Quando a gente não quer esquecer alguma coisa de jeito nenhum e sente que a memória não será o suficiente para guardar por todo o sempre, a gente costuma escrever. E é isso que eu vou tentar fazer. Só que eu não garanto que vá conseguir lembrar de cada detalhe, porque a história é longa. Falando nisso, você não quer sentar, não? Senta e pega alguma coisa para comer porque o negócio aqui vai longe. Ah, se você for passar pela dispensa, traz um pacote de bolacha recheada para mim? Obrigada.

Estas são a Sharon e a Ariela. Ops, Ariela é com dois L’s. Ariella. Então. É com elas que vocês vão ficar durante todos os fatos que eu vou contar. Foi com elas que tudo aconteceu. São grandes amigas, mas isso não significa necessariamente que elas se dão super bem. Uma é o oposto da outra. Mas mesmo assim, não se desgrudam.

A Sharon pode ser resumida em uma palavra só: timidez. Acho que tá para nascer alguém tão tímida quanto ela. Eu, para me aproximar dela, foi um sacrifício. Ela não queria falar comigo de jeito nenhum por vergonha. Outra coisa sobre esta menina é que ela é um pouco devagar. Digamos que ela demora um pouco para associar as coisas, mas isso só acontece quando ela está com sono. Tem vezes que ela está falando alguma coisa e pára no meio porque esqueceu do que era o assunto, ou chega a pensar em dizer algo, mas esquece antes de começar a falar. "Ah, esquece..." ela sempre diz. Mas essas coisas são apenas detalhes da personalidade dela porque não é isso que realmente chama a atenção na Sharon. Ela é uma pessoa muito querida. Você não precisa conversar muitas vezes com ela para já considerá-la uma grande amiga. O mais engraçado é que ela não se esforça para isso. Não é daquelas pessoas tipicamente famosas, que fazem sucesso com as outras pessoas a sua volta por determinada característica de sua personalidade ter mais destaque. Não, não. A Sharon é do jeito dela e todo mundo a adora talvez por ela ser assim. Ela é alguém diferente, que não se está acostumado a ver todo dia. Completamente ela. E sem querer, ela acaba conquistando todo mundo. Se ela tivesse aqui agora, provavelmente diria: "Nossa! Nossa! Nossa!" e todos os "nossas" ela diria bem rapidinho, quase que um atropelando o outro.

A Ariella, como eu disse, é bem diferente da Sharon. Essa menina é muito elétrica. Daquelas pessoas que já mostram como é de primeira sem vergonha nenhuma. Quando eu conversei com ela pela primeira vez, eu lembro que eu até me assustei um pouco com a facilidade que ela teve de falar comigo, sendo que aquela era a nossa primeira conversa. A Lella (esse é o apelido dela. Mmm... isso rimou. Lella, dela...) é agitada. Não pára de falar e ainda fala rápido. Eu considerava boa a minha capacidade de pegar as coisas no ar, até eu conhecê-la. Como essa menina fala rápido. E é bem empolgada. Ri bastante, não tem dificuldades para se mostrar e, se está com algum problema, ela provavelmente não vai ter muita dificuldade em falar disso com você. Normalmente, fala o que tá pensando e tem uma incrível facilidade para conseguir o que quer. Se isso é sempre bom, eu não sei. A Lella é uma pessoa muito especial também, porque com esse jeito maluco dela, acaba conquistando muita gente. E até hoje eu nunca vi ninguém falar coisas negativas a respeito delas.

Certo dia, elas duas reuniram-se na casa da Sharon para ver o clip novo da banda Hanson que ia estrear na MTV. Nossa, pode-se dizer que elas eram completamente apaixonadas por esses meninos. Muito mesmo. Então a apresentadora começou a apresentar o clip, falando primeiramente um pouco sobre ele.

Apresentadora >> "Então vamos logo conferir o novo clip do Hanson, If Only."

As duas já ficam nervosas por antecipação. A Sharon começou a ter os ataques dela de falta de ar a Ariella gritava muito. Ela gritava tanto, tanto, que até o Hanson, lá dentro do clip, escutou.

Sharon >> "Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus!" – falando bem rapidinho.

Ariella >> "AAAHH!"

O começo do vídeo elas até conseguiram pegar. Se não fosse pelo detalhe da luz ter acabado bem na hora, quando a primeira cena de Taylor, o Hanson do meio, apareceu. As duas levantam ao mesmo tempo.

Sharon >> "Tá, diz que isso faz parte do clip!"

Ariella >> "Não, não, calma! Eu não tô acreditando! Não pode!"

Sharon >> "Como issú??"

Ariella >> "Eu não acredito! Mas que merda! Que raiva!"

Sharon >> "Aaah, tinha que ser nesse país mesmo!"

Ariella >> "Tá, e agora??"

Sharon >> "Como é que eu vou saber?!"

Ariella >> "A gente tem que fazer alguma coisa!"

Sharon >> "Ah, jura??" – irônica.

Ariella >> "Droga! Eu queria ver o clip no dia estréia, saco!"

Sharon >> "Só você, né..."

Ariella >> "Mas e se a gente..."

A luz volta. A TV liga. Aparece então o final do clip, com Zac, o menor dos Hanson, fechando a porta de uma espécie de trailler, daqueles de viagem.

Sharon >> "Aaaahhh!!" – olhando para a televisão.

Ariella >> "Ai, que lindooo!!!" – quase chorando.

Sharon >> "Eu quero ver inteiro, saco!"

Ariella >> "Mmm... e se a gente fosse lá na MTV?"

Sharon >> "Tá louca?"

Ariella >> "Não, ué!"

Sharon >> "O que a gente vai dizer quando chegar lá? ‘Oi, com licença, a luz lá em casa acabou e, tipo, nós perdemos a estréia do clip novo do Hanson. Será que vocês podiam, se não for incomodar muito, parar a programação e passar o clip de novo?’ Ariella, num viaja!"

Ariella >> "Eles não precisam passar o clip de novo na televisão. É só passarem pra gente, Sharon."

Sharon >> "Não! Imagina, Ariella, que vergonha! É claro que nunca vão passar! Nossa, nossa, nossa, nossa..."

Ariella >> "Vamo’ lá, Sharon! Eu que vou falar tudo! E a gente já foi lá um monte de vezes! O que é que tem?"

Sharon >> "Ai, tá... mas vamos amanhã. Agora eu tô com sono..."

Ariella >> "Sharon, eu não acredito! Você vai dormir?!"

Sharon >> "O que é que tem?! O Zac num vai tá lá pra ver o clip com a gente, mesmo..."

Ariella >> "Ai, meu Taylor..." – suspirando – "Mas eu quero ver agora!"

Sharon >> "Ariella, que diferença vai fazer você ver hoje ou amanhã?"

Ariella >> "Toda do mundo! Eu preciso ver esse vídeo ainda hoje!"

Sharon >> "Mas não dá pra nós irmos até a MTV em plena dez da noite!"

Ariella >> "Tá, amanhã então! Depois do colégio."

Sharon >> "Okay."

E dia seguinte, Ariella não parava de falar do assunto. As duas estavam sentadas conversando na sala.

Sharon >> "Ariella, a gente vai! Calma!"

Alynne >> "Aonde?"

As duas se olharam não sabendo se deveriam contar.

Sharon >> "Ah, nada. Num lugar aí, vai..."

Ariella >> "É, hehe."

Alynne>> "Que lugar?"

Bate o sinal.

Ariella >> "A gente tem que ir, né Sharon?"

Sharon >> "É, pois é..."

Começo bobo para uma história que eu prometi ser daquelas que não queremos esquecer, né? O que eu posso fazer se foi assim que ela começou? Ela começa com vidas normais, por isso pode estar soando um pouco bobo. Mas ela não é boba. Não exatamente. Ela está, por enquanto, normal. Acho que eu deveria dar uma enfatizada nesse "por enquanto", mas deixa para lá... continuemos.

Na frente do colégio, elas combinavam algumas coisas.

Ariella >> "Vamo’ agora?"

Sharon >> "Nossa, demorou já!"

A Ariella saiu quase que carregando a Sharon pela rua. Aliás, era quase sempre assim quando ela queria alguma coisa e a Sharon não estava muito afim de participar. Às vezes até saía umas brigas, mas nada que durasse muito tempo.

Elas foram andando pela rua conversando. Os estúdios da MTV era um pouco longe, então elas precisariam andar um pouco.

Sharon >> "A gente tem que necessariamente ir a pé?"

Ariella >> "Ah... é que daí, tipo, a gente chega lá bem cansada, eles vão ficar com pena e vão passar o clip pra gente."

Eu não me lembro muito bem se foi mesmo a pé que elas foram para os estúdios. Talvez tenha sido uma carona, não me lembro muito bem. Não! Espera! É, foi de carona! É isso! Quando elas ainda estavam no colégio, com a amiga delas, a Alynne.

Ariella >> "Alynne, você mora longe, né?"

Alynne >> "Perto da MTV, ‘cê sabe disso."

Ariella >> "Será que a sua mãe podia deixar a gente lá?"

Alynne >> "Claro. ‘Bora."

Mmm... as pessoas não costumam ser assim tão legais quando precisamos de favores delas. "Claro. ‘Bora!". Isso está muito simpático. É, acho que a Sharon e a Ariella foram mesmo a pé.

Sharon >> "A gente tem que necessariamente a pé?"

Ariella >> "Ah... é que daí, tipo, a gente chega lá bem cansada, eles vão ficar com pena e vão passar o clip pra gente."

Sharon >> "Tá, mas agora que o clip já estreou e a gente não viu, será que não seria mais inteligente esperar até começarem a votar e ele entrar na parada?"

Ariella >> "Isso demora muito, Sharon."

Sharon >> "Ai, meu Zac..."

E elas continuam andando. Quando finalmente chegam aos estúdios, elas falaram com as pessoas que precisavam falar para entrar e...entraram. Não era a primeira vez que estavam indo até lá. Sempre visitavam o lugar e conversavam com os apresentadores.

Ariella >> "Tá, agora a gente vai pra onde?"

Sharon >> "Mmm... vamos andando que a gente já acha alguém pra perguntar."

Quando um deles passa correndo.

Ariella >> "Edgaaard! Ôôô! Esperaaa!"

E não é que o Edgard parou mesmo?! Ele voltou um pouco até elas, sorrindo simpático.

Edgard >> "Oi, tudo bem?"

Ariella >> "Oi." – sorrindo – "Olha, eu sei que ‘cê tá meio ocupado, mas será que ‘cê podia dá uma ajudinha pra gente?"

Edgard >> "Não garanto que eu vá poder ajudar, mas fala aê."

Sharon >> "É que a gente perdeu o clip do Hanson ontem, quando estreou. Será que não tem como vocês mostrarem o clip pra gente?"

Edgard >> "Ele logo vai estar na parada do Disk, então..."

Ariella >> "Não, ‘cê não ‘tendeu o que eu disse. A gente perdeu o clip no dia da estréia!"

Sharon >> "Precisamos ver esse vídeo hoje, sem falta!"

Edgard >> "Tá, espera... vamos ver se eu entendi. Vocês duas perderam o vídeo e vieram até aqui para pedir para a nossa produção para passar pra vocês?"

Ariella >> "Exatamente."

Sharon >> "Ahan."

O Edgard começou a rir, claro. O que elas queriam parecia meio absurdo, não acham? Mas quando o assunto era Hanson, dá para dizer que elas faziam acontecer mesmo.

Edgard >> "Desculpe, mas..." – rindo ainda – "Isso é impossível."

As duas permanecem olhando para ele sérias. Os risos do Edgard foram passando e ele começou a se sentir desconfortável com aqueles olhares delas. Então a Ariella começou a chorar. Abrir o berreiro mesmo. É claro que ela estava fingindo.

Sharon >> "Viu o que você fez?!" – olhando para o Edgard com cara feia, abraçando Ariella pelo ombro.

Ariella >> "Eu quero ver o clip hojeee!! BUÁÁÁ! Eu pensei que tratavam a gente melhor aqui!! BUÁÁÁÁ!! Olha o tipo de consideração vocês têm pelas fãs que chegam aqui, desesperadas!! BUÁÁÁ! Eu quero só ver um clip, isso é demais??!!" – forçando para as lágrimas caírem.

Edgard >> "Tudo bem, calma, calma... olha, faz o seguinte. Eu vou tentar fazer o pessoal passar o clip hoje no Disk, tá?"

Ariella >> "BUÁÁÁÁÁÁÁ!!"

Sharon >> "Calma, Ariella, calma..." – olha para Edgard – "Não tá adiantando."

Edgard >> "Por favor, pára de chorar, tá todo mundo olhando." – olhando ao redor, nervoso.

Ariella >> "A gente quer assistir ao clip!! BUÁÁÁÁÁ!!!"

Sharon >> "Faz alguma coisa rápido senão ela não vai parar de chorar!"

Edgard >> "Tá, tá, calma!" – Ariella pára um pouco – "Tá, então venham comigo que eu vou ver o que eu posso fazer."

Puxa, você não fica impressionado com essas coisas? Como é que elas fizeram isso? Elas conseguiram mesmo algum tipo de atenção. Fala a verdade, você achou que elas não conseguiriam, né? Tudo bem, pode falar. Eu admito que quando eu ouvi esta história, eu tive certeza que elas não conseguiriam. Eu não sei se eu teria coragem de fazer alguma coisa assim... na verdade, eu tenho certeza que eu não teria coragem de fazer alguma coisa assim.

Bom, depois que o Edgard pediu para que elas fossem com ele para algum lugar (seja ele qual fosse, era boa coisa), as duas se olharam e abriram aquele sorriso. Elas foram seguindo, ele andava mais na frente. Até que ele parou para conversar com uma mulher, bem mais velha. Parecia que ela tinha algum tipo de autoridade ali. Eles conversavam meio baixo.

Mulher >> "O quê?!" – isso deu para ouvir bem.

Edgard >> "É, elas querem ver o clip."

A mulher olha para as duas ajeitando o óculos de grau, enrugando a testa. As duas sorriem.

Mulher >> "Tudo bem Edgard, pode ir. Deixa que eu cuido disso."

O Edgard saiu dali sem nem dar tchau, todo bravo, suspirando nervoso.

Sharon >> "Escroto."

Ariella >> "Hehe."

Mulher >> "Oi." – séria.

Sharon & Ariella >> "Oi."

Mulher >> "Então quer dizer que vocês duas querem assistir ao clip do Hanson?"

Sharon >> "É."

Mulher >> "Minhas queridas, essa é uma emissora de televisão séria. Nós não temos tempo para esse tipo de coisa aqui. Pessoas sérias e competentes trabalham aqui. E além do mais, se nós formos atender a toda garotita que aparece aqui pedindo um clip..."

Sharon >> "Eu não sei se você sabe, mas essa gente que você diz que é séria, é também muito antipática! Você já tentou chegar aqui como visitante?? Tratam a gente muito mal! Todo mundo aqui tem cara de bunda!"

Ariella >> "É! E nós só viemos aqui porque é caso de urgência! A gente precisa ver esse clip hoje!"

Sharon >> "Por isso, está no nosso direito ver esse clip! Para compensar todas as vezes que trataram a gente mal aqui!"

Ariella >> "E se vocês não passarem o clip pra gente, a gente é capaz de destruir a MTV na base do grito!"

Mulher >> "Calma, calma!"

A mulher suspirou, mexendo em seu cabelão crespo e desengonçado, arrumando os óculos de novo. Devia ser algum tipo de tique, sei lá.

Mulher >> "Nossa, que agressividade..." – respirou fundo – "Tudo bem, venham comigo que eu vou ver o que posso fazer."

Elas se olharam de novo e sorriram. Foram seguindo aquela mulher até uma espécie de sala de reunião. Lá haviam muitas pessoas conversando, fumando e alguns clipes passavam numa televisão sobre uma estante. A mulher dos tiques estranhos pede para que elas sentassem. Todos ali param de falar e olham para as duas. Um homem com umas olheiras muito fundas ri de leve e olha para a mulher.

Homem das olheiras >> "Martinha, quem são essas duas?"

Ah, então o nome dela era Martinha. Martinha, a mulher dos tiques bizarros. Credo...

Martinha >> "Ah, elas? Elas são duas fãs de Hanson que exigem assistir ao clip deles que estreou ontem." – sentando-se.

Homem das olheiras >> "O quê?!" – ameaçando rir.

Martinha >> "É..." – olhando para as duas; volta a olhar o homem das olheiras – "Cadê o Viana?"

Homem das olheiras >> "Tá dirigindo uma gravação no estúdio 4. Vai lá falar com ele."

Martinha >> "É, eu vou mesmo..." – olhou para as duas – "Venham."

E lá foram elas atrás do Viana, no estúdio 4. Entraram. Estava um silêncio básico, porque estavam gravando. A tal da Martinha encostou na parede para esperar. A Sharon e a Ariella fizeram o mesmo.

Sharon >> "Quem é o Viana?" – cochichou com a amiga.

Ariella >> "Sei lá."

Então um cara gritou para que parassem com a gravação. Provavelmente deveria ser o Viana. Quando ele viu a tal da Martinha, se aproximou todo sorrindo, simpático e a beijou no rosto.

Viana >> "Martinha, meu amor..." – parecia estar brincando.

Martinha >> "Olá, meu querido." – sorrindo.

Viana >> "E aí, Martinha, o que eu posso fazer por você?"

Martinha >> "Bom, Viana, é o seguinte... essas duas garotitas aqui..."

A Sharon espremeu os olhos quando ela falou "garotitas". Era muito irritante aquilo.

Martinha >> "...são fãs de Hanson."

Viana >> "Ah, é mesmo?" – olhando para elas e sorrindo. O Viana parecia ser mais gente boa.

Martinha >> "E elas querem muito assistir ao clip do Hanson que estreou ontem."

Viana >> "Por que vocês não assistiram em casa?"

Ariella >> "A luz acabou lá em casa e a gente perdeu o clip todinho."

Viana >> "Sei, sei... e não conseguem esperar até ele ir pro Disk?"

Sharon & Ariella >> "Não!"

Viana >> "Nossa!"

A tal da Martinha olhou para o Viana gente boa e fez cara feia.

Viana >> "Mmm... bom, eu acho que eu posso ajudar vocês duas." – olhando para Martinha – "Martinha, minha querida, pode deixar que dessas duas aqui eu cuido." – sorrindo.

Martinha >> "Boa sorte." – beijando o Viana no rosto e saindo então do estúdio.

Viana >> "Qual é o nome de vocês?"

Elas disseram.

Viana >> "Sharon e Ariella... que nomes interessantes."

Sharon >> "Viana também é interessantíssimo."

Viana >> "Bom, deixe me ver... vocês querem o clip do Hanson, né?" – olhando ao redor – "Venham comigo."

Ariella >> "Moço, por favor, a gente já seguiu tanta gente que ‘tamos ‘té zonzas!"

Sharon >> "Quando que a gente vai ver o clip do Hanson de verdade??"

Viana >> "Se tudo der certo, agora."

Sharon >> "Aêêê!"

E elas seguem o Viana, que era bem gente boa, até uma outra sala com uma televisão e mais um monte de gente. Ele pediu para que elas sentassem e esperassem um pouco. Então ele saiu para procurar a fita do clip.

Ariella >> "Se esse homem demorar muito, eu acho que eu sou capaz de fazer um escândalo!"

Sharon >> "O pior é que... ah, esquece, vai..."

A Ariella já estava acostumada com o jeito da Sharon de não terminar 90% das frases que ela falava. Nossa, eu não agüento isso. Se fosse eu, tinha implorado para a Sharon falar até que ela falasse. Eu não sei como a Ariella conseguia ficar tão calma com isso. Aaahh! Ahm, quer dizer, continuando...

O Viana gente boa demorou mais de meia hora para aparecer lá com a tal da fita. Eu acho que ele já não era mais tão gente boa assim...

Sharon >> "Cara, cadê esse homem??"

Ariella >> "Meu, deve ter morrido no caminho!"

Foi quando o Viana entrou na sala. E com uma fita nas mãos. Quando a Sharon e a Ariella viram aquilo, pareceu que o mundo tinha parado, que tudo o que elas tinham esperado tivesse passado bem rapidinho. E lá estava a recompensa, nas mãos do Viana que voltou a ser gente boa naquele momento. Então ele foi caminhando até elas. Aquela cena parecia camera lenta. Lenta, lenta, lenta... até que parou. E ele entregou a fita para uma outra mulher que estava ali.

Mulher >> "Ah, finalmente, Viana." – pegando a fita.

Viana >> "De nada, Valéria." – olhou então para a Sharon e para a Ariella, que a essas alturas já estavam quase verdes – "Ah, a de vocês já vem."

Sharon >> "Já vem?? Como assim ‘já vem’?? Você disse que ia buscar a fita, demorou um monte e..."

Alguém entrou interrompendo a Sharon. Ela achou ruim. Também, ela nunca terminava as frases. Quando resolveu que falaria uma até o final, completinha mesmo, alguém entra e corta a garota. Era uma mulher que entregou outra fita para o Viana, que agora era mais ou menos gente boa, e saiu.

Viana >> "Prontinho, meninas, aqui está."

Ariella >> "Então coloca logo!"

As duas levantaram juntas e foram para a frente da televisão que tinha ali na sala. Ele colocou a fita e apertou Play. E o clip começa. Nossa, não precisa nem dizer a gritaria que elas fizeram quando o Taylor, o Hanson do meio, apareceu tocando uma gaitinha dentro do trailler que eles e um pessoal estavam viajando.

"Every single time I see you I start to feel this way..."

O Viana achou graça do nervoso delas assistindo o clip.

"Makes me wonder if I’m ever gonna feel this way again..."

Então uma mulher entrou na sala. E se aproximou bem do Viana para falar alguma coisa que parecia ser bem secreta. Elas não prestaram muita atenção.

"There’s a picture and it’s hanging in the back of my head. I see it over and over..."

A Sharon e a Ariella estavam quase morrendo do coração ali. Era muito Taylor e muito Zac para elas agüentarem. A Sharon começou a ter uns ataques de falta de ar. A Ariella não conseguia parar de bater na Sharon enquanto assistia ao clip. Isso porque a menina estava passando mau. Mas tudo bem, vai entender... O Viana continuava conversando com a mulher bem baixinho.

"I wanna hold you and love you in arms and then. I wanna need you cos i need to be with you ‘til the end..."

Foi quando apareceu os meninos tocando num deserto beeem empoeirado. E tinha muito adolescente fazendo bagunça, dando aquela idéia de turma. Sabe como são esses clipes que têm turma, né? Todo mundo é bonito, todo mundo têm namoros bem sucedidos e se não tem, já está providenciando (com alguém da turma, claro), todo mundo é legal, todo mundo é independente... No caso do clip, os papais e mamães do pessoal deixaram os seus filhos queridos irem para o deserto com os seus instrumentos musicais, que eles provavelmente pagaram uma fortuna, sem problema nenhum. E o mais fofo é que foram só os adolescentes, com um bando de motos. Pois é, um clip extremamente realista, que acontece todo dia. Eu mesma já fui para o deserto com os meus amigos. A diferença era que a gente se perdeu no caminho, todo mundo era baixo, magro, gordo ou alto demais, e eu não tinha instrumentos musicais para levar. Ah! E ninguém tocava gaita. Ah não, tinha um menino que tocava cavaquinho. Serve? Bom, mas voltando à história.

A conversa do Viana parecia bem séria. As duas estavam bem concentradas no Taylor, sentado na porta do trailler, cantando todo lindo. Foi quando a mulher que conversava com o Viana citou o nome "Hanson". Aí a Sharon já acordou. E começou a prestar atenção no clip e na conversa, tudo ao mesmo tempo. Só que não estava dando muito certo, porque era muito informação, tudo junto.

Sharon >> "Ariella, psiu!" – cochichando.

Ariella >> "Quê??!" – quase morrendo, olhando para a TV.

Sharon >> "Olha aqui!"

Ariella >> "Agora não dá!"

Sharon >> "O tio ali tá falando de Hanson."

Ariella olhou séria para a Sharon.

Ariella >> "Falando o quê?"

Sharon >> "Como é que eu vou saber?? Por isso que eu quero que ‘cê preste atenção na conversa junto comigo."

Ariella >> "Mas e o clip...?"

Sharon >> "A gente vê de novo depois. Agora presta atenção ali."

E elas ficaram quietas, olhando para a televisão, mas tentando entender sobre o que o Viana e a mulher conversavam de tão secreto. Algumas partes elas perderam e o resto elas não entenderam.

"If only I had the guts to feel this way..."

Só no final da conversa, elas entenderam uma frase.

Mulher >> "E parece que a Martinha quer que uma fã entreviste o Hanson."

A Sharon e a Ariella deram um pulo do sofá. E gritaram juntinhas.

Sharon & Ariella >> "Quê?!"

A mulher se assustou. Também, o grito que elas deram foi muito alto.

Viana >> "Você deveria ter dito isso mais baixo." – olhando para a mulher.

Faz o seguinte, como ficar chamando a mulher de "mulher" é meio desagradável e repetitivo, eu vou inventar um nome para ela. É que não me falaram nem sequer que ela tinha um nome quando me contaram essa história. Pode ser... Gumercinda? Não, talvez um mais sonoro... Vânia. Faz de conta que é Vânia. Não, mas Vânia é muito parecido com Viana e periga eu confundir. Quem sabe... Flávia. Pode ser? Então tá. É Flávia.

Flávia >> "Mas eu não sabia que essas meninas eram..."

Sharon >> "Vocês tão procurando fãs pra entrevistar o Hanson??!"

Ariella >> "Vocês estão com muita sorte. Acabaram de achar." – sorrindo cínica.

Viana >> "Mas meninas, eu acho que isso vai ser uma promoção."

Flávia >> "A Martinha não quer promoção. Ela disse que não tá com saco de organizar."

Sharon >> "Viu, Viana, é melhor ‘cê ouvir a Martinha. Nada de promoções." – sorrindo.

Viana >> "A Martinha disse isso, é?"

Flávia >> "Disse sim. Ela não quer promoções nem que têm que avaliar coisas, ou escolher a tal coisa mais criativa, ou mesmo de sorteio. Ela não quer mesmo."

Viana >> "Mmm... entendo."

Ariella >> "Viana, sério. Por que você sair atrás de fãs para entrevistar o Hanson, sendo que têm duas aqui na sua frente?"

Sharon >> "E ainda: extremamente dispostas a fazer essa entrevista."

Viana pensou um pouco.

Viana >> "Pra quando a Martinha quer isso?"

Flávia >> "Não sei direito, mas pra logo."

Viana >> "Hum... sei..."

Ariella >> "Por favor, Seu Viana, deixa a gente ir!"

Sharon >> "É o que a gente mais quer nesse mundo. Por favor!" – com as mãos juntas, implorando.

Viana >> "Meninas, eu não sei se vocês perceberam ainda, mas isso é uma emissora de televisão. As coisas não são decididas assim, na louca! É preciso uma reunião, ver se todos daqui concordam... enfim."

Ariella >> "Mas vão concordar! A gente é tão simpática!"

Sharon >> "É! Por favor, Seu Viana..."

Viana >> "Não sei, garotas... eu tenho que..."
E as duas abriram o berreiro de novo. Elas choravam muito alto mesmo. E de um jeito que conseguia irritar todo mundo que estava por perto. Nossa, eu não queria estar na pele do Viana, não...

Sharon >> "Eu quero o Hansoooon!! BUÁÁÁÁ!!"

Viana >> "Mas eu não..."

Sharon >> "AAAHHH!" – chorando.

Viana >> "Mas, mas..."

Ariella >> "Eu quero entrevistar o Hanson!! BUÁÁÁ! É o meu sonho, Seu Vianaaa!! BUÁÁÁ!! Deixa a gente, por favor!!"

Viana >> "Garota, se você não parar de chorar eu vou chamar a segurança e mandá-los tirarem você daqui! Aí que você não vai ver nem ir coisa alguma!!"

As duas ficaram sérias, olhando para a cara brava do Seu Viana.

Viana >> "Ah, assim tá melhor..." – ele suspirou – "Eu preciso conversar com a Martinha e com o resto da equipe. É muita gente. Não sei se vão todos concordar que vocês duas vão."

Sharon >> "Por favor, Seu Viana, dá um jeito pra gente..." – com cara de choro.
Ariella >> "Isso é o que a gente mais quer na vida, Seu Viana..." – com cara de choro também.

Viana >> "Eu prometo pra vocês que eu vou ver... Me dêem o telefone de vocês que eu prometo que ligo pra vocês assim que eu souber de alguma coisa."

Elas anotaram o telefone delas em um papelzinho e deram para o Seu Viana. Ele parecia estar até com a boa vontade de levar a Sharon e a Ariella, mas no fundo elas sabiam que ele não ligaria para elas nunca.

Viana >> "Eu prometo que amanhã eu ligo para vocês para dizer o que é que deu a reunião que eu tô indo agora."

Sharon >> "Você vai ligar mesmo?"

Viana >> "Mas é claro que vou! Se eu estou prometendo." – sorrindo, passando até um pouquinho de confiança.

Ariella >> "A gente vai estar esperando, hein Seu Viana?"

Viana >> "Pode deixar."

O Seu Viana, que antes era gente boa, aí passou para Seu Viana, levou as duas até a portaria da MTV. Já era umas três da tarde quando elas saíram de lá. Quando a Sharon colocou o pé para fora, o estômago dela se manifestou, dizendo que estava na hora de ela mandar alguma comida lá para baixo.

Ariella >> "Cara, eu também tô com fome."

Sharon >> "Nossa, e eu?! Se eu não comer nos próximos dez segundos e tomar muita Coca-Cola, eu sou capaz de morrer aqui!"

Ariella >> "Tá, vamo’ bora então..."

Enquanto elas estavam andando...

Sharon >> "Ariella, ‘cê acha que ele vai ligar pra gente?"

Ariella >> "Sei lá..."

"And all I care about is you and me and us and now..."

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E no outro dia, na aula, elas estavam empolgadas, loucas para voltar logo para casa, para esperarem pela ligação do... nossa, elas já tinham até esquecido do nome dele. Mas eu me lembro muito bem. Era o Seu Santana. Ele disse que ia ligar e elas realmente acreditavam que ele ia ligar. Mmm... eu acho que o nome não era bem esse. Ah, claro, o Seu Havaiana. Então, ele. Era esperar para ver, apesar de essa idéia soar um tanto utópica. Nesse exato momento, eu sei bem o que deve estar passando pela sua cabeça. Você deve estar se perguntando: "O que é utópico?". Algo impossível, distante. Mas elas acreditavam muito nisso e, como eu só conto a história, eu acho que eu deveria acreditar também que o Seu Veneziana ia ligar, já que elas são as principais aqui. Mas ao mesmo tempo, eu penso que eu devo ter uma opinião própria, personalidade o suficiente para... Bom, que seja. Vocês entenderam.

O sinal para ir embora bate. Até que enfim. Cada uma foi para a sua casa esperar o Seu Montana ligar. A Sharon caminhava de um lado para o outro, completamente impaciente, quase morrendo de nervosismo. A Ariella não parava quieta também. E elas ficaram o dia todo assim. Uma hora a Ariella até ligou para a Sharon.

Ariella >> "Sharon, o cara te ligou?"

Sharon >> "Ariella, não ocupa o telefone que o cara pode tá tentando ligar!"

Ariella >> "Putz, tchau então!"

Então anoiteceu. A Ariella jantou sentada do lado do telefone. A Sharon nem jantou. Ficou só tomando Coca-Cola, esperando o Seu Taturana ligar. E cada vez ficava mais tarde. E nada de ele ligar. A Sharon estava quase chorando. A Ariella já estava. Bom, você deve estar pensando que ele vai ligar agora, na hora de máximo desespero delas duas, né? Seria bem perfeito se isso acontecesse, não é mesmo? Só que não foi o que aconteceu. Quando era mais ou menos meia noite e a Sharon estava plantada do lado do telefone, a mãe dela foi tirar ela de lá, mandando que ela fosse deitar. A Sharon estava morrendo de sono, mas queria ficar ali só mais um pouco. Quem sabe o Seu Ciranda não chegasse tarde em casa e ligasse tarde também?

Dia seguinte na escola, ambas tinham só uma coisa em comum: uma cara chiquérrima de drogadas. Elas não tinham dormido nada naquela noite. A Sharon, depois que deitou, não conseguiu pegar no sono de jeito nenhum. Estava totalmente desapontada, triste e chateada. A Ariella estava com uma cara terrível, com umas olheiras básicas também, o que deixava bem claro que ela não tinha dormido muita coisa. Fora a revolta que elas sentiam.

Sharon >> "Putz, life sucks..."

Ariella >> "Não, Seu Viana sucks."

Viana? Era esse o nome dele? Puxa, eu jurava que era Seu Cabana... para você ver, não é...

Sharon >> "Por que aquele cara não ligou?! Que saco! Ele tinha que ter ligado! Não, orra, orra, orra, orra, orra, orra!"

Ariella >> "Eu sabia que ele estava enganando a gente... meu, eu vou matar aquele homem."

A raiva que elas sentiam era tanta, que todo mundo que olhava, notava isso e procurava não se aproximar muito. Durante toda a manhã, elas não conversaram com ninguém. A única coisa que conseguiam falar era sobre a coitada da mãe do Seu Viana, se é que vocês me entendem... Eu não me lembro muito bem, mas parece que elas tinham alguma coisa da escola para fazer aquela tarde e era bem importante. Era um trabalho em grupo ou algo assim. Isso as distraiu e as fizeram esquecer um pouco do Seu Viana e do que ele tinha feito. Ou melhor, não feito. De noite, quando elas voltaram para casa, o problema já voltou à cabeça. A Ariella telefonou para a Sharon, reclamaram mais um pouco uma com a outra, desligaram e foram dormir.

