abertura os fatos textos wlj
os filmes
barravento no cinema brasileiro
Walter Lima Jr.

Correio da Manhã, 17/04/1962

O cinema brasileiro vive numa eterna controvérsia: existe ou não como expressão artística. Até agora, muito pouca coisa foi feita para provar com quem está a razão. A verdade é que, à parte os primitivos de Humberto Mauro e Mário Peixoto, o cineminha brasileiro é algo de espantosamente insípido.  No entanto, fala-se tudo: co-produção internacional, prêmios em Festivais, empréstimos do Banco do Brasil, o que se possa imaginar.  A quem cabe a culpa pelo ambiente amorfo e estéril da cine-indústria brasileira? A seus donos ou aos Messias do “business”? Aos eternos conselheiros ou à indiferença do meio?

A nosso ver, a responsabilidade é coletiva, atingindo a todos realmente, até a crítica especializada. É a indiferença, o mal eterno do Brasil. Contudo, recentemente, surgiu uma expressão tão dramática e verdadeira que – de certo modo – abalou a estrutura que-me-importista do cinema nacional: Cinema Novo. A grita foi geral. “O quê? Cinema Novo?. É mesmo coisa de brasileiro. Convém agora imitar os franceses e sua ‘nouvelle-vague’. Sempre que o europeu está resfriado o brasileiro espirra” etc. Confessamos também a nossa desconfiança, principalmente pelo fato de que o Brasil é liderado em quase todos os setores de sua vida política, social e cultural por gênios . Sendo assim, todo cuidado era pouco. A expressão, todavia, não é veículo de qualquer genialidade. Mas apenas um rótulo que procura identificar historicamente o momento em que realmente se começou a pensar em conjunto na realidade brasileira, abundante de problemas. Sendo uma tomada de posição verdadeira e digna, o Cinema Novo é um momento incisivo do cinema brasileiro. Pelo menos, nova e grande esperança.  Resta aguardar os seus primeiros filmes.

Pedimos a Glauber Rocha, do Cinema Novo, para nos contar o verdadeiro sentido de sua primeira experiência no longa-metragem, Barravento, produção baiana a ser lançada brevemente nos cinemas de todo o Brasil. (...)

Segue-se uma detalhada transcrição de falas de Glauber sobre seu filme, as misérias do Brasil, o colonialismo e a necessidade de se atingir "uma linguagem cinematográfica nossa”.
abertura os fatos textos wlj
os filmes