No dia seguinte, a Priscila acordou e já ligou para o Zac. Ela queria que alguém do pessoal dele fosse buscá-la em casa para levá-la ao encontro dele. É claro que ele mandou logo um dos seus seguranças, o Eddie, buscar a Priscila em casa e traze-la até o hotel. O Eddie era um jamaicano muito gente boa. Se dava muito bem com os meninos e fazia eles rirem um monte. Nossa, o homem era um armário de grande. Era negro, alto pra caramba, careca, todo musculosão, de traços bem fortes e um olhão claro que destacava no rosto dele por causa da sua cor de pele. O cara cuidava dos meninos do Hanson como se fosse por prazer e não por quê ganhava para isso.

O Eddie chegou no hotel com a Priscila e levou-a até a portaria, onde o Zac já esperava por ela. Ela agradeceu, toda esnobe, e foi abraçar o Zac.

– Valeu, Eddie! – o Zac agradeceu.

– Imagine, chefe. Qualquer coisa, estamos aí – sorrindo com aqueles dentes branquinhos, branquinhos.

– Olá.

– Oi, Zac. Dormiu bem? – a Pri perguntou. Claro que a pergunta era direcionada, algo como "Dormiu bem depois de eu ter te perdoado?".

– Muito bem. E você? – romântico.

– Ah, normal... – ela disse.

Era esse tipo de coisa que matava o Zac, as besteiras de orgulho dela. Mas ele não dizia nada. Fingia que não tinha nem percebido, já que ele também era muito orgulhoso.

– E aí, vai com a gente hoje gravar aquele programa? – ele quis saber.

– Claro que sim.

O Taylor era bem amigo da Priscila antes de ela e o Zac terem essa última briga sobre a tal carta. Mas fazia um tempo já que ele não vinha mais curtindo a Pri. O Taylor sentia como se todo o mal que vinha tomando conta do Zac era graças à ela. E claro, o Taylor não gostava do que era prejudicial para o irmão dele. Nisso, o Walker chamou todo mundo para descer porque eles tinham de ir para o dito do programa. Mas agora estava tudo bem para o Zac porque a Prizinha dele ia junto. A gravação poderia até ser sobre a reprodução assexuada das plantas marítimas, que pareceria Lenny Kravitz para o Zac.

– Mãe, tô saindo! – a Fernanda gritou antes de sair de casa.

– Tchau e cuidado! – a Mariliz recomendou.

E lá ia a Fernanda de novo, para a frente do hotel, tentar mandar um recado para o Zac por alguém de lá de dentro. Ela não tinha idéia de como, não tinha idéia de quem, mas precisava chegar lá. Na frente do hotel tinha umas meninas, mas eram poucas. Estavam todas bem arrumadas, parecia que esperavam alguém para sair a qualquer momento. Foi quando a van do Hanson apareceu, saindo pela garagem, e elas saíram que nem umas desesperadas, correndo atrás do carro. Umas estavam acompanhadas dos pais e só precisaram entrar em seus respectivos carros para seguir a van. E a Fer ficou lá, sozinha.

– Eu não acredito. Tá só eu aqui? Woohoo!

Ela correu para a portaria do hotel. Quando ela ameaçou entrar, um homem loiro todo grande, vestindo um terno preto e um crachá no peito, empurrou ela com tudo, muito grosseiro, fazendo a Fernanda quase cair no chão.

– Nossa, que isso?! Calma! Eu só preciso de uma informação! – a Fer gritou para o cara que a empurrou.

– Não é permitido a entrada de fãs neste local. Por favor, retire-se ou terei de ser rígido.

– Puxa, ainda bem que o senhor ainda não foi, né? – irônica.

– Saia, por favor.

– Eu só preciso de um favor, moço.

– Não estou autorizado a atender pedidos das fãs.

– Moço, eu não sou fã, não. Eu queria só que você entregasse isso para o... – com um bilhete nas mãos.

– Não quero saber quem é você. Saia agora ou terei de agir de maneira brusca.

– Moço, me escuta pelo menos. Eu só quero que você entregue isso pro...

– Menina, não insista! Eu não posso te ajudar!

– Puta que o Pacheco, eu só quero que você entregue um bilhete! Não é muito difícil! Você tem neurônios para bater e ser grosseiro! Deve ter para entregar um bilhete também!

– Eu não posso, agora saia!

