Notícias da Série B

Fonte: Jornal Tribuna do Norte  - Natal/RN

   

       Dia 27/10/99

ABC perde e fica sem chance de classificação 

O Bahia necessitou apenas de um "round" para levar o ABC à lona, e sepultar com o sonho de classificação para segunda fase do Campeonato Brasileiro, tão almejado pelos torcedores alvinegros. O tricolor baiano venceu o representante potiguar ontem, à noite, no estádio Machadão, por 3 a 2, com gols do lateral-direita Clébson (2) e do artilheiro Uéslei, cobrando falta. Todos esses gols foram marcados no primeiro tempo. Róbson, foi autor dos tentos abecedista, sendo um em cada etapa. Com isso, a grande festa armada , terminou na frustração de ver o time da casa, mais uma vez derrotado dentro dos seus domínios. 

Os preparativos para o grande duelo foram perfeitos, a torcida compareceu em bom número, cumpriu à risca o roteiro ensaiado durante a semana. Só, que dentro de campo, os jogadores esqueceram de fazer a sua parte. Inspirados em Popó, os baianos acertaram o primeiro golpe certeiro logo aos 12 minutos, quando numa cobrança de falta ensaiada, Uéslei deixou Clébson na cara de Schumacher, para ter o trabalho apenas de desviar a bola do goleiro abecedista ,e abrir o marcador. Mas o "jeb-de-direita" feriru mas não derrubou o alvinegro, que respondeu em seguida com Eron, mas, atendendo ao apelo do bandeira, o árbitro Reinaldo Ribas anulou o gol de Eron. 

A situação complicou quando o representante Baiano acertou o seu segundo golpe. Uéslei cobrou falta ,com maestria, aos 19, sem dar a menor chance de defesa para o goleiro abecedista. O golpe certeiro foi sentido por todos os jogadores do time natalense, que passou a errar passes e errar as jogadas mais simples. O golpe que definiu o combate veio aos 41 minutos, quando numa outra bola parada, Lima cruzou, Alex Mineiro conseguiu desviar, Schumacher defendeu e, novamente Clébson, apareceu livre, só para empurrar a bola para o fundo do gol. Três a zero foi demais, um pequeno grupo de torcedores deixou o estádio, enquanto a massa, revoltada, gritava: "Timinho, timinho, timinho...". Mas Róbson interrompeu o protesto aproveitando um passe de Eron e fazendo o seu primeiro gol, aos 46 minutos. 

Com o atacante Joãozinho no lugar do lateral Elias, o ABC melhorou. O "baixinho" entrou para incendiar o jogo e conseguiu. Aos 10 minutos, Joãozinho acreditou numa bola e ganhou o escanteio. Ele mesmo cobrou e Róbson subiu para fazer o segundo gol abecedista, devolvendo as esperanças aos mais de 10 mil torcedores que invadiram as dependências do estádio João Machado. 

Aí funcionou a catimba e a mandinga dos baianos, que decidiram atacar só na boa e esperar o tempo passar. Em dois lances, também de cabeça, "Robgol" deixou o grito de gol preso na garganta dos espectadores, quando conseguiu deslocar o goleiro Aléx, mas viu a bola se perder pela linha de fundo. O Bahia também perdeu oportunidades para ampliar o placar, principalmente com Edmundo, que , aos 37minutos, após boa jogada de Uéslei, recebeu um passe, dentro da pequena área, e mandou por cima. O Bahia ainda teve o lateral Clébson expulso, mas o ABC, tecnicamente nocauteado, não conseguiu mais nada. 

ABC 2 X 3 BAHIA 
ABC — Schumacher, Elias (Joãozinho), Marcão, Rau e Oliveira; Ivanildo, Quinho (Sérgio Alves), Luciano Araújo e Eron; Róbson e Júnior. Técnico: Ferdinando Teixeira. 
BAHIA — Aléx, Clébson, Júnior, Aléx Pinho e Jefferson; Isaías, Bebeto Campos, Lima e Luís Carlos (Dauri); Aléx Mineiro (Edmundo) e Uéslei (Vladmir). Técnico: Joel Santana. 
JUIZ: Reinaldo Ribas/RJ 
RENDA: R$ 45.320,00 
PÚBLICO: 10.436 pagantes 
ESTÁDIO: Machadão

       Dia 24/10/99

ABC tem que vencer dois jogos para classificar 


Com o empate de 1 a 1, registrado contra o América/MG, sábado, em pleno estádio Mineirão; com gols de Ivan, aos 11 minutos, e Róbson, aos 37, ambos na etapa final; o ABC manteve acesas suas esperanças de classificação para segunda fase da série B do Campeonato Brasileiro. Matemáticamente livre do fantasma do rebaixamento, a equipe alvinegra tem uma partida decisiva contra o Bahia, amanhã, no Machadão. Qualquer resultado, que não seja a vitória, vai sepultar, por mais uma temporada, o sonho da equipe chegar à elite do futebol nacional. 


ABC teve dificuldades com o América
mineiro e ficou satisfeito com o empate 



A frieza da estatística, concede ao ABC, hoje, apenas 4,47% de possibilidades para conquistar uma vaga na segunda fase da competição. Só quem pode modificar esse panorama , nada animador, é o próprio ABC. Para isso, será fundamental a conquista de duas vitórias nos jogos contra Bahia e São Caetano, este último, na casa do adversário. Somando mais seis pontos, o alvinegro chegará ao total de 33 pontos, o que conferirá ao time potiguar 99,92% de chances de assegurar sua continuidade na luta pela conquista do título da série B. 

