Diálogo entre Sábios ICaro Ptolomeu, me diga: há seres extra-terrestres?
Há, lógico, caro Lawrence.
E por quê tanta certeza?
Porque todos sabemos que as pirâmides do Egito foram feitas pelos Ets.
Hmmm... claro. E de onde você tirou isso? Há provas?
Claro! Olhe este diamante aqui em minha mão (mostra uma pedra de carvão)
Sim. O que tem esta pedra?
Não vê?
O quê?
A prova! Aqui está toda a prova de que precisamos para provar.
Provar o que? Que existem Ets ou que eles fizeram as pirâmides?
Os dois.
Os dois?
É, os dois. Está vendo este parafuso? (mostra um parafuso enferrujado)
E agora... o que isso quer dizer?
Nada! Mas repare... (enterra o parafuso na pedra de carvão) Pronto!
Pronto?
É, pronto! Não vê?
Sim, vejo... uma pedra de carvão com um parafuso enterrado.
Então está provado!
Peraí... você está tentando me enrolar! Se Ets existissem de fato, o parafuso estaria solto!
Claro que não! Veja isto! (molha o parafuso e o carvão no lodo e joga para o alto)
Surpreendente. Você jogou o parafuso enterrado no carvão e molhado no lodo para o alto.
É! Agora me explique por que não cai de volta. Se não conseguir, está provado que há Ets.
Tá bom. Et's existem.
Reis
Diálogo entre Sábios IICaro Lawrence. Me prove que existe alma!
É pra já! Só me dá um minuto, caro Ptolomeu. (Começa a enrolar a barba no dedo)
Vamos! Estou esperando, mas nada vejo! (olhando curiosamente o enrolar)
Hmmm.... estou quase lá...
Você está enrolando!
Não! Agora olhe fixamente para o meio da minha testa. (com a barba já enrolada no dedo)
Estou olhando. O ponto preto, não é?
É...
E então?
É isso. Percebeu?
Não. Entendo que a sua alma se manifestou, mas isso não é uma prova.
Então olhe melhor. Está vendo aquela formiguinha? Ela vai entrar naquele formigueiro.
Hmmm... de fato... entrou.
Agora fecha o olho direito. Ela continua fora do buraco, apesar de já ter entrado, não é?
Hmmm... é verdade... posso vê-la afundando no lodaçal, e mesmo que tente, não se liberta!
Isso mesmo, Ptolomeu! Caso encerrado.Reis
A Arte de Chutar o BaldeH
á o que chamam de criação destruidora, que é a transição do velho para o novo, quando um método é subjugado por outro, transformando um meio totalmente, ou apenas parcialmente. Esta transformação nem sempre é aceita de imediato, e assim há o atrito - fruto do conflito entre duas ordens - o que resulta na falência da primeira, e na ascenção da segunda.
Mas há de se perguntar quando é que uma ordem que questiona o estabilishment vigente será aquela que há de subjugá-lo para tornar o ambiente um meio mais propício. Será que o espírito das coisas está realmente desgastado, e aquela ameaça que surge para derrubá-lo é a nova ordem que há de renovar o todo, e transformar o estado das coisas em algo melhor? Ou será esta novidade apenas uma farsa, máscara de alguma desgraça, fuga de uma realidade?
Desta questão surge a dúvida, maldita dúvida, e esta há de alimentar a esperança de que o estabilishment não está desmoronando, e sim sofrendo apenas um abalo. E é também esta esperança que faz com que invariavelmente nos agarremos numa ordem já ultrapassada, por conhecermos-na melhor, por esta ter um retorno já conhecido, e garantido.
E quando nos damos conta do que está a acontecer, nos vemos num mundo de mentiras, num estado morto, suportado por nada menos que esperanças, e esperanças, por si só, não trazem nada além de frustração e mágoa.
O ato de chutar o balde é um método específico de se aplicar a criação destruidora, particularmente quando nos damos conta de que algo estava errado, e de que há a necessidade de se admitir o estado antes negado dos fatos. Esta atitude pode parecer bastante violenta para os que estão observando o fato externamente, e em especial para aqueles que são vítimas dela, mas para aquele que chuta o balde, a ação se limita a quebrar uma estrutura hipócrita criada por ele mesmo, para que encare o mundo de um modo mais franco e aberto.Vicente
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