A Fer saiu da porta do hotel e sentou num muro pequeno perto de umas plantas, na entrada da garagem. Xingou aquele segurança, a família dele e toda a sua geração futura de todos os adjetivos negativos possíveis. Não deu muito tempo, começaram a aparecer umas meninas por ali, todas com camisetas do Hanson, cobertores, colchões, lanternas, bolacha... A Fernanda ficou só observando. Aí uma delas a viu ali sentada e cochichou com as outras. Fã de Hanson não é exatamente unida para essas coisas. Briga muito fácil. Acho que é por isso que nem sequer preocuparam-se em saber quem era a Fernanda. Mas ela não estava realmente ligando porque a última coisa que ela queria era ouvir a palavra "fã" perto dela. E cada vez foram chegando mais meninas. E mais meninas. Até que a frente do hotel estava lotada mais uma vez. A Fernanda começou a ficar nervosa, porque aquilo estava enchendo mais e mais e ela ainda não tinha pensado em nada.

Terminada a gravação, a van do Hanson deixou o estúdio e foi direto levar a Pri em casa. Na hora de descer, ela se despediu do Zac e o carro foi embora, voltando para o hotel. Os dois tinham tido uma briga meio feia por ciúmes, algo bem imbecil sobre o Ricky Martin ou qualquer cara gostoso do ramo. A Pri ficava dizendo que achava o sujeito lindo, sabendo que o Zac detestava quando ela fazia isso só para provocar. Ele pedia para ela parar de falar do homem, mas ela ficava: "Ah, mas ele é muito gostoso, muito maravilhoso", coisa e tal. O Zac, que já não era quase nada estressado, acabou brigando com a Priscila. Ela amava aquilo, as brigas, o ato de discutir, de ele correndo atrás dela horas depois, desesperado, implorando pelo perdão dela. Na volta, ele estava muito bravo. Quando eles estavam entrando na garagem, aquele monte de fãs voaram para cima do carro, exatamente onde a Fer estava sentada. Foi tão rápido, que ela só conseguiu sentir as suas costas chocando-se com toda força contra o vidro do veículo. Fez um barulho muito alto.

Ouch! – o Isaac disse, quando ouviu a Fer batendo no carro.

Ela estava sendo esmagada ali pelas fãs contra o vidro. Nossa, estava machucando demais porque aquelas meninas histéricas não queriam nem saber de ela ali. Só enxergavam o Hanson, pertinho delas, apenas um vidro de distância. As que estavam encostando no carro, batiam no vidro, mas as que estavam tentando chegar no carro, batiam na cara da Fernanda. Ela estava levando tanta porrada naquela circunstância, que ela não conseguia nem associar o que estava acontecendo direito.

– Eddie, tira aquela menina dali, por favor – o Taylor disse, vendo só as costas da Fer pressionada contra o vidro. – Vão matar essa garota.

– É, Eddie. Você desce do carro com cuidado e vai afastando as fãs de perto dela – o Walker disse, também preocupado com a coitada que estava sendo linchada pelas fãs. – E aproveita, e tira elas de perto do carro.

– Positivo – o Eddie disse.

Ele abriu a porta da van e, com muito custo e a ajuda de mais uns seguranças, conseguiu sair de

dentro dela.

– Afasta, afasta! – o Eddie gritava em inglês. – Olha a garota aqui! – apontando para a Fernanda.

Os seguranças começaram a afastar as fãs lentamente e, quando elas já estavam suficientemente distantes, o veículo entrou na garagem sem a menor dificuldade. A Fernanda caiu tonta no chão, de tanto soco que ela tinha levado. Estava consciente, mas com a vista um tanto embaçada. Um tumulto tinha se iniciado, porque umas fãs estavam brigando entre si, culpando umas às outras pelo Hanson ter escapado. Estava uma bagunça! O Eddie e os outros seguranças tentavam acalmá-las, mas estava difícil. E como se a Fer já não estivesse arrependida o suficiente por estar ali, alguma menina a soca na nuca sem querer com força o bastante para faze-la apagar.

...

 

– Depois de prontos, batam lá no nosso quarto porque nós vamos descer jantar – o Walker disse, saindo então do quarto dos três.

– E aí, Zac? Melhor agora com a Pri? – o Isaac perguntou.

– Muito, obrigado.