Na partida contra o América/MG, a equipe não se comportou bem, permitindo que o representante mineiro realizasse uma grande pressão durante todo o primeiro tempo, e durante boa parte do segundo. Com gol de Ivan — concluindo uma jogada em que Wellington deixou o zagueiro Marcão sentado — Ferdinando optou por deixar a equipe mais ofensiva e o ABC cresceu. Eron, que entrou no lugar de Ânderson, fez toda jogada do gol de empate. Aos 37 minutos, ele driblou dois zagueiros e encontrou Róbson livre, na altura da marca do pênalti, para chutar e deslocar o goleiro Milagres, que, mais tarde, fez jus ao nome realizando uma grande defesa numa cobrança de falta do mesmo Róbson. Pelo lado alvinegro Schumacher foi o grande destaque. 


TORCIDA- A diretoria do ABC, confiante na classificação da equipe, está convocando os torcedores abecedistas a comparecerem , em massa, ao Machadão, para incentivar a equipe a conquistar uma boa vitória contra o Bahia. O treinador Ferdinando Teixeira taxa o confronto como "o jogo do fico", e espera um público superior a 20 mil espectadores. "Quando vamos jogar fora, a torcida adversária lota o estádio e nos pressiona muito. Dessa vez, chegou a hora do torcedor natelense fazer a mesma coisa para ajudar o ABC", ressalta. 

O presidente Judas Tadeu não cansa de conclamar os torcedores, mas alerta que, ao contrário das vezes anteriores, dessa vez não será possível realizar promoção com o preço dos ingressos. "Temos contas a acertar com os nossos atletas e espero contar com a compreensão dos torcedores alvinegros. O ingresso a R$ 8,00 (arquibancadas) vai nos ajudar também a pagar o prêmio pela classificação da equipe, que é de R$ 200 mil", revela o cartola. 

A reapresentação dos jogadores ocorre hoje à tarde na Vila Olímpica. O zagueiro Rau, que recebeu uma forte pancada na perna, ameaça desfalcar o ABC. Só quando o grupo estiver reunido, que o médico Roberto Vital vai reavaliar a situação do jogador, mas, o próprio Rau acredita que vai dar para enfrentar o Bahia. "Essas contusões através de pancadas costumam ter uma recuperação rápida. Vou fazer tratamento intensivo e acredito que estarei em campo na terça-feira", afirma. 

Devido a necessidade de vitória, Ferdinando Teixeira deverá realizar novas alterações na equipe. Após a boa participação no confronto contra o América Mineiro, crescem as chances de Eron recuperar a condição de titular na partida de amanhã. Caso Rau não tenha condições de atuar, a equipe voltará a formação 4-4-2, com a entrada de Quinho para atuar na lateral-esquerda. 

AMÉRICA/MG 1 x 1 ABC 
AMÉRICA/MG — Milagres, Estevam (Reginaldo), Dênis, Wellington Paulo e Fabrício (Marcos Paulo); Glberto Silva, Ruy (Rinaldo), Claudine e Irênio; Wellington e Ivan. TÉCNICO: Flávio Lopes. 
ABC — Schumacher, Marcão, Rau (Quinho) e Oliveira; Paulinho, Ivanildo, Ânderson (Eron), Evandro (Luciano Araújo) e Teci; Júnior e Róbson. TÉCNICO: Ferdinando Teixeira. 
JUIZ: Wágner Tardeli/RJ 
RENDA: R$ 7.271,00 
PÚBLICO: 4.610 pagantes 
HORÁRIO: 17 horas 

América vence e rebaixa o Criciúma 

Rivalidade à parte, o América, ontem, deu uma mãozinha para o ABC, ao derrotar o Criciúma, de virada, com dois gols de Paloma (aos 9 e 23 minutos da segunda etapa), no estádio Heriberto Hulse, em Santa Catarina. A equipe potiguar fez o público superior a 16 mil pessoas, que viu Ronaldinho abrir o marcador aos 35 minutos do primeiro tempo, deixar o estádio cabisbaixo, uma vez que, com a derrota; para livrar-se da queda para série C, o Tubarão terá uma tarefa muito difícil pela frente no próximo domingo: vencer o União São João, que também tenta desesperadamente fugir da "degola", na cidade de Araras. 

A festa, no Heriberto Hulse, estava toda pronta, nem o mais pessimista dos catarinenses esperava um resultado tão desastroso para o time da casa. Uma vitória, faria o tricolor passar do calvário — grupo que luta para se manter na série B — a um candidato, com chances remotas, de obter a classificação para segunda fase. Se conseguisse segurar o marcador em 1 a 0, o Criciúma passaria a somar os mesmos 27 pontos que o ABC, mas se posicionaria à frente do alvinegro potiguar pelo número de vitórias, 7 contra 6. 

Mas o destino não permitiu, e quis que brilhasse mais intensamente a estrela de um jovem que esteve ameaçado de dispensa no elenco americano. Paloma, modificou completamente a história do jogo. O Criciúma que venceu fácil o primeiro tempo, de repente — com as expulsões de Marcinho, do lado potiguar, e de Marcelo, do catarinense — viu o América crescer e perder chances de sair de campo com o placar ainda mais expressivo. 2 a 1 foi pouco. A próxima partida americana será sábado, no Almeidão/PB, contra o Avaí. 

CRICIÚMA 1X2 AMÉRICA/RN 
CRICIÚMA: Fabiano; Ricardo, Wilson, Clésio e Jean(Jorge); Cuca, Pereira(Toto) Willian(Rivaldo) e Ronaldinho; Tico Mineiro e Marcelo Silva. TÉCNICO: Vacaria. 
AMÉRICA: Marcos; Célio, Márcio Fernandes, Gito(Paloma) e Róbson Mattis; Mota, Lima, Ricardo Mendes e Marcinho; Mazinho(Biro-Biro) e Marcão(Rogério). TÉCNICO: Estevam Soares. 
ARBITRAGEM: Luis Ricardo Gomes(RS) ASSISTENTES: Waldir Carlos Oliveira Cardia(RS) e Paulo Ricardo Conceição(RS) 
LOCAL: Heriberto Hulse - Criciúma/SC 

       Dia 22/10/99

Santa Cruz acaba com as chances do América 

O América perdeu a 11ª partida pela Série B do
Campeonato Brasileiro por 2 a 1 para o Santa Cruz/PE, ontem à noite em Recife, e não tem mais como evitar o rebaixamento. Para desespero da torcida, o time conseguiu tocar bem a bola , mas não conseguiu concluir as jogadas ofensivas. Segundo os professores de Estatística da USP, Marcelo Arruda e Sérgio Wechsler, o América está matematicamente rebaixado para Série C do Campeonato Brasileiro. 

