CARGAS ELÉTRICAS
Não sabemos o que é carga elétrica. Podemos (no máximo) dizer que se trata de uma "propriedade" da matéria. Quando um determinado objeto possui carga elétrica, ele apresenta características interessantes, as quais podemos estudar e usar para muitas finalidades. Mas a verdadeira origem desse fenômeno ainda está sendo investigada.

Sabe-se que:

# existem dois tipos de cargas elétricas: as positivas e as negativas;

# cargas de "mesmo sinal" se repelem, e cargas de "sinais opostos" se atraem;

# duas cargas de mesma intensidade e sinais opostos anulam-se mutuamente (neutralizam-se).

Nos experimentos de "eletrização por atrito", os objetos — neutros no início — ficam eletrizados após serem esfregados uns nos outros. Como aparecem essas cargas? São criadas durante o movimento de atrito, ou apenas transferidas de um corpo para o outro?

Vamos fazer uma brincadeira. Inicialmente, picamos um pedacinho de papel; depois esfregamos uma caneta de plástico na roupa, algumas vezes. Em seguida aproximamos a caneta das migalhinhas de papel, sem tocá-las. O que acontece? A caneta atrai as migalhinhas!

Como podemos entender essa atração, sem apelarmos para hipóteses como aquela do "humor"?

Primeiramente, lembremos da existência dos átomos, que são as pecinhas que constituem a matéria. Os átomos, em seu estado natural, são neutros. O que isso quer dizer? Que não possuem nenhuma carga elétrica, ou que possuem cargas negativas e positivas de mesma intensidade?

As duas hipóteses são possíveis. Para descobrir a verdadeira, fizeram-se muitas experiências, e os resultados são estes:

# os átomos contêm cargas positivas e negativas em igual quantidade;

# as cargas positivas ficam no centro, em um carocinho muito pequeno e muito duro chamado núcleo, que é formado por prótons (partículas positivas) e nêutrons (partículas neutras);

# as cargas negativas ficam na parte externa, em uma região chamada eletrosfera. A eletrosfera ocupa um volume muitíssimo maior que o núcleo, e é formada por elétrons: partículas negativas extremamente leves que se distribuem em diversas camadas. Os elétrons da camada interna são fortemente ligados ao núcleo, porém aqueles da camada mais externa são fracamente ligados;

# o valor da carga de cada próton é igual ao valor da carga de cada elétron, embora os sinais sejam opostos;

# cada tipo de átomo, ou seja, cada elemento químico, possui um número muito bem determinado de prótons. Exemplos: todo e qualquer hidrogênio possui um único próton em seu núcleo; todo e qualquer oxigênio possui 8 prótons; todo e qualquer urânio possui 92 prótons, etc.

Na experiência de atrito o que acontece é uma transferência de cargas. Os elétrons da última camada são fracamente ligados, então é fácil arrancá-los. (Já os prótons, fortemente unidos aos neutrons, ocupando a região central do átomo e "blindados" pelos elétrons, não se movem.) Conclusão: corpos atritados se eletrizam porque cargas negativas (elétrons da camada externa) se transferem de um para o outro. Aquele que os recebeu fica com excesso de elétrons, tornando-se negativo; aquele que os cedeu fica com falta de elétrons, tornando-se positivo.

Na experiência da caneta, quando a esfregamos no tecido da roupa provocamos a transferência de elétrons da caneta para o tecido: este fica negativo, e a caneta fica positiva. Os objetos perdem a sua neutralidade, e passam a apresentar propriedades novas, como a capacidade de atrair os pedacinhos de papel.

O que dissemos até agora não é suficiente para explicar o fenômeno da atração. Temos que ir um pouco mais a fundo, o que será feito nos próximos capítulos.

Assim como é necessário definir uma unidade de massa (quilograma, símbolo kg), e de comprimento (metro, símbolo m) para se poder fazer contas e resolver problemas, também é necessário definir uma unidade de carga. No "Sistema Internacional de Unidades" usa-se, o Coulomb, símbolo C, que foi determinado de uma maneira que explicaremos mais tarde. Por enquanto, vamos dizer apenas que 1 C equivale à carga de 6×1018 elétrons (ou prótons), o que significa uma quantidade igual ao número 6 seguido de 18 zeros: 6 000 000 000 000 000 000, ou seja, seis quintilhões.


FLUIDOS ELÉTRICOS

Desconhecendo a existência do elétron (que só seria descoberto no século XIX), os pesquisadores mais antigos imaginaram os "fluidos elétricos". Havia aqueles que supunham existir dois tipos de fluido: o negativo e o positivo (como Charles Du Fay). Havia aqueles que acreditavam em um fluido único (como Benjamin Franklin). Qual dos dois grupos estava certo?

Embora ninguém acredite mais em "fluidos", hoje sabemos que realmente existem dois tipos de cargas, a positiva e a negativa. Então o pessoal dos dois fluidos tinha a intuição certa.

Por outro lado, nos processos de eletrização e nas correntes elétricas, só o elétron é que se movimenta. Assim, os partidários da hipótese do fluido único também tinham razão.

De uma maneira ou de outra, todos estavam certos!


Comentários

Quando pensamos no átomo, com suas cargas positivas (prótons) reunidas no núcleo, e suas cargas negativas (elétrons) ocupando a região externa, surgem as seguintes dúvidas:

1) se cargas de mesmo sinal se repelem, por que os prótons não saem voando um para cada lado?

2) se cargas de sinais opostos se atraem, por que os elétrons não mergulham no núcleo?

As respostas para essas questões se encontram além do domínio do Eletromagnetismo. A primeira é respondida pela Física Nuclear, e a segunda pela Mecânica Quântica. Voltaremos a esse assunto no final, com explicações bastantes simplificadas.


Introdução
Antimatéria
Magnetismo
Forças Elétricas e Lei de Coulomb
O Conceito de Campo
Forças Elétricas e Campos
Isolantes, Condutores e Semicondutores
Potencial Elétrico e Energia Potencial Elétrica
Corrente Elétrica
Indução Eletromagnética
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