– Pensei que você fosse querer jantar com ela hoje, Zac – o Taylor disse, saindo do banho naquele exato momento.

– Eu até queria, mas a Pri não colaborou muito com aquela história de Ricky Martin.

Logo depois que ela tinha chegado em casa, a mãe da Priscila perguntou por quê ela não tinha ido jantar fora. A Pri respondeu que precisava dar uma de difícil para o Zac, que não podia se entregar tão fácil. Era assim que a Priscila jogava. E conseguia prender o Zac.

– Aaaah... – o Taylor disse. – Mas um dia você convida e ela janta com a gente.

– Cara, Zac, na boa, mas eu não sei o que você tanto vê naquela menina – o Isaac disse, com um pouco de maldade, querendo criticar.

– Eu adoro ela, e aí?! – o Zac ficou um pouco nervoso.

– Mas Zac, essa garota te faz de trouxa! 'Cê parece um retardado quando ela tá perto!

O Zac já levantou nervoso. Ele era muito bravo. Não era exatamente uma tarefa difícil deixá-lo puto da vida.

– Cala essa boca, Isaac, porque você é o único aqui que não pode falar nada sobre isso!

– Eu? Por que eu não posso?

– Você não tem nem idéia do que é gostar de alguém de verdade! Você e as putinhas que você está acostumado a pegar em simplesmente todos os lugares que a gente vai!

Apesar do Isaac ser mais velho, o Zac, além de ser maior e mais forte que ele, metia muito medo quando estava bravo. O Isaac não era nem louco de tentar contrariar.

– Bom, pelo menos, eu não fico pelos cantos me acabando de fumar e choramingando que nem um maricas por causa de mulher... – o Isaac disse, irônico.

O Zac ameaçou ir para cima do irmão mais velho, mas o Taylor não deixou.

– Ike, sai! – o Tay gritou, segurando o Zac.

O Isaac saiu, todo feliz. É claro que ele estava mais feliz pelo Zac estar bem com a menina que ele gostava, já que ele andava tão mal, mas o Ike também não concordava com o tipo de relacionamento que o Zac tinha com a Priscila. O Taylor pensava assim também. A diferença entre eles era que o Isaac não sabia falar sobre isso com cuidado, conversando. Ele sempre acabava provocando o Zac e deixando-o furioso, jogando cometariozinhos irritantes como estes que ele acabara de fazer.

– Zac, deixa ele... o Ike não quis dizer isso.

– Ele tem inveja porque eu amo a Priscila e ela gosta de mim.

– É, deve ser isso mesmo... agora se acalma.

O Zac sentou, respirou fundo e contou até dez. Tudo para não arrombar a porta daquele banheiro e encher o Isaac de porrada.

...

Um tapinha de leve fez a Fer acordar e olhar para cima. Só conseguiu ver bem a cara de um negão quase azul, com aqueles olhões claros em cima dela, e mais um monte de segurança em volta. Todos olhando curiosos. Quando a Fernanda abriu um pouco mais os olhos, o Eddie aliviou:

Are you ok, kid?

A Fer não estava raciocinando direito para traduzir aquilo. De repente, aquela dor nas costas, na região da nuca.

– Ai...

– Você levou uma pancada forte aí – o Eddie explicou. – Você ainda vai sentir essa região por um tempo.

– Você é quem, exatamente? E onde que eu estou?

– Eu sou o Eddie, segurança. Estes são meus companheiros de trabalho e você está no hall do Renaissance Hotel, São Paulo.

Quando a Fer ouviu aquilo, nossa, ela quis gritar muito alto.

– Jura?! Eu entrei?!

What? – o Eddie não entendeu muito bem.

– Woohoo!

Ela olhou a sua volta e viu aquele lugar maravilhoso, cheio de plantas e uma decoração linda. Tinha um piano mais para a frente e uma varanda enorme com umas mesinhas e umas cadeiras de estofado azul. Lindo! As pessoas todas ali sentadas, cujas esperavam por uma reação da menina desmaiada, olhavam para a Fernanda com aquelas caras de quem nunca tinham visto. O rapaz da portaria se aproximou, dizendo que era possível que ela estivesse delirando, já que a pancada havia sido de grande força. O segurança concordou e perguntou mais uma vez para a Fernanda se ela estava bem.

– Tô, claro. Ei, você não é o segurança do Hanson?

– Sou sim. Eu sei que você é fã do Hanson e...