O Santa Cruz começou o jogo decidido a definir logo nos primeiros minutos de partida. Os atacantes Marcelo Fumaça e Arlan perderam duas oportunidades antes dos 5 minutos do primeiro tempo. A resposta da equipe potiguar, acontece aos 6 minutos. Gito cobrou uma falta forte, mas ela foi para fora. Aos 12’, Valdomiro entra na área do América driblando. Ele chutou forte, mas o goleiro Marcos mostrou elasticidade e espalmou para escanteio. 

A partir dos 15’, o América começou a dominar a partida. O meio-campo formado por Mazinho brasília, Ricardo Mendes, Marcinho, Carioca e Lima tocavam bem a bola, mas o time não criava jogadas de ataque. O meio-campo Lima, que fez sua primeira partida na Série B, foi um dos destaques do América na partida. Já o atacante Paloma, que estava rendendo muito bem nos treinos, teve uma atuação muito discreta. 

Arlan "jogou um balde de água fria" nos jogadores do América. Aos 40’ do primeiro tempo, ele recebeu a bola dentro da área e fez o gol do Santa Cruz. O goleiro Marcos não teve chances de evitar o 30º gol sofrido pelo alvirrubro na "segundona". 

No segundo tempo, o técnico Estevam Soares tirou Marcinho e colocou o centroavante Marcão. Com a alteração, Estevam modificou o esquema tático também. O América iniciou o jogo no 4-5-1 e terminou no 4-4-2. A equipe dominou todo o segundo tempo, mas continuou sem criatividade no ataque. 

Tentando resolver a qualquer custo a falta de gols, o treinador Estevam fez mais duas modificações. Moura e Biro-Biro-Biro entraram, para as saídas de Paloma e Ricardo Mendes respectivamente. Porém, o América continuou sem conseguir superar a defesa do Santa Cruz, e amargou sua 11ª derrota na Série B. O alvirrubro continua na penúltima colocação -21ª, com 16 pontos em 19 partidas. 

SANTA CRUZ 1 x 0 AMÉRICA 
SANTA CRUZ — Nilson, Arley, Tinho, Janduir e Marquinhos; Batata, Marcílio, Marcelinho e Valdomiro; Arlan e Marcelo Fumaça. Técnico: Nereu Pinheiro. 
AMÉRICA — Marcos, Helinho, Marcelo Fernandes, Gito e Rogério Mattis; Carioca, Lima, Ricardo Mendes (Biro-Biro), Marcinho (Marcão)e Mazinho; Paloma (Moura). Técnico: Estavam Soares. 
JUIZ: Wallace Nascimento/ES 
RENDA: R$24.028,00 
PÚBLICO: 14.014 pagantes 
ESTÁDIO: Arrudão/PE

       Dia 15/10/99

Tuna Luso empata com ABC
 
O ABC deixou Belém do Pará com um empate (1 a 1) dramático frente a Tuna Luso. Numa partida realizada no estádio Mangueirão, sobre um sol escaldante, o time natalense, enquanto teve fôlego, mandou no jogo. A equipe potiguar chegou ao gol logo aos 8 minutos da etapa inicial, através de
Luciano Araújo, e permitiu o empate dos paraenses aos 46, com Nem, cobrando falta. Depois cansou e por pouco não permitiu a virada do placar. 

Na primeira etapa, a Tuna Luso esbarrou no esquema de jogo traçado pelo técnico Ferdinando Teixeira e não conseguiu penetrar na zaga abecedista. O ABC que havia chegado com perigo em duas oportunidades, aos 8 minutos, chegou ao gol com Luciano Araújo. Esperto, ele desviou a bola do goleiro e colocou o ABC em vantagem. 

O primeiro lance de perigo para equipe da casa surgiu com o centroavante Nildo, aos 30 minutos e que instantes antes havia entrado no lugar de Mantena. O atacante chutou, dentro da grande área, e Schumacher fez sua primeira grande intervenção. O troco veio com Róbson, que numa cobrança de
falta, acertou a trave direita de Nilton, no rebote, Luciano Araújo desperdiçou a grande oportunidade de ampliar o marcador. Por castigo, aos 46, numa cobrança de falta, Nem decretou o empate com um chute forte que Schumacher não conseguiu desviar. A essa altura a Tuna estava com 10 homens, devido a expulsão de Nildo. 

O esforço realizado na primeira etapa foi acusado no segundo tempo, quando mesmo com um jogador a mais, o ABC não conseguiu acompanhar o ritmo imposto pelo representa de Belém do Pará. Desde os minutos iniciais o goleiro abecedista foi obrigado a trabalhar dobrado para evitar a derrota. O lance
de maior perigo ocorreu aos 23, quando Fábio Lima acertou a trave, após desviar um cruzamento de Cafezinho. Várias outras bolas rondaram a pequena área do alvinegro, mas, por sorte, os atacantes adversários não estiveram num bom dia. 

Mesmo demonstrando sérios sinais de cansaço, o ABC também criou oportunidades. Na primeira, aos 16 minutos, Teci concluiu mal uma bola ajeitada por Róbson. Depois, aos 30, Ânderson, lançado, passou pelo goleiro, perdeu o ângulo e, na tentativa de ajeitar para um companheiro melhor colocado, acabou entregando a bola para zaga da Tuna Luso. Dada as circunstâncias da partida, o time natalense deixou Belém com um bom resultado. 