Alguns dias depois, não muitos, uns três talvez, anunciaram em todas as revistas que a MTV estaria fazendo uma entrevista com o Hanson em Nova York. A notícia se espalhou até que bem rapidinho, sabem... E é claro que no meio de amigas da Sharon e da Ariella só falava-se nisso. Um dia, quando estava um monte delas reunidas na casa da Sharon só para assistir o clip If Only, o assunto surgiu.

Rafaela >> "Vocês viram aquela entrevista que a MTV vai fazer?"

Alynne>> "Nossa, é mesmo! Meu, só sei que vai ser lindo! Vai ser muito lindo!"

A Sharon e a Ariella só se olharam e não disseram nada. Sabiam que essa entrevista seria a que o Seu Viana tinha prometido ligar para falar a respeito.

Fernanda >> "Feliz é quem vai entrevistar."

Sharon >> "Só espero que não seja aquela Sabrina vaca com os decotes até o joelho dela!"

Ariella >> "É impressionante como ninguém nunca deu toque nela: ‘Querida, com licença, mas eu acho que você tá pelada!’. Ai, que raiva!"

Rafaela >> "É, mas disseram que talvez seja uma fã que faça a entrevista."

Elas se olharam de novo.

Sharon >> "Nah... duvido."

Ariella >> "Senão eles fariam alguma daquelas promoções bestas lá..."

Sharon >> "É, que ‘cê tem que ser criativa ou alguma coisa do tipo. It sucks..."

Fernanda >> "Parece que eles vão escolher duas fãs ou três, não sei direito, sem fazer concurso nem nada."

Elas passaram o dia todo lá. Continuavam chateadas com aquela história, mas agora bem menos. À tarde voltaram para casa, mas para a da Sharon. Elas queriam assistir ao clip sozinhas, sem as amigas falando todas ao mesmo tempo. Quando elas estavam na frente da televisão, quietas, ambas pensando na mesma coisa com certeza, o telefone tocou. A Sharon só levantou para atender porque não tinha mais ninguém lá para fazer isso. Senão ela nem tinha levantando. É, o desânimo era grande.

Sharon >> "Alo?" – com uma básica voz de bunda.

Um homem >> "A Sharon ou a Ariella, por favor?"

Sharon >> "Tá falando com a Sharon."

Homem >> "Oi, tudo bem? É o Viana, da MTV."

A Sharon respirou bem fundo, daquele jeito de como quando estava para ter um ataque de falta de ar.

Sharon >> "AAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!"

Viana >> "Minha Nossa Senhora, calma, garota!!"

A Ariella logo virou para a amiga, com os olhos arregalados. Só uma coisa nesse mundo fazia a Sharon gritar daquele jeito: qualquer coisa que tivesse a ver com o Hanson.

Sharon >> "Nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa..."

Ariella >> "Quem que é, Sharon??!"

Sharon >> "Aquele cara da MTV!!! AAAHHHHHH!!"

A Ariella correu e pegou na linha, com o telefone sem fio.

Viana >> "Eu tô ligando para falar daquela entrevista..."

Ariella >> "Ahan..." – super ansiosa. A Sharon? Estava com uma putz falta de ar.

Viana >> "Eu conversei com o pessoal aqui... demoraram um pouco para decidir, por isso que eu demorei pra ligar."

Ariella >> "Ahan..."

Viana >> "Então... eles queriam fazer promoção, mas isso dá muito trabalho. Então eu dei a idéia de nós escolhermos duas ou três fãs para fazer a entrevista. Eles até que concordaram, mas queriam saber como que a gente iria fazer para escolher duas fãs pra..."

Sharon >> "FALA LOGO QUE EU TÔ MORRENDO AQUI!!!" – gritou muito alto.

Viana >> "Tá, tá!! Vocês duas vão entrevistar o Hanson! Pronto!!"

Aí não deu outra. A Sharon desmaiou. A Ariella começou a gritar e a chorar, tudo ao mesmo tempo. Já dá para ter uma idéia da cena, não é? Uma morrendo, a outra se descabelando, as duas babando, tendo algumas convunções... ah, e depois que a Sharon acordou, ela começou a socar a Ariella bem forte. Mas as duas estavam tão retardadas que podia acontecer qualquer coisa ali que não faria exatamente uma diferença para elas. Quer dizer, a situação estava completamente sobre controle. E o Seu Viana no telefone, tentando entender o que era aquele monte de barulhos estranhos que estavam vindo do outro lado da linha. Quando alguma delas conseguiu voltar a um estado decente e mais apresentável, sem mencionar o "mais racional", elas pegaram o telefone de novo. Resumindo, o Viana marcou uma espécie de entrevista com elas no dia seguinte. Deu tudo certo, elas passaram na entrevista, foram aprovadas. Só aquela mulher dos tiques estranhos, a Martinha, que não foi super a favor de elas serem as escolhidas, mas a Sharon e a Ariella, querendo a Martinha ou não, eram perfeitas para o que a emissora estava atrás – duas fãs muito desesperadas para entrevistarem os cantores de maior sucesso atual. As mães delas deixaram, claro. Também, se não deixassem, eu não sei se faria muita diferença para elas. As duas iam de qualquer jeito.

Bom, deu para perceber que a história é cheia de detalhes. Você deve estar vesgo já de tanta curiosidade, né? Calma, é agora que a história começa de verdade...

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E lá foram elas, embarcando para o avião para Nova York. Nossa, se vocês vissem o estado delas... estava de dar pena. Elas tremiam tanto, tanto, que quem as via, achava que elas eram doentes, coitadas. A Sharon não parava de dizer que ia morrer. A Ariella só tremia e gritava. Algumas pessoas da MTV, incluindo o Viana e a Martinha-Tiques-Estranhos, as acompanhavam na viagem. Não era muita gente. Durante o vôo correu tudo bem. Claro, tirando as três vezes que a Sharon passou mau de falta de ar e as vezes que algumas pessoas pediram para que ela e a Ariella ficassem quietas e parassem de gritar. Fora esses pequenos detalhes, nada de mais...

Finalmente chegaram a Nova York. As duas estavam carregadas com todos os tipos possíveis de máquinas registradoras de momentos. Era muita coisa mesmo. Até binóculo a Sharon pegou. Tudo para poder entrevistar o Hanson e não esquecer nunca mais mesmo. Bom, com tanta munição, nem que elas quisessem esquecer, elas não iam conseguir.

No aeroporto, foi aquela demora. A Martinha até ficou irritada uma hora. Nossa, quando ela se irritava era muito engraçado. A mulher já era bizarra. Aí quando ela ficava brava, ela começava a mexer sem parar no óculos, a mexer naqueles cabelões estranhos, crespos, bem black power mesmo. A Sharon ria bem baixinho. A Ariella também. O pessoal que cuidava das filmagens gravaram alguns momentos no aeroporto de São Paulo, quando elas estavam embarcando, dentro do avião e, agora, no aeroporto de Nova York. Mas tudo bem rápido. Bom, depois de malas em mãos, elas foram para o hotel num puta carrão. Nossa, o veículo era muito grande mesmo. E cheio das futilidades e extravagâncias que elas tinham direito. Elas só se olhavam e sorriam. Às vezes chegavam a esquecer que veriam o Hanson, os três seres humanos mais importantes para elas no mundo. A Sharon às vezes se lembrava disso, morria um pouquinho, mas logo passava. Então, o hotel. A MTV, como não podia deixar de ser, fez reserva no mesmo hotel que os meninos estavam. E filmaram algumas coisas na portaria, da Sharon e da Ariella conversando... enfim. Mas também, pouca coisa. Metade da equipe foi para o andar do Hanson e a outra metade foi com o Viana instalar as coisas do pessoal nos quartos. Inclusive deixar a Sharon e a Ariella nos aposentos delas.

Viana >> "Bom, meninas, a entrevista de vocês vai ser hoje à noite. Eu quero que vocês subam para os quartos, tomem banho, se troquem, enfim... se preparem."

Sharon >> "Vai ser aonde?"

Viana >> "Vai ser uma daquelas entrevistas em que o camera man vai seguindo vocês até o quarto deles, aí filma vocês entrando, os cumprimentando... essas coisas. Enquanto vocês se arrumam aí, nós vamos lá conversar com os meninos e combinar tudo. Depois a gente passa para vocês o que ‘cês tem que fazer e como. Tá?"

Ariella >> "Mas nós não vamos falar com eles antes da entrevista começar?"

Viana >> "Vão, claro... imagine nós filmando lá já de primeira e vocês têm algum colapso, sei lá eu o que?! Vocês precisam ter algum contato com eles antes. Senão..."

Sharon >> "...dá cagada."

Viana >> "Bom, não era bem esse termo que eu estava procurando, mas pode ser."

Então o Seu Viana deixou elas sozinhas no quarto. Parecia que elas ainda não tinham se tocado muito bem do que estava acontecendo ali. Era como se fosse uma situação normal, como outra qualquer.

Ariella >> "Sharon..."

Sharon >> "Quié?" – tirando suas coisas da mala.

Ariella >> "A gente vai ver o Hanson."

A Sharon parou de fazer o que estava fazendo e olhou para a amiga. As duas ficaram sérias um tempo, pensando. Então abriram um sorrisão. E deram um grito muito alto. Mas muito alto mesmo. Elas estavam muito empolgadas.

Não precisa nem dizer que elas se arrumaram muito bem. Estavam lindas. E muito ansiosas também. Então sentaram no sofá do quarto esperar o Viana.

Ariella >> "Nossa, tá demorando..."

Sharon >> "Puxa, por que será que eu não estou surpresa?"

O Seu Viana estava demorando muito. Estava começando a irritar aquela demora.

Sharon >> "Ariella, eu vou subir lá!"

Ariella >> "A gente não sabe o andar, Sharon!"

Sharon >> "E daí?! A gente descobre, ué!"

Ariella >> "Bom, deve ser um daqueles últimos, que tem aquelas suítes."

E elas saíram do quarto. Pensaram em pedir informação, mas não acho que seria uma boa idéia. "Com licença, você poderia me informar em que andar que está o Hanson?". Provavelmente, não saberiam dizer ou simplesmente não diriam. Eu não diria. Sei lá. Elas subiram até o último andar. Não deu outra. Era bem lá que eles estavam hospedados. No andar tinha um quarto que estava aberto, maior bagunça lá dentro, todo mundo falando ao mesmo tempo. As duas ficaram um tempo paradas frente a porta do elevador, olhando para a porta do quarto e ouvindo a barulheira. Elas tremiam.

Ariella >> "Sharon, é ali que eles estão."

Sharon >> "Eu sei... Ai, eu vou morrer! Eu sei que vou!"

Ariella >> "Se eu desmaiar, ‘cê me segura?"

Sharon >> "Segurar você?? Ah, claro! Eu não sei nem se eu vou estar em pé a essas alturas!"

Ariella >> "Tá, então vamos."

Quando elas deram o primeiro passo para chegar no quarto, o Viana saiu de lá de dentro. E as viu.

Viana >> "O que vocês tão fazendo aí paradas na porta do elevador?"

Ariella >> "Você demorou muito pra chegar..."

Sharon >> "Pra variar..."

Ariella >> "...então a gente resolveu vir até aqui."

Viana >> "Eu tava indo agora lá buscar vocês."

Sharon >> "Eles tão aí dentro?"

Viana >> "Não. Eles desceram para chamar o pai deles. Mas daqui a pouco eles tão aqui."

Então aquele barulho que o elevador faz quando chega no andar, soou alto. A setinha que apontava para cima estava acesa.

Viana >> "Ah, deve ser eles." – com a maior naturalidade.

Elas gelaram. A Sharon queria chorar, mas pensou duas vezes antes de deixar as lágrimas caírem. A Ariella sentiu vontade de gritar, mas achou melhor não. A última coisa que queriam era assustá-los. Nossa, aquele momento parecia acontecer em camera lenta. O Hanson estava prestes a sair pela porta daquele elevador. As duas seguram a mão uma da outra bem forte.

Viana >> "Vê se não gritam, né??"

Ai, cala a boca, Seu Viana! Já era nervosismo o suficiente para elas.

Então a porta abriu toda. Mas foi a Martinha que saiu de dentro. A Sharon e a Ariella sentiram aquela forte decepção misturada com alívio. Ela já saiu falando rápido, com aquele seu tom de voz bravo. Porém, logo atrás dela, veio vindo o Taylor, o Hanson do meio, conversando com o Isaac, o mais velho. Por último o Zac, o mais novo dos três. As duas foram pegas desprevenidas e por causa disso, toda aquela emoção de antes voltou com tudo, tudo ao mesmo tempo, misturando todos os sentimentos. A Sharon começou a ter falta de ar e a Ariella não se mexia, pois se sequer piscasse, cairia no choro. O tal do Taylor foi falar com o Viana direto. Aí os três pararam para falar com ele e com a Martinha. E as duas ali paradas, bem do lado, olhando estáticas. A falta de ar da Sharon estava piorando e a Ariella estava quase chorando. Elas precisavam sair dali. O tal do Zac não estava realmente participando da conversa, nem prestava tanta atenção assim no que estava sendo falado. Ele estava olhando ao redor, quando viu as duas ali paradas. A cara da Sharon estava meio estranha, então ele ficou olhando para ela, meio que estranhando, pensando se dava oi para ela ou se era melhor não.

"Ele tá olhando pra mim, ele tá olhando pra mim, ele tá olhando pra mim, ele tá olhando pra mim... Não morre agora, não morra agora, não morre agora, não morre agora, não morre agora..." – a Sharon ficou pensando.

Então o Zac achou graça daquela cara da Sharon e acabou sorrindo para ela. E acenando também.

"AAAHHH!! NÃO MORRE, SHARON, POR FAVOR!!!" – ela continuou pensando.

Só que a Sharon estava nervosa demais para retribuir o gesto do Zac. A única coisa que ela conseguiu fazer foi sair correndo. A Ariella ficou ali sozinha, com cara de tacho, completamente perdida. Então todo mundo que estava ali conversando virou e olhou para a Ariella. Ninguém falava nada.

Viana >> "Tá tudo bem, Ariella?"

Ariella >> "Ga...ga...éé...grr...brdadçk..."

Bom, deu para notar que ela sabia exatamente o que dizer, né? Então ela foi correndo atrás da Sharon, onde quer que ela estivesse. A Ariella encontrou a Sharon bem rápido. E elas ficaram lá na escada do hotel, sentadas nos degraus, muito nervosas, só comentando do que tinham visto. "Ah, ‘cê viu como o Taylor é lindo?? E o Zac?? Ai, ‘cê viu como o Ike é lindo de perto?!" e coisas produtivas do tipo. Até que chegou a hora da entrevista começar. Já tinham se passado umas três horas e elas lá. O Viana começou a percorrer o hotel atrás delas. Precisavam combinar tudo. Quando ele finalmente as encontrou, já estava louco da vida com as duas.

Viana >> "Como que vocês somem desse jeito?!? Que falta de responsabilidade!! Que absurdo!! Nós agora estamos todos atrasados por causa de vocês!!"

E ele foi falando até chegarem no apartamento deles. Antes de entrarem, ele ainda disse...

Viana >> "Agora vêem se não façam nada de extravagante!"

Então ele abriu a porta. Os três estavam sendo maquiados, com aquele monte de gente em volta, falando tudo ao mesmo tempo. Elas sentiram aquilo de novo, mas agora mais sutil. O Viana colocou elas sentadas próximas a eles. Os três sorriram para as duas bem simpáticos. A Sharon deu uma acenadinha rápida com um meio sorriso, muito envergonhada. A Ariella já não foi tão tímida e os cumprimentou toda sorridente, fazendo aquele tipo.

Viana >> "Bom, então assim, meninas... vocês vão bater no quarto, entrar, cumprimentá-los. Eles então vão ficar surpresos com a visita de vocês, vão convidá-las para sentar e então vocês começam a fazer as perguntas da entrevista, como se fosse uma conversa normal."

Martinha >> "Vocês têm que parecer naturais."

Viana >> "Entenderam?"

Elas balançam a cabeça, sinalizando que sim.

Ariella >> "Mas só uma coisa... Não vai ficar muito, digamos... com aquela cara de decorado?"

Martinha >> "Isso depende de vocês."

Sharon >> "Tá, mas a gente não é atriz!"

Martinha >> "Sempre tem uma primeira vez, garotita."

"É a mãe..." – Sharon pensou.

Os três nem prestavam atenção na conversa deles, até porque eles estavam falando em português.

Ariella >> "Mas seria mais legal se..."
Martinha >> "Querida, você não está aqui para dar opiniões." – mexendo o óculos dela.

A Sharon estava cansando daquela mulher de tiques bizarros. Que chata que ela era! Vai ver que era falta de homem...

Viana >> "Vocês estão prontos?" – perguntou para os meninos.

Ike >> "Yeah..." – sorrindo.

Viana >> "Tudo bem. Podemos começar a gravar então?"

Tay >> "Sure."

Então a Sharon e a Ariella saíram do quarto.

Viana >> "Ah, meninas! Falem só em inglês a partir de agora, tá? É que eles precisam entender tudo."

O Viana gritou "Já!" de dentro do quarto. Então elas entraram. E os três fizeram um tipo de "Nossa, a MTV! Que super legal!". As duas não agüentaram e começaram a rir.

Martinha >> "O que que é agora?!"

Sharon >> "Meu, isso tá muito ridículo!" – rindo.

Ariella >> "Cara, desculpe, mas tá muito falso isso!"

O Zac riu.

Zac >> "Eu também acho."

Tay >> "É..." – agora rindo também.

Martinha >> "Mas tem que ser assim!"

Viana >> "Bom, vamos tentar mais uma vez para ver como é que fica."

E lá foram elas para fora do quarto de novo. Fecharam a porta. Foi a mesma podrera. E a Sharon, a Ariella e o Hanson começaram a rir de novo. E muitas e muitas outras vezes eles tentaram, mas o Zac ou até mesmo as meninas sempre acabavam fazendo alguma brincadeira, desconcentrando todo o clima de seriedade da entrevista.

Viana >> "Nós tínhamos que terminar essa entrevista hoje! Mas tá ficando tarde e não tá ficando bom."

Martinha >> "Os meninos precisavam ir embora amanhã de manhã."

Walker >> "Por isso não, porque nós vamos ficar mais um tempo aqui em Nova York. Apareceram umas propostas bem interessantes de uns programas e a gente resolveu ficar."

Viana >> "Ah, é mesmo? Puxa, que bom! Então será que nós podíamos terminar essa entrevista amanhã?"

Walker >> "Tudo bem. Eu acho até melhor porque já tá meio tarde mesmo."

Ops. Eles já estavam terminando. E elas nem tinham conseguido falar com eles direito. A Ariella começou a pensar em um monte de coisas rápido.

Ariella >> "Vocês não vão jantar?"

Todo mundo olhou para ela. A Martinha já olhou feio, tentando imaginar o que ela estava pretendendo com aquela pergunta.

Tay >> "Mmm... provavelmente." – sorrindo muito fofo.

Ariella >> "Ah, então. A gente podia jantar juntos. Todo mundo junto."

Sharon >> "É!"

O Viana só cutucou a Ariella com tudo nas costas. Machucou.

Ariella >> "Aiê!" – olhando para o Viana brava.

Walker >> "Eu não vejo problema algum."

A Sharon queria gritar.

Ariella >> "Então, Seu Viana. O que ‘cê acha disso?"

O Seu Viana achou graça daquela cara dela de "Viu?! Consegui!". E riu.

Viana >> "Ok." – sorrindo.

Sharon >> "Mas sem demoras agora, por favor!"

Martinha >> "Viana, eu não vou jantar com vocês porque eu tenho umas coisas importantes para fazer..."

Sharon >> "Nossa, que pena..."

Martinha >> "Mas vá com elas e cuide dessas duas garotitas."

Ariella >> "Acho que se você chamasse a gente pelo nome, seria bem mais agradável."

A Martinha fez uso mais uma vez daquele olhar super simpático dela e saiu da sala. Voltou todo mundo para o quarto. Elas estavam num quarto só para elas, é claro, o que era muito bom para as conversas particulares. As duas se trocaram e, mais uma vez, estavam lindas. Bom, no lugar delas, com certeza eu não optaria por algum visual empregada doméstica. Que coisa mais anti estética... Mas então. Depois de prontas, elas desceram logo para o salão. É claro que não tinha ninguém ainda.

Sharon >> "Ai, que brega. A gente chegou muito cedo."

Ariella >> "Vamos subir antes que alguém chegue e veja a gente aqui, chegando por primeiro."

Quando elas pensavam em subir, a porta do elevador abriu saindo de lá de dentro os três acompanhados da família toda.

Ariella >> "Tá, finge que veio só buscar alguma coisa, mas já ‘tamos subindo para descer mais tarde."

Sharon >> "Ah, e eles já acreditaram."

Eles vinham se aproximando. Logo já conseguiriam vê-las.

Ariella >> "Tá, então vamos nos esconder em algum lugar."

Sharon >> "Ai, Ariella, que ridículo!"

Ariella >> "Tá, então pára de reclamar e dá uma idéia melhor!"

Sharon >> "Vem atrás de mim e faz o que eu faço."

A Sharon saiu do restaurante, andando com naturalidade, como se estivesse ali por algum motivo mais importante do que o jantar. Ela cruzou os braços, olhou ao redor, fez cara de impaciente.

Ariella >> "Que que ‘cê tá fazendo?!" – cochichou.

Sharon >> "Me imita e fica quieta."

Então a família Hanson se aproximou. Eles foram logo cumprimentando, como sempre, simpáticos.

Tay >> "Chegaram cedo, hein?" – sorrindo.

Sharon >> "Não, sabe o que é? É que a Martinha ficou de encontrar com a gente aqui um pouco antes do jantar para umas coisas lá e até agora não apareceu."

Ike >> "Então aproveitem e entrem com a gente."

Sharon >> "Mas a gente ainda nem se arrumou."

Ô mentira.

Zac >> "Ah, mas vocês estão bem assim..."

Diana >> "É verdade." – sorrindo bem simpática – "Logo a equipe de vocês estará aqui... venham."

Sharon >> "Bom, já que vocês insistem..."

A Ariella ficou espantada. Até cochichou com a amiga uma coisa lá qualquer e as duas sentaram com os Hanson, incrivelmente sorridentes. Mas a alegria durou alguns segundos, porque quando elas e a família Hanson estavam sentando, o Viana e algumas pessoas da equipe chegaram. E sentaram ali junto com eles. A conversa começou formal. Sabe aquelas coisas bem de gente adulta, que não sabe o que dizer, começa a falar umas coisas nada a vê, bem nerds mesmo, do tipo: "Mas esse restaurante aqui é muito bom mesmo". Pois é. Mas depois melhorou porque as meninas se soltaram mais. Quer dizer, a Sharon quase não falava. A Ariella já falava demais. Mas os três se divertiam com elas. O Zac achava muito engraçado quando a Ariella falava alguma coisa que a Sharon não gostava e a Sharon fazia aquelas caras de brava.

Sharon >> "Ariella!!"

O Isaac e o Taylor riam também, mas o Zac era o que mais gostava.

Ariella >> "O que, Sharon?!"

Viana >> "Ok, ok, vamos nos concentrar na entrevista, por favor."

Sharon >> "Ah, Seu Viana, a gente já falou tanto disso... vamos mudar de assunto um pouco."

Zac >> "É mesmo."

Todo mundo na mesa olhou para ele. É que ninguém esperava que ele fosse se manifestar sobre o assunto, ainda mais para concordar com a Sharon ao invés de concordar com o Seu Viana. O Zac até se assustou com aquele bando de cara olhando para ele.

Zac >> "O que que eu disse?"

Sharon >> "Não, é que... bom, esquece, vai..."

Zac >> "Não, fala."

Sharon >> "Ah, é que... ah, nada."

Zac >> "Ah... ok."

Nossa, ele desistiu assim?! Que frouxo! Eu se fosse esse Zac, tinha insistido até a Sharon falar.

Viana >> "Tudo bem, não fala-se mais da entrevista hoje, mas amanhã..."

Zac >> "Eu estava adorando falar da entrevista..." – totalmente e completamente irônico – "...mas é que já deu pra entender bem o que é e o que não é pra fazer."

E eles ficaram lá conversando mais um tempão. E nenhum dos assuntos incluiu a dita da entrevista. Foi tudo bem natural, com muita risada e coisas do tipo. A medida que os meninos foram se soltando, a Sharon e a Ariella iam vendo como eles eram diferentes do que elas achavam. O Taylor foi o que mais chamou atenção, digamos assim. É que ele não tinha um jeito sedutor, como mostravam sempre. Ele era extremamente distraído, meio bobinho, que demorava para pegar as piadas do Zac. O garoto era a meiguice em forma de gente. Já o Ike... quer dizer, o Isaac (nossa, que intimidade...) era mais na dele. Muito simpático, é verdade, mas falava só quando precisava mesmo. Não era de fazer tantas brincadeiras e falar tantas besteiras. Agora, o Zac... Nossa! Se você desse espaço para ele, não tinha quem segurasse. Falava muito e só besteira. A Sharon quase morria de rir com ele. Ela não costumava fazer muitas brincadeiras na frente de pessoas que ela não conhecia muito bem, mas por algum motivo, o Zac a fez sentir-se bem. Às vezes, ela até o acompanhava em algum raciocínio inútil que ele começava. Mas tinha momentos que o Zac parava. Ficava quieto um tempo, olhando para baixo, pensando. Aí ficava aquela falta de barulho na mesa. Um tempinho depois ele começava de novo, de repente, sem avisar ninguém. Bem estranho mesmo. Mas ainda assim, os três eram pessoas muito legais.

Viana >> "Bom, está tarde, minha gente..."

"Ai, não! Eu não quero ir embora!" – a Ariella pensou na hora.

Zac >> "Aaaah, nãããão!"

Walker >> "Zac."

O Seu Hanson olhou meio feio para o Zac. Ele queria mesmo que os filhos fossem dormir. Sério, mas a cara que ele fez para o Zac dava até medo. Isaac e Taylor ficaram sem jeito com a situação do irmão.

Zac >> "Ah... tá bom. Desculpa..." – abaixando a cabeça.

Viana >> "Bom, acho melhor nós irmos, meninas."

Sharon >> "Okay, baby..."

Todo mundo levanta. Aquela normal disputa de não-deixa-que-eu-pago ocorre, mas o seu Viana venceu. Vai ver que ele se sentia na obrigação de pagar ou alguma coisa do tipo.

Então foi todo mundo para o elevador. Tiveram que fazer duas viagens porque tinha muita gente. As pessoas foram entrando e, naturalmente, os adultos foram entrando na frente, deixando só os adolescentes de fora.

Tay >> "A gente sobe depois..."

E a porta do elevador fechou. O Taylor apertou o botão para chamar o elevador de novo. E aquele silêncio básico tomou conta. O Isaac tossiu para tentar disfarçar um pouco a quietude, mas não adiantou muito.

Zac >> "Nossa, que demora." – olhando para os números sobre a porta que mostravam os andares.

Ariella >> "É..."

Sharon >> "Ai, eu acho que eu esqueci o meu casaco."

Zac >> "Aonde?"

Sharon >> "Vai saber."

O Zac achou isso muito engraçado.

Zac >> "Hehe... quer ajuda pra procurar?"

Sharon >> "Ahm... é... tipo... sei lá, vai... NÃO! NÃO É ISSO! Quer dizer..." – super calma a menina – "Se você quiser..."

Zac >> "Você quer que eu vá?" – sorrindo.

A Sharon sentiu que o Zac estava só querendo, sei lá, brincar um pouco. Ele era daquele jeito mesmo... que estranho era aquilo para ela. Saber como o Zac era. Como ele era de verdade, sem ser pelas revistas.

Sharon >> "Ah... bom, eu acho que eu vou precisar de ajuda pra procurar... o restaurante é meio grande e tal..."

Logo depois que a Sharon terminou essa frase, ela se achou a pessoa mais idiota do mundo! Mais sem graça de todas! Sabe aquele intervalinho que existe enquanto a pessoa terminou de contar a piada e a outra que está ouvindo, está pensando para tentar entender? Então, nesse intervalinho de milésimos de segundos, a Sharon fez a maior reflexão sobre a piada dela. E não gostou nada do que ela concluiu. Mas o Zac sorriu. Ele sorriu daquele jeito de quando alguém não achou graça nenhuma do que a outra pessoa falou, mas sorri só para deixar claro que não é uma piada ruim que vai mudar a opinião que ela tem sobre você. Entenderam? Se não, leiam de novo. Eu sei que ficou meio confuso.

Zac >> "Vamos?" – falou para a Sharon; olhou para o Taylor – "Já subo, ok?"

Tay >> "Okie dokie."

E o Zac foi com a Sharon. E deixou o Isaac, o Taylor e a Ariella lá, sozinhos.

Tay >> "Ela é sua irmã?"

Ariella >> "Quem? A Sharon? Nossa, não." – a Ariella achou muita graça – "Ela é minha amigona, mas não irmã."

Tay >> "É que parece." – sorrindo.

Ike >> "É, parece."

Ariella >> "Por quê?"

Tay >> "O jeito de vocês uma com a outra... sei lá..."

O elevador chegou. O Isaac entrou. Por algum motivo que eu não entendi quando me contaram, o Taylor ficou parado na frente do elevador pensando em alguma coisa. A Ariella, nada burra, também não entrou.

Ike >> "Vocês estão pensando em entrar ainda hoje?"

Então os dois se olharam.

Ike >> "Bom, enquanto vocês resolvem, eu vou subindo."

A porta do elevador fechou.

Tay >> "Ike, espera!"

Ops. Tarde demais.

Tay >> "Meu, por que eu não entrei no elevador?"

Ariella >> "Hehe..."

Tay >> "Por que você não entrou?"

Ariella >> "Por que você não entrou?"

Tay >> "Por causa disso que eu falei. Tava dormindo, sei lá..." – colocando as mãos no bolso, todo fofo – "Você?"

Ariella >> "Ah... digamos que pelo mesmo motivo que o seu."

Tay >> "Digamos?" – sorrindo.

Ariella >> "É." – sorrindo também.

Tay >> "Mmm... digamos é meio vago." – sorrindo.

Ariella >> "Desculpe... é só o que eu tenho a dizer no momento."

Tay >> "Menina de poucas palavras você." – sorrindo.

Ariella >> "Hehe..."

Enquanto o Taylor e a Ariella conversavam esses papos suuuper cabeça e que com certeza os levariam a algum ponto de cultura no cérebro deles, a Sharon estava entrando no restaurante com o Zac.

Sharon >> "Deve tá lá na mesa que a gente estava sentado."

Então o Zac parou. E ficou olhando para ela.

Zac >> "Mmm... será?" – sério.

Sharon >> "É, ué."

Zac >> "Às vezes não."

Sharon >> "Como não?"

Zac >> "Vai que, sei lá..." – pensou um pouco – "Pegaram o seu casaco?"

Sharon >> "Por que pegariam o meu casaco?"

Zac >> "Pra fazer algum tipo de experimentação em laboratório, sei lá."

A Sharon fez cara de quem não estava entendendo muita coisa.

Sharon >> "Que que ‘cê tá falando?"

Zac >> "Vai que é isso? Tem tanta gente estranha por aí..."

Sharon >> "Não faz sentido. Faria se fosse o seu casaco."

Zac >> "Eu nunca levo casaco para lugares públicos."

Sharon >> "E quando tá frio?" – como se o desafiasse.

Zac >> "Aí eu nem sequer tiro o casaco."

Sharon >> "Tá, que seja, vai..." – começando a andar.

A Sharon foi caminhando em direção à mesa que eles estavam sentados antes. O Zac foi seguindo a Sharon. Mas quando ela se aproximou da mesa, ela parou de repente. O Zac quase bateu de frente com as costas dela.

Zac >> "O que foi? Por que ‘cê parou?"

Sharon >> "Ops..." – olhando para a mesa.

Zac >> "O que é?" – olhando para a Sharon, quer dizer, para o cabelo dela.

Sharon >> "Olha."

O Zac olhou em direção ao que ela olhava.

Zac >> "Aaah, já vi."

Sharon >> "E agora?" – sem tirar os olhos das pessoas que ocupavam a mesa.

Zac >> "Será que a gente devia avisá-los?" – olhando para lá também.

Sharon >> "Não, acho que a gente deveria só pedir licença."

Zac >> "Mas eles precisam saber que camarão não faz bem à essa hora do dia."

A Sharon só virou para trás e o olhou com aquela cara. O Zac riu. É claro que ela não agüentou aquele sorrisinho fofo do Zac e riu também.

Zac >> "Brincadeira." – rindo.

Sharon >> "Meu, eu aqui realmente preocupada com o casaco...Não, tudo bem..." – rindo também, mas fazendo o máximo para parecer brava.

Zac >> "Ah, Sharon, que isso..." – sorrindo.

Ela o olhou boba. Era a primeira vez que ele falava o nome dela. Pelo menos com aquele tom todo fofo, com aquela voz queridinha, sorrindo daquele jeito. Ele estava sorrindo só para ela naquele momento. Não era como ela estava acostumada, vendo os programas, onde ele sorria para todo mundo, sem direcionar o olhar para ninguém. Não. Era só para ela mesmo. Ficou um tempo parada olhando para ele. Ela tinha certeza de que ia chorar. Não, pior! Ela teria um daqueles ataques de falta de ar intermináveis, que provavelmente não passariam nunca. Mas ela precisava se controlar. Não podia deixar que aquilo acontecesse, não ali na frente dele. Ah, deixa para morrer depois.

Zac >> "A brincadeira foi tão ruim assim? Nossa, que cara..."

Sharon >> "Ahm... não. Quer dizer, não é isso..." – ela gaguejou um monte – "Eu... eu só tô preocupada com o meu casaco, só isso."

Ela virou para frente, se sentindo uma idiota mais uma vez.

"Ai, eu devia ter rido! Que monga que eu sou!! Ai, saco!"