– Não, eu não sou fã deles, moço.

O Eddie olhou para o rapaz da portaria:

– É, ela está mesmo delirando.

– Não, eu não tô! Eu queria entrar aqui porque eu preciso dar um recado para o Zac. Eu conheço ele da Internet.

– Uau... menina, você não está nada bem.

– Moço, assim ó...

Quando a Fernanda estava realmente pensando em explicar aquilo, o elevador abriu a porta e os Hanson saíram de lá de dentro junto com a família toda. A Fer ficou olhando para eles com aquele olho fixo. O Eddie se aproximou deles e cochichou alguma coisa qualquer que os fez olharem para a Fer. Ela pensou em dizer alguma coisa, mas achou melhor não. Eles não estavam perto o suficiente para ouvi-la. Depois que o Eddie disse tudo o que queria, eles seguiram a família para o restaurante.

– Moço, moço, vem cá! – a Fer chamou.

– Eddie.

– Eddie, que seja... Será que eu poderia falar uma coisinha com eles?

– Desculpe, kid, mas infelizmente não. Você só está aqui dentro porque aquelas fãs realmente te acertaram em cheio.

– Então será que você podia entregar isso aqui para o Zac? – tirando um bilhete do bolso.

– Também não, querida – o Eddie disse, atencioso.

– Por favor, entrega lá agora. Eu preciso de uma resposta dele. Juro que se ele não confirmar o que está escrito no bilhete, eu vou embora e sumo da sua vida, Eddie – a Fernanda pediu. – Por favor, Seu Eddie, faz isso pra mim. Só esse favor, please.

– Promete que se o Zac não gostar do que estiver escrito aqui, você desaparecesse?

– Prometidíssimo – a Fer sorriu.

– Tá, espera aqui então que eu já venho.

Quando o Eddie saiu, a Fernanda tentou levantar. As pernas dela estavam formigando inteiras. Os outros seguranças estavam de olho nela, vigiando para ver se ela não iria fazer alguma loucura de fã fanática. O Eddie estava demorando para quem só fora entregar um bilhete. Ele não voltava nunca. Por que estava demorando tanto? Era só entregar e voltar, oras.

– Cadê o Eddie? – ela se perguntou.

– Deve estar vindo. Acalme-se, menina – o outro segurança ouviu.

Então a Fernanda se arrependeu totalmente. Era óbvio que aquilo tudo era mentira. A Priscila jamais conhecera o Hanson, tinha inventado tudo para a Fernanda só para se divertir às custas dela. E a menina que ela viu dentro da van não precisava ser necessariamente a Priscila. Podia ser qualquer garota. Uma prima, quem sabe... "Por que eu fui inventar de entregar bilhete?! Ai, que vergonha, que vergonha, que vergonha!" ela pensava.

– O Eddie está vindo, senhorita – um dos seguranças disse.

A Fernanda olhou para ele e viu que o Zac estava vindo junto. Ela quis morrer, sumir, desaparecer. Nunca sentiu tamanha insegurança. Estava tão confiante sobre tentar falar com o amigo, que esquecera completamente do que seria se desse certo. Eles vinham conversando, descontraídos, mas quando o local que a Fernanda estava foi ficando mais próximo, o Zac começou a olhar para ela com aquele olhar sério e curioso. Ela não sabia o que fazia, se dava um sorriso, se desviava o olhar... Ai, que sensação ruim de incerteza.

– Prontinho, kid, seu bilhete foi entregue – o Eddie disse.

– 'Brigada – nervosa.

O Zac ficou parado olhando para ela, analisando sério, sem dizer nada. A Fer não sabia o que fazer. Era muito estranho ver o Zac Hanson, assim, de tão perto. Até que ele abriu aquele sorrisão.

– Fãr? – ele disse, com sotaque. – I can't believe it...

Inacreditável mesmo era conhecer o Zac Hanson, isso sim.

– Então é você mesmo – a Fer disse, quase que num desabafo.

O Zac abraçou a Fernanda bem forte, como ele só fazia quando estava muito feliz mesmo. A Fernanda mal podia acreditar que tinha conseguido. Ela estava ali, na frente do Zac, conversando, finalmente, com ele. E olha, em pessoa ele era muito igualzinho à televisão. Só o cabelo dele que era um pouco mais loiro. Já o Zac, achou a Fer muito diferente das poucas fotos que ela tinha mandado para ele.

