Dear Friends of Guinea-Bissau:
The following message was received from ACEP and it constitutes a
warning to international community about a possible war's declaration by Senegal against Guinea-Bissau, as a result of Senegalese troops' enclavement in Bissau and other parts of the country. ACEP urges people to take actions in order to persuade Senegal and its allies to refrain from such a move.
Umaro Djau
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Apelo Urgente de Acção sobre o Senegal relativamente à Guiné-Bissau
Fontes de organismos internacionais em Dakar alertaram-nos para o risco eminente dum volte-face na posição do Senegal no conflito na
Guiné-Bissau, para o transformar num estado de guerra declarado entre o Senegal e a Guiné-Bissau.
Sectores mais radicais do poder no Senegal estão a tentar provocar sentimentos anti-guineenses, que permitam uma convocação de urgência do Parlamento Senegalês com vista a uma declaração de guerra à Guiné-Bissau, imediatamente após o regresso do Presidente Diouf da sua viagem à Europa.
Esta declaração de guerra permitiria assim desviar as atenções das sucessivas humilhações que o exercito senegalês tem sofrido na
Guiné-Bissau, onde não conseguiu derrotar a rebelião em 4 meses e onde tem sofrido sucessivas derrotas nos últimos dias, com os avanços das forças da Junta Militar por todo o país, até ao cerco do exército senegalês na cidade de Bissau, sem qualquer via de saída possível.
O pretexto para esta declaração de guerra seria um bombardeamento a Tanaf, cidade senegalesa na fronteira norte com a Guiné-Bissau, que teria sido feito no dia 20, a partir de território guineense, em
resposta aos múltiplos bombardeamentos que o exercito senegalês tem
feito contra localidades guineenses junto da fronteira.
Recordamos que, desde o início do conflito, o exército senegalês tem tentado aproveitar para resolver o seu próprio problema na Casamance, com bombardeamentos a localidades guineenses da fronteira - duas semanas apenas após o início do conflito, entre os dias 20 e 23 de Junho, foram realizados sucessivos bombardeamentos, a partir do território senegalês, contra as localidades guineenses de Ingoré, Bigene, e Nemenco. Estas acções foram sendo realizadas esporadicamente ao longo do conflito, até que se voltaram a intensficar nos últimos dias - num único dia (18 de Outubro) foram feitos ataques pelo exército senegalês a Ingoré, Guidadge e Bigene.
Por outro lado, nos últimos quatro dias, as forças conjuntas do Senegal e da Guiné-Conakry foram expulsas pelas forças da Junta Militar de quase todos os pontos em que estavam presentes no interior da Guiné-Bissau - Bambadinca, Bafatá, Capé, Gabu e Fulacunda - estando agora limitadas, no território continental da Guiné-Bissau, à localidade de Tite e a Bissau. No caso de Tite estão cercadas não só por forças da Junta Militar mas tambem pela própria população, que se armou mesmo antes da chegada das forças da Junta. No caso de Bissau, têm neste momento todas as saídas cortadas, após o corte, feito ontem, da estrada para Prábis pelas forças da Junta; a retirada pelo rio Geba foi cortada tambem, com a colocação
de peças de artilharia pela Junta Militar ao longo da margem do rio.
A abertura duma frente junto ao estádio 24 de Setembro nos últimos dias e a demonstração feita pela Junta de que tornou operacionais os MIG que estavam para reparação no aeroporto militar, tornam qualquer retirada senegalesa pelo porto de Bissau uma operação impossível.
Finalmente, e pela primeira vez desde o início do conflito, políticos senegaleses referiram-se em Dakar a uma estimativa para os soldados senegaleses mortos, apontando para o número de 800, ao mesmo tempo que o Presidente Diouf, em Paris, tentava minimizar o conflito,reduzindo-o a "pequenas escaramuças".
Estes factos levam-nos a temer por uma reviravolta no Senegal, para ocultar a realidade e desviar as atenções, fazendo uma "fuga para a frente", com uma declaração de guerra à Guiné-Bissau, sob pretexto do ataque a Tanaf.
Por essa razão, fazemos um Apelo Urgente a que sejam movidas todas as influências possíveis junto do Presidente Diouf, autoridades de França, União Europeia, países da CEDEAO e Departamento de Estado dos EUA, para prevenir qualquer iniciativa mais radical da parte do Senegal.
Pela Rede de Solidariedade com o Povo da Guiné-Bissau
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ACEP
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