TUNA LUSO 1 x 1 ABC 
TUNA LUSO — Nilton, Cafezinho, Belterra, Edicléber e Souza; Mantena (Nildo 27’ 1º tempo), Joel, Dema e Fábio Costa (Amauri 25’ 2º tempo); Mael e Nem. Técnico: Olímpio Batista. 
ABC — Schumacher, Paulinho, Marcão, Oliveira e Piá (Ânderson 11’ 2º tempo); Fernando (Ivanildo 25’ 2º tempo), Quinho, Luciano Araújo (Eron 12’ 2º tempo) e Teci; Júnior e Róbson. 
Técnico: Ferdinando Teixeira. 
GOLS: 1º Tempo - Luciano Araújo/ABC, aos 8, e Nem/Tuna Luso, aos 46. 
Cartão Vermelho: Nildo/Tuna Luso, aos 43’ do 1º tempo. 
JUIZ: Saul Duarte/BA 
RENDA: R$ 1.469,00 
PÚBLICO: 1.930 pagantes

Jogo de vida ou morte para o ABC no Ceará 

O empate de ontem em Belém do Pará, fez do próximo compromisso do ABC, domingo, em Fortaleza, contra o Ceará, um jogo decisivo em termos de classificação. Devido ao caráter decisivo, o presidente do alvinegro natalense, Judas Tadeu, disse que não vai aceitar a transferência do compromisso para o estádio Presidente Vargas, uma vez que a tabela da série B, marca o confronto, no Ceará, para o Estádio Castelão. Tadeu ficou profundamente irritado pelo fato do ABC ter sido obrigado a jogar de manhã, embaixo de um sol escaldante no Pará. 

O cartola natalense quer evitar a tomada de mais uma decisão unilateral dos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol. Dessa vez, em beneficio do Ceará, clube que todas as vezes que atuou no seu "alçapão" (Presidente Vargas), venceu os seus compromissos. 

"Espero que a Federação Norteriograndense trabalhe em prol do ABC", alfineta Judas, "porque o XV de Piracicaba vai jogar no Castelão por imposição da Federação Paulista de Futebol. Os clubes paraenses também." 

O treinador Ferdinando Teixeira posiciona-se extremamente contra a realização da partida no Presidente Vargas, uma vez que as equipes quando vêm jogar em Natal, contam com todo conforto e não sofrem qualquer pressão da torcida no Machadão. 

A competição entrou num momento decisivo e não se pode mais dar chances aos adversários, esse é o pensamento dentro do ABC, apesar de possuir no elenco vários atletas habituados a disputar jogos no PV. A diretoria alvinegra quer apenas que a tabela seja cumprida, pois, em Natal, até para se
retardar, em um hora, o início de um jogo, encontra-se dificuldade. O exemplo disso, foi a partida contra o CRB, quando para facilitar o acesso do torcedor, o ABC pediu que a partida fosse transferida para às 18 horas, e não foi atendido devido a negativa da direção do clube alagoano. "O ABC é contra o jogo no
PV, assim com foi contra jogar às 11 horas da manhã. Só espero não ser atropelado de novo", protesta o presidete Judas Tadeu. 

       Dia 11/10/99

ABC empata e fica em situação difícil 

O ABC voltou a encontrara dificuldades e não saiu de um empate por 1 a 1, ontem, com o Clube de Regatas Brasil, no Machadão. Os gols foram marcados no segundo tempo, César abriu o placar aos 22 segundos e Júnior igualou o marcador aos 17. Dessa vez não foi a ansiedade que atrapalhou a equipe alvinegra, mas sim, a incrível apatia que se abateu sobre a equipe, principalmente na etapa inicial. Com o sexto empate registrado em Natal, o ABC ficou com a classificação ameaçada e agora tem que brigar pelos pontos suficientes em três confrontos fora de casa contra Tuna Luso, Ceará e América mineiro. 

Na verdade, a atuação do primeiro tempo rondou próxima do ridículo. A equipe era uma verdadeira "torre de babel", ninguém se entendia. Em toda etapa inicial, foram apenas duas bolas perigosas em direção ao gol adversário. A primeira delas, numa falta cobrada por Sérgio Alves, aos 3 minutos, que o Adriano defendeu bem. A outra, foi num chute, de fora da área, dado por Luciano Araújo., passando rente a trave. 

Vendo que podia aprontar, o CRB congestionou o meio-campo e passou a levar perigo, criando as melhores chances. Aos 31, Neomar penetrou entre os zagueiros, chutou e obrigou Schumacher a realizar uma boa defesa. Cinco minutos depois Schwenck, passa como quer por Ivanildo, cruza e, para sorte dos natalenses, César não consegue desviar. No final outro susto, o mesmo César recebe passe, chuta cruzado e a bola percorre toda extensão do gol, sem que ninguém chegasse. 

Os alagoanos que haviam se apresentado melhor e com mais inteligência na etapa inicial, chegaram ao gol logo aos 22 segundos da etapa complementar. Atacando em bloco, o time supreendeu a zaga abecedista, que permitiu o chute de Schwenck, na defesa parcial de Schumacher, César apareceu para fazer o gol. A situação complicou e só não ficou pior devido a expulsão de Ânderson, aos 4 minutos. 

Inferiorizado, o alvirrubro alagoano ficou mais vulnerável. Paulinho subiu de produção e, nas descidas pela direita, o ABC encontrou o caminho do empate. Aos 16 minutos, o lateral fez um cruzamento perfeito para Júnior subir, fazer o gol e aliviar o sofrimento da galera alvinegra no estádio. Na intenção de virar o marcador Ferdinando colocou Eron, Teci e Joãozinho em campo. O volume de jogo aumentou, mas, bem postado e passando a livrar o perigo através de chutões, o CRB soube segurar o marcador. Com mais esse empate, o ABC caiu para décima colocação e volta a jogar, quinta-feira, às 10 horas, em Belém do Pará contra a Tuna Luso. 