– É o cabelo – ela explicou. – Eu mudei.

Só que o gosto do Zac não o tinha permitido achar a Fernanda bonita. Ele achou ela bem normal, nada de muito "óóóó, que mulherão". Gostou do jeito de ela se vestir e só. Mas estava muito empolgado em conhecê-la ao vivo. Ele nunca tinha conhecido uma amiga da Internet antes. Ele não costumava fazer essas coisas que adolescentes modernos normais fazem.

– Nossa, eu tinha me esquecido completamente que você também morava aqui – o Zac falou.

– Puxa, Zac, valeu. Eu sei que eu sou assim, muito importante na sua vida, mas não precisa ficar repetindo, né querido? – ela brincou.

– Hehe, discupe. Não é nesse sentido que eu quis dizer...

– Ah, tudo bem, desencana... eu tava só brincando – a Fer sorriu. – Mas e aí? O que está achando daqui? É a tua primeira vez no meu país.

– Ah, Brazil is pretty cool... o problema são as garotas. Meu, como gritam, cara.

– Não é assim sempre. São você e os seus irmãos que despertam um desejo animalesco e psicopata nelas. Aliás, eu sou a prova viva disso. – Então a Fer apontou para um puta roxo no rosto dela.

– Uau... é mesmo, 'cê andou apanhando – o Zac falou num tom de deboche.

– E você tá com essa cara de "Putz, que tesão! A Fer apanhou!" por quê?

O Zac só riu.

– Você já apanhou alguma vez? Já? Aposto que não! Sabe como que é? Pois eu vou te falar como é. Dói muito e é humilhante!

Quando a Fernanda começava com esses ataques dela de falar e explicar e de provar alguma coisa que ela estava pensando, ela dava de falar muito. O Zac se matava de rir, porque a Fer começava brincando e terminava um pouco nervosa de verdade. Os seguranças só se olhavam, achando a menina muito esquisita.

– Fãr, cala a boca. – O Zac disse o nome dela com sotaque de novo. – Fala logo como 'cê tá.

– Ahm, claro... ah, tô bem. Tipo, tem umas regiões ainda meio doídas, mas nada de "nossa, que dor, que dor horrível, meu santo, que dor matadora, eu vou morrer, vai cair pedaço de mim, que dor "... – o Zac riu de novo do jeito dela. – Mas é, tá tudo em cima por enquanto.

– Ok, ok, dude. Eu acredito em você – ele sorriu. – Mas e aí, já jantou?

– Jantar? Zac, 'migo, faz um bom tempo que eu não sei o que é comida. Eu tô a mó tempão aqui nesse bendito hotel tentando falar com você.

– Nossa, sério?

– Não, é brincadeira. Claro que é sério! – a Fernanda brincou. Ela falava meio rápido por causa do nervosismo. – Seríssimo, aliás.

– Você teve de apanhar para falar comigo – o Zac fez cara de choro. – Nossa, isso é tão lindo. Nunca fizeram algo assim, tão incrível por mim. Obrigado, parceira. – Então ele abraçou-a. A Fernanda só ria.

– Tudo bem, Zac, calma, calma. Já passou. Haha.

Ele se recompôs e começou a rir baixinho por causa da situação toda.

– Nossa, você é igualzinha aos chats.

– É, você também. Você ainda lembra que nós somos parceiros, não lembra?

– Mas é claro, como que eu poderia esquecer of my dear partner? No way, man!

– Mmm... é bom mesmo.

– Mas e aí? Quer ou não quer jantar?

– Muito educado da sua parte, mas eu não sei se rola porque... bom, mesmo aceitando, eu não conseguiria comer de tanta vergonha – ela disse, bem sincera.

Oh, com'on! Você consegue, dude!

– Nah... 'brigada, Zac, mas acho que nem.

O celular do Zac tocou. Era o pai dele.

Oh, okay. I'm coming, dad. Bye. – O Zac desligou o telefone.

– 'Cê já terminou de jantar? – a Fer perguntou.

– 'Inda não. Por isso que eu quero que 'cê vá lá comigo. Aí eu vou comendo enquanto a gente conversa.

– Tipo que a tua família tá inteira lá. Ai, não. Melhor não. Imagine, que vergonha? Faz seguinte, janta lá, come com bastante calma, enquanto isso, eu fico aqui com o Eddie, trocando uma idéia com ele, coisa e tal... né Eddie?

