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em: 10-FEV-1999
Tropas senegalesas adiam retirada da Guiné-Bissau
Presidente Abdou Diouf alega atrasos na constituição da força de paz da ECOMOG em virtude de dificuldades financeiras
O presidente do Senegal, Abdou Diouf, comunicou à presidência da União Europeia que a retirada das tropas senegalesas da Guiné-Bissau "não está para breve", revelou uma fonte comunitária em Dacar.
Durante a recepção que ofereceu, anteontem à noite, aos chefes das delegações à conferência ministerial UE/ACP, a decorrer na capital senegalesa, o presidente Diouf foi questionado informalmente sobre o conflito na Guiné-Bissau por uma representante da presidência alemã da União.
A abordagem ao presidente senegalês foi feita pela ministra da Cooperação para o Desenvolimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, a pedido do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, e do seu homólogo sueco, que participaram no breve diálogo com Abdou Diouf sobre a situação na ex-colónia portuguesa.
A fonte da presidência da UE disse que o chefe de Estado senegalês admitiu uma retirada gradual das suas tropas estacionadas na Guiné-Bissau, mas condicionou a medida ao estabelecimento no país do efectivo total da força de paz da ECOMOG.
Uma condicionante que, de acordo com a mesma fonte, "afasta a possibilidade de uma retirada a curto prazo, dadas as grandes dificuldades em encontrar financiadores para o estabelecimento na Guiné-Bissau do contingente de 1.450 homens da força da ECOMOG, conforme previsto nos acordos de paz de Abuja (Nigéria).
Actualmente, existe financiamento para o destacamento de apenas 600 homens da ECOMOG, menos de metade do efectivo total previsto para a força multinacional africana que deverá ajudar a manter a paz na Guiné-Bissau.
Em declarações a jornalistas portugueses, o secretário de Estado Luís Amado confirmou a conversa com o presidente senegalês, durante a recepção no palácio presidencial de Dacar, mas escusou-se a revelar quaisquer detalhes e a tirar conclusões da mesma, remetendo os jornalistas para a presidência alemã da UE.
Luís Amado limitou-se a dizer que "o presidente Diouf exprimiu à presidência (da UE) a vontade de retirar as forças senegalesas da Guiné-Bissau logo que haja as condições para o fazer no quadro daquilo que é a interpretação do Senegal do acordo de Abuja".
"Mas gostaria que fosse a presidência alemã a revelar os termos exactos da declaração do presidente Diouf, relativamente às condições em que o governo do Senegal aceita fazer a retirada", acrescentou o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação.
"C-130" com ajuda de emergência para a capital guineense
Um avião Hércules "C-130" da Força Aérea Portuguesa deveria partir ao princípio da madrugada de hoje para Bissau, com 10 toneladas de ajuda humanitária de emergência, reunida pela Cooperação Portuguesa, foi anunciado oficialmente em Lisboa.
O envio desta ajuda da Cooperação Portuguesa é uma resposta ao "apelo dramático" do Hospital Simão Mendes, de Bissau, que "se debate com graves carências em medicamentos, material cirúrgico e leite infantil", refere uma nota de imprensa do Instituto da Cooperação Portuguesa (ICP).
A ajuda humanitária de emergência inclui 5,3 toneladas de medicamentos, reunidos pelo Ministério da Saúde e pelo ICP, 2.075 quilogramas de leite e papa infantil e duas toneladas de água engarrafada para preparação da alimentação de bébés.
No avião da Força Aérea Portuguesa deveria seguir o delegado da União Europeia na Guiné-Bissau, o diplomata português Miguel Amado, que se encontrava em Lisboa. No regresso a Lisboa, o aparelho transportará cerca de 30 cidadãos portugueses que manifestaram o desejo de regressar a Portugal.
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Guiné-Bissau, o Conflito no «site» FortuneCity
Guiné-Bissau, o Conflito no «site» Terràvista

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