ABC 1 x 1 CRB 
ABC - Schumacher, Paulinho, Marcão, Rau e Piá (Eron); Ivanildo (Teci), Ânderson, Sérgio Alves e Luciano Araújo; Júnior (Joãozinho) e Róbson. TÉCNICO: Ferdinando Teixeira. 
CRB - Adriano, Ronaldo (Clayton), Edmilson, Cléber e Daniel Edgard; Fábio, Marquinhos, Neomar e Ãnderson; César (China) e Schwenck (Alex). TÉCNICO: Ernesto Paulo. 
JUIZ: Ubiraci Damásio/RJ 
RENDA: R$ 29.753,00 
PÚBLICO: 8.319 pagantes 

América empata com Ceará em 1 a 1 


E agora ? Mais uma vez o América empata dentro de casa e vê, cada vez mais perto, o fantasma da Série C rondar o clube. O seu "carrasco" , desse sábado, foi o Ceará, que saiu na frente com um gol de Tosca aos 20’ do primeiro tempo. Biro-Biro empatou aos 3 minutos do segundo tempo. Ainda restam 4 partidas para o América na Série B e ele é obrigado a vencer todas para não ser rebaixado. 


Robson Mattis foi um dos destaques do time do América,
comandando várias jogadas ofensivas do alvirrubro 



A torcida do Ceará compareceu "em peso" no Machadão e fez um show a parte. Os torcedores americanos chegaram aos poucos e tentaram animar a equipe. O Atacante Marcão e o lateral esquerdo foram os destaques do América. A primeira jogada de perigo do time rubro nasceu de um jogada individual de Marcão aos 4 minutos. Ele driblou dois adversários, observou bem a passagem de Róbson Mattis e tocou. O lateral esquerdo bateu forte, mas Ronaldo desviou para escanteio. 

Novamente, Marcão e Róbson organizam uma boa jogada, mas a zaga cearense foi mais eficiente e evitou o gol do América. Logo em seguida, o Ceará cria a sua primeira jogada ofensiva. Rogério chutou forte para fora, a esquerda do goleiro Marcos. 

Nos contra ataques, o Ceará criava boas jogadas. Aos 20’, Adriano deu início a um contra ataque mortal. Ele tocou para o atacante Tosca, que driblou dois na meia lua da grande área americana e chutou forte para fazer o primeiro gol da noite, para alegria do técnico Sérgio Ramirez. 

Mais uma vez, o América é obrigado a reverter um placar adverso. Róbson Mattis foi muito bem ao ataque, bateu forte, mas o zagueiro Ronaldo evitou o gol de empate. O jogo ficou bastante disputado até o final do primeiro tempo, porém, nenhum dos dois clubes conseguiram marcar. 

Para os 45 minutos finais, o técnico Estevam Soares promoveu duas modificações ainda no intervalo. Rogério Martins e Marcinho entraram para as saídas de Gersón Caçapa e Moura, respectivamente. Logo aos 42 segundos, o Ceará vai para cima do América. Rogério faz uma excelente jogada, dentro da área e ao driblar o goleiro Marcos é derrubado: pênalti. Ele mesmo bate, e Marcos - mais uma vez - evita o que seria o segundo gol do Ceará. 

Empolgado e determinado a virar a partida, o América vai com tudo para o ataque. Aos 3 minutos, Marcinho lançou Marcão, que perdeu a bola e para sorte do alvirrubro, Biro-Biro ficou com a sobra e chutou forte, fazendo o gol de empate. 

Mesmo dominando a partida, os jogadores do América abusaram de perder gols, para desespero dos seus torcedores. O time tentou de todas as formas conseguir os 3 pontos, mas não foi feliz. Para completar, o zagueiro Gito foi expulso aos 32’, quando chutou Aílton, que tentava ganhar tempo a sua frente. Com o empate, o América permaneceu na penúltima colocação com 16 pontos, em 17 jogos disputados. O próximo jogo do América será domingo contra o Vila Nova, no Machadão. 

AMÉRICA 1 X 1 CEARÁ 
AMÉRICA-RN: Marcos; Romildo (Célio), Marcelo Fernandes, Gito e Róbson Mattis; Gérson Caçapa, Carioca, Moura e Mazinho; Marcão e Helinho. TÉCNICO: Estevam Soares 
CEARÁ: Jéfferson; Jaime, Ronaldo, Tássio e Reginaldo; Januário, Paulo salles, Maradona e Adriano; Rogério e Aílton(Tosca). TÉCNICO: Sérgio Ramirez 
ÁRBITRO: Etevaldo Batista de Araújo (DF) 
HORÁRIO: 17h 
LOCAL: Estádio do Machadão, Natal

       Dia 04/10/99

ABC tem outro empate dramático 


O susto foi grande, mas com um gol de Róbson,
cobrando pênalti, aos 47 minutos do segundo tempo, o
ABC conseguiu arrancar um empate sofrido diante do
Paysandu, que havia aberto o marcador aos 38
minutos da segunda etapa, através de Baiano
aproveitando-se da bobeada da zaga alvinegra. Mesmo
com o "tropeço", o clube potiguar subiu uma posição
na tabela e, agora, ocupa a quinta colocação na série
B. Os paraenses - depois de comprovarem ser um
verdadeiro calo de sangue na vida do time natalense -
com o ponto conquistado fora de casa, assumiram a
oitava colocação. 


O goleiro Saddi fez boas defesas, mas
não teve chance na cobrança do pênalti 



A partida iniciou com as duas equipes bloqueando o setor de meio campo, a primeira grande oportunidade surgiu apenas, aos 7 minutos, quando, Evandro ajeitou de cabeça para Júnior desviar do goleiro. Por azar do aniversariante do dia, Ânderson (paraense) salvou em cima da linha. A pressão continuou e aos 10, após uma cobrança de falta, Júnior cabeceia e vê a bola, caprichosamente,
chocar-se com o travessão. 

