poeta e designer portuguès. Mora em Oliveira do Douro. Publicou A Primeira Pedra pela Editorial 100, Abril, 2004