Recuperação de Áreas Degradadas

Veja a seguir: Erosão Problema
Mundial
As Matas
Ciliares (Matas que nascem ao lado dos cursos d'água, lagoas e
nascentes) são sistemas sensíveis a ação depredatória do
homem e muitas vezes necessitam de técnicas avançadas de
recuperação do solo. São áreas protegidas por lei,
necessitando estarem vegetadas. Elas servem de abrigo para aves,
mamíferos, répteis e insetos que promovem em muitos casos o
chamado controle biológico de pragas e doenças nas lavouras.
Ajudam também na perenização de córregos, rios, lagoas e
nascentes, auxiliando na infiltração da água da chuva e
evitando que a enxurrada promova o assoriamento dos mesmos.

A primeira escolha para
recomposição vegetativa de qualquer área degradada, são
espécies nativas. Para Matas Ciliares, as espécies além de
serem nativas, devem preferencialmente serem frutíferas. Mesmo
que não sejam comerciais, estas espécies são um atrativo maior
da fauna terrestre e aquática. Nos casos dos terrenos elevados,
o uso de espécies como Eucalipito e Pinus têm maiores vantagens
econômicas e devem ser utilizadas.

A falta de critérios para
selecionar as áreas agricultáveis dentro da propriedade e o uso
inadequado de técnicas de preparo do solo, levam ao
empobrecimento do mesmo e com ele erosão. Por isto, é
necessário que o agricultor procure orientação, para o uso
correto das técnicas de conservação do solo, visando evitar
sua degradação. Mesmo assim, áreas erodidas dentro das
propriedades são comuns e para recuperá-las não existe uma
única técnica("receita de bolo").O simples uso de
máquinas, muitas vezes não resolve o problema, embora em alguns
casos, seja indispensável. Assim, é preciso que as máquinas
sejam utilizadas corretamente para que o problema muitas vezes
não se agrave. As técnicas de revegetação por sua vez, são
muito mais baratas e eficazes, mas a longo prazo. Por isto, o
ideal é usar simultaneamente técnicas que empreguem
conhecimentos físicos e biológicos, isto é, máquinas e
revegetação respectivamente.


Erosão Problema Mundial
- Vietmeyer, Noel D. - Directorand
Scientific Editor
A erosão do solo é uma crise silenciosa, um desastre
insidioso, feito na maior parte, pelo homem que tem se
desenvolvido gradualmente. Em muitos lugares, ele mal é
reconhecido; o solo se vai em tão pequenas porções, dia após
dia, que sua perda dificilmente é notada. Freqüentemente, as
próprias práticas que causam as maiores perdas a longo prazo,
levam a grandes colheitas a curto prazo, criando assim a ilusão
de progresso.
Na verdade, a erosão está minando inexoravelmente a
segurança econômica da maioria dos países. As mudanças que
ela traz são crônicas e irreversíveis: terra perdida;
produtividade reduzida em fazendas e florestas; enchentes;
portos, reservatórios; canais e trabalhos de irrigação
assoreados; estradas e pontes eliminadas; pântanos e recifes de
coral destruídos, onde miríades de organismos importantes
normalmente se reproduziram e prosperaram. A erosão está
literalmente custando a terra. O solo que ela carrega totaliza
agora 20 bilhões de toneladas por ano, em todo o mundo. Isto
representa uma perda equivalente a de 5 a 7 milhões de hectares
de terra arável. Algo dessa perda é aliviada pela conversão de
florestas em fazendas de maneira que a erosão, indiretamente,
propicia o desmatamento. Os problemas são piores nas partes mais
quentes do mundo. Aí, populações em expansão o manejo
inadequado da terra, os solos vulneráveis e climas hostis se
somam numa combinação letal que gera a erosão, trazendo com
ela a degradação ambiental, que nas safras, expansão de terras
agricultáveis secas e poeirentas, demasiadamente carentes de
solo para culturas ou mesmo criação de gado.

A erosão está ficando pior. Na África sub-saariana, por
exemplo, aumentou 20 vezes nas últimas três décadas, uma vez
que mais e mais pessoas são forçadas a sair das boas terras do
fundo dos vales para as frágeis encostas das montanhas. Mais de
um terço da África, por exemplo, está1 ameaçada de
desertificação. As florestas do mundo estão desaparecendo 30
vezes mais rápido do que são plantadas. As encostas,
destituídas de sua cobertura protetora de vegetação, estão
sendo rapidamente erodidas, depositando enormes quantidades de
sedimentos nos reservatórios corrente abaixo e vales de rios. As
enchentes estão se formando mais freqüentes e mais graves.
Alguns fatos demonstram a crise:
- Marrocos tem que instalar o equivalente a um novo
reservatório , de 150 milhões de metros cúbicos, a
cada ano, para contrabalançar os sedimentos que estão
enchendo as barragens existentes.
- Estima-se que o Zimbabue tenha que espalhar o equivalente
a um bilhão e meio de dólares em fertilizantes, apenas
para compensar os nutrientes naturais, que estão sendo
levados pela chuva e pelo vento, todos os anos.
- A China perde mais de 2 bilhões de toneladas de solo por
ano, apenas no Platô de Loess. A maior parte é
depositada no Rio Amarelo. São necessários 3,5 bilhões
de metros cúbicos de água para varrer cada 100 milhões
de toneladas de solo para o mar - água que poderia ser
usada para fins produtivos.
Os fazendeiros do Estados Unidos precisam adicionar 20 quilos
de fertilizante de nitrogênio para cada centímetro de solo
perdido por hectare, apenas para manter a profundidade. De fato,
a cada ano os Estados Unidos perdem 18 bilhões de dólares, em
fertilizantes nutrientes, para a erosão do solo.
Para evitar o desastre ambiental global que está sendo
trazido pela erosão do solo, é imperativo agir rapidamente e em
vasta escala. Infelizmente, os esforços anteriores para lidar
com o problema em escala mundial - especialmente no terceiro
mundo - raramente tiveram êxito sobre uma área extensiva . Por
um lado, algumas da técnicas convencionais usadas hoje são
extremamente caras; por outro, elas raramente geram o apoio
abrangente dos fazendeiros - na verdade, os fazendeiros
freqüentemente protestam tão veementemente que têm que ser
ameaçados com multas ou prisão para que se garanta o
cumprimento das ações. Assim, onde quer que os fazendeiros não
estejam motivados, mesmo os sistemas mais eficazes, logo declinam
e caem em decadência e desuso.
1 -Fonte: Nacional Research
Concil, VERIVER GRASS - A thin green line against erosion
. National Academy Press Washinton D.C -1993. 171 p
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