O Zac ficou quieto depois disso. Coitado, deve ter achado que não foi feliz mesmo com a brincadeira. Mau sabia ele que tinha sido mais feliz do que nunca...

Zac >> "Bom, a gente podia pedir ajuda pro garçom."

Sharon >> "Mas e se pegaram mesmo o meu casaco?"

Zac >> "Ah, sei lá... Vamos até ali a mesa pra perguntar se tem algum casaco por ali." – já indo.

Sharon >> "Não!" – segurando ele pelo braço.

O Zac parou e voltou um pouco. Ficou olhando para ela. Então a Sharon se tocou que tinha encostado nele. Nossa, era demais para ela. Agora ela chorava. Não, agora sim que ela chorava.

Zac >> "Que foi?"

Sharon >> "Imagine que vergonha!"

Zac >> "Vergonha?? Por quê?"

Ela ainda não tinha soltado o braço dele. O Zac deu uma olhada para a mão dela segurando-o. Então ela teve que soltar.

Sharon >> "Porque o povo lá tá jantando."

Zac >> "E...?"

Sharon >> "Eu não tenho coragem de falar."

Zac >> "Eu sei que não." – sorrindo – "Eu falo."

Nesse momento, nós não precisamos nem comentar que a Sharon quase caiu dura ali, mortinha. Eram sorrisos demais para ela.

O Zac chegou perto da mesa e olhou para algumas cadeiras, deu uma procurada, mas não viu casaco nenhum. Então o pessoal da mesa, os mais velhos, começaram a encará-lo, como se perguntassem o que ele queria.

Zac >> "Ahm... oi."

O casal que estava sentada na mesa se olhou com um putz ponto de interrogação na cara.

Zac >> "Vocês não falam inglês?"

Eles se olharam de novo e falaram alguma coisa em alemão.

Zac >> "É, eu acho que não..."

Menina que estava sentada junto do casal >> "I do."

Zac >> "Cool then." – sério – "É... Por acaso tinha um casaco quando vocês sentaram aí?"

Ai, que fofinho!

A menina traduziu para o pai a pergunta do Zac em alemão.

Senhor sentado >> "Casaco?" – olhou para a mulher que estava ao lado dele. Era velha, então deveriam ser esposa dele ou algo assim.

Mulher >> "Não que eu me lembre, meu jovem." – olhando para o Zac.

Menina >> "Não, não tinha." – olhando para o Zac.

Zac >> "Vocês têm certeza?"

Menina >> "Ahan..."

Então a menina espremeu os olhos. E começou a encarar o Zac, com uma cara de quem pensava. O Zac conhecia aquela cara de tempos. E já achou ruim. Era cara que as pessoas só faziam quando o reconheciam.

Menina >> "Você... eu te conheço..."

Zac >> "Conhece?" – fazendo aquela careta básica de quem não estava gostando muito daquilo.

Sharon >> "É... Zac? Não é melhor a gente pedir ajuda pro garçom?"

Menina >> "Zac? Zac Hanson?!"

Zac >> "Ai... merda." – ele falou baixinho.

A menina levantou e começou a falar um monte de coisas e tudo muito rápido. Um inglês misturado com alemão. O Zac não entendia absolutamente nada. Ele só olhou para a Sharon querendo muito sair dali.

Zac >> "O garçom! Corre!"

E eles saíram dali enganchados em um garçom que estava passando por ali com uma bandeja cheia de refrigerantes. Quase que foi a bandeja para o chão com aquelas garrafas todas. A Sharon estava com muita vergonha. O consolo dela é que ela estava passando por aquilo tudo com o Zac Hanson, o ser humano mais importante do mundo para ela.

Então o garçom parou no bar e deixou as bandejas. Aproveitou que estava por ali e deixou os dois pendurados no braço dele também, já que o Zac e a Sharon não desgrudaram nenhum minuto do braço dele.

Enquanto tudo isso acontecia no bar, a Ariella e o Taylor estavam lá, esperando pelo elevador, que, graças a tudo que é santo, estava demorando a chegar. Se a Ariella não fosse judia, com certeza ela acenderia muito vela para os santos na igreja depois que tudo acabasse... como ela amava a demora do elevador naquele momento.

Tay >> "Tá, desisto! Não sei mais o que dizer para te fazer falar o por quê que ‘cê não entrou no elevador aquela hora!" – sorrindo muito fofo.

Ariella >> "É que assim..." – ela respirou toda séria – "De vez em quando eu tenho umas ausências, sabe? É que eu tenho um problema no meu cerebelo e às vezes eu saio do ar, como se me desligassem... E isso aconteceu naquela hora."

O Taylor ficou sério olhando para ela pensando no fora que ele tinha dado. Ele realmente acreditou que ela era doente. Quando a Ariella viu que ele estava acreditando, ficou séria mais um tempo. Só que a carinha que ele estava fazendo de preocupado estava muito bonitinha. Aí ela não agüentou e riu.

Ariella >> "É brincadeira!"

Taylor >> "Ah, tá!! Que susto que você me deu!!" – rindo também.

Ariella >> "Nossa, eu não sabia que eu mentia tão bem assim!"

Na verdade, ela não mentia bem. Quer dizer, poderia até mentir, mas o fato é que o Taylor era mesmo muito, digamos, distraído. Para não dizer meio nuvem. Sabe aqueles caras bem nervosos, bravos, que se irritam super fácil? Então. Esse não é o Taylor. Ele era uma daquelas pessoas calmas, que não se esquentam com muita coisa, que não estão nem aí mesmo.

Tay >> "É... ‘cê é boa nisso..." – sorrindo.

Então ficou aquele silêncio pós-risadas. Sabe, né? Daqueles famosos silêncios que ficam logo depois que alguém conta uma piada. E a Ariella só queria alguma frase genial para quebrar toda aquela quietude.

Ariella >> "Você sabe alguma coisa em português?"

Eu não pensaria em algo tão bom assim.

Tay >> "Mmm... Eu sei dizer ‘oi’. É assim? Oi?"

A Ariella riu. A carinha que ele fez, muito fofa.

Ariella >> "É sim." – sorrindo –"Vou te ensinar outra coisa. Deixa eu ver..." – pensando.

Tay >> "Como que eu falo em português ‘Eu não sou o Taylor’?"

A Ariella disse. Ele tentou repetir.

Tay >> "Eô náum souw o Taylor."

Ariella >> "Isso... mas tem que melhorar o sotaque. Hehe."

Tay >> "Okay. Lá vai: Eô náum souw o Taylor."

Nossa, Taylor, que progresso...

Ariella >> "Não é . É eu. Som mais fechado."

A Ariella mexia os lábios para ele tentar pegar. O Taylor repetiu tanto "Eu não sou o Taylor" que ficou perfeito. Ah, detalhe que eu acho que eu não mencionei. Já tinham vindo e ido muitos elevadores.

Ariella >> "Uau! Tá perfeito já!"

Tay >> "Obrigado." – sorrindo, meio sem graça.

Aquele silêncio chato de novo...

Ariella >> "Nossa, mas como tá demorando."

Tay >> "O que?"

Ariella >> "O trem."

Tay >> "Trem?"

A Ariella não disse nada dessa vez. Só riu. E ele riu muito também. É, eles tinham se dado bem. Então o elevador chegou. O Taylor foi mais para trás, dando a entender que ele queria que a Ariella entrasse primeiro. Que querido! Mas dentro do elevador tinham muitas meninas. Aliás, tinham meninas, por isso não deu para a Ariella entrar, exatamente. O Taylor já se assustou. Meninas em muita quantidade, para ele, não queria dizer boa coisa. A Ariella olhou para ele. O Taylor recuou um pouco, com a cabeça baixa, para deixar as meninas passarem e, se ele desse sorte, talvez não o reconheceriam. Estava funcionando, quando uma delas teve sua atenção chamada pelos cabelos dele. E o reconheceu.

Menina >> "Gente, não é aquele do meio do Hanson??"

Elas eram brasileiras. As outras amigas viraram para ele na mesma hora. O Taylor fez uma cara de "Ai, tô fudid*!" que deu até pena. A Ariella precisava fazer alguma coisa. Ela correu para o lado dele e se enganchou no Taylor.

Ariella >> "Calma, gente! Ele é só o meu primo!"

Menina >> "Primo?!"

Ariella >> "É sim!"

As meninas se olharam. Nenhuma acreditou.

Menina >> "Claro que não! Esse é o Taylor Hanson!"

Ariella >> "O que o Taylor Hanson estaria fazendo comigo?!"

O Taylor pensou rápido.

Tay >> "Eu não sou o Taylor." – ele disse em português.

As meninas todas fizeram uma cara de decepção. A Ariella olhou assustada para ele e sorriu.

Menina >> "Desculpe... eu realmente achei que fosse..."

E as meninas saíram dali muito decepcionadas. A Ariella olhou para as meninas indo embora e olhou para o Taylor.

Ariella >> "Nossa... meu, que genial! Nossa, eu nunca teria pensado em algo assim!"

Tay >> "Ah... hehe... ‘brigado." – sorrindo.

Ariella >> "Não, mas é que foi muito massa isso!"

Tay >> "Foi?"

Ariella >> "Foi! Nossa, muito!"

O Taylor ficou meio sem jeito, logo, ficou vermelho. Pouca coisa, mas ficou.

Ariella >> "Hehe..."

Tay >> "Que foi?"

Ariella >> "Não, é que... hehe... você ficou vermelho." – sorrindo.

Tay >> "Ah, isso sempre acontece comigo..." – olhando para baixo.

O elevador chegou. E eles subiram.

Zac >> "É, o casaco dela ficou aqui!"

Sharon >> "Moço, será que o senhor não viu ele por aí? Será que alguém não guardou?"

Garçom >> "Olha, se algum dos garçons daqui tivessem pegado, tinha que estar aqui no bar. Mas se não está, é porque ninguém achou nada."

Sharon >> "O senhor tem certeza? Ai, moço, é o meu casaco preferido!"

Então o garçom achou melhor chamar o maitre. Finalmente alguém que mandava de verdade e tinha controle da situação.

Zac >> "Ok, man, here’s the thing. Eu sou hóspede desse hotel! O casaco da minha amiga ficou aqui nesse restaurante e eu, como hóspede, exijo que ele seja encontrado!"

Maitre >> "Calma, por favor, Sr. Hanson. Nós vamos encontrar o casaco da sua amiga. Mas agora o restaurante está em pleno funcionamento e, como o Sr. pode ver, está um pouco lotado aqui. Porém, logo que terminar o movimento mais intenso, prometo que procurarei o casaco pessoalmente e, logo que eu o encontrar, ligarei para o seu quarto para avisá-lo."

Uau, nada como um pouco de competência de vez em quando.

Zac >> "Faz assim então. Quando você encontrar o casaco, leva para o meu quarto direto, por favor."

Maitre >> "Pode deixar. E desculpe pelos transtornos."

Zac >> "Tudo bem, não esquenta não." – sorrindo – "Tchau, obrigado."

Ele e a Sharon foram andando para sair do restaurante.

Sharon >> "Nossa, ainda bem que você veio comigo... eu não ia ter coragem de fazer tudo o que você fez."

Zac >> "Mas eu não fiz nada, não Sharon."

Ele chamou a Sharon pelo nome de novo. Nossa, já era a segunda vez. Não precisa dizer que ela quase morreu de novo, não é?

Sharon >> "Bom, sei lá, vai..." – abaixando a cabeça, completamente sem graça.

O Zac ficou meio sem graça também. Eu acho que ele pensava que a Sharon não gostava muito das coisas que ele falava. Mas não era isso. Acontece que a Sharon ficava com vergonha quando ele dizia alguma coisa querida para ela. Nossa, ela gostava demais dele e, por ela ser tímida, às vezes isso atrapalhava um pouco.

Então eles subiram para o andar do Zac com o elevador. No caminho, com a conversa descontraída, a Sharon acabou esquecendo de apertar o andar dela. Eles chegaram no último andar e, quando o Zac estava descendo, a Sharon parou na porta do elevador.

Sharon >> "Nossa!"

Zac >> "Que foi?! Que foi?!" – assustado.

Sharon >> "Não é aqui que eu tinha que descer."

Zac >> "É mesmo! Haha!" – rindo todo fofo – " Vocês estão em que andar?"

Sharon >> "No sétimo. Aqui é o último."

Zac >> "É, uma pequena diferença de cinco andares..."

Sharon >> "Bom, então... tchau, Zac."

Zac >> "Você já vai descer?"

Sharon >> "Tá tarde. O Seu Viana me mata amanhã de manhã."

Zac >> "Ah, tudo bem então... você que sabe."

E ficou um silêncio de novo.

Zac >> "Tchau, então..." – sorrindo – "Vocês brasileiros dão beijo no rosto, né?" – com um jeitinho muito meigo.

O Zac começou a se aproximar da Sharon para beijá-la no rosto. Beijá-la no rosto?!? Será que ela estava mesmo entendendo aquilo?! Não, não podia ser. O Zac Hanson, o loiro, o da televisão, o que canta Mmmbop, estava preparando-se para beijá-la no rosto. A medida que ele ia se inclinando, a Sharon começou a achar que iria morrer. Ela começou a sentir um calor muito grande, o que causava febre e, lógico, falta de ar. Mas ela sabia que precisava se controlar. Ela tinha. Senão estragaria tudo. E o Zac se inclinava e inclinava. Então ela conseguiu sentir o cheiro do cabelo dele, porque o beijo estava para acontecer. Então ele encostou a boca dele na bochecha dela. Nossa, nessa hora a Sharon sentiu tudo o que era possível alguém sentir. Aquela boca enorme que ele tinha e que ela achava tão linda, estava tocando a bochecha dela. E o que parecia acontecer em camera lenta, ficou bem rapidinho. Voltou ao normal quando ele afastou o rosto. E ficou olhando para ela, com aquele sorrisinho muito fofo. A Sharon estava claramente em pânico. Os olhos dela estava imóveis. Os músculos dela não se moviam. E o elevador, que tinha sensor, estava ali ainda, porque a Sharon estava com uma das pernas para dentro.

Sharon >> "Tchau!"

O Zac percebeu que ela estava assustada. Então ela entrou correndo no elevador. O Zac ficou meio sem saber o que dizer, porque não sabia o que tinha feito para deixar ela tão nervosa. Enquanto a Sharon procurava o botão 7 no painel de botões, o Zac pensava em algo para dizer.

Zac >> "Sharon, puxa, desculpe... eu não sabia que você ia..."

Sharon >> "Não, tá tudo bem... eu só tenho muito que voltar para o meu quarto." – ela disse gaguejando tudo, fazendo uma embromation com o inglês dela.

Zac >> "Desculpe, por favor... eu não sabia que..."

Sharon >> "Achei!"

Ela apertou correndo e o elevador fechou logo. A única coisa que ela viu por último foi o Zac olhando para ela enquanto a porta do elevador fechava, com aquela cara de preocupado, com uma certeza estampada na testa de que tinha magoada a Sharon. E a porta fechou.

Zac >> "Puxa...e eu que achei que estava sendo educado... Acabei assustando a menina..." – indo para o quarto.

Então a Sharon sentou no chão do elevador e começou a passar muito, mas muito mau. Ela não conseguia respirar, a visão dela estava meio embaçada e aquele calor horrível só aumentava. O elevador parou no sétimo andar, mas ela não conseguia levantar. Depois de um tempinho tentando, ela finalmente conseguiu e entrou no quarto. A Ariella ainda não estava lá. A Sharon caiu na cama e ficou parada um pouco, na esperança de que aquilo passasse. E foi passando... até que ela se lembrava de novo do beijo e os sintomas voltavam. Mas a felicidade dela era maior do que todas essas coisas. Ela estava mau sim, mas sorrindo muito.

A Ariella e o Taylor estavam conversando no quarto deles, sentados no sofá. A conversa estava boa, mas não falavam de coisas íntimas ou pessoais. Apenas assuntos superficiais. Eu não sei dizer exatamente do que eles estava falando, mas deu para entender, né? Ótimo. Foi quando o Zac entrou no quarto.

Zac >> "Oi, Tay..." – olhou para a Ariella – "Ah, oi..."

Tay >> "Oi, Zac. Nossa, o que foi? Por que tá com essa cara?"

Zac >> "Cara? Eu não tô com cara nenhuma."

Tay >> "Tá sim."

Zac >> "Não foi nada, ué... Eu só tô morrendo de sono."

Tay >> "Ah... ok."

O Zac passou direto sem dizer boa noite.

Ariella >> "Nossa, tá meio tarde... eu acho que eu vou indo. Daqui a pouco seus pais voltam do passeio e eu tô aqui ainda."

Tay >> "É, tá meio tarde mesmo... mas amanhã a gente vai se falar com certeza." – sorrindo – "Tem entrevista."

Ariella >> "Agora vai ficar bem mais fácil, eu acho..." – um pouco sem jeito.

Tay >> "Verdade." – sorrindo.

Silêncio uns segundos.

Ariella >> "Bom, eu vou indo..." – levantando.

O Taylor levantou também e levou ela até a porta. Abriu e a Ariella ficou então para fora do quarto, de frente para ele. Então ela notou, mais uma vez naquela noite toda, como o Taylor era lindo. Ele estava com uma expressão no rosto que denunciava o sonão que ele estava. A Ariella não sabia muito o que fazer. Se o beijava no rosto, se não... Ela ficou esperando que ele fizesse alguma coisa, mas o Taylor estava meio sem jeito também. Mais ou menos quando você acaba de conhecer alguém e, na hora de se despedir, você não sabe se já tem intimidade o suficiente para beijá-la no rosto.

Tay >> "Bom, até amanhã então..."

O Taylor estendeu a mão para ela. Ai, que decepção... A Ariella jurava que ele iria beijá-la no rosto, como todo menino bem educado do Brasil. Ei, espera! Isso era no Brasil! Vai ver que americano não tinha dessa de beijar no rosto. Mas mesmo assim, mesmo ela concluindo isso, a decepção foi grande. Ela deu a mão para ele e se despediu. O Taylor disse tchau mais uma vez e fechou a porta. A Ariella foi caminhando para o elevador muito chateada. Apertou o botão para esperar o elevador chegar. Foi quando ela ouviu barulho de porta abrindo. E então fechando. Logo depois, o Taylor apareceu ali, descalço, todo desengonçado.

Tay >> "Nossa, me desculpe! Eu esqueci!"

Ariella >> "O que foi?" – meio perdida.

O Taylor se aproximou dela, colocou uma das mãos num dos lados do rosto dela e a beijou do outro lado. Muito delicado mesmo, todo cuidadoso. Afastou o rosto e sorriu.

Tay >> "Eu esqueci que vocês brasileiros beijam no rosto para dar oi e tchau. Desculpe..."

Então ele voltou para o quarto correndo. A Ariella queria gritar. Mas não gritou. Senão provavelmente acordaria algum vizinho. O elevador chegou, entrou, ela esperou fechar, apertou o sétimo andar e deu o maior grito da vida dela. Mas um grito tão alto, mas tão alto, que depois interfonaram para cada um dos apartamentos para saber se estava tudo bem com cada um dos hóspedes... Coisa da Ariella... A Sharon? Estava dormindo já. Ela demorou um pouco para melhorar dos ataques dela. Acabou dormindo de tanto ficar lembrando e repassando a cena do beijo na cabeça dela. A Ariella que atendeu quando interfonaram para o quarto delas. Ela também dormiu feliz e, exatamente como a Sharon, ficou passando muitas vezes a cena do beijo na cabeça dela. Elas estavam sentindo-se da mesma maneira. Só que isso elas só foram descobrir no dia seguinte, quando conversaram.

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Era bem cedinho quando o Viana mandou interfonarem lá no quarto da Sharon e da Ariella para elas acordarem. As duas deram um pulo da cama. Aquele susto matinal para começar bem o dia. A Ariella levantou atender e disse para o Seu Viana que elas já estavam descendo tomar café.

Ariella >> "Nossa, que susto! Pensei que fosse uma metralhadora ou algo assim!" – voltando para junto das camas.

Sharon >> "Ai, que dia lindo..." – levantando toda sorridente.

Ariella >> "Sharon!! ‘Cê tá doente!! Você tem que estar!!" – com uma cara de susto.

Sharon >> "Nossa, por quê?!"

Ariella >> "Você tá acordando bem humorada!!" – com a mão na boca.

Sharon >> "Aiê! Credo! Que que tem?!"

Ariella >> "Como assim, ‘que que tem’?! Você nunca, atenção, nunca (!), acorda feliz assim!"

Sharon >> "Mas hoje eu acordei! Algum problema?!"

Ariella >> "Claro que não! Aliás, nenhum mesmo!" – pausa – "Ah, o Seu Viana disse que é pra nós descermos logo tomar café."

Sharon >> "Que horas são?"

Ariella >> "Sete."

Sharon >> "Da manhã?!"

A Ariella só olhou para a Sharon com aquela cara de monga.

Ariella >> "Não, Sharon... da noite."

A Sharon começou a rir muito por causa da besteira que tinha dito. Isso normalmente não aconteceria. Nesse caso, a Sharon provavelmente ficaria brava com a Ariella e faria alguma cara feia... Mas ela estava feliz demais para se preocupar com coisas assim.

Elas se trocaram e desceram. No restaurante, só estavam o Seu Viana e a tal da Martinha. Eu não entendi até agora o por quê da existência dessa mulher. Ela só serve para encher, para criticar, para brigar, para mexer naquele cabelo e para arrumar o óculos. O Viana adorava ela. Como é que pode?! Alguém gostava dessa mulher?? Enfim... A Ariella e a Sharon entraram no restaurante e sentaram com os dois na mesa.

Viana >> "Bom dia." – muito simpático – "Dormiram bem?"

As duas se olharam e sorriram.

Juntinhas >> "Muito."

Martinha >> "Nossa, que bom humor é esse?"

Ariella >> "Puxa, você sabe o que é isso?"

A tal da Martinha só espremeu os olhos, morrendo de raiva.

Viana >> "Bom, mas deixe-me falar algumas coisinhas... Meninas, a entrevista vai ser depois do almoço. Isso quer dizer que nós teremos que almoçar com eles..."

Sharon >> "Chato..." – completamente irônica.

Viana >> "...até porque o pai deles quer acertar umas coisas ainda... Sabe como é, o cara é cheio das frescuras..."

Ariella >> "Ele é?"

Martinha >> "E mais uma coisa: eu quero que vocês duas garotitas se comportem muito bem. Nada de escândalos nem..."

Viana >> "Tudo bem, Martinha... o jantar ontem foi um sucesso. Elas se comportaram muito bem."

A velha ficou sem saber o que dizer. Bem feito...

Martinha >> "É bom mesmo!"

Ariella >> "E eles? Onde é que estão?"

Viana >> "Agora? Dormindo."

Sharon >> "Então por que eu e a Ariella tivemos que acordar cedo?"

Viana >> "Porque antes de eles descerem tomar café, eu queria que nós já tivéssemos tomado."

Sharon >> "Por quê?"

Viana >> "Porque o pentelho do pai deles..." – elas riram – "...quer tomar café sozinho com a família."

Elas tomaram o café bem rapidinho, porque a família Hanson não demoraria muito para descer ao restaurante. Quando isso aconteceu, a Martinha, o Viana e as duas saíram dali, apenas cumprimentando cada um da família antes. Depois de todos já terem comido, eles foram para uma sala de conferências que tinha no hotel. A sala era muito grande! Elas se olharam quando viram o tamanho do lugar, pensando a mesma coisa: para quê uma sala daquele tamanho para tão pouca gente? Todo mundo se acomodou, se ajeitou, coisa e tal.. o Viana pegou um fôlego para começar a falar, quando o celular dele tocou. Era alguém lá da MTV Brasil ligando para o Seu Viana dizendo que estavam pensando seriamente em fazer a entrevista ao vivo.

Viana >> "Ao vivo?!?!"

É, ele levou um susto bem básico. É que isso complicaria tudo. Porém, o pessoal lá no Brasil achou que a audiência seria maior se a entrevista fosse ao vivo. A Sharon e a Ariella só observavam o stress do Seu Viana, gritando no telefone. Ele estava começando a mudar de cor... Não era exatamente uma das cenas mais belas que elas já tinham visto.

Viana >> "Mas o programa seria só daqui 5 dias!! Nós teríamos que ficar aqui esse tempo todo?!"

A Sharon e a Ariella se olharam.

Martinha >> "Cinco dias?!" – ela estava do lado ouvindo.

Viana >> "Eu não sei se eles vão querer!"

O Walker, pai deles, e os três estavam na sala. Claro que não entendiam nada do que o Seu Viana falava em português.

Viana >> "Pagar?? Mas vai saber quanto que eles não vão cobrar pra ficarem mais tempo aqui?!" – bem nervoso – "Tá, tá! Eu vou conversar com eles aqui... tchau!" – desligando o celular.

O Taylor repetiu bem baixinho o "tchau" que o Viana tinha falado, para ninguém ouvir. A Ariella viu ele fazendo isso porque estava de frente para o Taylor. O Seu Viana chamou o Walker com toda a delicadeza e paciência do mundo e eles sentaram numa mesa mais afastada dos outros para falar de negócios. A Martinha foi também. E os três meninos, mais a Ariella e a Sharon, ficaram ali, sentados, boiando totalmente sobre o que estava acontecendo.

Ike >> "Vocês sabem o que é que tá pegando ali?" – olhando para a Sharon e para a Ariella.

Sharon >> "Nope..."

Ariella >> "Parece que eles querem que vocês façam o programa ao vivo, sei lá..."

Tay >> "Ao vivo?"

Ariella >> "É, não tenho certeza."

Sharon >> "E parece que daí ‘cês vão ter que ficar mais tempo."

Zac >> "Ao vivo? Woohoo!"

Ariella >> "Pelo jeito você nem deve gostar muito de fazer coisas ao vivo, né?" – sorrindo.

Tay >> "O Zac?! Não, imagina, quase nada."

Ike >> "É que ele sempre faz alguma coisa inesperada, sem ninguém estar preparado. E como o negócio é ao vivo, não tem como cortar ou parar de passar."

Sharon >> "Que legal!"

O Zac olhou para a Sharon e sorriu. Ela, com muito custo, sorriu de leve também, apesar da vergonha. A Sharon ficava completamente sem ação quando o Zac resolvia ser gentil com ela. Acho que se ele fosse chato ou grosseiro, com certeza facilitaria muito a vida dela porque daí ela só precisava cortar o Zac e dar umas respostas bem elaboradas para deixá-lo sem ter o que dizer. Mas quando alguém é legal com você, você precisa agir da mesma maneira, olhar nos olhos, sorrir, ser simpática... e estas coisas não eram exatamente o forte da Sharon. Não que ela não fosse simpática. Pelo contrário. Ela cativava. Senão o Zac não teria, digamos... ido tanto assim com a cara dela. A Sharon era tímida demais para agir com naturalidade numa situação dessas. Mas ela estava aprendendo.

Então eles ali ficaram em silêncio, só olhando para os adultos ali sentados, negociando algo bem importante naquela mesa mais afastada deles. Dava para ver que era bem sério pela expressão que eles faziam. O Seu Viana não parava de coçar a cabeça e a Martinha só mexia nos cabelões crespos e ajeitava seu óculos.

Ariella >> "Nossa, olha a cara da véia..." – referindo-se a Martinha. A palavra "véia", a Ariella disse em português.

Os três começaram a rir muito olhando para a Ariella.

Tay >> "Nossa!" – rindo.

O Zac dava umas gargalhadas muito altas. O Walker olhou feio para ele e fez uma cara mais feia ainda. O Zac parou de rir na mesma hora.

Ariella >> "O que foi que eu disse?"

Ike >> "Haha... véá..." – ele não conseguia pronunciar com a mesma perfeição.

Sharon >> "Hehe... normal... Mas fala sério, essa mulher é muito estranha."

Zac >> "Eu pensei que só eu tinha notado isso... hahaha..." – rindo, porém mais baixo.

Então os adultos levantaram. E apertaram as mãos para confirmar que o negócio estava acertado. Então os indivíduos mais velhos se aproximaram dos indivíduos mais novos ali, que estavam completamente boiando, para explicar tudo.

Walker >> "Filhos, a gente vai ficar aqui em Nova York mais alguns dias porque ficou decidido que a entrevista será ao vivo. E ela só deverá ser transmitida semana que vem. Tudo bem?"

Eles fizeram que sim com a cabeça, sem falar nada. Mesmo que o Isaac, o Taylor ou o Zac não concordassem em ficar em Nova York por mais alguns dias, eles teriam que ficar porque era o que o pai deles queria. Quando o Walker falava, a impressão que dava era que não tinha discussão. Era o que ele queria e pronto. A Ariella e a Sharon sentiram que ficar não era bem o que eles queriam, mas não podiam contestar. O Walker terminou de falar e saiu da sala. O Seu Viana saiu dali meio aborrecido, seguido pela tal da Martinha, que agora mexia nos óculos e nos cabelos mais do que nunca.

Sharon >> "Não sei, mas acho que a gente perdeu alguma coisa aqui..." – olhando para a porta por onde eles saíram.

Ariella >> "O povo tá estressado."

Tay >> "Nah... deu tudo certo."

As duas o olharam.

Tay >> "É sempre assim que meu pai reage. Ele não fica brabo ou triste, apenas fica quieto."

Ike >> "Yeap..."

Silêncio.

Ariella >> "E a gente faz o que agora?"

Ike >> "Vocês eu não sei, mas eu tô morrendo de fome..." – levantando – "A gente se vê depois..." – já saindo.

Silêncio mais um pouco.

Tay >> "Acho que eu vou dar umas voltas..." – olhou para a Ariella – "Quer ir também?"

Puxa, a Ariella já estava nessas intimidades com o Taylor Hanson? Uau... Se bem que, nessa hora aí, nem ela acreditou que ele estava convidando-a para dar uma volta. A única coisa que ela poderia fazer era aceitar.

Ariella >> "Claro." – sorrindo.

E a Sharon ficou, de repente, apavorada. Todas as vezes que estavam todos juntos, conversando, a Sharon só pensava na hora de ficar sozinha com o Zac. Mas quando todo mundo saía e eles finalmente ficavam sozinhos, ela só queria que todo mundo voltasse. Estranho, não? Mas é sempre assim... Pelo menos com a Sharon.

Zac >> "Quer fazer alguma coisa?" – olhando-a sentado no sofá de frente ao que a Sharon estava.

Sharon >> "Não sei. ‘Cê quer fazer alguma coisa?"

Zac >> "Eu queria dormir." – falou num desabafo – "Eu tô muito cansado."

O Zac suspirou cansado e colocou os cabelos para trás.

Sharon >> "Eu imagino." – sentindo por ele.

Zac >> "Não, você não imagina…" – falou bem baixinho.

Sharon >> "Ah... Desculpe..."

A Sharon com essa mania dela de sempre achar que tudo é com ela... Nossa, era sempre assim. Tudo que alguém falava perto dela que não soasse exatamente como ela esperava, pronto! A Sharon já achava que era para atingi-la ou até pior – arranjar briga. Mas como ela não conhecia o Zac direito, ela até que foi bem controlada.

Zac >> "Desculpe? Pelo o quê? Por eu estar cansado?"

Sharon >> "Não, por eu achar que... ah, esquece, vai..."

Zac >> "Não, eu não vou esquecer."

Então o Zac levantou e sentou do lado dela.

Zac >> "Fala."

Sharon >> "Ah, num é nada... é bobeira." – muito sem jeito, principalmente porque agora ele estava sentado ali do lado dela.

Zac >> "Num é não. Senão ‘cê não tinha pedido desculpas."

Sharon >> "Eu juro, não é nada."

Zac >> "Ok, ok..." – desistindo. O Zac até que era bem forte. Eu estaria num estado lastimável de clemência, implorando para que ela me falasse logo o que era, ameaçando pular do prédio. Aliás, a essas alturas, eu acho que já teria pulado.

Silêncio. O Zac suspirou de novo e se acomodou no sofá bem largado.

Zac >> "Eu acho que eu preciso beijar na boca, sabia?"

Nossa, a Sharon ficou tão sem graça quando ele disse aquilo, mas tão sem graça, que provavelmente a bochecha dela deve ter quase criado vida própria e ter saído correndo! Cada pessoa se expressa por uma parte do corpo. Tem gente que começa a bater o pé, tem gente que mexe o nariz, tem gente que fica embolando os dedos... a Sharon se expressava pela bochecha dela. Dependendo do que ela estava sentindo, a bochecha dela mudava de cor. Ela deve ter ficado a coisa mais vermelha desse mundo! A vergonha que ela estava sentindo era muito grande.

Zac >> "Sei lá... faz tempo que eu não beijo ninguém..."

A Sharon não dizia nada. Também, ia falar o quê se nem voz mais ela achava que tinha?

Zac >> "E você? Faz tempo que ‘cê ficou com alguém pela última vez?" – inclinando-se mais para frente para poder olhá-la nos olhos.

Ela começou a respirar mais devagar para não ter mais um daqueles ataques de falta de ar que ela sempre tinha.

Sharon >> "Ah... sei lá... não faz muito, não..." – tímida.

Zac >> "Quem foi o último felizardo?" – sorrindo, com toda a malícia do mundo.

Sharon >> "Foi um garoto lá..."

Zac >> "Um garoto? Puxa, é mesmo? Bom, já é um começo..."

A Sharon riu. Mas riu aqueles risos nervosos, tensos, que mais parecia carro pegando. "He.....he...he..he.hehehehe..."

Zac >> "Que foi um garoto, eu já consegui deduzir." – rindo – "Quem era ele?"

Sharon >> "Um garoto da minha classe... Eu não gostava dele, mas sei lá..."

Zac >> "Mas...?"

Sharon >> "Acho que eu fiquei com ele mais porque ele era bonito... sei lá."

Zac >> "Ah..."

Sharon >> "E você?"

Zac >> "Ah, eu sou tímido..." – fingindo estar sem jeito.