– Ahm... tudo bem – o Eddie respondeu, um pouco sem pensar.

– Aí ó, viu? Aí depois que 'cê tiver jantado, eu e você conversamos. Tá?

– Ahm... tá bom. Então eu vou lá, daqui a pouco eu volto.

– Tchauzin'.

O Eddie olhou para a cara da Fernanda estranhando um monte. Ele havia gostado da garota, mas não confiava 100% nela.

– Viu? Eu não te disse que conhecia o Zac?

– É, eu tô vendo mesmo.

– Faz tempo que 'cê tá com eles, Eddie?

– É, faz um tempo sim... – com o mesmo olhar desconfiado.

– Ô Eddie?

– Fala, kid.

– Muito obrigada por ter me ajudado hoje lá fora com as fãs – a Fernanda agradeceu, séria. – Cara, se o senhor não tivesse me tirado de lá, nossa... eu provavelmente estaria no IML agora.

– Nossa, que exagero... mas de nada, anyway – o Eddie sorriu com aqueles dentes branquinhos dele.

– Exagero? Meu, sinceramente. Eu não sei o que o Hanson tem de tão diferente assim para fazer com que as fãs sejam muito mais apaixonadas do que o normal. Não existe fã no mundo mais apaixonada pelo seu ídolo do que fã de Hanson.

– É que os moleques são muito gente boas. Acho que isso os diferencia de certa forma dos outros grupos.

– Mas todos os grupos são simpáticos.

– Eu sei, mas o Hanson te faz sentir próximo a eles. Parece que eles são legais, dá vontade de ser amigo deles – o Eddie disse, todo sério.

– Uau... nunca tinha pensado nisso. Como você chegou a essa conclusão?

– Uma fã deles um dia me disse.

A Fernanda achou graça e riu. O Eddie começou a rir da risada alta dela, meio escandalosa. Mas o tio da portaria acabou com a festa e pediu que eles fizessem silêncio. O Eddie ficou muito sem graça e fechou a cara, fazendo aquela expressão básica de segurança de gente famosa.

Não demorou muito, o Zac apareceu. Saiu do elevador, todo poderoso, com aquela pose. A Fernanda ficou olhando, achando meio esquisito, até que saíram o Taylor e o Isaac junto. Aí ela entendeu o por quê de tanto exibicionismo.

– Fãr... – o Zac falou com sotaque de novo. – Trouxe os meus irmãos pra te conhecer.

– É, eu notei – ela disse. – Oi, gente.

O Taylor sorriu e cumprimentou a Fernanda muito simpático. Já o Isaac ficou olhando para ela com aquela cara de comedor que ele fazia toda vez que ia com a cara de uma menina.

– Oi, Fãr – o Isaac disse. – E aí? Beleza? – fazendo aquela pose de gostoso.

– Tudin' – ela disse, sorrindo.

– Que bonito o seu sorriso.

– Ahm... 'brigada – ela agradeceu, sem jeito.

O Zac conhecia o irmão mais velho que tinha e por causa disso, achou um pouco de falta de respeito da parte dele dar em cima da Fernanda já de cara. Mas não disse nada, porque vai que ela estava gostando, não é?

– Então era você que estava sendo esmagada contra o vidro? – o Taylor perguntou.

– Pois é...

– E tudo para tentar falar com o Zac? – o Isaac perguntou.

– É que eu queria muito falar com ele.

– Nossa, Zac... até que enfim uma mulher bonita atrás de você – o Isaac provocou.

O Zac só olhou para o Isaac com aquela cara assassina. O Taylor deu uma tossida para disfarçar e continuou com as perguntas:

– Você ficou o dia todo tentando falar com ele?

– Uh huh – a Fernanda fez que sim com a cabeça.

– Nossa, mas por que demorou tanto? – o Taylor perguntou.

– Porque ela já estava planejando levar umas porradas das fãs – o Zac tirou com a cara do Taylor. – Dãã, Taylor, por que será que ela não conseguiu falar com a gente?

– Ok, ok... – o Taylor falou, meio bravo. Odiava quando o Zac tirava sarro da cara dele.