Depois foi a vez de Evandro, receber um cruzamento de Ânderson, desviar de cabeça e errar o alvo. Róbson, cobrando falta, aos 33, chegou a arrancar o grito de gol nas arquibancadas, mas a bola pegou na rede pelo lado de fora. 

A rigor, o Paysandu levou perigo real apenas em uma oportunidade. O lance ocorreu aos 38 minutos, quando após fazer um tremendo carnaval pela esquerda, Auecione passou para Maracanã, que, de cara com o gol, chuta e obriga Schumacher a realizar uma grande defesa. 

Com Luciano Araújo em lugar de Evandro, o ABC quase foi surpreendido pelo adversário logo no minuto inicial do segundo tempo. Num lance idêntico ao do primeiro tempo, Maracanã, chuta e o goleiro abecedista evita o gol. O susto despertou o time abecedista, que partiu para definir a partida, mas esbarrou na excelente atuação e na catimba do goleiro Saddi. A falta de sorte de Júnior ficou patente depois que ele conseguiu pegar um rebote da zaga do Paysandu, aos 20 minutos, e, sozinho, errou o gol. 

A disposição demonstrada pelos atletas empolgou a torcida, que fazia o seu papel, incentivando a equipe. Mas aos 38 minutos, por um instante, Baiano conseguiu calar o Machadão e ainda fez muitos alvinegros saírem mais cedo do estádio. Aproveitando a falha coletiva da zaga, o jogador tocou a bola
para o fundo da rede do gol defendido por Schumacher, instalando um clima de apreensão geral. 

A essa altura, Ferdinando já havia partido para o tudo ou nada, promovendo as entradas de Sérgio Alves e Joãozinho, nos lugares de Eron e do lateral-esquerda Quinho. Foi justamente Sérgio Alves que sofreu o pênalti, ao ser derrubado depois de dominar a bola dentro da grande área. Na cobrança,
Róbson, novamente com maestria, deslocou o goleiro e decretou o empate, corrigindo o desastre que  um o destino estava aprontando para o ABC. 

ABC 1 x 1 PAYSANDU 
ABC — Schumacher, Paulinho, Marcão, Rau e Quinho (Joãozinho); Ivanildo, Ânderson, Eron (Sérgio Alves) e Evandro (Luciano Araújo); Róbson e Júnior. TÉCNICO: Ferdinando Teixeira. 
PAYSANDU - Saddi, Fernando, Ânderson (Baiano), Sérgio e Ricardo; Cristiano, Manoel, Kanela e André; Auecione (Silva) e Maracanã (Abimael). TÉCNICO: João Francisco. 
JUIZ: Reinaldo Ribas/RJ 
RENDA: R$ 34.830,00 
PÚBLICO: 9.707 pagantes 
ESTÁDIO: Machadão 

América joga mal e só empata com o Sampaio 

Depois de um início alucinante, com 4 oportunidades desperdiçadas pelo ataque nos 10 minutos iniciais, o América leva dois gols antes dos 20’ do primeiro tempo e passa a jogar no desespero para reverter o placar. Confuso e desorganizado, o time alvirrubro consegue o empate com gols de Gito, nos
acréscimos do 1º tempo, e Marcelo Fernandes aos 44’ do segundo, sábado, no Machadão. 

Estreando seu novo fornecedor de material esprotivo, Rhumel, o América começou a partida decidido a definir logo no início. Até os 15 minutos do primeiro tempo, os atacantes perderam 4 boas oportunidades para abrir o placar no Machadão. Marcão, Helinho e Mazinho Brasília organizara boas
jogadas, mas não souberam aproveitar as chances. 

Porém, quando todos imaginavam que o América venceria fácil o jogo, aos 17 minutos, Mazinho Brasília perdeu a bola no meio-campo, para o jogador Massei do Sampaio, que avançou até a área americana. Ele tocou para Arlan, que driblou a zaga, o goleiro Marcos e fez o primeiro gol do jogo. 

Para o desespero dos jogadores do América, que se desentenderam e sentiram muito o "golpe", o time ficou perdido e se aproveitando do desequilíbrio alvirrubro, o Sampaio ampliou, logo aos 19 minutos.
Numa desatenção da zaga, Hélio - destaque da partida - não teve pena dos quase 2.400 torcedores presentes no Machadão e fez o segundo gol do Sampaio. 

Para tentar organizar o time, o técnico Estêvam Soares colocou Biro-Biro no lugar de Ricardo Mendes - aos 30’ . Esboçando um reação, Mazinho trocou bola com Biro, Marcão recebeu na frente do goleiro. Ele chutou forte, mas Ney fez uma grande defesa, mandando para escanteio. 

Quanto mais o tempo passava, mais a torcida vaiava o time e o técnico americano. Nos acréscimos do árbitro Flávio de Carvalho, Marcão sofreu falta na intermediária e o zagueiro-artilheiro Gito chuta forte no
canto direito de Ney e reacende as esperanças do América - 4º gol dele na Série B. 

Para o segundo tempo, Estêvam colocou Rogério Martins e Moura, nos lugares de Ângelo e Enock respectivamente. A equipe mostrou muito empenho e vontade, mas não conseguia vencer a retranca do time maranhense, que cansou de perder gols nos contra ataques. 

No desespero, os jogadores americanos tentavam a todo custou o gol de empate. Aos, 44 minutos Helinho - melhor jogador do alvirrubro no jogo - fez uma boa jogada pela direita, cruzou para área, e Marcelo Fernandes evitou, o que seria, 10ª derrota do América na Série B. Com o empate, está com 14
pontos, mas permanece na 20ª posição. 