Aquilo a deixou bem indignada. O Zac?? Tímido?? Ah, tá... se ele é tímido, esta história que eu estou contando é mentira...

Sharon >> Não, eu sou tímida. Você não é e nem um pouco."

Zac >> "Tá, mas..."

Sharon >> "Eu falei, agora você fala."

Zac >> "Tá..." – respirou fundo – "A última menina que eu beijei... ‘xô ver..." – pensando – "Ah é! Foi uma que eu conheci no último hotel que a gente esteve."

Sharon >> "And we don’t have girlfriends..." – ela falou baixinho.

Zac >> "Que que ‘cê disse?"

Sharon >> "Não, eu só tava repetindo o que ‘cês disseram na última entrevista que eu assisti de vocês."

Zac >> "Ah..." – olhou para baixo então olhou para ela de novo – "Sabe como é, né? Não dá para sair falando para as pessoas ‘eu agarrei uma menina em cada país que nós estivemos’. Fica meio chato, entende?"

Mas esse menino é muito cínico mesmo. Aquele ar dele de eu-tô-podendo-e-nem-disfarço irritaria qualquer ser neste mundo. Mas nunca a Sharon.

Sharon >> "Não, claro... eu entendo."

Zac >> "Pois é..."

Mmm... aquela conversa do tal do Zac estava estranha. O jeito que ele falava, meio sussurrando, bem devagarinho, com um sorrisinho, no canto da boca... aquele sorrisinho. É, ele estava pensando besteira. A Sharon podia ser muito tímida, mas ela não era nada burra. Ele estava querendo alguma coisa. Ela começou a se sentir bastante desconfortável com toda aquela segurança dele. Ele estava bem diferente desde a noite passada. Antes ele parecia mais cuidadoso, mais delicado. Agora estava com esse ar de sedutor barato, com a voz mansa... estava diferente.

Zac >> "Mas eu continuo querendo beijar na boca..." – falou sussurrando.

A Sharon não tinha idéia do que fazer ou falar. Talvez sair correndo poderia ser uma resposta, mas acho que naquela situação não seria o mais educado a se fazer. Ela não olhava para ele, claro. Continuava olhando para frente, sem se mexer, durinha, com as mãos nos joelhos. O Zac estava bem ali do lado dela, sentado, muito próximo, olhando para ela. Ela não podia vê-lo, mas sentia a respiração dele batendo na orelha dela, bem forte. Dava para perceber que ele estava beeeeeem próximo. A situação foi ficando meio séria porque a Sharon começou a ficar um pouco nervosa. Ela queria virar, olhar bem para a cara do Zac e dar aquele beijão nele. Mas não tinha nenhuma coragem. Aliás, coragem não era um dos fortes da Sharon. Mas o Zac continuou olhando para ela, bem de pertinho, porque ela continuava sentindo a respiração dele. E aquele silêncio de beijo, silêncio que pesava na Sharon porque ela sabia o que tinha de fazer.

Zac >> "Sharon..."

Ai, gente!! Até eu fiquei nervosa agora! Vai, Sharon! Vira, menina! Ela sabia que se ela não virasse, não se perdoaria nunca. Ela precisava fazer isso. Se não por ela, por mim e por você que está lendo isso agora. Se não por nós, por... por... por amor à nação! Então ela decidiu que iria olhar para ele. Grande garota! Respirou fundo e foi virando o pescoço bem devagar. Molhou os lábios já se preparando para o que viesse. E viu o Zac ali, com o rosto bem pertinho do dela. Ele estava meio sorrindo, meio sério... perfeito para ser beijado. A boca dele estava molhada e bem gordinha, como sempre. Quando ela finalmente o olhou nos olhos e parou de analisar o rosto dele, o Zac levantou arrumando as calças, que deviam estar caindo.

Zac >> "Vem, vamos. Todo mundo deve estar para lá."

O Zac já foi andando na frente. A Sharon só escondeu o rosto nas mãos querendo morrer. Não acreditou naquilo. Como que podia?! Ela tinha certeza que... Nossa, ela só queria enfiar a cara dentro de algum buraco e não tirar de lá nunca mais, pelo menos não nos próximos 70 bilhões de anos.

"Imagina se o Zac Hanson iria querer beijar uma monga como eu!! Ai, que raiva!! Eu não acredito que eu pensei que ele fosse... Ai, que ridículo! Eu sou muito idiota mesmo!"

Então ela levantou e saiu dali andando com muita raiva dela mesma. Olha, eu lembro que, quando me contaram esta história, eu tive certeza de que o tal do Zac ia dar um beijo nela, daqueles desentupidores de pia mesmo. Bom, não foi dessa vez...

Enquanto tudo isso acontecia, a Ariella estava lá com o Taylor assistindo o Isaac comer e rindo muito com eles. Depois que eles saíram da sala para dar uma volta, o Taylor acabou avistando o Isaac no restaurante e quis parar para conversar. A Ariella sentou junto com eles, mas não comeu nada. O Taylor acabou pedindo dois putz d’uns pratos cheio de batata frita e uma garrafa de refrigerante. Esse Taylor era meio magro pela quantidade de comida que ele ingeria. Vocês não têm noção de como ele comia! Aquela magreza dele era um mistério porque, mesmo o garoto parecendo um poste, parecia que não tinha fundo. Quando chegaram as "pequenas" porções de batatas fritas, a Ariella se assustou. Ela tinha falado que não queria comer.

Ariella >> "Eu não vou querer, não, viu?"

Tay >> "Eu sei... os dois são pra mim." – ele falou meio sem graça.

A Ariella arregalou os olhos assustada. Ela jurava que ele tinha pedido dois porque ele achava que ela iria querer. Não era possível... ele ia comer tudo aquilo sozinho?! Gente, era muita batata frita para uma pessoa só!

Ariella >> "Ah... ok." – ainda meio abalada.

Ike >> "Ih... o Tay é assim mesmo. Ele já come como se passasse fome. Batata frita então, nossa... o garoto manda bem mesmo."

O Isaac era cheio de querer falar gírias. Muito gente boa, mas bem na dele. Não era do tipo que puxava papo. Mas quando começava a conversar, mudava bastante e se soltava mais.

Ariella >> "É, eu já consegui perceber isso ontem, no jantar."

O Taylor ficou muito sem graça. Quando ele ficava sem jeito, era muito bonitinho. E olha que eu não sou muito chegada em menino magro do jeito que ele era. Mas o jeitinho dele encantava mesmo. Nossa, se a Ariella souber que eu chamei o tal do Taylor de magro, ela me mata. É que ela acha que ele é lindo, maravilhoso, perfeito, com um corpão... Haha... corpão, até parece. O quê? Vocês também acham que ele tá assim, tão gostosão? Tá, tá, calma, por favor! Desculpa, eu prometo que não falo mais. E eu lá ia saber que vocês também achavam isso? Tudo bem, o Taylor era lindo, pronto. Mas que ele era magro, ele era... Tá, desculpeeee!

Tay >> "Ah, que que tem se eu gosto de comer?"

Ariella >> "Não, não tem nada." – rindo do jeito dele.

Ike >> "Pois é..." – respirou fundo; pausa – "Nós vamos ficar por aqui mais um tempo, então..." – relembrando.

Tay >> "Eu pensei que nós íamos voltar para casa."

Ike >> "Nós vamos, mas só depois que terminarmos por aqui."

Tay >> "Meu, eu tô louco pra chegar em casa."

Ike >> "Ah, só você, né?"

Ariella >> "Deve ser legal em Tulsa..." – tentando entrar no assunto.

Tay >> "Não sei se você ia achar tão legal, mas... bom, é nossa casa. O que nós poderíamos achar além de perfeito?"

Ariella >> "Calma, gente, anima! Logo vocês vão embora..." – fez cara de triste – "…e vão se livrar de mim."

A Ariella sabia muito bem como fingir. Claro que agora ela estava fazendo de brincadeira, mas em outras ocasiões, a Ariella sabia muito bem como dar uma interpretada. Principalmente nos momentos de extrema necessidade. Aí ela caprichava mesmo. Se precisasse chorar, gritar, ficar feliz de repente... era com ela mesmo. Mas o mais legal dela era que, mesmo ela sendo ótima em fingir, isso não fazia dela uma pessoa falsa. Pelo contrário. A Ariella era bem sincera, principalmente com as suas amigas. Como eu disse, ela só dava uma interpretada nos momentos de extrema necessidade.

Tay >> "A gente não quer se livrar de vocês. Não é isso." – todo preocupado; a Ariella achou muito fofo aquilo – "Nós só estamos sentindo falta de casa." – ele estava segurando uma batata frita na mão.

Ike >> "Vocês são legais... nem são chatas como as últimas fãs que nós tivemos que aturar numa bendita promoção..." – virando os olhos.

Ariella >> "Bom saber que nós não estamos enchendo."

Ike >> "Se vocês estivessem, com certeza vocês iriam perceber."

Ariella >> "Hehe..."

Ike >> "Bom, mas deixa eu indo porque, se eu for esperar pelo Tay, eu vou ficar aqui até amanhã cedo..." – levantando do banco – "Tchau pra vocês." – então saindo dali.

Ariella >> "Ele é muito maneiro..." – sorrindo.

Tay >> "O Ike?" – olhando para o irmão andando já meio distante – "Nossa, ele é muito legal. Um grande amigo mesmo." – ainda com a batata na mão.

Ariella >> "Massa..."

Silêncio. Então o Taylor colocou finalmente a dita da batata que ele estava segurando há um tempinho na boca e, como estava bem crocante, fez barulho. A Ariella riu. O Taylor sorriu meio sem jeito, com a boca cheia.

Ariella >> "Nossa, minino, que fome essa sua, hein?" – brincando.

Tay >> "Sabe como é, né... O pessoal aqui não gosta muito de alimentar a gente, então, quando aparece essas oportunidades pra comer bem, eu aproveito."

A Ariella se matou de rir, mas não porque ela tinha achado realmente engraçado o que o Taylor tinha dito, mas porque ela estava muito nervosa. Silêncio mais uma vez.

Ariella >> "Posso te perguntar uma coisa?"

Tay >> "Pode sim. Eu só não garanto que eu vou responder."

Mmm... isso foi bem esperto. Ele não se incomoda que pergunte. Só não garante respostas. Muito esperto isso. Acho que o certo seria perguntar: "Você pode me responder uma pergunta?". Aí então a pessoa ficaria sem argumentos e teria de responder o que você fosse perguntar. Woohoo! Eu sou um gênio. Bom, a Ariella não contava com esta do Taylor, assim como eu também não.

Ariella >> "Ah, claro... responde se você quiser."

Tay >> "Então pergunta."

Acabei de pensar em outra coisa. Mesmo que a Ariella perguntasse "Você pode me responder uma pergunta?", ele teria como não responder. Era só dizer que... que não queria responder àquilo. Como que eu não pensei nisso antes...?

Ariella >> "Você fica com muuuuuitas meninas, que eu sei, né?"

Tay >> "É essa a pergunta?" – freiando a batata frita que estava prestes a entrar na boca dele.

Ariella >> "Não. Isto é uma afirmação."

Tay >> "Então por que ‘cê colocou ‘né’ no final?"

Ariella >> "Pra te dar a chance de me corrigir se eu estivesse errada."

Tay >> "Ah, claro... faz sentido." – colocando então a batata na boca.

Ariella >> "Agora vem a pergunta: você não sente falta de beijar alguém que você goste?"

Caracas. Agora até o Taylor foi pego meio de surpresa. É uma pergunta inteligente que não tinha como você fugir. Ou você falava a verdade ou você não respondia. O Taylor não parecia do tipo que foge de resposta.

Tay >> "Nunca me perguntaram isso antes. E olha que já me perguntaram muuuuuita coisa desde que eu me tornei uma pessoa pública."

Ariella >> "Eu sei disso." – sorrindo – "Mas responde."

Tay >> "O que você acha?"

Ariella >> "Se eu achasse alguma coisa, eu não teria perguntado."

Tay >> "É claro que eu sinto falta disso. Imagine se não. Todo mundo tem a necessidade de demonstrar o que sente e de ser correspondido por alguém que se gosta de verdade. Por que eu haveria de ser diferente?"

Então o Taylor não era assim tão bobinho...

Ariella >> "Você já gostou de alguém de verdade desde que você ficou famoso?"

Tay >> "Nah..." – ele respondeu sem pensar um minuto – "Eu não tenho tempo para isso. Para você começar a gostar de alguém, você tem que pelo menos conhecer a pessoa. A última menina que eu tive alguma coisa foi a Monica e, mesmo convivendo com ela um tempo, não consegui sentir nada de mais por ela."

Ariella >> "Monica?"

Tay >> "Aquela do clipe If Only, de cabelo enrolado... sabe?"

Ariella >> "Ah, sei sim..."

Tay >> "Então... eu fiquei com ela todo o tempo da gravação do clipe e, mesmo assim... não deu tempo de gostar dela de verdade. Eu fiquei afim só. E ela também."

Ariella >> "Ela parece mais velha que você."

O Taylor abriu um sorriso bem sem jeito.

Tay >> "E é."

Ariella >> "Uau... sério? Quantos anos?"

Tay >> "Bom... aí você já está querendo saber demais." – colocando outra batata na boca, meio rindo.

Ariella >> "Nossa, deve ser beeeem mais velha, hein?" – com um sorriso sapeca no rosto.

Tay >> "Bom, pra você eu acho que não tem problema falar porque... sei lá, eu confio em você."

Ariella >> "Nossa, sério?" – surpresa.

Tay >> "Tá, mas nem se anime muito porque eu não sou exatamente o tipo de pessoa que se abre com muita freqüência."

Ariella >> "É, você não parece falar muito mesmo..."

Tay >> "Normalmente, quando eu tô com algum problema, eu converso com o Ike ou o Zac, mas... nem sempre."

Ariella >> "Mas não muda de assunto." – sorrindo – "Quantos anos ela tinha?"

Tay >> "Você promete que não conta pra ninguém?"

Ariella >> "Claro que não, ‘magine." – séria agora.

O Taylor pensou um pouco antes de falar. Ele estava um pouco sem jeito, meio tímido, mas ele iria falar porque, por alguma razão, ele sentiu que a Ariella era uma pessoa muito boa para se confiar. Nossa, aliás, eu acho que deveria comentar sobre isso aqui. Ela é uma ótima amiga também nesse sentido. Você podia contar qualquer coisa para ela, que jamais aquele segredo sairia dali. A Ariella era uma pessoa que te passava confiança, talvez por ela ser bastante sincera e demonstrar isso a todo momento.

Tay >> "20."

Ariella >> "20?! Ela tinha 20?!" – não disfarçando o seu espanto.

Tay >> "Pois é... 20." – ele a olhou por um momento – "Ai, eu sabia que você ia fazer essa cara."

Ariella >> "Cara? Eu fiz cara?" – preocupada.

Tay >> "Fez."

Ariella >> "Ai, desculpa..." – com a mão na boca, arrependida – "Cara de quê?"

Tay >> "De ‘Nossa, tudo isso?! Seu pervertido!’. Cara disso." – brincando um pouco.

Ariella >> "Ai, Tay...quer dizer, Taylor..."

Tay (interrompendo) >> "Tudo bem, pode chamar de Tay." – sorrindo.

Ariella >> "Ah, claro... Tay..." – tímida – "Desculpa... eu não queria ter feito cara de nada. Foi espontâneo."

Tay >> "Nem dá nada... tô só brincando."

Ariella >> "Nossa, ai, agora tô sem jeito... desculpa. Eu não queria fazer cara de nada... ai, que vergonha." – colocando a mão na testa.

Tay >> "Imagine, Ariella... não fica assim..."

Nesse momento, o Tay... quer dizer, o Taylor... Ele disse que podia chamar de ‘Tay’, não é? Ah, então... Nesse momento, o Tay estendeu a mão para encostar no ombro da Ariella num daqueles gestos que normalmente nós fazemos quando estamos tentando tirar uma idéia da cabeça de alguém. Quando você é amiga e está sentada, você apoia a sua mão na perna da pessoa, como se um toque seu fizesse toda a diferença. Mas faz mesmo. Se você está tentando convencer alguém de alguma coisa e só as suas palavras não estão adiantando, nós temos o costume de tocar este alguém para mostrar que não é bem daquele jeito que ela acha ser. E o Tay pensou em fazer isso naquele momento. Quando a mão dele estava quase no ombro da Ariella, ele hesitou um segundo e voltou para as batatas fritas para disfarçar. Ele deve ter sentido um pouco de vergonha... Mas qual é o problema encostar na menina? A Ariella percebeu que ele queria tê-la tocado e quase morreu de raiva quando percebeu que ele desistiu da idéia. O máximo que eles já tinham tido ("tinham tido"... que estranho que ficou isso. "Tinham tido"... será que não tem um jeito menos bizarro de escrever a minha idéia? Mmm... AH!! "Haviam tido"! Woohoo!)... Então, reformulando... O máximo que eles haviam tido de contato físico foi aquele beijo no corredor, lembram? Mas a Ariella era paciente. E esperta também.

Ariella >> "Nossa, Taylor..."

Tay >> "Tay." – sorrindo.

Ariella >> "Tay, claro... Nossa, Tay, ‘cê deve estar achando que eu sou uma preconceituosa, né?"

Tay >> "Eu não tô achando nada, sério. Eu tava só brincando com você." – sorrindo.

Ariella >> "Ai, desculpe. Nossa, eu, eu não tenho nada contra meninas mais velhas ficando com meninos mais novos, viu?"

Tay >> "Eu sei..." – já achando graça da insistência de Ariella.

Ariella >> "Mas é que..."

Então o Taylor...

Tay >> "Tay!!"

Tá, tá, desculpe! Então o TAY resolveu mostrar que realmente não estava chateado pela Ariella ter ficado espantada com a idade da menina. Ele colocou a mão no rosto dela e sorriu muito querido. O Tay ficou olhando para a Ariella um tempo, sorrindo, antes de dizer qualquer coisa. Aquele momento, ela parou. Antes deste gesto, ela estava um pouco nervosa, falando rápido, com uma desculpa atropelando a outra. Mas naquele instante, quando ela sentiu a mão dele no rosto dela, nossa... pareceu que o mundo todo parou. Aquelas cenas que nós estamos acostumados a ver na televisão, no filmes, de quando a mocinha tem o primeiro contato físico com o galã lindão e a cena acontece em camera lenta... sabem? Então. A Ariella se sentiu bem desse jeito. A mão do Tay era tão quentinha, tão macia... E aqueles olhos azuis olhando para ela daquele jeito doce. Só que aí ele se tocou do que tinha feito, do ato dele de tê-la tocado. E provavelmente deve ter se lembrado de que era um menino muito tímido. Então, de repente, o garoto ficou muito sem jeito. E foi ficando vermelho, vermelho, vermelho canetinha mesmo. E do nada, tirou a sua mão quentinha e macia do rosto dela. E olhou para baixo.

Tay >> "De verdade, eu... eu..." – ele tossiu para espantar a gagueira – "...eu não fiquei chateado, Ariella."

Ariella >> "Ah... tá."

A Ariella estava boba. Ela não conseguia nem piscar. Na bochecha dela, ainda sentia a mão dele ali, como quando você leva uma bolada no rosto e a sensação de que a bola ainda está ali, fica por mais um tempo. A mão do Tay, a Ariella podia sentir ali ainda, no rosto dela, bem quentinha. A região que ele tinha tocado, formigava na bochecha dela e, por causa disso, ela conseguia sentir o formato da mão dele. Então aquele famoso silêncio voltou a aparecer entre eles...

Tay >> "Quer batata?"

Ariella >> "Não, obrigada."

Os dois estavam muito sem jeito. Parecia até que eles tinham se beijado ou algo assim. Eles não conseguiam se olhar e o silêncio estava pesando neles. A Ariella estava sentindo-se muito mal. Ela precisava tirar aquele clima de "fizemos coisa errada" do ar. Ela precisava puxar conversa, descontrair. Mas como? O Tay estava muito envergonhado, olhando para as batatas fritas, todo tímido. A situação estava desagradável mesmo.

Ariella >> "Vocês não têm nada para fazer aqui, fora a nossa entrevista?"

Tay >> "Hoje?"

Ariella >> "Não sei, algum dia... sei lá."

Tay >> "Ah, só... a gente tem uma entrevista com uma revista aí, mas não sei direito."

Ariella >> "Ah, tá..."

Tay >> "Se ‘cês quiserem ir junto..."

Ariella >> "Sério mesmo?" – ela se empolgou mesmo.

Tay >> "Ahan." – sorrindo, agora olhando nos olhos dela – "Não tem problema nenhum."

Ariella >> "Nossa, que legal!"

A empolgação da Ariella tirou um pouco da timidez do Taylor. Ele parecia se sentir bem ao lado da Ariella. Era estranho para ele porque, normalmente, quando ele estava com alguma menina, ele não podia ser ele mesmo. Precisava sempre ser o Taylor Hanson, a todo instante, medindo até suas palavras para não acabar falando coisas que o Taylor Hanson não diria.

Tay >> "Mas, tipo... as entrevistas são meio chatas e tal... Já aviso porque ‘cê tem tempo de mudar de idéia."

Haha, esse Taylor era mesmo muito modesto... até parece que a Ariella e a Sharon não iriam querer ir numa entrevista deles por ser "meio chato". Podia ser a coisa mais estúpida, entediante, inútil, maçante, chula, azucrinante, importunador, podre do mundo, mas gente, é com o Hanson que elas estariam indo! Mas é claro que o Tay, nuvem do jeito que era, não iria perceber isso nunca.

Ariella >> "Imagina, nada a ver... é claro que nós queremos ir."

Tay >> "Sério?" – sorrindo.

Ariella >> "Ahan." – sorrindo de volta.

Tay >> "Que bom!" – realmente feliz com a idéia.

Ariella >> "Então assim..."

Nesse momento, o raciocínio da Ariella foi interrompido pelo Zac e pela Sharon que entraram no recinto. O Zac já chegou falando umas coisas de eles saírem, coisa e tal... O Zac estava bonito. Estava com uma calça jeans e um babylook, daqueles bem colados mesmo, preto. A Sharon estava com uma cara... A Ariella percebeu logo que ela não estava muito bem, pois ela estava meio branca, um pouco com vergonha, mas ao mesmo tempo assustada... definitivamente, ela não estava bem.

Zac >> "Oi, gente." – sorrindo – "O que ‘cês tão fazendo?"

Tay >> "Eu tô convidando a Ariella e a Sharon também, claro, para irem conosco a entrevista que nós vamos dar para aquela revista."

Zac >> "Nossa, Tay, que idéia genial! Até que você manda umas muito bem de vez em quando."

O Taylor só fez aquela cara feia para o Zac.

Zac >> "Sharon, ‘cê vai, né?"

Quando o Zac olhou para a Sharon, ele também percebeu que ela não estava muito bem. Ela estava pálida, com os olhos arregalados, com uma cara de quem tinha acabado de ver morto vivo.

Zac >> "Sharon, ‘cê tá legal?"

Quando o Zac disse isso, ele se aproximou mais dela e pegou na mão da Sharon. Ele a olhava realmente preocupado, já que a aparência da Sharon não era das mais saudáveis. Ela não respondeu à pergunta dele.

Zac >> "Sharon?"

Ela continuou sem dizer nada.

Ariella >> "Sharon, o que que foi?"

A Sharon olhou para o Zac e a cena de há pouco, a do quase beijo, lhe veio a cabeça. Então a visão da Sharon ficou toda preta, os pés dela começaram a formigar e ela.... desmaiou. O Zac conseguiu segurá-la a tempo de ela dar com a cabeça no chão. A última coisa que ela conseguiu ouvir foi a Ariella gritando pelo nome dela. Nisso, o Taylor, a Ariella correram para cima da Sharon. O Zac batia no rosto dela bem de leve para ver se ela acordava, mas não adiantava nada, ela nem se mexia.

Ariella >> "Sharon!"

Zac >> "Sharon?! Sharon, acorda!!"

O Zac parecia bem mais preocupado do que o Taylor e a Ariella.

Zac >> "Vão chamar alguém para ajudar aqui!"

Ariella >> "Vem, Tay, vamos chamar o Seu Viana! Ele vai saber o que fazer!"

Os dois saíram da sala. O Zac ficou ali, abanando a Sharon, todo preocupado, tentando faze-la acordar.

Zac >> "Ai, Sharon, acorda! Você estava bem até agora! Só não morre, por favor!"

A Sharon não se mexia.

Zac >> "Sharoooon! Ô Sharoooon?"

Nada.

Zac >> "Não, por favor, fica boa. Eu... eu não quero que você fique mau." – preocupado.

Ele bateu no rosto dela um pouco mais forte. Então a Sharon respirou fundo e começou a ameaçar abrir os olhos. O Zac abriu um sorriso de orelha à orelha.

Zac >> "Isso, isso! Acorda!" – segurando o rosto dela com ambas as mãos.

A Sharon abriu os olhos de leve e, devagar, foi vendo o formato do rosto do Zac, os cabelos dele quase tocando o rosto dela, os olhos dele arregalados, mostrando uma mistura de preocupação com alegria. Então ela reparou nos olhos dele. Eram esverdeados. Lindos!

Sharon >> "O seu olho..." – ela sussurrou, ainda meio fraca.

Zac >> "O que é que tem?" – não entendendo nada.

Sharon >> "É esverdeado." – sorrindo meio sonolenta.

O Zac achou graça daquilo e riu baixinho. Ele ficava tão mais bonito quando sorria... Agora o Zac a olhava, sério, com vestígios do sorriso no canto de sua boca. Talvez por estar meio fraca ainda, a Sharon conseguiu corresponder ao olhar. Ela sentia um frio na barriga muito grande e os seus pés estavam formigando. A sua vista ainda não estava completamente recuperada, mas ela conseguia ver o rosto do Zac perfeitamente, por ele estar muito perto. Então o Zac, que ainda segurava o rosto dela, começou a mexer os seus dedos pela bochecha dela e aquilo fazia cócegas na Sharon. Mas ela não riu. Estava um pouco nervosa. Ele deslizou o seu dedão pelos lábios dela. Nossa, a Sharon sentiu aquela confusão de sentimentos que ela sempre sentia quando ele chegava muito perto. O Zac foi se inclinando, inclinando, inclinando... Agora revezava seu olhar entre a boca dela e seus olhos. Bateu um pânico na Sharon muito grande! Ela queria sair dali (correndo, de preferência) gritando, morrendo de vergonha. Mas os pés dela formigavam demais. Nem que ela quisesse ela não poderia sair dali. Até que o Zac se inclinou o suficiente e tocou os lábios dela muito de levinho. A Sharon só sentiu aquela boca dele, linda e maravilhosa, macia, tocando a dela. O Zac virou um pouco o rosto e pressionou o rosto dela, que ainda estavam em suas mãos, contra o dele. A Sharon sentiu-se tão calma, o pânico já tinha passado... O Zac tirou por um momento os lábios e encaixou o seu lábio superior entre os dela. E puxou devagarinho os da Sharon. O cabelo dele estava encostando no pescoço dela e, por estar tão perto, ela conseguia sentir o cheirinho de shampoo masculino. Então ele a olhou. A Sharon respirava com dificuldade, mas não aparentava medo nem pânicos. O Zac sorriu para ela, como se todo o carinho existente dentro dele pudesse ser transmitido para ela naquele momento. E foi aí que a Sharon desmaiou. E ficou um bom tempo desacordada.

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Ariella >> "Sharon! Sharon! Ai, acho que ela está acordando!"

A Sharon começou a abrir os olhos, bem lentamente, e viu aquele bando de cabeça em volta dela, todo mundo com os olhos arregalados. Até a Martinha estava lá. A Sharon só conseguiu ver o formato de triângulo do cabelão dela. Sinistro...

Ariella >> "Sharon, ‘miga, fala alguma coisa!"

Sharon >> "Boca..."

Todo mundo se olhou estranhando.

Ariella >> "Boca??"

Tay >> "Puxa, Sharon, que palavras bonitas."

Sharon >> "Quê?! Quê? Eu estava dormindo??" – ela levantou de repente, assustada.

Ariella >> "Tava."

Sharon >> "Droga... então foi sonho..."

Ariella >> "Que??"

Sharon >> "Não, nada."

Viana >> "Acho melhor ela ficar um pouco sozinha, para descansar."

Sharon >> "Nah, tudo bem... eu já tô melhor." – ela disse já levantando.

Ariella >> "Ai, sua monga! Que susto que ‘cê me deu!" – abraçando a amiga com força. A Sharon só riu.

Só aí que a Sharon percebeu que estava no quarto delas, com todo mundo ali.

Zac >> "Tá melhor?" – sério.

Então ela se lembrou do sonho lindo que ela havia tido. E ficou muito chateada em saber que tinha sido só um sonho. Quer dizer, isso era o que ela achava...

Sharon >> "Tô sim, valeu..."

Ele segurou no braço dela.

Zac >> "Mesmo?"

Sharon >> "Ahm..." – ela não entendeu muito bem aquele gesto dele – "Ahan."

Zac >> "Ah, tudo bem então..." – soltando o braço dela.

Ike >> "Sharon..." – chamando ela de longe – "Que susto que ‘cê deu na gente."

Viana >> "O pai de vocês está esperando lá embaixo. Vocês vão jantar com algum empresário aí que quer vocês num programa aí que eu também não sei qual é."

Tay >> "Ah, beleza..."

Ike >> "Putz, esses jantares normalmente são um saco."

Ariella >> "Ah, pensem na comida..."

Eles riram.

Sharon >> "Falando nisso... meu, eu tô com muita fome!"

Ariella >> "Sharon, que idéia! Vamo’ lá no quarto, aí a gente pede alguma coisa e assiste a algum filme massa."

Os três olharam para as duas com aquele olhar pidão, de "aaaah... eu também quero". A Ariella e a Sharon olharam para eles, estranhando um pouco. O Hanson preferia assistir a um filme, comendo uma porcaria qualquer com elas do que ir a um jantar com o pai deles, conversar com um empresário de um importante programa de televisão?!

Ariella >> "O que foi que eu disse?" – olhando para eles sem entender muita coisa.

Ike >> "Nossa... como eu queria fazer isso que ‘cês vão fazer ao invés de ir neste jantar chato..."

Sharon >> "Sério?"

Tay >> "O filme que vocês vão assistir é de suspense?" – com uma cara de quem estava morrendo de inveja.

A Ariella nem sabia se era de suspense, mas a partir daquele momento, era.

Ariella >> "Ahan!"

Tay >> "Ah, não! Eu quero ficar!"

Zac >> "Será que o nosso pai não deixa a gente ficar?"

Ike >> "Você sabe muito bem que não, Zac... infelizmente..."

Viana >> "Meninos, é melhor vocês descerem."

Martinha >> "O pai de vocês já estava nervoso quando ligou para o celular do Viana pedindo para vocês descerem depois que tudo aqui acabasse."

Tay >> "Tá, tudo bem..." – olhou então para a Sharon e a para a Ariella – "Divirtam-se por mim..." – saindo decepcionado.

Ike >> "Tchau, meninas. Bom filme." – bem chateado também.

Zac >> "Até depois..."

Deu para ouvir o Zac falando para os irmãos, já entrando no elevador: "Eu não acredito que elas vão ficar aqui assistindo filme e nós vamos ter de ir nesse jantar podre!". A Ariella e a Sharon só se olharam.

Sharon >> "Aaaah, Seu Viana... eles não podem ficar mesmo?"

Viana >> "Olha, querida, mesmo que eu quisesse... não sou eu quem decide isso." – falou o mais querido possível com a Sharon – "O pai deles é meio chato neste sentido. Vai ver que o jantar trata de algo bem importante e..."

Martinha >> "E também, vocês não vieram até aqui para ficarem passeando com o Hanson para cima e para baixo! Vocês vieram fazer a entrevista e só."

Ariella >> "A gente sabe disso! Mas que culpa nós temos se nós nos demos bem?!" – um pouco grosseira.

Viana >> "Martinha, deixe... são só crianças... todos eles. Venha, vamos voltar para os nossos quartos."

O Seu Viana se despediu delas e saiu. A Martinha não deu nem um tchauzinho e já foi saindo, toda grossa. A Sharon caiu no sofá meio desanimada, pensativa. A Ariella suspirou e se encostou na parede com o braço cruzado.

Ariella >> "Ia ser tão legal se eles ficassem..."

Sharon >> "*suspiro* É..." – segurando o queixo.

Ariella >> "Ai, por que o pai deles não deixa eles se divertirem um pouco de vez em quando?! Que saco! O Taylor se empolgou tanto quando eu disse que o filme era de suspense..."

Sharon >> "É..." – olhando para o nada.

Ariella >> "E o Ike e o Zac, ‘cê viu?? Eles queriam muito ficar também! O Ike até disse que esses jantares são sempre bem chatos!"

Sharon >> "É..." – ainda olhando um ponto fixo no chão.

Ariella >> "Ô Sharon, ‘cê tá me ouvindo?"

Sharon >> "É..." – completamente desligada.

Ariella >> "Sharon?" – a Sharon não disse nada – "Sharon! SHARON!"

Sharon >> "Ai, quié?!"

Ariella >> "Onde que você estava??"

Sharon >> "Aqui, ué!"

Ariella >> "No que você estava pensando?"

Sharon >> "Em nada!"

Ariella >> "Mentira, ‘cê tava sim!"

A Sharon ficou um tempo quieta. A Ariella sentou ao lado dela.

Ariella >> "Fala, Sharon. Que foi?"

Sharon >> "Ah... é que eu tive um sonho e... ah, nada vai..."

Ariella >> "Que sonho?"

Sharon >> "Um sonho que eu tive quando tava... ah, esquece, vai."

Ariella >> "Quando você tava...?"

Sharon >> "Quando eu tava dormindo."

Ariella >> "O que você sonhou?"