Nossa, a Fernanda ficou indignada como o Taylor era lindo. Parecia um boneco de tão perfeitos que eram os traços dele. Porém, era um pouco magro demais. A Fernanda não era chegada em garoto magro. Preferia os mais fortinhos. O Isaac era mais ou menos de corpo. Ela o achava feio pela televisão, mas ao vivo, nossa, totalmente diferente. Muito mais bonito. Até o olho dele era mais claro em pessoa do que na TV. "Ele não é nada fotogênico, é isso" a Fernanda pensou.

– Fãr, não tá afim de conhecer o hotel? Eu te levo... – o Isaac sugeriu, cheio das intenções.

Uma coisa que deve-se saber é que, além de ser bem estressado, o Zac era bastante ciumento. Mas muito mesmo. Ele já não estava gostando daquela intimidade toda deles com a Fernanda, que era amiga dele. Foi ele quem conheceu a Fernanda, foi ele quem apresentou-a para eles, portanto, a amiga era dele!

– Não sei... se o Zac for... – ela disse, já que era só o Zac que ela conhecia bem ali. Ele adorou esse comentário.

– Eu acho melhor EU mostrar o hotel pra Fernanda. – Então o Zac cochichou com o Isaac. – Senão é capaz de ela voltar grávida do passeio.

A Fernanda olhou para o Zac com aquela cara de quem estava tentando descobrir o que o Zac tinha dito, mas ele logo sorriu, tentando dizer que não era nada demais.

– Vem, Fãr, vamo' lá pra piscina. Acho que 'cê vai gostar de lá – o Zac disse, puxando a Fer.

Mas se o Zac estava pensando em se livrar do Isaac, podia esquecer porque ele já tratou de seguir os dois. O Taylor foi junto, mas este não tinha problema porque o Zac sabia que o Tay conversava que nem gente normal. Não ficava dando em cima e dizendo coisas desagradáveis como o Isaac. Não que o Zac quisesse ficar sozinho com ela, nada a ver, mas ele não achava apropriado o tipo de indireta que o irmão mais velho dele ficava soltando. Mas claro que é por ciúmes também, porque, como eu já disse, o Zac tinha muito ciúmes das pessoas que ele gostava.

– Mas então, Fãr... quantos anos 'cê tem? – o Taylor quis saber.

– Dezesseis – sorrindo.

– Dezesseis?! – o Zac se assustou.

– Ué, 'cê num sabia? – a Fernanda perguntou.

– Não, eu jurava que 'cê tinha a minha idade e da Priscila.

– Nah...

– Dezesseis? Puxa, eu também achei que você tinha menos idade – o Ike falou. – Melhor assim.

– Ahm... tá – ela disse, sentindo-se desconfortável.

Então eles sentaram-se nas cadeiras que tinha ao redor da piscina para conversarem. Passado um tempo, o Taylor e o Isaac começaram a ficar com sono. Deram boa noite e subiram para o quarto dormir. A Fernanda emprestou o celular do Zac e ligou para a sua mãe para avisar que estava tudo bem. A Mariliz começou a berrar no telefone, preocupada, achando que a filha estava morta ou algo assim.

– Mãe, calma... eu tô aqui com o Zac, tô bem – ela dizia. – Será que 'cê pode vir me buscar mais tarde? Sério? Aê, 'brigada.

Depois disso, eles ficaram conversando só coisa inútil, exatamente do mesmo jeito que eles ficavam nos chats, pela Internet. A Fernanda às vezes falava umas coisas erradas com o inglês básico dela e o Zac se matava de rir.

– Ai, Zac, desculpe... putz, eu preciso estudar mais. Meu inglês é uma bosta!

– Nah... nem é.

– Não, 'magina... é o teu inglês que é podre, sabe – ironizando.

– Eu também digo umas coisas erradas... Mas eu não ligo. Eu sou burro mesmo, that's ok.

Claro que eles falaram de coisas mais importantes, mas a maioria das conversas eram do tipo:

– Zac, sabe a música Look at You?

Look at you...? Não estou me lembrando...

– Zac, fala sério!

– O que você acha, Fãr? Dãã... hehe...

– Tá, então... o que você diz naquela parte da música que nenhum ser humano é capaz de entender uma palavra?

O Zac riu.

– A parte do grito? Você acha que eu me lembro?! I don't think so...

– É que eu entendia Sex Drugs ou alguma coisa assim...

Putz, aí o garoto soltou uma puta gargalhada.

– Seu pervertido! – ela brincou.