AMÉRICA 2 X 2 SAMPAIO CORRÊA (MA) 
AMÉRICA: Marcos; Carioca, Marcelo Fernandes, Gito e Enock (Moura); Gérson Caçapa, Ricardo Mendes (Biro-Biro), Mazinho e Ângelo (Rogério Martins); Helinho e Marcão. 
SAMPAIO CORRÊA: Ney; Japinha, Ney Paulista, Fernando e Djair; Solimar (Renato Nascimento), Massei, Walbson (Edílson) e Arlan; Hélio e Jairo Lenzi (Aldinho). 
ÁRBITRO: Flávio de Carvalho (SP) 
RENDA: R$ 7.071,50 
PÚBLICO: 2.423 
ESTÁDIO: MACHADÃO

       Dia 29/09/99

América joga mal e perde mais uma 


Sem apresentar um grande futebol, o América perdeu sua nona partida dentro da série B do Campeonato Brasileiro, no estádio Marcelo Stefanni, em Bragança Paulista. Agora, a situação da equipe ficou ainda mais complicada e pode-se dizer que o clube se encontra "à beira da degola". Para fugir do rebaixamento, resta ao América torcer por uma combinação de resultados e vencer quatro das sete partidas que ainda tem a disputar. O gol que deu a vitória ao Bragantino, foi marcado por Sandro Gaúcho, aos 34 minutos do primeiro tempo. 

Durante a primeira etapa o América voltou a apresentar muito erros de passe e, praticamente não levou perigo ao goleiro Neneca. Atuando isolados na frente, Marcão e Helinho apareceram mais pelo espírito de luta do que pela realização das jogadas. A situação se agravou ainda mais, quando, aos 34 minutos, Marquinhos Paraíba (ex-Pitombinha), foi lançado, dominou a bola, na entrada da grande área e passou para o estreante Sandro Gaúcho, abrir o marcador. Sem forças, o time natalense não teve como reagir. 

A chuva prejudicou o andamento da partida no segundo tempo, se já não havia empolgado ao público na etapa inicial, ela continuou se desenrolando de forma monótona. O Bragantino atuou basicamente nas falhas do América e, numa cochilada de Carlos Mota, a equipe paulista quase ampliou o marcador
no primeiro minuto do segundo tempo. O que só não ocorreu, devido a outra boa atuação do goleiro Marcos. 

Os atacantes alvirrubros não conseguiam segurar a bola e o problema terminava na defesa, onde Gito e Marcelo Fernandes procuravam se livrar de qualquer forma. Os laterais também voltaram a mostrar fragilidade na marcação, contribuindo para sobrecarga do miolo de zaga. 

Em nenhum momento a equipe natalense lembrou a briosa participação da partida de domingo, contra o Remo, facilitando as ações do Bragantino, que jogou apenas o suficiente para impor a derrota ao clube natalense, agora, mais próximo do que nunca do "abismo", rumo a série C. Com a vitória do Avaí
sobre o Sampaio Corrêa, o ABC caiu para nona colocação. No outro jogo o São Caetano derrotou o Criciúma por 3 a 0. 

       Dia 27/09/99

ABC perde em casa para o Criciúma 

Deu tudo errado. Aconteceu o que nem o mais pessimista dos natalenses podia esperar, e o ABC conheceu sua primeira derrota dentro de Natal, 2 a 1, para o valente Criciúma. A doce festa que havia sido preparada pela equipe potiguar, terminou com o sabor bem amargo, principalmente para seus torcedores que deixaram o estádio Machadão com uma grande dúvida: O quê está ocorrendo com essa a equipe que não consegue vencer dentro de casa? 

O criciúma marcou no seu campo e apostou
nos contra-ataques para vencer o jogo 

O certo é que mais uma vez a equipe esbarrou na ansiedade dos seus atacantes e, dessa vez, sofreu um castigo inesquecível. O início deixou os torcedores esperançosos, o time com a sua proposta ofensiva, criou quatro boas chances, mas não conseguiu converter. Na melhor delas, Júnior não alcançou um cruzamento de Eron, que passava em frente ao gol. 

Cumprindo à risca a determinação do técnico Vacaria, o Criciúma segurou o ABC e fez um contra-ataque mortal, com Marcelo Silva, aos 34 minutos. O jogador aproveitou-se da subida de Elias, foi à linha de fundo e cruzou para Tico ter o trabalho apenas de escorar a bola para o fundo da rede. O mesmo Tico desperdiçou grande chance de ampliar o marcador, aos 37, quando a zaga alvinegra parou pedindo impedimento, não assinalado. O atacante catarinense entrou livre, mas Schumacher conseguiu evitar o pior. O ABC ainda tentou reagir, mas esbarrou na segurança do goleiro Fabiano. 

Na segunda etapa, só ocorreu uma melhora quando Joãozinho entrou no lugar de Teci. No seu primeiro lance, o "danadinho" fez um carnaval pelo lado esquerdo e passou para Eron desperdiçar a chance do empate dentro da pequena área. Aos 15, Júnior tenta um drible e o zagueiro Gelásio corta a bola com a mão dentro da área: pênalti, que Júnior bate e converte. O ABC era melhor em campo, quando os refletores se apagaram por cerca de 20 minutos. O time voltou frio e no recomeço da partida sofreu uma ducha de água gelada, com o segundo gol de Tico, aos 22 minutos, azedando de vez a festa de Cosme e Damião em Natal, pondo fim ao sonho do ABC melhorar sua situação na tabela. 