Sharon >> "Que o Zac me beijou. Mas é que pareceu tão real! Eu tinha certeza que era de verdade! Mas aí... ah... nada, vai..."

Ariella >> "Fala, Sharon." – com a maior paciência.

Sharon >> "Mas aí, quando eu acordei, ‘cê disse que eu estava dormindo... então... era um sonho. Que saco! O beijo foi tão legal..." – apoiando o seu queixo nas mãos de novo.

Ariella >> "Peraí! ‘Cê sonhou que beijou o Zac e tá toda triste aí?!"

Sharon >> "Ah, é que eu queria que tivesse sido real..."

Ariella >> "E eu que nem sonho não tive? Eu conversei o dia todo com o Taylor e nada, absolutamente NADA aconteceu!"

A Sharon começou a rir. A Ariella sabia bem como animar a amigona dela.

Ariella >> "Ah, se eu tivesse pelo menos sonhado isso..." – suspirando logo depois. A Sharon ria do jeito da Ariella.

Logo elas se animaram de novo, pediram uns sanduíches na portaria e assistiram a um filme de suspense, que, segundo a Ariella, era em homenagem ao Taylor.

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Durante o jantar, nem o Issac, nem o Taylor, nem o Zac estavam prestando muito atenção no que o tal do empresário estava falando. A única coisa que eles conseguiram reparar bem era que o indivíduo falava mais do que a cota permitida. Até mesmo Walker, que era o mais interessado em entrar num acordo, não estava gostando da quantidade absurda de palavras que saíam ao mesmo tempo da boca daquele homem. O empresário falava da audiência que o seu programa teria, da quantia, segundo ele, "bárbara" que estava disposto a pagar, falava do seu público, de como os meninos seriam bem tratados... e muitos outros assuntos tão inúteis quanto. De repente, o Isaac lembrou-se da Sharon e da Ariella, lá no hotel, assistindo ao filme, embaixo das cobertas, comendo pipoca. E ele desejou, do fundo do coração dele, estar lá.

Ike >> "Zac..."

O Zac não ouviu. Estava dormindo.

Ike >> "Ô Zac!"

Zac >> "Ãã? Quê?" – acordando.

Ike >> "Será que a gente vai demorar muito para voltar ao hotel?"

Zac >> "Mmm... pera..."

Então o Zac cutucou o Taylor discretamente. Ele virou.

Tay >> "Quié."

Ike >> "Será que o cara aí ainda vai falar muito? Eu queria ir pro hotel logo."

Tay >> "Ele já terminou de acertar tudo com o nosso pai. Só que ainda não terminou de falar."

Não, imagine você a cena. Os três, meio abaixados, escondendo-se na toalha, cochichando para que nem seu pai nem o Empresário que falava mais do que a mãe da cobra, ouvissem.

Tay >> "Olha a cara do nosso pai."

Walker já não conseguia mais disfarçar estar entediado de tanto que o dito cujo falava.

Zac >> "Acho que ele também não está lá muito afim de ficar."

Ike >> "E se... mmm... o Zac começasse a passar mau?"

Tay >> "Passar mau? Mas ele está bem e..."

Zac >> "Calma, Ike, estas coisas são muito complicadas para o Taylor entender. Deixe-me reformular a pergunta: Tay, e se eu decidisse começar a passar mau? ‘Tendeu agora?"

Tay >> "Aaaah... ‘tendi. Mas será que o cara iria acreditar?"

Ike >> "Olha, nessas alturas, vale tentar qualquer coisa." – olha para Zac – "Tá, prepara então. Vê se capricha na interpretação, hein Zac?"

Zac >> "Acredite, eu irei. A causa é nobre."

Então o Zac começou a gemer, fingindo estar com dor de barriga.

Ike >> "Nossa, Zac, o que ‘cê tá sentindo?"

Walker >> "Filho, ‘cê tá bem?"

Zac >> "Ai, ai... ai, ui, ei, ai! O meu estômago... ai... acho que eu comi demais..." – com uma cara de dor.

Tay >> "Calma, Zac, calma." – virou para o seu pai – "Pai, não é melhor nós voltarmos para o hotel?"

Zac >> "É, pai... eu quero voltar para o hotel!" – com as mãos na barriga.

Walker >> "Claro, claro, eu acho uma excelente idéia..." – já levantando – "Obrigado, Sr. Andrews, mas eu preciso ir. O meu filho não está nada bem."

Sr. Andrews >> "Mas que pena... vocês acabaram de chegar..." – levantando também.

Walker >> "Pois é, mas sabe como são essas crianças, não é mesmo?"

O Walker já estava empurrando os filhos para saírem do local. Isaac, Taylor e o Zac se olharam e sorriram.

Sr. Andrews >> "Bom, vocês querem uma carona ou algo assim?"

Todos da família Hanson gritaram "não", sem querer, ao mesmo tempo e no mesmo tom de voz.

Walker >> "Quer dizer… não precisa se incomodar porque nós estamos de carro. But thanks anyway..."

Eles correram para o carro deles, não vendo a hora de chegarem no hotel. Os três entraram no banco de trás, aliviados.

Walker >> "Nossa, que homem mais chato!" – olhou pelo retrovisor – "Zac, calma aí que nós já estamos chegando."

Zac >> "Não, tudo bem, pai, eu já tô melhor."

Walker >> "Mesmo? Puxa, que bom...Certeza de que não sente mais nada?"

Zac >> "Absoluta. Acho que era aquele homem que não estava me fazendo bem."

Walker >> "Eu não duvido nada de que o motivo seja este."

Walker deu a partida no carro e eles retornaram ao hotel.

Sharon >> "Ai, que pipoca mais demorada."

Ariella >> "É que este microondas tá meio lerdo..." – olhando pelo vidro do aparelho a pipoca girando.

Sharon >> "Que filme que nós vamos ver?" – entrando na mini cozinha que tinha no quarto.

Ariella >> "Um aí que vai passar na televisão à cabo."

Sharon >> "Beleza..."

Quando a Sharon sentou no sofá da sala, a campainha tocou. Ela deu um grito. Tinha levado um susto muito grande.

Sharon >> "Porra, que susto!"

A Ariella veio da cozinha rindo para abrir a porta.

Ariella >> "Calma, Sharon, é só a campainha."

Então a Ariella abriu a porta. E, para a surpresa dela, era o Isaac e o Taylor.

Ike >> "Olá!" – sorrindo.

Ariella >> "Nossa!" – espantada.

Sharon >> "Quem que é?" – ela perguntou em português.

A Ariella abriu mais a porta para que a Sharon pudesse ver.

Ariella >> "Eles."

Ike >> "Oi. O Zac daqui a pouco chega. Ele tá terminando de se trocar."

Sharon >> "Mas vocês não estavam num jantar?"

Tay >> "Nós estivemos. Mas já ‘cabou."

Ariella >> "Nossa, que rápido."

Ike >> "Tipo... ‘cê não vai convidar a gente pra entrar?"

Ariella >> "Ah, claro... nossa, desculpe." – muito sem jeito – "Entrem."

O Isaac e o Taylor estava com roupas mais confortáveis. Ambos estavam usando calças de moletom. O Isaac usava uma regata e o Taylor uma blusa de moletom muito larga, preta, lisa.

Eles entraram. O Isaac sentou no sofá de um lugar e o Taylor no chão. Quando a Ariella estava fechando a porta, alguém segurou do lado de fora do quarto, impedindo que ela encostasse a porta totalmente.

Zac >> "Ei, não esqueçam de mim!"

A Sharon abriu um sorrisão quando ouviu a voz do Zac.

Ariella >> "Oi, Zac. Entra aí." – sorrindo.

Zac >> "Licençaaa!"

O Zac estava usando um pijama muito bonitinho. É claro que ele havia colocado para chamar a atenção e tirar algumas risadas, mas mesmo assim, ele estava lindo. O pijama era azul escuro com listras verticais brancas. E ficava meio justo para ele porque, além do pijama ser alguns números menor, o Zac também era meio fortinho para aquela roupa.

Sharon >> "Nossa, Zac, que roupa mais fashion." – disse, rindo.

Tay >> "Zac, eu não acredito que ‘cê pegou o meu pijama!"

Agora já deu para entender o por quê de o pijama ter ficado tão menor para o Zac. A Ariella olhou no mesmo instante para o Taylor.

Ariella >> "É seu?"

Tay >> "Ahm... quer dizer..."

Zac >> "É sim. Só que ele tem vergonha de dizer."

O Zac se jogou no sofá, do lado da Sharon.

Zac >> "Oi, Sharon." – com um sorriso sedutor, e escrachado, no rosto.

Sharon >> "Oi, Zac..." – rindo.

Ariella >> "Bom, já que o Zac roubou o meu lugar... (obrigado, Zac!)... eu vou ter de sentar aqui no chão com o Tay."

Zac >> "Tenho certeza de que ele não vai se incomodar nenhum pouco."

O Taylor nesta hora olhou para o Zac como uma cara muito, mas muito feia. Ele podia até ter matado o Zac com aquele olhar assassino. O Zac notou que tinha falado demais, mas achou melhor deixar quieto porque, normalmente, nestas situações, quando tentamos concertar, acabamos piorando. O Isaac, percebendo o clima ruim, tentou mudar de assunto.

Ike >> "Mas e esse filme, não sai, não?"

Pííííííí !!! – esse é o microondas.

Ariella >> "Oba, a pipoca tá pronta." – levantando a indo para a cozinha.

Tay >> "Pipoca? Nham..."

Zac >> "Está ficando bem interessante o negócio por aqui."

Ariella >> "Prontinho." – disse, já sentando ao lado de Taylor – "Alguém quer pipoca? Hehe."

Todos juntos >> "EU!"

Risadas. O filme começou. Estava frio naquela noite. O Isaac, que estava de regata, não agüentava de frio.

Ike >> "Gente, dá pra parar o filme só um pouquinho?"

Zac >> "Não."

Ike >> "Por favor... é urgente."

Ariella >> "Ahm, querido, o filme é na TV à cabo. Fala, o que foi?"

Ike >> "Será que ‘cês teriam um cobertor por aqui? É que eu tô morrendo de frio."

Sharon >> "Tem sim, pera..."

A Sharon levantou e aproveitou para pegar coberta para todo mundo. Nossa, foi uma bagunça na hora de se cobrir... o Zac não se ajeitava. Não sabia se deitava no ombro da Sharon, se sentava de perna-de-índio no sofá, se deitava com os pés no colo da Sharon... O cobertor do Taylor e da Ariella era meio pequeno. Por isso, eles tiveram de se ajeitar bem próximos, morrendo de vergonha um do outro.

Tay >> "Tá te cobrindo tudo aí desse lado?"

Ariella >> "Na verdade não, mas num tem problema, Taylor..."

Tay >> "Tay."

Ariella >> "Ah, é. Desculpe."

Tay >> "Claro que tem problema. Pera..."

Ele foi chegando mais perto dela, até que estava sentados com os ombros e pernas encostando. A Ariella queria morrer quando sentiu a coxa dele encostando nela. Está certo que a perna dele era um pouco fina, mas as coxas não eram nada mau. Todo mundo ajeitado, começaram a assistir ao filme novamente. Vez ou outra, o Taylor começava a se mexer, para se ajeitar mais próximo da Ariella. Ela percebia e ele não disfarçava. A situação estava muito engraçada. Tadinho do Tay... não era dos mais discretos. Mas as atitudes dele eram tão fofinhas. Quando ele sentava perto demais da Ariella e ela não tinha como disfarçar que tinha percebido, o Taylor pedia desculpas e ia um pouquinho mais para o lado. De tanto ele fazer isso, uma hora a Ariella "cansou"...

Ariella >> "Tay, tudo bem... eu não me importo, não." – cochichando.

Tay >> "O quê?" – cochichando também.

Ariella >> "Ah, tipo... você fica pedindo desculpas toda hora. Só pra dizer que ‘cê não precisa se desculpar."

Tay >> "Ah... não?"

Ariella >> "Não, ué. ‘Cê não tá me machucando nem nada." – sorrindo.

Tay >> "Quê?"

A Ariella estava falando meio baixo, para não atrapalhar o pessoal assistindo, e por causa disso, o Taylor não escutava direito o que ela estava falando. Então ela foi um pouco mais para frente para ele ouvir. Só que ele também foi. Estava um pouco escuro, mas a luz da televisão iluminava bem. Bom, se beijar eles não se beijaram, mas ficaram com os rostos muito próximos.

Tay >> "Agora eu acho que tenho que me desculpar." – sussurrando.

Ariella >> "Não, tudo bem... você ainda não me machucou." – ela sussurrou, olhando-o nos olhos.

Tay >> "Tá frio, né?"

Ariella >> "Muito."

O clima estava mais do que perfeito para um beijo. Os dois ficaram um tempinho se olhando. A luz da televisão batia nos olhos dele e o azulzão ficava bem clarinho. A Ariella ficava olhando para aquela boca desenhadinha e sentia umas coisas fortes dentro dela. Então, para não dar tão na cara que ela queria isso demais, ela virou o rosto um pouco para a televisão. Ela estava nervosa. A Ariella, normalmente, no dia a dia, era bastante empolgada, falava muito e não tinha costume de sentir vergonha. Mas quando o assunto era menino e menino que ela gostava, gente, a coisa mudava totalmente. Ela tornava-se tímida, não tinha mais coragem de nada, ficava mais na dela. E, por causa disso, ela se tornava especial.

Mesmo quando a Ariella virou, o Taylor continuou olhando para ela. Ai, que frio na barriga! Ele estava todo sério, sentado com as costas encostadas no sofá, apenas com a cabeça virada, olhando para ela. A Ariella não sabia muito o que fazer porque ela estava em uma situação que ela sempre sonhou estar, mas que nunca imaginou que estaria. O Taylor continuou olhando para ela. A Ariella não tirava os olhos da televisão.

Tay >> "Ariella..."

Ela olhou para ele.

Tay >> "Não tem problema mesmo eu ficar sentado um pouco mais perto?"

Ariella >> "Claro que não, Tay..." – sussurrou.

O Taylor sorriu para ela muito meigo. Nossa, ele era muito fofo. E se ajeitou bem pertinho da Ariella, abraçando-a pelo ombro. Aí ela se aconchegou nele e continuaram assistindo o filme. Nas partes de maior medo, a Ariella escondia seu rosto no pescoço dele. Ele era tão cheiroso... Em um determinado momento, a Ariella apertou o joelho do Taylor numa cena de tensão. Na mesma hora, ela o olhou muito sem graça e falou "Desculpe", só mexendo os lábios, sem fazer som nenhum. Ele sorriu e, por baixo do cobertor, procurou pela mão dela e a segurou.

Tay >> "Aperta a minha mão que não tem problema nenhum." – sussurrou, sorrindo.

A Ariella ficou muito sem graça, mas não achou a idéia das piores. A mão do Taylor estava igual a daquele dia da batata frita. Bem quentinha, macia... Ela virou para a televisão e não soltou da mão dele o filme inteiro. Nem ele da mão dela.

E o filme chegou ao fim. Quando o Isaac levantou e acendeu a luz, o Taylor e a Ariella se olharam na mesma hora. Ela soltou da mão dele, um pouco envergonhada.

Ike >> "Nossa, meu, que filme animal!"

Zac >> "Eu gostei também!"

Sharon >> "Ah, mais ou menos... não deu tanto medo assim."

Ariella >> "Não, ‘magina. Eu quase morri aqui de medo que eu fiquei."

Sharon >> "Ah, sei lá, vai..."

Zac >> "Uaaaah... tô ficando com soninho..."

Ike >> "Vamos indo, gentes?"

Tay >> "É, tá tarde..." – levantando.

Todo mundo se despediu de todo mundo. Só na hora do Taylor dar tchau para a Ariella, ele deu um beijinho no canto da boca dela.

Tay >> "Tchau, até amanhã." – sorrindo.

Ariella >> "Tchau."
A Sharon levou todo mundo até a porta, eles saíram e ela trancou o quarto.

Sharon >> "Boa noite, Ariella..."

Ariella >> "Ai, ai... tchau."

Sharon >> "Eu, hein..."

Só a Ariella podia entender o que ela estava sentindo naquele instante. Era muita alegria para tentar explicar. E para quê explicar? Sentir só já estava muito bom.

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No dia seguinte, a Ariella e a Sharon acordaram muito tarde. Elas estavam muito cansadas por causa da hora que o filme tinha acabado noite passada. Já o Hanson estaria de pé logo cedo para a tal gravação do programa do Sr. Andrews. O homem era muito chato, mas sabia muito bem como fazer negócios.

Quando as duas finalmente acordaram, trocaram-se rapidamente e correram tomar café, na esperança de ainda conseguir pegá-los lá, no meio da refeição. Mas ao chegarem no restaurante, só encontraram com o Seu Viana comendo com a Martinha Bizarrona.

Ariella >> "Eles já foram?" – aproximando-se da mesa em que estavam sentados.

Viana >> "Bom dia para você também." – irônico – "Já sim. Foram fazer uma participação num programa aí..."

Martinha >> "E que intimidade vocês acham que tem com os meninos pra chegarem perguntando deles?"

Sharon >> "Mas nós somos íntimas deles." – disse, querendo provocar.

A Martinha soltou uma gargalhada nojenta, daquelas bem irônicas, que lhe irritam até a alma, despertando uma raiva incontrolável, que dá vontade de sair socando a cara de quem teve a coragem de rir deste jeito. A Sharon sentiu-se exatamente assim. Ela só queria poder socar a cara da Martinha com tanta força, a ponto de desfigurá-la.

Sharon >> "Posso saber o que é tão engraçado?"

Martinha >> "Vocês acharem que são amigas deles. Ai, ai... quanta ingenuidade..."

Ariella >> "Bom, com certeza não é a sua opinião que vai mudar alguma coisa sobre o que já é fato. Nós conseguimos conquistar a amizade deles sim, queira você ou não." – sem a menor paciência.

Viana >> "Por favor, senhoritas, não vamos brigar já tão cedo." – virou-se então para Sharon e Ariella – "Meninas, por que não vão comer alguma coisa enquanto eu e a Martinha terminamos a nossa conversa?"

A Ariella sorriu para o Viana e saiu dali, com ar de vitoriosa. A Sharon fez sinal de positivo e seguiu a amiga.

Martinha >> "Viana, eu não gosto delas."

Viana >> "Eu notei mesmo. Martinha, é implicância sua porque elas se deram muito bem mesmo com os três. E o que é que tem se o sonho das duas está sendo realizado? Deixa-as aproveitarem enquanto nós ainda estamos aqui."

Martinha >> "Mas nós não viemos realizar o sonho de ninguém, Viana. Nós estamos aqui a trabalho."

Viana >> "Por enquanto, não está causando nenhum problema eles serem amigos. Quando começar a causar, aí nós conversamos."

Aquela manhã estava predestinada a ser maçante. O Isaac, o Taylor e o Zac não chegariam tão cedo, pois a gravação talvez ocupasse todo o almoço. O Seu Viana e a chata da Martinha resolveram de última hora fazerem algumas gravações com a Sharon e com a Ariella de elas chegando em Nova York. Foram a alguns parques e filmaram as duas na expectativa de encontrar com o Hanson, como se estivessem indo para o hotel entrevistá-los. No dia da transmissão, isso passaria antes da parte ao vivo, de elas entrando no quarto do hotel e fazendo todo aquele social que estava programado para acontecer no dia da entrevista. Foi cansativo. Quando chegaram ao hotel, os três já estavam almoçando com toda a família.

Ariella >> "Eles chegaram!" – olhando para o restaurante da portaria.

Sharon >> "Iurrú!"

Viana >> "Eles estão aí. Vamos até lá falar com eles."

Toda a equipe dirigiu-se para o restaurante, mas só o Viana aproximou-se da mesa para conversar com eles. Zac acenou de longe mesmo para elas, que estavam paradas na porta, esperando. O Seu Viana disse algumas coisas e logo retornou, feliz, como se tivesse conseguido algo bem importante.

Viana >> "Martinha, eles toparam fazer umas filmagens hoje com as meninas."

Martinha >> "Ótimo."

Sharon >> "Nós vamos gravar com eles?"

Viana >> "Pouca coisa, mas vamos."

Ariella >> "Beleza."

Todo mundo subiu para o último andar. O Hanson precisava terminar de almoçar e ainda tinham que se arrumar. A Ariella estava impaciente no quarto, andando de um lado para o outro, com o dedo na boca, preocupada.

Sharon >> "Ariella, pára de andar assim que ‘cê tá me irritando!"

Ariella >> "Não, é que... ai!"

Sharon >> "O que foi?"

Ariella >> "Sharon, tão querendo fazer essa gravação hoje já. E se a gente gravar essa tal entrevista hoje, logo nós vamos embora."

Sharon >> "Eu sei, mas... eles não vão gravar tudo hoje. A parte principal da entrevista vai ser no dia da transmissão do programa, tudo ao vivo."

Ariella >> "Tá, mas eles querem gravar um pedacinho hoje já. Quanto menos tiver pra gravar no dia da gravação, menos tempo nós teremos."

Sharon >> "Como assim? Vai ser o mesmo tempo de qualquer jeito."

Ariella >> "Não, Sharon, ‘cê não tá entendendo! No dia em que nós formos gravar ao vivo, se correr tudo bem na gravação, nós terminamos logo e já vamos embora. Agora, se demorar bastante e ficar bem cansativo, o pai deles do jeito que é, não vai querer viajar cansado como ele vai estar. O Seu Viana também não vai querer pegar avião depois de tanto trabalho."

Sharon >> "Aaah, agora tô entendendo."

Ariella >> "E também..."

A Ariella é interrompida por alguém batendo na porta. Era o Seu Viana dizendo para elas descerem, pois eles logo estariam preparando-se para gravar.

Sharon >> "A gente já desce, Seu Viana."

Ariella >> "Sharon, tá vendo? A gente precisa pensar em alguma coisa."

Sharon >> "Ariella, vamo’ lá gravar o dito do negócio de uma vez e pronto. Não fica aí pensando nesses seus planos ridículos porque desta vez não vai funcionar."

Apesar da Sharon concordar com o raciocínio da Ariella, ela queria descer de uma vez para ver o Zac. Não conseguiu vê-lo pela manhã e, como estava acostumada a isso, já sentiu falta. O Zac estava se tornando bem importante para ela. A Sharon não queria saber do depois, ela só ligava para o agora, para o Zac esperando-a na portaria do hotel, lindo como sempre, pronto para conversar com ela. A Ariella já preocupava-se mais com o depois, com o que podia acontecer no dia seguinte. Em como ela e o Taylor poderiam estar bem e juntos amanhã, dependendo da atitude que ela tomasse hoje.

Ariella >> "Vamos fazer o seguinte..."

Sharon >> "Ariella, não! Eu não vou por você dessa vez. Eu quero descer lá, droga!"

Ariella >> "Eu sei, Sharon... ó, mas o meu plano não vai beneficiar só a mim."

A Sharon suspirou sem paciência.

Sharon >> "Fala logo."

Ariella >> "É só você fingir que está passando mau de novo."

Sharon >> "Como assim, de novo? Aquela vez eu não estava fingindo."

Ariella >> "Eu sei que não. E é bem por isso que eu quero que você finja agora. Para todo mundo pensar que deu mais um daqueles ataques."

A Sharon pensou, pensou e pensou. Andou, pensou mais um pouco, sentou.

Sharon >> "Ahm... Não!"

Ariella >> "Ah, Sharon, por favor! É importante!"

Sharon >> "Ariella, pensa. O Seu Viana vai querer chamar médico. Tá, o cara vai ma analisar lá e é óbvio que ele vai descobrir que eu não tenho nada! E aí?? Se todo mundo descobrir que eu estou fingindo, eu é que me ferro!"

Ariella >> "Ninguém vai descobrir nada! Eu digo que, sei lá, é psicológico."

Sharon >> "Ah, tá... aí o Zac vai ficar achando que eu sou uma problemática."

Ariella >> "Sharon, ele não vai pensar nada disso. Ele vai ficar preocupado com você, vai querer vir aqui no quarto te visitar e vocês dois vão ficar sozinhos e..."

Sharon >> "Tá, tá! ‘Cê me convenceu!"

Não adiantava. A Ariella sempre acabava convencendo a Sharon de fazer o que ela queria. E a Sharon odiava isso porque parecia que a Ariella sempre tinha uns argumentos secretos para quando precisasse persuadir a Sharon a fazer alguma coisa que ela quisesse muito. A Sharon sentia como se tivesse perdido para a amiga, mas sabia que o que a Ariella estava premeditando não poderia acabar mal. Ou pelo menos, era o que ela achava.

Então a Martinha começou a encher o saco do Seu Viana, coitado, porque elas estavam demorando muito para descer.

Viana >> "Calma, Martinha. Deve ter acontecido alguma coisa."

Martinha >> "É, sei! Preguiça, foi isso que aconteceu."

Viana >> "Eu vou interfonar lá pra ver."

O interfone tocou no quarto delas.

Ariella >> "Deve ser o Seu Viana querendo saber o que aconteceu. Sharon, você fica bem quietinha aí. Ele não pode ouvir a sua voz."

Sharon >> "Tá, tá... vai logo."

Ariella >> " *caham* ... Alo?"

Viana >> "Ô Ariella, tá todo mundo aqui embaixo só esperando por vocês. ‘Cês não vão descer, não?"

Ariella >> "Ai, Seu Viana, mil desculpas, mas é que a Sharon não tá bem de novo."

Viana >> "Como assim?" – preocupado.

Ariella >> "Ela tá com muita dor de cabeça e mau estar."

Viana >> "Ah, meu Deus. Nós precisamos chamar um médico."

Ariella >> "Não, tudo bem, Seu Viana. Ela só precisar descansar um pouco."

Viana >> "Certeza de que não precisa de um médico?"

Ariella >> "Absoluta."

Viana >> "Tudo bem, então. Tchau. E qualquer coisa, é só chamar, viu?"

Mas não é que funcionou mesmo? Nossa, essas meninas era mesmo boas. Logo que a Ariella desligou o telefone, a Sharon já começou a reclamar. Ela tinha certeza de que não ia dar certo aquilo.

Sharon >> "E se o Seu Viana resolver subir aqui pra ver como eu estou?"

Ariella >> "Aí ‘cê diz que já tá melhor, oras."

Sharon >> "Puxa, muito esperto mesmo. É claro que ele vai desconfiar de que é mentira!"

Ariella >> "Não, ele não vai! Sharon, pára de reclamar, tá?! Ele não vai descobrir nada, que coisa!"

Silêncio. Quando a Sharon sentou no sofá, nervosa, a campainha tocou. Ela deu um pulo, desesperada.

Sharon (sussurrando) >> "É ele. É ele. E agora? Que que eu faço??"

Ariella >> "Calma, ééé..." – sussurrando também – "Deita aí..." – apontando para o sofá – "...e faz cara de quem tá passando mau."

Sharon >> "Ai, tá..."

A Ariella ajudou a Sharon a se ajeitar e foi atender à porta.

Ariella >> "Nossa, oi."

A Sharon, que estava deitada, viu que a amiga se assustou com quem estava na porta. Ela tentou ver quem era deitada mesmo, mas não conseguia ver nada. E a porta estava muito longe do sofá e ela abria para um lado que tampava a entrada.

Zac >> "Como que a Sharon tá?"

O Zac fez uma cara de preocupado muito fofa. A Ariella queria rir, mas se fizesse isso, entregava a amiga.

Tay >> "O Zac tava querendo muito saber como ela está, aí nós resolvemos subir pra ver como estão as coisas."

Ariella >> "Então entrem." – sorrindo.

A Sharon fechou os olhos e se cobriu até o pescoço. Ela não sabia se deveria fingir para eles ou não. Na dúvida, preferiu fazer um tipo para eles dois.

Zac >> "Ela tá dormindo?" – perguntou para a Ariella, sussurrando.

Ariella >> "Ahm... tipo..."

Sharon >> "Não, eu tô acordada." – abrindo os olhos.

Zac >> "Oi." – sorrindo – "Como é que você tá?"

Sharon >> "Tô melhorando. Pelo menos, eu acho."

Tay >> "Você teve aquilo de novo?"

Sharon >> "Aquilo?"

Tay >> "É, aquilo que ‘cê teve da última vez." – tirando as mãos no bolso.

Sharon >> "Ah, aquilo! É, tive..."

Ariella >> "Vocês querem alguma coisa?"

Zac >> "Tipo o quê?"

Sharon >> "Coca, por favor!"

Ariella >> "Beleza."

Tay >> "Eu te ajudo."

A Ariella e o Taylor entraram na hiper-super-mini-tamanho extra pequenininha cozinha. Ela era muito espremida. É que normalmente os hóspedes não utilizavam muito dela quando estavam no quarto. Se queriam comer, pediam. Tinha um freegobar com algumas bebidas e uns copos em cima da pia. Pequenos também.

Tay >> "Ahm... a gente vai tomar aqui?" – olhando para os copos.

Ariella >> "Você tem alguma outra sugestão?"

Tay >> "Não, é que... nossa, que pequeno."

Ariella >> "Mas dá pra tomar."

Tay >> "Tem certeza?" – olhando para os copos. A Ariella riu.

Ariella >> "Essa pia só é muito legal pra sentar."

Tay >> "Bom, eu não costumo sentar na pia dos hotéis."

Ariella >> "Como que não? Você nunca sentou na pia de lugar nenhum?!"

Tay >> "Eu deveria?"

Ariella >> "Claro! É muito legal!"

Tay >> "Por quê? É só uma pia e você só senta."

Ariella >> "Não, não é só isso. Quer ver? Senta."

Tay >> "Eu?!"

Ariella >> "Não, o copo. Claro que é você."

O Taylor tirou os copos da pia, colocou sobre o balcão, e sentou. Mas ele sentou completamente desengonçado, com as pernas cruzadas, encostando na parede atrás dele.

Ariella >> "Não, não e não!" – disse, se aproximando dele – "Você não pode sentar assim numa pia."

Tay >> "Ah não?"

Ariella >> "Não! Assim ó..."

Então a Ariella ficou bem de frente para ele.

Ariella >> "Não se cruza a perna quando se senta numa pia."

Ela descruzou as pernas dele com as mãos e as ajeitou cada uma de um lado dela. Assim, ela ficou entre as pernas dele. Aí ela o desencostou da parede e o fez vir um pouco mais para frente. As mãos dele, ela colocou-as segurando na virada do mármore, ao lado das coxas dele, para que ele pudesse se segurar.

Ariella >> "Pronto, agora sim." – sorrindo.

A Ariella olhou para ele. Mas só então ela percebeu que eles estavam perto demais. A pia era baixa e, graças a isso, eles ficavam quase da mesma altura. O Taylor estava curvado, devido a pose que a Ariella o fez fazer. E, essa inclinação para frente, fazia com que eles ficassem bem pertinho um do outro. Ela olhou nervosa para ele, olhou ao seu redor e se viu entre as pernas dele, com as mãos apoiadas nas coxas dele. Caramba, quando a Ariella se ligou disso, ela ficou muito mais nervosa. O Taylor sorriu muito fofo. Ela ficou sem jeito, olhou para baixo, disfarçou o máximo que deu.

Tay >> "Pronto?"

Ariella >> "Pronto o quê?"

Tay >> "Pronto? Tô pronto para sentar numa pia?" – sorrindo.

Ariella >> "Ahan. Você foi muito bem." – sorrindo, sem graça.

Tay >> "Obrigado." – pausa – "Você é boa em ensinar coisas."

Ariella >> "Sou?"

Tay >> "Ahan."

Ariella >> "Ah, ‘brigada..."

O Taylor não era dos mais atrevidos. Ele era um pouco safado para esses assuntos, mas qualquer ser humano do sexo masculino, nesta situação, já teria agarrado a Ariella há muito tempo. Mas ele era tímido, ficava sem jeito muito fácil e, por causa disso, era um pouco inseguro também.

Eles ficaram mais um tempo ali, daquele jeito. Falavam uma coisinha aqui, outra ali, sussurrando, baixinho, pertinho...

Ariella >> "Você esqueceu como é que fala ‘Eu não sou o Taylor’ em português?"

Tay >> "Acho que esqueci, sei lá..."

Ariella >> "Mmm... então eu acho que eu não sou tão boa assim pra ensinar."

Tay >> "Não, não é isso..." – ele disse, todo fofo – "Eu não quis dizer isso."

Ariella >> "Eu sei que não. Eu quem tô dizendo." – sorrindo – "E também, é português. É outra língua. Eu não estava esperando que você decorasse aquela frase e soubes..."

Neste momento, neste exato momento, o Taylor foi mais para frente e deu um selinho rápido na Ariella. Mas muito de repente. Daqueles que interrompem a fala e fazem você se perder porque você não esperava por aquilo. A Ariella ficou olhando para ele com aquele olhão arregalado. O Taylor estava olhando-a também, mordendo o lábio inferior. Lindo.

Ariella >> "Ahm..."

Tay >> "Desculpe. Te interrompi, né?"

Ariella >> "É. Quer dizer, ‘magina. Não! Quer dizer..."

Tay >> "Tudo bem, eu entendi." – sorrindo – "O que você estava falando mesmo?"

Ariella >> "Não me lembro..."

Tay >> "Como que eu peço desculpas em português?"

Ariella >> "Desculpe."

Tay >> "Desculpe."

Ariella >> "Isso aê."

Tay >> "Então desculpe por ter interrompido você."

Ariella >> "Não tem problema, não."

Imagine se teria. Era o Taylor que estava ali, sentado na pia, com as coxas quase na cara dela, falando manso e sussurrando, com aqueles olhos azuis que parecia que ele estava chorando de tanto que brilhavam, aquela boquinha linda... Como ela poderia ficar brava com um menino desses?

