Beatnicks



Castanheira do Ribatejo - 1977 (Lena d'Água)

Beatnicks

Crédito: Aristides Duarte in Nova Guarda

Os Beatnicks, um dos grupos importantes do Pop/Rock nacional, passaram pelas décadas de 60, 70 e 80. Com diferentes formações e diferentes estilos de música, os Beatnicks começaram em 1965 como um projecto incipiente, incluindo João Ribeiro e Manuel Paulo, que apenas efectuaram alguns espectáculos. Inspiravam-se na psicadelia-hippie (rock-psicadélico).

A segunda fase dos Beatnicks começa em 1971, com Ribeiro, Rui Pipas (precocemente falecido num acidente de viação), Mário Ceia (que mais tarde pertenceria a uma formação dos Hosanna) e José Diogo.

O grupo elege o inglês como língua das suas canções. Tocam no Festival de Vilar de Mouros e em Vigo (Espanha). Gravam um EP "Christine Goes To Town" ( incluído ,há anos, na colectânea editada em CD "Biografia do Pop/Rock"), que é complementado com "Little School Baby" e "Sing it Along". Nesta fase, o grupo está próximo de uma corrente hard Rock.

Ramiro (que tinha entrado no grupo algum tempo antes em substituição de Pipas) reforma o grupo (que esteve parado por problemas relacionados com o serviço militar) já depois do 25 de Abril de 1974. Entram Jorge Casanova e uma jovem actriz, filha do futebolista José Águas. Esta última era Helena Águas (mais tarde conhecida por Lena D'Água). O grupo tinha 2 vocalistas e actuava , sobretudo, em Festas de Finalistas, com incidência no distrito de Castelo Branco.

A partir de 1976 a banda envereda por um estilo "progressivo", muito próximo de uns Yes, Genesis, ou, em Portugal, Tantra. Jorge Casanova começa a compor temas como "Cosmonicação", "Somos o Mar" e os espectáculos do grupo incluem projecção de slides e fumos carbónicos, uma novidade total em Portugal, só vista no concerto que os Genesis deram em 1975, no Pavilhão de Cascais.

A banda actua em vários festivais ao lado de Tantra, Hosanna, Psico, Arte & Ofício e WaveBand. Este último grupo constituído por músicos alemães que se radicam em Portugal, tem a participação de membros dos Beatnicks como músicos convidados. São inúmeros os espectáculos que os dois grupos fazem em conjunto. Os Beatnicks gravam, finalmente, um single com "Somos o Mar" e "Jardim Terra", durante a fase "progressiva", em 1977.

Em 1978 Lena D'Água abandona o grupo e este entra em colapso. Ramiro lança-se num projecto efémero chamado Doyo, que grava um dos piores discos da fase do "boom" do Rock português, em 1981.

Os Beatnicks, com Ramiro, ainda regressarão para gravar um single "Blue Jeans" e "Magia", (aproveitando a avalanche de bandas de Rock que se seguiu ao êxito de Rui Veloso), com o qual não conseguirão nenhum sucesso. Em 1982 ainda editariam um LP intitulado "Aspectos Humanos", na linha do "single" anterior. Completamente desactualizados e com o público mais interessado em Rui Veloso, GNR ou UHF, os Beatnicks acabam por morrer de morte natural. Importante foi, sobretudo, a sua fase "progressiva".

A colectânea "Biografia do Pop-Rock", publicada pela Movieplay em 1997, incluiu “Cristine Goes To Town” dos Beatnicks

Os Beatnicks, banda de contornos psicadélicos formada em 1965, foram o melhor exemplo de como o serviço militar era limitante. Assim, desde a fundação do grupo até ao 25 de Abril, a formação inicial sofre várias alterações, gravando apenas um EP, ‘Christine Goes to Town’, em 1971, que os leva a apresentar-se em Vilar de Mouros e nos ‘Festivales Bahia’, em Vigo. No ano seguinte, uma vez mais, a ameaça de chamada para a Guerra Colonial leva alguns membros a emigrar para a Bélgica, obrigando os Beatnicks a mais uma das muitas reformulações ao longo da carreira.

Mário Lopes (Blitz)


Crédito: Década de 80 - Música Portuguesa

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