ABC 1x2 CRICIÚMA 
ABC - Schumacher, Elias (Luciano Araújo), Rau, Mário César e Quinho; Ivanildo, Ânderson (Evandro), Sérgio Alves e Teci (Joãozinho); Eron e Júnior. Técnico: Ferdinando Teixeira. 
CRICIÚMA - Fabiano, Ivo, Wilson, Gelásio e Adriano Luís; Maciel, Pereira, Marcelo Silva (Rivaldo) e Cuca; Tico Mineiro e Willian (Ronaldinho). Técnico: Vacaria. 
JUIZ: Luiz Gonzaga Souza/MA 
RENDA: 41.504,00 
PÚBLICO: 9.452 pagantes 
ESTÁDIO: Machadão 

       Dia 23/09/99

ABC surpreende o União São João


O ABC manteve o aproveitamento de 50% nos confrontos fora de casa, ao vencer o União São João, ontem à noite, na cidade de Araras (SP), por 2 a 1. A vitória teve sabor especial porque foi de virada,
uma vez que a equipe alvinegra sofreu o gol de João Paulo, aos 35 segundos de partida. Mas, coube a Júnior, marcar os seus dois primeiros gols com a camisa abecedista e decretar o importante resultado para o representante potiguar, que subiu sete posições e agora se encontra na 6ª colocação.
O início do primeiro tempo foi terrível para o ABC, que tomou o gol logo no início da partida, quando João Paulo foi lançado, passou pelo goleiro Scumacher e tocou para o fundo da rede. A equipe natalense tratou de manter a tranqüilidade em campo e, aos 4 minutos, marcou o gol de empate
através de Júnior, aproveitando uma bobeira da zaga da equipe paulista.
Depois da igualdade no marcador, o pequeno público presente ao estádio passou a pressionar o representante do interior paulista, o que provocou o desnorteamento da equipe dentro de campo. O ABC, bem postado, passou a dominar as ações e chegou várias vezes com perigo ao setor defensivo
do adversário.
Aos 10, Robson entrou na área com a bola dominada e chutou na rede, pelo lado de fora. Teci, tentando de fora da área, obrigou Júlio César a realizar uma grande defesa, aos 28. Robson, aos 43 minutos, quase desempatou a partida cobrando falta, mas a bola bateu no travessão, para sorte do goleiro Júlio César.
Evidenciando o nervosismo, o União não conseguiu se impor na segunda etapa, passando a abusar do jogo violento. Violência que resultou logo na expulsão do meio-campista Marildo, aos 15 minutos. O ABC continuou apresentando garra e chegou ao gol da vitória, aos 38 minutos, quando o atacante Júnior - a estrela da noite - bem colocado na área, não teve dificuldade em aproveitar uma bola centrada e mandar no canto direito do gol defendido por Júlio César. Com outro jogador - Flávio - expulso, o
União não teve forças para tentar a reação.

       Dia 20/09/99

América faz as pazes com a vitória e com a torcida 


O América fez uma boa apresentação, ontem á noite, no Machadão, e venceu o líder do campeonato, São Caetano, por 2 a 0. Rogério Martins, que vinha sendo muito cobrado devido ao baixo rendimento apresentado na equipe, iniciou a "volta por cima" do alvirrubro aos 13' do segundo tempo e o
zagueiro-artilheiro Gito deu números finais ao jogo , que para delírio dos torcedores, fez seu segundo gol no Brasileirão, cobrando falta com maestria, aos 39' minutos da etapa final. 
Antes de iniciar a partida, o Técnico Estevam Soares recebeu um má notícia: Rogerinho, com problemas estomacais, não tinha condições de jogo. Enoch o substituiu. O alvirrubro iniciou a partida decidido a superar o líder da Série B . Depois de várias orientações do técnico americano, os jogadores melhora, a pegada e não deram espaços ao time paulista.  
Logo aos 5 minutos, Helinho recebeu uma bola de Mazinho Brasília, driblou o seu marcador, mas chutou por cima do gol. Após o ataque americano, o time do ABC paulista quase fez o seu. O artilheiro Moisés apareceu sozinho de frente para o goleiro Marcos, que foi mais rápido e evitou o pior para o
América. 

Em lances isolados, o São Caetano chegava com boas chances de marcar, mas os paulistas não contavam com o zagueiro rubro, Gito. Ele mostrou segurança e boa movimentação durante toda a partida. 

Para o segundo tempo, o técnico Estevam Soares colocou Rogério Martins no lugar de Moura, que mais uma vez não jogou bem. O centroavante, criticado em outras ocasiões, entrou em campo para solucionar a falta de gols rubra e não decepcionou. Aos 13 minutos da etapa final, Biro-Biro - entrou no
lugar do lateral Célio - foi na ponta esquerda e cruzou no "segundo páu". Rogério não perdoou o goleiro Sílvio e marcou o primeiro gol americano na noite. A torcida e todo o banco de reservas americano foi ao delírio. "Eles estão treinando muito e merecem a vitória", afirmou Estevam Soares. 

O técnico do América foi expulso de campo após contestar um empedimento, aos 29' da etapa final. Mazinho lançou Rogério, que estava em posição legal. Porém , o árbitro Léo Feldman marcou posição irregular de Helinho - que não participou da jogada. O alvirrubro dominava a partida e em duas oportunidades criadas pelos entrosados Mazinho e Helinho, o América quase ampliou. Mas num contra-ataque iniciado por Ricardo Mendes, que substituiu Ângelo, Rogério Martins foi derrubado a 10 metros da área do São Caetano. O "xodó" da torcida Gito bateu no ângulo direito da trave adversária e fez a alegria dos alvirrubros. 

Mesmo com a vitória, o América permaneceu na 19ª posição, mas somente a 1 ponto do 15º Tuna Luso (PA). O próximo desafio da equipe potiguar será no domingo contra o Remo, em Belém do Pará. 
AMÉRICA 2 X 0 SÃO CAETANO 
AMÉRICA-RN: Marcos; Célio (Biro-Biro), Marcelo Fernandes, Gito e Enoch; Gérson Caçapa, Carioca,
Mazinho e Moura (Rogério Martins); Helinho e Ângelo (Ricardo Mendes). TÉCNICO: Estevam Soares 
SÃO CAETANO: Sílvio Luís; Válder, Daniel, Dininho e Vágner; Vandir (Nelsinho), Leto, Gilmar (Assis)e
Magrão; Ademar e Moisés (Marquinhos). TÉCNICO: Luís Carlos Martins 
LOCAL: Estádio Machadão - 
HORÁRIO: 17 horas 
ÁRBITRO: Léo Feldman (RJ)
  

 

 

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