A Palavra de Deus nos ensina que Deus se fez carne e habitou entre nós, Jo 1:14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade". Esta identificação com o homem foi o ato de amor supremo de Deus por nós. Ela levou o Filho de Deus até à morte horrível na cruz, por nossos pecados. As gloriosas doutrinas da Mediação e da Redenção, ou seja: o trabalho de Jesus Cristo, vencendo a morte para nos dar a salvação, será o assunto das próximas quatro lições. Vamos estudar a encarnação de Cristo, expressa em Sua pessoa, em Sua obra e em Seu caráter.
Você crê em Jesus Cristo como seu Salvador? Verifique então quão misericordioso, extenso e incompreensível é este amor de Deus por você. Seja edificado à medida em que estuda sobre a pessoa e sobre o trabalho de Cristo. Conforte-se na pessoa de Cristo, que deu-se a si mesmo para morrer na cruz para lhe salvar.
Jesus existiu sempre, desde toda a eternidade. Ele é preexistente, sem princípio e nem fim.
João o chama de Verbo. Este Verbo Divino manifestou-se ao mundo e veio à terra como Redentor e Mediador, como Deus-homem (Is 9:6).
Prometido desde o Jardim do Éden , Ele veio de uma linhagem real - descendeu de Davi (Is 11:1; Lc 2:4).
A encarnação ocorreu histórica e objetivamente. Ela não é apenas uma fábula. Nossa Fé Cristã tem raízes históricas porque é a fé verdadeira. Jesus realmente veio e habitou entre nós (Mt 1:1,17). Sua morte realmente ocorreu como relatado e sua ressurreição é uma verdade constatada não apenas experimentalmente na vida dos salvos, mas documentada e historicamente atestada.
Jesus, como Filho de Deus, é eternamente gerado do Pai. Isto significa que Ele tem origem divina absoluta, infinita e eterna. Como Cristo, o Messias que havia de vir e encarnar-se, Jesus teve origem temporal e histórica, dentro de condições humanas completas.
Os pontos relacionados com a vinda de Jesus Cristo e o Seu habitar entre nós, como Deus-homem, constituem a Doutrina da Encarnação. Ela é uma das principais doutrinas da fé cristã e tem sido freqüentemente atacada ou distorcida pelas seitas. É necessário que saibamos o que a Bíblia nos diz sobre esta doutrina. Procure entender os pontos abaixo:
Jesus Cristo foi e continua a ser Deus Verdadeiro.
Na Encarnação Ele, que possuía a natureza divina, assumiu a natureza humana.
Existe uma diferença entre pessoa e natureza. Jesus Cristo é, e continua a ser uma pessoa. Possui, porém, desde a encarnação, duas naturezas, a divina e a humana. Não existe dualidade de pessoas em Cristo, nem conflitos ou confusões de qualquer sorte. Ele não é menos homem, por ser Deus, nem a Sua divindade foi diminuída, por tornar-se integralmente homem.
Como isto ocorreu, é um mistério cuja total explanação não caberia em nossa finita compreensão. Não devemos, entretanto, cometer o erro de ignorar a clara revelação das Escrituras, que estabelecem a total humanidade de Jesus Cristo, bem assim como Sua plena divindade. Muitas seitas começaram com a fútil tentativa de diluir estas verdades de tal forma que elas coubessem em um raciocínio simplista, porém não-bíblico.
Na esfera prática, a humanidade de Cristo significa que: o Seu crescimento físico foi real; o Seu crescimento em conhecimento foi real; o Seu sofrimento foi doloroso; a Sua fome era fome mesmo; o Seu choro era igual ao nosso; as Suas tentações foram provações iguais às nossas, porém Ele não pecou, Hb 2:9 - "Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos" e Hb 4:15 - "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado".
A Sua plena divindade significa que: Ele foi concebido sem pecado; Ele possuía todo o poder (Mt 28:18) e adequadamente o utilizou, nas ocasiões pertinentes à Sua missão; Ele possuía consciência total de Sua missão, voluntariamente deixou a Sua glória (Fp 2: 7,8) e deu-se a Si mesmo (Gl 1:4), vencendo a morte por nós; Ele possui as prerrogativas da divindade e aceitou adoração, como Deus que é.
Qual o propósito da encarnação? Para realização da redenção de pecadores. Para revelação do amor de Deus aos homens. Sem a encarnação não poderíamos ser salvos: como pagaríamos o salário do pecado, que foi pago por Cristo em nosso lugar? Com a encarnação Deus demonstra o Seu amor e executa a Sua justiça. Ele providencia o remédio ao pecado e às penalidades impostas a ele, sem quebrar a Sua santidade, sem ser conivente com o pecado.
A Bíblia nos ensina que a encarnação do Filho de Deus foi prevista na eternidade e nos sábios conselhos da Santíssima Trindade (Sl 2; Jo 17:5 - "E agora glorifica-me Tu ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse"). Gálatas 4: 4-6 mostra que nada ocorreu "por acidente". Quando Deus operou a "plenitude dos tempos", isto é, quando cada detalhe e cada condição estavam preparados para a missão do Messias - Jesus Cristo, Ele veio ao mundo, exatamente como estava profetizado desde Gênesis 3:15. Deus escolheu um povo, depois a casa de Davi e depois uma família abençoada (José e Maria) para que, por obra do Espírito Santo, Jesus viesse a nascer. O nascimento virginal de Jesus Cristo, um milagre muito contestado por teólogos modernistas mas claramente registrado nas Escrituras (Is 7:14 e Mt 1:23), explica a ausência do pecado original em Cristo, ao mesmo tempo que estabelece Sua humanidade desde a formação no ventre de Maria.
A providência divina fez com que houvesse uma língua básica em quase todos os povos do oriente e da Europa - o grego, gerando condições propícias para a disseminação do Evangelho.
A conquista dos Romanos providenciou um sistema legislativo e legal com garantias mínimas de ir e vir, no qual o trânsito dos apóstolos foi grandemente facilitado.
A encarnação é compreensível pela fé na Palavra de Deus. A pessoa de Cristo é exaltada quando reconhecemos Sua humanidade e o Seu amor para conosco, por esta situação voluntária em que se colocou: de ser igual a nós em tudo, porém sem pecado.