Então a Ariella começou outro assunto. Ela já estava se sentindo mais confortável ali onde ela estava. Até apoiou seus braços nas pernas dele enquanto falava, imaginem vocês. O Taylor prestava atenção nela sem tirar o sorrisinho, tão característico dele, do rosto. Até que em um determinado momento, ele a beijou de novo. Mas desta vez, foi um pouquinho mais demorado. Ele tocou os lábios dela, se afastou alguns centímetros, a olhou e deu mais um selinho. Então afastou-se completamente. A Ariella não estava acreditando muito. Parecia que ela estava meio boba, porque o jeito que ela olhava para ele... Toda confusa.

Ariella >> "Ahm..."

Tay >> "Ops. Eu fiz de novo, né?" – meio sem jeito.

Ariella >> "Você sabe que fez. Não tem essa de ‘ops’."

Ele só olhou para baixo, tímido. O que dava para entender do Taylor era que, mesmo ele sendo muito tímido, às vezes dava uns ataques nele de coragem. Coisa de segundos, mas acontecia. Assim que ele deu esses selinhos todos na Ariella. Ela estava estranhando muito aquilo, mas não significava que ela não estivesse gostando. Ela precisava mostrar isso para ele. Tomou coragem e planejou tudo na cabeça dela, rapidamente, antes de colocar em prática. Ela colocaria a mão no rosto dele, ia puxar o rosto do Tay até ela e pronto, estariam se beijando. Mas como nem tudo na vida sai como a gente planeja, o Zac entrou na cozinha antes que qualquer coisa pudesse acontecer.

Zac >> "Tay, vamo’ bora? O pai disse que não era pra nós demorarmos."

Tay >> "Não, claro..." – descendo da pia – "Vamos."

O Taylor sorriu, olhou para a Ariella um tempo, ainda na cozinha, pensando em dar mais um beijinho nela. Mas não lhe deu nenhum ataque de coragem e ele não a beijou. Só no rosto.

Tay >> "Tchau, Ariella."

Ariella >> "Tchau." – meio chateada.

Ele e o Zac deram tchau para a Sharon também e foram embora.

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Bem de manhãzinha, a Sharon foi acordada por alguma hóspede no corredor gritando muito alto "Eca, eca, eca, abaixo a cueca!". A Sharon ficou muito brava. Ela odiava ser acordada. A Ariella também tinha acordado, mas estava sentada na cama dela se matando de rir. A Sharon não estava achando muita graça. Levantou muito brava, abriu a porta e deu um puta berro:

Sharon >> "Cala a boca, sua bucefaléia!!"

E, com toda a finess e boa educação que ela recebeu durante o seu crescimento, ela bateu a porta com muita força. A Ariella, a essas alturas, estava tendo um espasmo de tanta que ria.

Sharon >> "Meu, que isso?? Nem pra dormir dá mais aqui??" – ela disse, deitando novamente, toda brava.

Lá no último andar do hotel, onde estava toda a família Hanson, o Zac também não estava conseguindo dormir aquelas maravilhas. O Taylor dormia muito pesado e estava com o rosto apoiado no travesseiro de maneira bem torta. Estava quase babando. E por causa disso, a respiração dele saía comprimida e, consequentemente, uns sons meio bizarros saíam da boca dele. O Zac já tinha um sono meio sensível. Caía um lenço, ele acordava. E como os barulhos que o Taylor fazia não eram dos mais suaves, o Zac não conseguia dormir.

Zac >> "Putz, Taylor... parece trator afogando." – ele resmungou.

É, não tinha jeito. O Zac até colocou o travesseiro na cabeça e se cobriu até onde deu. Mas não adiantou. O ronco do Taylor estava potente mesmo. Aí ele se encheu e levantou. Colocou o moletom, já que estava sem camisa, e só embaixo das cobertas era quentinho. Pegou o bagulhinho dele de prender o cabelo e fez um rabo bem soltinho, com um monte de fiozinho caindo no rosto dele. Ele sentou no balcão da cozinha. Estava morrendo de sono. Foi quando ele viu o casaco da Sharon em cima da mesa. Fazia um tempão que o homem do restaurante tinha levado para ele, no quarto deles e o Zac tinha esquecido de devolver para a Sharon. Ele sorriu. Lembrou do dia do restaurante... a Sharon toda sem jeito, toda envergonhada, toda tímida. Lembrou também de como ela desmaiou quando ele a beijou, no dia em que ela passou mal. E riu de mais umas coisas que ele lembrou. E deu uma saudadinha da Sharon... daquelas bem pequenas, mas que se não matar logo, podem fazer um estrago grande. O Zac levantou, colocou uma roupa melhor, pegou o casaco e foi pegar o elevador.

"ECA, ECA, ECA!! ABAIXO A CUECA!!" a menina continuava gritando no corredor.

Sharon >> "Gente, eu vou dar um tiro nessa escrota!"

Ariella >> "Eu já perdi o sono, então..."

Sharon >> "Cara, por que essa doente mental tá gritando isso de cueca?"

A Sharon levantou e parou na porta do quarto. Abriu e ficou olhando a menina pulando com uma cueca samba canção na mão, gritando: "ECA, ECA, ECA! ABAIXO A CUECA!".

Sharon >> "Filha, que que 'cê tem, hein?"

A garota não respondeu e continuou gritando. Haha... imaginem a cena. O elevador parou no andar delas e, de dentro dele, saiu o Zac, com o cabelo preso num rabo bem frouxo, com aquele bando de cabelo no rosto dele. Chato, muuuuito chato... A Sharon, quando viu ele saindo do elevador, entrou no quarto correndo. A Ariella não entendeu de primeira a pressa da amiga, mas logo que viu o Zac, pegou na hora.

"ECA, ECA, ECA! ABAIXO A CUECA!"

Zac >> "Quê?" – ele disse, rindo.

Ariella >> "Oi, Zac. Beleza?"

Zac >> "O que essa menina tá fazendo?" – disse se aproximando da Ariella.

Ariella >> "Deve ser algum ritual, sei lá..."

O Zac achou graça.

Zac >> "A Sharon tá aí?"

Ariella >> "Tá sim, entra aê." – ela fechou a porta, depois que o Zac entrou – "Acordou cedo também? Ou tinha algum cara gritando no seu andar sobre a calcinha?"

Zac >> "Nah... foi algo pior. O ronco do Taylor."

A Ariella deu uma gargalhada.

Ariella >> "Nossa... que sexy."

Zac >> "Não conta pra ele que eu te contei, por favor."

Ariella >> "Pó' dexá..."

Zac >> "Cadê a Sharon?"

Ariella >> "Shasháááá..."

Zac >> "Shashá?"

Sharon >> "Ai, Ariellaaaa!" – ela gritou do banheiro. O Zac soltou uma gargalhada.

Ariella >> "Ai... é que ela não gosta muito desse apelido."

Zac >> "Ah, eu gosto." – rindo.

A Sharon saiu do banheiro arrumada já, cabelo penteado, etc, etc... Garota ligeira. Mas imagine se o Zac vê a Sharon desarrumada? Nossa, acho que é capaz de ela ter um colapso.

Sharon >> "Esse apelido é muito podre." – ela disse, um pouquinho brava. Mas não muito, só um pouquinho.

Zac >> "Por quê? É a sua cara." – sorrindo.

Sharon >> "Ai, não fala isso."

Zac >> "Eu queria falar com você, Sharon. 'Cê pode agora?" – com uma cara de que era sério.

A Sharon já ficou toda preocupada. Para o Zac aparecer àquela hora da manhã e ainda dizendo que queria conversar, era porque era sério. Não que ela não quisesse falar com ele, mas quando o assunto é sério, as pessoas costumam conversar de pertinho e olhando no olho. E olhar nos olhos do Zac Hanson, não era algo que a Sharon fazia com aquela naturalidade. Quando a gente gosta, olhar para a pessoa não é fácil. Perturba a gente.

Sharon >> "Sobre?"

O Zac preferiu não falar ali, na frente da Ariella. Desde quando a devolução de um casaco é assunto sério? Então, se ele declarasse que era só do casaco que ele queria falar, a Ariella iria perceber, a Sharon também, e ficaria uma situação daquelas famosas "cadê-um-saco-de-pão-pra-eu-enfiar-a-cara??". Ele só queria ficar um tempo sozinho com a Sharon. E ninguém precisava ficar sabendo disso. Só ele e, se fosse o caso, ela também.

Ariella >> "Tudo bem, tudo bem.. eu já entendi. Eu acho que eu vou ali gritar um pouco com a mulher do corredor e já venho." – ela disse, saindo do quarto.

Quando a Ariella fechou a porta, a Sharon sentou no sofá do quarto. O Zac sentou do lado dela, com o casaquinho na mão. Antes de eles falarem qualquer coisa, deu para ouvir a Ariella lá fora, gritando que nem uma louca com a mulher da cueca. Eles riram.

Zac >> "Mas então... o que eu queria falar com você..." – ele olhou para o casaco – "... era sobre o seu casaco."

Sharon >> "O que 'conteceu com ele? Rasgou?"

Zac >> "Não, não é isso... calma." – ele disse sorrindo muito fofo. A Sharon quase morreu.

Sharon >> "Ah... que susto..."

Zac >> "É que o cara levou o casaco pra mim faz um tempo já, só que eu nunca lembrava de te devolver."

Sharon >> "E...?" – não entendendo o porquê de ele estar explicando aquilo.

Zac >> "E... desculpe."

Sharon >> "Desculpe?"

Zac >> "É."

Sharon >> "Eu acho que eu perdi alguma coisa no meu do seu inglês porque eu não entendi o motivo de 'cê estar se desculpando."

Zac >> "Por não ter te devolvido antes."

A Sharon ficou olhando para ele não entendendo muita coisa.

Sharon >> "Ahm... tá."

Zac >> "Sério?"

Sharon >> "Sério??"

Zac >> "Sério que tá?"

Sharon >> "Que tá?" – ainda sem entender.

Zac >> "Que tá tudo bem."

Sharon >> "Tipo... ahan..."

Zac >> "Legal." – ele sorriu.

Sharon >> "Você achou que eu ia ficar brava porque você não trouxe o casaco aqui antes pra mim?" – ela arriscou.

Zac >> "É, acho que sim..."

Sharon >> "Que estúpido."

Ela arregalou os olhos com a mão na boca na mesma hora.

Sharon >> "Quer dizer, não!! Eu não tava falando de você! Ai, cocô... Zac, discupa. Eu não quis... Ai... blah."

Zac >> "Nossa, haha... tudo bem, calma. Eu entendi."

Sharon >> "Eu quis dizer que... ai, sei lá, vai..."

Zac >> "Fala."

A Sharon estava com o rosto abaixado. O Zac agachou um pouco com a cabeça para olhar para o rosto dela. Ela estava com vergonha de novo. Bom, eu não sei se eu estaria muito confortável em frente a uma boca daquelas. A Sharon levantou o rosto um pouco e ficou olhando. O Zac estava esperando por ela dizer alguma coisa para ele, se explicar, não se sabe. O cabelo estava atrás das orelhas, com aquele monte de fiozinhos caindo pela bochecha dele. Lindo. Era incrível como os detalhes que faziam do Zac esse menino tão bonito, perturbavam a Sharon. Ela se perdia cada vez que olhava para ele.

Zac >> "Me fala."

Sharon >> "Ãã? Falar o quê?"

Zac >> "O que você quis dizer."

Sharon >> "Não, é que... sei lá... nem lembro."
Zac >> "Não?"

Sharon >> "Sei lá, esqueci... não lembro. Blah."

Zac >> "Ah, tá..."

Silêncio. O Zac agora pensava. Lembrou do dia em que ele começou a beijar a Sharon e ela desmaiou. Ele queria beijá-la de novo, mas não queria que ela passasse mau dessa vez porque, se isso acontecesse, ele não poderia beijá-la por muito tempo. Ele ia ter que parar. E o Zac não estava pensando nisso. Ele queria beijar bastante. Pensou em perguntar para ela se podia, mas desistiu da idéia logo que percebeu que ela poderia passar mau do mesmo jeito. Quem sabe se ele fosse devagarinho, chegando pertinho... Não, ela morreria de vergonha. É, teria de ser de repente, sem avisar, do nada, rapidinho. Aí, dependendo, ele beijava ela mais uma vez.

Zac >> "Sharon?"

Quando a Sharon levantou o rosto, o Zac se inclinou rápido e encostou a boca na dela. Ela levou um susto e ficou paradinha, de olhão aberto, sentindo aquele monte de coisas, tudo ao mesmo tempo. Um bando de sentimentos bagunçados. Então ele colocou a mão na bochecha dela e pressionou o rosto da Sharon contra o dele. Ela continuava em choque. O Zac tirou a boca um pouco, mas não afastou muito o rosto. Ficou olhando para ela, com os olhos pertinhos do dela, revezando encará-la e observar sua boca. A Sharon queria dizer um monte de coisas. Um monte de frases estavam gritando na cabeça dela, um monte de pensamentos... mas ela não sabia qual escolher para dizer. E o Zac ali, esperando. Então a Ariella entrou no quarto, falando alto:

Ariella >> "Ai, gente, chega. Aquela menina da cueca é muito esquisita. Que horror! Eu que não vou ficar lá pulando com uma garota que pensa que não se deve usar cuecas. Vai que ela é uma psicopata que tem obsessão por roupas de baixo?" – ela olha para os dois – "Nossa, gente, que foi? Que caras..."

Zac >> "Nada, por quê?" – sério a ponto de convencer Ariella de que não havia nada mesmo.

Ariella >> "Ah, que susto... é que 'cês tão com umas caras..."

Zac >> "Bom, mas deixa eu indo." – ele levantou – "Tchau, Sharon." – deu um beijinho no rosto dela. Depois foi até a Ariella e a beijou no rosto também.

Durante aquele dia todinho, a Sharon não disse mais nenhuma palavra. Mas nenhuma mesmo. Ela ficava olhando para um ponto fixo o tempo todo, pensando no beijo. Ela lembrava de cada sensação, cada movimento, cada ventinho que passou por ali na hora. Ela não podia esquecer de nada. Volta e meia, a Ariella pegava ela olhando para cima, de olhos fechados, sorrindo.

Ariella >> "Sharon, que que isso?"

A Sharon só abria os olhos correndo, ficava séria e olhava assustada para a amiga.

Ariella >> "Sharon, por que 'cê não fala mais?"

É claro que ela não respondia. Era como se, se ela falasse, parte das sensações que ela estava presenciando naqueles instantes, fossem sumir ou mudar. Ela queria preservar mais um tempo o instante do beijo, que parecia que continuava recente na boca dela.

À noite, eles combinaram de fazer alguma coisa juntos. De tarde eles não puderam ficar pelo hotel porque tinham uns compromissos. Então, quando era bem tardão, lá por umas nove da noite, o Isaac interfonou lá para o quarto delas para convidá-las para saírem com eles. Elas se trocaram e desceram na portaria, onde estava todo o pessoal, incluindo o povo da MTV Brasil.

Martinha >> "Onde 'cês pensam que vão, garotitas?"

Ariella >> "A gente vai sair com eles, filha."

A Martinha quase teve uma geração inteira de filhos. Ela detestava o fato de as meninas estarem ficando cada vez mais íntimas dos meninos. Toda vez que eles iam sair juntos, era assim: ela começava a falar, falar, a xingar, a dizer o quanto aquilo era absurdo. E tudo isso, ela fazia mexendo naquele cabelão esquisito e ajeitando os óculos gigantescos dela. Até que chegava o Seu Viana super gente boa para defender as duas dos sermões chatos da véia. Sempre tudo em português, porque a Martinha não era burra de brigar com elas em inglês. Aí o Hanson entenderia e com certeza, eles defenderiam a Ariella e a Sharon. Essa Martinha era uma frustada, que só sabia tentar estragar a felicidade dos outros. Se ela já era um pouco velhinha para passar por esses momentos bons que só passamos quando somos adolescentes, o problema era todo e completamente dela. A Sharon era a que mais estressava com a Martinha e com os "garotitas" dela. A Ariella também não gostava, mas dava só umas cortadas e deixava quieto.

Viana >> "Deixa elas, Martinha... deixe que saiam. Se o pai dos meninos deixaram, quem somos nós para não permitirmos?"

Martinha >> "Nós somos os donos disso aqui, Viana. Precisamos manter uma certa organização e limitá-las de algumas coisas."

Viana >> "Mas por quê, Martinha? Que tipo de organização nós vamos mostrar ter não deixando elas saírem com os meninos?"

A Martinha ficou totalmente sem respostas. Não tinha o que dizer, já que o Seu Viana estava muito certo.

Zac >> "Tá, 'cês vão poder ir com a gente ou não vão?"

Ariella >> "Vamos sim. É só essa Martinha que tá azucrinando, mas nem dá nada."

Walker >> "As meninas vão com a gente?"

Ike >> "Vão. Tem problema?"

Walker >> "Não, imagine, claro que não."

Ariella >> "E aonde que nós vamos?"

Tay >> "Numa entrevista aí. Lembra, aquela que eu te contei que nós teríamos de fazer, naquele dia da batata frita. Sabe?"

Ariella >> "Ah, só, lembrei."

Tay >> "Então."

Zac >> "É, mas o legal vai ser depois da entrevista. Nós pedimos pro nosso pai deixar a gente em algum lugar legal."

Ariella >> "Mas aqui a gente não entra em lugar nenhum. Só maiores de 21 que..."

Ike (interrompendo) >> "Nós sabemos. Nós não vamos a nenhum barzinho ou coisa parecida. A gente vai dar uma andada, passear, ir em algum lugar aberto..."

Ariella >> "Ah... 'tendi."

A Sharon continuava quietinha, só prestando atenção. Ela não queria falar. Claro, em algum momento ela acabaria dizendo alguma coisa, mas ainda não sentia vontade nenhuma de falar nada.

Zac >> "Beleza, Sharon?" – quis saber se ela concordava. A Sharon só balançou a cabeça, fazendo que sim, sem olhar o Zac no olho.

Walker >> "Então vamos, gente, que já está em cima da hora."

Em cima da hora... Estava nada. Só que o Seu Hanson era muito fanático com horários. Ele sempre queria chegar nos lugares bem antes só para não ter o perigo de chegar atrasado. A mulher dele, a Dona Diana, vivia falando para ele, brigando: "Walker, querido, não precisa sair já. Querido, tá cedo ainda", mas não adiantava. Nunca adiantou. O Seu Hanson gostava de chegar cedo e pronto. Não tinha quem mudasse a idéia dele de que: "para você ser um profissional competente, você precisa chegar cedo aos compromissos. Um atraso abala a carreira e a opinião pública sobre o seu trabalho". Ai, que exagero... O Hanson poderia chegar umas três horas atrasado na entrevista, que era capaz daquele bando de repórteres puxa-sacos pedirem desculpas por ELES, os repórteres, estarem lá tão cedo.

Então eles saíram do hotel. No carro, o Taylor e o Isaac explicavam para as duas como era o esquema de segurança e porquê elas não poderiam ser vistas por nenhuma fã de lá. A Sharon entendia tudo em silêncio e a Ariella ia concordo com tudo, perguntando, falando... O Zac já estava começando a ficar incomodado com aquele silêncio da Sharon. Parecia que era alguma coisa com ele, sentia isso. Bom... ele estava completamente certo.

Zac >> "Sharon?" – sussurrando.

A Sharon estava sentada do lado dele no carro. Só precisou virar o rosto.

Zac >> "O que aconteceu?"

Ela não disse nada. Continuou olhando para ele.

Zac >> "Você não fala. Por quê?"

A Sharon olhou para baixo.

Zac >> "Foi por causa do que eu fiz hoje, né?"

Ela olhou para ele. Demorou um pouco, mas acabou balançando a cabeça, dizendo que sim.

Zac >> "Eu sabia disso..." – disse chateado. – "Desculpe. Eu não queria ter te deixado assim. Eu não queria te beijar a força. Por favor, não pense que eu sou esse tipo de cara que agarra as meninas a força só porque é famoso. Desculpe, Sharon...Você está pensando coisa ruim de mim?"

A Sharon balançou a cabeça bem rápido, dizendo que não.

Zac >> "Não mesmo?"

Ela balançou bem rápido de novo, dizendo que não.

Zac >> "Mas mesmo assim... eu quero que você me desculpe. Eu pensei que você queria que eu beijasse você. Como eu sou convencido... Me desculpe. Por favor."

A Sharon tinha um discurso todinho pronto na cabeça. Cada palavra estava na ponta da língua, prontinha para sair e mostrar para o Zac como ele era importante para a Sharon. Só que a Sharon não contava com uma coisinha: a timidez dela. O Zac ficou ali, com uma carinha triste, todo arrependido, se sentindo o pior dos piores, enquanto a Sharon gaguejava um monte. Não saía uma palavrinha sequer. Nada, nem um "imagina, Zac que isso". Ele ficou olhando para ela, esperando pelo que ela ia dizer. Até que uma hora, alguma coisa saiu:

Sharon >> "Ahm... não tem problema. Quer dizer... sei lá... a gente é amigo e tal..."

Amigo?! Putz, Sharon! O Zac ficou se sentindo o mais idiota dos mais idiotas de todos os idiotas do mundo.

Zac >> "Amigos? Claro, eu deveria ter desconfiado que era só amizade que você queria." – então estendeu a mão para ela, sugerindo um aperto de mão. – "Tudo bem, a gente é amigo agora." – ele disse, tentando disfarçar que estava um pouquinho chateado com aquilo.

Então eles chegaram no lugar que eles estavam indo. A Sharon queria pular de uma ponte. Sharon, se 'cê quiser, eu mesma lhe empurro de lá porque essa do amigo foi a pior de todas da história inteira, incluindo as monguisses do Taylor. Ela estava muito arrependida. Não entendia porquê tinha dito aquilo para ele.

"Amigo?! Da onde eu tirei isso?!", a Sharon pensava com ela mesma. Quando eles saíram do carro e aquele bando de fotógrafos voaram em cima dos três, ela quis chorar porque percebeu que o Zac estava bem decepcionado. O Zac tinha saído dali pensando uma coisa da Sharon que era simplesmente o oposto do que ela sentia. E ela queria se explicar para ele.

Ariella >> "A gente não vai sair?"

O Seu Hanson explicou que eles tinham que esperar o povo acalmar lá fora, porque senão iriam voar em cima da Ariella e da Sharon também.

Ariella >> "Então não é melhor nós entrarmos por outro lugar?"

Na mesma hora, o Seu Hanson olhou sério para o produtor, o Seu Sabec, com aquela cara de "tá pensando o que eu estou pensando?". Parecia que eles estavam se entendendo por telepatia, conversando sobre algum outro motivo pela qual não os permitia de entrar como gente normal, pela porta da frente.

Walker >> "Bom... a gente poderia entrar lá pelos fundos."

Sabec >> "Só que tem algumas fãs lá atrás também."

Walker >> "Então teríamos que apelar para a saída de incêndio."

Sharon >> "Que qui é?" – ela perguntou, não acreditando.

Sabec >> "Saída de incêndio."

Ariella >> "Mas por quê? O que é que tem nós entrarmos pela porta?"

Walker >> "O Christopher não pode ser visto."

Sharon >> "E por quê não?"

Walker >> "Jogada de marketing."

As duas >> "Aaaa..."

O que que tinha a ver o povo ver ou não ver o produtor, o Seu Sabec? Como se as fãs fossem gostar mais, ou menos do Hanson porque viram o "Chistopher Sabec". Óóóóóó... Nada a ver. Mas vai entender essa gente famosa, não é? Bom, o Seu Hanson pediu para que o motorista desse a volta para que eles pudessem entrar pela saída de incêndio. Fez umas ligações no celular...

Walker >> "Nós estamos subindo." – ele disse pelo telefone, assim que o carro parou.

Sharon >> "Subindo?"

Então elas entenderam. A saída de incêndio dos Estados Unidos eram aquelas escadas que nós sempre vemos em filmes do Batman, que ele sempre escapa por essas escadas ou persegue o bandido naquelas becos, que também são cheios de escadas iguais àquela que a Sharon e a Ariella olhavam agora.

Sharon >> "A gente vai ter que subir isso tudo?" – olhando para cima.

Ariella >> "Ah, Sharon, vamos. Vai ser legal. Quantas meninas não amariam estar no nosso lugar agora?"

Sharon >> "Amariam?" – enrugando a testa.

Ariella >> "Ahm...é."

Subir escadas não era exatamente a coisa que a Sharon mais amava fazer. Ela não era chegada num esforço físico, nem numas ginásticas forçadas.

Walker >> "É no último andar, meninas. Podem começar a subir."

Sharon >> "A parte divertida..." – ela sussurrou.

Ariella >> "Mas não tem perigo de alguém ver a gente aqui?" – já subindo.

Sabec >> "Não. Acho que não." – não muito certo.

Foram subindo as escadas, até que chegaram no último andar. A Sharon estava morrendo, tendo uns ataques de falta de ar, implorando por água. A Ariella já não estava tão nervosa a respeito. Estava mais concentrada no que iria encontrar lá dentro e com quem iria encontrar. Talvez pessoas famosas, talvez pedissem para que ela respondesse a algumas perguntas, talvez a pediriam para fazer uma sessão de fotos com o Hanson... quem sabe? Se ela já tinha chegado até ali, não duvidava de mais nada. Uma mulher loira, alta e com uns airbags consideráveis os aguardavam na entrada da saída de incêndio. Nossa... entrada da saída? A saída tem uma entrada? E a entrada tem uma saída? Ou é a saída que não pode ser só saída, então dizem que ela tem uma entrada?

Mulher loira >> "Por favor, meus queridos, é por aqui."

Walker >> "Obrigado." – disse, simpático. Aliás, muuuuito simpático.

Sabec >> "Walker, Walker... imagina se a Diana fica sabendo disso?" – rindo.

Walker >> "Que isso, Christopher? Eu sou um homem íntegro." – seguindo a moça e o que ela tinha de mais avantajado.

Sabec >> "E aquela senhorita à frente tem um belo par de... bom, você sabe." – sorrindo, malicioso – "E daí?"

Mmm... agora eu entendi o porquê da simpatia do Seu Hanson. Quem disse que os homens do Hanson também não tinham algo entre as pernas? Aliás, como todo homem, esta região às vezes lhes sobem à cabeça e eles deixam que controlem todos os seus sentidos, princípios, ética e racionalidade. Lastimável...

Mulher loira >> "Os seus filhos estão aqui, Mr. Hanson. Podem entrar." – disse o objeto de desejo, sorrindo.

Walker >> "Muito obrigado, Srta. Debby."

Debby? Pensei que o nome dela fosse Barbie.

Eles entraram nos camarins, que tinha vista para o salão principal, onde estaria ocorrendo a entrevista coletiva em alguns minutos. Os três esperavam pelo início do evento, sentados no sofá macio, item básico de camarins, conversando e combinando algumas das respostas que eles dariam naquela entrevista.

Ike >> "E não esqueçam. Se perguntarem o que nós conhecemos do Brasil, falem dos jogadores de futebol. Sempre perguntam isso e a gente nunca sabe o que dizer."

Tay >> "Sóóóó..."

Walker >> "Filhos..."

Os três viraram em direção ao chamado e viram o Seu Hanson, o Seu Sabec e a Ariella e a Sharon.

Tay >> "Oi, gente. Chegaram?" – sorrindo, meigo.

Zac >> "Não, Taylor, é a Sharon, mas é a Stone. E é a Ariella, mas esta é a pequena sereia." – revirando os olhos.

Tay >> "Pequena sereia é Ariel. Não Ariella, seu inútil."

Zac >> "Whatever..."

Ariella >> "Meu, tem muita gente lá fora."

Ike >> "Por que ‘cês demoraram tanto para entrar?"

Sharon >> "Porque nós demos uma de bombeiro hoje." – ela disse, um pouco mal humorada.

Ariella >> "Ah, Sharon, foi legal..." – disse, sorrindo.

Zac >> "Vocês por acaso subiram pela escada de incêndio?" – perguntou olhando para a Sharon.

Sharon >> "Ahm... ahan." – ela respondeu meio tímida.

Tay >> "Haha... de novo, pai?"

Walker >> "Ah, mas é divertido... vocês não acharam, meninas?"

A Sharon olhou para a Ariella e virou os olhos, sem ninguém perceber. Ela estava de costas para todo mundo e a Ariella de frente.

Ariella >> "Foi sim, Mr. Hanson. " – sorrindo.

A Sharon também teria achado mais interessante o passeio, se ela não estivesse sentindo tudo o que ela estava sentindo. Ela estava angustiada, louca para falar com alguém sobre o que estava acontecendo... o problema é que a Sharon não era de falar. Dificilmente ela contava para a Ariella, que era a melhor amiga dela, sobre coisas de sentimento e essas coisas que a gente sente quando gosta de alguém. Muitas vezes, a Ariella tinha que ficar adivinhando o que era, porque a Sharon não gostava de falar. Ela tinha problemas para expressar as coisas que ela sentia, o que estava dentro dela. Sabe aquelas coisas que você nunca disse em voz alta, mas sentiu a vida todinha? Então. Bom, como a Sharon estava um pouco chateada, a tendência era ela ficar meio chata, mal humorada e implicante. A Ariella já sabia que tinha alguma coisa errada com a amigona dela porque conhecia a Sharon melhor do que ela mesma.

Walker >> "Isaac, Zac... faltam só vocês para serem maquiados."

Zac >> "Nossa, mais da metade da banda não está pronta ainda. E agora??" – referindo-se a ele e o irmão mais velho. Todos riram. O Zac e o Isaac levantaram. Quando já estava saindo...

Zac >>" Sharon, ‘cê não quer vir com a gente?" – ele disse, todo meigo.

A Sharon ficou completamente sem saber o que fazer. Gaguejou um monte, mas acabou indo. O Zac a tratava como se fosse a melhor amiga dele. A Sharon odiava aquilo, mas sabia que, no fundo, era culpa dela. Isso a matava por dentro.

Tay >> "A Sharon tá chateada?"

Ariella >> "Não sei..."

A Ariella sabia, mas é claro que ela não queria falar daquele assunto ali, sozinha com o Taylor. Tanta coisa mais interessante para beijar, quer dizer... cof, cof... conversar. Para quê falar do problema alheio, não é mesmo?

Tay >> "E..." – tentando começar um assunto determinado.

Ariella >> "Fala." – ansiosa, mas tentando disfarçar.

O Taylor estava exageradamente sem jeito. Mais tímido do que o normal. Sabe quando você sente que a pessoa já está pensando em fazer alguma coisa, já está planejando algo, e, por causa disso, ela começa a ficar sem jeito por antecipação? Então, era isso que o Taylor aparentava estar fazendo. A Ariella percebeu isso.

Tay >> "Você veio por que você quis ou..."

Pronto. Agora estava mais do que provado que ele estava pensando alguma coisa. Quando alguém começa a fazer perguntas cretinas, sem a menor razão de ser, como esta que o Taylor acabou de fazer para a Ariella, era porquê alguma coisa tinha.

Ariella >> "Você quer saber se eu vim obrigada, se me chicotearam para vir... é isso?"

Então o Taylor percebeu que tinha falado merda.

Tay >> "Desculpe..." – rindo dele mesmo. – "Eu não queria perguntar isso. É que eu estou um pouco nervoso..."

Ariella >> "Com o quê?"

Tay >> "Sei lá, acho que é a entrevista... não sei direito..."

Ele não olhava a Ariella nos olhos. Bom sinal. Então eles começaram a conversar umas besteirinhas desse tipo. "Nossa, ‘cê viu como esfriou agora? Engraçado, porque de dia estava calor" e coisas sem o menor propósito. Por causa disso, o Taylor começou a se soltar mais, a ficar mais a vontade. Ele até começou a olhar a Ariella diretamente nos olhos. Estamos progredindo, Taylor, estamos progredindo...

Ariella >> "Você ainda tá nervoso?"

Quando a Ariella perguntou isso, o Taylor ficou olhando para ela, sério, pensativo. Ela notou que ele estava reparando nela, nos detalhes do rosto, no momento que eles estavam passando juntos. E ele deu aquele sorrisinho de novo. O mesmo do dia da cozinha. O sorrisinho de quando dava uns daqueles ataques nele de coragem. A Ariella percebeu isso na mesma hora. E o coração dela começou a bater bem acelerado, começou a dar dor de barriga e a ansiedade dela só aumentou.

Tay >> "Acho que não." – ele disse, bem baixinho.

Ariella >> "Que bom, porque...sei lá, acho que é pior quando você entra para dar uma entrevista nervoso e, tipo... é melhor para a concentração. Sabe que uma vez a minha tia me contou que quando a gente tá nervoso, é bom respirar 35 vezes com a cabeça virada para baixo e..."

Aí a Ariella deu de falar sem parar, bem rápido. Ela estava nervosa demais, porque o Taylor continuava olhando para ela com aquele cara de coragem, com aquela expressão séria, com aquele olhar que despia a alma da Ariella inteira, que a tornava vulnerável em relação a ele. O Taylor sabia que ela estava nervosa, mas sentia que ela queria a mesma coisa que ele. Enquanto a Ariella falava, o Taylor ficava só observando. Eles estavam sentados em cima de umas caixas, de frente um para o outro.

Ariella >> "...mas dizem também que é muito bom para a circulação você correr uns três minutos em círculos, mas no sentido anti-horário, porque se for no horário, não tem o mesmo efeito..."