– Por favor, não diga isso! Fãr, eu tinha 10 anos naquela época!

– 10 anos?!

– É! Middle of Nowhere foi gravado em 96. Eu tinha 10, quase fazendo 11.

– Aaaah... entendi.

– Eu era um santo, um anjo! Jamais poderia dizer Sex drugs!

– Claro... um santo... e eu sou Jesus...

– Por quê?!

– Porque você é um pervertido!

– EU?!? POR QUÊ?! Eu sou um santo! Eu sou tão pequenininho... – com cara de coitado.

– Ah, claaaaaro... suuuure... – rindo.

– Eu nunca beijei uma garota – ele parou um minuto. – Wow... isso não vai funcionar.

Aí a Fernanda não agüentou e se matou de tanto que ria.

– Hehe... oi, Jesus – ele disse, confirmando a mentira dele.

– Bem que eu desconfiava mesmo... você é muito miudinho para já ter beijado – a Fernanda disse, ironizando os 1,74 do Zac e o corpão enorme que ele tinha. Ele riu muito.

– Mas Fãr, muita gente acha que eu nunca beijei. As fãs principalmente.

– É, eu sei... tsc, tsc...

– Ah, deixe elas pensarem assim.

– Zac, como você é malvado!

E eles ficavam nessas conversas um tempão. Só falando besteira e rindo muito.

– Zac, pára de falar besteira! Minha boca tá doendo já! – a Fer dizia, rindo.

– Aaaaah!! Eu sei o que você fez o dia inteiro!! Por isso que tá com a boca doendo!

– Ai, meu santo... mereço isso... – ela ria mais.

Tinha esse lado do Zac que ela já conhecia bem dos chats. Ele era muito infantil às vezes. Quando ele usava esse lado para brincar, a Fer nem se incomodava. Problema mesmo era quando ele resolvia ser infantil para resolver coisas sérias. Aí era um saco, porque ele tornava-se muito criança.

– Qual é a primeira coisa que você nota em um menino? – ele perguntou.

A Priscila já tinha comentado com o Zac sobre a Fernanda gostar muito de bocas. É que antes de saber de toda a história da Priscila com ele, a Fernanda vivia falando da boca do Zac Hanson para a Pri. Ela amava menino com boca grande. O Zac sabia disso. Não tinha por quê perguntar.

– Ahm... sei lá... – ela disse, sem graça.

– Já sei, 'cê nota a bunda – o Zac fingiu que não sabia.

– Nah... nem.

– Então o quê? A boca? – dããã! – O nariz? As orelhas?

– Boca.

– Bingo!

A Fernanda já tratou de mudar de assunto. E foi ficando cada vez mais tarde e eles cada vez mais entretidos na conversa. Até que o celular do Zac tocou. Ele falou um pouquinho e já desligou.

– Ops. Fãr, bad news.

– O que foi?

– Eu tenho que ir.

– Ah, não! Por quê?

– Eu já tô aqui embaixo faz muito tempo. Meu pai vai me matar.

– Aaah, entendo. Tudo bem então – com uma expressão triste.

– Calma, não chore...

– Não tô chorando, seu convencido – ela disse, batendo no ombro dele.

Ele riu.

– Metido... – ela sorriu. – Tá, 'xô ligar para a minha mãe então.

– Liga aê.

A Fernanda digitou uns números no celular do Zac, falou com a Mariliz e os dois foram logo para a frente do hotel. Tinha umas meninas dormindo na calçada e nem viram quando o Zac saiu pela porta principal do hotel e levou a Fer até o carro para se despedir.

– Tchau, Zac. Foi muuuuito legal falar com você, parceiro.

– Amanhã a gente se fala. Tó, fica com o número do meu celular – estendendo um papelzinho com um número de telefone. – Aí, qualquer coisa, me liga.

– Ah, valeu.

– Você me dá o número do seu também? Aí, qualquer coisa, eu te ligo.

– Claro, pera...

A Fernanda pegou um papel e uma caneta com a mãe dela, escreveu o número e deu para o Zac.

– Não é celular, porque eu não tenho um, mas é o número da minha casa – a Fer disse.

Então disseram tchau mais uma vez, ela entrou no carro, o Zac entrou de novo no hotel e ela foi embora. Uma fã até acordou e viu o Zac passando por ela, mas chacoalhou a cabeça e voltou a dormir, achando que estava sonhando.