Perspectiva


Perspectiva

A partir do grupo Plexus, banda que tocava Rock copiando os ídolos da época, formaram-se os Perspectiva, uma importante banda no panorama do Rock português, na Segunda metade dos anos 70 do século XX. O núcleo duro da banda era constituído por Tó Pinheiro da Silva (guitarra, flauta e voz) e Carlos Viana (piano eléctrico). Os restantes membros do grupo eram: Luís Miguel (baixo), Raul Rosa (bateria), Vítor Real(voz). A estes juntar-se-iam, mais tarde, José Firmino (percussões e voz) e José Manuel (guitarra).

A banda, uma das primeiras a enveredar pelo estilo "sinfónico" e "progressivo" (a par dos Tantra), formou-se no Barreiro. Tó Pinheiro da Silva era membro de outra banda muito importante, nessa época, a Banda do Casaco.

Após tentarem contrato com a Valentim de Carvalho, através da entrega de uma "maqueta" a Mário Martins, começam a ensaiar a sério (após terem sido expulsos de um local na sua cidade-natal porque faziam muito "barulho", passaram a fazê-lo num velho moinho abandonado) e a participar em muitos espectáculos pelo país.

Em 1976 conseguem um contrato discográfico com a Imavox, para onde conseguiram entrar após terem sido ouvidos por Sérgio e Madi, produtores dessa companhia discográfica, onde pontuavam como directores António Pinho e Nuno Rodrigues. O primeiro disco gravado pela banda foi o "single" intitulado "Lá Fora A Cidade", que continha no lado dois o tema "Os Homens Da Minha Terra". Estes temas tiveram acompanhamento de uma orquestra sinfónica, para dar um tom mais "sinfónico" à música da banda. Muito elogiado pela crítica, este disco é hoje uma das grandes raridades discográficas portuguesas.

Em 1977 gravam novo "single" com o título "Rei Morto, Rei Posto" em que o lado B era ocupado com o tema "O Oitavo Sorriso". O letrista ao serviço da banda era José Beiramar que escrevia os poemas com grande intensidade e revelando grandes sentimentos humanísticos e apontando problemas sociológicos comuns ao povo português.

A revista "Rock Em Portugal", à época o único meio de comunicação social a interessar-se pelo fenómeno do Rock cantado ou feito por portugueses foi, desde sempre defensora acérrima da qualidade da banda, tendo-a destacado como uma das "Bandas do Ano" em 1977. Foi também a "Rock Em Portugal" que convidou os Perspectiva a participarem na festa de lançamento da revista, através da participação num Festival Rock no pavilhão do Clube Atlético de Campo de Ourique, em Lisboa, onde os Perspectiva foram os grandes vencedores. Participaram também os Kontrol e os Hosanna.

Em Maio de 1978 a mesma revista produz uma longa entrevista com os membros da banda, que são capa da edição. Nesta entrevista ficou a saber-se as dificuldades que os músicos de Rock passavam na altura. O mercado estava virado para o que vinha do estrangeiro (e ainda não havia Play-Lists nas rádios) e o que era português não era muito bem aceite pelo mercado.

A curiosidade desta entrevista foi a presença numa fotografia do "Nacib" da telenovela brasileira "Gabriela", após o entrevistador ter solicitada a Armando Bogus (infelizmente já falecido) a sua autorização para posar junto com os Perspectiva. Num dos espectáculos ao vivo, realizado nas ruínas do Convento do Carmo, a banda chegou a actuar com a orquestra sinfónica da RDP, mas a experiência não foi muito bem sucedida e acabou por ser abandonada.

Outros temas da banda, tornados conhecidos através dos seus concertos, eram "A Quinta Parte Do Mundo"(um longo poema/hino à liberdade) para além de "Sul", "Norte" ou "A Primeira Flor". Esteve programada a gravação daquele que viria a ser o primeiro LP da banda que até tinha título. Seria intitulado "A Quinta Parte Do Mundo", mas nunca chegou a ver a luz do dia, porque a banda deu por terminadas as suas actividades musicais.

Tó Pinheiro da Silva continuou nas lides musicais, não só como membro da Banda do Casaco, até ao seu desaparecimento, mas, também, como técnico de gravação em estúdio e técnico de som. Com esta última especialidade teve oportunidade de correr o mundo, já que foi técnico de som dos Madredeus até 1997. Como técnico de estúdio gravou com uma infinidade de artistas portugueses alguns discos importantíssimos do nosso panorama musical.

Carlos Viana seguiu também um percurso musical como compositor principal de Jorge Fernando e seu músico (teclista). Participou ainda em espectáculos e nos discos de Nuno da Câmara Pereira, José Manuel Barreto (também como compositor), Paulo Bragança, Badaró (também como compositor). Participou como compositor no último disco de Ana Moura, "Aconteceu". Actualmente está a preparar um novo trabalho de rock sinfónico a solo.


Crédito: Aristides Duarte (akapunkrural@megamail.pt).
Informações adicionais sobre Carlos Viana facultadas por Cristina Viana.


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