E dá-lhe falar. Então o Taylor colocou a mão no rosto dela, como um pedido de silêncio, para que ela pudesse concentrar também, do mesmo jeito que ele estava concentrado. Concentradíssimo, eu diria. A Ariella ficou quieta e olhou para ele. Aquele olho azul. Ai, aquele azul... nossa, era de nocautear qualquer cidadão. O jeito que o Taylor a olhava... parecia que ele estava lendo todos os pensamentos dela. A Ariella, por um momento, parou de pensar coisas como "Meu santinho, ele vai me beijar, socorro!" porque ela tinha certeza de que ele estava lendo isso. O Taylor escorregou a mão pelo rosto dela até que a mão caísse no colo da Ariella. E ele deixou a mão lá, apoiada na perna dela. Com a outra, ele colocou o cabelo da Ariella atrás das orelhas e, com o dedo indicador, foi contornando cada traço do rosto dela, até os lábios. E se aproximou. E tocou a boca dela, muito devagar, dando só um beijinho primeiro. O corpo da Ariella formigava inteiro. Inteirinho. Ela não sentia os pés dela no chão, a bunda dela na caixa, os joelhos dobrados... nada. Estava tudo voltado para a boca dela sendo beijada pelo Taylor. Sim, ele era um menino tímido... mas só antes de conseguir o que ele queria. Porque depois, ele tornava-se muito atrevido, sem vergonha de nada. Começou a beijar ao redor da boca da Ariella, quase matando ela de tanta vontade. Ela queria um beijo, um com muita língua, baba, nariz se batendo. E, cansada de esperar por isso, colocou as duas mãos no rosto dele e puxou com tudo o Taylor para ela, fazendo com que os dois finalmente se beijassem como ela queria. Ele abriu bem a boca e beijou muito a Ariella. Mas muito mesmo. E apertou muito a perna dela, já que a mão dele estava por ali mesmo... A Ariella bagunçava o cabelo dele, mordia o lábio, corria as mãos pelo ombro e tórax dele... enfim, fez tudo o que ela desejou fazer desde o dia em que se tornou uma fã de Hanson.

Tay >> "Nossa..." – ele parou um pouco para respirar, sorrindo, com uma cara de tarado.

A Ariella só sorriu. E continuou beijando.

Ike >> "Caham" – ele tossiu.

Os dois se largaram na mesma hora. A Ariella deu um pulo para trás e ajeitou o cabelo. O Taylor também arrumou as madeixas loiras dele e limpou o canto da boca. O Isaac, o Zac e a Sharon olhavam para eles com aquele olhão arregalado. O Isaac ficou um pouco assustado quando viu os dois naqueles amassos. A Sharon estava branca e o Zac não parava de rir da cara do Taylor, que estava, a essas alturas, vermelho-canetinha.

Ike >> "Desculpe interromper este interlúdio romântico, mas é que a gente já vai entrar, Taylor."

Tay >> "Ah, claro, claro..." – levantando. – "Eu... eu já estava indo."

Os três saíram dali e a Sharon sentou ao lado da amiga. A Ariella estava um pouco sem jeito, porque... bom, ela estava mesmo se amassando com o Taylor e não é lá muito confortável quando pessoas conhecidas te encontram fazendo essas coisas.

Sharon >> "Nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa..." – ela começou, falando daquele jeito rapidinho dela, com uma palavra quase esmagando a outra. Muito legal.

A Ariella abriu um sorrisão.

Ariella >> "Você viu?" – sorrindo.

Sharon >> "Nah... nem vi." – completamente irônica. – "Sua vaca suja!! Sua mú!! AAHH!!" – rindo e gritando ao mesmo tempo.

A entrevista, que prometia ser "A" entrevista, foi bem normal. As mesmas perguntas de sempre, as mesmas respostas de sempre... uma chatice. A Sharon e a Ariella não paravam de rir baixinho e falar do amasso do Taylor com a Ariella. Ela contou para a Sharon como foi um monte de vezes, a pedido da própria.

Sharon >> "Então ele beija bem mesmo?"

Ariella >> "Púúúútz! Muuuuito bem!"

Sharon >> "Ai, que invejona..." – fazendo cara de choro. – "Sua bucefaléia!"

Ariella >> "Hahaha..."

A Ariella só ria. Depois da entrevista, todo mundo voltou para o hotel, mas foram direto para os seus quartos. Os três estavam mortos de cansaço. É que ficar sentado respondendo pergunta deve cansar muito, mas tudo bem, né... A Ariella era só alegria. A Sharon nem tanto. Não conversaram muito depois. só a Ariella que ficava repetindo e repetindo e repetindo a descrição de como foi o beijo dela com o Taylor. A Sharon estava começando a ficar irritada já. Até que elas deitaram, a Ariella não disse mais nada e elas dormiram.

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No dia seguinte, já de manhã, o Seu Viana interfonou no quarto das meninas para acordá-las.

Ariella >> "Alo, porra!" – nada delicada.

Viana >> "Bom dia, senhorita."

Ariella >> "Ah, hehe, oi, Seu Viana. Boooom dia." – muito simpática.

Viana >> "Se troquem e desçam bem rapidinho porque hoje nós vamos gravar umas coisas com vocês duas e com o Hanson."

Ariella >> "Mas Seu Viana... são exatamente oito horas da manhã. A gente foi dormir tarde. Piedade, Seu Viana... Uaaaah..."

Viana >> "Desculpe, querida. Eu sei que você está com sono. Mas é que tem que ser agora, entende?"

Ariella >> "Tá bom, a gente já tá descendo."

Depois que a Sharon acordou, as duas se trocaram e desceram tomar café. Tiveram de comer junto da Martinha, que tinha ficado por último da equipe. Ela reclamou a refeição in-tei-ra. Dá para imaginar? Nossa, o pãozinho da Sharon nem desceu direito, de tanto que aquela mulher a irritava.

A gravação seria na portaria do hotel. O Seu Viana passou todas as coordenadas, como seria, o que elas teriam de fazer e tudo mais. Não era a entrevista ainda, mas é que o especial teria duração de uma hora. Havia muita coisa ainda que precisava ser filmada. Elas até tiveram de ser apresentar na frente da camera, falar delas, cumprimentar o pessoal que estaria assistindo... essas coisas de televisão. Nossa, mas engraçado mesmo foi a Sharon para gravar a parte dela. A menina não queria gravar de jeito nenhum. Ela morre de vergonha. O Zac foi o único que fez ela mudar de idéia. Ele conversou com a Sharon uns quinze minutos. Mas claro, encorajando-a sempre como um amigão que se preocupava com a amigona. Foi terrível para a Sharon. Ela ficou com tanta raiva dela, da situação, do Zac, que acabou perdendo a vergonha quase que completamente. Gravaram com elas e com eles separadamente. Apenas a entrevista que eles gravariam juntos. O Isaac deu umas idéias, para que o especial ficasse mais natural e mais divertido...

Ike >> "O que vocês acham se, depois da entrevista, nós gravássemos uns momentos de nós três com as meninas, tipo... algo mais descontraído, nós cinco conversando. E como o programa vai ser ao vivo, ficaria algo mais natural. Nada forçado. O que ajuda bastante também é que a gente se deu bem com as duas. Sei lá, cara, acho que ia ficar mó legal."

Woohoo, muitcho lôco, mano...

Viana >> "Mmm..." – segurando o seu queixo. – "Parece bom. É, se sobrar tempo, nós faremos isso mesmo."

Todo mundo adorou a idéia. Aquela tarde seria a última tarde que eles teriam livre porque, já no outro dia, seria a entrevista. O Seu Viana terminou as gravações e já mandou para a parte de edição da MTV lá no Brasil. Chegaria amanhã pela manhã. Tudo estava muito corrido, o tempo bem apertado, mas daria certinho. A Martinha estava quase parindo de tanto nervoso, não precisa nem dizer, né? Mas o Seu Viana estava calmo, ele sabia que tudo ia dar certo.

Viana >> "Bom, gente, agora vocês já podem almoçar. Estão liberados. E estejam preparados para amanhã à noite porque amanhã é o dia D."

Sharon >> "Dia D... que coisa mais imbecil." – ela falou baixinho.

Naquela tarde, o Hanson teria um programa para fazer e tinha uma sessão de fotos para uma revista que tinha viajado para Nova York só para fotografá-los. A Sharon e a Ariella passariam aquela tarde toda sozinhas. A Sharon não queria isso. Ela queria passar o máximo de tempo perto do Zac porque estava na esperança de tomar coragem e dizer para ele que gostava dele de outro jeito, não como amigo. Mas se ele ficasse longe, aí sim que ela jamais falaria nada. Então eles saíram com o pai deles e com o Seu Sabec de carro. A Ariella, que estava mais do que feliz, aproveitou que o Taylor não ia estar por lá para ela dar uns amassos e foi dormir um pouco. Estava morta de sono, porque tinha acordado muito cedo.

Ariella >> "Sharon, eu vou dormir um pouquinho lá no nosso quarto. Quer vir?"

Sharon >> "Nah..."

O normal também seria a Sharon deitar um pouco, mas ela estava muito agoniada para pensar em dormir. Começou a andar pelo hotel, a andar de elevador, a passear... Estava muito angustiada. Se a Ariella tinha conseguido, por que ela não podia conseguir também? O Seu Viana e a equipe toda da MTV estava na piscina do hotel, discutindo alguns detalhes da entrevista de amanhã. Havia muita coisa para ser arranjada, muito detalhe para ser visto. A Martinha estava gritando que nem uma louca, andando sem parar, porque ela achava que não ia dar tempo. A Sharon ficou encostadinha, assistindo tudo... E ficou pensando...

"Eu tô em NY, vou entrevistar o Hanson amanhã, vou aparecer na TV..." – sorrindo sozinha.

Pensou mais um tempo e fechou o rosto, ao lembrar-se:

"O Zac Hanson quis ficar comigo e eu disse que a gente é só amigos."

Aí ela não agüentou. E começou a chorar. Chorar muito. Sentou e se encolheu toda, escondendo o rosto nos joelhos, só pensando na cagada que ela tinha feito. Lembrou do Zac tratando ela como melhor amiga e chamando ela de "buddy", que queria dizer "amigo, camarada", sei lá, em inglês. Nossa, aquilo acabou com ela. Não parava de chorar.

Martinha >> "Que que 'cê tá fazendo aqui, garotita? Você deveria estar no seu quarto!" – disse, toda grosseira. – "Se você está com sono, por que não vai dormir no seu quarto?!"

Mmm... hora errada para dar bronca na Sharon.

Sharon >> "Eu não tô dormindo, sua escrota! E meu, cara... será que não tem um dia que você não reclama! Que Mú! Chata! Que bosta, 'cê nem respeita a... ahm... AAAHH! Blah!" – voltando a esconder o rosto nas pernas.

A Martinha se assustou muito ao ver que a Sharon estava chorando. Ela não fazia nem idéia. E se sentiu mal por ter falado com ela daquele jeito.

Martinha >> "Puxa, me desculpe, garotita. Eu não sabia que..."

Sharon >> "Nííííííííí! Não me chama disso!"

"Ní" era o que a Sharon dizia quando estava muito nervosa. Coisa dela. Assim como o "Blah", mas esse ela falava toda hora, o tempo todo.

Martinha >> "O que aconteceu?"

Sharon >> "Não quero falar pra você!"

Martinha >> "Quem sabe eu posso te ajudar."

Sharon >> "Não! Eu sei o que você vai fazer! Vai achar ruim, começar a reclamar e... vai... mexer nesse teu cabelo esquisito... blah!"

A Martinha agachou de frente para ela e ajeitou o óculos.

Martinha >> "Eu sei que eu não sou exatamente a pessoa que você está procurando para te ajudar..."

Sharon >> "Não mesmo, nunca!"

Martinha >> "...mas eu acho que posso te ajudar. Fala o que foi. Tenta, pelo menos."

Sharon >> "Não quero." – já mais calma.

Martinha >> "Desculpe... eu sei que tenho sido um pouco grosseira com você e com a sua amiga..." – ela suspirou, cansada. – "Mas é que eu estou muito estressada por causa desse especial do Hanson. Eu não sei como isso ainda está de pé. Tudo está atrasado, aquele Walker não coopera, fica tentando privar os filhos dele da nossa equipe... enfim, não quero te perturbar com isso."

A Sharon ficou meio desconfiada. A Martinha dos Tiques Bizarros estava sendo muito legal com ela. Dava até vontade de contar algumas coisas para ela, mas a Sharon não tinha certeza se devia.

Martinha >> "Além de chata, eu posso ser outras coisas também. Eu consigo ser legal."

Sharon >> "Não imagino isso."

Martinha >> "Eu sei que não. Só quem me conhece há algum tempo sabe disso."

A Sharon pensou um tempo em silêncio. A Martinha ficou ali agachada, de frente para ela, esperando que a Sharon começasse a falar.

Martinha >> "E então? O que aconteceu?"

A Sharon bateu com as duas mãos na cabeça.

Sharon >> "Sou eu que sou uma monga!" – com voz de choro.

Martinha >> "Por quê?" – mostrando interesse.

Sharon >> "Você promete mesmo que não vai dar uma de chatona agora?"

Martinha >> "Prometo." – com a mão esquerda levantada.

Sharon >> "Mmm... tá." – respirou fundo. – "É que o Zac... ele quis... ai, esquece vai..."

Martinha >> "Ele quis ficar com você, não é?"

A Sharon arregalou o olho e ficou olhando para a Martinha, muito assustada.

Sharon >> "Como você sabe disso?"

Martinha >> "Eu ouvi ele comentando com o irmão dele, o bonitinho."

Sharon >> "O Taylor?"

Martinha >> "Que outro mais que é bonitinho?"

Sharon >> "Ai, credo!!"

Martinha >> "Tá, desculpe..."

Sharon >> "Mas o que ele disse?"

Martinha >> "Eu não lembro direito..."

Sharon >> "Não lembra?! Nossa, nossa, nossa, nossa, nossa... Pelo amor do Hanson, lembre!"

Martinha >> "É, foi mais ou menos isso. Que ele tinha gostado de você e que estava interessado. Eu nem dei muito importância porque eu estava acertando umas coisas com o pai deles, antes de eles saírem para jantar."

Sharon >> "Quando foi isso?"

Martinha >> "No dia que eles tiveram de sair jantar com o pai e você e a sua amiga ficaram assistindo filme, de noite."

A Sharon ficou quieta, pensando.

Martinha >> "Mas por que você está triste? Você não deveria estar pulando de tanta alegria?"

Sharon >> "É que eu disse para ele que a gente era amigos."

Martinha >> "Disse?!" – indignada.

Sharon >> "Burra, burra, burra!" – batendo na cabeça.

Martinha >> "Por que você fez isso?"

Sharon >> "Porque eu nunca sei falar as coisas. Que merda! Por que eu sou assim? Aí eu 'cabei dizendo pra ele que eu era amiga dele e talz..." – pausa. – "Níííííí!!"

Martinha >> "E você estava chorando por causa disso?"

Sharon >> "É que agora... ahm... ele me trata como amiga dele. E eu não quero que ele me trate assim porque eu não... ahm... tipo... Eu gosto dele diferente."

Martinha >> "E por que você não fala isso pra ele?"

Sharon >> "Por quê?! Tá louca?? Eu ia morrer! De vergonha e engasgada."

Martinha >> "Mas eu acho que você deveria tentar porque esta é a sua chance. A que você sempre quis ter, não é verdade?"

Sharon >> "Ahm... ahan."

Martinha >> "Então. Não deixa a sua timidez estragar isso. Não agora que você tá tão perto."

Sharon >> "Mas eu não vou conseguir falar."

Martinha >> "Vai falar com ele. Lá, na hora, você se vira. Alguma coisa vai sair com certeza."

Viana >> "Martinhááááá! Vem cááááá!"

Martinha >> "Eu tenho que ir..." – ela disse, levantando. – "Sharon, vai falar com ele. Nem que seja para gaguejar três horas, mas pelo menos tenta. Fala do teu jeito. Mas fala."

E saiu. A Sharon não sabia se ficava mais abismada pelas coisas que ela disse, ou se pela maneira querida e atenciosa que ela disse. Aquilo fez a Sharon se decidir.

Sharon >> "Eu vou falar com ele e pronto!"

Era só esperar chegar a noite e esperar eles voltarem daquele bando de compromisso que eles tinham naquela tarde. Ela pensou mais um tempo lá sentada, até que começou a escurecer. Os meninos chegariam só mais tarde. Então ela voltou para o quarto e acordou a Ariella. Ela quase bateu na Sharon, mas tudo bem, nada grave.

Ariella >> "Ai, Sharon, que que foi?!"

Sharon >> "Vamos tomar banho de piscina comigo?"

Ariella >> "Piscina?" – esfregando os olhos de sono.

Sharon >> "É. A gente tá aqui há mó tempão e nem chegamos perto daquela piscina."

Ariella >> "Mmm..." – sorrindo. – "Gostei."

E lá foram as duas para a piscina. A Sharon conseguiu se distrair muito. Agora as coisas já estavam bem melhores para ela porque ela já sabia o que ela ia fazer. Estava decidida a falar com Zac, nem que fosse para ele ter de adivinhar o que ela estava tentando dizer com as gagueiras que provavelmente daria nela. Mas tudo bem, faz parte da vida. A Ariella continuava alegre, risonha... já estava com saudades do Taylor, é verdade, mas ainda sim, sentia-se muito bem.

Uma hora, as duas pularam juntas, de mãos dadas, molhando todo mundo que estava ali perto. O Seu Viana até deu um grito porque a água gelada pegou ele pelas costas. As duas quase se mataram de rir.

Viana >> "Gente, tá tarde já. 'Cês vão ficar aí?"

Ariella >> "Vocês já estão indo embora?"

Viana >> "Embora? Haha... ai, Ariella, se você soubesse o monte de coisas que tem para fazer aqui..."

Ariella >> "Então pronto. Nós vamos ficar também."

Viana >> "Tudo bem, vocês que sabem."

Sharon >> "Esse tio é muito gente boa."

Ariella >> "E você, tá melhor?"

Sharon >> "Ahm... ahan."

Ariella >> "Mesmo?"

Sharon >> "Ahan. Eu conversei com a Martinha e ela me deu uns conselhos legais..."

Ariella >> "Com a Martinha??"

Sharon >> "É. Estranho, né? Eu também achei quando ela começou a conversar comigo."

Ariella >> "Sharon, eu não acredito que você deixou de contar o seu problema pra mim, pra contar pra'quela lôca daquela Martinha?!"

Sharon >> "Ai, Ariella, desculpa, mas é que você tava dormindo."

Ariella >> "Ah, então quer dizer que pra vir pra piscina você pode me acordar, mas para contar um problema seu, sério, você não pode?!"

Sharon >> "Ai, mas é que... aah, blah!"

Ariella >> "Não acredito, Sharon!"

Sharon >> "Níííííí!"

Ariella >> "Num vem com ní, não!"

Sharon >> "Tá, desculpa! Eu te conto depois, pronto!"

Ariella >> "Hum... é bom mesmo."

Bom, esse tipo de discussão era quase que diária quando se tratava de Ariella e Sharon. Normal mesmo. Elas pareciam irmãs. A Ariella às vezes reclamava que ser "irmã" da Sharon era ruim porque, além de elas brigarem um pouco, a Sharon era meio grossa às vezes. A Ariella me contou que já tentou começar de novo com a Sharon, como se elas estivessem acabando de se conhecer, mas não deu certo. Mas a verdade é que a Sharon não vive sem a Ariella, por mais que ela seja grossa, por mais que elas briguem. A única vez que a Sharon sentiu que podia perder a amizade da Ariella (uma vez que uma outra menina mentiu que a Sharon tinha falado mal da Ariella, etc, etc e tal...), ela quase entrou em pânico. Me ligou desesperada, morrendo de medo de que a Ariella acreditasse na tal menina... enfim. Essas duas se adoram. E acho que a amizade delas vai muito longe ainda.

Passado mais um tempo, os três chegaram. O Seu Hanson foi direto para a área da piscina porque sabia que a equipe estava toda lá. Queria saber como andava os preparatórios da entrevista. Os filhos dele estavam junto e ficaram muito empolgados quando viram a Ariella e a Sharon na piscina. Mas não se aproximaram delas.

Ike >> "Olha, elas tão nadando. Que massa!"

Zac >> "Eu também quero."

Tay >> "Vamo'?"

Ike & Zac >> "Vamo'!"

E eles subiram para o quarto deles correndo. O Seu Hanson cumprimentou todo mundo e ficou ali conversando com o Seu Viana.

Sharon >> "Uéééé... Será que eles não vieram?"

Ariella >> "Sei lá... acho que vieram, mas devem ter ido para o quarto, sei lá."

Eram umas nove e meia da noite já quando os três vieram correndo, pularam na piscina, dando um berro muito alto, quase matando a Ariella e a Sharon do coração e quase matando afogado quem estava de fora da piscina. Elas começaram a rir muito. Foi bem engraçado. A Ariella olhava para o Taylor com aquele olho brilhando. Ele não parava de fazer sinalzinho para ela, mandar piscadinhas de longe, dar susto nela por baixo da água... essas coisas bááásicas que menino faz quando está muito afim e... dentro de uma piscina. O Zac também estava assim com a Sharon, mas ele dava um ar de amizade para as brincadeiras. E era exatamente por isso que ela não gostava muito das brincadeiras do Zac. Mas ela não falava nada. Falar de verdade, ela só iria mais tarde. E os adultos todos ali, arrumando tudo, fazendo mil ligações dos seus celulares, debatendo, anotando...

Eles ficaram brincando na piscina um tempão. O Taylor não deu nenhum beijo oficial na Ariella, com línguas, babas e narizes batendo. Ele só beliscava a boca dela de vez em quando, dava uns selinhos... É que ele não queria beijá-la, assim, na frente de todo mundo. Não ainda.

Então uma certa hora, a piscina cansou. Os adultos começaram a recolher os materiais que eles estavam usando e, rapidinho, a piscina ficou deserta. Só estavam os cinco lá, sentados na beiradinha, rindo um monte, falando muita besteira. Estava batendo um ventinho gostoso, que às vezes dava um friozinho. Mas eles já se enrolavam nas toalhas e pronto, o problema estava resolvido. O Isaac começou a ficar com fome e saiu um pouco para comprar alguma coisa para eles. Voltou com um monte de batatas fritas. O Taylor quase não gostou, imagine. A Sharon nem estava com muita fome, porque ela sentia que o momento de falar com o Zac se aproximava. Mas enquanto não chegava, ela se divertia com eles ali, rindo das besteiras do Zac e do Isaac, das monguisses do Taylor, das imitações dos dois mais velhos. Era quase meia-noite, quando o Isaac levantou.

Ike >> "Gente, eu vou dormir. Tá muito tarde. E eu sei que 'cês querem ficar sozinhos aí, cada um com a sua mulher e cada mulher com o seu homem..."

A Sharon ficou torcendo para o Zac não falar nada sobre eles serem só amigos. Ela tinha certeza de que ele ia dizer alguma coisa. Mas, acredite você ou não, ele não disse. Ela ficou muito aliviada.

Ike >> "Então... boa noite." – sorrindo. Saiu logo depois.

Ariella >> "Tay... vamo' dá umas andadas?"

Tay >> "Claro. Vamos sim."

A Sharon tremeu. Ela estava sozinha com o Zac de novo. Já conseguia sentir a gagueira tomando conta da sua garganta. Ficou um silêncio horrível. Ela não tinha coragem de olhar para o Zac do lado dela, para ver o que ele estava fazendo. Até que virou o rosto e viu que ele olhava para cima, para o céu cheinho de estrelas.

Zac >> "Mmm... amanhã vai fazer sol."

Sharon >> "Ahm... vai?"

Zac >> "Ahan. O céu tá estrelado, o que significa que não tem nenhuma nuvem."

Sharon >> "Nossa, que interessante."

Silêncio de novo.

Sharon >> "Ahm... Zac?"

Ele ficou com a postura reta para poder olhar para ela.

Zac >> "Que foi?"

Sharon >> "Assim... ai... cocô."

O Zac achou graça.

Sharon >> "Não ri. Eu tô tentando dizer um negócio."

Zac >> "Ah... pode falar."

Sharon >> "Dãã, eu sei que eu posso. Eu só não sei como."

Zac >> "Tudo bem... sem pressa."

Sharon >> "Tá. Eu vou falar logo." – respirou bem fundo. – "Zac, eu não quero ser sua amiga."

O Zac fez uma expressão de triste, que deu até pena.

Zac >> "Também não?"

Sharon >> " 'Também não'?"

Zac >> "Não era você que queria... Sharon, eu sou muito chato? É isso?"

Quando a Sharon entendeu, ela começou a rir.

Sharon >> "Não, não é isso. Você não é chato."

Zac >> "Mas nem minha amiga você não quer ser."

Sharon >> "Então... é isso que eu não tô conseguindo falar."

Zac >> "O quê? Que você não quer ser minha amiga?"

Sharon >> "Eu não consigo falar o porquê de eu não querer ser sua amiga."

Zac >> "Ah..."

Sharon >> "Lembra o dia que... que eu não estava falando nada e que 'cê ficou pensando que era por sua causa...?"

Zac >> "Mas era por minha causa. Você mesma disse que era, quando a gente estava no carro."

Sharon >> "Eu sei, mas... ahm... não era porque eu não tinha gostado."

Zac >> "Gostado do quê?'

Sharon >> "Do que você tinha feito."

Zac >> "Te beijado?"

Sharon >> "É."

Zac >> "Ah, não?"

Sharon >> "Não. É que eu fiquei... assustada, eu acho."

Zac >> "Assustada?"

Sharon >> "Ahm... feliz."

Zac >> "Feliz?" – sorrindo.

Sharon >> "Ai, Zac, pára de perguntar tudo o que eu falo!"

Zac >> "Sorry." – sorrindo.

Sharon >> "Tá... mas... 'cê entendeu?"

Zac >> "Até aqui, sim."

Sharon >> "Ai, 'cê não entendeu tudo ainda?"

Zac >> "Acho que não... sei."

Sharon >> "Não sabe? Ó, eu não quero ser sua amiga porque eu gostei daquilo que você... ahm... fez aquele dia. Entendeu agora?"

O Zac sorriu com um cantinho da boca, todo meigo e convencido. A Sharon ficou quieta, olhando para ele, morrendo de vergonha. Ela jurou para ela mesma que, se ele fosse beijá-la de novo, ela não estragaria tudo mais uma vez. Por isso, ficou olhando para o Zac, sem dizer uma palavra.

Zac >> "Antes de qualquer coisa... Por que que, naquele dia que eu te beijei, quando você passou mau..."

Sharon (interrompendo) >> "Que eu desmaiei?"

Zac >> "Isso. Por que que, naquele dia, depois que você acordou, você não falou nada sobre o beijo, fingiu que não tinha acontecido nada...?"

Sharon >> "Você me beijou naquele dia?"

Zac >> "Beijei, oras. 'Cê estava acordada, Sharon. Num lembra, não?"

Sharon >> "Ai!"

"Foi de verdade?! Eu não acredito! Eu jurei que era sonho!" – ela pensou.

Zac >> "Hein?"

Sharon >> "Ah... porque... eu fiquei com... ééé... vergonha."

Zac >> "Só por isso?"

Sharon >> "Ahm... ahan."
Imagine se a Sharon ia contar que pensou que tinha sonhado aquilo. Nunca. O Zac sorriu mais uma vez daquele jeitinho e colocou os cabelos para trás, nas costas. Naquela hora, tudo o que o Zac queria era beijar a Sharon. E isso foi o próprio que me contou, mais tarde. Ele não via a hora de dar um beijo nela, de abraçá-la bem forte. O Zac ficou de pé e estendeu a mão, oferecendo para ajudá-la a se levantar também. A Sharon deu a mão para o Zac e ela levantou, ficando bem pertinho dele já. Ele tirou bem devagar a toalha que cobria os ombros dela e sorriu. A Sharon estava passando muito mal, mas não iria sair dali. Não podia. Ela tinha prometido para ela mesma não gritar, não sair correndo, não desmaiar e não ter ataque de falta de ar. Então o Zac pegou as duas mãos dela e colocou ao redor do pescoço dele.

Zac >> "Então agora eu estou autorizado mesmo?" – sorrindo.

Sharon >> "Ai, garoto, me beija de uma vez antes que eu morra aqui."

O Zac achou graça e riu, antes de puxar a Sharon com força pela cintura e encaixar aquela boca linda dele, na dela. Abriu bem devagarinho, sem pressa nenhuma, bem delicado... Eles ficaram se beijando um tempão. O Zac descia o dedo dele pela nuca da Sharon, bem de leve, fazendo ela sentir aquele arrepiozinho básico. O Zac beijava gostoso... o jeito que ele mexia a língua fazia toda a diferença no beijo. E a Sharon adorava. Com o desenvolvimento do negócio, ela começou a ficar mais atrevida também, o que é bem compreensível, já que ele estava ali, todinho dela, só de calção... Ela não ia deixar de aproveitar o corpo chato dele. Já tinha chegado até ali, por que não dar mais uma avançadinha? Correu as mãos pelo corpo do Zac, hesitando a toda hora, ameaçando tirar a mão sempre, envergonhada. Mas quando isso acontecia, ele segurava a mão dela e colocava onde estava de novo, sem parar de beijá-la. E eles ficaram nesses amassos até tarde. Conversavam um pouco, beijavam mais, o Zac fazia umas coisas engraçadas para a Sharon rir, sempre carinhoso e bem querido com ela.

A Ariella e o Taylor sumiram naquela noite. Só para você ter uma idéia, nem no quarto a Ariella dormiu. A Sharon acordou de manhã e viu a cama dela lá, intacta, sem uma ruguinha no lençol. Bom, a gente não precisa nem comentar o que eles ficaram fazendo, né? Tsc, tsc... esses adolescentes...

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Ai, ai... o amor não é lindo? Pois eu acho. As coisas estavam dando bem certinho para a Ariella e para a Sharon. O Taylor gostava da Ariella e a Ariella gostava do Taylor. A Sharon tomou coragem e falou com o Zac. O Zac beijou a Sharon, gostando dela. Eu queria saber o que você aí está pensando agora. Elas duas são incríveis, não são? Pois é... Bonitas? Peraí, não vai me dizer que, esse tempo todo, você imaginou elas duas sendo duas deusas, provavelmente loiras, de olho claro, com aqueles corpos perfeitos, que nem batem com meninas de 15, 16 anos, que normalmente têm nas histórias? Gente, não. Elas são normais. Aqueles tipos de meninas que têm alguma coisa que encanta na personalidade e que, fisicamente, possuem alguns traços bonitos, se forem analisados isoladamente. Mas assim, a Sharon e a Ariella eram lindas no todo. Lindas. A Sharon que tem mania de se achar feia, mas eu acho isso um absurdo. Além do mais, não dá para dizer "ai, você é linda" ou "ai, você é feia" porque a beleza não tá no rosto de quem é visto. Mas sim, nos olhos de quem vê. Tem gosto para tudo. Quando você se acha feia, horrível, esquisita, você só está se minimizando. E isso não é bom. Aliás, quanto mais você se xinga, mais feia e chata você se torna. Você precisa confiar no seu taco, confiar em você. Além do mais, por mais feia que você se ache, sempre tem alguém que te acha bonita. Sempre. Às vezes é alguém que você nem sabe. Mas sempre tem. E nunca se compare com aquelas mulheres da televisão porque elas não são reais. Elas são construídas. Não é à toa que tanta gente diz: "na TV até eu".

Naquela manhã, depois que a Sharon viu que a Ariella não tinha dormido no quarto, ela levantou para tomar um banho bem gostoso. Se arrumou bem bonita e desceu tomar café. Lá no restaurante, ela encontrou com a Ariella tomando café com o Taylor e o Isaac.

Sharon >> "Oi." – sorrindo.

Ariella >> "Bom dia, 'miga."

Tay >> "Oi, Sharon."

Sharon >> "Oi, Tay." – sorriu. – "Tomou banho, Ariella?"

A Ariella estava de cabelo molhado.

Ariella >> "Ahan. Eu dormi no quarto dos meninos."

Sharon >> "Dormiu?"

Ariella >> "Ahan."

Sharon >> "Sua vaca suja!" – ela disse em português.

Ariella >> "Não pense que eu fiquei lá todo esse tempo, porque eu nem dormi. Fiquei com o Tay até quase de manhã. Ele só me emprestou o quarto deles para tomar banho." – respondeu também em português.

Sharon >> "Tava brincando... mas foi legal?"

Tay >> "Ahm... 'cês podiam parar de falar português porque eu tô começando a achar que 'cês tão falando de mim."

Ariella >> "Nossa, Tay... que modéstia..." – ela brincou. O Taylor deu um beijinho rápido nela.

Sharon >> "E o Zac?"

Ike >> "Dormindo. Ele tá morto. Sharon, 'cê pegou ele de jeito mesmo ontem, hein?"

A Sharon ficou muito, muito, mas muito sem jeito.

Tay >> "Por que 'cê não vai acordar o Zac? Ele tá sozinho lá no quarto. O nosso pai saiu."

Sharon >> "Não, deixa ele dormir, se ele tá cansado. Eu sei como é quando a gente quer dormir e alguém acorda a gente. Nossa, dá muita raiva."

Tay >> "Você quem sabe..." – sorrindo.

A Sharon sentou para comer com eles. Ficaram conversando um tempo, até que apareceram a Martinha e o Seu Viana.

Viana >> "Bom dia, meninas e meninos."

Martinha >> "Bom dia." – com a cara fechada de sempre.

Todos >> "Oiê!"

Martinha >> "Então, Sharon... vejo que seguiu meu conselho." – disse em português. – "Eu estava indo para o meu quarto ontem à noite e quando passei pela piscina... eu vi que seguiu meu conselho."

Sharon >> "É, segui sim. 'Brigada."

Viana >> "Que conselho?"

Martinha >> "Coisa de mulheres." – indo até a mesa para se servir.

Passado algum tempo, a Sharon começou a sentir a demora do Zac. Ele não descia nunca. Ela já estava impaciente. Ela olhava para a porta do restaurante, na esperança que o Zac aparecesse.

Tay >> "Sharon, é melhor você ir no quarto acordar o Zac. Se deixar, ele dorme muito."

Sharon >> "Ai, não sei..."

Tay >> "Pode ir. Ele tem sono leve. Qualquer coisinha, ele acorda."

Sharon >> "Eu vou esperar mais um pouco. Se ele não vier, eu vou acordar ele."

Tay >> "Esperar? Pra quê? Que diferença vai fazer 'cê ir agora e daqui cinco minutos?"

Sharon >> "Mas eu não sei se eu vou, minino."

Tay >> "Pode ir, não tem problema nenhum. Ele vai gostar de acordar com você."

A Sharon concordou com o Taylor, mas não disse nada. Esperou um pouco e levantou para ir até o quarto. A Ariella e o Taylor ficaram lá conversando e sorrindo um para o outro a toda hora. Eles só não se beijavam porque a Martinha e o Seu Viana estavam ali e eles não queriam ficar juntos na frente dos outros. Estava tudo lindo, até que entrou uns cinco meninos americanos no lugar. E um deles, o mais esquisito de todos, parece que gostou da Ariella. Não parava de olhar para ela, mandar sorrisinhos... Os amigos dele ficavam olhando para trás a todo instante e riam que nem uns retardados. Sabe aqueles tipos de meninos que são bem escrotos mesmo, que acham que são alguém e ficam dando em cima de tudo que é mulher só para provarem que podem? Então. Mas o que tinha gostado da Ariella era um gordo de cabelo raspado, de bochecha bem rosa, com uma pele meio úmida de tanto que o cara suava. Fora o monte de espinhas que ele tinha no rosto. Sinistro mesmo. O garoto era muito nojento. O Taylor estava de costas para o sujeito e a Ariella de frente. Ela não acreditou quando viu aquela aberração a encarando. Sério, sem querer exagerar, mas ela ficou até com medo. O Taylor estava contando alguma coisa que a Ariella ouviria muito interessada, se ela não estivesse se sentindo tão desconfortável por causa do cara. É claro que o Taylor começou a perceber que tinha alguma coisa errada.

Tay >> "Lella, tá tudo bem?"

Ariella >> "Claro que sim."

Tay >> "Mesmo? 'Cê tá com um cara de que viu assombração."

É, podemos analisar o tiozinho espinhudo por esta analogia.

Ariella >> "Ahm... eu vi mesmo."

Taylor olha para trás para ver o que a Ariella estava observando.

Tay >> "Nossa... eu acho que ele gostou de você, Lella."

Ariella >> "Eu sei." – com uma cara de medo.

Tay >> "Não tô gostando do jeito que ele tá te olhando." – olhando para o tio espinhudo.

Ariella >> "Ai, nem eu." – com a mesma expressão de medo.

Tay >> "Mmm..." – pensando.

Ariella >> "Ai, que minino medonho."

Tay >> "Tenta não olhar para ele." – abre um sorrisinho maroto – "Concentra em mim."

Ariella >> "Isso não vai ser muito difícil." – sorrindo.

Tay >> "Eu queria te dá um beijo..." – com uma expressão triste.

Ariella >> "Aaww..." – beijando-o na bochecha – "Agüenta mais um pouquinho. Daqui a pouco eles saem." – referindo-se a equipe da MTV e ao pai de Taylor.

Tay >> "Tá."

Passado um tempo, o tio espinhudo começou a olhar a Ariella de um jeito ainda mais insinuante. Aquilo a incomodava muito. Até que o garoto começou a se aproximar e se aproximar...

Ariella >> "Tay, ele tá vindo aqui."

Tay >> "Deixe que venha..."

Então o tio espinhudo chega à mesa deles.

Espinhudo >> "Oi."

Ele era ainda mais cabuloso de perto. O rosto dele era algo indiscritivelmente nojento. Só tinha pus e daí para baixo.

Tay >> "Oi." – sério.

Espinhudo >> "Como é o seu nome?" – perguntou para a Ariella.

Ariella >> "Por que quer saber?"

Espinhudo >> "Porque eu te achei muito linda."

Ariella >> "Obrigada."

O Taylor só olhava, quieto, pensando. Ele não era dos mais ciumentos, mas aquele tio espinhudo estava irritando.

Espinhudo >> "E então. Qual é o seu nome?"

Ariella >> "A minha mãe sempre me ensinou a não dizer o nome para estranhos."

Espinhudo >> "Com'on... eu não sou um estranho."

Ariella >> "A partir do momento que eu não sei quem você é, você se torna um estranho."

Enquanto a Ariella enrolava o cara, o Taylor já estava ficando impaciente. Foi então que ele segurou o rosto da Ariella e deu um beijão de língua nela, delicadamente, daquele jeitinho gostoso que o Taylor sempre beijava.

Tay >> "Lella, eu tenho que ir falar com o Christopher." – levantando.

Ariella >> "Eu vou com você." – levantando também.

Eles dois saíram e o tio espinhudo ficou lá, com a maior cara de tacho. Os amigos dele começaram a tirar um monte com a cara do garoto, coitado. Tudo bem que ele era feio, mas teria pelo menos uma chancezinha se conhecesse a fabulosa arte do chegar. Que menina que gosta desses garotos que chegam "e aí, biscoito?" ou ainda "fala, gostosa". Isso é brochante. Menino tem que ter jeito. Tem que chegar delicado, sem ser vulgar, porque isso irrita demais. Duvido que se o Taylor tivesse chegado na Ariella dizendo "ô tesuda, rola um beijo ou nem?", ela teria ficado com ele. Nunca. Que mulher que gosta disso?

A Sharon estava chegando no andar do apartamento do Hanson. Nossa, ela estava muito nervosa. Chegou na frente do quarto e ficou pensando o que ela ia fazer.

Sharon >> "Tudo bem, Sharon. O máximo que vai acontecer é você morrer de vergonha... só isso."

Ela abriu a porta devagarinho, para não fazer barulho. Entrou com o passo leve. A sala estava uma bagunça com um monte de roupas jogadas pelo sofá, latas de refrigerantes e restos de batata frita na mesinha de centro.

Sharon >> "Taylor porquinho." – falou sozinha.

Foi caminhando até o quarto dos meninos. A porta estava aberta. O Zac dormia quietinho, todo jogado na cama, com o lençol desarrumado sobre o seu corpo, cobrindo-o até a metade das costas. Deu para ver que ele estava sem camisa. Uma perna estava dobrada, a outra reta, os cabelos completamente caídos no seu rosto e os braços para baixo do travesseiro.

Sharon >> "Puta que o pariu... mas esse cara é muito gostoso." – falou sozinha, bem baixinho. – "E eu fiquei com ele. Hehe."

Essa modéstia da Sharon é uma virtude... Mas tudo bem.

Ela começou a se aproximar da cama e sentou no chão, de frente para a lateral da cama, o que a deixava de frente para o rosto do Zac.

Sharon >> "Tá... 'xô vê..." – ela sussurrou. – "Como que eu faço agora..."

Ela continuou olhando para o Zac, pensando num jeito sutil, direto (mas romântico), calmo... enfim, perfeito de acordá-lo. Ela sabia o quanto era horrível quando alguém a acordava de repente, sem nem respeitar o soninho dela. Não queria fazer o mesmo com o Zac. Ficou olhando para ele, pensando nele, na boca dele, no beijo dele... Deu uma vergonhinha básica nela. Mas aquelas vergonhas boas, que dá de lembrar do beijo que foi dado. E ela ficou pensando em como ela gostou do Zac antes de conhecê-lo. Só que o Zac que ela costumava gostar era muito diferente. Ele significava distância, impossibilidade e, principalmente perfeição. E o Zac que ela tinha beijado não era perfeito. Tinha defeitos, como qualquer um. Só que a Sharon achava que, quando ela descobrisse isso, ela se decepcionaria muito. Mas não. Ser normal era uma das qualidades do Zac de que ela mais gostava.

Sharon >> "Ai... que lindo." – ela deixou escapar, por causa dos seus pensamentos.

Zac >> "Obrigado."

A Sharon levou um susto. O Zac deu um sorriso, ainda de olhos fechados, só então abriu os olhos.

Zac >> "Oi, Shashá." – sorrindo.

Ela queria morrer de tanta vergonha por saber que ele tinha a ouvido.

Sharon >> "Zac, nossa, 'cê me assustou."

O rosto dele estava todo amassado, com uma marca quadriculada do cobertor nas duas bochechas. Maior cara de quem acabou de acordar. A Sharon achou graça.

Zac >> "Que foi?"

Sharon >> "O seu rosto... tá cheio de quadradinho."

Zac >> "Tá? Ai..." – Ele ficou meio sem jeito.

Sharon >> "Ah, tá bonitinho..."

O Zac sorriu e se inclinou, dando um selinho demorado na Sharon. Estava cheiroso. Um cheirinho de perfume que já está acabando no corpo porque tinha dormido.

Zac >> "Tá fashion?"

Sharon >> "O quê?"

Zac >> "Os quadradinhos."

Sharon >> "Tá. Lindo, Zac."

O Zac começou a rir baixinho.

Sharon >> "O que foi que eu disse??"

Zac >> "Haha... 'cê disse o meu nome com sotaque."

Sharon >> "Sotaque?"

Zac >> "É. 'Cê disse Zéqui."

Sharon >> "Ahm... tá." – morrendo de vergonha.

Ele deu mais um beijinho rápido nela.

Sharon >> "Como você acordou tão rápido?"

Zac >> "Eu tenho o sono leve." – ele sussurrou.

Sharon >> "Ah..."

Zac >> "Tá com sono?"

Sharon >> "Um pouquinho."

Zac >> "Quer deitar aqui?"

Sharon >> "Ahm... não."

Zac >> "Mesmo?"

Sharon >> "Zac!"

Ele começou a rir de novo.

Zac >> "Shashá, you're really cute..."

Sharon >> "Eu só não brigo com você por 'cê ter me chamado de Shashá porque...ahm... você é... você."

Zac >> "Uau... sou?" – rindo.

Sharon >> "É, ué."

Zac >> "Que bom que eu sou eu. Imagine se eu não fosse eu e eu fosse você?"
Sharon >> "Quê?!?"

Ele riu de novo.

Zac >> "Se eu não fosse eu, mas fosse você, eu não poderia fazer isso."

E deu mais um selinho na Sharon. Ela sorriu.

Zac >> "Você dormiu bem?"

Sharon >> "Ahm... ahan."

Zac >> "Que bom." – sorrindo.

Sharon >> "Num tá com fome?"

Zac >> "Muita."

Sharon >> "Vamo’ lá comer então."

Zac >> "Já comeu?"

Sharon >> "Ahan." – disse, bem rapidinho.
O Zac levantou de supetão da cama. A Sharon quase desidratou de tanto que babou nas pernas do menino. Mas sabe que o Zac não era sarado, corpo malhado e essas coisas que normalmente os homens famosos têm? Pois é. Ele até era meio gordinho, com uns pneuzinhos bem pequenos do ladinho da barriga. Noite passada, ela tinha visto ele na piscina. Perna ele tinha de monte, isso é verdade. Mas o Zac era lindo. Tudo nele a Sharon gostava. O mais legal era que ela gostava até das imperfeições dele. Inclusive dos pneuzinhos. O bom era o abraço dele. A Sharon se sentia pequenininha no meio de tanto braço. O Zac era muito forte e por causa disso ele envolvia a Sharon todinha. Era tão gostoso ficar abraçada com ele... Ela amava. Sentia-se protegida.

A Sharon foi esperá-lo na sala, enquanto ele se trocava. Quando ele ficou pronto, os dois desceram para tomar café. Não tinha mais ninguém conhecido lá. O restaurante tinha muito pouca gente. Já era um pouco tarde para tomar café da manhã, mas o Zac detestava acordar e almoçar direto. Ele pensava que o café da manhã era básico para o dia dele ir bem. A Sharon sentou com ele. Os dois estavam conversando, quando a Sharon viu aquele garoto estranho olhando para ela, dando uns sorrisos sugestivos. Era o tio espinhudo. Sim, ele estava de volta.

Sharon >> "Nossa!"

Zac >> "Que foi?"

Sharon >> "Tem um tio bizarro olhando para cá."

O Zac virou para trás para ver quem era.

Zac >> "Ele tá olhando para você."

Ele ficou muito puto.

Sharon >> "Nossa, que coisa é aquela?"

Zac >> "E ele continua olhando." – muito irritado.

Sharon >> "Ah, deixa ele, Zac."

O Zac encarou o tio espinhudo mais um pouco e voltou a comer.

Zac >> "Se ele continuar te olhando, me avisa."

Sharon >> "Ahm... tá."

A Sharon não queria que o Zac ficasse nervoso. Ela não gostava de pessoas nervosas perto dela. Ela ficava desesperada, sem saber o que fazer e o que dizer. O tio espinhudo continuou olhando para ela, mas ela não queria que o Zac percebesse. Aqueles olhares estavam realmente incomodando-a, mas ela não sabia o que fazer. Às vezes, ela olhava para o cara para ver se ele ainda estava encarando. E ele sempre estava. O Zac percebeu que a Sharon não estava à vontade.

Zac >> "Ele tá olhando, né?"

Sharon >> "Ah, Zac, desencana..."

Nossa, o Zac era muito ciumento. Ele não admitia que olhassem para a garota que ele estava ficando. Se olhassem, com certeza essa pessoa iria arranjar briga, porque, para melhorar um pouco, o Zac ainda era meio nervoso. Viu como ele não era perfeito?

O Zac virou para trás e viu a cena necessária para deixá-lo bem bravo: o espinhudo piscando para a Sharon.

Zac >> "Meu, esse cara tá me provocando." – sussurrou bravo.

Sharon >> "Zac, calma. O tio nem sabe que a gente tá, tipo..." – ficou com um pouco de vergonha de falar. Mas aquela vergonha boa de novo.

Zac >> "Juntos?" – olhou para ela.

Sharon >> "É." – ela ficou muito feliz por ouvi-lo dizer aquilo. – "Então deixa ele. Tipo, o cara luta sumô. Melhor ‘cê deixar quieto."

O Zac teria rido da piada em qualquer outra circunstância. Mas não naquela.

Sharon >> "Zac, come aí e esquece o cara."

‘Cê lembra como foi com a Ariella, não lembra? O tio espinhudo se aproximou da mesa para falar com ela. E não é que ele fez a mesma coisa com a Sharon? Quando a Sharon viu ele se aproximando, entrou em pânico. O Zac tinha ido ao banheiro. Antes de sair, ele disse para Sharon: "Se aquele cara chegar perto de você, me avisa". Na hora, a Sharon falou qualquer coisa, só para o Zac desencanar. Agora, o tio estava aproximando-se cada vez mais da mesa dela. Putz...

Sharon >> "Não, não. Volta." – ela disse para o espinhudo, fazendo sinal para ele se afastar, quando ele ainda não estava tão perto.

O tio pareceu que nem ouviu e continuou vindo.

Espinhudo >> "Oi."
Sharon >> "Ahm... oi."
Espinhudo >> "Como é o seu nome?"

Sharon >> "Será que dá pra gente falar outra hora?"

Espinhudo >> "Pra que esperar, baby?"

Putz, que cara nojento.

Sharon >> "Ai, dude, please, just go."

E foi nessa hora que o Zac saiu do banheiro. Quando ele viu o cara falando com a Sharon, ele ficou louco da vida. Nossa! Saiu andando rápido até a mesa e se enfiou entre ele, que estava em pé, e a Sharon, que estava sentada.

Zac >> "Perdeu alguma coisa aqui?" – muito nervoso.

Sharon >> "Ai, cocô."

Espinhudo >> "Eu tava falando com a garota ali."

Zac >> "A garota tá acompanhada. Vai saindo fora."

O gordinho espinhudo estava morrendo de medo do Zac. Os amigos dele gritavam mais atrás no restaurante para ele partir para a ignorância com o Zac. Por causa disso, o gordinho espinhudo sentiu-se pressionado à seguir em diante com aquela discussão, mas não era o que ele queria fazer.

Espinhudo >> "Eu... eu não tenho medo de você." – sem segurança na voz.

Zac >> "Ainda." – ele disse bravo. – "A garota é minha. Pára de azucrinar, meu!"

Sharon >> "Zac, tipo... calma, dude. Por favor, pára com isso. O tiozinho não vai mais falar nada, né tiozinho?" – disse olhando para o espinhudo.

Ele ficou quieto.

Sharon >> Tá, whatever... Zac, vamo’ bora. Por favor."
O Zac olhou para a Sharon. Então olhou para o tiozinho espinhudo de novo, pegou o casaco dele e saiu com a Sharon de mãos dadas. Deu para ouvir os amigos dele rindo da cara do coitado do tiozinho de novo.

Zac >> "Looser..." – ele sussurrou.

Sharon >> "Zac, nossa, eu nunca te vi daquele jeito."

Zac >> "Só saí de lá porque foi você quem pediu, Shashá."

Sharon >> "Você não precisava ter ficado bravo. Eu não estava pensando em, tipo, largar de você para ficar com ele."

O Zac sorriu para a Sharon.

Sharon >> "Gordinho por gordinho, sou mais você."
O Zac amou aquele comentário da Sharon. Ele parou, agarrou-a com força pela cintura e deu aquele beijão nela. De repente mesmo. Ela até se assustou um pouco, mas gostou da surpresa, afinal, beijar o Zac não era exatamente algo que ela não gostava de fazer.

Zac >> "Te adoro, sua louca."

A Sharon só abraçou o Zac forte, lembrando do que ele disse para o tio espinhudo: "a garota é minha. Pára de azucrinar". Ela tinha amado aquilo.

Chegou a noite. A tarde eles tinham ensaiado um monte de coisas para a entrevista ao vivo e a VJ Sabrina tinha chegado do Brasil naquela tarde para comandar o especial e traduzir simultaneamente a entrevista. Se tudo corresse da maneira que fora ensaiado, seria um programa muito legal. Todo mundo estava bem arrumado para o programa. O Seu Viana conversava com a MTV brasileira pelo celular, minutos antes de o especial do Hanson entrar no ar.

Martinha >> "Todos prontos?"

Então as meninas saem do quarto. E começa a gravação. A Sabrina começou dizendo aquelas coisas básicas de "oi, gente. Essas aqui são a Sharon e a Ariella e nós estamos aqui para..." blá, blá, blá.

Sabrina >> "Então agora a gente vai entrar no quarto dos meninos do Hanson para uma entrevista exclusiva que as minhas repórteres vão fazer. Nervosas, meninas?"

É claro que elas não estavam. Imagine se você vai ter vergonha de fazer umas perguntas bestas como as que elas teriam de fazer para os meninos que elas tinham beijado durante aqueles últimos dias todos?

Ariella >> "Claro, nossa. A gente tá muito nervosa! Ai, acho que eu vou chorar quando eu entrar lá dentro."

Sharon >> "Yup."

Sabrina >> "E você, Sharon?" – toda sorridente.

Sharon >> "Meu, é o Hanson. Como ‘cê acha que eu estou?"

Sabrina >> "Tá certo." – rindo. – "Vamos entrar então."

Elas três entram no quarto. A Ariella e a Sharon foram até os três cumprimentá-los, fingindo nunca terem os visto antes. Elas queriam rir.

Sabrina >> "Hello, guys." – toda serelepe.

Hanson >> "Hey."

No começo da entrevista, eles estavam muito introvertidos. Era estranho vê-los tão diferentes. Eles agiam e reagiam de maneira bastante distintas do normal. O Taylor não parecia tímido, nem distraído, como era de verdade. O Zac fazia umas piadas, mas volta e meia, ele começava a olhar para um ponto fixo, ficava quieto, parecia que viajava mesmo. Aí de repente ele voltava, respondia uma perguntinha ou outra e, pronto. Já dispersava de novo. O Isaac era maduro o tempo todo, fazia muito o tipo de irmão mais velho, vigiando os irmãos sempre. O mais estranho era ver ele falando corretamente, sendo que o vocabulário normal dele era cheio de gírias. Basicamente, os três eram bastantes sérios, não olhavam as meninas nos olhos direito e se portavam muito profissionalmente. A Ariella, num determinado momento, até sentiu-se fã de novo. Foi muito ruim. Ela não queria sentir aquilo de novo na vida dela.

Com o desenvolvimento da entrevista, eles começaram a se soltar mais. O Zac passou a fazer muita palhaçada, o Taylor ria muito e o Isaac acompanhava. É que eles sentiam-se à vontade com elas, afinal já as conheciam. Então ficou melhor. A Sabrina ficou até assustada com a liberdade dos três com elas, até porque, eles falavam mais com elas do que com a Sabrina.

Ariella >> "E as garotas? Vocês estão namorando?"

Tay >> "Well, yeah, we date people, but no steady girlfriends." – ele disse, querendo sorrir.

A Ariella sorriu, querendo rir, porque o Taylor começou a ficar vermelho.

Sabrina >> "Nossa, como o Taylor ficou vermelhinho." – ela disse em português, olhando para a camera. – "Meninas, acho que ele andou aprontando por aqui."

A Sharon e a Ariella deram aquela risada falsa, só para disfarçar. Depois da entrevista, eles fizeram o que o Isaac havia sugerido, de gravar eles todos conversando, num clima mais descontraído. Foi muito engraçado. O Zac estava atacado, claro. Ele não podia ver uma camera que, pronto: começavam os ataques dele. O especial teve quase duas horas e meia. Quando terminaram a gravação, o Seu Viana e a Martinha se abraçaram, porque tinha sido o maior sucesso. O Seu Viana recebeu um telefonema no celular dele da MTV Brasil, contando que a audiência havia sido total. E a emissora tinha recebido um monte de e-mails perguntando da Ariella e da Sharon.

As duas >> "Sério?!"

Viana >> "Verdade! Todo mundo quer saber quem são vocês. Claro que teve algumas meninas que xingaram toda a descendência de vocês, mas isso é normal."

Sharon >> "Nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa, nossa." – falando bem rapidinho.

Viana >> "Então, meninas, voltem para o quarto de vocês porque amanhã nós estamos voltando para o Brasil."

Ariella >> "Já?!"

Sharon >> "Nossa..." – com cara de choro.

Viana >> "A Martinha tá me chamando ali. Depois falo com vocês."

Os três se aproximaram para conversar.

Ike >> "Ficou mó legal, né não?"

Tay >> "É, eu também gostei."

Elas não diziam nada.

Zac >> "Que foi? Por que 'cês tão com essas caras?"

Sharon >> "Amanhã a gente já vai embora."

Tay >> "É, nós sabemos."

Ike >> "E nós vamos amanhã de manhã."

Sharon >> "Sério?!"

Ariella >> "Nossa, que podre..."

Tay >> "Yeah..."

Eles passaram a noite toda acordados, conversando, se beijando muito e combinando como eles fariam para não perderem o contato quando cada um fosse para o seu lado. O clima não era dos mais tristes, afinal, eles sabiam que tinham aproveitado o máximo do tempo juntos. Eles só queriam poder conversar mais um tempo. O Zac contou para a Sharon em detalhes o quão importante tinha sido para ele passar aquele tempo com ela. Desculpou-se por coisas que a Sharon já tinha até se esquecido e foi muito carinhoso ao dizer cada palavra. A Sharon custou, mas conseguiu dizer bastantes coisas para ele também. A Ariella e o Taylor foi um pouco diferente. O Taylor era um pouco mais tímido para falar sobre o que ele sentia, então foi mais a Ariella que falou. Ele amou tudo o que ela disse. Teve um momento em que os olhos dele encheram de lágrimas, mas ele não chorou. O Taylor era muito sensível. Às vezes, ele fazia um tipo de gostosão, mas a Ariella tinha aprendido bem como detectar quando o Taylor estava sendo ele mesmo e quando ele estava dando uma de Taylor Hanson (acho que todo mundo que leu esta história aprendeu um pouquinho, não é?). E a Ariella conseguia alcançar o Taylor. Conseguia buscar o Taylor lá no meio dos fingimentos que eles às vezes fazia e conversar sério. E era exatamente por isso que tinha chamado a atenção dele sobre ela.

Depois que elas voltaram para casa, muita coisa mudou. Elas nunca mais foram fãs do Hanson. As amigas delas quase as mataram por causa do especial que elas assistiram na televisão. "Como que vocês não contaram pra gente que vocês iam entrevistar o Hanson?!" e "Suas mentirosas! Nem falaram nada!" foram frases bem comuns entre as outras tantas que elas tiveram de ouvir. Mas não ligaram muito. elas optaram por esconder. O que os outros têm a ver com isso? Ninguém é obrigado a contar cada peido que dá para uma amiga. Existem certas coisas que a gente prefere ocultar mesmo.

Volta e meia, o Taylor e o Zac ligavam para as duas, normalmente à noite. Teve até uma vez em que a Sharon estava no banho e, quando ouviu a mãe dela gritando "Sharon, é o Zac. Quer que eu peça para ligar mais tarde?", ela nem pensou duas vezes. Saiu do banho, pingando pela casa inteira, enrolada na toalha, correndo que nem uma desesperada. Mas isso era no começo dos telefonemas, porque depois ela foi se acalmando e ficando menos ansiosa. A mesma coisa aconteceu com a Ariella. Um dia, a Ariella convidou um monte de meninas, amigas dela e da Sharon, para dormirem na casa dela. O Taylor resolveu ligar bem naquela noite. Nossa, foi um desespero. A Sharon começou a falar muito alto para que nenhuma das amigas notasse que a Ariella estava conversando em inglês no telefone. Muito engraçado. Teve um outro caso em que a Ariella ficou muito doente e teve de ir para o hospital. Claro, ela não estava correndo risco de vida, nem nada, mas mesmo assim, era sério. Você acredita que o Hanson viajou até o Brasil para vê-la? Essa foi a primeira vez que eles se viram de novo, depois de Nova York. Tinha passado uns 7, 8 meses já. Foi um reencontro muito legal. A Sharon foi com a mãe dela buscá-los no aeroporto. Até hoje não se sabe como a imprensa descobriu que eles estavam chegando no país, mas eu só lembro que elas me contaram que sempre tinha repórter na porta do hospital. Bom, mas isso nem atrapalhou muito. O mais legal foi que, depois de tudo o que eles tinham passado lá em Nova York, eles tornaram-se grandes amigos. O que não significa que, só porque eram amigos, a Sharon e o Zac não ficaram naquele tempo que a Ariella estava no hospital. Demorou uns dias até que o negócio de desenrolasse, porque a Sharon continuava muito tímida. Mas o Zac apelou mais uma vez para o método dele do "beijo de repente-sem avisar-do nada-rapidinho". Foi num dia em que eles estavam com o Taylor no hospital. Não tinha nada para fazer, então o Zac convidou a Sharon para assistir televisão na sala de espera. Não tinha ninguém, porque já era tarde da noite. Os dois sentaram no sofá. Até aquele momento, os dois estavam tratando-se como amigos. Era estranho para a Sharon porque ela não queria o Zac como o seu amigão. Porém, não tinha coragem de tomar nenhuma atitude para mudar isso.

Zac >> "Sharon..." – chamou-a baixinho.

Sharon >> "Hmm?"

Zac >> "A gente mudou muito desde a última vez que a gente se viu?"

Sharon >> "Acho que nada, por quê?"

Zac >> "Bom saber."

Já que não mudou, por que não continuar como era antes? O Zac segurou a mão da Sharon e a beijou. E eles ficaram juntos à partir daquela noite. A família Hanson ficou no Brasil até a Ariella melhorar. Foi muito bom, porque isso os uniu ainda mais. Depois que a Ariella saiu do hospital, ela e a Sharon até os apresentaram para as melhores amigas delas, a Sabrina e a Alynne. A própria Sabrina me relatou com detalhes como foi ficar com o Isaac. O Taylor e a Ariella ficaram juntos depois que ela saiu do hospital, mas o Taylor passou um sufoco tão grande enquanto ela estava doente que, quando ela finalmente melhorou, ele a pediu em namoro. A Ariella me contou que foi lindo ele declarando-se para ela.

Tay >> "Lella... eu sei que a gente mora um pouco longe um do outro, mas é que, sei lá, eu queria tentar. Eu acho que se a gente quiser, tem como dar certo. Quer dizer, se você quiser, é claro. Eu gosto muito de você. Não te imagino aqui no Brasil, sozinha, dando chance pra outros caras chegarem em você. Meu, se 'cê quer saber bem a verdade, eu entro em pânico só de pensar nisso. Eu quero namorar com você, Lella. Eu queria que você só minha. E olha, se você perceber que não está dando certo, não tem problema, a gente termina. É você quem vai decidir. Mas vamos tentar, por favor."

Imagine como ficou o estado da Ariella, né? Nem acreditou. Achava que o Taylor jamais poderia estar gostando dela da mesma maneira que ela sentia-se em relação a ele. É que o Taylor não era de falar muito dos sentimentos dele. Era muito envergonhado e não via tanta necessidade em sair se mostrando para todo mundo. Mas com a Ariella foi diferente. Ela foi a primeira menina com que ele sentiu necessidade de se mostrar. Eu sei o que você está pensando nesse exato momento: o que teria acontecido se o Taylor tivesse se interessado pela Sharon e o Zac pela Ariella. Caracas... eu não tenho nem idéia. No caso da Ariella e do Zac, talvez um decreto mundial de estado de sítio. "PROTEJAM-SE, ELES VÊM AÍ! TAMPEM SEUS OUVIDOS, CUBRAM SUAS COMIDAS E ESCONDAM-SE EM SEUS SÓTÃOS!". Acho que seria algo assim que aconteceria de tanto que o Zac e a Ariella iriam falar e fazer bagunça. E o Taylor com a Sharon... um puta tédio, porque nenhum dos dois começariam uma conversa naturalmente. É como inércia. Precisa de uma força que os tire do lugar. Poderia decretar-se mundialmente um estado de sítio neste caso também. Algo como "LIGUEM SEUS SONS, FAÇAM BARULHO!! ELES ESTÃO VINDO COM O SEUS SILÊNCIO MORTAL!! AAAHH!!". Exagero ou não, é bem por aí...

A Alynne ficou muito amiga do Zac. Mas muito mesmo. Às vezes, a Sharon até ficava brava, morrendo de ciúmes, porque eles conversavam bastante, mas nada de grave, porque o Zac, querendo ou não, só tinha olhos para a Sharon.

Depois disso, eles começaram a ir mais ao Brasil, faziam uns consertos por lá. Sempre aparecia na televisão reportagens de como o Hanson amava o Brasil. Quando perguntavam porquê, eles sempre falavam da comida, das pessoas, dos lugares, mas nada específico. Mas o mais lindo mesmo, foi no dia dos namorados no Brasil. Os Estados Unidos comemoram esta data em dia diferente e o Isaac, o Taylor e o Zac não sabiam dessa diferença de datas. Eles assustaram-se quando receberam um cartãozinho em casa da Ariella e da Sharon, umas semanas depois da data ter passado no Brasil. O cartão do Taylor estava escrito um monte de coisas. A Ariella falava muito de como ela o amava, de como ela estava com saudades e de como a vida dela tinha mudado depois que o tinha conhecido. No do Zac, a Sharon tinha escrito umas três ou quatro linhas. A Sharon não era de falar, como vocês já perceberam no caminho da leitura desta história, e muito menos de escrever. Mas o que ela escreveu no cartão, já foi o suficiente para o Zac entender:

"Zac... Gordinho por gordinho, sou mais você. Te amo. Shashá."

Nossa, 'cê acredita? Elas conseguiram mesmo. Precisa dizer aquelas coisas de "elas foram felizes para sempre?". Não, né? Mesmo porque, a felicidade de que elas participavam não é aquela dos contos de fadas, completamente mentirosa e tal... Como quando a princesinha conhece o principezinho encantado e "eles são felizes para sempre". Duvido que eles nunca tenham brigado, mais tarde. Duvido que o príncipe nunca humilhou a princesinha numa briga ou usou algum dos seus filhos para prejudicá-la. Algo como "Se você não fizer tal coisa, eu tiro as crianças de você". É aquela felicidade real que eu estou falando. Você deve estar pensando: "Felicidade... sorte é o que elas tiveram". Eu não gosto de chamar isso de sorte porque, sei lá, parece que quando a gente fala isso, dá impressão que você conseguiu aquilo sem ter de fazer nada, sem esforço nenhum. Simplesmente porque você teve "sorte". Nah... elas se esforçaram sim. Ai, ai... Nada como vencer pelo simples fato de ser bom. Mas claro, sem precisar mentir, com humildade, respeitando as pessoas e acreditando muito em você.

E é isso. Tchau! *mua mua*

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~ FIM ~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*

- Sharon & Ariella -

Por: Gabriela Küster Brandalise

Escrita em fevereiro-agosto/2000

Dedico esta estória às minhas amigas mais do que amadas, Sharon & Ariella. Meninas, parabéns. Vocês são pessoas incríveis que eu adorei conhecer. Amo vocês duas igualzinho. Para mim, 'cês são quase que necessárias. *mua mua*. Shashá, você é um absurdo, minina! Eu já mencionei o quanto eu amo o seu "Blah"? E a fita blah? Perde o medo das coisas e continua assim, querida, tímida e muuuuito engraçada. *mua mua*. Lellinha, como 'cê é louca! E é por isso que eu te amo tanto. Num esquece nunca de continuar sendo bem faladêra como 'cê é e não muda teu jeito, porque eu sou mó fã dele. *mua mua*.

Quem disse que você não pode conhecer o seu Hanson? O que eu quero dizer é que, quem disse que o seu sonho não pode se realizar? Este era o delas. Às vezes a vida surpreende. Basta você seguir o seus instintos, agir por impulso, mas de vez em quando, pensar muito quando for necessário e pedir muito pela ajuda do nosso Pai do Céu. Nada é impossível. Se você acha que é, está perdendo tempo porque, enquanto você chora a improbabilidade do seu sonho acontecer, tem gente lá, conhecendo o seu Hanson, fazendo o seu sonho acontecer para outros. Por isso, se mexe aí e não limite-se à Martinhas ou tios espinhudos. Se eles te irritam, ignore. Se eles te assustam, enfrente. E outra dica: o Hanson ou qualquer outro ídolo nunca é algo tão maravilhoso e perfeito na vida real como eles mostram ser nas fotografias. Não prenda-se a eles. Não limite-se assim.

...GaBy :c)